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E lá se vai mais um Zé…

O post de hoje é uma singela homenagem.

Acaba soando quase como um “acontecimento”, sim, a morte do ex-vice presidente do Brasil, José Alencar.

Pra ser sincero não estava acompanhando a fundo sua situação de saúde, acabou que só mesmo ontem, depois da morte, fui me informar mais sobre ele.

Uma das reminiscências mais antigas e mais sem sentido que tenho dele é de aulas de Literatura, onde a galera sempre confundia o José Alencar que morreu ontem com o José de Alencar escritor de Iracema, nunca mais confundi pois o professor frisou bem: o da Literatura tem de, o da Política não.

Como disse, essa lembrança não serve pra muita coisa, foi mesmo espontânea e veio quando estava vendo um pouco da vida do José Alencar na TV.

O que a grande massa que não é totalmente alienada diz em alto e bom som é que os políticos são todos corruptos, que não prestam e etc. José Alencar foge de preconceituoso estereótipo.

O mineiro e flamenguista  José Alencar entrou pra Política tarde, havi mesmo se consagrado com um bem sucedido empresário do ramo têxtil e só em 1994 foi concorrer ao governo de Minas, perdeu, mas em 98 concorreu de novo, dessa vez para o Senado e foi eleito com algo em torno de 3 milhões de votos.

Cumpriu muito bem seu mandato e em 2002 foi eleito vice presidente de Lula. Em sua vida política ficou caracterizado por uma forte luta na redução dos juros, que acabou surtindo efeito desde a candidatura de Lula até os dias de hoje.

Mas desde fins da década de 90, José Alencar já lutava contra um câncer de estômago, foram inúmeras internações e depois de lutar muito, servir de exemplo pra muitos, acabou falecendo ontem a tarde em São Paulo.

O que mais me chama atenção em José Alencar é a serenidade e alegria que ele transmitia em praticamente todas as suas entrevistas, o ex-vice presidente destoava da maioria dos políticos também nesse ponto, não era todo sério e carrancudo, era mais humano.

Outro ponto interessantíssimo são suas citações socráticas. Quando um político em pleno século XXI recorre a Sócrates, algo bem diferente e bem interessante está ocorrendo. A questão da Filosofia estar descontextualizada no mundo de hoje é uma questão forte, da qual estudo e em breve publicarei artigos tratando disso, mas isso é pra depois, atendo-me ao assunto do post de hoje, que é José Alencar, penso que ele citar Sócrates, justamente pra falar da morte é genial.

Enfim, José Alencar foi um grande homem, que honrou o Brasil e que de um jeito ou de outro eu teria que homenagear, afinal, o cara era mineiro, flamenguista e curtia Filosofia.

Descanse em paz, Zé!

A PresidentA

Ontem, 1º de janeiro de 2011, fica marcado como a data da posse da primeira mulher presidente do Brasil, a petista Dilma Rousseff, apesar da extinção da série “acontecimentos”, esse não deixa de ser um.

A aguardada cerimônia de posse contou com algo em torno de 30 mil petistas, políticos, chefes de estado como Hugo Chávez e personalidades internacionais como Hillary Clinton.

Depois de oito anos no poder, Luiz Inácio Lula da Silva deixa Brasília nas mãos de sua aliada Dilma Rousseff, a entrega da faixa presidencial (como sempre) foi o momento mais marcante do dia, o ex-líder sindical, dono de um carisma extraordinário acompanhado de sua esposa Marisa Letícia entregou a faixa à Dilma que, muito emocionada, discursou ao lado de Michel Temer e da esposa dele, a já muito comentada pelos twitters afora, Marcela Temer.

Dilma, em seu primeiro discurso como presidente do Brasil, frisou a importância da “luta obstinada contra a pobreza”, fez elogios à seu antecessor, como era de se esperar, ressaltou também a figura de José de Alencar, que não pode comparecer à cerimônia de posse devido a problemas de saúde.

