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QuimeraShare #12

Hoje é dia do último QuimeraShare.

Já pensando em coisas novas pro Un Quimera 3.0, resolvi fechar hoje o QuimeraShare.

Fui colocando os primeiros e meio que naturalmente o QuimeraShare acabou sendo exclusivamente de música brasileira, aí então resolvi fazer algo especial pra esse último.

Sempre ouço dizer que a música brasileira de qualidade não existe mais, que hoje em dia é só som ruim e coisa e tal…

Gostos a parte, acredito e penso que hoje em dia ainda existe muita coisa boa dentro do cenário nacional e justamente por isso resolvi fazer uma coletânea, de variados ritmos musicais, mas só de música brasileira presente em álbuns de bandas, cantores e cantoras que surgiram pós 2000, ou perto disso, não dá pra fazer uma classificação exata disso também.

É uma compilação de 14 músicas e mais uma bonus track que não deram trabalho quase que nenhum, pois são todas muito maneiras, músicas que eu gosto, já estava familiarizado com todas…

Vou mandar a playlist e um pequeno comentário de cada uma das canções:

1. Balanço das Horas – Max de Castro

Vai dar pra perceber que começo o álbum com alguns filhos importantes. Max de Castro, filho de Wilson Simonal, manda aquela música suingada e característica, Balanço das Horas está presente no álbum homônimo de 2006.

2. Tô Fazendo a Minha Parte – Diogo Nogueira

Filho de João Nogueira, Diogo é um dos grandes nomes do samba contemporâneo, dono do Samba na Gamboa, ótimo programa de samba. Tô Fazendo a Minha Parte está presente no álbum homônimo de 2009.

3. Muito Pouco – Maria Rita

Filha de Elis Regina, Maria Rita é sensacional. Com 3 álbuns de estúdio lançados, cada um com suas particularidades, Maria Rita canta canções de vários compositores com maestria. Muito Pouco, de Paulinho Moska, está presente no álbum Segundo de 2005.

4. Tudo Diferente – Maria Gadú

Maria Gadú surgiu meio repentinamente e hoje já é uma das grandes cantoras do país. Estilo único. Tudo Diferente está presente no álbum Maria Gadú, de 2009.

5. Baú – Vanessa da Mata

Já são vários os hits de Vanessa da Mata, desde o início da década vem fazendo bons álbuns. Essa versão de Baú é do Multishow – Ao Vivo, de 2009.

6. Misterio Stereo – Curumin

No QuimeraShare de julho já marcou presença com o Japan Pop Show, e é justamente desse álbum que vem Misterio Stereo, uma canção cristalina, não podia faltar Curumin nessa lista.

7. Tijolo a tijolo, dinheiro a dinheiro – Lucas Santtana

Som muito bacana o do Lucas Santtana, com parcerias com caras como Arto Lindsay, o cantor e compositor une vários ritmos e faz uma música bem brasileira. Tijolo a tijolo, dinheiro a dinheiro cita Nação Zumbi e está presente no álbum 3 Sessions In a Greenhouse.

8. Dry Freezing Tongue – Mallu Magalhães

Em 1992, mesmo ano de nascimento do blogueiro que vos fala, nascia Mallu Magalhães. A cantora, com uma voz muito linda, surgiu via internet e mostra muita música boa, são dois álbuns lançados até agora, Dry Freezing Tongue é uma canção pouco conhecida dela, presente no seu primeiro álbum, Mallu Magalhães, de 2008.

9. Malemolência – Céu

Sucesso absoluto nos EUA, Céu possui dois ótimos álbuns, música brasileira de muita qualidade e como disse, reconhecida lá fora. Malemolência está presente no álbum Céu, de 2005.

10. Na Veia – Cordel do Fogo Encantado

Já falei do Cordel do Fogo Encantado aqui no Un Quimera, misturando literatura, teatro e música o grupo nordestino exalta a cultura brasileira como um todo. Essa versão de Na Veia, está presente no álbum MTV Apresenta, de 2005

11. Debaixo do Chapéu – Cachorro Grande

Entrando no campo do rock, falo da banda gaúcha Cachorro Grande. Formada até antes de 2000, teve todos os seus discos lançados pós 2000. Debaixo do Chapéu não é muito conhecida, mas muito vibrante, presente no álbum Cachorro Grande, de 2001.

12. Hemisfério – Vanguart

A banda matogrossense, liderada por Helio Flanders, faz um ótimo folk-rock, estilo pouco apreciado no Brasil. Essa versão de Hemisfério está no álbum Multishow – Registro de 2009.

13. Bem-me-leve – Apanhador Só

Banda gaúcha, liderada por Alexandre Kumpinski, me lembra, particularmente os Los Hermanos, um rock muito bom de se ouvir, Bem-me-leve é uma das melhores canções do álbum Apanhador Só, lançado esse ano.

14. Fracasso – Pitty

Dona de vários hits, a cantora baiana talvez seja o grande nome do rock brasileiro nessa década. Fracasso está presente no álbum Chiaroscuro, de 2009.

15. A Depender de Mim – Zeca Baleiro (Bonus Track)

Zeca Baleiro não se enquadraria na seleção, afinal seu primeiro álbum, que já apareceu no QuimeraShare inclusive, é de 1995. Porém achei justo colocar como bonus track, pois o cantor maranhense continua na ativa e A Depender de Mim, do novíssimo álbum Concerto, lançado esse ano, é uma das melhores músicas dele na minha opinião, principalmente por causa da letra fantástica.

Esse é o álbum montado por mim, mas na verdade tá faltando aí uma banda paulista, formada em Osasco, em 2003.

Falo do Teatro Mágico, a exemplo do Cordel do Fogo Encantado, a banda reúne música, teatro, literatura e por aí vai…

A questão é que, sinceramente, não consegui escolher uma só música deles pra colocar, e também acho que no geral, o Teatro Mágico foi a grande banda brasileira dessa primeira década do Século XXI.

Suas canções povoam orkuts e twitters de muita gente, e a qualiade musical é muito grande. Além de uma papel social interessante também desempenhado por Fernando Anitelli e sua trupe, dentro e fora dos palcos o Teatro Mágico é raro e engrandece a música brasileira.

Então pra terminar os QuimeraShares fica o link pra baixar o BR 00’10 e o vídeo do já épico show do Teatro Mágico na Virada Cultural de 2007:

“Here goes another secret song, that’s me palying my dry freezing tongue, here goes another boy i keep and here goes another job i quit”

QuimeraShare #12 – BR 00’10 – Rogério Arantes.rar – Tamanho: 62.20 MB

Nordeste encantado

Acho que já deu pra perceber que eu gosto muito de misturar literatura com outros gêneros: futebol, política e por aí vai…
Hoje a mistura é com a música.
Nesse caso já não é uma mistura tão incomum assim, se remontarmos a um dos períodos iniciais da literatura ocidental teremos no Trovadorismo uma perfeita união entre poesia e música, as cantigas de amor e amigo são o exemplo clássico disso.
Mas a mistura da qual falo hoje é bem atual.
Muitos são os autores nordestinos que pertenceram ao Modernismo brasileiro: Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto entre outros. Além desses dá pra citar também um pré-modernista que teve muita importância e que está em destaque hoje em dia, devido ao centenário de sua morte: Euclides da Cunha, autor de Os Sertões.
Todos esses autores buscam mostrar um nordeste real e encantado ao mesmo tempo.
Os romances “sensuais” de Jorge Amado, os engenhos de José Lins do Rego, as Vidas Secas de
Graciliano Ramos, a Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto.
A partir desses autores é que a literatura nordestina e o valor do Nordeste brasileiro começou a ser reconhecido no resto do país.
Daí é simples estabelecer a relação com a música, no mesmo século XX surgiram vários cantores nordestinos que também mostravam sua região de uma maneira fantástica.
A relação básica entre a maioria destes autores e cantores é a migração para Rio ou São Paulo, migrando para estas cidades eles de certa forma incluiam-se em suas histórias e canções, pois as migrações eram temas recorrentes sempre.
Dá pra citar muitos cantores, tais como: Belchior, Raimundo Fagner, Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, os Doces Bárbaros, os Novos Baianos, Raul Seixas, o manguebeat da Nação Zumbi de Chico Science dentre outros, com certeza devo ter
esquecido alguns ótimos cantores, já fica o pedido de desculpa de antemão.
Mas todo esse papo é pra chegar em algo atual, como havia dito no começo do texto.
E esse algo atual tem nome: Cordel do Fogo Encantado.

A banda pernambucana que surgiu há mais ou menos uma década não é daquelas bandas que fazem muito sucesso com a grande massa, a banalização musical de hoje em dia impede que isso aconteça.
Mas pra quem tem um poquinho de vontade de conhecer algo realmente novo e interessante a ideia é começar a escutar Cordel, com certeza você ira se encantar.
Com uma percussão violentíssima, a banda mostra influências oriundas do manguebeat, dos côcos, dos batuques africanos, o resultado disso tudo é um som com muita energia, é impossível escutar Cordel sem se empolgar com a vibração do som, principalmente com a vibração do vocalista da banda: Lirinha.
E a relação do Cordel do Fogo Encantado com a literatura é enorme. Citações de João Cabral de Melo Neto, por exemplo, são constantes, além de uma impregnação do místico e do religioso nordestino na maioria de suas músicas, assim como os autores nordestinos também fazem críticas sociais como na música Palhaço do Circo Sem Futuro (só pra citar uma).
É isso, o nordeste brasileiro é muito rico culturalmente e nos dias de hoje o Cordel do Fogo Encantado talvez seja o principal representante dessa cultura quando o assunto é música.
Vai o myspace deles que tem vários vídeos: http://www.myspace.com/cordeldofogoencantado
E vai também o vídeo direto de “Dos três mal-amados – Palavras de Joaquim”: