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Especial Toca Raul! – Parte 4 – O legado do Cowboy Fora da Lei

Bem, chega ao fim hoje o Especial Toca Raul!
Todas as sextas do mês de agosto foram dias de Raul Seixas aqui no Un Quimera, tudo isso porque exatamente na última sexta, dia 21/08/2009, chegamos a 20 anos da morte de Raul Seixas.
Passada a euforia da data e dos posts quase idólatras, falo hoje do legado que Raul deixou para a música e para a sociedade brasileira como um todo.
Duas décadas depois Raul ainda está muito vivo não apenas “neste homem e nos meus filhos, na palavra rude que eu disse apra alguém que não gostava e até no whisky que não terminei de beber naquela noite”.
O Cowboy Fora da Lei influenciou principalmente inúmeras bandas de rock brasileiras que surgiram após a década de 1970, mas a influência raulseixista não se restringiu apenas ao rock, cantores da MPB contemporânea também mostram essa influência.
Podemos citar vários exemplos de bandas e cantores: Titãs, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Ira!, Zé Ramalho, Tom Zé, Zé Rodrix e por aí vai.
Mas nesse post queria citar dois exemplos em especial: Zeca Baleiro e a banda Pedra Letícia. (ver vídeos no fim do post)
O cantor e compositor maranhense lançou no ano passado o álbum, dividido em dois volumes: O Coração do Homem Bomba. Uma das canções do disco é Toca Raul.
Isso mesmo, na letra Zeca explica o porquê dessa canção, mas antes de tudo deixa claro que é fã incondicional de Raul, e isso é explicitado na própria música: “Como é poderoso esse Raulzito (poxa vida) esse cara é mesmo um mito, esse cara é mesmo um mito”.
Já os goianos do Pedra Letícia lançaram Eu não toco Raul.
Escrachada bem ao estilo do próprio Raul, nesta canção a banda deixa claro o seu apreço pelo estilo Sidney Magal, o que muita gente não compreende é que Cambota e cia. também são fãs de Raul: “eu acredito quando você diz que ele é legal”, a música é irônica.
O primordial desses dois exemplos em especial é ver a que ponto chega essa influência do Raul, o tempo passa e a força do Cowboy Fora da Lei permanece.
Embora não com o mesmo fanatismo de antes continuo escutando Raul e rendendo homenagens como essa, isso pode parecer muito imbecil para quem vê de fora, mas, falando um português bem claro: o cara foi foda!
Toca Raul sempre!
Obs.: Na foto Raul com uma camiseta que diz: Vote nulo Não sustente parasitas.
Raulzito também tinha seu lado anarquista.

