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Coruja de Minerva #02

Antes de mais anda já antecipo que este possivelmente será o post mais longo da história do Un Quimera, então é bom o leitor já ir se preparando.

O segundo post da filosófica série Coruja de Minerva, será um artigo escrito por mim em dezembro de 2010, relacionando duas coisas que fazem parte da minha vida: a Filosofia e o programa de TV Larica Total. Posso dizer que sou fã de ambos.

A Filosofia por si só e também por ser o curso superior que estou fazendo e o Larica Total por ser um programa de TV totalmente avesso à toda essa mediocridade televisiva existente hoje em dia, além de tudo a figura de Paulo de Oliveira (brilhantemente interpretado por Paulo Tiefenthaler) é ímpar, um de seus bordões, o XABLAU, acabou virando meu apelido aqui em Juiz de Fora.

Toda essa importância dessas duas coisas dentro da minha vida, me fez pensar em tentar, de alguma maneira, concilia-las, a tentativa se deu em forma de artigo, que se seguirá nas próximas linhas.

Antes de começar vale deixar aqui uma ressalva: estou no 3º período da faculdade, escrevi este artigo quando estava terminando o 2º período, com certeza (tenho consciência disso), este artigo deve estar repleto de elementos não aconselháveis para artigos científicos, alguém mais experiente e graduado possivelmente encontraria inúmeros defeitos aí, mas é por isso mesmo que escrevi e agora publico este artigo, é a partir das críticas e dos erros que se fazem bons artigos, e antes de mais nada é preciso começar, esse talvez tenha sido um começo.

O Estoicismo na TV brasileira do século XXI

Televisão e Filosofia, no cotidiano da população brasileira dos dias atuais, e em suas próprias origens, são duas coisas vistas com completa desarmonia, desencontro.

O presente texto tem o objetivo de buscar aspectos filosóficos dentro do programa de TV, do Canal Brasil, Larica Total e expor a tese de que a Filosofia, algo por origem questionador e de influência dentro da sociedade, para que volte a ter alguma influência dentro desta, precisa se “dessacralizar”, sem cair em banalizações ou relativismos, ter contato com meios mais próximos da grande maioria da população (no caso a TV e também a internet) para só então ser compreendida e captada e então ter influência e, de uma maneira ou de outra, modificar a sociedade. Embora esse mecanismo possa esbarrar em interesses particulares, principalmente no que diz respeito à mídia, a tentativa de algo novo é necessária.

A televisão brasileira de hoje em dia, em especial os canais abertos, não oferecem conteúdo de qualidade para os espectadores. Não entrando na questão se isso é culpa dos produtores em si, que se preocupam com os interesses dos anunciantes ou dos espectadores que aceitam e até pedem mais violência gratuita, sensacionalismo e coisas parecidas, a questão é que programas que incitem uma maior efervescência cultural parecem não estar em nenhuma pauta.

Porém, a TV, já a algum tempo, é um instrumento muito importante dentro da mídia brasileira. Sua influência sobre a opinião pública é enorme e por isso é mister que a TV ofereça algo mais à população.

É difícil localizar dentro de todos os canais oferecidos, algum bloco de programas mais preocupados com isso, existem esparsas produções em determinados canais e é justamente sobre uma delas que abordarei aqui.

Falo do Larica Total. “Uma sátira aos programas de culinária convencionais e a todas as ideias anteriores de se fazer um programa de televisão sobre isso.”

Partindo da sátira e da ironia, desde o nome até ao programa em si, o Larica Total dialoga de uma maneira clara e real com o público, frente a frente.

O programa é comandado por Paulo Tiefenthaler: ator, jornalista, cineasta, editor e fotógrafo. O suíço de alma carioca faz o papel de Paulo de Oliveira no programa, um solteirão que ensina novas e inesperadas receitas, mas que não para por aí.

