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Le Rouge et Le Noir #22

O dono do restaurante do bairro é torcedor do Fluminense e ontem, na hora que eu fui pagar o almoço pra ele, ele logo me falou:

“-Amanhã vamos ganhar, hein!”

Acredito que esse caso particular pode ser universalizado com certa tranquilidade e ilustra bem o clima do jogo de hoje a noite, entre Flamengo x Atlético/MG. A partida, que fechará a 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, envolve muita coisa e pode literalmente definir o campeonato.

No último post da série Le Rouge et Le Noir, falei justamente sobre a primeira partida entre Flamengo x Atlético/MG nesse campeonato, que foi adiada disputada um mês atrás. Naquela ocasião, jogando em um Engenhão lotado e inflamado o Flamengo conseguiu vencer o Galo por 2 x 1, e além de ter colocado em si mesmo uma injeção de moral, serviu de ajuda também para o Fluminense, foi nesse momento que o Tricolor carioca abriu a vantagem que tem hoje, e o Atlético/MG ficou para trás na briga pelo título.

Passa-se um mês, e depois do eletrizante duelo entre os líderes, com vitória do Galo por 3 x 2, Flamengo e Atlético/MG voltam a se enfrentar, dessa vez no caldeirão do Independência, e mais uma vez, em caso de vitória rubro-negra, além de um ânimo para o próprio Flamengo (que praticamente se veria livre de uma vez por todas do rebaixamento) o título do Fluminense ficaria incrivelmente próximo.

Portanto, o jogo de hoje a noite mobilizará não só as duas torcidas que verão seus times em campo, mas todas as torcidas do campeonato. Isso dá maior visibilidade para a partida e maior responsabilidade para ambas as equipes.

A tímida, irregular e desinteressante campanha do Flamengo nesse Brasileirão poderia ficar marcada de forma positiva em caso de vitória hoje a noite. O Flamengo ficaria com a fama (e que fama boa seria essa) de ter “tirado”, pelo menos moralmente, o título do Atlético/MG de Ronaldinho Gaúcho. A fila do Galo sem títulos brasileiros chegaria aos 41 anos. Em caso de derrota, o campeonato continuaria aberto, e o Flamengo só confirmaria essa campanha tímida, irregular e desinteressante.

Longe de aceitar isso passivamente, e longe de pensar que esse tipo de campanha condiz com a história do Flamengo, penso que a realidade é essa, a equipe de fato não se acertou em momento algum na competição (no ano, pra ser mais preciso). Esses jogos finais, penso eu, devem ser encarados como testes para jogadores que não foram muito bem aproveitados, as chances de rebaixamento são mínimas, mais duas vitórias, ou até mesmo uma vitória e um empate já devem excluir qualquer possibilidade de queda para a segunda divisão, então agora é experimentar mesmo e já mirar uma reformulação geral, que PRECISA acontecer em 2013.

A última partida verdadeiramente interessante (tem os clássicos nas duas rodadas finais, mas ainda assim…) é a de hoje. A rivalidade com o Galo está cada vez mais acirrada e os rumos do campeonato podem ser alterados dependendo do resultado de hoje. Então pra alegria minha, do dono do restaurante do bairro e de muitos outros torcedores, vai pra cima deles, Mengo!

SRN

Le Rouge et Le Noir #21

Ontem um grito entalado na garganta dos rubro-negros foi colocado pra fora. Naquela que talvez será a partida mais marcante e mais emblemática, ou pelo menos uma das, da temporada, o Flamengo, no reencontro com Ronaldinho após sua ida para o Atlético-MG, venceu o Galo por 2 x 1, num Engenhão com quase 40 mil pessoas em plena quarta-feira fria e chuvosa e sentiu de novo, o gosto doce da vitória, com um tempero de vingança pra cima do agora R49.

O jogo em si foi um capítulo a parte nessa temporada cheia de decepções e resultados ruins que o Flamengo vem passando. A torcida, como é de costume, compareceu em massa e carregou o time durante os 90 minutos. O time, por sua vez, respondeu positivamente a todo esse apoio: jogou de uma maneira mais lúcida e mais compacta do que vinha jogando; foi com certeza a melhor atuação no comando de Dorival, de toda a equipe e com os destaques individuais para a dupla de ataque, que fez o que atacantes devem fazer: gol! E também pra Wellington Silva, que com a passagem de Léo Moura para o meio campo assumiu de vez a lateral direita.

