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Lá e de volta outra vez…

“Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar” 

Rama Ruana é raiz!

Quarta-feira foi dia de reggae no Cine Theatro Central em Juiz de Fora.

A banda local Rama Ruana gravou seu primeiro DVD, o show transgrediu o âmbito musical e dialogou com a cultura indígena (marca característica da banda) e também com a sustentabilidade. O blogueiro aqui esteve presente e este post é pra falar um pouco das minhas impressões desse show.

Antes de mais nada vale ressaltar que depois de “descobrir” Martiataka passei a olhar com olhos sempre mais interessados as bandas daqui de Juiz de Fora, não que antes fosse diferente, mas é que a banda de Del Guiducci e cia. realmente me agradou muito.

Aí então me deparo com Rama Ruana, conhecida banda de reggae daqui, com 12 anos de estrada e que gravaria seu primeiro DVD. Fui bem animado pro show e uma certa demora pra abrir as portas do Cine Theatro Central me deixou um tanto encucado, mas estava tudo programado, é que antes do show de fato, rolou uma pequena apresentação do Projeto Manifesta, em frente ao Cine Theatro Central, vestidos de índios os integrantes do projeto dançaram, cantaram e distribuíram mensagens da cultura indígena pro pessoal.

As portas se abriram e aos poucos o Cine Theatro Central foi enchendo, lá das primeiras filas da plateia vi Rafael Cardoso, Marcelo Magaldi, Bruno Tardio, Diogo Veiga, André Falabella e Marcelo Mattos tocarem várias canções inéditas pra esse primeiro DVD e terceiro disco da banda e algumas antigas e famosas, como “Coração Bondoso” por exemplo. Outro detalhe é a questão da sustentabilidade: o cenário do palco foi montado com jornais e garrafas pet, dando uma ambientação “natural”, bem ao estilo da banda.

“Mineiro da Mata” é uma das canções que mais me chamou atenção, como já disse esse forte resgate da cultura indígena, da mata, da natureza (tão presente na filosofia reggae) também acompanha o Rama Ruana e nessa canção isso é novamente lembrado, também é feita uma relação aparentemente óbvia com a Zona da Mata (região de Minas onde está localizada Juiz de Fora), mas que até então eu nunca tinha ouvido, é uma canção forte que ao mesmo tempo exalta a natureza, Juiz de Fora e Minas Gerais:

“Enquanto tiver a luz e o sol pra guiar também, vou aí, buscar o que me convém. Enquanto o vento for livre pra soprar em qualquer lugar, vou aí, buscar o que é o amar. E há quem diga que nunca se vai encontrar o encantado. Pra sempre, pra sempre eu sou, eu sou, eu sou: mineiro de sangue, raiz, dialeto! Mineiro da Mata! A voz da montanha, a voz da floresta, que canta a liberdade! Guerreiro do amor, o arco e a flecha, guerreiro da mata! Na luta da vida, na luta da paz, querendo a verdade!”

Mas tem bandas que possuem aquela música que todo mundo conhece e que não pode faltar nunca. Rama Ruana é um bom exemplo disso, durante quase todo o show ela foi pedida, e já no fim, Marcelinho dedicou pra família, amigos e fãs (e em especial pra mãe dele), a famigerada “Transição”. Música linda que teve todo o público do Cine Theatro Central cantando junto!

No momento final do show ainda teve uma homenagem ao grande ícone do reggae, Bob Marley. Através de uma votação via facebook, a banda selecionou algumas canções de Bob e fechou o show com elas.

Enfim, mais um belo show e uma bela noite nessa vida juizforana, que, pra variar, terminou com aquela chuvinha caindo, não é atoa que no show teve até música falando do clima dessa cidade.

QuimeraTube #46

Juiz de Fora recebeu na noite de ontem o Bailão do Ruivão, ou seja, um showzaço comandado por Nando Reis e os Infernais. Além das canções de sua própria autoria, mais antigas, conhecidas por todos, Nando tocou também as canções do disco Bailão do Ruivão, não menos conhecidas e não menos empolgantes.