Antes da culinária vem a necessidade, a essência do Larica Total é a realidade de boa parte da população brasileira: “Brasileiros guerrilheiros de todas as cores, lutadores do audiovisual, garimpeiros do sistema financeiro, explorados pelo magistério, mágicos do mercado popular, hipnóticos das lojas de peruca, sonhadores da faculdade distante,

solitários dos bares da esquina, feios da festa de lindos, puxadores do samba de tarde. Os homens e as mulheres da necessidade, da ausência, do improviso do Brasil.”

Aí já podemos encontrar uma certa perspectiva filosófica e finalmente engendrar as sementes estoicas dentro do Larica Total.

O Estoicismo, filosofia helenística fundada por Zenão de Cítio, na Grécia Antiga, tem como principio, inclusive etimológico, a varanda, o pórtico (stoa). A doutrina filosófica estoica é voltada para o povo, seu fundador era um comerciante, seu principal fim a Ética.

Assim é também o Larica Total, voltado para todos esses tipos de brasileiros citados acima e buscando sempre o diálogo de uma maneira real e direta. Isso não faz do Larica Total uma filosofia, pelo contrário, e até bom esclarecer e frisar isso desde já, o presente texto não tem por objetivo fazer do Larica Total algo filosófico, mas sim encontrar pontos dentro do programa, que possam passar despercebidos, mas que dialoguem com a Filosofia (o Estoicismo no caso) e façam da TV algo mais filosófico e menos alienante, despertem no espectador a vontade de mudança e ação e não de comodismo e imobilismo frente aos fatos.

“Há no Estoicismo algo como um novo zarpar e não a continuação das agonizantes escolas socráticas.” Esta citação faz necessária uma abordagem, ainda que de maneira breve, do momento histórico da fundação do Estoicismo e do desenvolvimento doutrinário para que então voltemos a um diálogo com o Larica Total.

O Estoicismo se apoia em um tripé: Lógica, Física e Ética. As duas primeiras sendo prelúdios para o que, para os estoicos, era considerado o mais importante de sua filosofia, a Ética.

Muito mais do que fazer um simples uso, os estoicos aprimoram a Lógica, colocando dentro de sua filosofia a questão do juízo hipotético, a Lógica é o maior sustentáculo da teoria do conhecimento dos estoicos.

Bebendo na água (ou no fogo) de Heráclito, a Física Estoica admite, como elemento primordial, o fogo e admite também que todo o universo é regido por uma Razão Universal (Lógos), caracterizando assim a forte presença do monismo e do materialismo dentro de sua filosofia.

Já a Ética é o centro para o qual convergem todas as ideias estoicas. Notadamente na grande maioria dos livros dos filósofos estoicos, a preocupação com a Ética é exacerbada, muito disso se deve também ao momento histórico em que surgiu, numa Grécia e numa Alexandria que entravam em um novo tempo, vendo o fim do poderio ateniense dar lugar à ascensão de uma Alexandria que traria à cultura grega aspectos helenísticos; posteriormente teve outro grande uso na República Romana, principalmente na vida pública e ainda foi cristianizada mais tarde por Santo Agostinho.

Dentro dos pontos de destaque dessa Ética estão alguns conceitos chave como a Ataraxia, a interiorização, a dinâmica pragmática.

A dinâmica pragmática, inclusive, é um dos pontos interessantes de serem abordados. A questão do controle das paixões, presente nas origens da Filosofia Estoica, nada mais é do que um apelo ao bom senso, necessário a praticamente todo momento.

No Larica Total, em alguns episódios como o da Moqueca de Ovo, por exemplo (episódio 7, 1ª temporada), Paulo nos diz: “Sempre, sempre, sempre: bom senso!” No caso, para não exagerar no tempero, mas esse alerta pode e deve ser levado para outras camadas além da culinária e aí então, em uma frase solta, começar a relacionar a Filosofia com a TV.

Outro ponto a ser tocado está presente na primeira das três grandes divisões do Estoicismo, a Lógica.

