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Le rouge et Le Noir #12

Pra fechar a tampa de 2011, não poderia faltar uma singela homenagem desse blogueiro flamenguista pra equipe que trinta anos atrás, em solo japonês, venceu o Liverpool por 3 x 0 e deu ao Clube de Regatas Flamengo seu primeiro (e por enquanto, apenas por enquanto) único título mundial.

É meio óbvio que eu nunca tenha visto esse time jogar, mas por tudo que ouvi dizer sobre ele, pelos lances e gols e etc., acredito mesmo que foi um dos melhores times da história do futebol, sem falsas modéstias ou parcialidades, é bom recordar esses momentos marcantes da história do Flamengo e saber homenageá-los e valorizá-los, porém só isso não basta, trinta anos se passaram e uma nova Libertadores e um novo Mundial ainda não chegaram, já é hora de mudar isso, e quem pode mudar isso são os atuais jogadores, é a maior torcida do mundo, da qual faço parte, 2012 é ano de Libertadores, é ano de torcer, vibrar e acreditar nesse time!

Pra fechar o ano ficamos com a dita homenagem, os três gols da final do Mundial de Clubes, dois do João Danado Nunes e um de Adílio:

SRN

O inatingível Barcelona

Foi disputada ontem a final do Mundial de Clubes da FIFA de 2011. Seguindo o costume “quimérico” falo um pouco sobre esse jogo de ontem e sobre a trajetória dos dois finalistas.

Depois da vitória do Barcelona sobre o Manchester United na final da Liga dos Campeões e da vitória do Santos sobre o Peñarol na final da Libertadores, a mídia esportiva e todos os que acompanham futebol aguardavam ansiosamente por esse fim de ano. Pra disputa do Mundial de Clubes da FIFA, aguardando o tão esperado embate entre Barcelona x Santos, ou melhor, o grande embate que todos realmente esperavam era entre Messi x Neymar.

Mas pra que isso realmente acontecesse era necessário que Barcelona e Santos cumprissem seus papeis e afirmassem o favoritismo nos duelos da semi-finais, respectivamente contra Al-Sadd e Kashiwa Reysol.

Na quarta o Santos venceu o Kashiwa por 3 x 1, mas sofreu no segundo tempo, o clube japonês comandado pelo brasileiro Nelsinho Baptista e tendo como seus principais jogadores os também brasileiros Jorge Wagner e Leandro Domingues, deu trabalho ao Santos, que não jogou o seu melhor futebol nas semi-finais, apesar do lindo gol de Neymar o futebol santista não foi nem de perto aquele da Libertadores, mas mesmo assim a vaga para a final estava garantida.

Na quinta o Barça também fez sua parte. Vitória sossegada de 4 x 0 sobre o Al Sadd, com três gols brasileiros: dois de Adriano e um de Maxwell. A equipe catalã em momento algum sofreu qualquer perigo real e ainda se deu ao luxo de poupar três titulares: Daniel Alves, Piqué e Xavi.

O tão esperado duelo aconteceu então ontem, em Yokohama. E é até estranho falar sobre o jogo de ontem, porque, com todo respeito ao Santos, não foi de fato um jogo, esteve mais para um baile, um treino ou coisa do tipo. O Barcelona não tomou reconhecimento da equipe brasileira, que, apática, viu o melhor time do mundo desfilar no gramado o seu envolvente, bonito e vencedor futebol. Novo 4 x 0, dessa vez com dois gols de Messi, um de Xavi e um de Fábregas. A única real chance de gol do Santos esteve nos pés de Neymar que cara a cara com Valdés chutou a bola em cima do goleiro espanhol. Um lance em que normalmente o camisa 11 de moicano estilizado não perdoa.

Adjetivos como inatingível, imbatível e outros do tipo são cada vez mais verossímeis pra se qualificar esse time do Barcelona. Foi muito incomum o que aconteceu ontem, por mais que todos já soubessem de toda qualidade do Barcelona o resultado e a maneira como ele foi construído talvez não fosse esperado nem pelo mais otimista dos torcedores catalães. A fraca atuação do Santos no jogo de quarta de certa forma já poderia ser prenúncio pra essa humilhação de ontem, mas mesmo assim, o resultado foi muito incomum para uma final de Mundial de Clubes.

Dentre outras coisas mais, o resultado também confirmou de vez a superioridade do argentino Messi, tudo que indica que ele será eleito pela terceira vez consecutiva o melhor jogador do mundo, fato inédito, e com muito mérito, o argentino de 24 anos ontem mais uma vez decidiu a partida, jogando bem, fazendo dois gols e participando da jogada de outro gol. Em relação às outras peças do Barça só o que dá pra fazer é elogiar, de Valdés à Thiago Alcântara (Guardiola optou por entrar sem nenhum atacante de ofício, depois da lesão de Villa nas semi-finais, e o time parece não ter sentido isso nem um pouco, tamanho o entrosamento e qualidade dos jogadores), todos fizeram o que vêm fazendo já há algum tempo e garantiram mais um título mundial para o Barça.

Já em relação ao Santos de Neymar, coisas precisam ser pensadas, mas acredito que nem tudo tá tão errado assim. Como já frisei neste post não foi só no jogo contra o Barça que a equipe santista não conseguiu jogar bem, na semi-final já havia sofrido pra vencer o Kashiwa e na final o que aconteceu foi um enorme baque. Qualquer time que entrasse pra jogar contra o Barça, no momento que vive hoje, naturalmente iria sentir um baque inicial, mas o Santos deixou isso continuar e em momento algum conseguiu igualar (nem que seja somente na raça) com o Barcelona. Falando assim até parece que seria uma tarefa fácil, pelo contrário, todos sabem que não seria, mas o fato é que o Santos não conseguiu de maneira alguma ser um verdadeiro adversário para o Barça, realmente não tem muito o que falar depois de uma derrota dessas.

Por isso considero as declarações dos santistas até interessantes, ao afirmar que ontem o Santos teve uma aula de futebol Neymar está sendo bem sincero e admitindo que pelo menos por enquanto nem o Santos está a altura do Barcelona e nem ele está a altura de Messi. Mas ainda assim Neymar e o Santos estão na linha de frente do futebol brasileiro, não foi uma derrota que merece críticas, talvez tenha sido uma derrota que mereça apenas o reconhecimento da incapacidade, da insuficiência santista frente ao inatingível Barcelona.