Foi a primeira vez do blogueiro no La Rocca e as impressões foram as melhores possíveis. Pra coroar de vez o show e ficar a lembrança também aqui no Un Quimera, vai uma das canções tocadas ontem:

“Seus pés se espalham em fivela e sandália e o chão se abre por dois sorrisos, virão guiando o seu corpo que é praia de um escândalo, charme macio…”

XIX Semana de Filosofia (UFJF)

A exemplo do que fiz no ano passado, faço um post hoje dedicado exclusivamente à Semana de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Ano passado dizia que o 2º período da faculdade ia chegando ao fim e gosto pela Filosofia só aumentando, hoje posso dizer que a única mudança nessa frase poderia ser o 4º no lugar do 2º. O gosto pela Filosofia continua só aumentando e não é só uma questão de gosto, o pensamento filosófico, a maneira de olhar o mundo filosoficamente, tudo isso vai me “contaminando” cada vez mais e a Semana de Filosofia é um bom momento pra se refletir um pouco sobre isso.

Neste ano a Semana de Filosofia da UFJF foi realizada já no novo prédio do Instituto de Ciências de Humanas, o novo prédio é de certa longínquo, mal localizado, ainda mais se pensarmos na ótima localização do antigo ICH, mas nostalgias e saudades à parte, o novo ICH oferece três anfiteatros, salas mais bem estruturadas, etc.

E a primeira Semana de Filosofia do novo ICH, realizada do dia 24 ao dia 27 de outubro diferente do que comumente se faz, não teve um tema específico, o “tema” foi chamado justamente de “O múltiplo das questões”. Por isso cada dia meio que teve um tema, mas nada muito certinho.

Na segunda, o evento foi inaugurado com Fenomenologia. O recém-contratado professor da UFJF, Luciano Donizetti da Silva, falou sobre “Liberdade e Engajamento: a Fenomenologia Francesa”. A palestra girou em torno das desavenças filosóficas entre Sartre e Merleau-Ponty. Focando mais no primeiro e também relembrando a importante contribuição heideggeriana para estes dois pensadores franceses.

Logo em seguida foi iniciado o primeiro mini-curso. Ministrado pelo também professor da UFJF (esse já um velho conhecido) José Carlos Rodrigues. O tema foi “Metafísica e Subjetividade”. José Carlos dividiu sua exposição em três momentos: o primeiro foi a “descoberta” da subjetividade por Descartes, depois as sistematizações kantianas de sujeito-objeto e por fim a apresentação de uma entrevista de Martin Heidegger, dada em 1969 no famoso chalé da floresta negra.

Este minicurso foi complementado pelo professor Adelmo José Silva da UFSJ, ele focou em Henri Bergson, pensador pouco estudado no Brasil e que possui um pensamento bem interessante, Bergson aliás foi retomado na terça-feira, na apresentação do livro de Tarcisio Jorge Santos Pinto: “O método da intuição em Bergson e sua dimensão ética e padagógica.”

Na terça-feira o dia foi aberto com o diálogo investigativo do chefe de departamento da Filosofia da UFJF, Juarez Gomes Sofiste. O tema de sua apresentação foi: “Filosofia na América Latina: Filosofia da Libertação ou Libertação da Filosofia”. Juarez buscou lembrar nomes de filósofos latino-americanos que são esquecidos pela maioria como por exemplo Leopoldo Zéa, Enrique Dussel, etc.. falou de uma maneira radical sobre o fazer Filosofia na América Latina.

Terça-feira também foi dia de abertura das Comunicações Filosóficas, que é o espaço dado para os alunos do curso mostrarem seus estudos. As Comunicações Filosóficas este ano foram especiais pra mim, por apresentei o artigo “O Silêncio em Kierkegaard” numa das mesas (já na quinta-feira). Foi a minha “estreia” em apresentações acadêmicas desse porte e o interessante foi ter dividido a mesa com Carlos Mário Paes Camacho, meu colega de sala, que no ano passado também apresentou uma comunicação filosófica e foi citado aqui por mim no blog, naquele momento ele era um “colega palestrante” agora não deixa de ser um “colega de palestrar”.

Enfim, na terça quem apresentou as Comunicações foram Diegho Salles, com “Manoel de Barros: uma reinvenção metafenomenológica da linguagem.” Lidiane Giarola com a “Análise do Discurso” e Vanessa Gonçalves com “O narrador em ‘A Hora da Estrela'”. Todas tiveram como eixo o discurso, a linguagem, e falaram basicamente da pós-modernidade, seja por um viés fenomenológico, estruturalista ou literário.

