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O inatingível Barcelona

Foi disputada ontem a final do Mundial de Clubes da FIFA de 2011. Seguindo o costume “quimérico” falo um pouco sobre esse jogo de ontem e sobre a trajetória dos dois finalistas.

Depois da vitória do Barcelona sobre o Manchester United na final da Liga dos Campeões e da vitória do Santos sobre o Peñarol na final da Libertadores, a mídia esportiva e todos os que acompanham futebol aguardavam ansiosamente por esse fim de ano. Pra disputa do Mundial de Clubes da FIFA, aguardando o tão esperado embate entre Barcelona x Santos, ou melhor, o grande embate que todos realmente esperavam era entre Messi x Neymar.

Mas pra que isso realmente acontecesse era necessário que Barcelona e Santos cumprissem seus papeis e afirmassem o favoritismo nos duelos da semi-finais, respectivamente contra Al-Sadd e Kashiwa Reysol.

Na quarta o Santos venceu o Kashiwa por 3 x 1, mas sofreu no segundo tempo, o clube japonês comandado pelo brasileiro Nelsinho Baptista e tendo como seus principais jogadores os também brasileiros Jorge Wagner e Leandro Domingues, deu trabalho ao Santos, que não jogou o seu melhor futebol nas semi-finais, apesar do lindo gol de Neymar o futebol santista não foi nem de perto aquele da Libertadores, mas mesmo assim a vaga para a final estava garantida.

Na quinta o Barça também fez sua parte. Vitória sossegada de 4 x 0 sobre o Al Sadd, com três gols brasileiros: dois de Adriano e um de Maxwell. A equipe catalã em momento algum sofreu qualquer perigo real e ainda se deu ao luxo de poupar três titulares: Daniel Alves, Piqué e Xavi.

O tão esperado duelo aconteceu então ontem, em Yokohama. E é até estranho falar sobre o jogo de ontem, porque, com todo respeito ao Santos, não foi de fato um jogo, esteve mais para um baile, um treino ou coisa do tipo. O Barcelona não tomou reconhecimento da equipe brasileira, que, apática, viu o melhor time do mundo desfilar no gramado o seu envolvente, bonito e vencedor futebol. Novo 4 x 0, dessa vez com dois gols de Messi, um de Xavi e um de Fábregas. A única real chance de gol do Santos esteve nos pés de Neymar que cara a cara com Valdés chutou a bola em cima do goleiro espanhol. Um lance em que normalmente o camisa 11 de moicano estilizado não perdoa.

Adjetivos como inatingível, imbatível e outros do tipo são cada vez mais verossímeis pra se qualificar esse time do Barcelona. Foi muito incomum o que aconteceu ontem, por mais que todos já soubessem de toda qualidade do Barcelona o resultado e a maneira como ele foi construído talvez não fosse esperado nem pelo mais otimista dos torcedores catalães. A fraca atuação do Santos no jogo de quarta de certa forma já poderia ser prenúncio pra essa humilhação de ontem, mas mesmo assim, o resultado foi muito incomum para uma final de Mundial de Clubes.

Dentre outras coisas mais, o resultado também confirmou de vez a superioridade do argentino Messi, tudo que indica que ele será eleito pela terceira vez consecutiva o melhor jogador do mundo, fato inédito, e com muito mérito, o argentino de 24 anos ontem mais uma vez decidiu a partida, jogando bem, fazendo dois gols e participando da jogada de outro gol. Em relação às outras peças do Barça só o que dá pra fazer é elogiar, de Valdés à Thiago Alcântara (Guardiola optou por entrar sem nenhum atacante de ofício, depois da lesão de Villa nas semi-finais, e o time parece não ter sentido isso nem um pouco, tamanho o entrosamento e qualidade dos jogadores), todos fizeram o que vêm fazendo já há algum tempo e garantiram mais um título mundial para o Barça.

