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Le Rouge et Le Noir #19

“Há um parentesco óbvio entre o Fluminense e o Flamengo.

E como este se gerou no ressentimento, eu diria que os dois são os irmãos Karamazov do futebol brasileiro”

Nelson Rodrigues 

O post de hoje, mais um da série Le Rouge et Le Noir, não poderia falar de outra coisa senão do centenário daquele que é considerado o clássico mais charmoso do Brasil, o inesgotável Fla x Flu.

Dois dos principais responsáveis para a ascensão do clássico dentro do ideário de qualquer torcedor de futebol, são os irmãos Mario Filho e Nelson Rodrigues. O primeiro, flamenguista tímido, inflamou nas duas torcidas a paixão pelo futebol, e transformou o esporte até então (falamos aqui das décadas de 40, 50 do século passado) elitista em uma verdadeira paixão nacional.

Já o segundo, tricolor apaixonado e dono de uma das escritas mais provocantes de toda literatura brasileira, tinha no futebol um tema central, suas consagradas crônicas esportivas transcendiam a previsível e chata crônica esportiva da época. Dá pra dizer, com tranquilidade, que suas transcendem inclusive as atuais crônicas esportivas.

Mas enfim. Além dessas importantes figuras históricas dentro da história do clássico, o que também fez dele esse clássico tão charmoso e interessante foram os grandes jogadores que passaram por ele. As finais entre as duas equipes e até mesmo jogos sem tanta importância assim, como por exemplo a despedida de Zico, num Fla x Flu, aqui em Juiz de Fora.

De todos os Fla x Flus que eu já assisti aquele que mais me emocionou e aquele que trago as recordações mais vivas foi o 5 x 3 no Campeonato Carioca de 2010. Depois de entrar no segundo tempo perdendo de 3 x 1, o Flamengo, que na época tinha Adriano e Vagner Love comandando o ataque, chegou a uma virada impressionante!

Ontem, no Engenhão, foi disputado o Fla x Flu que homenageava o centenário do clássico. Partida válida pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro de 2012. Digo sinceramente, não só pela derrota rubro-negra, que o clássico de ontem esteve muito aquém do nome, da história e de todo o charme do Fla x Flu. Fred, logo no início do jogo, após cruzamento de Thiago Neves e desatenção da zaga rubro-negra, anotou o único gol do jogo.

Fora isso, foi um jogo feio, sem qualquer charme. Ambas as equipes não conseguiram mostrar um bom futebol. O Fluminense, em alguns contra-ataques, principalmente com lampejos de Wellington Nem, tentava assustar o Flamengo, mas não conseguia. O Flamengo, por sua vez, repleto de volantes, não conseguia criar, praticamente não levou perigo ao gol de Diego Cavalieri e terminou a partida buscando um milagre, com a jovem dupla Adryan e Matheus. Ambos tem tudo pra se firmarem como grandes jogadores do futebol brasileiro no futuro, mas agora, com 17 e 18 anos, não vão salvar um time que vive se defendendo e não consegue se defender direito.

Apesar de toda garra do Flamengo na partida, o fraco futebol que vem sendo apresentado já há um bom tempo foi o que mais sobressaiu aos olhos ontem. Joel Santana permanece no comando técnico, mesmo muito pressionado. Depois dessa derrota, restam ainda trinta rodadas no Brasileirão e muita coisa precisa ser mudada.

Em relação aos “irmãos Karamazov” do futebol brasileiro, como diz Nelson Rodrigues, esperamos melhores Fla x Flus, tão charmosos quanto os de outrora. Não é saudosismo, é vontade de ver bom futebol e nada mais.

Brasil Tricolor

Como de costume, ao fim dos grandes campeonatos de futebol coloco um post aqui falando sobre o campeonato em geral, o campeão, a final ou os jogos decisivos.

