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Le Rouge et Le Noir #21

Ontem um grito entalado na garganta dos rubro-negros foi colocado pra fora. Naquela que talvez será a partida mais marcante e mais emblemática, ou pelo menos uma das, da temporada, o Flamengo, no reencontro com Ronaldinho após sua ida para o Atlético-MG, venceu o Galo por 2 x 1, num Engenhão com quase 40 mil pessoas em plena quarta-feira fria e chuvosa e sentiu de novo, o gosto doce da vitória, com um tempero de vingança pra cima do agora R49.

O jogo em si foi um capítulo a parte nessa temporada cheia de decepções e resultados ruins que o Flamengo vem passando. A torcida, como é de costume, compareceu em massa e carregou o time durante os 90 minutos. O time, por sua vez, respondeu positivamente a todo esse apoio: jogou de uma maneira mais lúcida e mais compacta do que vinha jogando; foi com certeza a melhor atuação no comando de Dorival, de toda a equipe e com os destaques individuais para a dupla de ataque, que fez o que atacantes devem fazer: gol! E também pra Wellington Silva, que com a passagem de Léo Moura para o meio campo assumiu de vez a lateral direita.

No entanto, creio ser válido relacionar esse jogo em particular com outros dois momentos maiores. O primeiro, já citado no primeiro parágrafo é toda a ambientação e significação que esse jogo recebeu, em virtude de ter marcado o reencontro de Ronaldinho com o Flamengo e sua torcida. Independente dos motivos que levaram o camisa 49 do Atlético sair do Flamengo, o que ficou, em relação à grande parte da torcida foi uma mágoa e uma vontade de vingança (no bom sentido, futebolisticamente falando). E ontem essa vingança foi consumada. O futebol não é e nunca foi parâmetro pra racionalidade, então quando momentos assim acontecem, ainda que efêmeros e fugidios, é uma sensação muito boa que toma conta dos corações e das mentes do torcedores.

Outro ponto que não dá pra ficar sem ressaltar é a leve guinada que o Flamengo deu ao vencer os dois Atléticos em sequência. Duas vitórias seguidas é um evento raro na atual temporada e nesse momento do campeonato tornaram-se ainda mais raras e importantes. De primeiro time acima da zona de rebaixamento até uma semana atrás, o Flamengo agora já ocupa a décima posição e apesar de sonhos mais altos (leia-se G4) serem bem difíceis de conquistar, uma nítida evolução aconteceu nessas últimas rodadas e jogando o que jogou o Flamengo não terá nenhum risco de rebaixamento em pouco tempo. O clássico contra o Fluminense na próxima rodada será um bom teste pra provar se toda a evolução desses últimos dois jogos é mesmo real ou não.

Enfim, a sensação boa de sair com a camisa rubro-negra na rua, mesmo nesse frio, é muito boa, mas não dá pra se esquecer de que no geral a atual temporada vem sendo bem abaixo das expectativas. Acredito que o melhor a se fazer é comemorar bastante vitórias como a de ontem e manter os pés no chão em relação ao futuro.

SRN

Le Rouge et Le Noir #18

Assisti ontem à partida entre Grêmio x Flamengo já pensando no que iria escrever aqui hoje. A verdade é que a cada minuto do jogo que passava a vontade de escrever diminuía, mas, ainda assim vou escrever um pouco sobre a partida de ontem e sobre a atual situação do Flamengo.

Poucos dias depois de eu escrever o último post da série Le Rouge et Le Noir, Ronaldinho foi embora do Flamengo. A situação daquele que veio para a Gávea a preço de ouro e que despertou nos torcedores a esperança de conquistar títulos e mais títulos,  já era bem complicada há um bom tempo. Por fim ele assinou a rescisão de contrato com o Flamengo e na semana seguinte foi contratado pelo Atlético Mineiro.

Esse acontecimento de uma forma ou de outra mexeu com os torcedores rubro-negros, a grande maioria, como é o meu caso, creio que já queria a saída dele há um bom tempo e se sentiu aliviada com isso. No entanto, eu logo pensei: bom, agora que o “grande astro” saiu as coisas vão ter que mudar! Não vai existir mais nenhum camisa 10 pra jogar a bola e esperar um milagre acontecer, todo mundo vai ter que jogar de verdade e pior do que tá não fica.