No entanto, creio ser válido relacionar esse jogo em particular com outros dois momentos maiores. O primeiro, já citado no primeiro parágrafo é toda a ambientação e significação que esse jogo recebeu, em virtude de ter marcado o reencontro de Ronaldinho com o Flamengo e sua torcida. Independente dos motivos que levaram o camisa 49 do Atlético sair do Flamengo, o que ficou, em relação à grande parte da torcida foi uma mágoa e uma vontade de vingança (no bom sentido, futebolisticamente falando). E ontem essa vingança foi consumada. O futebol não é e nunca foi parâmetro pra racionalidade, então quando momentos assim acontecem, ainda que efêmeros e fugidios, é uma sensação muito boa que toma conta dos corações e das mentes do torcedores.

Outro ponto que não dá pra ficar sem ressaltar é a leve guinada que o Flamengo deu ao vencer os dois Atléticos em sequência. Duas vitórias seguidas é um evento raro na atual temporada e nesse momento do campeonato tornaram-se ainda mais raras e importantes. De primeiro time acima da zona de rebaixamento até uma semana atrás, o Flamengo agora já ocupa a décima posição e apesar de sonhos mais altos (leia-se G4) serem bem difíceis de conquistar, uma nítida evolução aconteceu nessas últimas rodadas e jogando o que jogou o Flamengo não terá nenhum risco de rebaixamento em pouco tempo. O clássico contra o Fluminense na próxima rodada será um bom teste pra provar se toda a evolução desses últimos dois jogos é mesmo real ou não.

Enfim, a sensação boa de sair com a camisa rubro-negra na rua, mesmo nesse frio, é muito boa, mas não dá pra se esquecer de que no geral a atual temporada vem sendo bem abaixo das expectativas. Acredito que o melhor a se fazer é comemorar bastante vitórias como a de ontem e manter os pés no chão em relação ao futuro.

SRN

Le Rouge et Le Noir #20

Depois de muito, mas muito tempo mesmo o Flamengo conseguiu vencer dois jogos em sequência e jogando um futebol no mínimo razoável. Após a queda de Joel Santana, Dorival Júnior assumiu o time e depois de um empate em casa contra a Portuguesa e uma acachapante derrota para o São Paulo no Morumbi, por 4 x 1, parecia que o técnico era outro, mas as coisas continuariam sendo as mesmas: jogos ruins, gols sofridos e crise…

No entanto, depois da derrota para o São Paulo o Flamengo ficou dez dias sem jogar, por conta do adiamento da partida contra o Atlético-MG, marcado para o dia 26/09, e esse tempo serviu pra Dorival Júnior mudar muita coisa na equipe, depois disso vieram as partidas contra Figueirense e Náutico (ambas vencidas por 2 x 0, com 2 gols de Vagner Love) e o futebol apresentado pelo Flamengo foi completamente diferente do que vinha sendo apresentado até então pela equipe rubro-negra no Campeonato Brasileiro.

Cito aquelas que considero as principais mudanças já vistas: o time joga mais unido dentro de campo, há mais aproximações, a bola chega até o ataque passando pelo meio, não existe mais um buraco no setor de meio campo, além disso, os atacantes, em algum momento, também voltam pra marcar e isso tira uma sobrecarga do setor defensivo, o que faz com que ele consequentemente pare de sofrer tantos gols.

Além disso, cito também destaques individuais: o primeiro, é óbvio, é Vagner Love, o artilheiro do amor voltou a marcar e isso é muito bom, porque parece que quando ele está em uma fase boa o time todo acompanha, já é o artilheiro da competição com oito gols e agora com a chegada de Liedson, os dois tem tudo pra formar um dupla goleadora.

Os garotos Thomás e Negueba também vão mostrando muita raça e determinação. Possivelmente um deles perderá posição para Liedson, mas ambos estão dando velocidade e opções para o time, jogadas pelas laterais, triangulações, etc. Talvez ambos já estejam um pouco mais calejados do que Adryan e Mattheus e por isso vão correspondendo, os dois últimos, tidos como salvadores da pátria por Joel Santana ainda precisam de mais um tempo e com o time rendendo mais agora, eles possivelmente terão esse tempo, entrando aos poucos pra não se queimarem e irem adquirindo experiência pra futuras competições.

E pra fechar a lista de destaques individuais, não dá pra ficar sem falar do paraguaio Cáceres! O volante, que ficou muito tempo sem poder jogar por complicações contratuais, estreou justamente contra o Figueirense e fez sua segunda partida contra o Náutico e em ambas ele mostrou que veio pra ganhar a posição (já ganhou) e ajudar e muito o Flamengo. Ele é um primeiro volante que sabe sair jogando, organiza bem o meio campo e marca muito bem. Deu uma nova dinâmica ao time.

Enfim, ressaltadas as devidas mudanças no time e feitos os devidos elogios, coletivos e individuais, agora é hora de colocar os pés no chão também. Embora as duas vitórias sobre Figueirense e Náutico terem sido realmente louváveis, os dois adversários não são nem de perto grandes equipes, o Figueirense luta para não cair e o Náutico também pode correr esse risco até o fim do campeonato, por isso é bom começar a pensar nos próximos adversários: na quarta, o confronto é com o Palmeiras, em São Paulo e depois, pra fechar o turno, o Flamengo tem pela frente dois clássicos estaduais: primeiro o Vasco e depois o Botafogo. Aí sim é que veremos se todas as mudanças pós-Dorival realmente surtiram efeito. Com toda sinceridade, jogando o que está jogando e se superando cada vez mais, o Flamengo tem sim condições de vencer esses clássicos e buscar algo mais nesse Brasileirão.

Outro toque que eu acho válido dar é o seguinte: é lógico que todos torcedores rubro-negros gostaram dessa melhora do time, dessas duas vitórias, desse novo momento que vai se desenhando, no entanto, isso não pode mascarar a precária e vergonhosa situação que ainda acompanha o Flamengo fora das quatro linhas. De que adianta falar sobre os problemas administrativos e financeiros do clube quando a crise está dentro de campo e simplesmente esquecê-los quando, dentro de campo, o time começa a conseguir bons resultados? Infelizmente, enquanto o “lado de fora” não for devidamente arrumado o “lado de dentro”, ou seja, o time do Flamengo, jamais conseguirá de fato grandes coisas. O máximo serão efêmeros bons momentos que se seguirão de crises, e bons momentos e crises, etc. O Flamengo tem tradição pra ter muito mais do que isso, o Flamengo tem história pra ser um time que vive de bons momentos, esse é o sonho de qualquer torcedor e pode virar realidade se mudanças fora de campo acontecerem.

SRN

Le Rouge et Le Noir #19

“Há um parentesco óbvio entre o Fluminense e o Flamengo.

E como este se gerou no ressentimento, eu diria que os dois são os irmãos Karamazov do futebol brasileiro”

Nelson Rodrigues 

O post de hoje, mais um da série Le Rouge et Le Noir, não poderia falar de outra coisa senão do centenário daquele que é considerado o clássico mais charmoso do Brasil, o inesgotável Fla x Flu.

Dois dos principais responsáveis para a ascensão do clássico dentro do ideário de qualquer torcedor de futebol, são os irmãos Mario Filho e Nelson Rodrigues. O primeiro, flamenguista tímido, inflamou nas duas torcidas a paixão pelo futebol, e transformou o esporte até então (falamos aqui das décadas de 40, 50 do século passado) elitista em uma verdadeira paixão nacional.

Já o segundo, tricolor apaixonado e dono de uma das escritas mais provocantes de toda literatura brasileira, tinha no futebol um tema central, suas consagradas crônicas esportivas transcendiam a previsível e chata crônica esportiva da época. Dá pra dizer, com tranquilidade, que suas transcendem inclusive as atuais crônicas esportivas.

Mas enfim. Além dessas importantes figuras históricas dentro da história do clássico, o que também fez dele esse clássico tão charmoso e interessante foram os grandes jogadores que passaram por ele. As finais entre as duas equipes e até mesmo jogos sem tanta importância assim, como por exemplo a despedida de Zico, num Fla x Flu, aqui em Juiz de Fora.

De todos os Fla x Flus que eu já assisti aquele que mais me emocionou e aquele que trago as recordações mais vivas foi o 5 x 3 no Campeonato Carioca de 2010. Depois de entrar no segundo tempo perdendo de 3 x 1, o Flamengo, que na época tinha Adriano e Vagner Love comandando o ataque, chegou a uma virada impressionante!

Ontem, no Engenhão, foi disputado o Fla x Flu que homenageava o centenário do clássico. Partida válida pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro de 2012. Digo sinceramente, não só pela derrota rubro-negra, que o clássico de ontem esteve muito aquém do nome, da história e de todo o charme do Fla x Flu. Fred, logo no início do jogo, após cruzamento de Thiago Neves e desatenção da zaga rubro-negra, anotou o único gol do jogo.