A Lógica Estoica, aliás, é ponto de partida para várias análises modernas da Lógica em si, vide Karl Popper e Ferdinand de Saussure. E dentro da Lógica Estoica, destaco a questão da Prolepsis.

A Prolepsis trata-se da impressão sensível que fica gravada na nossa alma material. É a utilização das experiências em prol de um amadurecimento intelectual, é em si mesmo, reinventar, buscar algo novo com o que se tem, com o que se vive.

Dentro da culinária da guerrilha, a busca é sempre de aprendizado com novas e inesperadas receitas, e em como essas receitas podem verdadeiramente surgir, com a comida que se tem, com a cozinha que se tem, com o liquidificador que se tem.

Voltando ao Estoicismo em si, após sua fundação por Zenão, outros filósofos gregos a continuaram, seu discípulo Cleanto, por exemplo, e posteriormente ainda ocorreu  a importante colaboração de Crisipo, que sistematizou a doutrina estoica e foi o principal nome dessa primeira fase do Estoicismo, o chamado Estoicismo Antigo.

Panécio e Posidônio são os dois principais nomes do Estoicismo Médio, que é uma fase de maior sistematização da doutrina e que fez a ponte para que o Estoicismo chegasse até Roma.

É sobre o Estoicismo Tardio ou Imperial, que teve sua “casa” na República Romana que falarei mais especificamente, citando seus principais nomes e fazendo comparações com o Larica Total.

Primeiramente, falo do pensamento do escravo romano Epiteto.

Para Epiteto o que nos torna felizes é a forma que encaramos aquilo que nos acontece. Vale a pena frisar mais uma vez que Epiteto era escravo, e encarava a vida dessa maneira, ou seja, de uma maneira completamente inesperada.

Inesperada é o adjetivo já utilizado mais de uma vez para qualificar as receitas de Paulo de Oliveira, que também encara a vida de uma maneira bem diferente. Paulo, ao mesmo tempo que incorpora várias características diferentes de diferentes tipos de pessoas, é particular e original, um personagem pouco comum na sociedade atual.

As receitas apresentadas no programa possuem, cada uma, sua particularidade e um fim comum: a felicidade. É recorrente em vários episódios isso, Paulo cozinha pra ser feliz, pra ter o gosto da comida na boca e o gosto da satisfação de ter feito aquilo com as próprias mãos na alma.

Ainda comparando filósofos estoicos com aspectos do Larica Total, passo do escravo romano Epiteto para o Imperador romano Marco Aurélio.

Essa passagem por si só mostra muito bem como o Estoicismo abria possibilidades reais para um diálogo, do escravo ao imperador, do açúcar ao sal.

Marco Aurélio, em suas Meditações, escrevinha sobre vários temas, todos de significação forte para os estoicos, como a Natureza, a Razão, e a relação do homem com eles e também consigo mesmo.

Um imperador preocupado com questões filosóficas e que se encontra no Estoicismo.

Citando um trecho do Livro VI das Meditações, num tom quase de conselho mesmo, o imperador nos diz: “Se uma coisa é difícil para ti, não concluas daí que ela está para além do poder dos mortais. Terás de admitir, pelo contrário, que, se uma coisa é possível, é própria para o homem fazer, tem de estar dentro das suas próprias capacidades.”

Esse trecho engloba talvez os três pilares do Estoicismo (Lógica, Física e Ética) e é totalmente convergente com outro trecho que diz respeito ao Larica Total: “Porque independente da expectativa e do padrão e da crítica, Paulo vai defender as receitas da única cozinha que conhece: a cozinha do possível, a cozinha da verdade, a cozinha da guerrilha.”

Paulo de Oliveira não é nenhum imperador, mas também se atenta para a questão do possível, ouso dizer que todos os outros programas de culinária exibidos na TV sequer chegam a pensar nessa questão, vão logo jogando ingredientes exóticos e caros, que dificilmente o espectador terá a oportunidade de comprar.