Ledo engano. Parece que mesmo depois da saída de Ronaldinho Gaúcho tudo continua desorganizado e despreocupante. Desorganizado porque nenhum time que joga com quatro volantes no meio-campo toma gol todo jogo, desorganizado porque não se tem mais um time titular bem definido, não se tem um bom esquema tático, despreocupante porque o adversário que enfrenta o Flamengo sabe de tudo isso e quando se depara com o ataque rubro-negro vê sempre as mesmas ineficazes e previsíveis jogadas.

O jogo de ontem contra o Grêmio foi o melhor exemplo disso. Não fosse um certo desinteresse por parte dos gremistas, talvez um tanto abatidos pela recente eliminação na Copa do Brasil, uma goleada histórica poderia ter acontecido. Aqui vale ressaltar também o trabalho do goleiro Paulo Victor, talvez o único jogador rubro-negro que conseguiu fazer algo positivo ontem.

Enfim, a situação e desastrosa e deprimente. Por mais otimista que eu possa ser em relação ao Flamengo, vendo um jogo como o de ontem só dá pra dizer: esse ano vamos ter que lutar e muito pra não cair!

Não sei se a culpa é do Joel, da diretoria, dos jogadores todos ou de alguns em específico, só sei que os torcedores rubro-negros querem algo novo e diferente e não isso o que estamos vendo aí.

*Vale ler também o texto do Arthur Muhlenberg, que segue a mesma linha desse aqui.

Le Rouge et Le Noir #15

Hoje é dia de post da futebolística série Le Rouge et Le Noir.

Como de costume coloco aqui o texto que publiquei hoje no Confio no Mengão. Falo um pouco sobre o atual momento rubro-negro, que, querendo ou não, já ficou marcado pelo inacreditável empate contra o Olimpia na última quinta. Além disso falo sobre um assunto que, curiosamente, também falei sobre no ano passado, exatamente no mês de março. É sobre uma possível nova volta de Adriano ao Flamengo, diferente do ano passado, quando dediquei um post só pra isso, esse ano eu fui bem direto ao assunto, no fim do texto que aí está:

Transição

Acredito que transição talvez seja a palavra que melhor defina o atual momento do Flamengo.

Sim, é verdade que já faz um tempo que Luxemburgo saiu e Joel entrou, mas insisto que tanto o time quanto o estilo de jogo de Joel ainda não foram de fato implantados no Flamengo.

Depois de uma eliminação nas semi-finais da Taça GB e do primeiro turno da fase de grupos da Libertadores (com um desfecho melancólico no inacreditável empate por 3 x 3 contra o Olimpia no Engenhão na última quinta), o que eu vejo é um time ainda sem uma cara definida, sem um estilo de jogo característico, quer dizer, ainda estamos em uma transição da Era Luxa para a Era Joel.

Aí podem perguntar: pô, então quer dizer que você acha que esse time do Joel tá mal? Que não dá pra ter esperança nenhuma em relação ao Carioca e à Libertadores? Não, eu não acho isso. Pelo contrário.

Essa mesma falta de identidade que eu vejo no atual time do Joel eu vi, durante praticamente todo o ano passado, o time de Luxemburgo, apesar de ter vivido bons momentos como o título carioca invicto e o primeiro turno do Brasileirão quase invicto e com algumas boas atuações, nunca teve uma cara, era um time muito inconstante e sempre foi assim.

O atual time já parece mostrar algumas diferenças. Como eu disse, não vejo ele ainda com uma identidade, mas vejo ele em busca disso. Apesar do lamentável empate contra o Olimpia na última quinta, aquele jogo foi talvez o melhor jogo do Flamengo na Era Joel, até o momento em que o time todo resolveu parar de jogar e apenas assistir a equipe paraguaia jogar e fazer 3 gols em quinze minutos.

De qualquer forma, como bem disse o Jean, penso ter sido bem melhor dar essa bobeira agora, na fase de grupos e já se precaver contra uma possível repetição, do que ver isso acontecendo no mata-mata.

Enfim, vejo o atual momento como um momento de transição e muita indecisão, apesar de ainda existirem muitos problemas estou bem confiante com esse time do Joel.

Pra finalizar o texto, não poderia deixar de falar do grande assunto do Flamengo nos últimos dias, assunto esse que está fora das quatro linhas. Sim, falo do possível retorno de Adriano à Gávea.

Depois de rescindir com o Corinthians o Imperador já surge como uma possível novidade no Flamengo e, como de costume, atrai a atenção de grande parte da imprensa e da torcida. Sinceramente, eu ainda acho que jogando bola de verdade o Adriano ainda é um dos melhores atacantes do mundo, eu ainda acho que tudo que ele fez em 2009 não pode ser esquecido jamais, eu ainda acho tudo isso, mas também acho que não dá mais pra ele no Flamengo.