Fora isso, foi um jogo feio, sem qualquer charme. Ambas as equipes não conseguiram mostrar um bom futebol. O Fluminense, em alguns contra-ataques, principalmente com lampejos de Wellington Nem, tentava assustar o Flamengo, mas não conseguia. O Flamengo, por sua vez, repleto de volantes, não conseguia criar, praticamente não levou perigo ao gol de Diego Cavalieri e terminou a partida buscando um milagre, com a jovem dupla Adryan e Matheus. Ambos tem tudo pra se firmarem como grandes jogadores do futebol brasileiro no futuro, mas agora, com 17 e 18 anos, não vão salvar um time que vive se defendendo e não consegue se defender direito.

Apesar de toda garra do Flamengo na partida, o fraco futebol que vem sendo apresentado já há um bom tempo foi o que mais sobressaiu aos olhos ontem. Joel Santana permanece no comando técnico, mesmo muito pressionado. Depois dessa derrota, restam ainda trinta rodadas no Brasileirão e muita coisa precisa ser mudada.

Em relação aos “irmãos Karamazov” do futebol brasileiro, como diz Nelson Rodrigues, esperamos melhores Fla x Flus, tão charmosos quanto os de outrora. Não é saudosismo, é vontade de ver bom futebol e nada mais.

Le Rouge et Le Noir #18

Assisti ontem à partida entre Grêmio x Flamengo já pensando no que iria escrever aqui hoje. A verdade é que a cada minuto do jogo que passava a vontade de escrever diminuía, mas, ainda assim vou escrever um pouco sobre a partida de ontem e sobre a atual situação do Flamengo.

Poucos dias depois de eu escrever o último post da série Le Rouge et Le Noir, Ronaldinho foi embora do Flamengo. A situação daquele que veio para a Gávea a preço de ouro e que despertou nos torcedores a esperança de conquistar títulos e mais títulos,  já era bem complicada há um bom tempo. Por fim ele assinou a rescisão de contrato com o Flamengo e na semana seguinte foi contratado pelo Atlético Mineiro.

Esse acontecimento de uma forma ou de outra mexeu com os torcedores rubro-negros, a grande maioria, como é o meu caso, creio que já queria a saída dele há um bom tempo e se sentiu aliviada com isso. No entanto, eu logo pensei: bom, agora que o “grande astro” saiu as coisas vão ter que mudar! Não vai existir mais nenhum camisa 10 pra jogar a bola e esperar um milagre acontecer, todo mundo vai ter que jogar de verdade e pior do que tá não fica.

Ledo engano. Parece que mesmo depois da saída de Ronaldinho Gaúcho tudo continua desorganizado e despreocupante. Desorganizado porque nenhum time que joga com quatro volantes no meio-campo toma gol todo jogo, desorganizado porque não se tem mais um time titular bem definido, não se tem um bom esquema tático, despreocupante porque o adversário que enfrenta o Flamengo sabe de tudo isso e quando se depara com o ataque rubro-negro vê sempre as mesmas ineficazes e previsíveis jogadas.

O jogo de ontem contra o Grêmio foi o melhor exemplo disso. Não fosse um certo desinteresse por parte dos gremistas, talvez um tanto abatidos pela recente eliminação na Copa do Brasil, uma goleada histórica poderia ter acontecido. Aqui vale ressaltar também o trabalho do goleiro Paulo Victor, talvez o único jogador rubro-negro que conseguiu fazer algo positivo ontem.

Enfim, a situação e desastrosa e deprimente. Por mais otimista que eu possa ser em relação ao Flamengo, vendo um jogo como o de ontem só dá pra dizer: esse ano vamos ter que lutar e muito pra não cair!

Não sei se a culpa é do Joel, da diretoria, dos jogadores todos ou de alguns em específico, só sei que os torcedores rubro-negros querem algo novo e diferente e não isso o que estamos vendo aí.

*Vale ler também o texto do Arthur Muhlenberg, que segue a mesma linha desse aqui.

Le Rouge et Le Noir #17

Dia de post da série Le Rouge et Le Noir. E hoje o post, publicado lá no Confio do Mengão, como de costume, vem pra dizer o óbvio: o Flamengo está sim em crise, a “coisa tá preta” como diz o provérbio popular e se mostra cada vez mais complicada.

Aí vai:

Crise

No futebol, e ainda mais em clubes da magnitude do Flamengo, qualquer empatezinho, qualquer disse me disse que escapa já vira motivo pra imprensa falar em crise e fazer uma verdadeira tempestade em copo d’água.