Mais uma vez insisto, é uma pequena diferença, sutil e aparentemente sem pretensão alguma, mas que lá na frente reflete em diferenças maiores, em pensamentos e experiências únicas. É filosofia.

Completando o ciclo romano do Estoicismo, falo de outro filósofo que teve contato com o mundo político de Roma, e muita influência em pensadores e filósofos que o sucederam, falo de Lúcio Aneu Sêneca.

Sêneca nos escreve algumas de suas melhores linhas no diálogo Da Tranquilidade da Alma, onde tenta acalmar e solucionar problemas de seu amigo Sereno.

Lembrando um pouco, apenas no estilo literário, diga-se de passagem, os diálogos de Platão, este diálogo de Sêneca mostra muito bem qual é a ótica da Filosofia Estoica e também é passível de comparações com o Larica Total.

Sêneca nos fala de um princípio de orgulho para os estoicos: “Não nos encerramos nas muralhas de uma cidade só, entramos em contato com o mundo inteiro e professamos que nossa pátria é o universo, a fim de oferecer à virtude o mais amplo campo de ação.”

O Larica Total, ao longo de suas até agora duas temporadas, sempre se preocupou com a questão de ampliar o campo de ação, são episódios mostrando e ensinando pratos de diferentes regiões do globo, e sempre com a ideia de que o diálogo, a experimentação, o novo e singular se sobressaem em relação ao arcaico e asséptico estilo da culinária mais propagada na TV.

Outro ponto de convergência de Sêneca e de Paulo de Oliveira é a ironia. O filósofo estoico, utiliza-se muito da ironia em seus escritos, assim como Paulo em seus programas.

Todas essas comparações podem até não refletir muito bem a relação Larica Total/Estoicismo, porém, a ideia central talvez nem seja essa.

O Larica Total não foi pensado e produzido pra ser uma fonte de disseminação estoica, longe disso, o programa abarca até outras filosofias e em alguns momentos não se aproxima de nenhuma filosofia, é bem verdade.

Mas seu cerne é filosófico: “Paulo faz do programa sua vida (…) E já refletiu sobre o tema e nunca mais esqueceu. É filosofia aplicada. É a materialização do amadurecimento ali na hora.”

Esse ponto abre margem para uma abordagem estoica em cima do programa, como a feita aqui, e também coloca o Larica Total na categoria de programa que vai na contramão da maioria dos programas produzidos hoje em dia.

É o resgate de programas assim e o incentivo de produções de coisas parecidas que é a grande necessidade.

Não quero com isso, fazer da TV a salvadora da Filosofia na sociedade contemporânea, não, a Filosofia tem capacidade para ir muito mais além do que uma tela colorida.

Porém, a mensagem filosófica transmitida por essa “tela colorida” pode ser melhor compreendida e melhor aceita.

Já é hora de quebrar preconceitos do tipo: filósofo não assiste TV. A Filosofia precisa se abrir ao diálogo com essas novas e influentes mídias como a TV, o uso do Larica Total serve pra mostrar como isso não só é possível, mas também como já é feito.

Não é necessário lutar por um espaço estritamente filosófico dentro da grade de programação, mas sim saber abstrair a Filosofia dali, e sutilmente ir refazendo conceitos e estraçalhando preconceitos.

Volto a tocar no ponto de que a Filosofia, nos dias de hoje, precisa se “prolepsiar”. Uma Filosofia analítica sem um escopo mais universalizante é algo vago e sem sentido. É querer bater sempre na mesma tecla e só digitar coisas que não levarão a nada.

Isso não é uma tentativa de banalização da Filosofia, esse ponto é importante de ser destacado, a Filosofia precisa mudar sua atuação no mundo, não deixar de ser o que é.

Uma queda no senso comum seria desastrosa e possivelmente pioraria ainda mais a situação.