A quarta também foi um dia especial, principalmente para o Un Quimera. Sim, quarta foi dia palestra do professor René Dentz: “Ética e Psicanálise em Paul Ricoeur”. Digo que foi especial para o Un Quimera pois foi através do post sobre a Semana de Filosofia do ano passado que o René fez contato comigo (via comentário até) e a partir daí fomos planejando a ida dele pra Juiz de Fora para apresentação dessa palestra, é interessante lembrar também que o René é um ex-aluno da própria Filosofia da UFJF, inclusive ajudou a organizar a X Semana de Filosofia. Sua palestra também focou a pós-modernidade, com ênfase nas obras de Paul Ricouer e ressaltou bastante também a importância de um aprofundamento filosófico para que a Psicanálise, a Psicologia possam se desenvolver bem.

O segundo momento de quarta-feira contou com o mini-curso do professor Luiz Antônio Peixoto da UFJF sobre “Ideologia e Senso Comum”. Talvez essa tenha sido a apresentação mais aguardada e frequentada. Dividida em duas partes foi uma espécie de introdução para os futuros alunos de Estética e Filosofia da História (meu caso) e de revisão para os atuais alunos dessa disciplina. Partindo de Marx e da Escola de Frankfurt, Luiz Antônio ministrou um mini-curso que gerou muito interesse, discussão e que pretende sempre, creio, despertar mesmo é a crítica social através de um viés filosófico.

Esse mini-curso foi o gancho para os alunos Aurius Gonçalves e Emerson Oliveira apresentarem seus trabalhos nas Comunicações Filosóficas de quarta. Aurius apresentou “A Ideologia da Cultura na Contemporaneidade” e Emerson uma análise de “Ideologia: uma introdução” de Terry Eagleton. Muito debate e muita discussão, os habituais dez minutos de perguntas foram fortemente extrapolados.

A quarta foi fechada com a palestra do professor da UFJF, Ricardo Vélez: “Panorma completo da Filosofia Latina”.

Na quinta-feira, último dia da Semana, a primeira atração foi a mesa de Comunicações Filosóficas, onde, como já adiantei, o blogueiro aqui e Carlos Mário Paes Camacho fizeram suas apresentações. Ele com “Ética e Atualidade em Michel de Montaigne” e eu com “O Silêncio em Kierkegaard”.

O dia continuou e de certa forma retomou a levada de quarta-feira das ideologias e afins com o mini-curso do professor da UFJF Pedro Rocha: “Ideologia e Imagem”. Dividido em duas partes, como todos os mini-cursos, a primeira parte foi de apresentação do filme “Salve Geral”, que conta a história do acontecimento que ficou conhecido como Salve Geral, revolta do PCC ocorrida em 2006.

A segunda parte da mini-curso foi para discussão do filme em si e de como a violência e as ideologias são representadas em imagem (no caso, pelo Cinema). Assim como o mini-curso do Pedro Rocha na Semana de Filosofia do ano passado, este foi impactante e gerou muita discussão bacana.

Quinta-feira continuou com muito cinema. Depois do mini-curso do Pedro Rocha foi a vez de Leandro Domith dividir a mesa com o cineasta Sergio Santeiro. O primeiro escreveu sua tese de mestrado em cima da obra do segundo e ambos falaram muito bem sobre “O Cinema no Terceiro no Mundo”. A discussão acabou indo para o lado quase que estritamente cinematográfico e saindo um pouco da Filosofia em certos momentos, mas ainda assim foi muito válida, um dos pontos altos da Semana.

Semana de Filosofia que chegou ao fim com palestra conjunta do cineasta Geraldo Veloso e do professor da UFJF Gilberto Vasconcellos, ainda nesse diálogo entre Filosofia e Cinema o tema da palestra foi: “O Cinema concebido como reflexão sobre a realidade no terceiro mundo e seu devir histórico”.

Essa foi uma passada bem superficial sobre as palestras, mini-cursos e comunicações dessa XIX Semana de Filosofia. É muito bom e engrandecedor, academicamente falando, participar de um evento dese porte. Apenas dentro das quatro paredes da sala de aula não dá pra se ter uma vida acadêmica verdadeiramente interessante.

Enfim, cada vez mais envolvido nessa Filosofia da UFJF vou escrevendo sobre as Semanas e espero que elas possam continuar sendo realizadas e sempre despertando o interesse em professores, alunos e demais pesquisadores (principalmente os da própria UFJF), mas também aos de fora.

QuimeraTube #43

O QuimeraTube de hoje é uma homenagem/agradecimento ao Coletivo Sem Paredes e ao DCE da UFJF (Gestão Outras Palavras), pela realização do I Festival de Cultura e Arte e pelo I Festival Sem Paredes. Eventos que agitaram a Universidade Federal de Juiz de Fora de quarta passada até ontem.

Oficinas de rugby, slackline, jornalismo cultural, etc.. E no fim de semana, som, muito som bacana na praça cívica da UFJF.

Um batalhão de bandas independentes, de casa (como Martiataka e Silva Soul) e do Brasil inteiro (como Black Sonora, Aeromoças e Tenistas Russas, Garotas Suecas, Do Amor, entre outras..)

O detalhe é que no caso deste blogueiro que voz fala o fim de semana foi ainda mais recheado culturalmente com o show do Ventania, no Cultural Bar, na quinta-feira. O maluco magrelo de cabelo amarelo botou fogo no Cultural cantando seus grandes sucessos e ainda teve direito a um pouquinho de Raul Seixas no fim…

Enfim, essa efervescência cultural que rolou em JF na última semana é muito positiva, saudável pra corpos e mentes de poetas, cantadores e estudantes. Fica o agradecimento aos organizadores do evento e o vídeo de como foi mais ou menos o fim desse festival, com BNegão e Black Sonora mandando a pesada “Guiné Bissau, Moçambique e Angola” do grande Tim Maia:

Transporte Coletivo

“Enquanto eles se batem, dê um rolê…”

Moraes Moreira/Galvão

Quando era adolescente e viajava pra cidade grande, pegar ônibus sempre era uma das atividades mais preocupantes. Aquele medo bobo e juvenil de pegar o ônibus errado e ir parar em um lugar onde você nunca havia parado antes ou de se perder de algum colega no meio da multidão que espera no ponto.

Mas os medos estão aí para serem superados e a vida está aí para ser vivida. O tempo foi passando, a cidade grande virou lugar não de fazer visitas ou excursões, mas sim de viver, e os ônibus deixaram de passar aquela preocupação toda e viraram mais uma entre tantas outras tarefas cotidianas.

Mas o cotidiano está aí para ser repensado e visto com outros olhos. É a partir da mudança de ângulo que a vida vai se construir, que você se afirmará como alguém que sabe usar da faculdade da razão, mas que também se abre e desconstrói, que também erra, que também sofre, chora, desespera, mas que ainda assim afirma, afirma o quê? A vida é algo bom de ser afirmado, sem precisar de justificativa nenhuma, vida enquanto vida, construída de uma maneira singular – e porque não ao mesmo tempo múltipla – vida cotidiana no fim das contas.

E pode até parecer loucura ou bobagem, mas esses lampejos todos foram tomando conta da minha cabeça hoje, dentro um ônibus. O transporte coletivo tornou-se algo cotidiano, e esse tornar-se cotidiano fez com que eu repensasse esse cotidiano e tentasse buscar alguma coisa diferente ali. Não ficar reclamando da demora das viagens, do motorista, do cobrador, das pessoas. Mas sim de me recolher naquele banco e pensar um pouco.

Pensar em tudo isso que estou escrevendo aqui, coisas bem introspectivas até certo ponto, diga-se de passagem, mas também pensar pra fora, pensar essa cidade que a cada dia que passa me incorpora mais. É que da janela desse ônibus dá pra ver muita coisa.

O clima frio mesclado ao sol quente e as ruas e casas cinzentas são cenário para uma vasta gama de personagens que compõem esta grande encenação: as pessoas com as camisas de seus times, os senhores que caminham com dificuldade e olhar perdido, a família que espera no ponto e vê um amigo dentro de outro ônibus, o cara que busca um mato qualquer para urinar.

Todos esses personagens e muitos outros vão povoando o meu cotidiano. E o que eu vou fazer com tudo isso? Além de observar tudo atentamente com o som do Criolo tocando no fone de ouvido – “Cartola virá que eu vi, tão lindo, forte e belo como Muhammad Ali” – penso, escrevo e vou me convencendo de que o mundo não requer explicações mirabolantes, fugas escatológicas, nem nada disso. Pensar, acreditar e querer o lado de lá é plausível, aceitável e por vezes a melhor solução. Pensar, acreditar e viver o lado de cá, entretanto, é ainda mais plausível e aceitável e mesmo que não seja a melhor solução é, ainda assim, uma solução. Uma resolução.

A conversa sobre o churrasco de ontem das mulheres que sentam na minha frente confundem um pouco a minha mente, os pensamentos vão ficando difusos e logo eu acabo chegando ao ponto onde tinha que descer. Desço e continuo pensando em como o ônibus, que não passava de um sinônimo de medo e preocupação, tornou-se um refúgio para o exercício do pensar. Nas várias mudanças e viradas dessa vida, o transporte coletivo acabou metamorfoseando-se e a teleologia disso tudo talvez seja transportar a uma coletividade um pouco do que eu penso. Se isso tudo tem um preço? Tem sim, R$ 1,95.

QuimeraTube #31

O QuimeraTube de hoje é na verdade uma homenagem aos 10 anos da banda juizforana Martiataka.

Antes de vir morar aqui não conhecia a banda de Del Guiducci e cia. mas assim que conheci gostei bastante. É um ROCK no melhor sentido da palavra, o álbum Rock n’Roll Combustível e o EP Karma, Baby! são pra mim suas melhores produções, suas canções autorais têm muito feeling e tratam de assuntos bem urbanos, falam também de romances, possuem uma ambientação que me é muito agradável. E as versões que eles fazem também parecem ser as melhores escolhas possíveis: AC/DC, Camisa de Vênus, Rolling Stones e por aí vai…

Não sou nenhum grande conhecedor de música, mais especificamente falando de rock, mas gosto muito e o “rock de marte” é rock com atitude, tapa na cara mesmo!

Fica o clip de Mundo Bar, do Rock n’Roll Combustível:

Back on track

“Mas quem me vê? Eu mesmo me verei?

Correspondo a um arquétipo ideal.

Signo de futura realidade sou.”

 

Karma, Capetada!

Bem, talvez comece até a parecer uma espécie de diário de um caipira, mas na verdade é a minha vida mesmo.

Depois de um post falando sobre a minha primeira ida ao Cultural Bar, o post de hoje fala da minha primeira ida ao Café Muzik, outra casa de shows de Juiz de Fora, muito boa por sinal.

E foi na ida ao Cultural, para o show da Pitty que eu conheci a Martiataka.

O show de ontem no Muzik foi deles, lançamento do novo EP Karma, Baby!

Vale a pena já dar uma olhada no site dos caras: http://www.martiataka.com, lá tem todas as músicas disponíveis pra baixar.

O ambiente do Muzik é bem interessante, de fora dá aquela impressão de ser algo bem pequeno mesmo e na realidade é, porém são dois ambientes, ambos muito undergrounds, o som é de muita qualidade também, antes da banda entrar o que rolava nas caixas já me animava muito.

Quando Del Guiducci, Fabricio Barreto, Thiago “Jim” Salomão, Victor Fonseca e Tiago Sarmento entraram no palco ficou melhor ainda.

Antigas canções da banda como Mundo Bar e Asas misturadas a sucessos do Matanza e também da Rita Lee deram a tônica do show.

Mas o principal era o novo EP, as quatro canções foram tocadas na sequência: Quer Saber, Bem Perto, Karma Baby e a faixa bônus e não menos aguardada Eu Não Matei Joana D’arc, com um pequeno mix de Beth Morreu, ambas do Camisa de Vênus, de Marcelo Nova.

Enfim, um show puro rock n’ roll que me remeteu a antigas bandas, antigos sons e que hoje se fazem presente com bandas como a Martiataka. Além de tudo ainda ganhei camiseta da banda e EP autografado com vários xablaus!

Uma grande noite em Juiz de Fora.

XVIII Semana de Filosofia (UFJF)

Como prometido em posts anteriores, faço hoje um post (com um certo atraso já) pra falar exclusivamente da XVIII Semana de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora.

O evento ocorreu entre os dias 26 e 29 de outubro no Instituto de Ciências Humanas da UFJF e teve como tema e slogan o “Arte à Filosofia”.

Antes de falar do evento propriamente dito, acho que vale a pena falar também do curso como um todo.

Na verdade Filosofia não era minha primeira opção, acabei entrando e no começo tinha um certo de não gostar ou coisa parecida.

Bastou uma semana pra que esse medo se dissipasse, e eu começasse a gostar verdadeiramente do curso.

O tempo passou, o 2º período já vai chegando ao fim e eu continuo gostando muito da Filosofia. Não digo que “não me vejo fazendo outro curso”, mas digo com toda certeza do mundo que com a Filosofia eu mudei muito minha visão de mundo, me abri a novos pensamentos e hoje sou uma pessoa melhor.