Se vier, vou apoiar até o fim, mas se dependesse só de mim eu preferiria que o Imperador fosse procurar novos impérios ao invés de voltar para o seu conhecido Império rubro-negro.

SRN

Le rouge et Le Noir #12

Pra fechar a tampa de 2011, não poderia faltar uma singela homenagem desse blogueiro flamenguista pra equipe que trinta anos atrás, em solo japonês, venceu o Liverpool por 3 x 0 e deu ao Clube de Regatas Flamengo seu primeiro (e por enquanto, apenas por enquanto) único título mundial.

É meio óbvio que eu nunca tenha visto esse time jogar, mas por tudo que ouvi dizer sobre ele, pelos lances e gols e etc., acredito mesmo que foi um dos melhores times da história do futebol, sem falsas modéstias ou parcialidades, é bom recordar esses momentos marcantes da história do Flamengo e saber homenageá-los e valorizá-los, porém só isso não basta, trinta anos se passaram e uma nova Libertadores e um novo Mundial ainda não chegaram, já é hora de mudar isso, e quem pode mudar isso são os atuais jogadores, é a maior torcida do mundo, da qual faço parte, 2012 é ano de Libertadores, é ano de torcer, vibrar e acreditar nesse time!

Pra fechar o ano ficamos com a dita homenagem, os três gols da final do Mundial de Clubes, dois do João Danado Nunes e um de Adílio:

SRN

Le Rouge et Le Noir #09

Reproduzo aqui o meu post de hoje no Confio no Mengão. Nos últimos dois meses o Flamengo teve uma queda brusca e saiu da briga direta pelo título do Brasileirão para a sexta posição. Mas a vitória do último sábado diante do América-MG reacende as esperanças e pode marcar o início de uma arrancada rubro-negra.

Fique com o texto na íntegra:

Depois de longos 45 dias e 10 jogos sem vencer o Flamengo enfim conseguiu conquistar uma vitória, no último sábado, no Engenhão, ao bater o lanterna América-MG de virada, por 2 x 1.

Vamos ser sinceros, mesmo vencendo o time ainda não é nem de perto aquela equipe sólida e bom futebol de meados do primeiro turno, muita coisa ainda precisa ser melhorada se quisermos pensar em título, mas a situação era tão feia, mas tão, que isso pouco importa no momento, creio que o importante foi mesmo voltar vencer, de virada, com gol chorado no fim.

Sei que falando agora pode até parecer utopia ou coisa parecida, mas esse jogo contra o América, devido a situação do jogo (a virada, o gol mais que chorado do Thiago Neves) e a situação extra-campo em que o Flamengo se encontrava também (em caso de derrota para o lanterna do campeonato dentro do Engenhão não sei como ficariam as coisas na Gávea) pode marcar o início de uma arrancada, como aquelas que aconteceram em 2007 e 2009. Fico nessa expectativa, já esperando o jogão contra o São Paulo no próximo domingo, jogo que aliás, dentre outras coisas, pode marcar a reestreia de Luis Fabiano no clube tricolor.

Agora o Flamengo soma 41 pontos e ocupa a sexta colocação, ainda fora da zona de classificação para a Libertadores 2012. E dois confrontos diretos surgem no calendário. Primeiro o São Paulo, no próximo domingo, no Morumbi. Depois uma pausa no Brasileirão e confronto em casa contra a Universidad do Chile pela Copa Sul-Americana e aí então outro confronto direto pelo título e por vaga na Libertadores 2012, o Fluminense.

Se o Flamengo não tivesse desperdiçado tantas oportunidades nesses últimos dez jogos, os dois clássicos contra São Paulo e Fluminense poderiam até ser tratados como aqueles jogos complicados onde um empate já pode ser considerado um bom resultado. Mas não! Esses dez jogos sem vencer foram uma mancha muito grande na campanha do Flamengo e para voltar a pensar em título e até mesmo em vaga na Libertadores é necessário vencer.

Vencer, vencer, vencer! Inevitável não lembrar o nosso hino e inevitável também não pensar em Libertadores ou título, volto a bater na mesma tecla, o Flamengo tem sim time e elenco pra ir pelo menos um pouco além de uma desinteressante vaga na Sul-Americana. Mas além de pensar assim também penso que essa triste sequência de dez jogos sem vitória por mais que já tenha passado deixou problemas que ainda não passaram: além da visível queda de rendimento do time que parece que aos poucos vai sendo recuperada, Vasco, Corinthians, Botafogo, São Paulo e Fluminense passaram a frente, ainda temos confronto direto com três dos cinco, é aí que está a chave do problema.