Já em relação ao Santos de Neymar, coisas precisam ser pensadas, mas acredito que nem tudo tá tão errado assim. Como já frisei neste post não foi só no jogo contra o Barça que a equipe santista não conseguiu jogar bem, na semi-final já havia sofrido pra vencer o Kashiwa e na final o que aconteceu foi um enorme baque. Qualquer time que entrasse pra jogar contra o Barça, no momento que vive hoje, naturalmente iria sentir um baque inicial, mas o Santos deixou isso continuar e em momento algum conseguiu igualar (nem que seja somente na raça) com o Barcelona. Falando assim até parece que seria uma tarefa fácil, pelo contrário, todos sabem que não seria, mas o fato é que o Santos não conseguiu de maneira alguma ser um verdadeiro adversário para o Barça, realmente não tem muito o que falar depois de uma derrota dessas.

Por isso considero as declarações dos santistas até interessantes, ao afirmar que ontem o Santos teve uma aula de futebol Neymar está sendo bem sincero e admitindo que pelo menos por enquanto nem o Santos está a altura do Barcelona e nem ele está a altura de Messi. Mas ainda assim Neymar e o Santos estão na linha de frente do futebol brasileiro, não foi uma derrota que merece críticas, talvez tenha sido uma derrota que mereça apenas o reconhecimento da incapacidade, da insuficiência santista frente ao inatingível Barcelona.

Chega ao fim mais uma temporada e mais uma vez o Barcelona de Guardiola é o supremo campeão de tudo. O acontecimento que já vai virando rotina no mundo do futebol leva todos, cada vez mais, a colocarem esse time do Barça na galeria dos maiores times da história. O mais interessante é perceber que esse time parece estar num auge que não acaba, pelo contrário, vai só aumentando e virando cada vez mais auge. A valorização das categorias de base, da posse e do bom toque de bola, formam o pilar dessa fórmula que vai dando muito certo. Poder estar presenciando isso é bem interessante, pensar que daqui muitos e muitos anos estarão falando daquele  incrível Barcelona dos anos 10…

Resta ao Santos e a todos os outros adversários tentarem encontrar maneiras de destronar esse Barcelona, enquanto isso Messi e cia. vão levantando taças e mais taças.

A América dos Peixes

Chegou ao fim ontem mais uma Taça Libertadores da América. A competição de clubes mais importante do continente teve um time brasileiro como campeão pela décima quinta vez e pela terceira vez esse time foi o Santos.

Todas as decisões de Libertadores ficam para a história, mas essa deverá ter uma importância ainda maior. Por vários fatores: foi a reedição da final da Libertadores de 1962, quando o Santos e Pelé conseguiu seu primeiro título nesta competição, foi também o primeiro título brasileiro na Libertadores, o fato do agora Santos de Neymar conseguir novamente o título coloca definitivamente essa atual geração santista na história, é algo muito grande dentro do futebol, falar daquele time de Pelé e cia. é quase sagrado dentro do esporte bretão e ver um time fazer história em cima disso é especial.

Mas não é só na grandiosidade histórica que esse título santista de ontem se repousa, mas também em pequenos detalhes, a caminhada santista rumo a esse título teve vários obstáculos, não foi fácil.

Pra mim tudo se remonta ao início de 2010, foi lá que Dorival Júnior apostou nos novos meninos da Vila e deu autonomia para Neymar, Paulo Henrique Ganso e cia. jogarem seu futebol. O resultado foi imediato, título paulista e da Copa do Brasil em 2010. Nesse período o time contou com a volta de Robinho que logo depois foi embora novamente, mas a espinha dorsal desse time da Libertadores 2011 já se formava ali, com Neymar e Ganso na frente, Arouca no meio e Durval e Edu Dracena formando a dupla de zaga.

No segundo semestre de 2010, a equipe santista já com vaga na Libertadores em virtude do título da Copa do Brasil não se importou muito com o Brasileirão, mas grandes mudanças aconteceram nessa competição. O início de uma série de lesões de Ganso que o perturba até hoje e talvez tenha distanciado um pouco o camisa 10 santista de ser o melhor jogador brasileiro em atividade, a discussão de Neymar e Dorival Júnior, que acabou culminando na demissão deste último, esses episódios causaram certa turbulência na Vila e trouxeram também um quê de insegurança.

