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Lá e de volta outra vez…

“Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar” 

XIX Semana de Filosofia (UFJF)

A exemplo do que fiz no ano passado, faço um post hoje dedicado exclusivamente à Semana de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Ano passado dizia que o 2º período da faculdade ia chegando ao fim e gosto pela Filosofia só aumentando, hoje posso dizer que a única mudança nessa frase poderia ser o 4º no lugar do 2º. O gosto pela Filosofia continua só aumentando e não é só uma questão de gosto, o pensamento filosófico, a maneira de olhar o mundo filosoficamente, tudo isso vai me “contaminando” cada vez mais e a Semana de Filosofia é um bom momento pra se refletir um pouco sobre isso.

Neste ano a Semana de Filosofia da UFJF foi realizada já no novo prédio do Instituto de Ciências de Humanas, o novo prédio é de certa longínquo, mal localizado, ainda mais se pensarmos na ótima localização do antigo ICH, mas nostalgias e saudades à parte, o novo ICH oferece três anfiteatros, salas mais bem estruturadas, etc.

E a primeira Semana de Filosofia do novo ICH, realizada do dia 24 ao dia 27 de outubro diferente do que comumente se faz, não teve um tema específico, o “tema” foi chamado justamente de “O múltiplo das questões”. Por isso cada dia meio que teve um tema, mas nada muito certinho.

Na segunda, o evento foi inaugurado com Fenomenologia. O recém-contratado professor da UFJF, Luciano Donizetti da Silva, falou sobre “Liberdade e Engajamento: a Fenomenologia Francesa”. A palestra girou em torno das desavenças filosóficas entre Sartre e Merleau-Ponty. Focando mais no primeiro e também relembrando a importante contribuição heideggeriana para estes dois pensadores franceses.

Logo em seguida foi iniciado o primeiro mini-curso. Ministrado pelo também professor da UFJF (esse já um velho conhecido) José Carlos Rodrigues. O tema foi “Metafísica e Subjetividade”. José Carlos dividiu sua exposição em três momentos: o primeiro foi a “descoberta” da subjetividade por Descartes, depois as sistematizações kantianas de sujeito-objeto e por fim a apresentação de uma entrevista de Martin Heidegger, dada em 1969 no famoso chalé da floresta negra.

Este minicurso foi complementado pelo professor Adelmo José Silva da UFSJ, ele focou em Henri Bergson, pensador pouco estudado no Brasil e que possui um pensamento bem interessante, Bergson aliás foi retomado na terça-feira, na apresentação do livro de Tarcisio Jorge Santos Pinto: “O método da intuição em Bergson e sua dimensão ética e padagógica.”

Na terça-feira o dia foi aberto com o diálogo investigativo do chefe de departamento da Filosofia da UFJF, Juarez Gomes Sofiste. O tema de sua apresentação foi: “Filosofia na América Latina: Filosofia da Libertação ou Libertação da Filosofia”. Juarez buscou lembrar nomes de filósofos latino-americanos que são esquecidos pela maioria como por exemplo Leopoldo Zéa, Enrique Dussel, etc.. falou de uma maneira radical sobre o fazer Filosofia na América Latina.

Terça-feira também foi dia de abertura das Comunicações Filosóficas, que é o espaço dado para os alunos do curso mostrarem seus estudos. As Comunicações Filosóficas este ano foram especiais pra mim, por apresentei o artigo “O Silêncio em Kierkegaard” numa das mesas (já na quinta-feira). Foi a minha “estreia” em apresentações acadêmicas desse porte e o interessante foi ter dividido a mesa com Carlos Mário Paes Camacho, meu colega de sala, que no ano passado também apresentou uma comunicação filosófica e foi citado aqui por mim no blog, naquele momento ele era um “colega palestrante” agora não deixa de ser um “colega de palestrar”.

Enfim, na terça quem apresentou as Comunicações foram Diegho Salles, com “Manoel de Barros: uma reinvenção metafenomenológica da linguagem.” Lidiane Giarola com a “Análise do Discurso” e Vanessa Gonçalves com “O narrador em ‘A Hora da Estrela'”. Todas tiveram como eixo o discurso, a linguagem, e falaram basicamente da pós-modernidade, seja por um viés fenomenológico, estruturalista ou literário.

A quarta também foi um dia especial, principalmente para o Un Quimera. Sim, quarta foi dia palestra do professor René Dentz: “Ética e Psicanálise em Paul Ricoeur”. Digo que foi especial para o Un Quimera pois foi através do post sobre a Semana de Filosofia do ano passado que o René fez contato comigo (via comentário até) e a partir daí fomos planejando a ida dele pra Juiz de Fora para apresentação dessa palestra, é interessante lembrar também que o René é um ex-aluno da própria Filosofia da UFJF, inclusive ajudou a organizar a X Semana de Filosofia. Sua palestra também focou a pós-modernidade, com ênfase nas obras de Paul Ricouer e ressaltou bastante também a importância de um aprofundamento filosófico para que a Psicanálise, a Psicologia possam se desenvolver bem.