Chega ao fim mais uma temporada e mais uma vez o Barcelona de Guardiola é o supremo campeão de tudo. O acontecimento que já vai virando rotina no mundo do futebol leva todos, cada vez mais, a colocarem esse time do Barça na galeria dos maiores times da história. O mais interessante é perceber que esse time parece estar num auge que não acaba, pelo contrário, vai só aumentando e virando cada vez mais auge. A valorização das categorias de base, da posse e do bom toque de bola, formam o pilar dessa fórmula que vai dando muito certo. Poder estar presenciando isso é bem interessante, pensar que daqui muitos e muitos anos estarão falando daquele  incrível Barcelona dos anos 10…

Resta ao Santos e a todos os outros adversários tentarem encontrar maneiras de destronar esse Barcelona, enquanto isso Messi e cia. vão levantando taças e mais taças.

Cinco vezes Timão

Já é uma das marcas registradas do Un Quimera dar aquele balanço geral no fim das grandes competições de futebol. Mais uma vez aqui estou, dessa vez pra falar desse Campeonato Brasileiro de 2011. Vale lembrar que esse ano, além desse post de hoje também teremos até o fim do ano um QuimeraCast dedicado exclusivamente pra esse Campeonato Brasileiro 2011.

A exemplo das últimas duas edições, o campeonato desse ano ficou caracterizado principalmente pelo equilíbrio das equipes, a luta pelo título e por vagas na Libertadores e também pra escapar do rebaixamento foi até a última rodada.

Aproveito e começo falando sobre a parte de baixo da tabela. Dos times que subiram pra primeira divisão no ano passado apenas o América-MG voltou pra segunda divisão, junto com ele foram o lanterna Avaí, Ceará e Atlético-PR. O Avaí venceu adversários aparentemente difíceis como Corinthians, Flamengo e Botafogo, mas teve inúmeros tropeços e terminou a competição com míseros 31 pontos. O América-MG é outro caso curioso, também venceu Corinthians, Vasco, Fluminense e Botafogo, inclusive teve uma sequência de três vitórias na reta final que por pouco não o livrou do rebaixamento, mas não teve jeito, o Coelho voltou mesmo para a segunda divisão. Os outros dois rebaixados (Ceará e Atlético-PR) foram até a última rodada com chances de escapar e é aí que entra talvez o mais curioso de todos os casos dessa edição do Brasileirão, esse caso chama-se Cruzeiro.

A equipe mineira, caracterizada por sempre fazer boas campanhas após a instituição do método de pontos corridos no Campeonato Brasileiro (inclusive vencendo a primeira edição dos pontos corridos de maneira espetacular), simplesmente caiu num inferno astral e com um time muito semelhante ao da edição passada, na qual foi vice-campeão, fez uma campanha horrível, em especial no segundo turno e por muito pouco não conheceu o primeiro rebaixamento da sua história. A salvação veio na rodada final contra se rival Atlético-MG, uma sonora goleada de 6 x 1 foi suficiente pra tirar a Raposa da Série B, no entanto, olhando assim essa história parece muito mal contada, de cara tentei imaginar, por exemplo, Grêmio e Internacional em situação semelhante, o que será que aconteceria se um dos dois, tendo a chance de rebaixar o outro, perdesse de 6 x 1? É melhor nem pensar… Enfim, por mais cômico que isso possa ser, acho realmente muito estranho essa goleada, tema que com certeza falaremos mais no próximo QuimeraCast.

Saindo da parte de baixo da tabela e subindo aos poucos, encontramos de cara, novamente o Atlético-MG, que com essa derrota por 6 x 1 para o Cruzeiro deixou escapar a vaga na Sul-Americana. Colocando um parênteses nessa última rodada e pensando no resto do campeonato do Galo, a equipe comandada por Cuca teve maus momentos e correu sérios riscos de rebaixamento, no entanto, na reta final teve boas sequências (a goleada de 4 x 0 em cima do Botafogo foi um dos pontos altos) e conseguiu escapar do rebaixamento com certa facilidade. Logo acima temos Bahia, Atlético-GO e Grêmio, todos eles garantiram vaga na Sul-Americana e tiveram alguns bons momentos na competição, mas definitivamente não embalaram e não empolgaram de fato. Curiosamente, pra minha tristeza, os grandes momentos desses três times tiveram íntima relação com o Flamengo: o Atlético-GO venceu o Flamengo por 4 x 1 no Engenhão, tirando a invencibilidade do Flamengo na ocasião, o Bahia venceu o Flamengo também dentro do Engenhão, no pior momento do Flamengo na competição e o Grêmio, em um jogo que considero emblemático, por ter marcado o retorno de R10 ao Olímpico e de certa forma o fim do sonho do hepta, venceu o Flamengo de virada por 4 x 2.

Logo acima do Grêmio encontramos a dupla paulista Palmeiras e Santos. A equipe comandada por Muricy Ramalho, principalmente por ter vencido a Copa Libertadores pouco se importou com o Brasileirão, as atenções estavam voltadas para o Mundial (que começa em breve aliás, também falarei sobre ele aqui no Un Quimera), mesmo assim o Santos ainda conseguiu ter o artilheiro do campeonato, Borges, com 23 gols e deu trabalho a alguns times. Isso pode ser confirmado ou não no Mundial, mas penso que o time do Santos, com todas as suas forças, ainda é o melhor time do Brasil na atualidade.

Já o Palmeiras, durante praticamente todo o primeiro turno fez uma campanha não mais que mediana, sempre beirando a zona de classificação para a Libertadores, no segundo turno contudo, essa aparente boa campanha caiu por terra e uma sequência de maus resultados pairou no Palestra Itália, um real risco de rebaixamento chegou até a surgir, porém a gordura acumulada no primeiro turno fez com que o time de Felipão não se preocupasse tanto com o rebaixamento.

Subindo mais um pouco temos o Botafogo. Pra mim, com certeza, a maior decepção desse campeonato. O time, comandado até as últimas rodadas por Caio Júnior, foi sensação da competição em boa parte dela, esteve próximo do título em vários momentos e a vaga na Libertadores era dada como certa em General Severiano. No entanto, um verdadeiro black-out tomou conta do time, que teve uma queda vertiginosa nas últimas rodadas e amargou uma desinteressante nona posição, ficando fora mais uma vez da Libertadores.