2011 começa com a volta de Elano e a contratação de Adilson Batista para o comando técnico. O time santista ia se redesenhando, mas ainda sem Ganso, as contratações de Jonathan, Diogo, Keirrison não surtiram muito efeito e o começo irregular tanto no Campeonato Paulista quanto na Libertadores acabou gerando a saída de Adilson Batista e a preocupação de uma eliminação precoce na competição continental era muito real.

Aí então quem assume o comando técnico é Muricy Ramalho. Apesar das ressalvas que tenho a ele enquanto treinador, seu sistema de jogo fechado, valorizando muito pouco o ataque e tudo mais, com ele o time voltou a ser aquele bom time de 2010, a defesa passou a tomar poucos gols, o menino Danilo assumiu a lateral direita e fez ótimas partidas por ali, no meio outra revelação, Adriano, deu conta do recado a frente da zaga e deu mais liberdade para Arouca e Elano criarem e chegarem mais a frente.

Veio então o bi campeonato paulista em cima do Corinthians e a classificação para as Oitavas da Libertadores. No mata-mata o Santos soube jogar e chegar bem até a final contra o Peñarol. Depois de um empate sem gols no Uruguai, ontem veio uma vitória por 2 x 1 com gols de Neymar e Danilo e a confirmação do título.

Merecido e bem conquistado, o Santos não foi brilhante, mas foi eficaz. Jogou bola, não caiu na catimba uruguaia. Jogar Libertadores é isso, é valorizar a técnica e saber usar a raça da maneira e no momento certo. Ficar dando pontapé e discutindo com o adversário é o atalho pra derrota.

Esses quatro títulos em dois anos, fazem do Santos o melhor time brasileiro na atualidade e fazem de Neymar, o polêmico menino de 19 anos, o principal jogador desse time, talvez Ganso esteja no mesmo nível ou seja até superior ao camisa 11, mas suas lesões atrapalharam muito e por tudo que jogou Neymar merece ser o destaque maior dessa campanha santista.

Neymar merece todos os elogios, é ainda uma promessa, mas uma promessa que a cada campeonato que passa se consolida como um craque, apenas 19 anos e vários títulos e gols no currículo, a Copa América que se aproxima é mais um desafio para o moleque de cabelo moicano que tem tudo para ser um dos principais nomes da história do futebol.

A grande espera agora é para o que acontecerá daqui seis meses, no Mundial de Clubes da FIFA, onde Barcelona e Santos poderão se enfrentar, onde Neymar e Messi poderão ficar frente, esse confronto pode ocorrer também mais cedo, já no mês que vem pela Copa América, ao invés de Barcelona e Santos, Argentina e Brasil. Essa dupla (Neymar e Messi) é hoje o supra-sumo do futebol, são a jovem e madura espera concretizada.

E pra não dizer que ao invés de falar do Santos campeão, falei só de Neymar e Messi, termino o post mais uma vez ressaltando a conquista santista e voltando a falar da história, quando Pelé pisou o gramado do Pacaembu e levou Muricy até o centro do campo, simbolicamente o Santos de Pelé disse ao atual Santos: você também faz parte dessa história, merece estar aqui!