O estudo da Filosofia dentro das Universidades, abordando questões mais teóricas e que não têm porque serem abordadas em mídias como a TV não pode acabar, deve sim é ser valorizado, só escrevo este artigo pois faço uma faculdade de Filosofia.

A questão é que todo esse estudo, tudo o que é feito para a Filosofia permanecer sendo algo diferenciado e inovador precisa, de alguma maneira, ser aplicado mais diretamente, por isso o apelo e a sugestão para que a Filosofia desça do trono e dialogue com os meros mortais.

Só assim ela poderá ser melhor captada e aí então verdadeiramente modificar a sociedade. É um anseio de quem acredita no possível, de quem acredita na força da Filosofia. Fazendo-se presente frente a sociedade, posteriormente, a Filosofia acabará voltando para um trono muito mais verdadeiro e merecido.

Ampliar, crescer, mudar. Tudo isso é válido e necessário, mas só pode e deve ser feito com muito cuidado e muita vontade.

Referências:

BRUN, Jean. O Estoicismo. Lisboa: Edições 70, 1986

Marco Aurélio. Meditações. Tradução de Alex Marins. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002.

Os Pensadores. Epicuro, Lucrécio, Cícero, Sêneca, Marco Aurélio – Vida e Obra. São Paulo: Abril Cultural S/A, 3ª edição, 1985.

ROCHA DE OLIVEIRA, Pedro. A Filosofia e o problema da Alienação Social. Juiz de Fora: UFJF, 2010

http://www.laricatotal.com.br

Rabo de Urna #08

O Rabo de Urna de número 8 vem pra falar sobre algo muito atual, que está acontecendo e que pode influir muito nas Eleições 2010.

É a influência e a importância da TV dentro do meio político, principalmente nessa época de Eleições.
Com o início da propaganda partidária, começaram também os debates e as entrevistas televisivas. É fato a força
da TV como objeto de formação da opinião pública no Brasil, talvez seja um exagero dizer que a TV pode ser um
fator decisivo das Eleições, mas que pode alterar muita coisa, isso pode!
Enfim, esse Rabo de Urna será mais uma análise do desempenho dos candidatos em frente as câmeras nessa primeira metade do mês de agosto.
É notável o avanço de Dilma em praticamente todas as pesquisas, isso vem de seu bom desempenho nos debates e
entrevistas? Também, mas não exclusivamente disso.
O grande medo da candidatura de Dilma talvez seria a sua inexperiência frente aos grandes meios midiáticos, ela
realmente não se mostrou muito a vontade em frente as câmeras, algumas gaguejadas e muitas frases prontas marcaram sua postura, porém isso acabou se tornando algo pequeno, muito devido talvez ao desempenho de seus adversários.
José Serra tentou passar uma falsa simpatia, não muito compatível ao seu estilo e utilizar-se da experiência de
outras candidaturas para ser o seu diferencial, não parece ter dado muito certo, ainda mais depois do suposto
“alívio” que ele recebeu em sua entrevista ao Jornal Nacional.
Já Marina Silva, que começa atrás devido ao exíguo tempo de propaganda, também não conseguiu se destacar muito
nos debates e entrevistas, ela tentou se livrar do conceito já batido de que ela é a candidata do meio ambiente,
não que não seja, mas é que ficar rotulada como candidata de uma coisa só nunca é bom, vide Cristóvam Buarque e a
Educação em 2006.
Pra fechar vale ressaltar o desempenho de Plinio de Arruda Sampaio no debate da Band, no dia 5, ele meio que foi
o “do contra”, em uma Eleição que está sendo marcada pela extrema racionalidade, sem muita emoção ou coisas
diferentes, Plinio se mostrou muito solto para criticar de frente a tríade favorita à eleição.
Por tudo isso, o avanço de Dilma nas pesquisas talvez não tenha ocorrido devido a coisas boas que ela fez, mas sim
a coisas ruins ou omissões feitas por seus adversários.
Já se fala de uma vitória petista no primeiro turno, o que a cada dia que passa parece ganhar mais força, seria a perpetuação do PT durante 12 anos seguidos na presidência, algo a se elogiar.
Um pouco diferente dos outros, esse Rabo de Urna buscou mais passar uma opinião do blogueiro e tentar deixar o
leitor a par do que está acontecendo nesse período tão próximo das Eleições. Sempre enfatizando o poder da TV nesse
quadro.

