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Le Rouge et Le Noir #15

Hoje é dia de post da futebolística série Le Rouge et Le Noir.

Como de costume coloco aqui o texto que publiquei hoje no Confio no Mengão. Falo um pouco sobre o atual momento rubro-negro, que, querendo ou não, já ficou marcado pelo inacreditável empate contra o Olimpia na última quinta. Além disso falo sobre um assunto que, curiosamente, também falei sobre no ano passado, exatamente no mês de março. É sobre uma possível nova volta de Adriano ao Flamengo, diferente do ano passado, quando dediquei um post só pra isso, esse ano eu fui bem direto ao assunto, no fim do texto que aí está:

Transição

Acredito que transição talvez seja a palavra que melhor defina o atual momento do Flamengo.

Sim, é verdade que já faz um tempo que Luxemburgo saiu e Joel entrou, mas insisto que tanto o time quanto o estilo de jogo de Joel ainda não foram de fato implantados no Flamengo.

Depois de uma eliminação nas semi-finais da Taça GB e do primeiro turno da fase de grupos da Libertadores (com um desfecho melancólico no inacreditável empate por 3 x 3 contra o Olimpia no Engenhão na última quinta), o que eu vejo é um time ainda sem uma cara definida, sem um estilo de jogo característico, quer dizer, ainda estamos em uma transição da Era Luxa para a Era Joel.

Aí podem perguntar: pô, então quer dizer que você acha que esse time do Joel tá mal? Que não dá pra ter esperança nenhuma em relação ao Carioca e à Libertadores? Não, eu não acho isso. Pelo contrário.

Essa mesma falta de identidade que eu vejo no atual time do Joel eu vi, durante praticamente todo o ano passado, o time de Luxemburgo, apesar de ter vivido bons momentos como o título carioca invicto e o primeiro turno do Brasileirão quase invicto e com algumas boas atuações, nunca teve uma cara, era um time muito inconstante e sempre foi assim.

O atual time já parece mostrar algumas diferenças. Como eu disse, não vejo ele ainda com uma identidade, mas vejo ele em busca disso. Apesar do lamentável empate contra o Olimpia na última quinta, aquele jogo foi talvez o melhor jogo do Flamengo na Era Joel, até o momento em que o time todo resolveu parar de jogar e apenas assistir a equipe paraguaia jogar e fazer 3 gols em quinze minutos.

De qualquer forma, como bem disse o Jean, penso ter sido bem melhor dar essa bobeira agora, na fase de grupos e já se precaver contra uma possível repetição, do que ver isso acontecendo no mata-mata.

Enfim, vejo o atual momento como um momento de transição e muita indecisão, apesar de ainda existirem muitos problemas estou bem confiante com esse time do Joel.

Pra finalizar o texto, não poderia deixar de falar do grande assunto do Flamengo nos últimos dias, assunto esse que está fora das quatro linhas. Sim, falo do possível retorno de Adriano à Gávea.

Depois de rescindir com o Corinthians o Imperador já surge como uma possível novidade no Flamengo e, como de costume, atrai a atenção de grande parte da imprensa e da torcida. Sinceramente, eu ainda acho que jogando bola de verdade o Adriano ainda é um dos melhores atacantes do mundo, eu ainda acho que tudo que ele fez em 2009 não pode ser esquecido jamais, eu ainda acho tudo isso, mas também acho que não dá mais pra ele no Flamengo.

Se vier, vou apoiar até o fim, mas se dependesse só de mim eu preferiria que o Imperador fosse procurar novos impérios ao invés de voltar para o seu conhecido Império rubro-negro.

SRN

Le Rouge et Le Noir #14

Pra abir o mês aqui no Un Quimera o assunto não poderia ser outro que não o decisivo jogo de ontem entre Flamengo x Real Potosí pela Pré-Libertadores. O jogo, desde que foi marcado, no fim do ano passado, já se revestiu de enorme importância, afinal, valia vaga para a fase de grupos da maior competição de clubes das Américas.

Porém, no começo da temporada inúmeros problemas surgiram na Gávea e além da vaga na Libertadores o jogo de ontem parecia valer muito mais. Teria que ser uma afirmação de que esse time do Flamengo pode sim não apenas participar da Libertadores 2012, mas também buscar o título. A desconfiança de muitos e os problemas na Gávea ainda existem, mas a vaga está garantida. Falei um pouco sobre tudo isso no Confio no Mengão e reproduzo o texto aqui, pra abrir o último mês de férias:

Mengão na Libertadores

Geralmente escrevo meus posts nas segundas-feiras, mas essa semana eu tive que esperar a quinta-feira chegar pra falar sobre a partida de ontem contra o Real Potosí, jogo de volta da Pré-Libertadores.

O clima que envolvia essa partida era único: uma crise sem entrar em campo, que fez o começo de ano do Flamengo virar um deleite pra imprensa, principalmente pra aquela parte da imprensa que só quer ver defeitos, bagunça e desorganização no Flamengo. Sim, tudo isso existe lá na Gávea, é fato, mas não é só isso e as vezes fica parecendo que é só isso.

Salários atrasados e boatos de um novo técnico a parte ontem a noite o Flamengo tinha um objetivo claro: vencer, ainda que por 1 x 0, o modesto Real Potosí e conseguir a vaga na fase de grupos da Libertadores 2012.

O jogo não foi dos melhores, o Flamengo ainda precisa melhorar muito (as entradas do zagueiro Gonazález e de Vagner Love podem ajudar muito), mas o objetivo foi conquistado, ainda que com uma boa dose de drama.

O primeiro tempo foi todo do Flamengo, posse de bola, volume de jogo e tudo mais. O Potosí só se defendia e em muitos momentos tinha todos os seus jogadores atrás da linha do meio de campo. Isso dificultou e muito o Flamengo, que entrou naturalmente nervoso, querendo o gol a todo momento e com a torcida rubro-negra praticamente lotando o Engenhão, apoiando e muito o time.

As chances eram criadas, mas o gol não saia. O fim do primeiro tempo ia chegando e um drama desnecessário parecia ir se anunciando. Até que Bottinelli fez boa jogada pela direita e sofreu falta. Ronaldinho cobrou bem e Léo Moura, antecipando de cabeça, abriu o placar.

Na volta para o segundo tempo o jogo mudou, com o 1 x 0 a favor do Flamengo o Potosí ia sendo eliminado, então resolveu se abrir e começou a dar sustos no Flamengo. Apesar de não ter conseguido praticamente nenhuma chance realmente boa (a exceção foi uma boa cabeçada de Brittes que deixou Felipe apenas olhando a bola e torcendo pra ela sair) o time boliviano adotou uma postura bem mais ofensiva e o Flamengo não marcava tão bem quanto os bolivianos no primeiro tempo.

Com o jogo mais aberto Luxa apostou na base mais uma vez. As três substituições foram realizadas com a entrada de garotos da base: Muralha, Camacho e Negueba. Mais fôlego e velocidade ao time que não criou tanto, mas que num dos últimos lances do jogo conseguiu o segundo gol. Após muita briga de Negueba pra recuperar a bola e bom cruzamento de Ló Moura, Ronaldinho dominou, mandou entre as pernas do zagueiro e com muita tranquilidade tocou no canto do goleiro. Classificação assegurada e festa de R10 com a torcida.

O Flamengo agora está no Grupo 2, ao lado de Lanús, Emelec e Olimpia. Sinceramente considero esse um dos grupos mais complicados, ao lado do grupo do Vasco. Pra quem pensa que agora que a classificação pra fase de grupos veio a vaga nas Oitavas já é praticamente certa, está muito enganado. O Flamengo vai ter que jogar muita bola pra conseguir mais essa vaga. A começar pela partida de estreia, dia 15, em solo argentino, contra o Lanús.

Mas independente disso o resultado de ontem confirmou que o Flamengo, se quiser jogar, é um bom time que tem muito a evoluir e pode sim disputar de igual pra igual contra qualquer um essa Libertadores.

Resta saber agora se com Luxa ou com Joel. Se com Ronaldinho ou sem Ronaldinho. Todas essas polêmicas e pendências extra-campo, por mais que tenham sido esquecidas nos 90 minutos do jogo de ontem estão aí e melhor seria que até dia 15, dia da estreia na Libertadores, de fato, fossem resolvidas e o Flamengo pudesse continuar mais tranquilo a caminhada para o bi da América.

Amanhã tem jogo pelo Carioca, contra o Olaria. Isso mesmo, amanhã! Não me importo com isso, a vaga nas semi-finais do Carioca é quase certa, independente de qualquer resultado e mesmo que aconteça uma tragédia e ela não venha continuarei não me importando. É lindo ganhar Campeonato Carioca, mas já temos Cariocas demais, agora é hora de focar de uma vez por todas na Libertadores.

E ah, ontem foi só o primeiro show da torcida rubro-negra nas arquibancadas, a continuar assim os adversários vão sentir e muito a força dessa torcida.

SRN

Le Rouge et Le Noir #13

Hoje é dia do primeiro post da série Le Rouge et Le Noir do ano. E é também dia da estreia do Flamengo na Copa Libertadores 2012. Como conquistou a vaga através da quarta posição no Brasileirão do ano, o Flamengo, diferentemente do atual campeão da Libertadores Santos, do Corinthians, do Vasco e do Fluminense e a exemplo do Internacional, tem que disputar a chamada Pré-Libertadores, para só então entrar de fato na fase de grupos da maior competição de clubes da América.

Só que desde a conquista dessa vaga no Brasileirão do ano passado muita, mas muita coisa já aconteceu com o Flamengo e a maioria dessas coisas não foi nada interessante para o rubro-negro. Por mais estranho que isso possa parecer, o que mais se falou nessa pré-temporada foi crise. Salários atrasados, polêmicas de jogadores, treinador e comissão técnica, etc.. pra completar o Flamengo perdeu dois de seus principais jogadores da temporada passada: Alex Silva foi o primeiro, ele até jogou os dois amistosos de preparação que o Flamengo realizou, contra Londrina e Corinthians, em Londrina, mas depois, quando o time viajou para a Bolívia para já ir se preparando para o confronto de hoje contra o Real Potosí ele simplesmente preferiu não viajar. O jogador não joga mais pelo Flamengo, deve ser emprestado ou vendido. A outra saída foi de Thiago Neves. O meio-campista, que talvez tenha sido o principal jogador do Flamengo na temporada passada protagonizou talvez a maior das “novelas” desse chato período de contratações e acabou acertando com seu ex-time, o Fluminense.

Foi com esse cenário nada agradável que o Flamengo fez sua estreia no ano, no último sábado, pelo Campeonato Carioca. Mas foi justamente aí que as coisas parecer ter começado a mudar e a mudar pra melhor. O Flamengo atropelou o modesto Bonsucesso por 4 x 0, jogando com uma esquipe B, que contava com 7 jogadores da base entre os titulares, o time jogou bem e, por mais modesto que seja o Bonsucesso, mostrou que tem jogadores ali que podem ser de muita ajuda para a equipe A, o time titular. A valorização e as oportunidades para a base são muito bem vistas por mim e acredito que por boa parte da torcida do Flamengo também, essa geração foi campeã da Copa São Paulo de Futebol Júnior no ano passado e conta com jogadores que tem tudo para ficarem marcados na história do clube, cito, como exemplo Luiz Antônio, Negueba, Adryan…

Hoje, agora pouco, outra notícia interessante: a volta de Vagner Love está concretizada. O “artilheiro do amor” retorna à Gávea depois de uma passagem rápida no primeiro semestre de 2010, onde não conquistou nenhum título, é verdade, mas onde marcou muitos gols. Além dele, o Flamengo acertou também com o zagueiro chileno Marcos González, ex-La U, que chega para preencher a lacuna deixada por Alex Silva.