Os “acontecimentos” de setembro/2010

Chega ao fim o mês de setembro e é hora do post dos “acontecimentos”.
Acho que vai ficar até estranho, em tempo de Eleições e tudo mais, mas escolhi dois “acontecimentos” esportivos.
Talvez não tenham tanta importância assim num olhar mais geral, porém acredito que são legítimos “acontecimentos”.
O Mundial de Basquete na Turquia e a tão polêmica demissão de Dorival Júnior do Santos.
EUA soberanos na Turquia
O Mundial de Basquete da Turquia realizado entre os dias 28 de agosto e 12 desse mês contou com 24 seleções
divididas em quatro grupos de seis (com quatro times classificados em cada grupo).
Do grupo A classificaram-se para as Oitavas Sérvia, Argentina, Austrália e Angola.
Do grupo B Estados Unidos, Eslovênia, Brasil e Croácia.
Do grupo C Turquia, Rússia, Grécia e China.
E do grupo D Lituânia, Espanha, Nova Zelândia e França.
Os maiores destaques foram os EUA, que já mostravam toda sua força, contando com a experiência de jogadores como
Chauncey Billups e Lamar Odom, e comandados pelo ótimo ala do Oklahoma City Thunder, Kevin Durant. Também a
Lituânia de Linus Kleiza, do Denver Nuggets e os donos da casa, comandados por Ilyasova e Hedo Turkoglu.
O Brasil fez uma campanha mediana, não empolgou muito nos primeiros jogos contra Irã e Tunísia, mesmo vencendo. No terceiro jogo o grande adversário: os Estados Unidos. Em um jogo muito disputado a Seleção Brasileira acabou
perdendo por detalhes, 70 x 68. Depois disso veio uma derrota pra Eslovênia e uma vitória sobre a Croácia, valeu
a classificação pras Oitavas.
Nas Oitavas um grande jogo entre Sérvia e Croácia, 73 x 72 para o time do pivô Nenad Krstic. Além disso a
confirmação das boas campanhas de Turquia, EUA e Lituânia, com todas se classificando para as Quartas, além das
vitórias de Espanha e Eslovênia sobre Grécia e Austrália, respectivamente.
E o embate sul-americano entre Brasil e Argentina. O jogo, revestido de rivalidade, ganhou um tempero a mais, pois
foi disputado justamente no dia da Independência do Brasil, 7 de setembro.
Um bom jogo, em que o Brasil esteve a frente do placar por algum tempo, mas que mais uma vez, assim como tinha
acontecido contra os EUA, perdeu por detalhes. 93 x 89. O grande destaque foi o pivô do Houston Rockets, Luis
Scola. O “sósia” de El “Loco” Abreu fez uma partida muito sólida e cresceu no fim da partida convertendo cestas
importantes. Além disso o aproveitamento da linha dos 3 pontos por parte dos hermanos foi sensacional.
O Brasil teve em Marcelinho Huertas seu principal destaque, o armador que vinha bem desde o início da competição
se superou, fez um belo jogo e depois da derrota saiu chorando de quadra. Leandrinho não conseguiu demonstrar o
seu melhor basquete e a equipe do treinador argentino Ruben Magnano acabou parando nas Oitavas. Mais uma vez o
Brasil sai precocemente de um Mundial, isso é muito ruim, a história do basquete brasileiro é linda e nas últimas
décadas parece estar sendo manchada, valores individuais ainda existem, mas ainda falta algo mais pra essa Seleção.
O Mundial seguiu e nas Quartas os argentinos também voltaram pra casa, tomando um baile da Lituânia, 104 x 85. Os
EUA continuaram seu caminho rumo ao título passando pela Rússia e os turcos eliminaram a Eslovênia. A Sérvia mais
uma vez protagonizou um emocionante jogo contra os então campeões mundiais, a Espanha e mais uma vez venceu por um placar apertado: 92 x 89.
Nas semi-finais em um bom jogo os EUA superaram o bom time de Linas Kleiza e venceram por 89 x 74, cravando sua
vaga na final, apesar da derrota para os EUA nas semi é de se destacar o desempenho da Lituânia nesse Mundial, que
viria ser confirmado na disputa do terceiro lugar, com a vitória por 99 x 89 sobre a Sérvia.
É, a Sérvia foi chegando com vitórias apertadas e nas semi-finais acabou provando do próprio veneno. Derrota para