Na espera de um outubro que lembre o primeiro semestre (e não os desastrosos agosto e setembro) vou ficando por aqui.

Le Rouge et Le Noir #08

Começo o mês de agosto (mês esse que promete muitos posts no Un Quimera) falando do Flamengo. Com mais um post da série Le Rouge et Le Noir.

Escrever sobre o Flamengo as vezes é sinônimo de cobrança, de tentar ver o que está errado e quem sabe ajudar. Isso é muito interessante. Mas escrever quando está tudo “numa relax, numa tranquila, numa boa” também é muito bom. Esse grande momento que vive o Flamengo, alavancado principalmente pelo duelo contra o Santos na última quarta-feira, foi o assunto que tratei no meu post lá no Confio no Mengão. Reproduzo aqui o texto “Construindo a História”:

Construindo a História

O futebol é algo que se encerra no terreno da temporalidade.

Na semana passada escrevi aqui o post que falava da questão do Flamengo ser o último invicto do Brasileirão, mas que ao mesmo tempo vacilava dentro de casa em jogos teoricamente mais fáceis, como no duelo contra o Ceará.

Hoje, uma semana depois, a história é outra. A confiança depositada no time, mesmo depois do empate contra o Ceará dentro de casa, foi válida, em dois jogos depois disso (Santos e Grêmio), duas belas vitórias, históricas.

Muito se falou nesse ponto também. Adjetivando essas duas vitórias como históricas, pelo fato do grande número de gols e do belo futebol apresentado nos dois lados, no duelo da Vila Belmiro, e pelo reencontro de R10 com seu primeiro time, no duelo do Engenhão, têm-se a sensação de algo grandioso dentro da história do futebol e do Flamengo, e realmente é essa a ideia.

Foi pensando nesse aspecto histórico que tive a ideia do que escrever no post de hoje. Como o Diogo bem falou, há muito tempo não se via um Flamengo tão inspirado, tão determinado e com uma sequência tão boa. Começamos hoje o mês de agosto e do início do ano até hoje o Flamengo só perdeu uma partida.

As expectativas criadas em cima desse time não foram pequenas, as vindas de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves animaram muito a torcida e desde o começo, como é de praxe quando de trata do clube com a maior torcida do mundo, a cobrança foi enorme.

E a equipe foi sendo montada aos poucos, evoluindo, e já tem uma autonomia, já é com certeza uma das melhores equipes do Brasil. O duelo contra o Santos foi crucial pra poder afirmar isso sem medo. Aquele jogo não será esquecido tão cedo e é uma mostra de que o Flamengo tem padrão de jogo, tem elenco, tem raça e respeita os adversários, entrar de salto alto é coisa do passado.

E a cada vitória e cada empate, e até mesmo na única derrota do ano, os pequenos erros e acertos foram sendo avaliados e aos poucos a equipe foi crescendo cada vez mais, até chegar no que parece ser o auge desse time.

Mas é aí que mais uma vez foco no aspecto histórico. Todo esse bom momento pode passar batido caso a equipe faça com que esse bom momento se torne o seu melhor momento. Ainda há muito a evoluir, sem falsa modéstia, todos sabem que o que se quer é a conquista do hepta nesse ano e muito mais nos anos seguintes.

E para conseguir tudo isso o time precisa continuar focado, mostrando esse bom futebol, agressivo, ofensivo e competitivo e com a tranquilidade de saber que no caminho para os títulos derrotas fatalmente virão, mas terão que ser contornadas por mais e mais vitórias.

Encerro o post com a alegria de ver o Flamengo jogando um bom futebol, vencendo e convencendo, e com a calma e a sensatez de saber que ainda tem muita bola pra ser jogada.

#ConfionoMengãoINVICTO , #RumoaoHepta

SRN

Le Rouge et Le Noir #07

Hoje, depois de muito tempo, volto a escrever no blog Confio no Mengão. Pelo nome já deve dar pra sacar que este é blog é produzido por torcedores do Flamengo que gostam de escrever sobre o time. Estou lá desde 2007. A princípio volto a escrever lá todas as segundas-feiras.