Outros destaques importantes do discurso foram a exaltação da mulher no território nacional e mundial e as “mãos estendidas” aos opositores, prometendo um governo de muito diálogo e abertura.

Após o discurso um coquetel, os primeiros cumprimentos à nova presidente e o empossamento dos ministros de Dilma.

Enfim, numa análise bem compacta da posse de Dilma, vale destacar a questão da mulher, uma abordagem mais profunda do tema geraria muitas e muitas linhas, mas bem resumidamente o que importa dizer é como a mulher vem ganhando força dentro do Brasil nas últimas décadas, isso é importante e só tem a ajudar o país a crescer, acaba sendo uma ampliação da democracia, uma mulher no poder reflete muito bem isso, porém não dá pra dizer que só por isso tudo será perfeito.

Fazendo uma pequena volta no tempo, após o impeachment de Collor o Brasil meio que foi voltando aos trilhos, a consolidação do Plano Real no governo Itamar foi de suma importância para isso, o então Ministro da Fazenda, principal defensor do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso assume a presidência em 1995 e começa a estabilizar ainda mais o país, nos seus oito anos de governo alguns problemas surgiram, destaque para as polêmicas privatizações, o apagão de 2001 e por aí vai, mas numa visão mais geral os dois governos FHC foram de reconstrução, pavimentação de uma estrada esburacada.

Em 2003, Lula, depois de muito tentar, assume a presidência, muitos esperavam e apostavam numa ruptura total do estilo de governo de FHC, mas na verdade Lula acabou dando continuidade a algumas medidas de seu antecessor e soube criar outras.

Como já ressaltei no início do post, o carisma extraordinário de Lula fez muita diferença, principalmente nas relações internacionais, o Brasil cresceu nos seus oito anos de governo, sediou o Pan de 2007 e ficou com a vaga para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Mas problemas também estiveram presentes no governo vermelho. O principal deles, sem sombra de dúvida, foi o Mensalão.

Um ponto que as vezes passa despercebido foi a posição do Brasil durante a grande crise surgida nos EUA em 2008. Devido a atuação de Lula e de seu governo o Brasil acabou sendo um dos países menos prejudicados pela grande crise.

Chegou 2010 e com ele o fim dos mandatos de Lula, muito pelo seu grande apelo popular, Lula conseguiu eleger como seu sucessor Dilma Rousseff, vencendo José Serra nas Eleições de outubro.

E agora voltamos à posse e ao discurso de Dilma, o que se espera é mesmo uma continuação do governo Lula, que em alguns aspectos deu muito certo, porém o carisma de Lula é próprio e não transferível para Dilma, resta saber até que ponto ela saberá segurar a questão de que grande parte da população não a conhece tão bem quanto Lula.

De início seu discurso anima petistas e não faz com que oposicionistas tenham críticas mais contundentes. Com o passar do tempo o Un Quimera vai analisando, dentro do possível, o governo de Dilma.

Rabo de Urna #09

Hoje é dia do último Rabo de Urna.

Dia 3 próximo é dia de votar em um presidente, um governador, dois senadores, um deputado federal e um deputado estadual.

A série Rabo de Urna, desde que “nasceu”, possuia um objetivo único: conseguir um maior número de votos… CONSCIENTES.

Sei que é infímo o número de leitores do blog, mas que pelo menos estes consigam votar melhor, inclusive o próprio blogueiro. O que tentei transmitir é que antes de mais nada é PRECISO votar. Não vale a pena abdicar desse direito e ficar calado e de braços cruzados esperando alguma coisa acontecer ou então votar por votar, recebendo em troca algum favor ou coisa parecida também não é lá grande coisa.

As vezes é difícil acreditar que seu voto pode mudar alguma coisa, vendo tanta corrupção no cenário político, ou então não vendo nenhum candidato realmente bom, como é o meu caso que ainda não consegui me decidir em quem votar, mas mesmo assim o encontro com a urna é importante, acontece de 2 em 2 anos e não vale a pena ser desperdiçado.

