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É tudo azul e grená!

Ontem, definitivamente o Barcelona provou que é na atualidade o melhor time do mundo, tenho que reconhecer isso.
Nem o mais otimista torcedor catalão poderia imaginar uma temporada tão boa como essa 2008/09.
Simplesmente tudo o que o Barça disputou ele venceu: Campeonato Espanhol, Copa do Rey, Liga dos Campeões da Europa, Supercopa da Europa, Supercopa da Espanha e por fim o Mundial de Clubes da FIFA.
E foi com muita técnica, raça e esforço que a equipe do jovem treinador Pep Guardiola venceu todas essas competições.
A coroação final veio ontem em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Como era de se esperar mais uma vez a final do Mundial de Clubes foi decidida entre o campeão da Libertadores e o campeão da Liga dos Campeões da Europa.
Ambos chegaram na final depois de enfrentar algumas dificuldades nas semi-finais: o Barcelona saiu perdendo para o Atlante do México, logo aos cinco minutos de jogo, mas virou pra 3 x 1, com gols de Messi, Busquets e Pedro e conseguiu a vaga na final. Já o Estudiantes também sofreu para vencer o Pohang Steelers, da Coreia, 2 x 1, com três jogadores da equipe asiática expulsos.
Na final, muita tensão dos dois lados, o jogo começou morno, sem grandes chances para nenhum time, a marcação forte impediu que Messi, Ibrahimovic e Verón, os principais jogadores dos dois times, fizessem um grande jogo.
Nenhuma equipe tinha domínio do jogo no primeiro tempo, mas no fim da etapa inicial, mais precisamente aos 37, cruzamento na área do Barça e gol de cabeça de Mauro Boselli, a bola passou por Puyol e na disputa com Abidal o atacante argentino levou a melhor e levou os torcedores do Estudiantes a loucura, ele já havia feito o gol do título na final da Libertadores contra o Cruzeiro e parecia que este poderia ser outro gol que valia título.
Mas na volta para o segundo tempo tudo mudou. A entrada de Pedro no ataque catalão deu mais vida a equipe de Guardiola que passou a atacar o Estudiantes e a dominar o jogo.
A equipe argentina se retraiu muito, na esperança de conseguir segurar o resultado de 1 x 0. Mas o Barça era forte, mesmo com muita marcação do lado argentino e pouca objetividade do lado espanhol, a pressão era muito grande para ser aguentada.
Até que aos 44 do segundo tempo, o jovem Pedro, também de cabeça empatou o jogo, era mesmo uma questão de tempo e este gol abateu e muito o Estudiantes que foi muito abatido e muito cansado para a prorrogação.
Prorrogação que continuou numa tônica parecida com a do segundo tempo do tempo
normal, Barça no ataque agredindo o Estudiantes. O jovem Jeffren entrou bem na vaga de
henry e infernizou o lado direito da defesa argentina. No fim do primeiro tempo o 1 x 1
permaneceu.
Na volta para os últimos 15 minutos de jogo é que tudo mudou. Com 5 minutos Daniel Alves, peça importantíssima nessa temporada do Barça, cruzou na área e aí apareceu a peça mais importante na temporada, Lionel Messi, de peito, de coração ele se antecipou a zaga e colocou a bola no fundo do gol de Albil, era a virada do Barça, o gol do título, daquele que foi o artilheiro do Barcelona na temporada e que será, sem nenhuma dúvida, o melhor jogador do mundo nesta temporada.
Depois disso o Estudiantes, muito aguerrido, até tentou o empate e no último lance do jogo uma cabeçada do zagueiro Desábato passou muito perto do gol de Valdés, mas não tinha jeito, o título era mesmo do Barça.
Festa azul grená, lamentação alvirrubra, assim como na temporada passada, quando o Manchester venceu a LDU, mais uma vez o título do Mundial de Clubes fica na Europa, e de maneira muito merecida, volto a afirmar sem nenhum medo o Barça é o melhor time do mundo, é muito equilibrado, técnico e também conta com muita raça.
Uma temporada inesquecível para a Catalunha.