a Turquia por 83 x 82, com uma cesta no último segundo de jogo, de Tunçeri. Foi talvez o lance mais emocionante
desse Mundial.
Com a classificação para a final a seleção turca fez história! Pela primeira vez chegou a final e coroou sua
torcida, que compareceu em peso nos jogos e o seu treinador Bogdan Tanjevic, um dos símbolos dessa campanha de
superação da Turquia, que não contou com um de seus principais jogadores, o pivô do Utah Jazz, Mehmet Okur.
E enfim chegou 12 de setembro e a grande final. Sinceramente, como era de se esperar, devido a grande soberania
técnica estadunidense, deu Estados Unidos campeão. Com uma vitória de 81 x 64 na final, Durant e cia. quebraram um
tabu de 16 anos se título no Mundial e recolocaram os EUA no topo do basquete.
Interessante ver também que astros como Kobe Bryant, LeBron James e Dwayne Wade sequer jogaram. Contra o Dream Team é realmente muito difícil uma vitória.
O Caso Dorival-Neymar
Vamos combinar que não é qualquer dia que um treinador que conquista dois títulos em seis meses é despedido de um
time por causa de um único jogador. Por isso a demissão de Dorival Júnior é sim um “acontecimento”.
Tudo começou na partida entre Santos x Atlético-GO na Vila Belmiro, no fim do jogo, após pênalti para o Santos,
Neymarr pediu pra bater e não foi atendido, discutiu muito então com o treinador Dorival Júnior. Isso foi o fato.
E a partir desse fato o que se deve ter claro em mente é que nem Neymar nem nenhum outro jogador tem o direito de
sair discutindo assim com o seu treinador.
Isso gerou uma certa tensão dentro do clube e Dorival Júnior decidiu punir o “craque” deixando ele de fora do
próximo compromisso do Peixe contra o Guarani no Brinco de Ouro. O jogo terminou no 0 x 0 e Neymar apenas o
assistiu das cabines.
O próximo jogo do Santos seria na Vila Belmiro contra o rival Corinthians, na quarta, dia 22. Até na terça, Neymar
não jogaria e Dorival era o treinador do Santos, mas uma reunião da diretoria santista decidiu passar por cima das
ordens do comandante, despediu ele e colocou Neymar pra jogar. O resultado do jogo foi 3 x 2 para o então líder
Corinthians, mas o segundo gol do Santos foi dele, Neymar.
Enfim, o que entra em questão aqui é a atitude de Neymar e como ela repercutiu tanto e tomou proporções tão
grandes. Quem sou eu pra fazer qualquer julgamento ou coisa parecida, mas na minha opinião o ato da diretoria
santista foi extremamente infeliz.
Aí vão dizer: Neymar foi um grande investimento para o Santos, sua permanência no Santos após uma oferta milionária
do Chelsea foi algo louvável e ele é a principal atração do time, consequentemente a principal renda do clube
também.
Porém se Neymar é tudo isso e é também indiscutivelmente um bom jogador, com muito futuro, suas atitudes também
deveriam condizer com tudo isso. A responsabilidade e a humildade deveriam entrar em campo junto com o menino de 18 anos, que acabou perdendo até sua vaga na Seleção Brasileira por conta desse incidente.
Dorival, hoje treinador do Atlético-MG, vinha fazendo um belo trabalho no Santos e acabou sendo demitido. Não é o
que ele merecia.
A atitude da diretoria santista cheira mesmo a um pai que vai mimando seu filho, que por melhor que seja não pode
e não deve ser mimado assim. Volto a afirmar, Neymar tem muito potencial e possivelmente estará representando o
Brasil na próxima Copa do Mundo, mas não é nenhum gênio, já existiram muitos outros jogadores do seu nível ou até
superior que souberam ser mais humildes e tiveram grandes conquistas durante a carreira.
Não é querer crucificar o menino, mas sim dizer que ele precisa crescer.
Vale citar a frase que saiu no New York Times sobre essa polêmica toda: “O medo de que ele possa desenvolver mais
hábitos de Maradona do que de Pelé exercita a mente de um país onde o futebol está tão enraizado”.
Acho que é isso, os “acontecimentos” de setembro ficam por aqui. Até outubro.