O segundo momento de quarta-feira contou com o mini-curso do professor Luiz Antônio Peixoto da UFJF sobre “Ideologia e Senso Comum”. Talvez essa tenha sido a apresentação mais aguardada e frequentada. Dividida em duas partes foi uma espécie de introdução para os futuros alunos de Estética e Filosofia da História (meu caso) e de revisão para os atuais alunos dessa disciplina. Partindo de Marx e da Escola de Frankfurt, Luiz Antônio ministrou um mini-curso que gerou muito interesse, discussão e que pretende sempre, creio, despertar mesmo é a crítica social através de um viés filosófico.

Esse mini-curso foi o gancho para os alunos Aurius Gonçalves e Emerson Oliveira apresentarem seus trabalhos nas Comunicações Filosóficas de quarta. Aurius apresentou “A Ideologia da Cultura na Contemporaneidade” e Emerson uma análise de “Ideologia: uma introdução” de Terry Eagleton. Muito debate e muita discussão, os habituais dez minutos de perguntas foram fortemente extrapolados.

A quarta foi fechada com a palestra do professor da UFJF, Ricardo Vélez: “Panorma completo da Filosofia Latina”.

Na quinta-feira, último dia da Semana, a primeira atração foi a mesa de Comunicações Filosóficas, onde, como já adiantei, o blogueiro aqui e Carlos Mário Paes Camacho fizeram suas apresentações. Ele com “Ética e Atualidade em Michel de Montaigne” e eu com “O Silêncio em Kierkegaard”.

O dia continuou e de certa forma retomou a levada de quarta-feira das ideologias e afins com o mini-curso do professor da UFJF Pedro Rocha: “Ideologia e Imagem”. Dividido em duas partes, como todos os mini-cursos, a primeira parte foi de apresentação do filme “Salve Geral”, que conta a história do acontecimento que ficou conhecido como Salve Geral, revolta do PCC ocorrida em 2006.

A segunda parte da mini-curso foi para discussão do filme em si e de como a violência e as ideologias são representadas em imagem (no caso, pelo Cinema). Assim como o mini-curso do Pedro Rocha na Semana de Filosofia do ano passado, este foi impactante e gerou muita discussão bacana.

Quinta-feira continuou com muito cinema. Depois do mini-curso do Pedro Rocha foi a vez de Leandro Domith dividir a mesa com o cineasta Sergio Santeiro. O primeiro escreveu sua tese de mestrado em cima da obra do segundo e ambos falaram muito bem sobre “O Cinema no Terceiro no Mundo”. A discussão acabou indo para o lado quase que estritamente cinematográfico e saindo um pouco da Filosofia em certos momentos, mas ainda assim foi muito válida, um dos pontos altos da Semana.

Semana de Filosofia que chegou ao fim com palestra conjunta do cineasta Geraldo Veloso e do professor da UFJF Gilberto Vasconcellos, ainda nesse diálogo entre Filosofia e Cinema o tema da palestra foi: “O Cinema concebido como reflexão sobre a realidade no terceiro mundo e seu devir histórico”.

Essa foi uma passada bem superficial sobre as palestras, mini-cursos e comunicações dessa XIX Semana de Filosofia. É muito bom e engrandecedor, academicamente falando, participar de um evento dese porte. Apenas dentro das quatro paredes da sala de aula não dá pra se ter uma vida acadêmica verdadeiramente interessante.

Enfim, cada vez mais envolvido nessa Filosofia da UFJF vou escrevendo sobre as Semanas e espero que elas possam continuar sendo realizadas e sempre despertando o interesse em professores, alunos e demais pesquisadores (principalmente os da própria UFJF), mas também aos de fora.

QuimeraTube #43

O QuimeraTube de hoje é uma homenagem/agradecimento ao Coletivo Sem Paredes e ao DCE da UFJF (Gestão Outras Palavras), pela realização do I Festival de Cultura e Arte e pelo I Festival Sem Paredes. Eventos que agitaram a Universidade Federal de Juiz de Fora de quarta passada até ontem.

Oficinas de rugby, slackline, jornalismo cultural, etc.. E no fim de semana, som, muito som bacana na praça cívica da UFJF.

Um batalhão de bandas independentes, de casa (como Martiataka e Silva Soul) e do Brasil inteiro (como Black Sonora, Aeromoças e Tenistas Russas, Garotas Suecas, Do Amor, entre outras..)

