Arquivo da categoria: Ivan Bilheiro

Páginas de Convivência

Hoje, pela segunda vez na sua história (a primeira tá aqui) o Un Quimera tem a honra de publicar um texto de Ivan Bilheiro.

Apesar de não ter divulgado por aqui, no último mês de maio participei da publicação do segundo livro do Movimento Literário Saberes e Sabores – MLSS de São Gonçalo do Sapucaí-MG, minha cidade natal. O livro contém textos de vários autores que participam do Movimento Literário, inclusive dois poemas e um conto meu.

Meu amigo Ivan Bilheiro comprou um exemplar e gostou bastante do que viu, me elogiou, comentou comigo sobre o livro e o movimento e pra comprovar tudo isso também escreveu um texto sobre. É este o texto que publico aqui. Valeu, Ivan!

Páginas de Convivência

Escrevi certa vez enaltecendo os livros que aproximam pessoas. Acho fantástica a utilização da leitura para criar conexões entre as pessoas, diálogos, trocas… As leituras pessoais dos livros passam por releituras na criatividade dos diálogos sobre eles.

Mas há outra forma bastante louvável de agregar pessoas e gerar boas relações através das letras: a escrita. Símbolo disso é o livro que, felizmente, chegou até mim: Memórias Sapucaienses (Ottoni Editora, 2011, 303 páginas) organizado por Alitta Guimarães Costa Reis e Márcia Magalhães Pereira. A obra reúne frutos do trabalho do Movimento Literário Saberes e Sabores, da cidade mineira de São Gonçalo do Sapucaí.

São páginas que registram o que povoa a mente desta comunidade de praticantes da escrita, como bem dito na apresentação da obra. E o passeio por estas memórias sapucaienses oferece-nos muito: desde homenagens emocionadas a familiares, professores, à natureza e a Deus, textos que registram a admiração; até as singelas utopias de uma cidade do futuro nos sonhos escritos pelas crianças, como “São Gonçalo no Futuro” da jovem Alana de Souza Evangelista, que li como ao som de uma marchinha, sabe-se lá por força de qual encantamento…

Há também muita história, como não poderia deixar de ser: laços com o passado registrados em construções, “causos” de família, lembranças… Revolta pelo abandono patrimonial, sob a pena de Tadeu de Paula; as lembranças de Dagmar Pereira de Almeida sobre sua chegada a São Gonçalo do Sapucaí, ainda de trem, em 1931, que dizem muito sobre o caminhar da própria cidade; bem como a acolhida aos recém-chegados, escrita por Rosa Mattar Lorieri, que conjuga história e genealogia.

Reflexões e poesias, sonhos e revoltas, tradição e política, nostalgia e observações… De tudo um pouco nas letras do emelessianos (termo que designa os membros do Movimento Literário que ensejou a publicação), de forma a encantar novos leitores.

Destaco dois bons e jovens “escrevinhadores”, cujas palavras podem resumir minhas impressões: Maria Eugênia Arantes Gonçalves, que reflete sobre a leitura, e Rogério Arantes Luis, que trata da escrita. Em “Reflexos, reflexões”, pode-se ler: “É verdade que os livros são portais encantados que levam a cômodos secretos da própria mente de quem lê, é neles que se vêem pensamentos desconhecidos para quem os pensa, é neles que se encontram, colocados em palavras, os sentimentos mais profundos de quem sente.” Já em “Escrevivendo”, a passagem: “O que eu escrevo é que eu tenho/ O que eu escrevo é o que eu amo/ O que eu escrevo é o que eu sinto.” Assim concebo a aproximação da escrita: leituras em que nos reconhecemos, as quais nos levam a escritas de nossas vidas, que despertarão sentimentos em novos leitores, que poderão “escreviver”… Então segue-se nessa sequência, criativa e prazerosa.

Leituras de vida, diálogos de escritores, vida das letras nas páginas das Memórias Sapucaienses! Reproduzo Elza Arantes: “Escrever é uma arte que alimenta a imaginação e as palavras brotam do coração. Nesse movimento, boas leituras vão ouvir. E muitos textos, com carinho, construir.” É assim a singela aproximação das pessoas pela escrita.

Rabo de Urna #07

O sétimo Rabo de Urna é especial.

Vem falar de um assunto muito, mas muito importante mesmo, que é a Educação, pilar para o desenvolvimento de qualquer país e que deve ser levado a sério sempre (nessas Eleições então, mais ainda).

E fala disso de uma maneira diferente, não serão as ideias ou a opinião do blogueiro que estarão presentes aqui, ma sim um texto de Ivan Bilheiro.

Nesses primeiros meses de Juiz de Fora, já fiz alguns amigos e Ivan é um deles, mandou muito bem nesse texto que foi publicado no Tribuna de Minas, e eu pedi a ele a permissão para publicá-lo aqui no Un Quimera, encaixaria perfeitamente na série Rabo de Urna.

Vale lembrar também que Ivan é um dos poquíssimos leitores deste querido blog…

Aí vai:

Educação e Qualidade

O tema educação já não é novidade no debate político. Mas a sociedade brasileira e os políticos precisam encará-lo sob a perspectiva certa: a da qualidade. Neste momento em que o país se prepara para eleger novos representantes e governantes, a oportunidade para corrigir o olhar sobre a educação é imperdível.

Quando se fala do direito à educação, muitas vezes não se fala de qualidade. Assim, mesmo que o direito à educação seja inserido na agenda política dos candidatos, nem sempre isso corresponde ao que, de fato, deve ser buscado: o direito à aprendizagem.

Escolas malconservadas, alunos que tiram pouco proveito de suas horas nas instituições de ensino, professores mal remunerados e pouco motivados: este pode ser o cenário de um país que garante o acesso à educação, mas jamais seria o cenário de um país que luta pela qualidade da educação. Se os estudantes brasileiros tivessem o direito à aprendizagem, consequentemente haveria uma melhora no cenário educacional, pois não há condições de garantir a aprendizagem sem que os professores e as escolas recebam a devida atenção.

Desta forma, deve-se colocar na lista de prioridades o direito à aprendizagem, para que os candidatos que se comprometam com a questão da educação não possam fazê-lo simplesmente para garantir votos, pois a responsabilidade sobre a aprendizagem requer a garantia de uma educação de qualidade, a única que pode oferecer um futuro melhor para o país.

A função de todos os eleitores, na posição de cidadãos responsáveis pela sociedade em que vivem, é lutar pela garantia do direito à aprendizagem, através de uma educação de qualidade, a fim de que o sistema educacional não seja ampliado no âmbito quantitativo, mas que ganhe qualitativamente. Direito à educação sim, mas de qualidade!

Mês que vem tem mais Rabo de Urna, valeu pelo texto Ivan.