No caso do Brasileirão, como no ano passado o Flamengo foi campeão o post foi mais uma comemoração, hoje, sem comemoração nenhuma, devido a péssima 14ª colocação do Flamengo no Brasileirão desse ano, falo sobre o título do Fluminense, para alguns bi e para outros tricampeão brasileiro.

O Campeonato Brasileiro desse ano teve algumas semelhanças com a edição passada.

Muito competitivo, levou a briga pelo título e por uma possível vaga na Libertadores até a última rodada, sem contar é claro a briga contra o rebaixamento, assim como no ano passado.

Dos 4 times que subiram da segunda divisão no ano passado, 3 permaneceram, o único a cair foi o Guarani, que ao lado de Grêmio Prudente, Goiás e Vitória vão disputar a Série B em 2011. O Prudente desde o início foi mesmo o time mais inofensivo da competição, para o Vitória a queda talvez tenha sido uma surpresa muito grande, o rubro-negro baiano havia chegado até a final da Copa do Brasil e feito boas campanhas nos anos anteriores, caiu muito de rendimento no fim do campeonato e sucumbiu, o Goiás oscilou bons e maus momentos, mas os últimos prevaleceram e o time esmeraldino cai para a segunda divisão, podendo realizar algo inédito no ano que vem: disputar, no mesmo ano, a Série B e a Copa Libertadores da América, é isso mesmo, basta confirmar sua vantagem, hoje, as 22h, contra o Independiente pela final da Sul-Americana, o jogo é na Argentina e no Serra Dourada o Goiás venceu por 2 x 0, as chances goianas de título são grandes.

Essa questão da Copa Sul-Americana, a partir desse ano dar ao campeão uma vaga na Libertadores do ano seguinte influiu muito no Brasileirão, caso o Goiás seja mesmo o campeão, apenas os 3 primeiros colocados do Brasileirão (Fluminense, Cruzeiro e Corinthians) irão a Libertadores. Caso o Goiás perca o quarto colocado Grêmio é quem vai.

Grêmio que garantiu essa vaga na última rodada, num confronto direto contra o Botafogo, que também buscava essa vaga, o Grêmio venceu por 3 x 0 e confirmou o ótimo segundo turno, o tricolor gaúcho depois da entrada de Renato Gaúcho no comando técnico subiu muito de produção, fez ótimos jogos e teve o artilheiro da competição, Jonas, com 22 gols.

Além de Grêmio e Botafogo, que depois de muito tempo fez um bom campeonato, mostrando a força do elenco e de Joel Santana, Atlético/PR, São Paulo e Palmeiras também chegaram a disputar verdadeiramente essa vaga, a equipe paranaense teve bons momentos na competição, principalmente quando estava sob o comando de Carpegiani, e até as últimas rodadas ainda tinha chances reais de conquistar a vaga na Libertadores, já a dupla paulista deu adeus a esse sonho um pouco antes, o Palmeiras na verdade depositava suas esperanças na Copa Sul-Americana, mas acabou sendo eliminado nas semi-finais pelo Goiás, o São Paulo, depois de muito tempo, não consegue essa vaga na Libertadores, fez um campeonato apenas comum e vem passando por uma reformulação nas mãos de Carpegiani.

Faltou falar de Santos e Inter, que por terem conquistado Copa do Brasil e Libertadores, respectivamente não se importaram muito com o Brasileirão, mas até que terminaram bem; Vasco, Ceará, Atlético-MG, Atlético-GO e Avaí tiveram participações bem discretas, os três últimos até certo ponto correram sérios riscos de rebaixamento, já Vasco e Ceará em nenhum momento nem correram reais riscos de rebaixamento nem aspiraram por algo maior.

O Flamengo, como já havia dito, terminou em 14º e apesar de ter corrido risco de rebxaimento não esteve dentro da zona de rebaixamento em nenhum momento nesse campeonato, com a entrada de Vanderlei Luxemburgo o time mostrou uma pequena melhora em relação ao time de Silas, mas ainda sim esteve muito mal e uma grande reformulação deve acontecer agora.