Coritiba, Figueirense e São Paulo foram as equipes que ficaram no quase em relação à vaga na Copa Libertadores. O alviverde paranaense duplamente, pois já havia perdido a Copa do Brasil para o Vasco no meio do ano, perdendo assim uma chance de ir à Libertadores, no Brasileirão novamente isso aconteceu, o detalhe é que o Coxa chegou à última rodada dentro da zona de classificação para a Libertadores, dependia só dele mesmo pra conseguir a vaga, no entanto não resistiu ao rival Atlético-PR e acabou fora da competição continental. O Figueirense foi a grande surpresa do campeonato. Comandada por Jorginho, a equipe catarinense também teve reais chances de ir à Libertadores e complicou a vida de muita gente, no entanto, derrotas para Fluminense e Corinthians na reta final tiraram o Figueira da Liberta.

O São Paulo mais uma vez (pelo segundo ano seguido) fica fora da Libertadores. Coisa muito incomum no Morumbi. O Brasileirão marcou a volta de Luís Fabiano à equipe, mas marcou também uma nova demissão de treinador (dessa vez Adilson Batista) e o retorno de Emerson Leão. O fato é que o São Paulo, mesmo com um bom elenco, não se encontrou na competição e após perder jogos importantes na reta final acabou fora da Libertadores.

Chegamos então ao grupo dos cinco melhores times do campeonato, aqueles que garantiram vaga para a principal competição de clubes da América. O Internacional assegurou a vaga vencendo o rival Grêmio na rodada final. A equipe comandada por Dorival Júnior oscilou bons e maus momentos, chegou até a cogitar uma possibilidade de título, mas principalmente por conta da lesão de seu principal jogador Leandro Damião não teve pique pra brigar pelo título até o fim.

Na quarta posição temos o meu Flamengo. Os posts da série Le Rouge et Le Noir falaram muito do rubro-negro durante o ano e como já disse nesse mesmo post mais acima, considero a derrota para o Grêmio sintomática em relação à briga pelo título, mas não foi só ela: a horrível sequência de dez jogos sem vitória foi uma mancha  na campanha rubro-negra que até então vinha sem mácula, o primeiro turno foi quase perfeito. Mas vários tropeços no segundo turno acabaram tirando do Flamengo o sonho do hepta. Apesar disso com certeza guardarei na memória dois jogos desse Brasileirão: o 5 x 4 em cima do Santos no primeiro turno, com show de R10 e o 3 x 2 em cima do Fluminense no segundo turno, com show de Bottinelli. Foram os dois pontos altos do Flamengo na competição.

Na terceira posição ficou o Fluminense. O Tricolor das Laranjeiras fez uma bela campanha e mereceu a vaga na Libertadores, teve Fred com 22 gols como um quase artilheiro e também teve um jogo histórico: 5 x 4 pra cima do Grêmio, com quatro gols do camisa 9. Ao lado dos dois jogos do Flamengo que eu citei acima, penso que esse jogo também foi um dos melhores dessa edição do Brasileirão. Outros dois pontos em relação ao Flu que eu acho que valem a pena serem citados são: as derrotas para América-MG e Atlético-MG, ambas dentro do Engenhão, na reta final da competição, tiraram de vez o Flu da briga pelo título, dois jogos teoricamente fáceis, que o campeão Flu de 2010 não perderia. O outro ponto é a incrível e por vezes despercebida marca de apenas 3 empates durante toda a competição. Em uma competição de pontos corridos isso é muito difícil de conquistar e quando se tem um bom time como o do Fluminense pode fazer a diferença.

Chegamos enfim à dupla que brigou pelo título até o fim. Vasco e Corinthians protagonizaram uma bela briga pelo título e chegaram até ali de maneiras bem distintas. O Vasco, até por ter conquistado a Copa do Brasil, parecia que não iria dar tanta atenção ao Brasileirão e no começo da competição não era tratado como um concorrente direto ao título, no entanto, durante a competição foi crescendo e inclusive a liderou por algumas rodadas. A entrada do inteligente, experiente e vascaíno Juninho no meio campo da equipe deram uma alma ao time do Vasco, que tinha também em Fernando Prass, Fagner, Dedé, Felipe e Diego Souza peças importantíssimas que fizeram a diferença em vários jogos. O Trem Bala da Colina no entanto pagou por pequenos tropeços (o empate por 1 x 1 contra o Palmeiras no segundo turno talvez tenha sido o mais sintomático deles) e chegou à última rodada precisando de uma vitória do Palmeiras pra cima do Corinthians e precisando também vencer o Flamengo. Nem uma coisa nem outra aconteceram, dois empates (por 0 x 0 e 1 x 1, respectivamente) foi o que aconteceu e agora, querendo ou não, os vascaínos têm que escutar os cânticos de vice de novo. Zoações à parte, o Vasco termina o ano com um saldo muito positivo, há muito tempo que a equipe vascaína não disputava de maneira tão direta um título de Campeonato Brasileiro da Série A, essa reconstrução do Vasco, promovida em especial por Roberto Dinamite, desde 2009, vem dando frutos e recoloca o Vasco no grupo de melhores times do país.

Já o penta campeão Corinthians, por outro lado, depois da amarga eliminação na Pré-Libertadores pelo Tolima e da derrota na final do Campeonato Paulista para o Santos, botou todas as suas fichas de 2011 no Campeonato Brasileiro, portanto, diferentemente do Vasco, desde o início já era um dos favoritos ao título, desde o início priorizou a mais importante competição nacional e desde o início fez uma ótima campanha. Nas primeiras dez rodadas tinha 9 vitórias e 1 empate, uma aproveitamento assombroso para qualquer time em qualquer campeonato, ainda mais em se tratando de Campeonato Brasileiro. No entanto, como era de se esperar, inevitavelmente, esse rendimento caiu um pouco e o Corinthians perdeu a liderança durante a competição, no entanto, a exemplo do que já havia feito em 2010, em momento algum o Timão saiu das primeiras colocações, esse ano porém, a equipe comandada por Tite não fraquejou na reta final e principalmente nas vitórias sobre Ceará fora de casa e Atlético-MG dentro de casa (jogo que marcou o único gol do Imperador na competição, mas que teve uma importância enorme), mostrou que esse ano era o ano de mais uma decepção na Libertadores, mas também o ano do penta no Brasileirão. O Corinthians foi campeão por merecimento, a equipe já vinha montada desde a temporada passada, passou por mudanças durante a competição, mas conseguiu se ajustar muito bem a elas, o que mostra a força do elenco, jogadores como Júlio César, Ralf, Paulinho, Alex, Willian e, principalmente, Emerson e Liedson foram fundamentais para o título, o Imperador Adriano mesmo tendo tido uma participação apenas discreta, como disse acima fez um dos gols mais importantes da competição e pode ser muito útil na próxima temporada.

