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Conseguimos conquistar com braço forte…


A Seleção Brasileira fez ontem seu segundo jogo na Copa do Mundo e ao contrário do que muitos esperavam o time comandado por Dunga jogou bem durante algum tempo e venceu sem maiores dificuldades aquela que é considerada a melhor seleção africana de futebol da atualidade (pelo que mostrou ontem o ramo das lutas pode abrigar também o time de Sven Goran Eriksson).

Logo no início do jogo Robinho teve uma grande chance e quase abriu o placar, porém nos minutos seguintes a seleção africana adiantou sua marcação e não deixou o Brasil jogar. Robinho e Kaká tinham de voltar a todo momento para auxiliar os volantes e dava a impressão de que a Costa do Marfim poderia complicar as coisas para a nossa seleção.

Porém não demorou muito para o ataque brasileiro funcionar, em boa jogada de Kaká, Luis Fabiano recebeu na frente e fuzilou o gol de Barry, aos 25 minutos do primeiro tempo, Brasil 1 x 0.

O gol deu mais segurança para a Seleção Brasileira e desanimou o time marfinense, até o fim do primeiro tempo o que se viu foi o Brasil buscando o segundo gol sem muita objetividade e os marfinenses sem aquela marcação tão forte do início do jogo.

Na volta para o segundo tempo o Brasil melhorou, mesmo sem nenhuma alteração o time pareceu mais ligado e logo aos 5 minutos um golaço que gerou muita polêmica.

Luis Fabiano recebeu na aŕea passou por vários marcadores, fez uma bela jogada e tocou de esquerda no cantinho do gol, fazendo talvez o gol mais bonito dessa Copa, porém em duas no lance ele usou o braço para dominar a bola, daí o título do post em tom de brincadeira, acredito que um gol tão bonito mesmo irregular não merecia mesmo ser anulado. Enfim, foi aí que o juiz Stephanne Lannoy começou a se complicar.

Pouco depois do segundo gol surgiu o terceiro, o Brasil dominava o jogo e em mais uma boa jogada de Kaká, Elano apareceu na aŕea como elemento surpresa e tocou no canto, Brasil 3 x 0.

A Costa do Marfim ainda conseguiu diminuir com um gol de cabeça do principal jogador do time, o atacante Didier Drogba, muitos reclamaram da imobilidade de Júlio César no lance, acho que essa reclamação não tem fundamento, a cabeçada foi perfeita, no chão, no canto, indefensável, Júlio não teve culpa, ainda é o melhor goleiro do mundo e está muito bem na Copa.

Tudo caminhava para um fim de jogo tranquilo, mais uma vitória brasileira e dessa vez, como era de se esperar com um futebol mais convincente, porém o time da Costa do Marfim começou a apelar para um futebol violente, inúmeras foram as chegadas maldosas dos marfinenses e o árbitro deixava isso rolar com conivência, se complicou ainda mais.

Kaká, visivelmente nervoso e incomodado por isso recebeu o cartão amarelo e poucos minutos depois, após um encontrão normal com o meio-campista Keita foi expulso por Lannoy, Keita simulou uma agressão e o árbitro caiu na dele, muita reclamação por parte dos brasileiros e o nosso camisa 10 fica fora do confronto contra Portugal.

Essa talvez tenha sido a maior polêmica do jogo, e a minha opinião sobre isso é a seguinte: está claro que Kaká não teve intenção nenhuma de agredir ninguém, nunca tinha visto ele ser expulso e não acho que seria numa Copa do Mundo que ele faria isso de propósito, nervoso é claro que ele estava e quem não estaria?

Aí então questionam Dunga, por que não tirar Kaká de campo? Concordo, essa seria a atitude mais correta, mas será que a culpa pela expulsão é exclusiva do treinador? Na minha opinião o grande vilão da história foi o árbitro, ele prejudicou a si próprio e também a nossa Seleção.

No fim a impressão que fica, pelo menos pra mim, é que esse time pode ir longe, são muitas as reclamações e as contestações, mas os resultados estão aí, a classificação já assegurada na segunda rodada desse grupo que não era tão fácil como os das Copas de 2002 e 2006. E o bom futebol, que eu também considero importante, aos poucos vai aparecendo.

Na sexta chega a hora do confronto mais complicado da primeira fase ,o duelo contra Portugal, é bom chegar a esse jogo já classificado, mas não é por isso que a Seleção pode se acomodar, jogar sem Kaká vai ser ruim por uma lado, afinal ele evoluiu nessa segunda partida e poderia dar prosseguimento a essa evolução jogando contra os lusos, mas bom por outro lado, será interessante ver como a seleção vai se portar sem o camisa 10 em campo. Com Júlio Baptista? Ramires mais recuado? Nilmar ao lado de Robinho e Luis Fabiano?

É esperar pra ver e enquanto isso durante a semana comento um pouco sobre os outros jogos, hoje já tivemos dois confrontos interessantes: o massacre luso na Coreia do Norte e a vitória chilena quebrando o forte bloqueio suíço, e confirmando a grande fase das seleções latinas nessa Copa do Mundo.

Sawubona #02

No segundo post da série Sawubona, falo dos “anfitriões” da Copa de 2010.
Não considero apenas os bafana-bafana como os anfitriões, mas sim todas as seleções africanas que participarão da Copa.
Como nunca antes na história uma Copa do Mundo de futebol foi realizada no continente africano não dá pra saber exatamente o quão longe poderão chegar as equipes africanas na competição.
O que dá pra ter certeza é que de uns 20 anos pra cá o futebol africano cresceu muito e teve seus bons momentos, o Camarões de Roger Milla, a Nigéria de Kanu e atualmente a Costa do Marfim de Drogba são seleções que podem até não ter grandes conquistas mas sempre dão muito trabalho.
Uma pequena análise de cada um dos africanos:
África do Sul
Os donos da casa além do verde e amarelo na camisa tem muito mais de Brasil
nessa Copa do Mundo.
Foram treinados por dois técnicos brasileiros de 2006 pra cá. Primeiro Carlos Alberto Parreira que treinou os bafana-bafana até meados de 2008 e decidiu dar um tempo ele mesmo indicou Joel Santana para o seu lugar.
O novo treinador durante o período a frente da seleção da África do Sul ficou famoso pelo seu inglês, mas além disso também fez uma boa Copa das Confederações levando a sua seleção até as semi-finais da competição, a derrota foi justamente para o Brasil, 1 x 0, belíssima cobrança de falta de Daniel Alves nos últimos minutos de jogo.
Depois disso Joel não conseguiu bons resultados, a pressão pra cima dele ficou muito grande e ele acabou sendo demitido. Para seu lugar de novo Parreira.
O treinador campeão mundial em 94 tem a responsabilidade de treinar os donos da casa e apesar do mando de campo não é uma missão das mais fáceis.
O time sul-africano nunca teve muita tradição e atualmente conta um plantel esforçado mas sem grandes destaques individuais, o maior deles talvez seja o meio-campista Pienaar, do Everton da Inglaterra.
E além disso o grupo da África do Sul também não é dos mais fáceis. Conta com Uruguai, México e França. Dois campeõies mundiais e uma seleção que sempre incomoda.
Argélia
As Raposas do Deserto, como são chamados os jogadores argelinos, são uma grande surpresa.
A última participação em Copas do Mundo foi em 1986 (enfrentou o Brasil inclusive), de lá pra cá o futebol argelino pouco conseguiu e até quatro anos atrás era uma das seleções mais fracas da África.
Do nada o time cresceu e muito e nas eliminatórias para a Copa tirou a seleção do Egito, atual campeã africana.
A festa foi grande e as expectativas para a Copa do Mundo são expectativas de um franco-atirador. Ainda mais depois da eliminação nas semi-finais da Copa das Nações Africanas desse ano para o Egito, por 4 x 0.
Em um grupo que conta com Inglaterra, Estados Unidos e Eslovênia, as chances de classificação são mínimas.
Camarões
A seleção camaronesa talvez seja a de mais tradição dentre todas as do futebol africano.
Muito dessa história se deve a Roger Milla e a seleção da Copa de 1990. De lá pra cá os Leões Indomáveis tiveram muitos altos e baixos e depois de ficarem de fora do mundial da Alemanha vão pra África do Sul querendo algo mais do que a primeira fase.
O principal destaque é Samuel Eto’o, o atacante da Internazionale que fez história no Barcelona, além dele nomes como Alexandre Song, Makoun e Kameni formam a base dessa seleção.
O grupo não é dos mais fáceis, na minha opinião aliás é o chamado grupo da morte: Japão, Dinamarca e Holanda.
Muito se esperou de Camarões na Copa das Nações Africanas, mas a seleção de Eto’o caiu nas quartas de final para o campeão Egito, na Copa do Mundo a esperança é de que não aconteça outra decepção.
Costa do Marfim
A Costa do Marfim é considerada por muitos a maior força do futebol africano atualmente.
Apesar de também ter decepcionado na Copa das Nações Africanas, perdendo nas quartas de final para a Argélia, as expectativas para a Copa são as melhores possíveis.
É nítida a evolução do futebol marfinense de uns oito anos pra cá. A classificação e o bom futebol mostrado na Copa de 2006, fizeram dos marfinenses uma das sensações daquela Copa, o time de Drogba no entanto não passou da primeira fase.
O perigo de isso acontecer de novo na África do Sul é grande, mais uma vez os marfinenses não deram sorte no grupo, Coreia do Norte, Portugal e Brasil compõem o grupo, e a briga promete ser boa.
Didier Drogba, maior artilheiro da história de seu país é a principal arma, porém dentre todas as seleções africanas classificadas para a Copa do Mundo, a Costa do Marfim é a que possui o elenco mais qualificado: Boka, Eboué, Yaya Touré, Kalou, dentre outros fazem parte dessa seleção que deve dar muito trabalho.
Gana
A seleção de Gana, depois de boa participação na Copa de 2006, sendo eliminada pelo Brasil nas oitavas de final vem com moral para a Copa de 2010.
O grupo não é dos mais difíceis, conta com Alemanha, Austrália e Sérvia. Uma nova classificação é muito esperada, ainda mais depois do bom desempenho na Copa das Nações Africanas.
Sem muito alarde os Estrelas Negras eliminaram os donos da casa (Angola) e também a Nigéria, conquistando o vice-campeonato após uma derrota de 1 x 0 para o Egito na final.
Michael Essien, meio-campista do Chelsea é o principal jogador da seleção de Gana que conta também com Appiah, Muntari e Asamoah Gyan.
É interessante também citar o ótimo desempenho ganês nos últimos mundiais sub-17, é a atual campeã inclusive, após vitória nos pênaltis pra cima do Brasil na final realizada no ano passado, sinal de continuidade e renovação para as próximas Copas do Mundo.
Nigéria
A seleção nigeriana ficou famosa na década de 90, principalmente por ter eliminado o Brasil das Olímpiadas de Atlanta em 96.
Nessas Olímpiadas surgiu para o mundo Nwanwanko Kanu, o grande jogador nigeriano de todos os tempos.
Na primeira década do Século XXI o desempenho do futebol nigeriano caiu muito, não conseguindo nem se classificar para a Copa do Mundo de 2006.
De volta agora a Copa, a Nigéria, dentre todos os países africanos talvez tenha sido o que deu mais sorte na hora do sorteio dos grupos, ao lado de Argentina, Coreia do Sul e Grécia, a exepectativa é a classificação para as oitavas de final.
Depois de um terceiro lugar na Copa das Nações Africanas desse ano, com vitória de 1 x 0 sobre a seleção da Argélia, as maiores esperanças nigerianas estão em Obinna (não é o famoso Obina não hein), Peter Odemwingie e Makinwa.
No mês que vem tem mais Sawubona.