Só que esse último Rabo de Urna não vai servir só pra ficar falando de uma coisa que todos já sabem, vai falar sobre uma polêmica que rolou nesses meses de propaganda política e que acabou sendo resolvida.

É a questão da censura ao humor dentro da Política. Atitude deplorável que estava em voga até pouco tempo atrás. Vários humoristas se organizaram a pra lutar contra tal situação, fizeram passeatas e coisas parecidas e acabaram conseguindo permissão para escracharem os candidatos, maneira muito interessante de se informar, sim, as vezes pelo humor se pode conseguir muitas coisas boas, afinal é um canal que abrange boa parte da população de uma maneira direta, sabendo usá-lo pode ser interessante.

E é aí que eu queria entrar: o humor tem que ser usado de maneira adequada, no lugar adequado.

Porque nessas Eleições (já deve ter acontecido coisas parecidas em outras Eleições também, mas enfim) parece que o humor tá no Horário Político. O maior exemplo disso é a febre do “candidato abestado”:

Todo mundo fala do Tiririca – 2222. Numa boa, não dá pra levar a sério. Até achei bem legal essa propaganda, engraçada e tudo mais, só que candidatos assim, se eleitos, não têm CONDIÇÕES de proporcionar algo melhor para o eleitor, não porque eles não queiram, simplesmente porque não podem.

Além dele existem outros exemplos que volta e meia você vê nos horários políticos por aí.

Outra coisa que vale abordar no post, já que falamos de humor, é um outro vídeo que ficou bem famoso também, na verdade também é extraído do Horário Político:

Humor a parte, a ideia principal é ressaltar que o humor é uma arma poderosa quando se fala de Eleições, mas saber usá-la é necessário.

Urna agora só dia 3 de outubro, fim de mais uma série no Un Quimera.

Os “acontecimentos” de agosto/2010

De uma maneira totalmente freestyle, muita correria nesse fim de mês (começo de 2º período na faculdade, ainda adequando horários, interesses, etc..) e ficou difícil de elaborar algo mais detalhado pro post dos “acontecimentos”, acabei optando por dividir os acontecimentos do mês em duas partes, bem diferentes uma da outra, vai ficar mais fácil de entender depois de ler:

Rio de Janeiro – Parte 1


A primeira parte (ou primeiro acontecimento) se deu entre os dias 4 e 8, na cidade histórica de Paraty, Rio de Janeiro.

Sim, foi mais uma edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), um evento que ocorre todos os anos, mas que merece estar aqui, como o próprio nome diz, uma festa que promove a Literatura (nesse momento meu ex-professor de Literatura acaba de entrar no MSN) é sempre bem-vinda, ainda mais no Brasil, um país tão carente nessa área.

A edição de 2010 teve como homenageado o sociólogo Gilberto Freyre, marcado por sua obra-prima Casa-Grande & Senzala.

Justa homenagem mas que gerou algumas polêmicas durante a festa, como por exemplo na noite de abertura do evento, onde Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente do Brasil, soltou algumas críticas ideológicas em relação à obra do homenageado.

Achei isso até interessante, pra dar uma apimentada na coisa, fora isso várias outras participações interessantes e importantes: o historiador Peter Burke, a escritora Isabel Allende e o grande poeta Ferreira Gullar, foram para mim os grandes destaques.

Além deles várias outras atrações rechearam mais uma vez a FLIP de cultura, diversidade e muita alegria, combinação perfeita para uma festa. Mais uma vez fiquei com muita vontade de ir e poder presenciar tudo isso de perto, infelizmente, mais uma vez, não deu. Quem sabe ano que vem.

Enfim, o importante desse acontecimento é ressaltar a importância e a positividade dele para o país como um todo, mostrar que no Brasil existe potencial para eventos desse porte e quem sabe ainda maiores.