Santástico


Depois de alguns probleminhas no fim de julho, começo o mês de agosto falando de futebol, hoje Copa do Brasil, amanhã Libertadores, depois vou dar uma mudada no assunto…

Chegou ao fim ontem a 22ª edição da Copa do Brasil, competição que todo ano reúne times de todos os estados do Brasil, jogada em um sistema de eliminatórias desde a primeira fase, a competição além de ser a segunda competição nacional de maior importância (só perde, é claro, para o Campeonato Brasileiro) dá ao campeão uma vaga na Libertadores do ano seguinte.

E é por isso que o Santos Futebol Clube já é o primeiro representante do Brasil na Libertadores 2011.

Ontem, no Barradão, foi disputado o segundo jogo da final, entre Vitória x Santos.

Depois de uma boa vitória por 2 x 0 na Vila Belmiro, com gols de Neymar e Marquinhos, o Santos chegou a Bahia com grande vantagem, como diz o ditado: com uma mão na taça.

Mas o Vitória, que precisava vencer por 2 x 0 para levar a decisão aos pênaltis e por 3 gols de diferença para ser campeão, começou o jogo pressionando a equipe paulista.

Sem muita objetividade, é bem verdade, mas jogando todas as suas fichas, Ricardo Silva entrou com dois centroavantes (Junior e Schwenk) e dois meias (Ramon e Elkeson), além disso o volante Bida acabou atuando um pouco mais frente, fazendo uma linha de três com os dois meias, além das descidas do lateral-esquerdo Egídio, era um Vitória ofensivo, que buscava a todo custo o gol.

Mas a equipe santista, caracterizada pelo futebol moleque, não foi nem um pouco moleque, Dorival Junior deu ao time uma autonomia defensiva, o que geralmente falta para equipes que jogam muito bonito.

Com Arouca e Wesley a frente da zaga, e com os laterais Pará e Alex Sandro descendo pouco, os ataques rubro-negros eram facilmente contidos, a experiente dupla de zaga com Durval e Edu Dracena (que já tinha sido campeã da Copa do Brasil antes, Edu pelo Cruzeiro em 2003 e Durval pelo Sport em 2008) deu mais segurança ainda.

Até que no fim do primeiro tempo, após bom cruzamento de Neymar (até então sumido do jogo) Edu Dracena subiu e fez de cabeça o primeiro gol do jogo.

Com 1 x 0 no placar o Santos foi para o vestiário com as duas mãos na taça.

Na volta para o segundo tempo o Vitória continuava tentando pressionar o Santos, que até pelas circunstâncias do jogo não foi aquele Santos ofensivo de muitos gols, apenas marcava lá atrás e poucas vezes saia para o ataque.

Então veio o justo empate do Vitória, o capitão Ramon ajeitou de cabeça para o zagueiro Wallace, que chutou pro gol, a bola desviou em Durval e entrou.

Esperança para o Vitória, que ainda precisava de três gols para conseguir o título, e com muita raça e dedicação foi pra cima do Santos de vez.

Mas dessa vez acabou deixando espaços e o Santos começou a criar oportunidades também, Ganso, Robinho, Marquinhos (que havia entrado no lugar de André) todos parados pelo bom goleiro Viáfara.

Num de seus ataques, após belo passe de Neto Coruja, o camisa 9 Junior, com um toque sutil, tirou o goleiro Rafael e virou o jogo para o Vitória, de maneira merecida a equipe baiana venceu o segundo jogo, pois se arriscou mais e criou oportunidades de onde parecia não existir nada para criar, mas já era tarde demais, o 2 x 1 dava o título ao Santos.

Assim como o Vitória mereceu a vitória no segundo jogo, o Santos mereceu o título, pelas estrondosas goleadas nas primeiras fases do torneio, pelas boas vitórias sobre Atlético/MG e Grêmio, dois dos principais candidatos ao título, e pelo bom primeiro jogo na Vila Belmiro, onde mesmo com o pênalti perdido por Neymar e outras inúmeras oportunidades perdidas com bola rolando, a equipe santista conseguiu abrir dois gols de diferença.

