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Estreia brasileira


O Brasil estreou na Copa ontem. Muitos foram os comentários pós jogo, o Brasil literalmente para em dia de jogo na Copa e as reações em relação ao jogo foram as mais variadas possíveis.

A estreia era aguardada ansiosamente por todos e aqui em Juiz de Fora não foi diferente.

Fui ver o jogo em um barzinho e por todas as ruas da cidade eram camisas, chapeus e vuvuzelas verde e amarelas, no bar não foi diferente e enfim a bola rolou.

Toda estreia é tensa, em Copa do Mundo então para um time que dos 23 convocados, 14 disputam a Copa pela primeira vez, a tensão é ainda maior, partilho da opinião de que em estreia o que importa é vencer, o bom futebol fica pra depois. (vide Espanha hoje…)

Pode até ser muito pragmática e fria essa ideia, mas é a que vale.

E o Brasil fez isso, a espera minha e da grande maioria era de um resultado mais elástico, pelas expectativas geradas em torno da nossa seleção e pela fraqueza do adversário.

Mas o que se viu foi um jogo truncado, com um primeiro tempo bem feio e um segundo tempo um pouco melhor.

Falando especificamente dos jogadores: Maicon e Elano, autores dos dois gols brasileiros foram os principais destaques individuais do jogo, ao lado de Robinho.

O lateral apoiou muito bem, como sempre faz e esteve sólido na defesa. Já Elano se movimentou bem dando opções ao meio de campo brasileiro. Ambos foram recompensados com o gol e em relação a Robinho, não fez gol, mas deu um lindo lançamento para o gol de Elano e foi o jogador mais participativo durante todo o jogo.

No fim um inesperado gol coreano. A equipe asiática muito menosprezada por todos sai da primeira rodada com moral, pelo menos entre eles, devido ao gol marcado contra o Brasil, assim como nós eles esperavam ser massacrados.

Enfim, tudo isso remete a pensar que a Seleção Brasileira pode e deve melhorar muito ainda nessa Copa, os próximos adversários (a começar pelos confrontos ainda na primeira fase contra Costa do Marfim e Portugal) serão bem mais perigosos. Mas é como eu disse e reafirmo em estreia o importante é vencer.

Outra coisa que acho interessante comentar é em relação a raça e ao comprometimento dessa seleção. O choro de Maicon na hora do gol e a postura séria de todos os jogadores mostra que a equipe está empenhada na busca pelo título, sinceramente, acho que isso pode fazer toda a diferença e não vi isso em 2006, o time parecia frio demais, sem comprometimento, deu no que deu.

A segunda rodada da Copa já começou hoje e os donos da casa já estão praticamente fora, depois da derrota de 3 x 0 para o Uruguai, mais comentários sobre a Copa virão, e além deles vai ter QuimeraShare, QuimeraTube e Rabo de Urna também.

Os "acontecimentos" de maio/2009

Fim do mês de maio, e mais dois “acontecimentos”, um envolve a morte de um grande
dramaturgo brasileiro e o outro é em relação a corrida nuclear da Coreia do Norte.
A morte de Augusto Boal

Eu não sou nenhum grande conhecedor de teatro. Como aqui na minha cidade um teatro simplesmente não existe, eu só assisti uma peça de teatro, dentro de um teatro, uma vez na vida, a peça foi Dom Casmurro.
Por que faço essa pequena introdução?
Porque um dos acontecimentos do mês, ocorrido no dia 02, foi a morte de um dos maiores diretores de teatro que o mundo já viu.
Augusto Boal, nascido em 16 de março de 1931, no Rio de Janeiro, estudou Engenharia Química e Dramaturgia em Nova York, e voltou ao Brasil com a vontade de revolucionar o teatro aqui.
A partir de 1956 passa a integrar o Teatro Arena, em São Paulo, onde juntamente com Gianfrancesco Guarnieri e outros monstros do teatro começa a mostrar quem é, e o que são suas ideias.
Com o fim do Teatro Arena, no final da década de 1960, surge o grande projeto da vida de Boal: O Teatro do Oprimido.
Baseado nessa declaração de Boal: “o Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores – porque atuam – e espectadores – porque observam. Somos todos ‘espect-atores”, o Teatro do Oprimido utiliza-se de técnicas estéticas teatrais para discutir questões políticas e sociais.
Na década de 1970, quando foi exilado em Lisboa, Chico Buarque compôs Meu Caro Amigo, pra quem não sabe, o amigo em questão é Augusto Boal.
No ano passado Boal foi indicado ao prêmio Nobel da paz, e pela primeira vez foi comemorado o Dia Mundial do Teatro do Oprimido, no dia 16 de março, mesmo dia do nascimento de Boal.
Pouco conheço de sua obra, mas já vi quem entende de teatro elogiar muito o Boal, e por tudo que se vê na internet também, dá pra perceber que ele é mesmo o cara, antes de diretor ou dramaturgo, um cidadão, que sempre lutou, e sua arma era o teatro, brasileiros assim merecem inúmeras homenagens, o Un Quimera deixa como homenagem palavras do próprio Augusto Boal:
“Eu só tenho um sonho. É sonhar durante toda a minha vida, esse é o meu primeiro sonho. Eu sonho com solidariedade entre homens e mulheres, negros e brancos. Solidariedade entre países, solidariedade para cria ética. O que nós pensamos as vezes é que não existe uma diferença entre moral e ética. Moral são os costumes. Já foi moral comprar um ser humano. Então, eu não sou moralista. Porque eu sei que moral é uma coisa horrível. Mas eu sou ético. Nós precisamos criar a ética como “ethos”, em grego significa o caminho para algum tipo de perfeição. E no meu caso é solidariedade, é diálogo, democracia, a real democracia e não a que vemos. O que eu quero não é cumprir, porque cumprir é o fim. Eu quero continuar. Não sabemos aonde o caminho nos leva, mas sabemos a direção que queremos seguir. Isso que eu quero: não terminar, mas seguir o caminho.”
Coreia do Norte: Sem acento e com testes nucleares
A questão do programa nuclear norte-coreano é muito complexa, e muita mais extensa do que um “acontecimento”, daria pra fazer posts e posts falando sobre o assunto, mas me atenho ao ocorrido no dia 25: a Coreia do Norte confirmou o seu segundo teste nuclear subterrâneo, o primeiro foi feito em 2006, e as informações dizem que este de 2009 foi ainda mais potente.
Falando por alto, para se ter uma noção do assunto, é mais ou menos assim: Frutos da Guerra Fria, as duas Coreias representam bem a polaridade encontrada no mundo daquela época.
A Coreia do Sul é capitalista e recebe o apoio dos EUA, arrasada na Guerra da Coreia (1950-53), chegou a um nível de pobreza muito alto, compatível com o dos países africanos, porém, atualmente as coisas lá melhoraram muito.
Já a Coreia do Norte é comunista, recebeu apoio da URSS durante a Guerra Fria, e possui uma forte política militarista, a questão nuclear entra aí, mas, devido a ser um dos raros países comunistas dos dias de hoje, a Coreia do Norte acaba ficando isolada, o que resulta num empobecrimento da população.
Após analisadas as diferenças entre as Coreias agora falo mais especificamente da Coreia do Norte.
Pode-se dizer que em 1960, em Yongbyon, tudo começou.
Quer dizer, foi nessa data e nesse local que começou a construção do primeiro complexo de pesquisa nuclear na Coreia do Norte.
De lá pra cá muita coisa aconteceu nessa área, testes, encontros, acordos.
Um fato marcante aconteceu em 2002, quando o então presidente estadunidense, George W. Bush colocou a Coreia do Norte ao lado de Irã e Iraque, no chamado “Eixo do Mal”.
Polêmicas a parte, na prática, o que se vê atualmente é o seguinte: A Coreia do Norte tem uma ótima reserva nuclear, isso é fato, mas o regime comunista não está funcionando, e a fome e o subdesenvolvimento estão assolando boa parte da população, para a ótima reserva nuclear não passar de uma reserva e ficar bem guardada, a ONU, os EUA só precisam continuar fornecendo ajuda, principalmente contra a fome.
Acho que é isso, finda o mês de maio e os “acontecimentos” estão aí.