Quer dizer, depois de um começo de temporada que parecia catastrófico, as coisas aos poucos parecem ir se acertando e tomando um rumo mais agrádavel para o Flamengo, isso, de maneira nenhuma, pode ser sinônimo de comodismo ou coisa parecida por parte da diretoria e dos jogadores, os problemas ainda continuam existindo e ainda são muitos, porém todos esses problemas (a maioria deles extra-campo) não podem tirar o foco do Flamengo dentro das quatro linhas e esse foco não pode ser outro que não conseguir um bom resultado hoje a noite e na quarta que vem, no Engenhão, conquistar definitivamente a vaga na Libertadores, para enfrentar na fase de grupos Emelec, Olimpia e Lanús.

Enfim, esse foi um resumo rápido do panorama desse início de 2012 pro Flamengo, hoje a noite tudo o que importa é o jogo dentro das quatro linhas, qualquer coisa extra-campo tem que ser posta de lado e a concentração ir toda pra essa partida, depois de tanta crise, contratação e afins, o que menos se falou foi a geralmente tão falada altitude de Potosí, a 4.800 metros o Flamengo tem que jogar tudo e mais um pouco e tentar voltar das alturas pensando alto, porque apesar de toda badalação pros lados de lá, toda a “não-crise”, todas as contratações bombásticas, toda a arrogância, o Flamengo devagarinho, devagarinho pode chegar longe.

SRN

A América dos Peixes

Chegou ao fim ontem mais uma Taça Libertadores da América. A competição de clubes mais importante do continente teve um time brasileiro como campeão pela décima quinta vez e pela terceira vez esse time foi o Santos.

Todas as decisões de Libertadores ficam para a história, mas essa deverá ter uma importância ainda maior. Por vários fatores: foi a reedição da final da Libertadores de 1962, quando o Santos e Pelé conseguiu seu primeiro título nesta competição, foi também o primeiro título brasileiro na Libertadores, o fato do agora Santos de Neymar conseguir novamente o título coloca definitivamente essa atual geração santista na história, é algo muito grande dentro do futebol, falar daquele time de Pelé e cia. é quase sagrado dentro do esporte bretão e ver um time fazer história em cima disso é especial.

Mas não é só na grandiosidade histórica que esse título santista de ontem se repousa, mas também em pequenos detalhes, a caminhada santista rumo a esse título teve vários obstáculos, não foi fácil.

Pra mim tudo se remonta ao início de 2010, foi lá que Dorival Júnior apostou nos novos meninos da Vila e deu autonomia para Neymar, Paulo Henrique Ganso e cia. jogarem seu futebol. O resultado foi imediato, título paulista e da Copa do Brasil em 2010. Nesse período o time contou com a volta de Robinho que logo depois foi embora novamente, mas a espinha dorsal desse time da Libertadores 2011 já se formava ali, com Neymar e Ganso na frente, Arouca no meio e Durval e Edu Dracena formando a dupla de zaga.

No segundo semestre de 2010, a equipe santista já com vaga na Libertadores em virtude do título da Copa do Brasil não se importou muito com o Brasileirão, mas grandes mudanças aconteceram nessa competição. O início de uma série de lesões de Ganso que o perturba até hoje e talvez tenha distanciado um pouco o camisa 10 santista de ser o melhor jogador brasileiro em atividade, a discussão de Neymar e Dorival Júnior, que acabou culminando na demissão deste último, esses episódios causaram certa turbulência na Vila e trouxeram também um quê de insegurança.

2011 começa com a volta de Elano e a contratação de Adilson Batista para o comando técnico. O time santista ia se redesenhando, mas ainda sem Ganso, as contratações de Jonathan, Diogo, Keirrison não surtiram muito efeito e o começo irregular tanto no Campeonato Paulista quanto na Libertadores acabou gerando a saída de Adilson Batista e a preocupação de uma eliminação precoce na competição continental era muito real.

Aí então quem assume o comando técnico é Muricy Ramalho. Apesar das ressalvas que tenho a ele enquanto treinador, seu sistema de jogo fechado, valorizando muito pouco o ataque e tudo mais, com ele o time voltou a ser aquele bom time de 2010, a defesa passou a tomar poucos gols, o menino Danilo assumiu a lateral direita e fez ótimas partidas por ali, no meio outra revelação, Adriano, deu conta do recado a frente da zaga e deu mais liberdade para Arouca e Elano criarem e chegarem mais a frente.

Veio então o bi campeonato paulista em cima do Corinthians e a classificação para as Oitavas da Libertadores. No mata-mata o Santos soube jogar e chegar bem até a final contra o Peñarol. Depois de um empate sem gols no Uruguai, ontem veio uma vitória por 2 x 1 com gols de Neymar e Danilo e a confirmação do título.

Merecido e bem conquistado, o Santos não foi brilhante, mas foi eficaz. Jogou bola, não caiu na catimba uruguaia. Jogar Libertadores é isso, é valorizar a técnica e saber usar a raça da maneira e no momento certo. Ficar dando pontapé e discutindo com o adversário é o atalho pra derrota.

Esses quatro títulos em dois anos, fazem do Santos o melhor time brasileiro na atualidade e fazem de Neymar, o polêmico menino de 19 anos, o principal jogador desse time, talvez Ganso esteja no mesmo nível ou seja até superior ao camisa 11, mas suas lesões atrapalharam muito e por tudo que jogou Neymar merece ser o destaque maior dessa campanha santista.

Neymar merece todos os elogios, é ainda uma promessa, mas uma promessa que a cada campeonato que passa se consolida como um craque, apenas 19 anos e vários títulos e gols no currículo, a Copa América que se aproxima é mais um desafio para o moleque de cabelo moicano que tem tudo para ser um dos principais nomes da história do futebol.

A grande espera agora é para o que acontecerá daqui seis meses, no Mundial de Clubes da FIFA, onde Barcelona e Santos poderão se enfrentar, onde Neymar e Messi poderão ficar frente, esse confronto pode ocorrer também mais cedo, já no mês que vem pela Copa América, ao invés de Barcelona e Santos, Argentina e Brasil. Essa dupla (Neymar e Messi) é hoje o supra-sumo do futebol, são a jovem e madura espera concretizada.

