Arquivo da categoria: Chivas Guadalajara

América Vermelha

Já virou quase uma tradição do Un Quimera, um post no dia seguinte as finais de Libertadores e Liga dos Campeões da Europa, dessa vez não deu pra colocar o post sobre a final da Libertadores no dia seguinte, ficou pra hoje, uma semana depois da conquista colorada.

Como já havia comentado no post sobre a semi-final entre São Paulo x Inter, o vencedor desse jogo fatalmente seria o campeão da Libertadores, não desmerecendo a equipe do Chivas mas qualquer um dos brasileiros que passasse à final chegaria mais motivado e preparado.

Isso foi comprovado ainda no primeiro jogo da final. Na Cidade do México o Inter entrou melhor e depois de criar algumas boas oportunidades viu o Chivas abrir o placar em um lance isolado no fim do primeiro tempo, com o polêmico Bofo Bautista.

Na volta para o segundo tempo o Inter fez prevalecer o melhor futebol e conseguiu a virada com dois gols de cabeça: primeiro do reserva mais titular de todos, peça fundamental para a conquista colorada, o camisa 11 Giuliano. E depois do capitão Bolívar, após bola ajeitada pelo outro zagueiro colorado, Índio.

Enfim, essa vitória fora de casa no primeiro jogo deu ao Inter a vantagem do empate no segundo jogo. Sem Alecsandro, lesionado no primeiro jogo, o Inter chegou para o confronto final, num Beira-Rio em êxtase, com a obrigação do título e de quebrar um tabu que já durava 3 anos (de times brasileiros chegando e perdendo na final da Libertadores).

Talvez por toda a pressão com que entrou em campo o time de Celso Roth não começou tão bem, e não conseguiu criar muitas chances no primeiro tempo, a não ser um bom chute de Taison, após deixadinha de Rafael Sóbis, que ficou nas mãos do goleiro Michel.

Até que aos 42 minutos do primeiro tempo, assim como tinha acontecido no primeiro jogo, em um lance isolado o Chivas abriu o placar com Fábian.

Os times foram para o vestiário com um resultado que levava a decisão para os pênaltis.

Mas na volta para o segundo tempo o Inter acordou e todo o apoio da torcida fez a diferença.

Após cruzamento de Kléber, Rafael Sóbis desviou e marcou seu primeiro gol na volta ao Inter, empatando o jogo e já deixando o título com o Inter.

Mas o Colorado queria mais, e Celso Roth fez duas alterações que deram muito certo. As entradas de Leandro Damião e de Giuliano pareciam predestinadas. O primeiro, após bela arrancada marcou o segundo gol e o segundo marcou um golaço pra fechar de vez a partida, mais um gol decisivo do camisa 11.

No fim da partida o Chivas ainda fez mais com Araújo e uma confusão generalizada ofuscou um pouco o brilho da final, mas foi coisa pouca perto da grandiosidade desse bi-campeonato do Inter.

Mais do que merecido foi a consagração do tão contestado e rotulado Celso Roth, que pegou o time do meio na competição e conseguiu dar um padrão de jogo, num esquema tático com algumas semelhanças com a Espanha campeã mundial. Um time muito técnico, com intensa troca de passes e muita habilidade.

No gol Renan, que acabou de voltar da Europa e ainda vai se readaptando ao futebol brasileiro. As laterais com Nei e Kléber foram importantes, ao mesmo que tempo que auxiliavam na marcação também apoiavam lá na frente, vale lembrar que o primeiro gol da campanha colorada nessa Libertadores foi de Nei.

A zaga muito sólida, o capitão Bolívar e Índio foram muito seguros durante toda competição e passaram essa segurança para o resto do time, segurança essa que era confirmada pela ótima dupla de volantes: Sandro e Guiñazu talvez tenham sido as peças mais importantes, taticamente falando, o brasileiro, negociado com o Tottenham, ficava sempre na marcação com muita disposição, o argentino marcava e quando precisava, como foi o caso do segundo jogo da final também ia um pouco a frente.

Tinga e D’Alessandro completam o meio de campo dando experiência e técnica, se alternando sempre confundiam a marcação e criavam as jogadas para os atacantes, com Taison um pouco mais recuado, vindo buscar o jogo e Rafael Sóbis centralizado na frente.

É lógico que não se pode esquecer de Alecsandro, titular durante toda a competição e que fazia muito bem esse papel de pivô na frente e de Giuliano, que resolveu partidas importantíssimas, contra Estudiantes e São Paulo por exemplo.

Esse foi o Inter bi-campeão da Libertadores, que devolve esse título ao Brasil e que agora busca também o bi do Mundial, em dezembro, em Abu Dhabi. A organização e profissionalismo da diretoria colorada, que fez renascer o time já trouxe vários títulos como esse bi na Libertadores, o Mundial, a Recopa e a Copa Sul-Americana, além de boas participações em Campeonatos Brasileiros de 2005 pra cá, também devem ser lembradas.

Pra finalizar não dá pra não lembrar do “hit” com o qual a torcida literalmente empurrou o Inter:

Inter, estaremos contigo! Tu és minha paixão! Não importa o que digam, sempre levarei comigo! Minha camisa vermelha e a cachaça na mão! O Gigante me espera para começar a festa!