Arquivo da categoria: História

Consciência e Diferença


Até hoje o Un Quimera nunca publicou textos que não fossem da minha autoria, mas chegou a hora!

O texto de hoje tem raízes sapucaienses como as minhas, mas tem caule e frutos itajubenses: primeiro pela citação do “Grande Guila” e depois porque seu autor, Guilherme Oraboni vive hoje em Itajubá e está cursando Engenharia Mecânica na UNIFEI.
Guilherme (outro membro da Nação rubro-negra) é um grande amigo que já foi parceiro em uma empreitada num jornal escolar pouco tempo atrás, e que ainda mantém vivo o hábito de escrever.
Afinal, engenheiros (alguns) também escrevem, aí vai:
Outro dia, remexendo em arquivos do meu computador, encontrei alguns vídeos da ditadura militar do Brasil perdidos em meio a vários clipes de música. Lembrei-me, então, do Guila, que foi quem os passou para mim no finalzinho de 2008, fase pré-vestibular. Guila, então meu professor de história, estava conversando conosco (havia mais uns quatro ou cinco gatos pingados na aula naquela última semana) e mostrou os vídeos.
Devo dizer que, certamente, é a parte da história que mais me interessa. Tanto que pedi para ele me passar os vídeos. O fato é que vi os vídeos e comecei a assistir um que falava dos efeitos do AI-5 na cultura brasileira. No meio do vídeo, citava-se o Manifesto elaborado pela Aliança Libertadora Nacional (ANL) em 1969, pelo seqüestro do embaixador dos EUA no Brasil Charles Burke Elbrick. ANL, aliás, formada pelo atual político José Dirceu…
Por mera curiosidade, fui procurar o tal manifesto na Internet. Pensando se tratar de um texto com ideais revolucionários e a favor do povo, para o povo. Surpreso, me decepcionei. Mais, fui tomado inclusive por um sentimento de revolta. Nele, o autor (no caso, todo o grupo, pois nenhum dos “revolucionários” assinou o manifesto) se orgulha pelos atos de vandalismo e contra a lei cometidos a favor da “revolução”. Transcrevendo as palavras do Manifesto, “assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores.”
Em outro trecho, o manifesto diz que a ANL quer “mostrar que é possível vencer a ditadura e a exploração, se nos armarmos e nos organizarmos.” Isso me lembra, ainda, uma fala de Nelson Rodrigues: “Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes “É proibido proibir” e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais.”
É preciso discernir bem se a revolução fará bem ao país. O próprio termo “revolução” é carregado por jovens do mundo todo como um lema, uma palavra-chave. Porém, a que preço? Os idéias da ANL eram louváveis: a própria queda do regime autoritário, em reforma agrária, queda da repressão cultural, fim do arrocho salarial. Porém, basta jogar fogo contra fogo? No próprio texto, a última frase afirmava que “Agora é olho por olho, dente por dente.” Vale a pena usar dos próprios meios utilizados pela ditadura para conseguir a liberdade? Me parece um equívoco, uma contradição, usar técnicas que abominamos a nosso favor.
É de se pensar, portanto que, caso conseguisse sua meta, o governo da ANL não seria muito diferente do praticado pelos militares. O próprio fato de terem seqüestrado o embaixador americano, tal qual era feito pelos militares com quem se opunha a seu governo. Depois, vários apoiadores do regime militar subiram ao poder, mesmo depois do fim da ditadura. Fernando Collor foi um deles. Com apoio da grande mídia, concedida pelos militares a quem lhes convinha, acabou deposto pelos próprios meios que o elegeram.
A frente de oposição se transformou no que hoje é o PT e seus aliados. Claro que todos são contra a ditadura atualmente, mas as origens são essas. E é lá que está José Dirceu. Lá no governo, no poder. Fica então a pergunta: qual a diferença entre a oposição e o governo? Eles utilizam, desde a década de 60, aliás, desde a república nova, das mesmas táticas para subir ao poder.
Não digo, de forma estereotipada, que os políticos “não prestam”, “são uma corja de corruptos”, entre outras expressões tão comuns. Digo apenas que deve-se pensar bem em quem se elege. Como dito no início do vídeo do meu professor do colegial, “Relembrar é manter-se vivo!”
Guilherme Oraboni
*a foto é de um plasma.