Rio de Janeiro – Parte 2


Mas ao mesmo tempo o Brasil também é lugar de tiroteio que mata inocentes e causa pânico na população em geral.

São Conrado, Rio de Janeiro capital, dia 21. Um tiroteio envolvendo traficantes e a PM, por volta das 8h, além de matar uma mulher identificada como Adriana Duarte de Oliveira dos Santos, desembocou ainda na invasão por parte dos traficantes ao Hotel Intercontinental, aonde fizeram 35 reféns.

Houve registros de feridos tanto entre os traficantes, quanto os PM’s e também civis. Ou seja, o que era pra ser apenas mais uma manhã de sábado acaba virando uma grande confusão que atrapalha a vida de muitas pessoas.

Não querendo entrar no mérito de culpados ou inocentes, o fato é que tiroteios como esse as vezes são tratados de uma maneira muito banal, porque sim, não é a primeira vez que isso ocorre, mas trago para os acontecimentos justamente por isso, não é qualquer coisa um tiroteio assim.

Gera, pelo menos em mim, muita indignação e vontade mudar isso, não é simples, querer dizer isso vai acabar assim de uma hora pra outra é utopia, a realidade é que talvez nunca acabe, mas é certo que se cada um fizesse sua parte isso poderia ao menos melhorar.

Assim como acredito que a Literatura da FLIP, e a Literatura do dia-a-dia têm que ser vividas por todos, o questionamento e a ação frente a problemas sociais como esse tiroteio também têm que ser vividos por todos.

É isso, o porquê de dividir os dois acontecimentos em Parte 1 e Parte 2 é justamente esse, mesmo tão distintos podem ser olhados e analisados juntos.

Até setembro.

Rabo de Urna #08

O Rabo de Urna de número 8 vem pra falar sobre algo muito atual, que está acontecendo e que pode influir muito nas Eleições 2010.

É a influência e a importância da TV dentro do meio político, principalmente nessa época de Eleições.
Com o início da propaganda partidária, começaram também os debates e as entrevistas televisivas. É fato a força
da TV como objeto de formação da opinião pública no Brasil, talvez seja um exagero dizer que a TV pode ser um
fator decisivo das Eleições, mas que pode alterar muita coisa, isso pode!
Enfim, esse Rabo de Urna será mais uma análise do desempenho dos candidatos em frente as câmeras nessa primeira metade do mês de agosto.
É notável o avanço de Dilma em praticamente todas as pesquisas, isso vem de seu bom desempenho nos debates e
entrevistas? Também, mas não exclusivamente disso.
O grande medo da candidatura de Dilma talvez seria a sua inexperiência frente aos grandes meios midiáticos, ela
realmente não se mostrou muito a vontade em frente as câmeras, algumas gaguejadas e muitas frases prontas marcaram sua postura, porém isso acabou se tornando algo pequeno, muito devido talvez ao desempenho de seus adversários.
José Serra tentou passar uma falsa simpatia, não muito compatível ao seu estilo e utilizar-se da experiência de
outras candidaturas para ser o seu diferencial, não parece ter dado muito certo, ainda mais depois do suposto
“alívio” que ele recebeu em sua entrevista ao Jornal Nacional.
Já Marina Silva, que começa atrás devido ao exíguo tempo de propaganda, também não conseguiu se destacar muito
nos debates e entrevistas, ela tentou se livrar do conceito já batido de que ela é a candidata do meio ambiente,
não que não seja, mas é que ficar rotulada como candidata de uma coisa só nunca é bom, vide Cristóvam Buarque e a
Educação em 2006.
Pra fechar vale ressaltar o desempenho de Plinio de Arruda Sampaio no debate da Band, no dia 5, ele meio que foi
o “do contra”, em uma Eleição que está sendo marcada pela extrema racionalidade, sem muita emoção ou coisas
diferentes, Plinio se mostrou muito solto para criticar de frente a tríade favorita à eleição.
Por tudo isso, o avanço de Dilma nas pesquisas talvez não tenha ocorrido devido a coisas boas que ela fez, mas sim
a coisas ruins ou omissões feitas por seus adversários.
Já se fala de uma vitória petista no primeiro turno, o que a cada dia que passa parece ganhar mais força, seria a perpetuação do PT durante 12 anos seguidos na presidência, algo a se elogiar.
Um pouco diferente dos outros, esse Rabo de Urna buscou mais passar uma opinião do blogueiro e tentar deixar o
leitor a par do que está acontecendo nesse período tão próximo das Eleições. Sempre enfatizando o poder da TV nesse
quadro.