Então o esquema vai ser o seguinte: dos 4 posts mensais que eu colocarei lá um será o Le Rouge et Le Noir do mês aqui no Un Quimera. Nesse mês comecei falando sobre as tão faladas contratações, que rondam todos os noticiários esportivos nessa época em que o campeonato ainda não começou de vez, tanto aqui como no Confio no Mengão o texto é o mesmo e aí vai:

Especulações, contratações…

Fala rapaziada do Confio no Mengão.

Depois de um bom tempo volto a postar por aqui. A princípio todas as segundas-feiras.

E hoje venho falar sobre o que mais de fala nesses períodos em que os jogos ainda não estão rolando naquela sequência frenética de domingo-quarta, domingo-quarta. São as contratações.

Acredito que todos pensam que é importante para o Flamengo e para qualquer clube reforçar seu plantel, até porque o Brasileirão é um campeonato longo e difícil e que sem um elenco qualificado é praticamente impossível vencê-lo.

Isso é fato. O que incomoda as vezes é a supervalorização que a imprensa dá pra esse assunto. Pra vender jornal e ganhar ibope surgem os mais variados nomes de potenciais contratações do Flamengo, criam uma expectativa enorme e depois muitas vezes acabam não dando em nada.

A contratação de Ronaldinho Gaúcho é talvez um bom exemplo dessa supervalorização. Enquanto Palmeiras e Grêmio bradavam pra todo mundo que o craque já era deles o Flamengo agia silenciosamente, como tinha que ser feito, e no fim conseguiu acertar com o camisa 10. Se eles está rendendo o que se esperava ou não aí já é outra história que não cabe ser discutida agora.

Mas o que quis dizer com esse exemplo é que apesar de todos ficarmos curiosos e interessados pra saber quem vem pra reforçar o time, é bem melhor não ficar sabendo tanto, somente quando realmente houver o acerto. Nas contratações recentes foi assim, tanto Júnior César quanto Aírton e agora Alex Silva (três ótimas contratações na minha opinião) vieram dessa maneira mais silenciosa, sem muito alarde.

A bola da vez é o atacante e as longas, chatas e arrastadas novelas de Vagner Love, André e Kleber não me parecem coisa que valha a pena ficar acreditando e comentando. Ariel e Amauri são nomes que podem chegar sem tanto oba-oba e funcionar muito bem. O argentino fez boas partidas pelo Coritiba, é jovem e tem muita presença de área. O brasileiro naturalizado italiano foi um dos principais jogadores da Juventus nas últimas temporadas e também sabe fazer gols. Tanto um como outro podem ser boas contratações para o Mengão.

Mas sinceramente, com a vinda de Alex Silva pra fechar ainda mais a zaga, já muito bem protegida pelos cães de guarda Aírton e Willians, acredito que o elenco já é forte o suficiente para a disputa do Brasileirão. A grande maioria da torcida ainda quer mais um nome de peso para o ataque, mas apesar das inúmeras críticas Deivid aos poucos vai voltando a fazer seus gols e jogar bem.

Na quarta-feira temos o duelo contra o Palmeiras pela 10ª rodada do Brasileirão e aí o campeonato vai definitivamente engrenar com uma sequência de jogos contra Ceará, Santos, Grêmio, Cruzeiro e Coritiba, para depois estrear na Copa Sulamericana contra o Atlético-PR.

Hora de confirmar a boa colocação e permanecer de vez na briga pelo hepta!

SRN

Le Rouge et Le Noir #04

Mais um Le Rouge et Le Noir, que nesse mês foi antecipado, por conta da situação em que o Flamengo se encontra na temporada. Vou falar hoje sobre um conceito a primeira vista estranho, mas que reflete muito bem o que se tornou a temporada de 2011 para o Flamengo, é a “Invencibilidade Vencida”.

Qualquer torcedor se sentiria feliz em relação ao seu time se este estivesse com 23 jogos de invencibilidade, mas isso não acontece com boa parte da torcida do Flamengo. Depois do título da Taça Guanabara, com exceção do clássico contra o Botafogo, dois domingos atrás, quando o Flamengo venceu por 2 x 0 com dois gols de Thiago Neves, o Flamengo não conseguiu mostrar um bom futebol em nenhum jogo. Empate sem gols contra o Fluminense no outro clássico e várias vitórias e empates sem muito sal contra os times pequenos, incluindo um 3 x 0 contra o Fortaleza na Copa do Brasil.

A críticas começaram a chegar com mais força e realmente algo está errado. A dupla de zaga um tanto quanto insegura, a lateral-esquerda que parece não ter solução e a linha de frente que também não se encaixa direito. Porém o estopim dessa estranha situação aconteceu durante essa semana.