Dessa vez, contudo, penso que crise é a palavra que melhor define o momento do Flamengo. É complicado dizer e admitir isso, mas na atual temporada o Flamengo ainda não fez um jogo sequer em que nós torcedores pudéssemos sentir orgulho do time e projetar algo maior no horizonte.

Se pegarmos todos os jogos até o momento os mais marcantes, possivelmente, serão as duas eliminações para o Vasco nas semi-finais da Taça Guanabara e da Taça Rio e dois empates em 3 x 3. O primeiro contra o Olimpia, que foi o grande impulsionador da eliminação precoce na Libertadores e agora esse do último sábado contra o Inter, no mesmo Engenhão, tendo uma mesma boa vantagem e deixando ela escorrer pelos dedos até o fim do jogo. Não bastassem as atuações ruins e sem brilho dentro de campo, fora dele o ambiente de desorganização permanece.

O último episódio mais marcante foi a “compra” de Assis, irmão de R10, numa loja do Flamengo. O irmão do camisa 10 levou várias camisas do Flamengo e na hora de pagar disse que não pagaria, afinal, o Flamengo não paga os salários do seu irmão. Esse episódio, além de totalmente ridículo, lembra um pouca uma época longínqua, onde o Flamengo contratou vários medalhões e nada funcionou.

Entre os medalhões estava o famoso volante Vampeta, que na época, perguntado sobre a situação do time respondeu categoricamente: Eles finjem que me pagam e eu finjo que eu jogo. Episódios como esse do Vampeta não deveriam jamais ter acontecido, mas depois de ter acontecido o mínimo que a diretoria e todo o departamento financeiro do Flamengo deveriam fazer era tomá-lo coamo um exemplo pra que coisas do tipo jamais voltassem a acontecer. Mas como já disse, esse episódio do Assis é bem parecido.

E aí fica esse sentimento de que independente dos títulos e das conquistas dentro de campo, da paixão da torcida e tudo mais, fica o sentimento de que o Flamengo enquanto instituição nunca vai conseguir se organizar de fato e ser um clube grande também financeiramente, e deixar de ser um dos líderes da lista dos times que mais têm dívidas e etc…

Se fora de campo as coisas não se resolverem, infelizmente dentro dele também vai ser muito difícil algo bom acontecer. A bola da vez é Joel Santana. Nessa que, de longe, parece ser a pior passagem dele pela Gávea, Joel coleciona declarações contra os próprios jogadores e a saída dele comando técnico já se torna uma questão de tempo. Mas e aí? Sai Joel entra um outro qualquer e os jogadores continuam sem tesão? Sai Joel e entra um outro qualquer e a diretoria continua desorganizada e arcaica? Crise. Essa é a palavra. E a cada momento que passa essa crise parece ser mais insolúvel, maior.

Sair dela vai ser difícil. O que me resta é, independente de qualquer coisa, torcer e muito pras vitórias desse time dentro de campo e do lado fora escrever aqui e ver alguém consegue enxergar o óbvio: é preciso organização e profissionalismo pras coisas irem pra frente no futebol, enquanto isso não existir na Gávea estaremos fadados a crises e mais crises…

SRN

Le Rouge et Le Noir #15

Hoje é dia de post da futebolística série Le Rouge et Le Noir.

Como de costume coloco aqui o texto que publiquei hoje no Confio no Mengão. Falo um pouco sobre o atual momento rubro-negro, que, querendo ou não, já ficou marcado pelo inacreditável empate contra o Olimpia na última quinta. Além disso falo sobre um assunto que, curiosamente, também falei sobre no ano passado, exatamente no mês de março. É sobre uma possível nova volta de Adriano ao Flamengo, diferente do ano passado, quando dediquei um post só pra isso, esse ano eu fui bem direto ao assunto, no fim do texto que aí está:

Transição

Acredito que transição talvez seja a palavra que melhor defina o atual momento do Flamengo.

Sim, é verdade que já faz um tempo que Luxemburgo saiu e Joel entrou, mas insisto que tanto o time quanto o estilo de jogo de Joel ainda não foram de fato implantados no Flamengo.

Depois de uma eliminação nas semi-finais da Taça GB e do primeiro turno da fase de grupos da Libertadores (com um desfecho melancólico no inacreditável empate por 3 x 3 contra o Olimpia no Engenhão na última quinta), o que eu vejo é um time ainda sem uma cara definida, sem um estilo de jogo característico, quer dizer, ainda estamos em uma transição da Era Luxa para a Era Joel.