Depois de um primeiro semestre quase perfeito, com a conquista do título paulista e outras grandes exibições dentro da própria Copa do Brasil, o Santos começou o período pós-Copa um pouco mal, e criou dúvidas na cabeça da torcida e e todos, mas a confirmação de uma terceira geração vitoriosa de “Meninos da Vila” veio com esse título da Copa do Brasil.

O time agora pode se desfigurar com as saídas de André e Robinho praticamente confirmadas, mas mesmo assim continua sendo uma equipe muito forte, Ganso é um legítimo camisa 10, e a solidez defensiva também é um ponto interessante a ser lembrado.

A alcunha Santástico talvez seja um pouco exagerada, mas no momento vale a pena ser lembrada, o time do Santos se reconstruiu nessa temporada, apostando na prata da casa e no bom técnico Dorival Júnior.

Ao Vitória resta levantar a cabeça e continuar firme no Brasileirão, a equipe baiana não é das melhores, mas contém peças interessantes e não é atoa que chegou a final da Copa do Brasil, o goleiro Viáfara e o meia Elkeson, são pra mim os dois grandes destaques.

Hoje a noite teremos outro grande jogo entre São Paulo x Internacional, pelas semi-finais da Copa Libertadores, jogo extremamente importante e que deverá ficar na memória do futebol brasileiro, o Inter abriu vantagem de 1 x 0 jogando no Beira-Rio, o confronto no Morumbi hoje promete, amanhã comento sobre ele aqui.

Copa do Brasil 2010

Seguindo no ritmo do preview da Libertadores, e repetindo o ano passado, falo agora da Copa do Brasil 2010.
A competição, que reune 64 times, tem como grande atrataivo, além do título, é claro, a vaga garantida na Copa Libertadores do ano seguinte.
Esse ano conta com treze times estreantes e alguns dos grandes clubes brasileiros também.
Escolhi meus cinco favoritos e vou falar um pouco de cada um deles, no fim da
competição a gente vê se os meus palpites vão dar certo:
Atlético (MG)

O Galo mineiro definitivamente não começou bem a temporada, o futebol apresentado até agora no Campeonato Mineiro não deve ter convencido a torcida atleticana, mas as expectativas criadas para essa temporada são enormes.
Após a chegada de Vanderlei Luxemburgo para o comando técnico do Galo muita coisa mudou, e o horrível fim de 2009 parece ter ficado para trás também.
Com Luxemburgo vieram vários reforços, dentre eles a dupla de zaga estrangeira que, se bem entrosada, deverá ser um dos pontos fortes do Galo: o equatoriano Jairo Campos e o paraguaio Cáceres. Além deles vieram também o lateral-esquerdo Leandro, velho conhecido de Luxemburgo e para o ataque o bom Muriqui e o folclórico Obina.
Devido a tudo isso o time ainda está em formação, na busca da formação ideal, mas mesmo assim entra como favorito, pois além de contar com a força de sua torcida tem um elenco forte quando se fala de Copa do Brasil.
Vale lembrar também que o principal jogador do Galo na temporada passada permaneceu na equipe. A torcida espera ansiosa por mais ra-ta-ta-tas de Diego Tardelli.
A estreia do Atlético-MG será no dia 24, contra o Juventus do Acre.
Grêmio (RS)