O detalhe é que no caso deste blogueiro que voz fala o fim de semana foi ainda mais recheado culturalmente com o show do Ventania, no Cultural Bar, na quinta-feira. O maluco magrelo de cabelo amarelo botou fogo no Cultural cantando seus grandes sucessos e ainda teve direito a um pouquinho de Raul Seixas no fim…

Enfim, essa efervescência cultural que rolou em JF na última semana é muito positiva, saudável pra corpos e mentes de poetas, cantadores e estudantes. Fica o agradecimento aos organizadores do evento e o vídeo de como foi mais ou menos o fim desse festival, com BNegão e Black Sonora mandando a pesada “Guiné Bissau, Moçambique e Angola” do grande Tim Maia:

Back on track

“Mas quem me vê? Eu mesmo me verei?

Correspondo a um arquétipo ideal.

Signo de futura realidade sou.”

 

XVIII Semana de Filosofia (UFJF)

Como prometido em posts anteriores, faço hoje um post (com um certo atraso já) pra falar exclusivamente da XVIII Semana de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora.

O evento ocorreu entre os dias 26 e 29 de outubro no Instituto de Ciências Humanas da UFJF e teve como tema e slogan o “Arte à Filosofia”.

Antes de falar do evento propriamente dito, acho que vale a pena falar também do curso como um todo.

Na verdade Filosofia não era minha primeira opção, acabei entrando e no começo tinha um certo de não gostar ou coisa parecida.

Bastou uma semana pra que esse medo se dissipasse, e eu começasse a gostar verdadeiramente do curso.

O tempo passou, o 2º período já vai chegando ao fim e eu continuo gostando muito da Filosofia. Não digo que “não me vejo fazendo outro curso”, mas digo com toda certeza do mundo que com a Filosofia eu mudei muito minha visão de mundo, me abri a novos pensamentos e hoje sou uma pessoa melhor.

Enfi, particularidades do blogueiro a parte, a Semana de Filosofia contou com palestras, oficinas, minicursos e Comunicações Filosóficas, como não participei de tudo não vou falar detalhadamente de tudo, mas vale citar.

Dentre as Oficinas, rolou uma de Poesia com o Grupo Encontrare, de Juiz de Fora. Uma de Teatro, com o pessoal do Teatro Universitário da UFMG e uma de Stencil, com o professor João Paulo Paes, do Centro de Ensino Superior (CES) de Juiz de Fora. Apesar de não ter participado de nenhuma, rolou um feedback interessante da galera que participou.

As Comunicações Filosóficas, que são minipalestras, onde os “palestrantes” são alunos do curso de Filosofia também foram interessantes, destaco as de Carlos Mário Paes Camacho (meu colega de sala), que abordou a questão da Liberdade Individual no Contrato Social de Jean Jacques Rousseau.

Minicursos foram dois: “Arte e Verdade em Heidegger”, do professor Paulo Afonso, das Ciências da Religião.

O pensamento heideggeriano é muito complexo (pelo menos pra mim) e eu acabei não participando desse minicurso.

O outro, do qual participei foi “Industria Cultural x Cultura Popular x Alta Cultura” do professor Pedro Rocha, da Filosofia.

Um dos pontos altos de toda a Semana de Filosofia na minha opinião. Pedro Rocha, abordou questões relacionadas à Cultura (Indústria Cultural, Alta Cultura, etc..) tendo como base o pensamento de Walter Benjamin e da Escola de Frankfurt como um todo.

O minicurso foi muito interessante pela interatividade que rolou com os ouvintes e pela autenticidade da tese de Pedro Rocha.

Não poderia faltar o “Filoplex – Cinema sem preço”, foi apresentado o curta “O Artista da Fome”, curta baseado no conto de Franz Kafka, e depois do curta, comentários de Nathan Santos, presidente do C.A. de Filosofia.

Mesmo não tendo conhecido o conto antes de assistir o curta, gostei muito do que vi, e as reflexões em cima do curta, por serem as mais variadas possíveis, foram muito interessantes, a polissemia do pensamento sendo cada vez mais acentuada é algo perfeito de se ter em uma Semana de Filosofia.

E rolaram também as palestras: “Liberdade de Expressão” com o professor Luiz Antônio da Filosofia e o professor Paulo Roberto Leal da FACOM. Talvez essa tenha sido a melhor de todas as palestras, onde o conceito de Liberdade de Expressão foi destrinchado, e temas como até onde vai a liberdade dentro da internet foram abordados.

“A questão do Si em Paul Ricoeur”, com Victor Hugo de Castro Dutra.