Aí podem perguntar: pô, então quer dizer que você acha que esse time do Joel tá mal? Que não dá pra ter esperança nenhuma em relação ao Carioca e à Libertadores? Não, eu não acho isso. Pelo contrário.

Essa mesma falta de identidade que eu vejo no atual time do Joel eu vi, durante praticamente todo o ano passado, o time de Luxemburgo, apesar de ter vivido bons momentos como o título carioca invicto e o primeiro turno do Brasileirão quase invicto e com algumas boas atuações, nunca teve uma cara, era um time muito inconstante e sempre foi assim.

O atual time já parece mostrar algumas diferenças. Como eu disse, não vejo ele ainda com uma identidade, mas vejo ele em busca disso. Apesar do lamentável empate contra o Olimpia na última quinta, aquele jogo foi talvez o melhor jogo do Flamengo na Era Joel, até o momento em que o time todo resolveu parar de jogar e apenas assistir a equipe paraguaia jogar e fazer 3 gols em quinze minutos.

De qualquer forma, como bem disse o Jean, penso ter sido bem melhor dar essa bobeira agora, na fase de grupos e já se precaver contra uma possível repetição, do que ver isso acontecendo no mata-mata.

Enfim, vejo o atual momento como um momento de transição e muita indecisão, apesar de ainda existirem muitos problemas estou bem confiante com esse time do Joel.

Pra finalizar o texto, não poderia deixar de falar do grande assunto do Flamengo nos últimos dias, assunto esse que está fora das quatro linhas. Sim, falo do possível retorno de Adriano à Gávea.

Depois de rescindir com o Corinthians o Imperador já surge como uma possível novidade no Flamengo e, como de costume, atrai a atenção de grande parte da imprensa e da torcida. Sinceramente, eu ainda acho que jogando bola de verdade o Adriano ainda é um dos melhores atacantes do mundo, eu ainda acho que tudo que ele fez em 2009 não pode ser esquecido jamais, eu ainda acho tudo isso, mas também acho que não dá mais pra ele no Flamengo.

Se vier, vou apoiar até o fim, mas se dependesse só de mim eu preferiria que o Imperador fosse procurar novos impérios ao invés de voltar para o seu conhecido Império rubro-negro.

SRN

Le Rouge et Le Noir #14

Pra abir o mês aqui no Un Quimera o assunto não poderia ser outro que não o decisivo jogo de ontem entre Flamengo x Real Potosí pela Pré-Libertadores. O jogo, desde que foi marcado, no fim do ano passado, já se revestiu de enorme importância, afinal, valia vaga para a fase de grupos da maior competição de clubes das Américas.

Porém, no começo da temporada inúmeros problemas surgiram na Gávea e além da vaga na Libertadores o jogo de ontem parecia valer muito mais. Teria que ser uma afirmação de que esse time do Flamengo pode sim não apenas participar da Libertadores 2012, mas também buscar o título. A desconfiança de muitos e os problemas na Gávea ainda existem, mas a vaga está garantida. Falei um pouco sobre tudo isso no Confio no Mengão e reproduzo o texto aqui, pra abrir o último mês de férias:

Mengão na Libertadores

Geralmente escrevo meus posts nas segundas-feiras, mas essa semana eu tive que esperar a quinta-feira chegar pra falar sobre a partida de ontem contra o Real Potosí, jogo de volta da Pré-Libertadores.

O clima que envolvia essa partida era único: uma crise sem entrar em campo, que fez o começo de ano do Flamengo virar um deleite pra imprensa, principalmente pra aquela parte da imprensa que só quer ver defeitos, bagunça e desorganização no Flamengo. Sim, tudo isso existe lá na Gávea, é fato, mas não é só isso e as vezes fica parecendo que é só isso.

Salários atrasados e boatos de um novo técnico a parte ontem a noite o Flamengo tinha um objetivo claro: vencer, ainda que por 1 x 0, o modesto Real Potosí e conseguir a vaga na fase de grupos da Libertadores 2012.

O jogo não foi dos melhores, o Flamengo ainda precisa melhorar muito (as entradas do zagueiro Gonazález e de Vagner Love podem ajudar muito), mas o objetivo foi conquistado, ainda que com uma boa dose de drama.