Enfim, esse é um panorama rápido do que foi o rebaixamento e a luta pela Libertadores e as posições discretas da tabela, mas o intuito principal do post é mesmo falar do campeão Fluminense.

O tricolor carioca, dois de 26 anos, conseguiu conquistar o maior título nacional. Alguns momentos foram decisivos dentro da competição para esse título e algumas polêmicas envolvendo os três candidatos ao título também apimentaram ainda mais a competição.

Mas antes disso vale dar os créditos ao Fluminense que vinha de um Brasileirão horrível, onde chegou a ter 99% de chances de cair pra segunda divisão, mas onde também se reergueu e com uma arrancada final exepcional  começou a moldar o que seria esse time campeão de 2010.

Com um primeiro semestre fraco no Carioca e na Copa do Brasil, Muricy Ramalho chegou como o nome que resolveria os problemas do Flu.

E ele mal começou a fazer isso veio um convite pra ser técnico da Seleção Brasileira. Não é qualquer um que recusaria isso, mas ele e o Fluminense recusaram, e o treinador então três vezes campeão brasileiro ficou nas Laranjeiras.

Isso acabou interferindo em outro concorrente ao título, o Corinthians. Quem assumiu a Seleção foi Mano Menezes deixando o Corinthians em ótima posição no Brasileirão, com uma campanha quase perfeita, nas mãos de Adilson Batista.

O ex-técnico do Cruzeiro não conseguiu encaixar seu estilo de jogo no Parque São Jorge, o que fez o Corinthians perder jogos importantes e cair um pouco dentro da competição.

Enquanto isso o Fluminense de Muricy ia ganhando pontos importantes e outro time começava a surgir como potencial candidato ao título, o Cruzeiro de Cuca.

A equipe mineira, comandada pelo argentino Montillo, um dos melhores jogadores desse campeonato, fez um final de primeiro turno e começo de segundo avassalador, jogando um futebol envolvente e chegando até a liderança em determinado momento da competição.

Mas se o Cruzeiro tinha Montillo, o Fluminense tinha Conca. O argentino do Flu jogos todos os jogos do campeonato e em muitos deles decidiu as coisas a favor do tricolor carioca, dentro das semelhanças do campeonato do ano passado com esse, além do campeão carioca, o campeão também contou com um estrangeiro que articulou muito bem o meio de campo e fez o time jogar.

Mas o Fluminense ao longo do campeonato foi tendo uma série de lesões e jogadores importantes como Fred, Emerson, Deco e Diguinho ficaram fora de vários jogos do Flu.

A campanha não foi só alegria, tiveram alguns tropeços e tropeços grandes inclusive, afinal, o Flu perdeu seus confrontos diretos contra Cruzeiro e Corinthians no segundo turno, para o time mineiro por 1 x 0 em Minas e para o Corinthians pro 2 x 1 no Rio, jogo que marcou o último gol de Washington na competição, o atacante que jogou boa parte da competição devido as lesões de Fred, caiu num inferno astral enorme no segundo turno e perdeu gols incríveis.

E nos tropeços do Fluminense, o Corinthians, agora com Tite no comando, aproveitava e chegou à 35ª rodada na liderança da competição, num jogo muito, mas muito polêmico.

Corinthians 1 x 0 Cruzeiro, no Pacaembu. O gol do jogo saiu de um pênalti duvidoso em cima de Ronaldo. O Cruzeiro reclamou muito do juiz nesse, que por acaso seria eleito o melhor árbitro do campeonato, Sandro Meira Ricci.

Depois desse jogo o Cruzeiro praticamente deu adeus ao título, embora tivesse lutado até o fim e conseguido a segunda colocação na última rodada, o moral celeste foi muito abalado e Corinthians e Fluminense pareciam ser os verdadeiros candidatos ao título.

Aí veio mais polêmica, nas rodadas 36 e 37, o Fluminense enfrentou São Paulo e Palmeiras, respectivamente, venceu ambos os jogos por 4 x 1 e 2 x 1, e surgiram as insinuações de que as equipes paulistas teriam entregado os jogos para não ver o Corinthians campeão.

Essa é outra semelhança com o campeonato do ano passado, quando o campeão Flamengo venceu Corinthians e Grêmio nas rodadas 37 e 38, por 2 x 0 e 2 x 1, e os rivais sugeriram que as duas equipes também entregaram os jogos para não verem São Paulo ou Inter campeões.

Na boa, em ambos os casos é óbvio que as torcidas de São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Grêmio não queriam ver seus rivais campeões, mas os times não tinham mais nenhuma ambição dentro do campeonato e não teriam porque jogar tudo e vencer, podem até ter entregado sim, mas queriam que eles jogassem o jogo da vida deles? E também tem aquela, se os times que supostamente entregaram não tivessem em uma situação sem nenhuma ambição maior dentro do campeonato, seriam adversários fortíssimos para os campeões, a questão aí é de tabela, de pontos corridos.

Acredito que isso é um grande problema do sistema de pontos corridos e aconteceu dois anos seguidos, isso traz a tona outra discussão que é sobre a volta do sistema de mata-mata, aí já é outro assunto que talvez mereça até um post próprio, mas desde já me posiciono a favor dessa volta.

Depois disso tudo chegamos a última rodada com o Fluminense na liderança precisando apenas vencer o já rebaixado Guarani dentro de um Engenhão lotado de tricolores. Outra polêmica pra rechear mais um pouquinho o campeonato: a tal falada Mala Branca. O Corinthians teria pago o Guarani para endurecer o jogo, acho que nem preciso comentar sobre isso, se é válido ou não, não importa, o que penso é que se o Fluminense jogar o seu futebol o Guarani, recebendo quantas malas brancas for, não é capaz de vencê-lo, não á atoa que um terminou em primeiro e o outro foi rebaixado, não é querer desmerecer a equipe de Campinas é apenas uma constatação óbvia. O Flu venceu, com gol de Emerson e o Corinthians apenas empatou com o também já rebaixado Goiás no Serra Dourada, o Cruzeiro venceu de virada o Palmeiras e terminou na segunda colocação.

Pra fechar o campeonato e as polêmicas, o presidente corintiano Andres Sanches relembrou que o Fluminense, campeão da terceira divisão em 1999 subiu direto para  primeira em 2000, simplesmente pulando a segunda divisão, isso é outro fato, que realmente aconteceu e que gera sim uma certa revolta.

Mas apesar disso o Fluminense de 2010 era outro, que contava com um bom elenco que soube segurar a barra de tantas lesões e que tinha, principalmente no craque Conca, a grande referência que foi o grande nome do campeonato.

Em 2011 tem mais.

O Un Quimera volta ainda esse ano falando de futebol com post falando sobre a final do Mundial de Clubes da Fifa.

Domingo de clássicos

Independente dos resultados falei pra mim mesmo que iria escrever um post falando sobre os dois clássicos de ontem que envolviam meus times.

É lógico que eu queria estar de uma vitória do Liverpool e outra do Flamengo, mas vou falar mesmo é de uma derrota dos Reds e de um empate do Rubro-negro…

O vermelho diabólico se impõe no clássico vermelho

Começo de temporada na Europa, e logo na quinta rodada da English Premier League o maior clássico do país envolvendo os dois maiores campeões (cada um com 18 títulos): Manchester United e Liverpool.

O jogo foi em Old Trafford e teve um primeiro tempo onde o Manchester foi melhor. Um início com muita pressão por parte dos donos da casa parece ter assustado um pouco o Liverpool. Liverpool que mudou muito da temporada passada pra essa e ainda está se adequando a essas mudanças. Roy Hodgson prefere Gerrard como volante lá atrás, isso deixa o capitão da equipe ao lado do dinamarquês Poulsen a frente da zaga. Maxi Rodríguez, Raul Meireles e Joe Cole completam o meio deixando El Niño Torres sozinho lá na frente.