O Que É Isso Companheiro?

Falo hoje de um livro, que já virou filme e que conta sobre um dos mais interessantes episódios da história do Brasil.
Antes de falar do livro, falo de seu escritor, o hoje deputado federal pelo Rio de Janeiro, líder do Partido Verde (PV) e além disso twittero, escritor e jornalista.
O nome dele é Fernando Gabeira. Ficou muito conhecido no período da ditadura militar, período em que acontecem as ações descritas no livro.
Ano passado disputou e perdeu a campanha para prefeito do Rio de Janeiro, mas sua história política é bem maior do que isso, seria muito querer falar dela inteira aqui no Un Quimera, necessitaria de mais tempo e mais espaço.
Então, para saber sobre Gabeira é mais fácil visitar o site dele, onde tem muita coisa interessante, não só sobre ele próprio, mas sobre política, atualidades e etc., o link é esse aqui: http://www.gabeira.com.br/
Agora, vamos ao livro.
Já tinha ouvido falar do livro, já tinha visto um fragmento do filme no youtube e sempre tive a curiosidade de ler o livro.
Vagando em um sebo me deparo com várias obras do Gabeira, inclusive O Que É Isso Companheiro?, foram 10 reais muito bem gastos.
O livro começa e se desenvolve em vários micro-capítulos, lembrando até, somente no estilo é lógico, o Dom Casmurro de Machado de Assis, esse pequenos capítulos vão ambientando o leitor mais distraido ao livro, eu sempre gostei muito desse período histórico do Brasil, a Ditadura Militar, por isso já estava conhecendo alguns termos utilizados, estava realmente interessado no livro.
Depois desses capítulos, os dois capítulos finais são bem maiores e é nesses capítulos que estão as melhores partes do livro.
No capítulo Babilônia, Babilônia, Gabeira descreve com a riqueza de detalhes que só quem viveu o momento pode descrever, os 4 dias (de quinta a domingo) em que realizou o se
questro do embaixador estadunidense no Brasil, Charles Elbrick, desde o sequestro propriamente dito na quinta até a sua libertação no domingo.
E no último capítulo (Onde o filho chora e mãe não ouve), Gabeira conta como foi capturado pela ditadura, seus dias na prisão, no DOPS e vários tipos de tortura das quais presenciou.
Um livro que eu diria muito patriótico, a exposição de fatos históricos da ditadura militar brasileira é algo que ajuda muito a analisar onde estamos hoje, a história ajudando a repensar o presente e a construir o futuro.
No que se diz respeito a política, é um dos melhores se não o melhor livro que já li, sem ele dificilmente teria escrito um post como o último e também não estaria tão interessado em assuntos políticos.
Vale lembrar que eu não tenho partido, nem esquerda, nem direita, nem nada, ainda estou moldando minhas ideias, mas uma coisa posso afirmar: Fernando Gabeira é, com certeza, um dos parlamentares mais dignos de representar o país lá dentro, não, ele não é perfeito, mas também não é tão baixo como outros que estão por lá.

Copa Libertadores da América 2009

Então, ano passado o Flamengo acabou tropeçando demais, principalmente dentro do Maracanã,
e, depois de ter participado dois anos consecutivos da Copa Libertadores, acabou ficando
de fora.

Mas não é por isso que eu não vou falar um pouco da maior competição de clubes da América
Latina.

Em tese, é uma competição que se equivale a Liga dos Campeões da Europa, mas, vamos ser
sinceros, atualmente, não existe comparação entre essas duas competições.

Só que nesse post o assunto é única e exclusivamente a Copa Libertadores.

Pra começar, uma coisa boba, que passa desapercebida por muitos creio eu, mas que tem muita
importância.

Afinal, por quê LIBERTADORES DA AMÉRICA?

Pesquisando, acabei descobrindo que o nome é uma homenagem a cinco homens que fizeram
coisas muito importantes para a América, pra ser mais específico, ajudaram na sua
libertação, daí, não há nome mais adequado do que Libertadores da América.