O primeiro tempo foi todo do Flamengo, posse de bola, volume de jogo e tudo mais. O Potosí só se defendia e em muitos momentos tinha todos os seus jogadores atrás da linha do meio de campo. Isso dificultou e muito o Flamengo, que entrou naturalmente nervoso, querendo o gol a todo momento e com a torcida rubro-negra praticamente lotando o Engenhão, apoiando e muito o time.

As chances eram criadas, mas o gol não saia. O fim do primeiro tempo ia chegando e um drama desnecessário parecia ir se anunciando. Até que Bottinelli fez boa jogada pela direita e sofreu falta. Ronaldinho cobrou bem e Léo Moura, antecipando de cabeça, abriu o placar.

Na volta para o segundo tempo o jogo mudou, com o 1 x 0 a favor do Flamengo o Potosí ia sendo eliminado, então resolveu se abrir e começou a dar sustos no Flamengo. Apesar de não ter conseguido praticamente nenhuma chance realmente boa (a exceção foi uma boa cabeçada de Brittes que deixou Felipe apenas olhando a bola e torcendo pra ela sair) o time boliviano adotou uma postura bem mais ofensiva e o Flamengo não marcava tão bem quanto os bolivianos no primeiro tempo.

Com o jogo mais aberto Luxa apostou na base mais uma vez. As três substituições foram realizadas com a entrada de garotos da base: Muralha, Camacho e Negueba. Mais fôlego e velocidade ao time que não criou tanto, mas que num dos últimos lances do jogo conseguiu o segundo gol. Após muita briga de Negueba pra recuperar a bola e bom cruzamento de Ló Moura, Ronaldinho dominou, mandou entre as pernas do zagueiro e com muita tranquilidade tocou no canto do goleiro. Classificação assegurada e festa de R10 com a torcida.

O Flamengo agora está no Grupo 2, ao lado de Lanús, Emelec e Olimpia. Sinceramente considero esse um dos grupos mais complicados, ao lado do grupo do Vasco. Pra quem pensa que agora que a classificação pra fase de grupos veio a vaga nas Oitavas já é praticamente certa, está muito enganado. O Flamengo vai ter que jogar muita bola pra conseguir mais essa vaga. A começar pela partida de estreia, dia 15, em solo argentino, contra o Lanús.

Mas independente disso o resultado de ontem confirmou que o Flamengo, se quiser jogar, é um bom time que tem muito a evoluir e pode sim disputar de igual pra igual contra qualquer um essa Libertadores.

Resta saber agora se com Luxa ou com Joel. Se com Ronaldinho ou sem Ronaldinho. Todas essas polêmicas e pendências extra-campo, por mais que tenham sido esquecidas nos 90 minutos do jogo de ontem estão aí e melhor seria que até dia 15, dia da estreia na Libertadores, de fato, fossem resolvidas e o Flamengo pudesse continuar mais tranquilo a caminhada para o bi da América.

Amanhã tem jogo pelo Carioca, contra o Olaria. Isso mesmo, amanhã! Não me importo com isso, a vaga nas semi-finais do Carioca é quase certa, independente de qualquer resultado e mesmo que aconteça uma tragédia e ela não venha continuarei não me importando. É lindo ganhar Campeonato Carioca, mas já temos Cariocas demais, agora é hora de focar de uma vez por todas na Libertadores.

E ah, ontem foi só o primeiro show da torcida rubro-negra nas arquibancadas, a continuar assim os adversários vão sentir e muito a força dessa torcida.

SRN

Le Rouge et Le Noir #13

Hoje é dia do primeiro post da série Le Rouge et Le Noir do ano. E é também dia da estreia do Flamengo na Copa Libertadores 2012. Como conquistou a vaga através da quarta posição no Brasileirão do ano, o Flamengo, diferentemente do atual campeão da Libertadores Santos, do Corinthians, do Vasco e do Fluminense e a exemplo do Internacional, tem que disputar a chamada Pré-Libertadores, para só então entrar de fato na fase de grupos da maior competição de clubes da América.