O Tricolor gaúcho, depois de um ano com uma boa Libertadores (apesar da eliminação para o Cruzeiro, em pleno Olímpico) e com um Brasileirão ruim (apenas uma vitória fora de casa em toda a competição) vem bastante mudado para 2010, e mais forte na minha opinião.
Silas chega para ser o treinador. Depois de um ótimo trabalho pelo Avaí na temporada passada, levando o desacreditado time catarinense às primeiras colocações do Brasileirão, o técnico ganhou moral e chega ao Grêmio com maiores responsabilidades também.
Chegaram várias contratações, dentre todas quem mais se destaca até agora é o atacante Borges. Além deles o torcedor gremista também tem muitas esperanças no recém contratado Douglas, bom camisa 10, e em Hugo, de volta ao Olímpico.
Assim como o Atlético-MG, o Grêmio ainda é uma equipe que busca a formação ideal e por isso não teve um início de ano dos melhores, uma derrota no GreNal é algo que sempre abala o time tricolor.
Mas o elenco não é fraco e vale lembrar sempre: o Grêmio é copeiro!
A estreia é amanhã, no Mato Grosso, contra o Araguaia.
Palmeiras (SP)
O alviverde paulista este muito, mas muito perto mesmo da vaga para a Libertadores deste, mas deixou escapar na reta final do Brasileirão, onde nada parecia dar certo para a equipe de Muricy Ramalho.
Por essas e outras o Palmeiras entra na busca pelo título da Copa do Brasil.
Muitas mudanças foram feitas da temporada passada pra cá, poucos reforços chegaram e o começo de temporada também não foi muito bom. Tudo isso tenta ser esquecido por Muricy e seus comandados.
Que apesar de ainda não estarem jogando bem, possuem dois jogadores que fazem a diferença e quando jogam bem sempre trazem bons resultados para o Palmeiras. São eles Diego Souza e Cleiton Xavier, a permanência de ambos é algo a se ressaltar, mas vale lembrar também que fora isso o Palmeiras não tem grandes destaques individuais, salvo o experiente Marcos.
A estreia também é amanhã, no Piauí, contra o Flamengo local.
Santos (SP)

A equipe alvinegra que vinha de duas temporadas bem abaixo da expectativa, sendo um mero figurante no Campeonato Brasileiro, reencontrou o bom futebol, unindo peças que já estavam no time mas não vinham rendendo, a bons reforços e a um ótimo treinador: Dorival Júnior.
Mas a grande arma santista é Robinho. O jogador, que surgiu de uma maneira extraordinária no próprio Santos e não vinha funcionando no Manchesetr City decidiu voltar à Vila Belmiro e logo na sua reestreia, no clássico contra o São Paulo no último domingo, já deixou um golaço de letra, mostrando que não veio pra brincadeira.
Além dele, a jovem e promissora dupla Neymar e Paulo Henrique Ganso também tem apresentado um ótimo futebol. E pra quem pensa que o Santos é só poder ofensivo é bom lembrar que a experiente zaga seja talvez um dos outros pontos fortes da equipe, Edu Dracena e Durval dão enorme segurança ao jovem e inconstante goleiro Felipe.
A estreia do Santos na Copa do Brasil será dia 24, contra o Naviraiense, no Mato Grosso do Sul.
Vasco (RJ)

Ressucistado. Acho que essa é a palavra que melhor define esse Vasco de começo de temporada. Depois de disputar a Segundona em 2009 e subir bem para a Primeira Divisão a equipe cruzmaltina manteve a base campeã, mas também modificou algumas coisas.
Dorival Júnior acabou saindo para o Santos e quem veio para o comando técnico foi Vágner Mancini. Além dele várias contratações também chegaram. A de maior impacto foi o atacante Dodô.
E o começo de temporada foi arrasador, ainda invicto nesse ano o ponto alto que chamou mais atenção de todos foi a humilhante goleada pra cima do Botafogo por 6 x 0, jogo em que Dodô meteu três gols.
Mas além desse ataque positivo, que tem Dodô, o jovem Phillipe Coutinho e Carlos Alberto como peças principais, o Vasco também tem um setor de meio-de-campo, que auxilia tanto a defesa, comandada pelo bom goleiro Fernando Prass, como o ataque.
São os vários os volantes que disputam posição e jogam bem: Souza, Nilton, Léo Gago, Rafael Carioca. A Copa do Brasil é uma prova de fogo para esse Vasco que começou muito bem a temporada provar se Dodô é mesmo o poder.
A estreia é amanhã contra o Souza da Paraíba.
Agora é esperar pra ver, a Copa do Brasil começa amanhã, dia 10 e a disputa pelo título e pela consequente vaga na Libertadores tem tudo pra ser muito interessante.
Vale lembrar também que nas duas primeiras fases vitória do visitante por dois gols ou mais eliminam o jogo de volta.