Não poderia deixar de falar também dessa mudança na tabela, ocorrida nessa edição, que colocou os principais clássicos regionais todos para serem disputados na última rodada. Achei uma ótima opção, deu mais emoção ainda para a competição e na minha opinião deveria ser mantida.

No mais é isso, falaremos ainda mais sobre o Campeonato Brasileiro 2011 no próximo QuimeraCast. Agora é época de férias para os boleiros e especulações e mais especulações de transferências, parte um tanto chata, mas que vende muito jornal, fazer o quê? Espero que a temporada de 2012 seja ainda melhor do que essa em relação ao equilíbrio e ao nível técnico do futebol brasileiro, que vem numa crescente. Espero, em especial, um ano melhor para o Flamengo, que mais um vez tem a oportunidade de conquistar o tão sonhado bi na Libertadores e o hepta no Brasileirão.

Le Rouge et Le Noir #11

Hoje é dia de mais um post da série Le Rouge et Le Noir.

Esse fim de ano do Flamengo com contornos melancólicos e decepcionantes, ganhou cores mais vivas na vitória de ontem sobre o Internacional. Os três pontos conquistados ontem colocaram o Flamengo na quarta colocação a um ponto da vaga para a Libertadores 2012.

No domingo que vem teremos a última rodada do Brasileirão 2011 e o jogo de despedida do Flamengo é contra o rival Vasco, à espera de um jogaço (com a vontade de poder gritar vice de novo) e pensando um pouco no jogo de ontem e ano de 2011 como um todo escrevi hoje no Confio no Mengão, aí vai:

A um ponto da liberdade!

Depois de dois entediantes e preocupantes empates por 0 x 0 contra Figueirense e Atlético-GO, o Flamengo enfim voltou a vencer. A vitória como normalmente acontece traz muita coisa boa, mas dessa vez foi até demais: primeiro por ter sido com gol de Ronaldinho Gaúcho, o camisa 10 vinha sendo muito criticado por todos e o gol de ontem pode trazer de volta a confiança pra ele, e segundo porque coloca o Flamengo na quarta posição, a um ponto da vaga para a Libertadores 2012.

Querendo ou não a vaga na Libertadores acabou virando o principal objetivo do Flamengo no Brasileirão. E o jogo de ontem era essencial para a conquista dessa vaga, afinal, era contra um adversário direto, o Inter. O jogo foi disputado em Macaé e o Flamengo numa formação inédita na temporada, com Fierro e Rodrigo Alvim de titulares não jogou lá o melhor futebol do mundo, mas também não mostrou desinteresse, jogou com raça o tempo todo e num lance de sorte, o oportunismo de Ronaldinho Gaúcho falou mais alto e selou a vitória por 1 x 0. Não tem como não destacar também a ótima atuação do goleiro Felipe, que foi fundamental pra essa vitória.

Agora resta um jogo e um ponto. Em circunstâncias normais, isso seria bem tranquilo, mas o problema (ou a solução) é que este jogo que resta vai valer muita coisa e independente do resultado possivelmente entrará para a história do chamado “Clássico dos Milhões”.

O lance é que nessa última rodada de clássicos (por mim a tabela do Brasileirão poderia ser assim todo ano, com clássicos na rodada final, dando aquele clima de final mesmo), o adversário do Flamengo é o Vasco, e a equipe cruzmaltina está na briga pelo título, dois pontos atrás do atual líder Corinthians.

Quer dizer, não bastasse a rivalidade entre Flamengo x Vasco, ambos precisam e muito do resultado positivo no clássico para concretizar suas ambições. Só o que dá pra esperar é um jogo repleto de emoções e muitos comentários posteriores.

Saindo desse aspecto mais geral e entrando propriamente no aspecto futebolístico, o fato é que o time do Flamengo, principalmente depois da derrota para o Grêmio no Olímpico (aquele jogo, na minha opinião, foi paradigmático) meio que se perdeu, mesmo a sonora goleada de 5 x 1 para o Cruzeiro não teve lá muito efeito e inúmeros problemas foram surgindo e se multiplicando, hoje não dá pra dizer que o Flamengo tem um time pronto no papel, mesmo a base do time titular não é muito bem conhecida, isso nos leva a duas conclusões: a primeira é que o projeto 2011 definitivamente falhou, ainda que consigamos a vaga na Libertadores, esse fim de ano não é nem de longe o fim de ano que a maioria dos rubro-negros esperavam, a segunda conclusão é que estando nessa indefinição, é necessário mudar, reestruturar esse time para 2012 e isso começa desde já, as entradas de Thomás e Muralha no time foram muito positivas na minha opinião e a utilização dos juniores pode ser uma boa pedida para 2012, além disso, contratar, tentar controlar, na medida do possível, os problemas extra-campo e etc…

Entretanto, no momento o mais importante é mesmo o clássico de domingo contra o Vasco. Não preciso nem dizer que agora, mais do que nunca, é hora da torcida ir junto com o time, conseguir a importante vaga na Libertadores do ano que vem e, com todo respeito, poder dizer: vice de novo!

SRN

Le Rouge et Le Noir #10

Fecho o mês com mais um post da série Le Rouge et Le Noir. E, confesso, é com certa decepção que faço isso. Ontem, no Olímpico, o Flamengo teve a chance de vencer um jogo histórico (marcou a volta de R10 ao Olímpico) e de encostar de vez nos líderes, ficando mais perto do hepta. Mas isso não aconteceu, pelo contrário, após abrir 2 x 0, permitiu a virada gremista pra 4 x 2.

Falo um pouco sobre esse jogo e as perspectivas para essa reta final de Brasileirão 2011 (post original no Confio no Mengão):

O reencontro de R10 com o Olímpico

Falo hoje sobre o jogo de ontem, que adquiriu contornos históricos, por marcar a volta de R10 ao Olímpico e também contornos dramáticos, por marcar uma virada do Grêmio e dificultar ainda mais as pretensões rubro-negras pelo hepta.

