Arquivo da categoria: Ronaldinho Gaúcho

Le Rouge et Le Noir #21

Ontem um grito entalado na garganta dos rubro-negros foi colocado pra fora. Naquela que talvez será a partida mais marcante e mais emblemática, ou pelo menos uma das, da temporada, o Flamengo, no reencontro com Ronaldinho após sua ida para o Atlético-MG, venceu o Galo por 2 x 1, num Engenhão com quase 40 mil pessoas em plena quarta-feira fria e chuvosa e sentiu de novo, o gosto doce da vitória, com um tempero de vingança pra cima do agora R49.

O jogo em si foi um capítulo a parte nessa temporada cheia de decepções e resultados ruins que o Flamengo vem passando. A torcida, como é de costume, compareceu em massa e carregou o time durante os 90 minutos. O time, por sua vez, respondeu positivamente a todo esse apoio: jogou de uma maneira mais lúcida e mais compacta do que vinha jogando; foi com certeza a melhor atuação no comando de Dorival, de toda a equipe e com os destaques individuais para a dupla de ataque, que fez o que atacantes devem fazer: gol! E também pra Wellington Silva, que com a passagem de Léo Moura para o meio campo assumiu de vez a lateral direita.

No entanto, creio ser válido relacionar esse jogo em particular com outros dois momentos maiores. O primeiro, já citado no primeiro parágrafo é toda a ambientação e significação que esse jogo recebeu, em virtude de ter marcado o reencontro de Ronaldinho com o Flamengo e sua torcida. Independente dos motivos que levaram o camisa 49 do Atlético sair do Flamengo, o que ficou, em relação à grande parte da torcida foi uma mágoa e uma vontade de vingança (no bom sentido, futebolisticamente falando). E ontem essa vingança foi consumada. O futebol não é e nunca foi parâmetro pra racionalidade, então quando momentos assim acontecem, ainda que efêmeros e fugidios, é uma sensação muito boa que toma conta dos corações e das mentes do torcedores.

Outro ponto que não dá pra ficar sem ressaltar é a leve guinada que o Flamengo deu ao vencer os dois Atléticos em sequência. Duas vitórias seguidas é um evento raro na atual temporada e nesse momento do campeonato tornaram-se ainda mais raras e importantes. De primeiro time acima da zona de rebaixamento até uma semana atrás, o Flamengo agora já ocupa a décima posição e apesar de sonhos mais altos (leia-se G4) serem bem difíceis de conquistar, uma nítida evolução aconteceu nessas últimas rodadas e jogando o que jogou o Flamengo não terá nenhum risco de rebaixamento em pouco tempo. O clássico contra o Fluminense na próxima rodada será um bom teste pra provar se toda a evolução desses últimos dois jogos é mesmo real ou não.

Enfim, a sensação boa de sair com a camisa rubro-negra na rua, mesmo nesse frio, é muito boa, mas não dá pra se esquecer de que no geral a atual temporada vem sendo bem abaixo das expectativas. Acredito que o melhor a se fazer é comemorar bastante vitórias como a de ontem e manter os pés no chão em relação ao futuro.

SRN

Le Rouge et Le Noir #02

Guardei o post da série Le Rouge et Le Noir desse mês pro último dia do mês, em virtude da final da Taça Guanabara disputada ontem.

É natural que o tom seja de euforia após a conquista de mais um título do Flamengo, a 19º Taça Guanabara de sua história (assim como acontece no Campeonato Carioca, o Flamengo é também o maior vencedor da Taça Guanabara).

Mas vou tentar ser contido e analisar a campanha rubro-negra na Taça Guanabara como um todo, falando em especial da final de ontem contra o Boavista.

Antes de mais nada o que chama a atenção é a campanha invicta do Flamengo. Se no começo da competição os resultados vinham meio arrastados, como no jogo contra o Americano e na estreia de Ronaldinho Gaúcho contra o Nova Iguaçu (em ambos o raçudo Wanderley foi quem decidiu), mais pro fim da competição os resultados continuaram muito magrinhos, não teve nenhuma goleada, porém ficou nítido também a evolução do time, já apresentando um futebol mais consistente na semi-final contra o Botafogo e na final de ontem contra o Boavista.