Duelo contra o desconhecido Horizonte-CE pelo primeiro jogo das Oitavas de Final da Copa do Brasil. O que se esperava era uma tranquila vitória, com boa margem de gols, pra já deixar encaminhada a vaga para as Quartas de Final. Vanderlei até entrou com um time mais ousado, com Renato Abreu na lateral esquerda e Negueba e Wanderley de titulares. Apesar do bom começo e do gol do camisa 33, o que se viu foi um futebol pouco interessante por parte do Flamengo e o esforçado Horizonte conseguiu o empate com um gol de pênalti ainda no primeiro tempo, com Elanardo e deu alguns sustos no Flamengo, o empate em 1 x 1 talvez não tenha sido o pior dos resultados, mas complica um pouco a situação rubro-negra na competição mais importante desse primeiro semestre.

Outro ponto que também parece ter chegado ao máximo é a questão R10. O principal jogador rubro-negro realmente ainda não conseguiu mostrar um bom futebol e a cornetagem pra cima dele só aumenta. No jogo contra o Horizonte ele foi praticamente uma peça nula dentro de campo.

Tudo isso acaba gerando algo muito estranho: é quase uma crise dentro de uma invencibilidade. Por isso a ideia de invencibilidade vencida.

É aí que entram os próximos dois confrontos, que com certeza – pro bem ou pro mal – vão mudar o rumo do Flamengo na temporada.

Domingo contra o Fluminense no Engenhão a disputa é por uma vaga na final da Taça Rio. Em caso de vitória o Flamengo encara o vencedor de Vasco x Olaria na final e vencendo já garante o título carioca por antecipação. Em caso de derrota espera o vencedor da Taça Rio para dois confrontos na final do Carioca. O jogo tomou contornos diferentes por causa dos jogos do meio de semana. O Flamengo teve esse fiasco contra o Horizonte e o Fluminense conseguiu uma heroica classificação na Libertadores, o moral dos dois times vem bem diferente, mas clássico é clássico e tudo pode acontecer, acho até que entrar sem favoritismo pra um jogo desse é algo bem interessante.

E depois, na quarta que vem, o duelo é contra o Horizonte, lá no Ceará, num estádio com capacidade pra 10 mil pessoas. Os donos da casa entram podendo empatar por 0 x 0. E o Flamengo precisa da vitória ou de empate por mais de dois gols. Em caso de eliminação a situação vai ficar complicadíssima, a Copa do Brasil é um dos objetivos palpáveis desse time e uma eliminação tão precoce seria desastrosa. Mas, convenhamos, o Flamengo tem time pra conseguir uma classificação de certa forma tranquila. É só olhar pra trás nessa mesma Copa do Brasil, dois confrontos contra nordestinos, em pleno Nordeste, e duas vitórias tranquilas por 3 x 0, o Flamengo vai jogar “fora de casa” teoricamente, porque com certeza a torcida rubro-negra vai marcar presença lá em Horizonte e se jogar o Flamengo fica com a vaga.

Esse tom aparentemente otimista do fim do último parágrafo na verdade é realista. Tanto no duelo contra o Flu, quanto no duelo contra o Horizonte, o Flamengo tem muitas possibilidades de vencer, apesar dos defeitos, o time é bom, falta é encaixar, acertar o último passe, o último toque.

É isso, os próximos dois jogos podem ter influenciar de maneira absurda o resto da temporada. Ou teremos o verdadeiro fim da invencibilidade, ou essa invencibilidade vencida, voltará a ser uma invencibilidade plena.

Le Rouge et Le Noir #03

Hoje é dia do terceiro post da série Le Rouge et Le Noir.

E assim como fiz em janeiro, falo hoje de um assunto de fora das quatro linhas, envolvendo um dos grandes jogadores da primeira década do século XXI.

Falo do caso Adriano. O Imperador, depois de um desastrosa passagem pela Roma, onde ficou pouco menos de um ano e não conseguiu marcar um gol sequer em jogos oficiais, anunciou durante o Carnaval sua rescisão com o clube italiano.

Durante a semana ele desembarcou no Rio de Janeiro e agora, segundo seu empresário, Gilmar Rinaldi, deve ficar 45 dias sem jogar e sem treinar, apenas recuperando sua forma física e aguardando propostas dos clubes.