O jogo começou de uma maneira muito interessante para o Flamengo. Todas as atenções estavam voltadas para R10 e logo no primeiro lance de maior perigo ele carimbou o travessão gremista após bela cobrança de falta. Esse primeiro lance dava indícios de uma Flamengo jogando pra frente, com o menino Thomás como titular na vaga de Willians.

E foi isso mesmo o que aconteceu durante quase todo o primeiro tempo. Um Flamengo pra frente, buscando o gol. Que veio aos 24 minutos com Deivid, após bom passe de Thiago Neves e falha de Rafael Marques, o camisa 9 rubro-negro chegou ao seu décimo terceiro gol no Brasileirão, igualando Ronaldinho no quadro de artilheiros rubro-negros.

Aos 35 foi a vez do Flamengo contar com a sorte. Após receber passe de Léo Moura, Thiago Neves arriscou com a direita, que não é a boa, e a bola desviou em Fernando, matando totalmente o goleiro Victor. 2 x 0 Flamengo e a sensação de que mais três pontos voltariam na bagagem e Ronaldinho sairia por cima ao fim do jogo.

Mas no futebol e principalmente quando se trata de Flamengo quando tudo vai muito bem, parece que tem alguma coisa errada e se aparece o comodismo, aí é que essa coisa errada cresce e tudo parece ficar muito mal.

No finzinho do primeiro tempo, num momento em que o Flamengo era extremamente superior, tanto no placar quanto na bola, o Grêmio achou um gol, com o seu artilheiro André Lima.

Esse gol de certa forma mudou completamente o jogo. O Grêmio voltou para o segundo tempo mais confiante e logo no início com outro gol de André Lima, em boa jogada individual empatou a partida.

O Flamengo parece que esqueceu aquele ímpeto ofensivo e raçudo do primeiro tempo e passou a assistir o Grêmio jogar. Era questão de tempo a virada tricolor. Que veio aos 34 minutos, com o camisa 10 Douglas. O gol de virada desestabilizou ainda mais o Flamengo e logo depois acabou saindo o quarto gol gremista, com Miralles.

Fim de jogo, virada gremista, sentimento de vingança consumada da torcida gremista em relação a Ronaldinho Gaúcho, Corinthians, Botafogo e Fluminense vencendo, se distanciando e deixando o Flamengo na quinta colocação.

Quer dizer, é um dos piores cenários que o Flamengo poderia encontrar ao fim dessa 32ª rodada. Mas o Campeonato Brasileiro parece querer mostrar mais e mais, a cada ano que passa, que essas adversidades e esses “cenários ruins” são normais, corriqueiros e não se assustar com eles é que faz toda a diferença. A distância para o atual líder Corinthians é de 6 pontos, restam 6 rodadas. Apesar de todas as dificuldades é ainda perfeitamente possível um hepta. No entanto tem um único probleminha: pra conseguir esse hepta acredito que o Flamengo, de agora em diante, tem que voltar a pôr prática algo que vinha colocando alguns meses atrás: a invencibilidade. Quatro empates e duas vitórias não adiantariam muito, mas a hora de perder precisa ter chegado ao fim também.

E independente de quem está jogando bem ou não, independente se Luxemburgo está escalando e substituindo bem ou não, agora é reta final. O jeito é ir junto com esse time, com suas limitações e erros todos. A meta, creio eu, ainda é e sempre foi o título, mas o “plano de segurança” TEM que ser a vaga na Libertadores. Um ano de 2012 com Copa do Brasil e Sul-Americana seria extremamente chato, desinteressante e decepcionante.

SRN  #RumoAoHepta

Le Rouge et Le Noir #09

Reproduzo aqui o meu post de hoje no Confio no Mengão. Nos últimos dois meses o Flamengo teve uma queda brusca e saiu da briga direta pelo título do Brasileirão para a sexta posição. Mas a vitória do último sábado diante do América-MG reacende as esperanças e pode marcar o início de uma arrancada rubro-negra.

Fique com o texto na íntegra:

Depois de longos 45 dias e 10 jogos sem vencer o Flamengo enfim conseguiu conquistar uma vitória, no último sábado, no Engenhão, ao bater o lanterna América-MG de virada, por 2 x 1.

Vamos ser sinceros, mesmo vencendo o time ainda não é nem de perto aquela equipe sólida e bom futebol de meados do primeiro turno, muita coisa ainda precisa ser melhorada se quisermos pensar em título, mas a situação era tão feia, mas tão, que isso pouco importa no momento, creio que o importante foi mesmo voltar vencer, de virada, com gol chorado no fim.

Sei que falando agora pode até parecer utopia ou coisa parecida, mas esse jogo contra o América, devido a situação do jogo (a virada, o gol mais que chorado do Thiago Neves) e a situação extra-campo em que o Flamengo se encontrava também (em caso de derrota para o lanterna do campeonato dentro do Engenhão não sei como ficariam as coisas na Gávea) pode marcar o início de uma arrancada, como aquelas que aconteceram em 2007 e 2009. Fico nessa expectativa, já esperando o jogão contra o São Paulo no próximo domingo, jogo que aliás, dentre outras coisas, pode marcar a reestreia de Luis Fabiano no clube tricolor.

Agora o Flamengo soma 41 pontos e ocupa a sexta colocação, ainda fora da zona de classificação para a Libertadores 2012. E dois confrontos diretos surgem no calendário. Primeiro o São Paulo, no próximo domingo, no Morumbi. Depois uma pausa no Brasileirão e confronto em casa contra a Universidad do Chile pela Copa Sul-Americana e aí então outro confronto direto pelo título e por vaga na Libertadores 2012, o Fluminense.

Se o Flamengo não tivesse desperdiçado tantas oportunidades nesses últimos dez jogos, os dois clássicos contra São Paulo e Fluminense poderiam até ser tratados como aqueles jogos complicados onde um empate já pode ser considerado um bom resultado. Mas não! Esses dez jogos sem vencer foram uma mancha muito grande na campanha do Flamengo e para voltar a pensar em título e até mesmo em vaga na Libertadores é necessário vencer.

