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Veja por outro lado

O vazamento do ENEM foi um assunto que abalou muita coisa nesses últimos dois dias, gerou muito assunto e me deixou com muita raiva também.
Gerou um amplo quadro de possibilidades a serem especuladas, trato hoje do lado jornalístico desse “acontecimento” (os “acontecimentos” aparecem sempre no último dia do mês, mas esse mês promete, e o assunto vazamento do ENEM interferiu muito em minha vida, vale a pena explorá-lo aqui).
Um texto, Veja por outro lado:
Hoje seria um sábado, um pouco diferente de todos os outros.
Um sábado em que eu iria acordar cedo, tomar um café e já ir preparando papeis e documentos.
A minha cidade é um tanto quanto pequena, por isso iria ter que viajar nesse sábado, por volta das 10, 10:30 da manhã.
Chegar em uma cidade vizinha, procurar uma escola com nome engraçado e sentar numa cadeira pra fazer uma prova durante a tarde inteira, 90 questões.
Amanhã, seria um domingo, um pouco diferente de todos os outros.
Um domingo em que eu iria acordar cedo, tomar um café e pegar novamente os documentos, dessa vez já sem os papeis.
A minha cidade é mesmo pequena, por isso iria ter que viajar nesse domingo, por volta das 10, 10:30 da manhã.
Chegar em uma cidade vizinha, voltar àquela escola de nome engraçado e sentar numa cadeira pra fazer mais uma prova durante a tarde inteira, 90 questões e uma redação.
Estaria vivendo isso, o novo ENEM, eu e mais 4 milhões de estudantes.
Mas não viverei isso, pelo menos não nesse final de semana. Por que?
Porque a prova que já tinha gerado muita discussão e polêmica durante o ano foi adiada na madrugada de quarta para quinta (01º/10), o motivo seria uma fraude: dois caras, com as provas em mãos, as ofereceram a uma repórter do jornal O Estado de São Paulo.
A repórter (Renata Cafardo), acompanhada de dois outros repórteres não aceitou pagar R$ 500 mil para os “amadores” e prontamente entrou em contato com o ministro da Educação Fernando Haddad, foi confirmada a fraude e por volta de 1h da madrugada o ENEM estava oficialmente cancelado.
Deve-se destacar primeiramente a atitude exemplar da jornalista do Estadão. Vendo assim todos pensam que o que foi feito, seria feito por qualquer outro no lugar de Renata, sim, pode até ser verdade que ela não fez mais do que obrigação, foi ética, cumpriu seu dever de jornalista exemplarmente, mas será que todos teriam a mesma atitude?
O que aconteceria se os dois homens que estavam com a prova tivessem ido a uma outra empresa de comunicação que gostasse do papo deles e aceitasse pagá-los?
Na verdade é melhor nem pensar, mas dá pra imaginar eu e mais uma legião de estudantes vendo todo o estudo e planejamento feito durante todo o ano indo por água a baixo, até mesmo aqueles que não estudaram teriam o direito da revolta.
Fernando Haddad seria prontamente demitido, o caso ganharia proporções ainda maiores, a festa e a alegria da escolha do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016 (assunto a ser comentado nos “acontecimentos” do fim do mês) seria abafada com algo tão alarmante.
Por essas e outras é que o trabalho que envolve a comunicação tem que ser exaltado, quando o que está em jogo é a opinião pública não se pode ser displicente nem cair em qualquer conversa.
E é por isso que eu digo, em casos tão bombásticos como esse, veja por outro lado.
Rogério Arantes

O Novo ENEM

Agora eu deveria estar estudando, ou então ter terminado mais um dia de muito estudo.
Agora eu deveria estar estudando, ao invés disso, tive aula cedo e a tarde, mais uma aula de francês no começo da noite e depois de tomar um banho comecei a mexer com coisas da formatura e agora estou escrevendo isso aqui.
Agora eu deveria estar estudando, estudando para o novo ENEM, a ideia genial de Haddad e cia. que começou a ser discutida depois do início do ano letivo e já será colocada em prática nesse mesmo 2009.
Agora eu deveria estar estudando, mas tem coisas que se vê e que não dá pra ficar quieto, apenas observando, embora nada do que eu faça ou escreva vá mudar alguma coisa em relação a esse tão falado novo ENEM, o Windows Media Player toca Dom Quixote dos Engenheiros, pois então que seja por amor as causas perdidas.
Então vamos lá, tudo começa com uma proposta de um novo ENEM, tá bom, querem mudar, mudanças podem ser interessantes, mas em questões tão abrangentes e importantes para toda a sociedade, direta ou indiretamente (como é o caso do ingresso no Ensino Superior) as mudanças não podem ser feitas de uma maneira tão rápida, de uma hora pra outra.
Mas não, a proposta é feita, aceita e em maio divulgam: Novo ENEM terá 180 questões, divididas em 4 provas de 45 questões cada, além da redação, data das provas: 3 e 4 de outubro.
Se a mudança afoita já parecia um erro o que dizer então dessas datas ridículas?
É só usar do bom senso, nenhum aluno que está cursando o 3º Ano Colegial esse ano tem condições de ver todas as matérias de uma maneira aprofundada até o final de setembro.
Podem até chamar de vagabundagem, mas como conciliar Kepler, Newton, Ohm, Kekulé, Mendel, Jurandyr Ross, Getúlio Vargas, Pitágoras, Camões, Machado de Assis e muitos outros em tão pouco tempo ?
Sem contar que maiores de 18 anos que não concluíram Ensino Médio poderão “conclui-lo” indo bem nessa prova.
É a mesma coisa de falar: Você que está no 3º Ano não precisa estudar nem se preocupar, daqui um ou dois anos é só estudar um pouquinho que você conclui o Ensino Médio.
Suponhamos que depois disso o aluno consiga ingressar numa faculdade, qual será o nível desse aluno?
Do que adianta passar quem não tem vontade de conquistar algo maior, que forma sem ter noção do que faz?
Governantes brasileiros, superiores da Educação, pra que mostrar pros outros uma realidade que não existe?
Aprovar, aprovar e aprovar não vai mudar a mentalidade do aprovado que não teve dificuldade nenhuma para ser aprovado!
Mas, volto a dizer, tenho consciência de que eu deveria estar estudando e não aqui no computador, depois eu não passo e nenhum texto vai adiantar de nada, mas, definitivamente, escrevo esse texto por amor as causas perdidas.
Em tempo, as inscrições começam hoje, e o texto foi escrito por mim na noite da última terça-feira.