Rabo de Urna #07

O sétimo Rabo de Urna é especial.

Vem falar de um assunto muito, mas muito importante mesmo, que é a Educação, pilar para o desenvolvimento de qualquer país e que deve ser levado a sério sempre (nessas Eleições então, mais ainda).

E fala disso de uma maneira diferente, não serão as ideias ou a opinião do blogueiro que estarão presentes aqui, ma sim um texto de Ivan Bilheiro.

Nesses primeiros meses de Juiz de Fora, já fiz alguns amigos e Ivan é um deles, mandou muito bem nesse texto que foi publicado no Tribuna de Minas, e eu pedi a ele a permissão para publicá-lo aqui no Un Quimera, encaixaria perfeitamente na série Rabo de Urna.

Vale lembrar também que Ivan é um dos poquíssimos leitores deste querido blog…

Aí vai:

Educação e Qualidade

O tema educação já não é novidade no debate político. Mas a sociedade brasileira e os políticos precisam encará-lo sob a perspectiva certa: a da qualidade. Neste momento em que o país se prepara para eleger novos representantes e governantes, a oportunidade para corrigir o olhar sobre a educação é imperdível.

Quando se fala do direito à educação, muitas vezes não se fala de qualidade. Assim, mesmo que o direito à educação seja inserido na agenda política dos candidatos, nem sempre isso corresponde ao que, de fato, deve ser buscado: o direito à aprendizagem.

Escolas malconservadas, alunos que tiram pouco proveito de suas horas nas instituições de ensino, professores mal remunerados e pouco motivados: este pode ser o cenário de um país que garante o acesso à educação, mas jamais seria o cenário de um país que luta pela qualidade da educação. Se os estudantes brasileiros tivessem o direito à aprendizagem, consequentemente haveria uma melhora no cenário educacional, pois não há condições de garantir a aprendizagem sem que os professores e as escolas recebam a devida atenção.

Desta forma, deve-se colocar na lista de prioridades o direito à aprendizagem, para que os candidatos que se comprometam com a questão da educação não possam fazê-lo simplesmente para garantir votos, pois a responsabilidade sobre a aprendizagem requer a garantia de uma educação de qualidade, a única que pode oferecer um futuro melhor para o país.

A função de todos os eleitores, na posição de cidadãos responsáveis pela sociedade em que vivem, é lutar pela garantia do direito à aprendizagem, através de uma educação de qualidade, a fim de que o sistema educacional não seja ampliado no âmbito quantitativo, mas que ganhe qualitativamente. Direito à educação sim, mas de qualidade!

Mês que vem tem mais Rabo de Urna, valeu pelo texto Ivan.

Rabo de Urna #06


O Rabo de Urna de junho não vai falar especificamente de Política, muito menos de Eleições, mas não perdendo o seu objetivo principal que é fazer com que o leitor possa se informar mais e questionar muito mais sobre estes assuntos, adentra em um campo que sempre gera muita polêmica: a relação Política/Futebol.

Aproveitando o embalo dessa Copa do Mundo o que pretendo discutir é até onde o futebol pode interferir na Política e qual a influência disso na vida dos cidadãos.

