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Como é?

Vou com uma canção de Celso Viáfora e Vicente Barreto, brilhantemente interpretada por Ney Matogrosso pra ilustrar o 7 de setembro:

A Cara do Brasil

Eu estava espamarrado na rede, Jeca Urbanóide de papo pro ar

Me bateu a pergunta meio à esmo: na verdade, o Brasil o que será?

O Brasil é o homem que tem sede ou que vive da seca do sertão?

Ou será que o Brasil dos dois é o mesmo o que vai é o que vem na contra-mão?

O Brasil é um caboclo sem dinheiro procurando o doutor nalgum lugar

Ou será o professor Darcy Ribeiro que fugiu do hospital pra se tratar?

A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho ninguém precisa consertar

Se não der certo a gente se virar sozinho decerto então nada vai dar

O Brasil é o que tem talher de prata ou aquele que só come com a mão?

Ou será que o Brasil é o que não come o Brasil gordo na contradição?

O Brasil que bate tambor de lata ou que bate carteira na estação?

O Brasil é o lixo que consome ou tem nele o maná da criação?

Brasil Mauro Silva, Dunga e Zinho que é  Brasil zero a zero e campeão

Ou o Brasil que parou pelo caminho: Zico, Sócrates, Júnior e Falcão

O Brasil é uma foto do Betinho ou um vídeo da Favela Naval?

São os trens da alegria de Brasília ou os trens do subúrbio da Central?

Brasil-Globo de Roberto Marinho, Brasil-Bairro: Carlinhos-Candeal?

Quem vê, do Vidigal, o mar e as ilhas, ou quem das ilhas vê o Vidigal?

O Brasil encharcado, palafita? Seco, açude sangrando chapadão?

Ou será que é uma Avenida Paulista? Qual a cara da cara da nação?

…ou morte!

Um texto para os 187 anos de Independência do Brasil:
…ou morte!

Sim, há exatos 187 anos o Brasil tornava-se independente da Coroa Portuguesa.

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas…

Ouviram D. Pedro I praticamente “acordar” a independência tupiniquim, na verdade a dependência em relação à Portugal apenas foi transferida para a Inglaterra, que passou a deter ainda mais controle sobre o comércio brasileiro e permaneceu assim por alguns anos.

É duro dizer isso, mas a poesia das independências de outros países, como a dos Estados Unidos, por exemplo, não existe em relação ao Brasil, toda a mística de conquista de algo na verdade foi fabricada, não existem verdadeiros heróis brasileiros.

As maquiagens de D. Pedro I e II, Tiradentes e por aí vai, são meras ilustrações que tentam passar para a grande massa a idéia de heróis.

Mais uma vez se cai na idéia da fácil alienação da população brasileira, que chega a considerar até os jogadores do escrete canarinho grandes heróis. Não querendo tirar o mérito de grandes seleções como a de 58 ou 70 e até mesmo a de 82, que apesar de não ter trazido o título deixou muita história pra contar, mas as camisetas amarelas devem ser consideradas lúdicas e não supervalorizadas.


A cada linha que passa sinto que quem lê esse texto me considera um antipatriota ou coisa parecida, não é nada disso, o que acontece é que cada vez mais vejo o Brasil com olhos desiludidos, o que antes era “dia de marchar com a escola” hoje já é dia de pensar em como mudar a situação em que vivemos.

E diga o verde louro desta flâmula: Paz no futuro e glória no passado…

A glória do passado é difícil de ser visualizada, a história está escrita e os longos anos de escravidão, a ditadura militar e os escândalos parlamentares não podem ser apagados, mas paz no futuro é algo que eu desejo muito!

E pra ter essa paz está na hora de mudar, e uma boa chance de mudar é votar conscientemente, 2010 está aí e é nessa hora que muita coisa pode ser mudada e a paz do futuro possa ficar mais próxima da realidade.

Por tudo isso, nesse dia de independência, parafraseando D. Pedro I, pra não falar também que não dou valor nenhum a ele ou a outras figuras históricas brasileiras, desesperadamente eu grito em português: Voto consciente ou morte!
Rogério Arantes