Esses homens são: Antonio José de Sucre, Bernardo O’Higgins, Dom Pedro I,
José de San Martín e Símon Bolívar.

Poderia até falar um pouco sobre cada um deles, mas além de deixar o post muito longo,
desviaria um pouco do foco central que é o futebol, tem os links aí nos nomes deles pra
quem quiser saber um pouco mais dos (literalmente) libertadores.

A idéia minha é, apresentar nesse post, um favorito para cada libertador, ou seja,
apresentar os cinco favoritos a conquista da Libertadores 2009 (na minha opinião, é claro).

Aqui estão:

BOCA JUNIORS (ARG)
Pelo menos nos últimos 10 anos, não dá pra falar de Libertadores sem falar de Boca Juniors,
a equipe xeneize chega todos os anos e é sempre candidata ao título.

E nessa temporada não é diferente, o time do Boca, campeão argentino no fim de 2008, numa
disputa emocionante, quando enfrentou e venceu Tigre e San Lorenzo no quadrangular final,
vem em busca do seu sétimo título na competição.

O time é quase o mesmo do ano passado, o camisa 10 Riquelme continua comandando as ações, e
apesar da saída de Dátolo para o Napoli, o meio-campo continua raçudo como sempre.

O ataque com Palermo (que está de volta depois de lesão) e Palacio é dos mais perigosos e
com certeza vai incomodar muita gente.

O Boca está no grupo 2, que conta também com Guaraní (PAR), Deportivo Táchira (VEN) e
Deportivo Cuenca (EQU).

CRUZEIRO (BRA)

O Cruzeiro caiu justamente diante do Boca na Copa Libertadores da última temporada.

Mas o time azul da temporada passada ainda estava se formando, hoje, o time está quase
pronto.

Com boas contratações da Libertadores do ano passado pra essa, como Thiago Ribeiro, a volta
do ídolo Sorín e Kléber, o Cruzeiro vem forte, e tem na espinha dorsal, formada por Fábio,
Jonathan e Ramires, a base do time, principalmente no camisa 8 que a cada dia que passa
parece jogar mais.

Esse Cruzeiro mais maduro promete, depois dos títulos de 76 e 97, em 2009 a Raposa vem em
busca do tri.

O grupo é o 5, jogam nele também Universitario de Sucre (BOL), Deportivo Quito (EQU) e
Estudiantes de La Plata (ARG)

LIBERTAD (PAR)

O Libertad não deve ser favorito para muita gente, mas a equipe paraguaia, vem mostrando
nos últimos anos que pode sim conquistar a competição mais importante das Américas.

A equipe é a atual tetra-campeã paraguaia. Tá bom, o Campeonato Paraguaio não é lá grande
coisa, mas também não é só isso, o Libertad, nas últimas Libertadores perdeu somente para
os campeões, em 2006, para o Internacional nas semi-finais, em 2007 para o Boca Juniors nas
quartas e no ano passado caiu no grupo dos dois finalistas: LDU e Fluminense, por isso, nem
passou da primeira fase.

Pode ser só coincidência, mas além disso, o próprio nome da equipe tem tudo a ver com a
competição.

Mas falando sério, o ataque com Samudio e Manuel Maciel é a principal arma do Gumarelo,
na busca pelo seu primeiro título da competição.

Está no grupo 8, junto com San Lorenzo (ARG), Universitario de Deportes (PER) e San Luis
(MEX).

LDU (EQU)

Bem, nunca se pode menosprezar o atual campeão de uma competição, por isso a LDU está aqui
entre os meus favoritos para o título.

Apesar da saída de jogadores importantíssimos como Joffre Guerrón e Jorge Bolaños a LDU
tem como principais destaques o bom lateral Ambrosi, o não menos bom meio-campista Urrutía
e o atacante Bieler, todos participaram do título na temporada passada.

Em busca do bi, a Liga Deportiva Universitaria de Quito está no grupo 1, ao lado de
Colo-COlo (CHI), Sport (BRA) e Palmeiras (BRA).

SÃO PAULO (BRA)

O São Paulo, atual tri-campeão brasileiro vem em busca do tetra na Libertadores.

Depois da eliminação para o Fluminense no ano passado, Muricy e cia. afirmam que o objetivo
pricipal dessa temporada é mesmo a Libertadores.