Lei Griô

Assistindo TV ontem à noite vi uma matéria muito interessante que revelou pra mim uma coisa muito importante e interessante que até então eu desconhecia: os griôs.

Pra falar a verdade eu já conhecia sim, mas nunca tinha ouvido este termo e não sabia exatamente quem eram ou o que faziam os chamados griôs.
Na matéria um site foi dado: http://www.acaogrio.org.br.
Da TV pra net foi um pulo e entrando nesse site deu pra descobrir várias coisas.
O site explica de maneira bem clara quem são os griôs e explana também sobre a sua fundamental importância dentro da cultura brasileira.
A tradição oral como maneira de preservação da identidade e da história nacional é algo que transcende velhos conceitos e engrandece ainda mais uma cultura popular tão rica como a brasileira.
Em meio a tantos problemas, saber respeitar e principalmente valorizar coisas boas é mais do que necessário.
Por tudo isso fica também a dica de assinar o projeto de lei da Lei Griô.
No próprio site tem tudo bem detalhado sobre como surgiu o projeto de lei e também sobre como assinar e contribuir para isso.
“A poesia prevalece.”

Loucura?

Nas “andanças” pela internet me deparei ontem com um vídeo que foi exibido no programa Fantástico da Rede Globo, falando sobre o novo visual da casa de Oswaldo Montenegro.
O famoso cantor e compositor, de mais de trinta anos de carreira, pintou todo o seu apratamento, começou há cinco anos e finalizou a “obra” por agora.
Perguntado sobre o porquê disso, Montenegro disse:
“É quase como se me desse um vazio insuportável. Começar a pintar isso aqui me deu uma estranha alegria, me deu uma euforia, uma coisa que beirava a loucura no sentido mais feliz da palavra loucura. Até quando eu pintei, a arrumadeira ligou para a Madalena e falou: ‘Eu acho que o Montenegro pirou’. Eu falei: “Minha senhora, quando eu pintar o apartamento de outra pessoa, a senhora me interna, mas enquanto eu pintar o meu, tá tranquilo”.
O que mais me chamou atenção na matéria toda foi a maneira como o repórter e toda a edição do Fantástico tratou o caso. Um abordagem meio irônica e preconceituosa, só pra se ter uma noção a matéria começa com esse parágrafo:
Oswaldo Montenegro resolveu pintar o apartamento dele. Coloriu tudo em casa. O que levaria um cantor famoso da MPB a fazer o que fez no seu próprio lar?
Tá, tudo bem, concordo que uma coisa desse tipo não é nem um pouco normal, a princípio pode e deve causar um pouco de estranheza sim, mas as perguntas feitas a ele parecem ter sido de alguém que nunca viu nada de diferente na vida.
Será que você não tem receio de que achem que é uma maluquice?
Como assim? Oswaldo Montenegro foi simples e categórico na respota:
“O que eu diria é que não precisam se preocupar que eu estou muito bem, e que eu tenho dois privilégios dos quais eu não esqueço nunca. Um é que eu vivo cercado de afeto e o segundo é que eu tenho a sorte de trabalhar no que adoro trabalhar”.
Acabou. Montenegro está muito além das ideias batidas e comuns da grande mídia de hoje em dia, não é loucura, é originalidade.
Será que os repórteres do Fantástico adoram o trabalho deles?
Acho que hoje em dia ocorre uma inversão de valores, em que o comum, fácil e chato é valorizado, é o “correto” e o inesperado, o original, é tratado como loucura.
Não tô falando que é pra todo sair pintando sua casa, não é isso, a questão é a seguinte: existem muitas pessoas inteligentes e originais, que querem e podem viver de uma maneira bem diferente da propagada atualmente, mas as vezes ficam presas aos conceitos impostos a elas.
Outra pergunta “legal”:
Oswaldo Montenegro é lúcido ou louco?
A resposta novamente detona tudo:
“Eu sou lúcido. Eu tenho certeza absoluta que eu sou lúcido. Todo ser humano deve se expressar da maneira mais livre possível. Disso eu tenho certeza absoluta, e nada melhor que a nossa casa pra gente exercer isso”.
Se de tudo o que eu falei ficou a impressão de que eu só estou querendo criticar a Globo ou Fantástico, peço perdão desde já, se não fossem eles fazer essa matéria eu nem iria estar sabendo dessa “loucura” do Montenegro, apenas quero deixar claro que o Brasil carece, dentre muitas outras coisas, de um jornalismo menos bajulativo e previsível.
No mais é isso, a atitude de Oswaldo Montenegro na minha opinião foi sensacional.
E pra terminar o post uma citação do lúcido Oswaldo Montenegro:
“Metade de mim é amor. A outra metade também.”