É interessante ressaltar que o time ainda está em formação, são pouquíssimos os remanescentes da equipe titular do ano passado, equipe que merece ser esquecida.

Por causa disso e também pela pressão que sempre existe num clube do tamanho do Flamengo, considero natural e até saudável esse começo de temporada não tão estrondoso.

Importante era ganhar o título. E isso o Flamengo ganhou de forma invicta.

Não quero dizer que está tudo perfeito, mas até agora esse time vem se mostrando como um típico rebatedor de críticas.

Quando Ronaldinho chegou, depois daquela longa e fastidiosa novela, os torcedores rivais torciam o nariz e destilavam críticas vagas como a de que Ronaldinho cairia na farra assim como fez Adriano em 2010, ou então que Ronaldinho, por ter um salário muito superior, também teria regalias dentro do clube e despertaria inveja nos outros jogadores, causando rachas ou coisas parecidas.

Ledo engano. Acontece que Ronaldinho nem sequer deu ouvidos para isso, acontece que Ronaldinho está focado e é só mais um jogador, aliás, não é só mais um jogador, minto, é um líder desse time. Já tem braçadeira de capitão, já puxa o bonde sem freio e já exibe o característico sorriso.

Ainda falta muito na parte técnica, falta. Mas a determinação de Gáucho é notável e da estreia até o jogo de ontem ele já evoluiu muito, o gol do título de ontem, numa falta que lembrou outros camisas 10 da Gávea, como Zico e Pet, foi a coroação desse primeiro ato do principal jogador do elenco rubro-negro.

Além desse ponto, outra crítica comum que surgiu no começo da temporada tanto de torcedores rivais quanto da imprensa foi a questão do elenco rubro-negro, principalmente a defesa.

Talvez ainda falte mesmo um lateral-esquerdo e mais um zagueiro. Mas como disse, esse time é um rebatedor de críticas.

Além de ter sido campeão de forma invicta foi também a defesa menos vazada da Taça GB. A tão criticada dupla de zaga Wellinton e David Braz foi praticamente perfeita na final e no decorrer da competição também teve pouquíssimos erros, estão jogando com seriedade, sem medo de dar chutão.

Na lateral-esquerda, Egídio seria o titular, mas durante a competição ocorreram as improvisações de Renato Abreu e Ronaldo Angelim pra falar a verdade, vejo isso como um ponto positivo e aí que falo ainda mais sobre o elenco.

Apesar da carência na lateral-esquerda, Vanderlei Luxemburgo ainda está encaixando o time e por isso testa, improvisa e tenta coisas novas sempre, até chegar a formação ideal. Só pode fazer isso quem tem elenco bom, do meio pra frente o Flamengo é hoje muito forte.

Opções de banco como Fernando, Fierro, Bottinelli, Negueba, Diego Maurício, Marquinhos, Vander, Wanderley, não é qualquer time que tem tantas e com essa qualidade, nenhum desses é um grande craque, mas são ótimas peças para compor elenco e com potencial até para se tornar um titular absoluto.

Falando ainda de jogadores individualmente, Felipe vem sendo muito seguro até agora, as defesas na disputa por pênaltis, na semi-final contra o Botafogo foram seu ponto alto, mas em todos os jogos não teve praticamente nenhuma falha e quando foi acionado esteve muito bem.

Pra fechar, não dá pra esquecer de elogiar Vanderlei Luxemburgo, muito, mas muito criticado pela temporada ruim no Atlético-MG ano passado, ele, assim como o Flamengo, se reconstruiu esse ano, e não ligando pra críticas nem nada, vem trabalhando com seriedade, lembrando o Vanderlei multicampeão de outros tempos.

Enfim, esse foi um balanço geral da Taça Guanabara 2011, é só o começo de temporada e muita coisa ainda vai rolar, mas só de ter garantido a vaga na final do Carioca e a vaga na segunda fase da Copa do Brasil já valeu muito a pena. Esse time ainda tem muito que evoluir, mas o começo está sendo dos melhores.