Enfi, particularidades do blogueiro a parte, a Semana de Filosofia contou com palestras, oficinas, minicursos e Comunicações Filosóficas, como não participei de tudo não vou falar detalhadamente de tudo, mas vale citar.

Dentre as Oficinas, rolou uma de Poesia com o Grupo Encontrare, de Juiz de Fora. Uma de Teatro, com o pessoal do Teatro Universitário da UFMG e uma de Stencil, com o professor João Paulo Paes, do Centro de Ensino Superior (CES) de Juiz de Fora. Apesar de não ter participado de nenhuma, rolou um feedback interessante da galera que participou.

As Comunicações Filosóficas, que são minipalestras, onde os “palestrantes” são alunos do curso de Filosofia também foram interessantes, destaco as de Carlos Mário Paes Camacho (meu colega de sala), que abordou a questão da Liberdade Individual no Contrato Social de Jean Jacques Rousseau.

Minicursos foram dois: “Arte e Verdade em Heidegger”, do professor Paulo Afonso, das Ciências da Religião.

O pensamento heideggeriano é muito complexo (pelo menos pra mim) e eu acabei não participando desse minicurso.

O outro, do qual participei foi “Industria Cultural x Cultura Popular x Alta Cultura” do professor Pedro Rocha, da Filosofia.

Um dos pontos altos de toda a Semana de Filosofia na minha opinião. Pedro Rocha, abordou questões relacionadas à Cultura (Indústria Cultural, Alta Cultura, etc..) tendo como base o pensamento de Walter Benjamin e da Escola de Frankfurt como um todo.

O minicurso foi muito interessante pela interatividade que rolou com os ouvintes e pela autenticidade da tese de Pedro Rocha.

Não poderia faltar o “Filoplex – Cinema sem preço”, foi apresentado o curta “O Artista da Fome”, curta baseado no conto de Franz Kafka, e depois do curta, comentários de Nathan Santos, presidente do C.A. de Filosofia.

Mesmo não tendo conhecido o conto antes de assistir o curta, gostei muito do que vi, e as reflexões em cima do curta, por serem as mais variadas possíveis, foram muito interessantes, a polissemia do pensamento sendo cada vez mais acentuada é algo perfeito de se ter em uma Semana de Filosofia.

E rolaram também as palestras: “Liberdade de Expressão” com o professor Luiz Antônio da Filosofia e o professor Paulo Roberto Leal da FACOM. Talvez essa tenha sido a melhor de todas as palestras, onde o conceito de Liberdade de Expressão foi destrinchado, e temas como até onde vai a liberdade dentro da internet foram abordados.

“A questão do Si em Paul Ricoeur”, com Victor Hugo de Castro Dutra.

“Ontologia e Pintura em Merleau-Ponty: Ontologia selvagem em Cezanne”, com Tarcisio Lage Louzada.

“Reescrevendo a História… em outras palavras: Literatura e Filosofia”, com o professor da Faculdade de Letras Wagner Lacerda.

“O Inteligível e o Sensível na Música Eletroacústica e na MPB”, com o professor Paulo Motta.

E também “Poesia Contemporânea: Implicações e Implicâncias ou: se o devir vier que não fique devendo”, com André Capilé.

Além de tudo isso também rolou uma Mesa Redonda mediada pelo professor Pedro Rocha com representantes de Movimentos Sociais com o tema “Arte, Cultura e Movimentos Sociais”.

Acho que só citando e destacando algumas coisas sobre o que rolou é algo bem superficial, mas vale a pena pra tentar pelo menos passar um pouco do que foi a Semana de Filosofia.

Por fora do Anfiteatro também tinha a “incansável” mesa de xadrez e um bom café, pra ambientar ainda mais a Semana de Filosofia.

Por falar do lado externo da coisa, a foto acima é de um dos corredores do ICH, onde foi prosposta a seguinte ideia: deixe sua ideia.

Valia de tudo, escrever, pintar, desenhar. Isso gerou certas polêmicas dentro do ICH, mas valeu muito a pena.

Pra fechar tudo o ICH também foi palco de uma festinha, mas aí eu estava no show da Pitty (já comentado aqui no Un Quimera).

O mais importante é mesmo ilustrar um pouco do que foi a Semana de Filosofia e dizer que ela só aumenta ainda mais a minha sede de Filosofia, como disse no início estou gostando muito do que estou fazendo, e eventos como esses, bem feitos e bem organizados, com uma proposta interessante e gente boa participando servem principalmente de motivação.