A "trapizonga"

Nunca é bom generalizar, quando falo que não gosto de assistir TV devido principalmente à baixa qualidade da grande maioria dos programas oferecidos (levando em conta a rede aberta, a única que possuo acesso) existem algumas exceções, exemplo disso é o CQC, já citado aqui no Un Quimera, mas hoje falo de outro programa que também já foi citado, mas que volta a tona hoje.
Trata-se do Observatório da Imprensa, apresentado pelo fodástico Alberto Dines.
O programa, exibido todas as terça à noite, é uma análise perfeita do jornalismo brasileiro e mundial, da ótica de quem entende muito do assunto.
Natural que eu me interesse por isso, e na última terça o programa tratou de um assunto que tem tudo para tomar conta das conversas de um (pequeno) círculo de pessoas: os leitores.
Pra ser sincero eu nunca tinha ouvido falar da “trapizonga” (definição do imortal João Ubaldo para o tema de que trataremos agora) apresentada no programa, mais conhecido como Kindle, o aparelho que surgiu em 2007 nos Estados Unidos e já chegou ao Brasil é uma espécie de livro digital, onde e-books são baixados e lidos no próprio aparelho.
Para muitos pode ser apenas mais uma inovação tecnológica mas o debate feito no programa revela que isso é muito mais.
O Kindle levou algumas pessoas a afirmar que os bons e velhos livros têm prazo de vida curto, alguns chegaram a afirmar que ele só “viverá” até 2018.
Em relação a isso, pra mim é puro sensacionalismo, como bem afirmou Dines o livro, algo que existe há seculos não desaparecerá assim tão facilmente.
Outros pontos foram abordados e engrandeceram ainda mais o debate: o ponto de vista ecológico, defendido por muitos é de que com o Kindle e o fim dos livros, florestas e mais florestas serão poupadas.
E tem também dois fatores históricos, citados pelo professor Muniz Sodré: a relação Livro/Kindle poderá ser análoga à relação LP/CD VHS/DVD, ponto de vista que eu considero o mais possível de acontecer. O outro fator é em relação à “volta ao passado futurista”, sim, é meio estranho mas saca só: antigamente, antes dos livros, lia-se em papiros, rolos de papel, e o que é o Kindle se não um rolo eletrônico?
Confesso que não terminei de assistir o debate pois estava muito cansado, o período pré-vestibular é propício para chegar a noite em casa e não fazer outra coisa a não ser dormir, mas mesmo não assistindo até o fim deu pra perceber como foi importante o tema abordado e como foi rico o debate feito.
E para o fechar o texto, o essencial é mesmo dizer que, independente de ser via livro ou via Kindle ou qualquer outra trapizonga, o importante é ler. Pode até parecer muito clichê isso, mas uma sociedade aliterária não vive, não vai pra frente. Por isso, leiam!