Vencer, vencer, vencer! Inevitável não lembrar o nosso hino e inevitável também não pensar em Libertadores ou título, volto a bater na mesma tecla, o Flamengo tem sim time e elenco pra ir pelo menos um pouco além de uma desinteressante vaga na Sul-Americana. Mas além de pensar assim também penso que essa triste sequência de dez jogos sem vitória por mais que já tenha passado deixou problemas que ainda não passaram: além da visível queda de rendimento do time que parece que aos poucos vai sendo recuperada, Vasco, Corinthians, Botafogo, São Paulo e Fluminense passaram a frente, ainda temos confronto direto com três dos cinco, é aí que está a chave do problema.

Na espera de um outubro que lembre o primeiro semestre (e não os desastrosos agosto e setembro) vou ficando por aqui.

QuimeraCast #05 – A perplexidade, a América e o Brasil

Caros leitores e ouvintes, o QuimeraCast está de volta!

Depois de três meses sem dar as caras por aqui, o podcast do Un Quimera enfim voltou. Como já disse desde o início a ideia do podcast sempre foi muito desejada por mim, mas por todo amadorismo e falta de condições mesmo, a ideia de soltar um por mês acabou ficando pra trás.

Com a periodicidade estourada, pelo menos por enquanto, vou ir lançando assim que der, espero poder voltar a ter uma periodicidade mais “garantida” em pouco tempo.

E hoje, o quinto QuimeraCast, a exemplo do primeiro, vai falar sobre futebol. Durante todo esse mês de julho e também agora na primeira semana de agosto, estou passando férias aqui em São Gonçalo do Sapucaí. Paralelamente a isso, também rolou a Copa América, aí conversando com o pessoal daqui resolvemos fazer um podcast falando essa Copa América e o papo acabou seguindo um pouco pros lados do Campeonato Brasileiro 2011.

Pra fechar de vez o assunto Copa América e já dar a deixa para um podcast de fim ano que falará mais especificamente sobre o Campeonato Brasileiro 2011, eu, Rogério Xablau, Mauro Boizão, Marcelo Cabeça, Guilherme Picolé, Lucas Moreno e João Otávio, Bota Fogo, falamos sobre um campeonato que colecionou zebras, frangos, pênaltis perdidos, perplexidade e cavadinhas além de pitacos sobre o início de outro campeonato com ótimas campanhas, algumas decepções, muitos gols e ainda um único invicto.

Duração: 59 min.

É só baixar e ouvir:

QuimeraCast #05 – A perplexidade, a América e o Brasil

Le Rouge et Le Noir #08

Começo o mês de agosto (mês esse que promete muitos posts no Un Quimera) falando do Flamengo. Com mais um post da série Le Rouge et Le Noir.

Escrever sobre o Flamengo as vezes é sinônimo de cobrança, de tentar ver o que está errado e quem sabe ajudar. Isso é muito interessante. Mas escrever quando está tudo “numa relax, numa tranquila, numa boa” também é muito bom. Esse grande momento que vive o Flamengo, alavancado principalmente pelo duelo contra o Santos na última quarta-feira, foi o assunto que tratei no meu post lá no Confio no Mengão. Reproduzo aqui o texto “Construindo a História”:

Construindo a História

O futebol é algo que se encerra no terreno da temporalidade.

Na semana passada escrevi aqui o post que falava da questão do Flamengo ser o último invicto do Brasileirão, mas que ao mesmo tempo vacilava dentro de casa em jogos teoricamente mais fáceis, como no duelo contra o Ceará.

Hoje, uma semana depois, a história é outra. A confiança depositada no time, mesmo depois do empate contra o Ceará dentro de casa, foi válida, em dois jogos depois disso (Santos e Grêmio), duas belas vitórias, históricas.

Muito se falou nesse ponto também. Adjetivando essas duas vitórias como históricas, pelo fato do grande número de gols e do belo futebol apresentado nos dois lados, no duelo da Vila Belmiro, e pelo reencontro de R10 com seu primeiro time, no duelo do Engenhão, têm-se a sensação de algo grandioso dentro da história do futebol e do Flamengo, e realmente é essa a ideia.

Foi pensando nesse aspecto histórico que tive a ideia do que escrever no post de hoje. Como o Diogo bem falou, há muito tempo não se via um Flamengo tão inspirado, tão determinado e com uma sequência tão boa. Começamos hoje o mês de agosto e do início do ano até hoje o Flamengo só perdeu uma partida.

As expectativas criadas em cima desse time não foram pequenas, as vindas de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves animaram muito a torcida e desde o começo, como é de praxe quando de trata do clube com a maior torcida do mundo, a cobrança foi enorme.

E a equipe foi sendo montada aos poucos, evoluindo, e já tem uma autonomia, já é com certeza uma das melhores equipes do Brasil. O duelo contra o Santos foi crucial pra poder afirmar isso sem medo. Aquele jogo não será esquecido tão cedo e é uma mostra de que o Flamengo tem padrão de jogo, tem elenco, tem raça e respeita os adversários, entrar de salto alto é coisa do passado.

E a cada vitória e cada empate, e até mesmo na única derrota do ano, os pequenos erros e acertos foram sendo avaliados e aos poucos a equipe foi crescendo cada vez mais, até chegar no que parece ser o auge desse time.

Mas é aí que mais uma vez foco no aspecto histórico. Todo esse bom momento pode passar batido caso a equipe faça com que esse bom momento se torne o seu melhor momento. Ainda há muito a evoluir, sem falsa modéstia, todos sabem que o que se quer é a conquista do hepta nesse ano e muito mais nos anos seguintes.

E para conseguir tudo isso o time precisa continuar focado, mostrando esse bom futebol, agressivo, ofensivo e competitivo e com a tranquilidade de saber que no caminho para os títulos derrotas fatalmente virão, mas terão que ser contornadas por mais e mais vitórias.

Encerro o post com a alegria de ver o Flamengo jogando um bom futebol, vencendo e convencendo, e com a calma e a sensatez de saber que ainda tem muita bola pra ser jogada.

#ConfionoMengãoINVICTO , #RumoaoHepta

SRN

América Celestial

“Em que o futebol se parece com Deus? Na devoção que desperta em muitos crentes e na desconfiança que desperta em muitos intelectuais” 

O post de hoje é uma dupla homenagem. Uma dupla comemoração. À Eduardo Galeano pelo dia do escritor e à Seleção Uruguaia de futebol pela conquista da 15ª Copa América de sua história. A edição de 2011 da maior competição de seleções da América Latina foi disputada em solo argentino e terminou ontem.