“Ontologia e Pintura em Merleau-Ponty: Ontologia selvagem em Cezanne”, com Tarcisio Lage Louzada.

“Reescrevendo a História… em outras palavras: Literatura e Filosofia”, com o professor da Faculdade de Letras Wagner Lacerda.

“O Inteligível e o Sensível na Música Eletroacústica e na MPB”, com o professor Paulo Motta.

E também “Poesia Contemporânea: Implicações e Implicâncias ou: se o devir vier que não fique devendo”, com André Capilé.

Além de tudo isso também rolou uma Mesa Redonda mediada pelo professor Pedro Rocha com representantes de Movimentos Sociais com o tema “Arte, Cultura e Movimentos Sociais”.

Acho que só citando e destacando algumas coisas sobre o que rolou é algo bem superficial, mas vale a pena pra tentar pelo menos passar um pouco do que foi a Semana de Filosofia.

Por fora do Anfiteatro também tinha a “incansável” mesa de xadrez e um bom café, pra ambientar ainda mais a Semana de Filosofia.

Por falar do lado externo da coisa, a foto acima é de um dos corredores do ICH, onde foi prosposta a seguinte ideia: deixe sua ideia.

Valia de tudo, escrever, pintar, desenhar. Isso gerou certas polêmicas dentro do ICH, mas valeu muito a pena.

Pra fechar tudo o ICH também foi palco de uma festinha, mas aí eu estava no show da Pitty (já comentado aqui no Un Quimera).

O mais importante é mesmo ilustrar um pouco do que foi a Semana de Filosofia e dizer que ela só aumenta ainda mais a minha sede de Filosofia, como disse no início estou gostando muito do que estou fazendo, e eventos como esses, bem feitos e bem organizados, com uma proposta interessante e gente boa participando servem principalmente de motivação.

NBA 2010-11

Hoje definitivamente é um dia que marca o início de coisas boas.

Começou na Universidade Federal de Juiz de fora (UFJF) a XVIII Semana de Filosofia, da qual estou participando, por sinal.

Vai até sexta e posteriormente farei alguns comentários sobre isso aqui no Un Quimera, desde já vale dizer que por enquanto está apresentando um nível altíssimo, uma verdadeira efervescência intelectual.

Mas o tema principal do post de hoje, como o próprio título já dia, é outro.

É que hoje começa também a temporada 2010-11 da NBA.

Curto muito basquete e dentro do mundo do basquete incontestavelmente a NBA é superior a qualquer outra liga, por isso o fato de uma nova temporada estar começando é muito animador.

No ano passado e no começo desse ano falei sobre as Finais e os Playoffs da NBA, mas de uma maneira bem superficial, até porque não consegui acompanhar muito bem a liga nessas últimas temporadas.

Pra temporada 2010-11 estou disposto a um maior contato e mais posts no Un Quimera, desde a temporada regular, passando por All Star Weekend e chegando, lógico, aos Playoffs e às Finais.

Não vou determinar nenhuma periodicidade ou coisa do tipo, mas vou tentar colocar um pouco mais de NBA no blog…

Pra hoje vale dizer que logo de cara (como é de costume) já teremos jogões entre postulantes ao título.

Os Celtics que agora possuem Jermaine e Shaquille O’Neal recebem o time que mais causou comentários na pré-temporada, o Miami Heat que agora possui o trio All Star: Chris Bosh, Dwayne Wade e LeBron James.

Pela Conferência Oeste serão dois duelos: O Portland Trail Blazers recebe o Phoenix Suns. Duelo de dois times que com certeza aspiram Playoffs e os atuais bi-campeões Los Angeles Lakers recebem o Houston Rockets, num duelo cheio de rivalidade.

Vale dizer também que pra essa temporada se espera muito do Oklahoma City Thunder, de Kevin Durant, principal jogador dos Estados Unidos na conquista do Mundial da Turquia no mês passado.

Também dos calouros, principalmente Blake Griffin e John Wall.

Não poderia deixar de lembrar também do time que eu torço dentro da NBA. Pois é lógico, assim como sou Flamengo e Liverpool e falo de futebol sem qualquer problema, também sou Memphis Grizzlies.

A franquia do Tennessee vem de uma temporada regular “regular” (40-42) e de uma ótima pré-temporada (8-0), não dá pra esperar muita coisa, pois acredito que o time ainda está se formando, mas nessa temporada em que completa 10 anos uma vaga nos Playoffs seria muito interessante e possível. O time é jovem e tem muito potencial.

Enfim, conforme a temporada for rolando vou dando os meus pitacos aqui…

Novos Ares

“A vida, para nós, significa estar sempre transformando em luz e chama tudo aquilo que somos
ou com que deparamos”