Pra começo de conversa o exemplo mais claro que vem na minha cabeça é de como o governo ditatorial de 1970 fez de uma das melhores seleções de todos os tempos, o seu “time-propaganda”. Isso só aconteceu pela força que o futebol tem dentro do imaginário coletivo da população brasileira.

Em ano de Copa do Mundo, talvez muito mais antigamente, mas ainda hoje em dia, o que se vê é uma mobilização muito grande de boa parte da população para ver os jogos, ficar sabendo da nossa Seleção.

Sim, talvez por pura preguiça ou comodismo, para poder faltar ao trabalho ou a escola no dia de jogo, para esquecer coisas que não podem ser esquecidas como os problemas na Educação do país, a violência, a fome…

Aí logo vem aqueles moralistas que dizem que o futebol não passa disso, um desvio das ditas coisas importantes e que Copa do Mundo, Campeonato Brasileiro e qualquer outro campeonato de futebol não serve pra nada.

São nessas declarações que se encontram as mais inoperantes e preguiçosas mentes, mais ainda do que aquelas que preferem faltar ao trabalho para assistir o Brasil na Copa.

Não dá pra discutir a força que o futebol tem em nosso país, se é o melhor do mundo não é atoa, e se recebesse mais apoio poderia ser ainda melhor, isso serve para todos os esportes, mas aplica-se em especial ao futebol.

Torcer pro seu time ou pela Seleção é algo que traz mais alegria (em alguns momentos tristeza), e que faz do torcedor verdadeiro alguém especial por si só, o futebol pode proporcionar momentos mágicos e participar disso não é sinônimo de inoperância ou falta de pensamento crítico.

O que precisa-se entender é que assim como outros segmentos da sociedade o futebol também tem o seu papel e merece ser respeitado. Todos sabem que hoje em dia muito do futebol é pura politicagem de dirigentes e empresários e o que ele foi um dia jamais voltará a ser, mas isso é irrelevante perto da química que esse esporte desperta em
inúmeros brasileiros, desde o moleque franzino que sonha em um dia estar dentro do campo com a camisa da Seleção, até o senhor de idade que tem em sua memória momentos inesquecíveis de outras Copas e Seleções.

Por tudo isso vale muito a pena ser feliz, gritar, cantar e se emocionar nessa e em todas as outras Copas do Mundo.

Uma coisa é esquecer os outros problemas e pensar que tudo é futebol, outra é colocar o futebol em seu devido lugar, sabendo que ele não é tudo, mas que é sim muita coisa.

Rabo de Urna #05

O quinto Rabo de Urna vem bem sucinto, pois nesse mês o blogueiro está meio sem tempo e vem falando sobre um assunto que ganhou bastante espaço na mídia nesse mês de maio.

É o Projeto Ficha Limpa, um projeto que impede a candidatura de políticos condenados pela Justiça, contou com algo em torno de 4 milhões de assinaturas.

Novas e interessantes propostas são apresentadas no projeto, que só de ser uma iniciativa popular já vale a pena, algumas das mudanças são: ampliar de três para oito anos o período em que o político fica impedido de se candidatar e passa a fiscalizar melhor os crimes dos políticos, entre outras.

Enfim, é isso, o Projeto Ficha Limpa é algo muito positivo para a democracia do nosso país e pra entender melhor fica o vídeo:

Mês que vem tem mais Rabo de Urna.