A citação que abre o post é do escritor e uruguaio Eduardo Galeano, um cara que possui 40 obras publicadas e mesmo sem conhecer boa parte delas, dá pra sentir que todas possuem uma forte contestação, uma visão diferenciada, crítica e sagaz. E tudo isso vem sempre salpicado de um temperinho futebolístico. Sim, Eduardo Galeano é um apaixonado por futebol e isso não faz de sua obra algo menos inteligente (eu, na verdade, penso o contrário) acho que Galeano é uma das provas, talvez a maior delas, de que o futebol pode sim ser visto de diversas maneiras, não só naquele lugar-comum de caras correndo atrás de uma bola, de circo pro povo, de retrocesso intelectual. É muito mais do que isso! E essa veia literária do futebol é uma das minhas “lutas” vamos dizer assim. Mas isso também é outra história, deixa pra depois.

Hoje o assunto principal é a Copa América. A ideia inicial desse post era falar da competição como um todo, mas para não me alongar muito vou falar mais mesmo da participação da Seleção Brasileira e do campeão Uruguai.

A Copa América começou no dia 1º de julho, no duelo entre a anfitriã Argentina e a fraca Bolívia. Todos, inclusive eu, esperavam talvez uma sonora goleada dos donos da casa, mas não foi bem isso o que aconteceu. Em um jogo bem fraco tecnicamente, a Bolívia surpreendeu e saiu na frente, com gol do brasileiro naturalizado boliviano Edivaldo. A Argentina buscou o empate com Agüero que saiu do banco para marcar, mas ficou nisso: 1 x 1. No dia parecia ser uma grande surpresa, mas na verdade o que todo mundo ia constatar depois e que isso acabou sendo uma tônica da competição. Jogos mais pegados do que jogados, muitos empates e muitas zebras! A Argentina continuou sofrendo, após novo empate contra a Colômbia, dessa vez por 0 x 0, só na última rodada da primeira fase, contra a equipe sub-23 de Costa Rica, que os hermanos conseguiram vencer: 3 x 0.

Os outros dois principais favoritos, assim como a Argentina, não empolgaram muito na primeira fase. O Brasil empatou com a Venezuela e o Paraguai e só no último jogo da primeira fase conseguiu vencer, 4 x 2 pra cima do Equador, com duas falhas de Júlio César nos gols equatorianos. O time de Mano Menezes que era muito badalado antes da competição, devido ao despojado esquema tático com Ganso, Neymar, Robinho e Pato no time titular acabou não correspondendo e só mesmo no jogo contra o Equador jogou um pouco melhor, nada de extraordinário contudo.

O Uruguai também não jogou aquilo tudo que se esperava na primeira fase. O bom atacante Cavani acabou lesionado e as principais esperanças celestes ficaram em Suárez e Forlán, o melhor jogador da última Copa do Mundo. Com duas vitórias e um empate a classificação veio sem maiores sustos, mas também sem maiores brilhos. Assim como Brasil e Argentina, dois empates (contra Peru e Chile) e uma vitória, sobre o sub-23 do México.

Essas inesperadas campanhas dos favoritos na primeira fase acabaram fazendo com que logo nas Quartas de Final acontecesse o confronto entre Argentina x Uruguai, o Brasil por sua vez também não pegou nenhum adversário mais fraco, novo encontro contra o Paraguai.

O jogo entre Argentina x Uruguai foi o melhor dessa edição da Copa América, As apagadas campanhas da primeira fase foram esquecidas, e ambas as equipes entraram com muita raça e motivação, bem ao estilo do clássico platino mesmo, o resultado foi um jogo intenso, com muita emoção e que acabou sendo decidido nos pênaltis.

No tempo normal Diego Pérez abriu o placar pros uruguaios e pouco depois Gonzalo Higuaín, após cruzamento de Messi (sim, o melhor jogador do mundo jogou nessa Copa América) empatou a partida. Com uma expulsão para cada lado (Pérez e Mascherano) o jogo foi até a prorrogação e o empate foi mantido. É bom que se diga, sem a participação do goleiro uruguaio Muslera o empate talvez não fosse mantido, o arqueiro uruguaio fez talvez a melhor partida de sua carreira, literalmente fechando o gol.

Nos pênaltis, todos os batedores acertaram suas cobranças, com exceção de Tévez que viu sua cobrança parar nas mãos de Muslera. Se em 1950 ocorreu o Maracanazzo, em 2011 foi a vez do Elefantazzo (o jogo foi disputado no estádio Cemitério dos Elefantes), essa partida foi a mostra de que a fraca primeira fase poderia realmente ser esquecida, de que o bom time uruguaio da Copa do Mundo de 2010 ainda estava ali e que a Argentina continua com sérios problemas, muda o técnico, muda o esquema, mas os problemas persistem, Lionel Messi não conseguiu jogar o futebol que deu a ele o título de melhor do mundo e mais uma vez decepcionou os argentinos.

Já no duelo entre Brasil x Paraguai. Novo empate, nova prorrogação e nova disputa por pênaltis. No tempo normal o Brasil se impôs, jogou melhor, mas não conseguiu fazer o gol. O goleiro paraguaio Justo Villar, assim como Muslera no dia anterior, fechou o gol e o 0 x 0 persistiu até as cobranças de pênaltis. O que absolutamente ninguém esperava era que o 0 permanecesse ao fim da disputa de pênaltis também. E foi o que aconteceu com o Brasil. Elano, Thiago Silva, André Santos e Fred desperdiçaram suas cobranças enquanto que o Paraguai de três aproveitou duas e ficou com a vaga nas semi-finais. Não sou grande entendedor da história do futebol, mas pelo menos em competições do porte da Copa América, acredito que nunca antes na história alguma equipe desperdiçou todas as suas cobranças em uma disputa de pênaltis. É algo lamentável, pois como havia dito, a Seleção Brasileira jogou mais durante todo o tempo normal, porém só jogar mais não garante classificação e todos esses erros nos pênaltis não podem ser considerados apenas falta de sorte, faltou muito mais do que isso, a Seleção Brasileira, ainda em formação, precisa melhorar muito se quiser algo mais daqui pra frente.

Nos outros duelos das quartas de final, novas surpresas. A Colômbia de Falcao García, que tinha feito a melhor campanha da primeira fase foi parado pelo Peru. Com direito a pênalti perdido pelo astro do time e tudo mais. Vitória peruana por 2 x 0 na prorrogação. Chile e Venezuela protagonizaram mais uma zebra. Vitória venezuelana por 2 x 1 e o time com a segunda melhor campanha da primeira fase também ficava pelo caminho.

