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Rabo de Urna #07

O sétimo Rabo de Urna é especial.

Vem falar de um assunto muito, mas muito importante mesmo, que é a Educação, pilar para o desenvolvimento de qualquer país e que deve ser levado a sério sempre (nessas Eleições então, mais ainda).

E fala disso de uma maneira diferente, não serão as ideias ou a opinião do blogueiro que estarão presentes aqui, ma sim um texto de Ivan Bilheiro.

Nesses primeiros meses de Juiz de Fora, já fiz alguns amigos e Ivan é um deles, mandou muito bem nesse texto que foi publicado no Tribuna de Minas, e eu pedi a ele a permissão para publicá-lo aqui no Un Quimera, encaixaria perfeitamente na série Rabo de Urna.

Vale lembrar também que Ivan é um dos poquíssimos leitores deste querido blog…

Aí vai:

Educação e Qualidade

O tema educação já não é novidade no debate político. Mas a sociedade brasileira e os políticos precisam encará-lo sob a perspectiva certa: a da qualidade. Neste momento em que o país se prepara para eleger novos representantes e governantes, a oportunidade para corrigir o olhar sobre a educação é imperdível.

Quando se fala do direito à educação, muitas vezes não se fala de qualidade. Assim, mesmo que o direito à educação seja inserido na agenda política dos candidatos, nem sempre isso corresponde ao que, de fato, deve ser buscado: o direito à aprendizagem.

Escolas malconservadas, alunos que tiram pouco proveito de suas horas nas instituições de ensino, professores mal remunerados e pouco motivados: este pode ser o cenário de um país que garante o acesso à educação, mas jamais seria o cenário de um país que luta pela qualidade da educação. Se os estudantes brasileiros tivessem o direito à aprendizagem, consequentemente haveria uma melhora no cenário educacional, pois não há condições de garantir a aprendizagem sem que os professores e as escolas recebam a devida atenção.

Desta forma, deve-se colocar na lista de prioridades o direito à aprendizagem, para que os candidatos que se comprometam com a questão da educação não possam fazê-lo simplesmente para garantir votos, pois a responsabilidade sobre a aprendizagem requer a garantia de uma educação de qualidade, a única que pode oferecer um futuro melhor para o país.

A função de todos os eleitores, na posição de cidadãos responsáveis pela sociedade em que vivem, é lutar pela garantia do direito à aprendizagem, através de uma educação de qualidade, a fim de que o sistema educacional não seja ampliado no âmbito quantitativo, mas que ganhe qualitativamente. Direito à educação sim, mas de qualidade!

Mês que vem tem mais Rabo de Urna, valeu pelo texto Ivan.

O Novo ENEM

Agora eu deveria estar estudando, ou então ter terminado mais um dia de muito estudo.
Agora eu deveria estar estudando, ao invés disso, tive aula cedo e a tarde, mais uma aula de francês no começo da noite e depois de tomar um banho comecei a mexer com coisas da formatura e agora estou escrevendo isso aqui.
Agora eu deveria estar estudando, estudando para o novo ENEM, a ideia genial de Haddad e cia. que começou a ser discutida depois do início do ano letivo e já será colocada em prática nesse mesmo 2009.
Agora eu deveria estar estudando, mas tem coisas que se vê e que não dá pra ficar quieto, apenas observando, embora nada do que eu faça ou escreva vá mudar alguma coisa em relação a esse tão falado novo ENEM, o Windows Media Player toca Dom Quixote dos Engenheiros, pois então que seja por amor as causas perdidas.
Então vamos lá, tudo começa com uma proposta de um novo ENEM, tá bom, querem mudar, mudanças podem ser interessantes, mas em questões tão abrangentes e importantes para toda a sociedade, direta ou indiretamente (como é o caso do ingresso no Ensino Superior) as mudanças não podem ser feitas de uma maneira tão rápida, de uma hora pra outra.
Mas não, a proposta é feita, aceita e em maio divulgam: Novo ENEM terá 180 questões, divididas em 4 provas de 45 questões cada, além da redação, data das provas: 3 e 4 de outubro.
Se a mudança afoita já parecia um erro o que dizer então dessas datas ridículas?
É só usar do bom senso, nenhum aluno que está cursando o 3º Ano Colegial esse ano tem condições de ver todas as matérias de uma maneira aprofundada até o final de setembro.
Podem até chamar de vagabundagem, mas como conciliar Kepler, Newton, Ohm, Kekulé, Mendel, Jurandyr Ross, Getúlio Vargas, Pitágoras, Camões, Machado de Assis e muitos outros em tão pouco tempo ?
Sem contar que maiores de 18 anos que não concluíram Ensino Médio poderão “conclui-lo” indo bem nessa prova.
É a mesma coisa de falar: Você que está no 3º Ano não precisa estudar nem se preocupar, daqui um ou dois anos é só estudar um pouquinho que você conclui o Ensino Médio.
Suponhamos que depois disso o aluno consiga ingressar numa faculdade, qual será o nível desse aluno?
Do que adianta passar quem não tem vontade de conquistar algo maior, que forma sem ter noção do que faz?
Governantes brasileiros, superiores da Educação, pra que mostrar pros outros uma realidade que não existe?
Aprovar, aprovar e aprovar não vai mudar a mentalidade do aprovado que não teve dificuldade nenhuma para ser aprovado!
Mas, volto a dizer, tenho consciência de que eu deveria estar estudando e não aqui no computador, depois eu não passo e nenhum texto vai adiantar de nada, mas, definitivamente, escrevo esse texto por amor as causas perdidas.
Em tempo, as inscrições começam hoje, e o texto foi escrito por mim na noite da última terça-feira.