Em março tem mais Le Rouge et Le Noir.

 

Le Rouge et Le Noir #01

Série nova no Un Quimera!

Le Rouge et Le Noir vai ser a série que tratará de algo que propaga mundo a fora essas duas cores: o vermelho e o negro.

Sim, não falo de outra coisa senão do Clube de Regatas Flamengo.

Não escondo de ninguém a minha torcida pelo Flamengo e desde a criação do Un Quimera vários textos sobre um dos maiores clubes de futebol do mundo já foram publicados aqui.

Falando sobre momentos gloriosos como os títulos Carioca e Brasileiro de 2009 e sobre momentos vergonhosos como a horrível saída de Zico no fim do ano passado.

A ideia da série Le Rouge et Le Noir é ser publicada mensalmente. Pra que todo mês eu possa falar sobre um dos assuntos que eu mais gosto e mais me sinto a vontade de falar que é o Flamengo. Os textos da série tratarão de assuntos dentro e fora de campo, mas vale lembrar que não é porque existe a série que falarei do Flamengo apenas uma vez por mês sempre, o assunto poderá ser retomado mais vezes.

Pra parar de lenga lenga e começar de vez a série assunto é o que não falta.

E, lógico, vou falar sobre a novela Ronaldinho Gaúcho que se encerrou com final feliz para o Flamengo há poucas horas.

Estava esperando a conclusão dessa novela pra publicar esse post e vale lembrar também que o primeiro QuimeraCast falará sobre futebol e a novela R10 com certeza estará em pauta.

No dia 30 de dezembro de 2010 a mídia solta que Flamengo, Grêmio e Palmeiras estariam negociando para ter Ronaldinho Gaúcho em 2011 e que dessa vez, diferentemente das vezes anteriores em outras janelas de transferências, Milan e jogador estariam dispostos a conversar e a acertar uma transferência.

De lá até a noite do dia 10 de janeiro de 2011 muita coisa aconteceu, uma verdadeira novela mesmo, que gerou muita polêmica e foi a principal atração da imprensa esportiva.

Como sempre acontece nesse período de férias/pré-temporada dos jogadores de clubes brasileiros, como não se tem jogos os flashes voltam-se todos para as transferências, quando anunciada a possível volta de Ronaldinho Gaúcho ao futebol brasileiro os flashes quase todos voltaram-se para ela.

Eu fui acompanhando de perto tudo que rolava, afinal estava interessado no assunto, desde o princípio achava que uma vinda de Ronaldinho Gaúcho para o Flamengo, por mais que os rivais falem e queiram pensar o contrário, trará muito mais coisas boas do que coisas ruins para o Flamengo.

E com o passar dos dias ia sentindo que aquilo estava tomando proporções gigantes, até certo ponto estava ficando chato e uma resolução do assunto era tudo o que eu queria.

Listar o que foi acontecendo dia após dia seria algo muito desinteressante, então prefiro citar alguns pontos que considero importantes dentro da trama.

Primeiro: O empresário (vilão) Assis. Se essa novela precisasse de um vilão ele certamente seria Assis. Após o episódio do último sábado (a reunião de Patricia Amorim com Adriano Galliani), Palmeiras e Grêmio dispararam contra Assis e o elegeram o principal culpado do não acordo com Gaúcho.

Não dá pra saber o que realmente aconteceu, o que foi dito de Assis para os dirigentes verdes e tricolores, as conversas de contratos dentro do futebol são coisas ainda muito obscuras, inúmeras versões sempre surgem e crucificar Assis como alguém mentiroso não é o mais acertado. Palmeiras e Grêmio parecem agir muito mais com paixão do que razão, culpam Assis por não terem conseguido concretizar a transação, o Palmeiras que se gabou de ter a melhor proposta e o Grêmio que usava o discurso de volta pra casa para trazer Ronaldinho e que até botou caixas de som no Olímpico para festejar a vinda do craque, caixas de som que ficaram em silêncio.

No mesmo silêncio de Patricia Amorim e dos dirigentes rubro-negros durante boa parte da negociação. É aí que entra o meu segundo destaque: a presidenta Patricia Amorim.

Muito criticada ano passado, inclusive por mim, de maneira justificada, pois não fez um bom ano no Flamengo, os resultados dentro de campo acabaram sendo apenas reflexo da péssima administração fora dele: contratações ruins, acordos mal feitos e o pecado principal: uma verdadeira omissão no “Caso Zico”.

Porém essa negociação com Ronaldinho Gáucho seja talvez o primeiro passo de sua redenção dentro do comando rubro-negro. Como falei ela se manteve em silêncio durante boa parte da negociação, esquecendo os holofotes da imprensa e focando nas conversas e nos trabalhos que realmente importam para trazer um jogador do nível de Ronaldinho Gaúcho.

Voltando ao episódio do último sábado, que praticamente sacramentou a vinda de Gáucho para o Fla, Patricia aí sim falaou, falou com quem tinha que falar, Adriano Galliani, vice-presidente do Milan, contando com sua simpatia perante ao Flamengo, Patricia conseguiu fechar acordo com ele e o próprio disse: “credo que 99,99% de Flamengo”.

Os elogios a Patricia constrastam com as declarações que forçaram um pouco a barra, por parte de Paulo Odone, presidente do Grêmio e Luiz Felipe Scolari, técnico do Palmeiras.

Ambos crucificram Assis e falaram de uma maneira muito emocionada, deixando claro como queriam e muito contar com Gaúcho, tudo bem, eles têm sua razão em estarem descontentes com o final triste pra eles, mas vamos ser sinceros, mais pareciam aquela criança mimada que não ganhou seu presentinho.

Outro dirigente que entrou de gaiato na novela foi o presidente corintiano Andrés Sanches, o Timão esboçou uma tentativa de ter Ronaldinho Gáucho, mas a declaração de Sanches foi uma mescla de arrogância com ingenuidade. Dizer que não tinha motivos de pagar nada ao Milan por um jogador que no meio do ano estaria liberado para vir de graça, pois seu contrato com o clube italiano acabaria em julho. Como se um jogador do calibre de Ronaldinho Gáucho não assinaria nenhum novo contrato nesse “pequeno” período de janeiro a julho de 2011.

Outro personagem e outro episódio que pra mim foram determinantes para o final feliz rubro-negro foram Adriano Galliani e a reunião de rescisão de contrato no Copacabana Palace, na última quinta.

Do lado de fora do luxuoso hotel rubro-negros com máscara de Ronaldinho Gaúcho pediam a vinda do craque para o rubro-negro, uma situação inusitada, mas que possivelmente pesou a favor do Flamengo, até aí a torcida mostra sua força e mostra que pode fazer diferença.

E em relação a Adriano Galliani acho que nem preciso falar muita coisa, o carismático dirigente rossonero se mostrou amplamente a favor da vinda de Gaúcho ao Flamengo, declarando ser flamenguista e torcendo para que a transferência se concretizasse. O bom relacionamento de Ronaldinho com Galliani fez a opinião do dirigente pesar também.

Esses foram os principais personagens e episódios da novela, que enfim acaba. A apresentação de Ronaldinho Gaúcho deverá acontecer na quinta, além dele o Flamengo acertou também com Felipe, Vander, Wanderley, Darío Bottinelli e Thiago Neves. Muitos nomes e bons nomes, o Flamengo 2011 tem tudo pra superar e muito o Flamengo 2010, Vanderleu Luxemburgo tem a chance de dar a volta por cima e calar a boca de muita gente. Uma ideia que não sai cabeça: a zaga ainda é fraca.

Enfim, acho que é isso, ainda sobrou muita coisa sobre Ronaldinho Gaúcho pra falar. Fica pro QuimeraCast que se tudo der certo sai ainda em janeiro.

Por ora, fica a minha satisfação de ter Ronaldinho Gaúcho no meu time, polêmicas a parte, gostei da vinda do craque e espero que até encerrar sua passagem pelo Flamengo consiga muitos títulos e também consiga de volta sua vaga na Seleção Brasileira. Hoje é dia de sair de camisa do Mengão pra rua.

SRN