América Platina ou Decepção Azul

Quando eu escrevi o post falando sobre a Libertadores, antes da competição começar indiquei o Cruzeiro como um dos grandes favoritos ao título, o time argentino do Estudiantes também aparecia no post mas apenas como um time que deve chegar mais longe, dessa vez, diferentemente da Copa do Brasil, eu errei.
A equipe de La Plata que estreou perdendo para o mesmo Cruzeiro, no mesmo Mineirão por 3 x 0, foi se recuperando aos poucos na competição, tomou apenas 2 gols depois das Oitavas de Final e conseguiu seu quarto título de Libertadores: 68,69,70 e agora 2009.
Foi a quinta final seguida entre brasileiros e argentinos na Libertadores em que os “hermanos” venceram (Velez em 1994, Boca em 2000, 2003 e 2007 e agora o Estudiantes).
Além disso, foi a segunda final seguida que um time brasileiro ficou com o vice, o Fluminense havia perdido para a LDU no ano passado.
Mas como isso foi acontecer?
Pouquíssima gente esperava a derrota desse bom time do Cruzeiro, ainda mais jogando em casa.
Vamos ao jogo:
Após um 0 x 0 no primeiro jogo em La Plata, quem ganhasse levaria e empate provocaria prorrogação.
Ambos os times entraram tensos em campo, clima de final de Libertadores, Brasil x Argentina é sempre complicado.
Mas, aos poucos, enquanto a torcida do Cruzeiro, que lotou o Mineirão, não empurrava o time devido a toda essa tensão, o Cruzeiro foi ficando cada vez mais tenso e o Estudiantes foi relaxando, soube catimbar na hora certa, e não se acovardou em momento algum, buscava sempre o ataque e no fim do primeiro tempo, nenhuma grande chance pra nenhum dos dois lados, mas o Estudiantes era melhor.
Na volta para o segundo tempo a tônica do jogo parecia que continuaria da mesma maneira que estava no primeiro tempo, porém, com apenas 6 minutos, o volante Henrique do Cruzeiro bateu de fora da área, a bola desviou e entrou no canto direito de Andújar, Cruzeiro 1 x 0 e festa azul no Mineirão.
Esse gol parecia que iria dar mais tranquilidade ao time, a história da Libertadores de 97, última que o Cruzeiro conquistou, parecia que iria se repetir.
Porém, nada disso aconteceu.
O aguerrido time do Estudiantes nem sentiu o gol sofrido, pra eles era como se nada tivesse acontecido e 5 minutos depois do gol, Verón, o maestro desse time, achou o lateral Cellay livre na direita, este cruzou no meio e Gastón Fernández empatou o jogo.
Era como se o gol cruzeirense não tivesse valido nada. Com o 1 x 1 no placar o jogo voltava a situação de primeiro tempo, Cruzeiro muito tenso e Estudiantes sabendo controlar muito bem o jogo, sabendo jogar dentro do Mineirão contra o Cruzeiro, coisa que poucos sabem.
Aí, aos 27 minutos, num escanteio cobrado por Verón, o artilheiro da Libertadores, Mauro Boselli, subiu de cabeça, fez seu oitavo gol na competição e fechou o placar: Estudiantes de La Plata 2 x 1 Cruzeiro.
Depois disso o Cruzeiro até que tentou, Thiago Ribeiro acertou uma pancada no travessão, mas o título já era dos “pinchas”, apesar de tudo, do favoritismo azul, o time argentino fez um grande jogo ontem e mereceu o título, a defesa sólida, com o ótimo Andújar no gol, que pouco trabalhou, e com Desábato e Schiavi, ambos muito mau vistos aqui no Brasil, mas que jogaram muito bem, o ataque fez o que deve fazer, cada um dos dois atacantes fez um gol, e no meio é que estão as grandes feras desse time, Pérez que dá a movimentação, Braña que marca muito bem e ele, Juan Sebastian Verón, “La Brujita”, que voltou da Europa pra ganhar esse título com o Estudiantes, clube de “La Bruja”, seu pai Juan Ramon Verón.
Em relação ao Cruzeiro, indiscutivelmente foi melhor durante toda a competição, passou tranquilo na primeira fase e eliminou São Paulo e Grêmio no mata-mata, porém na hora da final não foi aquele grande time, que tinha Ramires (o camisa 8 se despediu ontem, agora é jogador do Benfica), Wágner, que contava com as chegadas fulminantes de Jonathan e que tinha um
indomável Gladiador lá na frente.
Ninguém funcionou nessa final, apenas Fábio no primeiro jogo onde salvou tudo e mais um pouco.
Porém, na minha visão de jogo, o que faltou na verdade para o Cruzeiro foi RAÇA.
A equipe é muito boa e entrou em uma situação favorável nesse segundo jogo, e não entrou de salto alto, respeitou o time do Estudiantes, mas entrou muito nervosa no jogo e foi dando espaço pra esse bom time argentino fazer o jogo dele.
A torcida via tudo isso apática e o time não conseguia imprimir raça digna de uma final de Libertadores, parecia um jogo comum de Campeonato Mineiro, os caras tinham que ir buscar bola lá na Lagoa da Pampulha, suar sangue mesmo, e eu não vi isso, e enquanto eu não via isso, via nos olhos dos jogadores argentinos mais raça do que tudo, alguém aí já pensou há quanto tempo o Cruzeiro não perdia de virada dentro do Mineirão?
Foi um verdadeiro “Minerazo”, mas apesar dessa decepção o time do Cruzeiro é muito forte e com toda certeza brigará pelo título do Brasileirão, mesmo sem Ramires e mesmo sem Libertadores.
Só resta agora parabenizar o Estudiantes e principalmente “La Brujita”.