E pra não dizer que ao invés de falar do Santos campeão, falei só de Neymar e Messi, termino o post mais uma vez ressaltando a conquista santista e voltando a falar da história, quando Pelé pisou o gramado do Pacaembu e levou Muricy até o centro do campo, simbolicamente o Santos de Pelé disse ao atual Santos: você também faz parte dessa história, merece estar aqui!

América Vermelha

Já virou quase uma tradição do Un Quimera, um post no dia seguinte as finais de Libertadores e Liga dos Campeões da Europa, dessa vez não deu pra colocar o post sobre a final da Libertadores no dia seguinte, ficou pra hoje, uma semana depois da conquista colorada.

Como já havia comentado no post sobre a semi-final entre São Paulo x Inter, o vencedor desse jogo fatalmente seria o campeão da Libertadores, não desmerecendo a equipe do Chivas mas qualquer um dos brasileiros que passasse à final chegaria mais motivado e preparado.

Isso foi comprovado ainda no primeiro jogo da final. Na Cidade do México o Inter entrou melhor e depois de criar algumas boas oportunidades viu o Chivas abrir o placar em um lance isolado no fim do primeiro tempo, com o polêmico Bofo Bautista.

Na volta para o segundo tempo o Inter fez prevalecer o melhor futebol e conseguiu a virada com dois gols de cabeça: primeiro do reserva mais titular de todos, peça fundamental para a conquista colorada, o camisa 11 Giuliano. E depois do capitão Bolívar, após bola ajeitada pelo outro zagueiro colorado, Índio.

Enfim, essa vitória fora de casa no primeiro jogo deu ao Inter a vantagem do empate no segundo jogo. Sem Alecsandro, lesionado no primeiro jogo, o Inter chegou para o confronto final, num Beira-Rio em êxtase, com a obrigação do título e de quebrar um tabu que já durava 3 anos (de times brasileiros chegando e perdendo na final da Libertadores).

Talvez por toda a pressão com que entrou em campo o time de Celso Roth não começou tão bem, e não conseguiu criar muitas chances no primeiro tempo, a não ser um bom chute de Taison, após deixadinha de Rafael Sóbis, que ficou nas mãos do goleiro Michel.

Até que aos 42 minutos do primeiro tempo, assim como tinha acontecido no primeiro jogo, em um lance isolado o Chivas abriu o placar com Fábian.

Os times foram para o vestiário com um resultado que levava a decisão para os pênaltis.

Mas na volta para o segundo tempo o Inter acordou e todo o apoio da torcida fez a diferença.

Após cruzamento de Kléber, Rafael Sóbis desviou e marcou seu primeiro gol na volta ao Inter, empatando o jogo e já deixando o título com o Inter.

Mas o Colorado queria mais, e Celso Roth fez duas alterações que deram muito certo. As entradas de Leandro Damião e de Giuliano pareciam predestinadas. O primeiro, após bela arrancada marcou o segundo gol e o segundo marcou um golaço pra fechar de vez a partida, mais um gol decisivo do camisa 11.

No fim da partida o Chivas ainda fez mais com Araújo e uma confusão generalizada ofuscou um pouco o brilho da final, mas foi coisa pouca perto da grandiosidade desse bi-campeonato do Inter.

Mais do que merecido foi a consagração do tão contestado e rotulado Celso Roth, que pegou o time do meio na competição e conseguiu dar um padrão de jogo, num esquema tático com algumas semelhanças com a Espanha campeã mundial. Um time muito técnico, com intensa troca de passes e muita habilidade.

No gol Renan, que acabou de voltar da Europa e ainda vai se readaptando ao futebol brasileiro. As laterais com Nei e Kléber foram importantes, ao mesmo que tempo que auxiliavam na marcação também apoiavam lá na frente, vale lembrar que o primeiro gol da campanha colorada nessa Libertadores foi de Nei.

A zaga muito sólida, o capitão Bolívar e Índio foram muito seguros durante toda competição e passaram essa segurança para o resto do time, segurança essa que era confirmada pela ótima dupla de volantes: Sandro e Guiñazu talvez tenham sido as peças mais importantes, taticamente falando, o brasileiro, negociado com o Tottenham, ficava sempre na marcação com muita disposição, o argentino marcava e quando precisava, como foi o caso do segundo jogo da final também ia um pouco a frente.

Tinga e D’Alessandro completam o meio de campo dando experiência e técnica, se alternando sempre confundiam a marcação e criavam as jogadas para os atacantes, com Taison um pouco mais recuado, vindo buscar o jogo e Rafael Sóbis centralizado na frente.

É lógico que não se pode esquecer de Alecsandro, titular durante toda a competição e que fazia muito bem esse papel de pivô na frente e de Giuliano, que resolveu partidas importantíssimas, contra Estudiantes e São Paulo por exemplo.

Esse foi o Inter bi-campeão da Libertadores, que devolve esse título ao Brasil e que agora busca também o bi do Mundial, em dezembro, em Abu Dhabi. A organização e profissionalismo da diretoria colorada, que fez renascer o time já trouxe vários títulos como esse bi na Libertadores, o Mundial, a Recopa e a Copa Sul-Americana, além de boas participações em Campeonatos Brasileiros de 2005 pra cá, também devem ser lembradas.

Pra finalizar não dá pra não lembrar do “hit” com o qual a torcida literalmente empurrou o Inter:

Inter, estaremos contigo! Tu és minha paixão! Não importa o que digam, sempre levarei comigo! Minha camisa vermelha e a cachaça na mão! O Gigante me espera para começar a festa!

Colorado na Final


Como antecipei ontem, o Un Quimera hoje trataria do duelo brasileiro pela Libertadores entre São Paulo x Inter, um jogaço dipustado ontem no Morumbi, que honrou o nome das duas equipes e assim como o outro confronto brasileiro dessa Libertadores, entre Corinthians x Flamengo, ficará para a história do futebol.