Covardia, Que Covardia!


Se analisarmos bem o program exibido ontem, as iniciais do programa CQC (Custe o Que Custar) da Band poderiam ser mudadas para o título desse post.

Não sou muito ligado em televisão, não sei se é porque minha TV passa poucos canais, ou porque o tempo anda cada vez mais curto pra mim, mas existem alguns programas que eu sou uma espécie de “fã de carteirinha”, é difícil perder.
O CQC é um desses poucos programas.
Por mais críticas que eles possam sofrer, os “homens de preto” comandados por Marcelo Tas, indiscutivelmente um dos grandes jornalistas do Brasil hoje em dia, muito pelos (diria até folclóricos) Ernesto Varela e Professor Tibúrcio.
Além dele, fecham o trio que apresenta o programa todas as segundas, o gaúcho e ex-jogador de basquete Rafinha Bastos e o impagável Marco Luque (seu personagem Jackson Five deve estar de luto atualmente).
Danilo Gentili, Felipe Andreoli, Rafael Cortez e Oscar Filho fazem as matérias, sempre com piadas novas, sempre correndo atrás da informação de uma maneira diferente, o chamado humor inteligente.
Mas falo especificamente sobre o programa de ontem, onde dois dos integrantes do CQC foram literalmente agredidos.
Primeiro, Felipe Andreoli no Rio Grande do Sul.
Inter x Corinthians disputando a final da Copa do Brasil e o repórter do CQC como sempre foi lá, Andreoli sempre está nos eventos esportivos.
Li alguma coisa no blog dele antes do programa ir pro ar e já vi que a situação foi tensa, no programa deu pra ver um pouco do que aconteceu.
Acho lamentável esse tipo de atitude, admiro muito o Rio Grande do Sul, os times de lá tem história e o estado como um todo tem mais história ainda, porém, uma atitude como essa da torcida do Inter é condenável, é lógico que foi apenas uma parte, duvido que todos os Colorados sejam assim, mas mesmo assim, coisas como essa são ridículas, não é querer estampar um nacionalismo eloquente que eu definitivamente não tenho, mas somos todos brasileiros caramba!
Mas pior do que isso, foi a atitude dos seguranças do (por enquanto) Presidente do Senado, José Sarney.
Assim como Felipe Andreoli está sempre na área esportiva, a área política é comandada por Gentili, que no começo do programa ganhou muitos elogios com o quadro “Repórter Inexperiente”.
E estar na área política significa estar sempre no Congresso e procurar sempre o melhor jeito de conciliar o humor com essa coisa tão séria que é a política.
Na matéria exibida ontem, Gentili foi covardemente agredido pelos seguranças de Sarney, eles chegaram até a usar técnicas que eram usadas na época da Ditadura Militar, como bem lembrou o homem da franja invisível.
Agora eu me pergunto: O Brasil ainda tem espaço para isso?
Muito se discute dos erros dos políticos, corrupção e tudo mais, porém coisas como essa atitude dos seguranças de Sarney talvez sejam ainda mais prejudiciais para a democracia em nosso país, liberdade de imprensa é primordial.
Pra finalizar, do pouco que eu sei sobre jornalismo, acredito que o estilo jornalístico que o CQC segue seja um dos melhores atualmente, humor de cara limpa, sem apelação e comprometimento com causas sociais (o quadro Proteste Já!) e com causas políticas (em todas essas matérias de Danilo Gentili), essa é a ideia: ir atrás da notícia, custe o que custar, e apesar do formato do programa ser importado, é muito brasileiro.
Veja a matéria do Danilo Gentili no Congresso, do programa de ontem: