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Coruja de Minerva #03

Hoje é dia do terceiro post da série Coruja de Minerva.

Pra quem ainda não sabe, esta série é totalmente dedicada à Filosofia. A ideia é publicar artigos e textos sobre variados temas da Filosofia, na tentativa de divulgar a Filosofia em um meio mais “pop” que são os blogs e ao mesmo tempo complementar o meu curso de graduação.

Comecei o 4º período na última segunda e no período passado um tema em especial me chamou muito a atenção. Esse tema foi a Fenomenologia. Um nome que, penso eu, parece muito estranho pra quem não tem um maior contato com a Filosofia. A Fenomenologia foi muito desenvolvida e ganhou status de ciência de rigor após as obras do filósofo alemão Edmund Husserl. Estudos em cima de Husserl me levaram a produzir o texto que publico agora, uma visão bem superficial desta corrente filosófica que influenciou muito o pensamento filosófico contemporâneo.

Voltar às coisas mesmas

O início da Filosofia Contemporânea está intimamente ligado à Fenomenologia. O ponto de partida para todo um pensamento renovado, que se mostra em escolas filosóficas do século XX como o Existencialismo.

O presente texto buscará analisar, compreender e questionar os principais pontos do texto “A Fenomenologia Husserliana como Método Radical”.

Edmund Husserl é considerado o fundador dessa nova filosofia que se preocupa, em síntese, com a relação sujeito-objeto e vem para tentar por fim em um verdadeiro “solepsismo filosófico” que se desenrolava no pensamento filosófico de seu tempo: o Racionalismo, que tinha como principais representantes Descartes, Spinoza e Leibniz se contrapondo ao Empirismo de Locke e Hume.

A Fenomenologia não quer ir lá, nem cá. Propõe um esquema novo, é um método radical, pois vai até a raiz das coisas, fazendo valer a frase que é um verdadeiro lema dessa filosofia: “zu den sachen selbst” (voltar às coisas mesmas).

Husserl tenta fundamentar um método em que a nossa relação com as coisas volte a ser verdadeira, é aí que entram os principais pontos dessa filosofia: a valorização da subjetividade, a intencionalidade da consciência e a redução eidética ou epoqué.

Antes de explicitar melhor todos esses conceitos, vale deixar bem claro o conceito-chave dessa filosofia, que dá nome a ela. O que é o fenômeno? “Por fenômeno, no sentido originário e mais amplo, entende-se tudo o que aparece, que se manifesta ou se revela” (pág. 16). 

Posto isso, passemos aos outros pontos já citados. Existe uma valorização da subjetividade pois é nela que se funda a Fenomenologia, uma ciência legitimamente humana, diferente do famigerado objetivismo do Empirismo, a apreensão do fenômeno é totalmente dependente da subjetividade e a afirmação disso, para não se cair em “anarquismo epistemológico” se dá com a intersubjetividade.

A intencionalidade da consciência é o que a constitui, a consciência aqui não é uma consciência-substância como era para Descartes, mas sim um movimento, é sempre consciência de alguma coisa, é o ato de ver.

A redução fenomenológica procura colocar o mundo entre parênteses, sem duvidar de sua existência, mas sim para focar na experiência que está tendo com determinada coisa (seja ela o que for), contrapõe a atitude fenomenológica com a atitude natural, a segunda seria uma simples e ingênua atitude, já a primeira seria uma verdadeira experiência da consciência, uma apreensão legítima do conhecimento.

Analisados todos esses conceitos fica a constatação de que a Fenomenologia foi um divisor de águas dentro da História da Filosofia, e impulsionou muitas escolas filosóficas posteriores, colocar a subjetividade transcendental como centro de uma ciência é ir além e abrir infinitas possibilidades.