Especial Toca Raul! – Parte 3 – A morte do Maluco Beleza

A série Toca Raul! chega a seu momento mais importante, a data é importante e não dá pra falar sobre tudo o que foi Raul Seixas para o rock, para o Brasil e para mim.
Há exatos 20 anos na madrugada do dia 20 para o dia 21 de agosto o rock brasileiro perdia um de seus maiores, senão o maior ícone: Raul Seixas.
Em 1989 Raul estava muito debilitado: diabético e com pancreatite causada pelo alcoolismo, morava sozinho em um pequeno apartamento em São Paulo.
Estava muito desmotivado, e foi outro rockeiro baiano, Marcelo Nova que conseguiu dar ânimo a Raul e em parceira com o band leader do Camisa de Vênus, Raulzito fez turnê pelo Brasil no primeiro semestre de 1989.
A dupla ainda gravou um LP: A Panela do Diabo. Uma triste coincidência é que esse LP chegou as lojas justamente no dia 21 de agosto de 1989.
Depois de falar sobre como conheci e comecei a gostar da obra de Raul e de seus melhores discos, hoje, sem planejar nada vou escrever minha “opinião formada” sobre Raul Seixas.
Raul foi um cara multifacetado. Não dá pra falar de rock brasileiro sem citar Raul Seixas.
Um verdadeiro admirador do country e blues estadunidense, se inspirou em Chuck Berry, Jerry Lee e Elvis Presley, entre outros, para surgir para o mundo musical ainda na Bahia com o conunto The Panthers.
O The Panthers logo se transformou em Raulzito e os Panteras, com esse nome a banda gravou o que seria o primeiro disco de Raul Seixas, homônimo, o álbum continha canções singelas, bem diferentes das canções posteriores de Raul, destaque para Você Ainda Pode Sonhar, versão de Lucy In The Sky With Diamonds, dos Beatles.
Depois desse disco, Raul foi pro Rio de Janeiro, mas não pra cantar, virou produtor musical e produziu discos de cantores como por exemplo Jerry Adriani.
Mas aí surge a figura de um grande cantor e compositor (que logo terá seu espaço aqui no Un Quimera), Sérgio Sampaio, conterrâneo de Roberto Carlos, o capixaba era um grande amigo de Raul e incentivava o Maluco Beleza a cantar.
O incentivo foi tanto que os dois, juntos com Edy Star e Miriam Batucada formaram a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista (com K mesmo).
Essa sociedade produziu um LP super escrachado, com críticas muito irônicas a sociedade das época, canções como Aos Trancos e Barrancos, Todo Mundo Está Feliz e Dr. Paxeco mostravam toda a sagacidade e irreverência de Raul.
Mas essa seria apenas a primeira das grandes “sociedades” na vida de Raul, depois desse LP, Raul resolveu cantar mesmo e em 1973 lançou Krig-ha, Bandolo!, seu primeiro álbum solo.
Como já disse na segunda parte do especial, o álbum foi o primeiro da carreira solo e pra mim o melhor de todos, daria pra falar de todas as canções, mas destaco How Could I Know, Metamorfose Ambulante e Ouro de Tolo.
Depois disso Raul trilhou um caminho cheio de altos e baixos, grandes canções e grandes polêmicas: Sociedade Alternativa, exílio, prisão, críticas, censura.
Raul viveu em um período conturbado da história brasileira e usando de muita inteligência e ironia soube deixar sua marca.
Em relação aos supostos pactos com o diabo, as mudanças de religião, aos vários casamentos acho melhor nem falar nada. Sim, tudo isso influiu e muito na obra de Raulzito mas essa obra é muito maior do que tudo isso.
Por mais que existam críticas, e pessoas que acham Raul apenas um louco barbudo, não dá pra negar sua importância e influência para o rock e para a música em geral.
Interessante também é essa conclusão do jornalista Silvio Essinger:
“Sempre há uma canção de Raul Seixas para algum momento da vida”
Pra hoje por exemplo: Hoje é feriado é o Dia da Saudade!
Saudade de algo que nunca vi: nasci em 1992 e portanto não presenciei nada de Raul Seixas, mas as músicas e as ideias dele sobrevivem e por isso conheço, gosto e sinto saudade desse baiano.
Por essas e outras é que na semana que vem, na última das quatro partes do Especial Toca Raul! vou falar sobre o legado do Cowboy fora da Lei, até lá.
Pra fechar o post uma clássica apresentação de Raul na Praia do Gonzaga, em Santos, ano de 1984:

Especial Toca Raul! – Parte 2 – O que fez Raulzito…

Hoje volta ao Un Quimera o especial Toca Raul!
Como prometido na semana passada, hoje vou falar sobre alguns dos vários álbuns de Raulzito.
Fã que sou, já escutei todos é lógico, tenho preferência por alguns.
Antes de tudo, digo que foi muito difícil de escolher, pois Raul tem muita coisa boa (isso não é um clichê), mas acabei chegando nos 5 álbuns que considero os “Only Ones” de Raul Seixas.
Detalhe: todos são da década de 70, aí vai, na ordem do meu gosto:
1 – Krig-ha Bandolo! (1973)
Este é o primeiro disco solo de Raul e pra mim o melhor!
A música mais conhecida deste álbum é, com certeza, Metamorfose Ambulante.
Uma das melhores músicas e que tem história, na entrevista publicada na Parte 1 do especial Toca Raul!, Raulzito fala que ainda adolescente já escrevia nas paredes de sua casa: Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
Eternizada na voz de Raul e regravada por vários outros contores como Zé Ramalho e Zélia Duncan, a música mostra um pouco do “múltiplo” Raul Seixas, que tem sua multiplicidade um pouco explicada nessa canção.
Mas além da metamorfose várias outras canções um pouco menos conhecidas fazem parte deste álbum.
Destaco How Could I Know, Rockixe, a irreverente Dentadura Postiça, a irônica Mosca na Sopa e a canção que fecha o disco: Ouro de Tolo.
Na música As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor (do álbum Gita, daqui a pouco falo dele) Raul diz: Quando eu compus, fiz Ouro de Tolo uns imbecis me chamaram de profeta do apocalipse, mas eles só vão entender o que eu falei no esperado dia do eclipse.
A música ganhou tanta força que até o próprio Raul chegou a citá-la.
Ouro de Tolo é um retrato de uma parcela da sociedade brasileira do início da década de 70.
Época do chamado “milagre econômico” brasileiro, com a ditadura no seu auge, Raul mostra que o povo como ele conseguia conquistar muita coisa sim: 4 mil cruzeiros por mês, Corcel 73, apartamento em Ipanema e por aí vai, mas foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto e daí? Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar e eu não posso ficar aí parado.
Quer dizer, na verdade todas essas conquistas são algo pequeno perto do que se pode conquistar realmente, as “coisas grandes”, nem todos pensavam assim, se contentavam, mas Raul era diferente, era mesmo uma metamorfose ambulante.
2 – Gita (1974)