O "acontecimento" de abril/2010

Fim do mês de abril, dia de “acontecimentos” no Un Quimera.
Tragédia no Rio
Até agora em todos os meses do ano no post dos “acontecimentos” ocorreu alguma tragédia.
É até estranho pensar nisso mas é verdade: janeiro veio com os terremotos no Haiti, fevereiro também com terremotos, dessa vez no Chile, março marcou a morte do cartunista Glauco e agora em abril a Tragédia no Rio de Janeiro.
As fortes chuvas que provocaram enchentes em praticamente toda a capital carioca, duraram mais ou menos uma semana e deixaram números e fatos preocupantes.
Nada nos últimos meses matou tanto quanto essas enchentes. Foram mais de 100 mortes que deixaram a situação de grande parte do povo carioca caótica.
O grande problema foram os deslizamentos, as declarações dos moradores eram deseperadas:
“A gente entra em pânico, porque a água vai só subindo e você não sabe pra onde ir, está tudo cheio.”
O que difere essa tragédia do Rio, além do exacerbado número de mortes são as declarações de geólogos e outros profissionais da área de que esses deslizamentos e todo esse caos era algo previsível.
Se previsível então por que a negligência?
Não é querer culpar políticos ou autoridades, até porque nem toda culpa é deles, mas é necessário não apenas fazer campanhas de doação para as vítimas ou coisa parecida, é preciso agir para que tragédias assim não se tornem uma constante.
Tecnologia para isso acredito que possuímos, a grande questão é de bom senso: bom senso das autoridades em criar melhores planos habitacionais e investir onde realmente precisa. E bom senso dos próprios moradores, é lógico que em certas ocasiões é a encosta ou nada, mas construir barracos em lugares como os dos deslizamentos é pedir pra passar sufoco na hora da chuva!
É isso, me solidarizo sim com todas as vítimas e sou a favor de todo e qualquer tipo de doação ou coisa parecida, porém acredito que a grande lição que esse “acontecimento” deixa é de que não se pode deixar coisas tão importantes passarem como se nada fossem é preciso agir dentro das suas limitações, nada vem do nada.
Exepcionalmente vou mandar só um “acontecimento” esse mês. Até Maio.

Rabo de Urna #04

Fechando hoje os posts que falam especificamente dos presidenciáveis, o Rabo de Urna fala de Marina Silva.
Nascida em Rio Branco, Acre, Marina passa de cara a imagem do ambientalismo, tão falado nos dias de hoje e que é realmente o seu principal foco desde o início de sua vida na Política.
Vida essa que começou dentro da Universidade. Marina formou-se em História pela Universidade Federal do Acre e nos anos de faculdade, com intermédio também da Igreja Católica, Marina entrou para o Partido Revolucionário Comunista (PRC).
Muito ativa no movimento sindical fundou ao lado do lendário Chico Mendes a Central Única dos Trabalhadores em 1985. Um ano mais tarde filiou-se ao PT e candidatou-se a deputada federal, porém não foi eleita.
Nas Eleições seguintes foi eleita vereadora de Rio de Branco e deputada estadual do Acre com as maiores votações e em 1994, elegeu-se senadora, também com a maior votação.
Ficou no cargo e em 2003 com a eleição de Lula assumiu o ministério do Meio Ambiente e foi aí que algumas polêmicas começaram a girar em torno de seu nome devido a constantes conflitos com outros ministros, quase sempre por motivos ambientais.
Em 2008 se afastou do cargo de ministra do Meio Ambiente, devido principalmente a desavenças com Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil e Blairo Maggi, governador do Mato Grosso.
No ano passado desligou-se do PT e filiou-se ao PV, o PV Europeu, tão bem sucedido em países como a Alemanha pressionou o brasileiro para que admitisse Marina em seus quadros.
É incontestável a exemplar luta de Marina pelo ambientalismo, desenvolvimento sustentável ou seja lá o que for, isso com certeza é o grande trunfo de sua campanha, mas fora isso ela nunca foi muito ativa em nenhuma outra área e também é muito pouco conhecida em grande parte do país.
Aí vão duas visões contrárias em relação a Marina Silva:
No primeiro turno, meu voto vai para a Marina e, espero, que no segundo também.
A Marina, apesar de suas preferências religiosas exóticas e, do meu ponto de vista, esdrúxulas, é a pessoa que melhor sintetiza o que penso sobre o relacionamento das forças políticas, ao gerenciamento da riqueza pública e ao que fazer para que o país seja um lugar melhor para se viver.
O Rabo de Urna volta no mês que vem.