Depois de um jogo truncado em Porto Alegre, onde o São Paulo só preocupou-se em defender e o Inter não estava muito inspirado no ataque, ontem o Morumbi viu um jogo bem diferente, e a vantagem conquistada pelo Colorado no primeiro jogo fez a diferença. Um golzinho de Giuliano, que tinha acabado de entrar fez com que o Inter chegasse a São Paulo podendo perder de um gol de diferença, caso anotasse um ou mais gols, foi o que aconteceu, assim como na quarta o Santos foi campeão perdendo do Vitória por 2 x 1, ontem o Inter classificou-se perdendo pelo mesmo placar.

A mesma combinação (1 x 0 em casa e 1 x 2 fora) foi a que deu a classificação para o Flamengo em cima do Corinthians nas Oitavas, é muito batido dizer isso, mas esse ano parece que mais do que nunca, o critério do gol fora vem fazendo muita diferença.

O jogo de ontem começou tenso, com muitas faltas dos dois lados, mas aos poucos foi se soltando, o São Paulo, precisando fazer gols entrou com uma formação ousada, Cleber Santana, Rodrigo Souto e Hernanes são volantes que saem jogando, esse trio ficou um pouco mais trás no início do jogo (depois Hernanes acabou indo pra cima também) e teve Fernandão como meia, e os atacantes Dagoberto e Ricardo Oliveira buscando o gol. Na defesa, Jean e Júnior César subiam constantemente ao ataque, e a boa dupla formada por Miranda e Alex Silva ia dando conta do recado.

Gol que saiu ainda no primeiro tempo, mas não foi de nenhum dos homens de frente e sim do zagueirão Alex Silva, após falha escandalosa do goleiro Renan.

O gol animou ainda mais o São Paulo, mas não intimidou tanto assim o Inter, que
diferentemente do que o São Paulo havia feito no Beira Rio, não se retrancou, tentou buscar o gol e ser ofensivo até onde dava. Também com um trio de volantes muito técnico (Sandro, Guiñazu e Tinga) e de muita movimentação, D’Alessandro era o homem para criar jogadas, auxiliado de vez em quando pelas descidas dos laterais Nei e Kléber, que desceram muito pouco é bem verdade, os atacantes Taison e Alecsandro, também pouco apareceram. A zaga formada pelo capitão Bolívar e por Índio jogava com firmeza e seriedade.

O primeiro tempo terminou no 1 x 0, resultado que levaria a decisão pros pênaltis.

Mas logo no início do segundo tempo saiu o empate. Em falta cobrada por D’Alessandro o camisa 9 Alecsandro apareceu no meio do caminho e desviou a bola que morreu no cantinho do gol de Rogério Ceni.

Mal deu tempo pro Inter comemorar e o São Paulo voltou a frente, Ricardo Oliveira
recebeu em posição legal, livre dentro da área e fuzilou o gol de Renan.

O gol deu novo ânimo ao São Paulo, que se jogou ainda mais ao ataque, a entrada de Marlos no lugar de Cleber Santana confirmou ainda mais isso.

Pouco depois outro fator positivo para o Tricolor, Tinga cometeu falta dura em Júnior César e como já havia levado um amarelo levou o segundo e foi expulso.

Com um a mais, Ricardo Gomes ousou ainda mais e colocou Fernandinho e Marcelinho Paraíba em campo, o Tricolor Paulista tentou, tentou, tentou e não conseguiu furar o bloqueio vermelho. Vitória são-paulina e classificação colorada.

Celso Roth perde a invencibilidade no comando do Inter, mas também começa a perder a fama de que chega e não ganha, classificado para a final contra o Chivas Guadalajara, o Inter está muito próximo do bi-campeonato na Libertadores, vencendo ou não a equipe gaúcha já tem vaga garantida no Mundial de Abu Dhabi, por querelas entre a organização da Libertadores e da CONCACAF, em caso de time mexicano campeão da Libertadores o vice é quem representa a América do Sul, pois o representante mexicano no Mundial vem da competição organizada pela CONCACAF que reúne clubes das Américas Central e do Norte.

Enfim, isso tudo só quer dizer que o Inter além de ter merecido a vaga na grande
final ainda contou com a sorte de já estar previamente classificado para o Mundial, porém isso não impede a equipe de Celso Roth de ganhar o título da Libertadores e quebrar a horrorosa sequencia de derrotas brasileiras em finais de Libertadores, que já dura desde 2007 (Grêmio, Fluminense e Cruzeiro perderam respectivamente para Boca Juniors, LDU e Estudiantes em 2007, 2008 e 2009).

Agora é esperar pra ver essa final de Libertadores que promete, o cheiro é de um duelo de “Inters” na final do Mundial…

O "acontecimento" de maio/2010

Assim como no mês passado o post dos “acontecimentos” que tradicionalmente conta com dois acontecimentos, ficará com apenas um, um acontecimento que poderia ter sido abordado bem antes e que talvez agora já tenha perdido sua importância devido a efemeridade das coisas, mas acredito que valha a pena classificá-lo como um “acontecimento”:

O Duelo de Gigantes

Sim, falo do confronto que rolou pelas Oitavas de Final da Taça Libertadores, entre os dois times de maiores torcidas do país: Flamengo e Corinthians.

Antes de mais nada quero deixar claro que não coloquei isso como acontecimento por causa da classificação do meu Flamengo, até porque se fosse pra eu querer tirar onda por causa do Flamengo hoje não poderia estar falando sério, a situação não é das melhores.

Falo porque acredito que nem eu nem ninguém tem noção do que foram esses dois confrontos, dois times de tanta expressão, brigando por algo tão valioso, esses dois jogos ficarão marcados na história do futebol e daqui a muitos anos muitos estarão falando deles, vivenciá-los foi ótimo.

O segundo jogo foi o jogo de futebol mais emocionante que eu já em toda minha vida.

Sim, o nível técnico (principalmente no primeiro jogo, devido a forte chuva que caia no Maracanã) não foi dos melhores, mas isso não tira todo o clima que cercou o jogo.