Assim que foi dada como certa essa rescisão, já surgiram fortes boatos na Gávea sobre a volta do Imperador (já seria a segunda volta), porém após a polêmica partida contra o Bangu, na última quinta, Vanderlei Luxemburgo afirmou enfaticamente que o Flamengo não vai jogar suas fichas no Imperador novamente, diz Luxemburgo que: “conversei com a Patricia e o Adriano está fora da filosofia do Flamengo, do que estamos implantando.”

A declaração de Luxemburgo gerou muita repercussão e é sobre ela e essa situação toda envolvendo o Adriano que falarei hoje.

Antes de mais nada acho que é válido elogiar Vanderlei Luxemburgo, independente de ter sido uma decisão correta ou errada essa que ele tomou, foi uma decisão. Ele agiu dizendo o que pensava e o que decidiu juntamente com a presidente Patricia Amorim, se impondo, mostrando que é sim um grande técnico. Devido as temporadas ruins dele nos últimos anos, parece que muitos se esqueceram disso, um bom treinador, ainda mais pra treinar o Flamengo, não tem que ter apenas bons conhecimentos táticos e moral dentro do campo com os jogadores, mas também fora, sabendo controlar e administrar problemas políticos que possam influenciar posteriormente dentro do campo, e nesse ponto Luxemburgo mostra porque é um grande técnico.

Dito isso, passo a uma análise mais profunda da declaração em si. Assim como muitas coisas, essa situação apresenta alguns prós e contras. Luxemburgo está correto em dizer que Adriano está fora da filosofia do clube, realmente está e olhando por esse lado é certo não contratá-lo. Todos sabem dos inúmeros casos de indisciplina do Imperador, coisa que dificilmente mudará agora e esse grupo do Flamengo, principalmente quando se olha pra Ronaldinho Gaúcho, tem como uma das marcas principais a disciplina.

Mas aí vem os prós. Sempre defendi que Adriano, mesmo indisciplinado, com noitadas, bebedeiras e tudo mais, dentro de campo joga e joga muito. Pode decidir a qualquer momento e jogadores assim estão ficando cada vez mais raros no futebol. Adriano em ritmo de jogo está anos-luz a frente de muitos centro-avantes, sua passagem no Flamengo em 2009 é a prova mais concreta disso.

Além disso, é fato a inexistência de um homem com as características de Adriano dentro do atual elenco rubro-negro. Deivid e Wanderley seriam esses homens, mas como já dito acima, Adriano num bom ritmo de jogo é superior a ambos. A questão é: Deivid e Wanderley, mostrando seu melhor, podem ser peças importantes e também fazer a diferença, mas será que é isso que acontecerá e um real centroavante ganhará espaço no time titular? Ou o esquema que vem sendo utilizado, com R10 como centro-avante e Bottinelli e Thiago Neves chegando sempre, será mantido? Com esse esquema funcionando bem, Adriano seria uma contratação não tão boa assim.

Outro ponto que acho que merece ser discutido é a questão financeira. Na volta de Adriano em 2009 foi feito todo um plano em conjunto com a Olympikus e outros patrocinadores para bancar o Imperador, agora o grande plano é R10, a Olympikus até já declarou que não poderia bancar também Adriano, então vale a pena pensar também se é mesmo tão necessário assim ter outro super-astro e começar a se complicar na parte financeira.

Enfim, são muitos pontos que podem ser abordados e defendidos, analisando tudo acredito que a volta de Adriano nesse momento não seria uma boa. Aceito a opinião que acredito ser da maioria, que é favorável a volta dele, mas penso que com Adriano nesse elenco os fatores extra-campo poderiam começar a pesar demais e dentro de campo também as coisas poderiam não funcionar tão bem, o time de 2009 é bem diferente desse de 2011 e o encaixe do Imperador pode não ser tão bom.

O mais importante é questionar esse assunto, que acredito ser de primordial importância pro Flamengo. Estou aberto a outras opiniões contrárias ou favoráveis a minha.

Le Rouge et Le Noir #02

Guardei o post da série Le Rouge et Le Noir desse mês pro último dia do mês, em virtude da final da Taça Guanabara disputada ontem.

É natural que o tom seja de euforia após a conquista de mais um título do Flamengo, a 19º Taça Guanabara de sua história (assim como acontece no Campeonato Carioca, o Flamengo é também o maior vencedor da Taça Guanabara).

Mas vou tentar ser contido e analisar a campanha rubro-negra na Taça Guanabara como um todo, falando em especial da final de ontem contra o Boavista.