E para isso a equipe do Morumbi contratou alguns jogadores que a eliminaram no ano passado,
como Arouca, Júnior César e o Coração Valente Washington.

Além deles, a base foi mantida: Rogério Ceni, Miranda, Jorge Wágner, Hugo, Dagoberto e
Borges são peças importantes da equipe de Muricy.

Apesar do começo não muito animador no Campeonato Paulista o tricolor é favorito ao título
continental e figura no grupo 4, ao lado de Defensor Sporting (URU), América de Cali (COL)
e Independiente de Medellín (COL).

Esses são os grandes favoritos pra mim, mas, além desses cinco, também cito outros cinco
times que devem chegar um pouco mais longe na competição: Palmeiras, Estudiantes, Grêmio,
San Lorenzo e Chivas Guadalaraja.

Se o título ficar fora das mãos desses 10 times pode-se dizer que eu não entendo nada mesmo
de futebol.

P.S. – Em tempo, a fase de grupos da Libertadores 2009 começa nesta terça, dia 10.

A Diversidade Cultural

Muito se fala de globalização nos dias de hoje, a globalização vem para conectar de uma
maneira muito forte as culturas dos países, como quase todas as coisas tem seu lado
positivo mas também tem seu lado negativo.

Porém não quero entrar nessa discussão agora, este post, como o próprio título já diz,
vem tratar da diversidade cultural existente em nosso planeta.

Como?

Bem, hoje é dia 6 de janeiro, o chamado Dia de Reis, a data recorda a visita dos três “reis”
magos ao menino Jesus.

Antes de mais nada, já se encontra forte evidência católica na data, afinal estamos
falando de Jesus, mas pra quem prestou atenção outras influências também aparecem nessa
visita.

Reis? Magos?

Vamos combinar que magos não tem muito a ver com o catolicismo, tem mais a ver com
lendas e histórias.

Mas seguindo com a história, os três magos (Melchior, Gaspar e Baltazar) levaram presentes
ao menino Jesus.

Melchior levava ouro, simbolizando a sua realeza, Gaspar levava incenso, simbolizando
a divindade e Baltazar levava mirra simbolizando a humanidade.

Pesquisando um pouco mais sobre os magos e seus presentes descubro que Melchior veio da
Caldéia, lugar situado à beira do Rio Eufrates, ou seja, Mesopotâmia, deu de presente
o ouro que é originário da Suméria.

Sobre Gaspar diz-se que veio de uma região próxima ao Mar Cáspio, extremo leste europeu e
o incenso que levava tem origem arábica e africana.

Já Baltazar era mouro (isso mesmo), tinha partido do Golfo Pérsico e a mirra tem origem no
Oriente Médio.

Bem, só até aqui já dá pra perceber essa diversidade cultural, elementos da cultura
oriental e africana dialogando com a européia.

Só que essa diversidade aumenta ainda mais quando se lembra da data de hoje.

Depois de tanta história talvez o leitor nem se lembre mais, mas hoje, dia 6 de janeiro é
o dia dos Santos Reis, uma alusão a estes reis magos só que outra manifestação cultural
ganhou espaço nos últimos séculos, é a chamada Folia de Reis.

De origem portuguesa, a Folia de Reis recebe fortes influências africanas, é
caracterizada por grupos de pessoas, em geral músicos, que tocam tambores, reco-reco,
flauta, rabeca viola caipira e acordeon, esses grupos visitam casas desde o final do mês
de dezembro até o dia 6 de janeiro.

Por serem muito comuns aqui na minha cidade (São Gonçalo do Sapucaí) e em todo o interior
de Minas Gerais acabei lembrando desses grupos e dessa data, depois fiz uma busca
sobre as origens (no caso os famosos Três Reis Magos) e relacionei tudo isso numa coisa só.

Como disse no começo, tudo isso, desde o nascimento do menino Jesus até as manifestações
culturais de hoje em dia são, pra mim, exemplos da diversidade e contato das culturas
existentes, algo muito interessante, que mostra como é importante conhecer e aceitar novas
idéias, mas, ao mesmo tempo, não deixar de expor as suas.