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Os "acontecimentos" de março/2009

Como já diria Tom Jobim, as águas de março vão fechando o verão e o mês de março também vai sendo fechado, como de praxe: post “acontecimentos” no Un Quimera.
Só que dessa vez nenhum dos dois acontecimentos são relacionados a esporte, mas sim a política, o detalhe é que eu acabei tendo conclusões muito parecidas em ambos, é só reparar bem:
A volta de Collor

Há 18 anos, Fernando Collor de Melo tornava-se o 32º presidente do Brasil.
Mas antes disso, principalmente durante a campanha para essas eleições muita polêmica já rondava o nome de Collor.
Também chamado de “O Caçador de Marajás”, (quando ainda era governador de Alagoas, na década de 80, Collor combateu alguns funcionários públicos que ganhavam altos salários, os chamados Marajás, e devido a isso conseguiu uma imagem muito positiva em relação a imprensa, que o definiu como caçador de marajás) Collor teve apoio indiscrimado do todo poderoso Roberto Marinho nas eleições de 90 e talvez por isso mesmo tenha conseguido se eleger, deixando pra trás os esquerdistas Lula (“favorito” a vencer) e Brizola.
Porém Collor durou apenas dois anos na presidência, uma disputa entre Pedro Collor (irmão de Fernando) e PC Farias gerou reportagens bombásticas em revistas como Veja e IstoÉ, esquemas de corrupção e denúncias forma surgindo de ambos os lados, e isso foi desgastando o governo de Collor, que estava intimamente ligado a todas essas denúncias.
A chamada “CPI do PC” foi o fator culminante para o fim da presidência de Collor, o impeachment: a CPI constatou que o presidente e os seus familiares tiveram despesas pessoais pagas pelo dinheiro recolhido ilegalmente pelo “esquema PC” que distribuía tais recursos por meio de uma rede de “laranjas” e de “contas fantasmas”.
Em 2 de outubro de 1992 Collor foi afastado da presidência e em 29 de dezembro do mesmo ano, julgado pelo senado, sua pena: 8 anos de inabilitação política.
Então, a história continuou, os oito anos passaram e nas eleições de 2006 Collor foi eleito senador pelo estado de Alagoas e depois se afiliou ao PTB, partido de outro polêmico político: Roberto Jefferson.
Tá bom, e o que toda essa história tem a ver com um “acontecimento” de março de 2009?
Simples, Fernando Collor de Melo, no dia 5 desse mês ganhou ainda mais poder dentro do governo, tornou-se presidente da comissão de infraestrututa do senado, que nada mais é do que o cargo que definirá os rumos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na verdade, a senadora petista Ideli Salvatti teria que ser a indicada, devido a maioria do PT no senado, porém o que prevaleceu foi a acomodação política, e com forte ajuda de Renan Calheiros, Collor foi eleito
com 13 votos a 10.
Não é porque Collor fez tudo o que fez quando era presidente que agora, tanto tempo depois, ele irá obrigatoriamente repetir, mas isso pode sim acontecer e mesmo que coisas assim não aconteçam novamente o que dá mais raiva na verdade é a “ótima” memória da população brasileira, Collor só está lá hoje porque voltou a ser eleito em 2006.
Acredito que a volta de “figurinhas repetidas” no cenário político só tende a desgastá-lo e, com isso, atrasar o Brasil.
O caso Raposa Serra do Sol
Em Roraima, na região chamada Raposa Serra do Sol, voltou a tona um conflito entre agricultores (arrozeiros, principal produto agrícola de Roraima), e índios pela ocupação de terras.
Em síntese, o grande problema é mais ou menos esse: as terras de Raposa Serra do Sol possuem uma extensão de quase 2 milhões de hectares, e desde algum tempo são demarcadas como terras indígenas, porém, nos arredores dessas terras alguns arrozeiros vem plantando e, consequentemente, lucrando com isso.
No último dia 19 o STF, com placar de 10 x 1, determinou a saída imediata (o prazo máximo vai até dia 30 de abril) de arrozeiros e não-índios da região.
Aparentemente os problemas acabam aí, e realmente deveriam acabar aí, mas a grande questão é a seguinte: a área é grande demais para uma população de 20 mil índios (esse é o número de índios que vive nessa região), uma área como essa poderia ser perfeitamente partilhada entre índios e agricultores, gerando uma forte atividade econônica para o estado de Roraima e para o Norte brasileiro como um todo.
Sim, os índios devem possuir direitos sempre, apesar de tudo, eles são na verdade os “donos” desse país e depois de tanta opressão e desfiguração cultural por séculos e séculos, nada mais justo do que um pouco e respeito e consideração para com eles, porém o Brasil (índios, brancos, negros, amarelos e etc.) também precisa evoluir e uma união sem preconceitos entre as diferentes etnias, na questão econônica também é necessária, ou seja, medidas como essa, da retirada de não indíos das terras de Raposa Serra do Sol contribuem para a estagnação
da economia brasileira numa das regiões menos avançadas nesse aspecto.
Acredito que pode haver uma relação harmoniosa entre índios e arrozeiros.