Antes de mais nada o que chama a atenção é a campanha invicta do Flamengo. Se no começo da competição os resultados vinham meio arrastados, como no jogo contra o Americano e na estreia de Ronaldinho Gaúcho contra o Nova Iguaçu (em ambos o raçudo Wanderley foi quem decidiu), mais pro fim da competição os resultados continuaram muito magrinhos, não teve nenhuma goleada, porém ficou nítido também a evolução do time, já apresentando um futebol mais consistente na semi-final contra o Botafogo e na final de ontem contra o Boavista.

É interessante ressaltar que o time ainda está em formação, são pouquíssimos os remanescentes da equipe titular do ano passado, equipe que merece ser esquecida.

Por causa disso e também pela pressão que sempre existe num clube do tamanho do Flamengo, considero natural e até saudável esse começo de temporada não tão estrondoso.

Importante era ganhar o título. E isso o Flamengo ganhou de forma invicta.

Não quero dizer que está tudo perfeito, mas até agora esse time vem se mostrando como um típico rebatedor de críticas.

Quando Ronaldinho chegou, depois daquela longa e fastidiosa novela, os torcedores rivais torciam o nariz e destilavam críticas vagas como a de que Ronaldinho cairia na farra assim como fez Adriano em 2010, ou então que Ronaldinho, por ter um salário muito superior, também teria regalias dentro do clube e despertaria inveja nos outros jogadores, causando rachas ou coisas parecidas.

Ledo engano. Acontece que Ronaldinho nem sequer deu ouvidos para isso, acontece que Ronaldinho está focado e é só mais um jogador, aliás, não é só mais um jogador, minto, é um líder desse time. Já tem braçadeira de capitão, já puxa o bonde sem freio e já exibe o característico sorriso.

Ainda falta muito na parte técnica, falta. Mas a determinação de Gáucho é notável e da estreia até o jogo de ontem ele já evoluiu muito, o gol do título de ontem, numa falta que lembrou outros camisas 10 da Gávea, como Zico e Pet, foi a coroação desse primeiro ato do principal jogador do elenco rubro-negro.

Além desse ponto, outra crítica comum que surgiu no começo da temporada tanto de torcedores rivais quanto da imprensa foi a questão do elenco rubro-negro, principalmente a defesa.

Talvez ainda falte mesmo um lateral-esquerdo e mais um zagueiro. Mas como disse, esse time é um rebatedor de críticas.

Além de ter sido campeão de forma invicta foi também a defesa menos vazada da Taça GB. A tão criticada dupla de zaga Wellinton e David Braz foi praticamente perfeita na final e no decorrer da competição também teve pouquíssimos erros, estão jogando com seriedade, sem medo de dar chutão.

Na lateral-esquerda, Egídio seria o titular, mas durante a competição ocorreram as improvisações de Renato Abreu e Ronaldo Angelim pra falar a verdade, vejo isso como um ponto positivo e aí que falo ainda mais sobre o elenco.

Apesar da carência na lateral-esquerda, Vanderlei Luxemburgo ainda está encaixando o time e por isso testa, improvisa e tenta coisas novas sempre, até chegar a formação ideal. Só pode fazer isso quem tem elenco bom, do meio pra frente o Flamengo é hoje muito forte.

Opções de banco como Fernando, Fierro, Bottinelli, Negueba, Diego Maurício, Marquinhos, Vander, Wanderley, não é qualquer time que tem tantas e com essa qualidade, nenhum desses é um grande craque, mas são ótimas peças para compor elenco e com potencial até para se tornar um titular absoluto.

Falando ainda de jogadores individualmente, Felipe vem sendo muito seguro até agora, as defesas na disputa por pênaltis, na semi-final contra o Botafogo foram seu ponto alto, mas em todos os jogos não teve praticamente nenhuma falha e quando foi acionado esteve muito bem.

Pra fechar, não dá pra esquecer de elogiar Vanderlei Luxemburgo, muito, mas muito criticado pela temporada ruim no Atlético-MG ano passado, ele, assim como o Flamengo, se reconstruiu esse ano, e não ligando pra críticas nem nada, vem trabalhando com seriedade, lembrando o Vanderlei multicampeão de outros tempos.

Enfim, esse foi um balanço geral da Taça Guanabara 2011, é só o começo de temporada e muita coisa ainda vai rolar, mas só de ter garantido a vaga na final do Carioca e a vaga na segunda fase da Copa do Brasil já valeu muito a pena. Esse time ainda tem muito que evoluir, mas o começo está sendo dos melhores.

Em março tem mais Le Rouge et Le Noir.