Foram duas semanas de muita expectativa e emoção para as duas maiores torcidas e para todas as outras torcidas também, falemos francamente: todos os outros confrontos que rolavam nas mesmas semanas pela Libertadores e pela Copa do Brasil foram ofuscados pelo duelo de gigantes.

Enfim, é um acontecimento que talvez só terá seu devido valor quando os avôs da minha geração para seus netos sobre como num encharcado Maracanã um raçudo Flamengo segurou o favorito Corinthians e abriu vantagem de 1 x 0 com um pênalti de Adriano e como num Pacaembu fervilhante um motivado Corinthians abriu 2 x 0 com um gol contra e um
gol do tão criticado Ronaldo e como no início do segundo tempo Vagner Love decidiu a parada para o Flamengo.

É isso, o Un Quimera volta em junho, espero eu que com mais tempo, com certeza vai rolar muita Copa do Mundo aqui no mês que vem.

Copa Libertadores 2010

Assim como no ano passado, quando fiz um preview da Copa Libertadores, faço esse ano novamente.
A maior competição de clubes das Américas começa pra valer nesta terça, dia 9.
Até agora já tivemos confrontos pela chamada Pré-Libertadores, onde o Cruzeiro, único time brasileiro que teve que disputar a Pré-Libertadores conseguiu passar e bem pelo boliviano Real Potosí.
O favoritismo dos times brasileiros na edição deste ano é gritante. Os perigosos Boca Juniors, River Plate e LDU não vão nem disputar a competição e além disso todos os cinco brasileiros são clubes de tradição (com exceção do Corinthians todos já venceram a Libertadores pelo menos uma vez) e que vem com um objetivo claro: o título.
Por essas e outras, ao invés de arriscar os favoritos dessa vez, vou apenas falar um pouco mais de cada um dos cinco times brasileiros, querendo ou não vou falar de algum favorito nessa brincadeira:
Corinthians

A equipe paulista, que completa 100 anos nesta temporada seja talvez, dentre todos os brasileiros, a equipe que mais busca esse título, por vários motivos, mas principalmente por estar em ano centenário e por nunca ter conquistado a Libertadores.
Para que isso aconteça pela primeira vez o Corinthians investiu pesado. Manteve praticamente todo o time que venceu o Paulista e a Copa do Brasil do ano passado e trouxe várias contratações.
De todas as contratações os nomes de Roberto Carlos e Danilo são os mais badalados. O primeiro por estar reeditando a dupla com Ronaldo, que permance no Parque São Jorge. O segundo pelo seu bom futebol e experiência, um legítimo camisa 10, coisa que o Corinthians não tinha desde a saída de Douglas, em meados do ano passado.
Mas o Timão não é só badalação. Mano Menezes é um ótimo treinador, que está no comando do alvinegro há um bom tempo e que tem o time na mão.
O Corinthians é com certeza um dos grandes favoritos ao título. Experiência, aliada a muita técnica e uma torcida que espera por este tíutlo há muito tempo.
A caminhada alvinegra começa no dia 24 contra o Racing de Montevidéu, em São Paulo.
Cruzeiro

A Raposa vem calejada para essa Libertadores.
Depois de ser derrotada nas Oitavas da Libertadores de 2008 para o Boca Juniors e na final da Libertadores de 2009 para o Estudiantes, ambas em pleno Mineirão, a equipe mineira, bem mais experiente e testada vem em busca do tri em 2010.
A campanha, como eu já disse, já começou, foram dois confrontos contra o Real Potosí pela Pré-Libertadores, 1 x 1 na altitude de Sucre e um massacre de 7 x 0 no Mineirão.
Adilson Batista, contestado por parte da torcida em outros tempos, hoje parece ter torcida e time a seu lado. Apesar do Cruzeiro não ter se reforçado muito, a base de 2009 foi mantida e o principal jogador do time, Kléber, que estava praticamente acertado com o Porto, voltou atrás para disputar a Libertadores.
Ano passado muitos subestimaram, o Cruzeiro foi crescendo e chegou a final, esse ano essa história pode se repetir e quem sabe o título pode chegar à Toca da Raposa.
A estreia do Cruzeiro é uma parada difícil, contra o Vélez Sarfield, na Argentina, quarta-feira agora, dia 10.
Flamengo

Flamenguista que sou, estou confiante para essa Libertadores.
Depois de duas eliminações rídiculas, ambas nas Oitavas de Final, em 2007 e 2008, e um ano sem dipsutar a Libertadores, o Flamengo chega à competição como campeão brasileiro e com grandes chances.
Deevido a falta de reforços e ao começo ruim da defesa na temporada 2010, muitos torcem o nariz e não acreditam que o Flamengo possa brigar pelo título, mas, sinceramente, não é porque eu torço não, o Flamengo é sim candidato ao título.
As maiores atenções se concentram no chamado “Império do Amor”, a forte dupla de ataque formada por Adriano e Vagner Love, que vem se entendendo muito bem e promete ainda mais.
Além deles, apesar dos poucos reforços, a base é a mesma do hexacampeonato brasileiro, e ainda tem o fator Maracanã, os últimos jogos do Flamengo no estádio (antes dele ser fechado para as reformas visando a Copa de 2014) serão na Libertadores, apesar de ter sido eliminado lá dentro na última partipação na Libertadores, é bom não subestimar o poder da maior do mundo dentro do maior do mundo (deu pra entender, né?)
A estreia do Flamengo será no Maracanã, no dia 24, contra o vencedor do duelo entre Colón de Santa Fé x Universidad Católica.
Internacional

Vice-campeão brasileiro (do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil), o Inter está de volta a Libertadores e vem querendo o título.
Para isso foi buscar no Uruguai talvez a sua maior contratação para a temporada, o técnico Jorge Fossati.
Campeão da última Copa Sul-Americana pela LDU, o treinador uruguaio chegou, usou do jovem time B do Inter no começo do Gaúchão e depois colocou pra jogar os titulares que não decepcionaram, uma ótima campanha na temporada até agora.
Vieram peças para setores que o Colorado carecia, como o lateral direito Nei e o atacante Kléber Pereira. Além deles, a permanência dos outros principais destaques (Guiñazu, D’Ale, Kléber) faz do Inter um forte candidato.
A estreia colorada é no dia 23, no Beira-Rio contra o vencedor de Emelec x Newell’s Old Boys.
São Paulo