Esse esquema de jogo não é dos melhores para o Liverpool, os laterais Konchesky e Glen Johnson acabam ficando mais atrás também e a bola não chega com qualidade até Torres.

Tudo isso fez com o Manchester, mais compacto num 4-2-2-2 conseguisse jogar mais no primeiro tempo e no fim da primeira etapa abrir o placar com Berbatov.

Na volta para o segundo tempo o domínio do Manchester parece ter ficado maior ainda. Nani dava um baile em Konchesky e o meio campo dos Reds não conseguia criar. Até que veio o inevitável segundo gol, um golaço diga-se de passagem, Berbatov recebeu da direita e com uma linda bicicleta estufou as redes de Reina.

Hodgson decidiu então colocar N’Gog, o francês, muito criticado pela grande imprensa, vem melhorando consideravelmente e levando em conta só esse começo de temporada é o melhor jogador do Liverpool. A entrada do francês fez com que Torres não ficasse tão sozinho a frente e foi em cima de Torres que aconteceram duas faltas que mudaram o jogo.

A primeira dentro da área. Pênalti muito bem cobrado por Gerrard: 2 x 1.

A segunda na entrada da área. Falta bem cobrada por Gerrard, que ainda contou com um desvio na barreira que matou Van Der Sar: 2 x 2.

A reação do Liverpool parecia sem explicação porque apesar da melhora no ataque com a entrada de N’Gog, a defesa continuava mal. Não é atoa que o Manchester conseguiu o terceiro gol. Mais uma vez pela direita, só que dessa vez ao invés de Nani, foi O’Shea quem cruzou pra Berbatov anotar seu hat-trick e dar números finais ao jogo.

É muito ruim perder pro Manchester United, é um clássico que realmente mexe com o Liverpool e mesmo sendo assim em começo de temporada deixa uma sensação ruim. Mas como frisei o Manchester foi melhor e mereceu a vitória. Para o Liverpool não faltou raça, mas faltou futebol. O time de Hodgson ainda não se encaixou e a opção de deixar Gerrard mais atrás não é das melhores. Além disso Torres parece ter perdido seu futebol em algum lugar que tá difícil de encontrar, com as duas principais peças do time com problemas as coisas realmente ficam difíceis, acredito que as contratações até foram boas: Joe Cole, Raul Meireles, Milan Jovanovic são bons nomes que podem e devem evoluir muito ainda.

Resta esperar, o título já começa a se tornar algo difícil mais uma vez, mas ficar fora da Champions League dois anos seguidos seria o cúmulo!

Tudo igual no Fla x Flu

Mais tarde tivemos o clássico mais charmoso do Brasil: Fla x Flu.

Muita história e rivalidade colocadas a prova num momento importante do Campeonato Brasileiro. Os dois times em situações bem diferentes: o Fluminense brigando pelo título e o Flamengo lá atrás na tabela (ano passado as coisas eram diferentes…).

O jogo foi marcado por muito equilíbrio e muitos gols. Logo no início da partida após cobrança de escanteio de Conca o zagueirão Leandro Euzébio subiu de cabeça para abrir o placar. 1 x 0 Flu.

Mas o Flamengo não tinha começado mal o jogo e logo conseguiu o empate. Após falha do zagueiro Gum, Kleberson cruzou e Deivid, com um belo toque de primeira, deixou tudo igual. Foi o primeiro gol do atacante com a camisa do Flamengo. Ele tem muito potencial e sempre fez muitos gols por onde passou, no Flamengo não deve ser diferente e depois de 4 jogos sem marcar ele finalmente deixou o dele, que seja o primeiro de muitos.

Ainda no primeiro tempo veio a virada rubro-negra. Escanteio na esquerda a bola passou por todo mundo e sobrou para David (o zagueiro) emendar pro gol. O camisa 14 mostra que hoje é talvez o melhor zagueiro do Fla, não só pelo gol mas pela raça e pela boa atuação no jogo de ontem.