Só que desde a conquista dessa vaga no Brasileirão do ano passado muita, mas muita coisa já aconteceu com o Flamengo e a maioria dessas coisas não foi nada interessante para o rubro-negro. Por mais estranho que isso possa parecer, o que mais se falou nessa pré-temporada foi crise. Salários atrasados, polêmicas de jogadores, treinador e comissão técnica, etc.. pra completar o Flamengo perdeu dois de seus principais jogadores da temporada passada: Alex Silva foi o primeiro, ele até jogou os dois amistosos de preparação que o Flamengo realizou, contra Londrina e Corinthians, em Londrina, mas depois, quando o time viajou para a Bolívia para já ir se preparando para o confronto de hoje contra o Real Potosí ele simplesmente preferiu não viajar. O jogador não joga mais pelo Flamengo, deve ser emprestado ou vendido. A outra saída foi de Thiago Neves. O meio-campista, que talvez tenha sido o principal jogador do Flamengo na temporada passada protagonizou talvez a maior das “novelas” desse chato período de contratações e acabou acertando com seu ex-time, o Fluminense.

Foi com esse cenário nada agradável que o Flamengo fez sua estreia no ano, no último sábado, pelo Campeonato Carioca. Mas foi justamente aí que as coisas parecer ter começado a mudar e a mudar pra melhor. O Flamengo atropelou o modesto Bonsucesso por 4 x 0, jogando com uma esquipe B, que contava com 7 jogadores da base entre os titulares, o time jogou bem e, por mais modesto que seja o Bonsucesso, mostrou que tem jogadores ali que podem ser de muita ajuda para a equipe A, o time titular. A valorização e as oportunidades para a base são muito bem vistas por mim e acredito que por boa parte da torcida do Flamengo também, essa geração foi campeã da Copa São Paulo de Futebol Júnior no ano passado e conta com jogadores que tem tudo para ficarem marcados na história do clube, cito, como exemplo Luiz Antônio, Negueba, Adryan…

Hoje, agora pouco, outra notícia interessante: a volta de Vagner Love está concretizada. O “artilheiro do amor” retorna à Gávea depois de uma passagem rápida no primeiro semestre de 2010, onde não conquistou nenhum título, é verdade, mas onde marcou muitos gols. Além dele, o Flamengo acertou também com o zagueiro chileno Marcos González, ex-La U, que chega para preencher a lacuna deixada por Alex Silva.

Quer dizer, depois de um começo de temporada que parecia catastrófico, as coisas aos poucos parecem ir se acertando e tomando um rumo mais agrádavel para o Flamengo, isso, de maneira nenhuma, pode ser sinônimo de comodismo ou coisa parecida por parte da diretoria e dos jogadores, os problemas ainda continuam existindo e ainda são muitos, porém todos esses problemas (a maioria deles extra-campo) não podem tirar o foco do Flamengo dentro das quatro linhas e esse foco não pode ser outro que não conseguir um bom resultado hoje a noite e na quarta que vem, no Engenhão, conquistar definitivamente a vaga na Libertadores, para enfrentar na fase de grupos Emelec, Olimpia e Lanús.

Enfim, esse foi um resumo rápido do panorama desse início de 2012 pro Flamengo, hoje a noite tudo o que importa é o jogo dentro das quatro linhas, qualquer coisa extra-campo tem que ser posta de lado e a concentração ir toda pra essa partida, depois de tanta crise, contratação e afins, o que menos se falou foi a geralmente tão falada altitude de Potosí, a 4.800 metros o Flamengo tem que jogar tudo e mais um pouco e tentar voltar das alturas pensando alto, porque apesar de toda badalação pros lados de lá, toda a “não-crise”, todas as contratações bombásticas, toda a arrogância, o Flamengo devagarinho, devagarinho pode chegar longe.

SRN

Le rouge et Le Noir #12

Pra fechar a tampa de 2011, não poderia faltar uma singela homenagem desse blogueiro flamenguista pra equipe que trinta anos atrás, em solo japonês, venceu o Liverpool por 3 x 0 e deu ao Clube de Regatas Flamengo seu primeiro (e por enquanto, apenas por enquanto) único título mundial.

É meio óbvio que eu nunca tenha visto esse time jogar, mas por tudo que ouvi dizer sobre ele, pelos lances e gols e etc., acredito mesmo que foi um dos melhores times da história do futebol, sem falsas modéstias ou parcialidades, é bom recordar esses momentos marcantes da história do Flamengo e saber homenageá-los e valorizá-los, porém só isso não basta, trinta anos se passaram e uma nova Libertadores e um novo Mundial ainda não chegaram, já é hora de mudar isso, e quem pode mudar isso são os atuais jogadores, é a maior torcida do mundo, da qual faço parte, 2012 é ano de Libertadores, é ano de torcer, vibrar e acreditar nesse time!

Pra fechar o ano ficamos com a dita homenagem, os três gols da final do Mundial de Clubes, dois do João Danado Nunes e um de Adílio:

SRN