O Tricolor paulista, detentor de três títulos da Libertadores, vem em busca do tetra. O título da Libertadores é quase uma obsessão para a grande maioria dos torcedores são-paulinos e por isso o foco é total nesta competição.
Depois de um começo irregular na temporada 2010, o São Paulo tenta mostrar que o time pode melhorar muito. Chegaram vários reforços, como Marcelinho Paraíba, Cléber Santana, Rodrigo Souto, Alex Silva, dentre outros.
Depois do fim da hegemonia no futebol brasileiro o Tricolor vem se reconstruindo e continua com boa estrutura e um bom plantel, jogadores como Hernanes, Jorge Wagner e Rogério Ceni, que estão na equipe há um bom tempo são os pilares deste sem um destaque individual muito grande, mas com várias peças interessantes.
A estreia do São Paulo é no dia 10, no Morumbi, contra o Monterrey.
Bem, é isso. Agora é esperar a Libertadores começar e ver se o favoritismo brasileiro se confirmará ou não. Durante a competição falarei um pouco mais aqui no Un Quimera, principalmente sobre os jogos do Flamengo.

América Platina ou Decepção Azul

Quando eu escrevi o post falando sobre a Libertadores, antes da competição começar indiquei o Cruzeiro como um dos grandes favoritos ao título, o time argentino do Estudiantes também aparecia no post mas apenas como um time que deve chegar mais longe, dessa vez, diferentemente da Copa do Brasil, eu errei.
A equipe de La Plata que estreou perdendo para o mesmo Cruzeiro, no mesmo Mineirão por 3 x 0, foi se recuperando aos poucos na competição, tomou apenas 2 gols depois das Oitavas de Final e conseguiu seu quarto título de Libertadores: 68,69,70 e agora 2009.
Foi a quinta final seguida entre brasileiros e argentinos na Libertadores em que os “hermanos” venceram (Velez em 1994, Boca em 2000, 2003 e 2007 e agora o Estudiantes).
Além disso, foi a segunda final seguida que um time brasileiro ficou com o vice, o Fluminense havia perdido para a LDU no ano passado.
Mas como isso foi acontecer?
Pouquíssima gente esperava a derrota desse bom time do Cruzeiro, ainda mais jogando em casa.
Vamos ao jogo:
Após um 0 x 0 no primeiro jogo em La Plata, quem ganhasse levaria e empate provocaria prorrogação.
Ambos os times entraram tensos em campo, clima de final de Libertadores, Brasil x Argentina é sempre complicado.
Mas, aos poucos, enquanto a torcida do Cruzeiro, que lotou o Mineirão, não empurrava o time devido a toda essa tensão, o Cruzeiro foi ficando cada vez mais tenso e o Estudiantes foi relaxando, soube catimbar na hora certa, e não se acovardou em momento algum, buscava sempre o ataque e no fim do primeiro tempo, nenhuma grande chance pra nenhum dos dois lados, mas o Estudiantes era melhor.
Na volta para o segundo tempo a tônica do jogo parecia que continuaria da mesma maneira que estava no primeiro tempo, porém, com apenas 6 minutos, o volante Henrique do Cruzeiro bateu de fora da área, a bola desviou e entrou no canto direito de Andújar, Cruzeiro 1 x 0 e festa azul no Mineirão.
Esse gol parecia que iria dar mais tranquilidade ao time, a história da Libertadores de 97, última que o Cruzeiro conquistou, parecia que iria se repetir.
Porém, nada disso aconteceu.
O aguerrido time do Estudiantes nem sentiu o gol sofrido, pra eles era como se nada tivesse acontecido e 5 minutos depois do gol, Verón, o maestro desse time, achou o lateral Cellay livre na direita, este cruzou no meio e Gastón Fernández empatou o jogo.
Era como se o gol cruzeirense não tivesse valido nada. Com o 1 x 1 no placar o jogo voltava a situação de primeiro tempo, Cruzeiro muito tenso e Estudiantes sabendo controlar muito bem o jogo, sabendo jogar dentro do Mineirão contra o Cruzeiro, coisa que poucos sabem.
Aí, aos 27 minutos, num escanteio cobrado por Verón, o artilheiro da Libertadores, Mauro Boselli, subiu de cabeça, fez seu oitavo gol na competição e fechou o placar: Estudiantes de La Plata 2 x 1 Cruzeiro.
Depois disso o Cruzeiro até que tentou, Thiago Ribeiro acertou uma pancada no travessão, mas o título já era dos “pinchas”, apesar de tudo, do favoritismo azul, o time argentino fez um grande jogo ontem e mereceu o título, a defesa sólida, com o ótimo Andújar no gol, que pouco trabalhou, e com Desábato e Schiavi, ambos muito mau vistos aqui no Brasil, mas que jogaram muito bem, o ataque fez o que deve fazer, cada um dos dois atacantes fez um gol, e no meio é que estão as grandes feras desse time, Pérez que dá a movimentação, Braña que marca muito bem e ele, Juan Sebastian Verón, “La Brujita”, que voltou da Europa pra ganhar esse título com o Estudiantes, clube de “La Bruja”, seu pai Juan Ramon Verón.
Em relação ao Cruzeiro, indiscutivelmente foi melhor durante toda a competição, passou tranquilo na primeira fase e eliminou São Paulo e Grêmio no mata-mata, porém na hora da final não foi aquele grande time, que tinha Ramires (o camisa 8 se despediu ontem, agora é jogador do Benfica), Wágner, que contava com as chegadas fulminantes de Jonathan e que tinha um
indomável Gladiador lá na frente.
Ninguém funcionou nessa final, apenas Fábio no primeiro jogo onde salvou tudo e mais um pouco.
Porém, na minha visão de jogo, o que faltou na verdade para o Cruzeiro foi RAÇA.
A equipe é muito boa e entrou em uma situação favorável nesse segundo jogo, e não entrou de salto alto, respeitou o time do Estudiantes, mas entrou muito nervosa no jogo e foi dando espaço pra esse bom time argentino fazer o jogo dele.
A torcida via tudo isso apática e o time não conseguia imprimir raça digna de uma final de Libertadores, parecia um jogo comum de Campeonato Mineiro, os caras tinham que ir buscar bola lá na Lagoa da Pampulha, suar sangue mesmo, e eu não vi isso, e enquanto eu não via isso, via nos olhos dos jogadores argentinos mais raça do que tudo, alguém aí já pensou há quanto tempo o Cruzeiro não perdia de virada dentro do Mineirão?
Foi um verdadeiro “Minerazo”, mas apesar dessa decepção o time do Cruzeiro é muito forte e com toda certeza brigará pelo título do Brasileirão, mesmo sem Ramires e mesmo sem Libertadores.
Só resta agora parabenizar o Estudiantes e principalmente “La Brujita”.