Nas semi-finais o Uruguai se impôs frente o Peru e com dois gols de Luis Suárez venceu por 2 x 0 e garantiu vaga na grande final. Do outro lado Paraguai e Venezuela ficaram no 0 x 0 durante todo tempo normal e prorrogação e mais uma vez na disputa de pênaltis os paraguaios conseguiram a classificação, a equipe de Justo Villar chegou a final da Copa América sem vencer um jogo sequer, foram 5 empates em 5 jogos.

Na disputa pelo terceiro lugar veio a maior goleada da competição. O Peru aplicou 4 x 1 na Venezuela, com 3 gols de Paolo Guerrero, que acabou sendo o artilheiro da competição com 5 gols.

E na final, disputada ontem no Monumental de Nuñez, deu a lógica. O ferrolho defensivo paraguaio dessa vez não conseguiu segurar o potente ataque uruguaio, Suárez abriu o placar no começo do primeiro tempo e depois com dois gols de Diego Forlán, um em cada tempo, o Uruguai confirmou o favoritismo e levou mais uma Copa América. Suárez foi eleito o melhor jogador da competição, merecidíssimo.

Depois de 16 anos, pra alegria de Eduardo Galeano, o Uruguai finalmente volta a conquistar um título. A equipe comandada por Óscar Tabárez já havia feito uma ótima Copa do Mundo no ano passado e agora, com muito merecimento consegue o título da Copa América, além do título, o Uruguai recupera também sua auto estima e sua posição de grande força do futebol latino-americano, há muito esquecida. O interessante é perceber também como as divisões de base uruguaias vêm crescendo no mesmo ritmo da equipe principal. Vice-campeão do Mundo no Mundial Sub-17 e vice campeão Sul-Americano no Sul-Americano Sub-20.

Atando os nós e voltando a falar da citação de Eduardo Galeano, me parece que no país do futebol a devoção dos crentes vai sendo a cada dia que passa enfraquecida, esquecida, não que isso seja algo benéfico, até porque essa devoção pelo futebol em si vai sendo substituída pela devoção aos cortes de cabelo e as chuteiras dos nossos “craques”, enquanto que no Uruguai a devoção volta a crescer fervorosamente, devido a raça e a superação de seus jogadores, que não são considerados craques, mas que jogam um futebol que, se não bonito e técnico, é pelo menos intenso e interessado.

Em tempo: ao que tudo indica no domingo próximo, pra fechar o mês de julho, deve tá no ar um QuimeraCast falando sobre essa Copa América!

Le Rouge et Le Noir #07

Hoje, depois de muito tempo, volto a escrever no blog Confio no Mengão. Pelo nome já deve dar pra sacar que este é blog é produzido por torcedores do Flamengo que gostam de escrever sobre o time. Estou lá desde 2007. A princípio volto a escrever lá todas as segundas-feiras.

Então o esquema vai ser o seguinte: dos 4 posts mensais que eu colocarei lá um será o Le Rouge et Le Noir do mês aqui no Un Quimera. Nesse mês comecei falando sobre as tão faladas contratações, que rondam todos os noticiários esportivos nessa época em que o campeonato ainda não começou de vez, tanto aqui como no Confio no Mengão o texto é o mesmo e aí vai:

Especulações, contratações…

Fala rapaziada do Confio no Mengão.

Depois de um bom tempo volto a postar por aqui. A princípio todas as segundas-feiras.

E hoje venho falar sobre o que mais de fala nesses períodos em que os jogos ainda não estão rolando naquela sequência frenética de domingo-quarta, domingo-quarta. São as contratações.

Acredito que todos pensam que é importante para o Flamengo e para qualquer clube reforçar seu plantel, até porque o Brasileirão é um campeonato longo e difícil e que sem um elenco qualificado é praticamente impossível vencê-lo.

Isso é fato. O que incomoda as vezes é a supervalorização que a imprensa dá pra esse assunto. Pra vender jornal e ganhar ibope surgem os mais variados nomes de potenciais contratações do Flamengo, criam uma expectativa enorme e depois muitas vezes acabam não dando em nada.

A contratação de Ronaldinho Gaúcho é talvez um bom exemplo dessa supervalorização. Enquanto Palmeiras e Grêmio bradavam pra todo mundo que o craque já era deles o Flamengo agia silenciosamente, como tinha que ser feito, e no fim conseguiu acertar com o camisa 10. Se eles está rendendo o que se esperava ou não aí já é outra história que não cabe ser discutida agora.

Mas o que quis dizer com esse exemplo é que apesar de todos ficarmos curiosos e interessados pra saber quem vem pra reforçar o time, é bem melhor não ficar sabendo tanto, somente quando realmente houver o acerto. Nas contratações recentes foi assim, tanto Júnior César quanto Aírton e agora Alex Silva (três ótimas contratações na minha opinião) vieram dessa maneira mais silenciosa, sem muito alarde.

A bola da vez é o atacante e as longas, chatas e arrastadas novelas de Vagner Love, André e Kleber não me parecem coisa que valha a pena ficar acreditando e comentando. Ariel e Amauri são nomes que podem chegar sem tanto oba-oba e funcionar muito bem. O argentino fez boas partidas pelo Coritiba, é jovem e tem muita presença de área. O brasileiro naturalizado italiano foi um dos principais jogadores da Juventus nas últimas temporadas e também sabe fazer gols. Tanto um como outro podem ser boas contratações para o Mengão.

Mas sinceramente, com a vinda de Alex Silva pra fechar ainda mais a zaga, já muito bem protegida pelos cães de guarda Aírton e Willians, acredito que o elenco já é forte o suficiente para a disputa do Brasileirão. A grande maioria da torcida ainda quer mais um nome de peso para o ataque, mas apesar das inúmeras críticas Deivid aos poucos vai voltando a fazer seus gols e jogar bem.

Na quarta-feira temos o duelo contra o Palmeiras pela 10ª rodada do Brasileirão e aí o campeonato vai definitivamente engrenar com uma sequência de jogos contra Ceará, Santos, Grêmio, Cruzeiro e Coritiba, para depois estrear na Copa Sulamericana contra o Atlético-PR.

Hora de confirmar a boa colocação e permanecer de vez na briga pelo hepta!

SRN