Gita é o segundo álbum solo de Raul, repito, a ordem é por gosto não cronológica, mas acabou coincidindo até agora.
Relembrando novamente a entrevista da Parte 1 do especial, Raul diz que foi convidado a se retirar do país pouco depois da gravação deste álbum, mas que logo depois retornou pois era “ídolo nacional”.
Também pudera, o disco divulgou de vez, pro mundo todo a chamada Sociedade Alternativa.
Sociedade utópica, criada por Raul Seixas e Paulo Coelho, embasada em suas ideias e na forte influência do bruxo inglês Alester Crowley.
A frase Viva a Sociedade Alternativa se transformou em sinônimo de raulseixismo, de inconformismo e, lógico, de alternativa.
No início do clip dessa música, Raul diz uma frase categórica: Se você não está dentro da Sociedade Alternativa, a Sociedade Alternativa sempre esteve dentro de você! (no fim do post tem o vídeo).
Além da Sociedade, O Trem das 7, S.O.S., a canção título do disco: Gita e também Moleque Maravilhoso são algumas das melhores músicas desse álbum, que conta também com a curtísssima, singela, porém bonita Prelúdio:

“Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só mas sonho que se sonha junto é realidade”
3 – Mata Virgem (1979)

Quebrando a ordem cronológica, Mata Virgem aparece em 3º lugar.
Esse já é um disco bem diferente dos da “primeira fase” de Raulzito.
Paulo Coelho volta a acompanhar Raul nas composições, mas surge também a então mulher de Raulzito: Tânia Menna Barreto.
A canção que dá nome ao álbum foi composta junto com ela.
Além de Mata Virgem destaco também Judas, canção que conta inclusive com a participação de Paulo Coelho, logo no início, dizendo: Ei, quem é você? Ei, quem é você? Vamos, Responda!, Raulzito logo entra em alto estilo: Eu… eu sou Judas.
As outras canções pareceram para mim quando escutei uma espécie de testes de Raul Seixas, explico: enquanto os outros álbuns dele possuiam na sua maioria canções de rock and roll, fizeram mais sucesso, Mata Virgem é bem diferente, toda a mistura de estilos está nele, tem a lenta As Profecias, a rápida Conserve seu Medo, a interessantíssima e quase devota a Drácula Magia de Amor e a música que fecha o álbum retrata muito bem toda a ironia e irreverência de Raul: Todo Mundo Explica.
4 – Há Dez Mil Anos Atrás (1976)

Há Dez Mil Anos Atrás é um álbum que, a princípio nem gostei muito.
Mas depois fui escutando ele outras vezes e fui redescobrindo
suas canções, foi bem legal isso.
A canção título se enquadra nas mais escutadas e conhecidas de Raul Seixas.
Fora ela, as outras canções do disco não são tão conhecidas, com exceção de Eu Também Vou Reclamar, onde Raul destila sua crítica fina e irônica: Pare o mundo que eu quero descer!
Mas aí, como eu falei, fui redescobrindo o disco e encontrei Canto para Minha Morte, se existia devoção a Drácula em Magia de Amor o que dizer então da “devoção” a morte nesta canção?
Vale lembrar que neste álbum quase 100% das composições ainda são com Paulo Coelho, e uma das poucas canções que é de autoria exclusiva de Raul e que curto muito é Os Números.
Tem também Quando Você Crescer, uam batida suave, tranquila e com uma conclusão das mais românticas: Felicidade é uma casa pequenina, é amar uma menina e não ligar pro que se diz.
5 – O Dia Em Que a Terra Parou (1978)