A Semana em Porto Alegre

Essa semana que abriu o mês de julho, no que se diz respeito a futebol, teve como sua capital a cidade de Porto Alegre.
Na quarta-feira, o segundo jogo da decisão da Copa do Brasil, disputado entre Internacional x Corinthians, no Beira-Rio e no dia seguinte, a decisão pra ver qual brasileiro enfrentaria o Estudiantes de La Plata na final da Copa Libertadores que será disputada nas próximas duas quartas.
Corinthians Tri-Campeão da Copa do Brasil

No primeiro dos dois grandes jogos, o Corinthians se deu bem, superou o trauma do ano passado, quando perdeu a final da Copa do Brasil para o Sport, jogando o segundo jogo fora de casa e com um empate em 2 x 2 se tornou tri-campeão da Copa do Brasil (o jogo de ida no Pacaembu tinha sido 2 x 0 para o Corinthians).


Aqui no Un Quimera, lá em fevereiro, um domingo antes de começar a Copa do Brasil eu dei os meus palpites sobre quem seria o campeão, dentre os times citados por mim, Internacional e Corinthians estavam lá.

O Inter, que talvez tenha percorrido um caminho mais complicado do que o do Corinthians para chegar a final era o grande favorito desde o início da competição, mas depois das quartas contra o Flamengo, muito do misticismo que cobria o Colorado foi quebrado.

Chegou para o primeiro jogo da final muito desfalacado e, não conseguindo fazer gol fora de casa tinha que fazer um resultado muito bom no jogo de volta, em Porto Alegre.

Mesmo com seus principais jogadores em campo, o time de Tite sentiu a pressão de ter que fazer esse bom resultado e entrou nervoso em campo, o Corinthians, que durante toda a competição soube se portar muito bem jogando fora de casa aproveitou esse nervosismo, e com gols de Jorge Henrique e André Santos, abriu 2 x 0 no primeiro tempo, praticamente matando o jogo.

Na volta para o segundo tempo o Inter até conseguiu o empate com dois gols de Alecsandro, o jogo ficou marcado também por muitas briguinhas e expulsões, destaque para o argentino D’Alessandro, camisa 10 do Inter, um excelente jogador de futebol, um dos melhores em atividade no Brasil, mas que perdeu a cabeça nessa final e cometeu atitudes de um verdadeiro “chico”.

O Corinthians mereceu o título e acumula agora 3 títulos em 7 meses (Série B, Paulista e Copa do Brasil), Mano Menezes aos poucos foi montando esse time que hoje é muito maduro, e consistente, tanto defensivamente quanto no ataque, o grande perigo é acontecer um desmanche, afinal, muitos dos titulares do Corinthians estão sendo observados por clubes europeus, e o mercado está aberto.

Cruzeiro na final da Libertadores

Ontem, quase um replay do jogo de quarta.

A situação do Grêmio era muito parecida com a do seu rival estadual, só que o Tricolor gaúcho tinha conseguido marcar um gol no jogo de ida, no Mineirão (que terminou 3 x 1 para o Cruzeiro).

E o time de Paulo Autuori até começou bem, tentando pressionar o Cruzeiro, mas apesar de chegar muito, não chegava com objetividade.

Ao contrário da Raposa que, em duas chegadas, meteu 2 gols.

Aos 34, o Gladiador Kléber fez ótima jogada pela direita e deu o primeiro gol para Wellington Paulista. Dois minutos mais tarde, de novo pela direita, Jonathan cruzou na cabeça do mesmo Wellington Paulista.

2 x 0 e partida praticamente decidida, assim como na quarta.

E pra terminar as coincidências do dia anterior, o Grêmio voltou para o segundo tempo sem desanimar e também conseguiu empatar, com gols de Réver e Souza.

Apesar desses dois resultados adversos é bom não subestimar o futebol gaúcho, que conta com dois bons times, alguns ótimos jogadores e que, desde 2006, vem conseguindo sempre resultados expressivos, até mesmo um Mundial.

Sobre os finalistas da Libertadores: o jogo de estreia será também o último jogo deles.

A exemplo da edição do ano passado, quando os dois finalistas (Fluminense e LDU) sairam do mesmo grupo, esse ano o Estudiantes de Verón e o Cruzeiro de Kléber também chegam a final vindos do mesmo grupo.

Na primeira fase o Cruzeiro venceu no Mineirão por 3 x 0, na estreia de Kléber, com dois gols do mesmo e o Estudiantes venceu em La Plata por 4 x 0. A final será um tira-teima e por ter feito uma melhor campanha na primeira fase, o Cruzeiro decidirá em casa.

Nada melhor do que um duelo Brasil x Argentina numa final de Libertadores, ainda mais numa tão simbólica, essa é a Libertadores de número 50.

O Cruzeiro é sim muito favorito pra essa final, mas o Estudiantes não costuma dar mole, e depois de perder a final da Sul Americana do ano passado para o Inter, esse ano Verón e cia. vem mais calejados para essa outra final contra um time brasileiro.