No segundo tempo o jogo que já era bom melhorou ainda mais. Os dois times mostravam muita disposição, e o Fluminense que chegava bastante conseguiu o empate aos 18 minutos. Jogada individual de Rodriguinho que cortou David e bateu pro gol, tudo igual.

Poucos minutos depois falta para o Flamengo e aí foi quase um dejávù. Renato Abreu que ainda está muito abaixo do que ele pode mostrar nessa sua segunda passagem pelo Flamengo pegou a bola e disparou o canhão de sua perna esquerda. Não tem como, quando ele acerta chutes assim não há goleiro no mundo que pegue. Belíssima cobrança de falta que relembrou seus velhos tempos no Flamengo, comemoração muito bonita também, Renato honra a camisa.

A vantagem no placar foi perdida pelo desgaste físico e pela ingenuidade defensiva. Mais uma vez em jogada ensaiada de escanteio do Flu o Flamengo sofreu um gol. De novo do camisa 10 Rodriguinho.

Com 3 x 3 no placar o Fluminense foi pra cima devido ao desgaste físico rubro-negro, pressionou e criou chances no fim, mas não conseguiu o quarto gol, o Flamengo foi quem acabou tendo a melhor chance nesse fim de jogo, com Deivid, mas o goleiro Rafael impediu o quarto gol rubro-negro.

Com o empate o Fluminense perde a liderança e começa a ouvir sussurros de “cavalo paraguaio”,  já o Flamengo perde uma posição (agora é o 15º) e continua lá no fundo da tabela. Silas ainda não conseguiu arrumar o time, mas desde sua chegada até hoje mostra evoluções, o elenco não é pra ficar na 15ª posição, acredito que o time pode melhorar ainda mais e buscar uma posição melhor. Mas o que vale lembrar é que o Flamengo, pelo menos pra mim, passa por um processo de renascimento.

Um grande ciclo que durou desde a arrancada contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2005 até a eliminação na Libertadores 2010 acabou com essa eliminação. Depois disso acho que uma nova era começou, essa era é marcada por Zico no comando do futebol, a questão de melhoria do CT e das condições de trabalho como um todo passa a ser mais valorizada e o time é todo repaginado, com contratações (como Diogo, Deivid, Renato) e com a chance para jogadores da base (Diego Maurício, Galhardo, Wellinton…). Por tudo isso não reclamo da atual situação do Flamengo na tabela, espero sim dias melhores nas próximas temporadas.

Enfim, essas foram as minhas impressões desse domingo de clássicos, espero que os próximos clássicos sejam mais felizes para Flamengo e Liverpool.

Fluminense 3 x 5 Flamengo


Na boa, ontem eu vi um dos melhores jogos de futebol da minha vida!

Um jogo digno no nome e da importância dele, um Fla x Flu daqueles que vai ficar pra história.
E aí vai o texto que eu postei no Confio no Mengão:
Diferentemente do último jogo contra o Americano, esse é um jogo que dá muita vontade de escrever sobre. Mas antes de ir para o jogo especificamente queria dizer sobre o que estava sentindo nas vésperas da partida.

Em todos os blogs e sites que visitei no sábado e hoje de manhã, as previsões para o jogo eram muito parecidas: o Flamengo está com uma defesa ruim, que toma muitos gols, não é mais o mesmo do time do hexa, etc…

E o Fluminense? O Fluminense é o grande time carioca, está jogando muita bola! Não toma gols, faz lindas jogadas, Conca é o melhor jogador em atividade no Brasil, etc…

Sinceramente, até parecia que o Flamengo passou todo o Brasileirão de 2009 lutando pra não cair e o Fluminense foi campeão (será que foi isso mesmo?)

Mas como todos sabem o futebol é resolvido dentro das quatro linhas e nos primeiros quarenta e cinco minutos o Fluminense confirmou tudo o que se falava sobre ele.

Mesmo sem seu principal destaque, Fred, a equipe comandada por Cuca jogou muito bem, Maicon era o melhor em campo, sempre escapando pelos buracos da defesa rubro-negra.
Não demorou muito e saiu o gol do Flu. Enfiada de Diguinho para Alan ser mais rápido do que a zaga do Flamengo e abrir o placar.

O Flamengo bem que tentava mas o Flu era superior, e sempre que chegava, chegava com perigo.

Aos 40 minutos, Angelim cometeu pênalti (?) em Alan. Conca cobrou bem e aumentou a vantagem do Flu.
Dois minutos depois, talvez o único bom lance do Flamengo em todo o primeiro tempo. Juan fez boa jogada pela esquerda e sofreu pênalti claríssimo, cometido por Diguinho.
Adriano bateu e diminuiu.

Mas três minutos depois, aos 45 do primeiro tempo, bola na área do Fla, o zagueiro Cássio chuta, e com muita sorte a bola desvia em Álvaro e entra no gol. 3 x 1 para o Flu, as previsões dos sabichões se confirmando e o Flamengo mal, muito mal! Mostrando todas as fragilidades da defesa e sem força para reagir lá na frente.
Mas como eu já disse e todos sabem, futebol se decide dentro das quatro linhas, mas em certas ocasiões também fora dela, não sei o que Andrade falou naquele vestiário, só sei que o Flamengo perdido e fraco do primeiro tempo não voltou para o segundo tempo, voltou o verdadeiro Flamengo: forte, com raça e vibração, aquela camisa rubro-negra, quando vestida assim, cresce e muito.

As substituições de Andrade foram sensacionais. Willians, que voltava de lesão e Vinícius Pacheco entraram muito bem em campo e foram decisivos.

Como já disse a atitude do Flamengo no segundo tempo foi outra, literalmente passou por cima do bam-bam-bam Fluminense, que simplesmente sumiu em campo no segundo tempo, era hora do Flamengo mostrar porque foi hexacamepão brasileiro e porque é candidato fortíssimo ao tetra carioca.

Com 7 minutos, após bate-rebate na área, a bola sobrou para Vágner Love, o artilheiro do amor não deu bobeira e marcou seu quarto gol em três jogos pelo Flamengo, pra quem desconfiava dele é bom rever as opiniões.

Não demorou nem mais um minuto pro empate chegar. Belíssima jogada de Vinícius Pacheco pela direita, cruzamento na área e gol de Kléberson, era o empate do que já tinha pinta de virada, a raça que o Flamengo demonstrava no segundo tempo era algo fora do comum.

Mas toda essa euforia foi contida aos 15 minutos. Álvaro fez falta no meio de campo, recebeu seu segundo amarelo e foi expulso. David entrou de imediato no lugar de Fierro. E o Flamengo que buscava o gol da vitória teve que se segurar lá atrás, pois o Fluminense agora com um a mais voltava ao ataque com força.

Mas a raça rubro-negra continuava e mesmo com um a menos a virada chegou.

Aos 37 do segundo tempo um belo gol: Vágner Love arrancou, fez boa jogada e rolou para Vinícius Pacheco, o camisa 22 que definitivamente jogou muita bola, apenas rolou para Adriano finalizar e fazer o quarto.

Mas não parou por aí, aos 45, Adriano recebeu em posição legal belo lançamento de Vinícius Pacheco (de novo ele) e fechou a conta: Flamengo 5 x 3 Fluminense. De virada e com um a menos. E só pra lembrar o “Império do Amor” já tem oito gols na competição.

Olha, o Flamengo não é nunca foi perfeito. AS deficiências na defesa continuam, o time novamente tomou muitos gols, sim, tudo isso é verdade, mas uma coisa é certa: esse time é muito forte e tá na briga por tudo que disputa.
E jogos como esse ficam pra história e dão mais orgulho ainda de dizer: Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!

Se quiserem continuar subestimando não tem problema, dentro das quatro linhas a gente mostra o nosso futebol.

SRN