Pode até ser de se estranhar que o álbum que contenha Maluco Beleza, talvez a obra-prima de Raul esteja apenas em 5º lugar, mas na verdade, esse álbum seguiu o mesmo caminho de Há Dez Mil Anos Atrás: num primeiro momento não curti muito, mas depois redescobri as canções e hoje talvez seja o álbum de Raul que eu mais escuto.
Como já disse, Maluco Beleza é a grande canção de Raul e está presente neste álbum, este é o primeiro álbum de Raul que não conta com nenhuma participação de Paulo Coelho nas composições, que voltaria a compor com Raul um ano depois no álbum Mata Virgem.
Todas as canções são parceira de Raul e Cláudio Roberto.
Canções como Sapato 36, crítica de Raul a seu pai?
Para muito sim, mas na verdade o pai é o governo brasileiro impositor, que “inventou” o Sapato 36 que poderia ser a censura, o filho é Raul e todo povo brasileiro, o “sapato que não vai mais me apertar” é a decisão de cantar e reivindicar. Meu pai, meu pai!
Tem também a música que dá nome ao disco: O Dia Em Que a Terra Parou.
Além dessas destaco No Fundo do Quintal da Escola e Eu Quero Mesmo. Nesta última, Raul mostra toda sua mutabilidade, cantando iê-iê-iê sem medo!
Bem, estes são os cinco melhores álbuns de Raul na minha opinião, volto a dizer que não foi fácil escolher. Deixar Por Quem os Sinos Dobram, Novo Aeon e o álbum homônimo de fora é algo controverso.
Mas fica assim mesmo e lembro que sexta-feira que vem é dia 21 de agosto, dia em que se completarão exatos 20 anos da morte de Raulzito e dia da Parte 3 do Especial Toca Raul! aqui no Un Quimera.
Pra fechar o post, um viva… viva a Sociedade Alternativa!

Especial Toca Raul! – Parte 1 – De como tudo começou…

Bem, pra quem não sabe no dia 21 de de agosto desse mês, completarão exatos 20 anos da morte de Raul Santos Seixas.
Sim, sou um fã de Raul, pra mim ele é dos maiores expoentes do rock brasileiro, revolucionou nossa música como um todo e merece muitas lembranças e homenagens.
Como dia 21 de agosto cairá numa sexta-feira, neste mês de agosto todas as sextas serão dia de Toca Raul! aqui no Un Quimera.
Bem poderia falar sobre toda a vida de Raul, fazer uma pequena biografia e citar coisas que sejam acessíveis para todos.
Mas não, sou fã e esses posts são só para malucos belezas como Raul e todos os seus fãs.
E o título dessa parte 1 é “De como tudo começou”
Começou lá em 2004, eram 15 anos sem Raul Seixas e eu com apenas 12 comecei a me
interessar por músicas diferentes das que escutava normalmente, o porque eu não sei até hoje, só sei que comecei a buscar coisas novas.
E uma das primeiras coisas que surgiu foi Raul Seixas.
Tinha um trabalho de escola que falaria sobre música, rock brasileiro era a minha parte, levei meu violão pra escola, mesmo sem saber tocar direito e escutei uma ou outra música de Raul.
Até que chegou o dia em que pedi emprestado algum CD de Raul Seixas pro meu pai.
Lembro como se fosse hoje do primeiro que ele me emprestou: Anarkilópolis.
Um CD póstumo que na verdade era uma coletânea de alguns sucessos de Raul, não demorou pra eu escutar ele várias e várias vezes e pedir mais pro meu pai.
Mal sabia eu que viriam todos os outros, sim, só aí fui descobrir que meu pai era outro raulseixista fanático, e em momento algum me obrigou a escutar Raul, esperou eu pedir e me passou tudo que ele tinha.

Daí pra frente fui conhecendo aos poucos toda a grandiosa, engimática, misteriosa, irreverente e questionadora obra de Raul, no começo, até 2005, era um verdadeiro fanatismo.
Hoje já não vejo assim, rio dos meus desenhos daquela época em que desenhava Raul e sua barba e o símbolo da Sociedade Alternativa nos cadernos de escola.
Hoje nem escuto tanto Raul, mas a importância da música dele na minha vida musical é fundamental, é como eu disse no começo, na época em que comecei a escutar Raul estava querendo conhecer músicas novas, diferentes, e as canções de Raul foram uma porta para aquele outro mundo musical que se abria para mim.
Bem, foi assim que tudo começou, no fim do ano de 2004.
No próximo post, na sexta que vem, falarei de alguns álbuns marcantes de Raulzito.
E pra fechar o post de hoje, um videozinho com uma entrevista de Raul Seixas para Pedro Bial, das antigas, onde Raul fala de várias coisas sobre sua vida, sua obra e tudo mais, pra quem ainda não entrou no clima do Especial Toca Raul! nada melhor do que essa entrevista: