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Le Rouge et Le Noir #22

O dono do restaurante do bairro é torcedor do Fluminense e ontem, na hora que eu fui pagar o almoço pra ele, ele logo me falou:

“-Amanhã vamos ganhar, hein!”

Acredito que esse caso particular pode ser universalizado com certa tranquilidade e ilustra bem o clima do jogo de hoje a noite, entre Flamengo x Atlético/MG. A partida, que fechará a 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, envolve muita coisa e pode literalmente definir o campeonato.

No último post da série Le Rouge et Le Noir, falei justamente sobre a primeira partida entre Flamengo x Atlético/MG nesse campeonato, que foi adiada disputada um mês atrás. Naquela ocasião, jogando em um Engenhão lotado e inflamado o Flamengo conseguiu vencer o Galo por 2 x 1, e além de ter colocado em si mesmo uma injeção de moral, serviu de ajuda também para o Fluminense, foi nesse momento que o Tricolor carioca abriu a vantagem que tem hoje, e o Atlético/MG ficou para trás na briga pelo título.

Passa-se um mês, e depois do eletrizante duelo entre os líderes, com vitória do Galo por 3 x 2, Flamengo e Atlético/MG voltam a se enfrentar, dessa vez no caldeirão do Independência, e mais uma vez, em caso de vitória rubro-negra, além de um ânimo para o próprio Flamengo (que praticamente se veria livre de uma vez por todas do rebaixamento) o título do Fluminense ficaria incrivelmente próximo.

Portanto, o jogo de hoje a noite mobilizará não só as duas torcidas que verão seus times em campo, mas todas as torcidas do campeonato. Isso dá maior visibilidade para a partida e maior responsabilidade para ambas as equipes.

A tímida, irregular e desinteressante campanha do Flamengo nesse Brasileirão poderia ficar marcada de forma positiva em caso de vitória hoje a noite. O Flamengo ficaria com a fama (e que fama boa seria essa) de ter “tirado”, pelo menos moralmente, o título do Atlético/MG de Ronaldinho Gaúcho. A fila do Galo sem títulos brasileiros chegaria aos 41 anos. Em caso de derrota, o campeonato continuaria aberto, e o Flamengo só confirmaria essa campanha tímida, irregular e desinteressante.

Longe de aceitar isso passivamente, e longe de pensar que esse tipo de campanha condiz com a história do Flamengo, penso que a realidade é essa, a equipe de fato não se acertou em momento algum na competição (no ano, pra ser mais preciso). Esses jogos finais, penso eu, devem ser encarados como testes para jogadores que não foram muito bem aproveitados, as chances de rebaixamento são mínimas, mais duas vitórias, ou até mesmo uma vitória e um empate já devem excluir qualquer possibilidade de queda para a segunda divisão, então agora é experimentar mesmo e já mirar uma reformulação geral, que PRECISA acontecer em 2013.

A última partida verdadeiramente interessante (tem os clássicos nas duas rodadas finais, mas ainda assim…) é a de hoje. A rivalidade com o Galo está cada vez mais acirrada e os rumos do campeonato podem ser alterados dependendo do resultado de hoje. Então pra alegria minha, do dono do restaurante do bairro e de muitos outros torcedores, vai pra cima deles, Mengo!

SRN

Le Rouge et Le Noir #21

Ontem um grito entalado na garganta dos rubro-negros foi colocado pra fora. Naquela que talvez será a partida mais marcante e mais emblemática, ou pelo menos uma das, da temporada, o Flamengo, no reencontro com Ronaldinho após sua ida para o Atlético-MG, venceu o Galo por 2 x 1, num Engenhão com quase 40 mil pessoas em plena quarta-feira fria e chuvosa e sentiu de novo, o gosto doce da vitória, com um tempero de vingança pra cima do agora R49.

O jogo em si foi um capítulo a parte nessa temporada cheia de decepções e resultados ruins que o Flamengo vem passando. A torcida, como é de costume, compareceu em massa e carregou o time durante os 90 minutos. O time, por sua vez, respondeu positivamente a todo esse apoio: jogou de uma maneira mais lúcida e mais compacta do que vinha jogando; foi com certeza a melhor atuação no comando de Dorival, de toda a equipe e com os destaques individuais para a dupla de ataque, que fez o que atacantes devem fazer: gol! E também pra Wellington Silva, que com a passagem de Léo Moura para o meio campo assumiu de vez a lateral direita.

No entanto, creio ser válido relacionar esse jogo em particular com outros dois momentos maiores. O primeiro, já citado no primeiro parágrafo é toda a ambientação e significação que esse jogo recebeu, em virtude de ter marcado o reencontro de Ronaldinho com o Flamengo e sua torcida. Independente dos motivos que levaram o camisa 49 do Atlético sair do Flamengo, o que ficou, em relação à grande parte da torcida foi uma mágoa e uma vontade de vingança (no bom sentido, futebolisticamente falando). E ontem essa vingança foi consumada. O futebol não é e nunca foi parâmetro pra racionalidade, então quando momentos assim acontecem, ainda que efêmeros e fugidios, é uma sensação muito boa que toma conta dos corações e das mentes do torcedores.

Outro ponto que não dá pra ficar sem ressaltar é a leve guinada que o Flamengo deu ao vencer os dois Atléticos em sequência. Duas vitórias seguidas é um evento raro na atual temporada e nesse momento do campeonato tornaram-se ainda mais raras e importantes. De primeiro time acima da zona de rebaixamento até uma semana atrás, o Flamengo agora já ocupa a décima posição e apesar de sonhos mais altos (leia-se G4) serem bem difíceis de conquistar, uma nítida evolução aconteceu nessas últimas rodadas e jogando o que jogou o Flamengo não terá nenhum risco de rebaixamento em pouco tempo. O clássico contra o Fluminense na próxima rodada será um bom teste pra provar se toda a evolução desses últimos dois jogos é mesmo real ou não.

Enfim, a sensação boa de sair com a camisa rubro-negra na rua, mesmo nesse frio, é muito boa, mas não dá pra se esquecer de que no geral a atual temporada vem sendo bem abaixo das expectativas. Acredito que o melhor a se fazer é comemorar bastante vitórias como a de ontem e manter os pés no chão em relação ao futuro.

SRN

Le Rouge et Le Noir #20

Depois de muito, mas muito tempo mesmo o Flamengo conseguiu vencer dois jogos em sequência e jogando um futebol no mínimo razoável. Após a queda de Joel Santana, Dorival Júnior assumiu o time e depois de um empate em casa contra a Portuguesa e uma acachapante derrota para o São Paulo no Morumbi, por 4 x 1, parecia que o técnico era outro, mas as coisas continuariam sendo as mesmas: jogos ruins, gols sofridos e crise…

No entanto, depois da derrota para o São Paulo o Flamengo ficou dez dias sem jogar, por conta do adiamento da partida contra o Atlético-MG, marcado para o dia 26/09, e esse tempo serviu pra Dorival Júnior mudar muita coisa na equipe, depois disso vieram as partidas contra Figueirense e Náutico (ambas vencidas por 2 x 0, com 2 gols de Vagner Love) e o futebol apresentado pelo Flamengo foi completamente diferente do que vinha sendo apresentado até então pela equipe rubro-negra no Campeonato Brasileiro.

Cito aquelas que considero as principais mudanças já vistas: o time joga mais unido dentro de campo, há mais aproximações, a bola chega até o ataque passando pelo meio, não existe mais um buraco no setor de meio campo, além disso, os atacantes, em algum momento, também voltam pra marcar e isso tira uma sobrecarga do setor defensivo, o que faz com que ele consequentemente pare de sofrer tantos gols.

Além disso, cito também destaques individuais: o primeiro, é óbvio, é Vagner Love, o artilheiro do amor voltou a marcar e isso é muito bom, porque parece que quando ele está em uma fase boa o time todo acompanha, já é o artilheiro da competição com oito gols e agora com a chegada de Liedson, os dois tem tudo pra formar um dupla goleadora.

Os garotos Thomás e Negueba também vão mostrando muita raça e determinação. Possivelmente um deles perderá posição para Liedson, mas ambos estão dando velocidade e opções para o time, jogadas pelas laterais, triangulações, etc. Talvez ambos já estejam um pouco mais calejados do que Adryan e Mattheus e por isso vão correspondendo, os dois últimos, tidos como salvadores da pátria por Joel Santana ainda precisam de mais um tempo e com o time rendendo mais agora, eles possivelmente terão esse tempo, entrando aos poucos pra não se queimarem e irem adquirindo experiência pra futuras competições.

E pra fechar a lista de destaques individuais, não dá pra ficar sem falar do paraguaio Cáceres! O volante, que ficou muito tempo sem poder jogar por complicações contratuais, estreou justamente contra o Figueirense e fez sua segunda partida contra o Náutico e em ambas ele mostrou que veio pra ganhar a posição (já ganhou) e ajudar e muito o Flamengo. Ele é um primeiro volante que sabe sair jogando, organiza bem o meio campo e marca muito bem. Deu uma nova dinâmica ao time.

Enfim, ressaltadas as devidas mudanças no time e feitos os devidos elogios, coletivos e individuais, agora é hora de colocar os pés no chão também. Embora as duas vitórias sobre Figueirense e Náutico terem sido realmente louváveis, os dois adversários não são nem de perto grandes equipes, o Figueirense luta para não cair e o Náutico também pode correr esse risco até o fim do campeonato, por isso é bom começar a pensar nos próximos adversários: na quarta, o confronto é com o Palmeiras, em São Paulo e depois, pra fechar o turno, o Flamengo tem pela frente dois clássicos estaduais: primeiro o Vasco e depois o Botafogo. Aí sim é que veremos se todas as mudanças pós-Dorival realmente surtiram efeito. Com toda sinceridade, jogando o que está jogando e se superando cada vez mais, o Flamengo tem sim condições de vencer esses clássicos e buscar algo mais nesse Brasileirão.

Outro toque que eu acho válido dar é o seguinte: é lógico que todos torcedores rubro-negros gostaram dessa melhora do time, dessas duas vitórias, desse novo momento que vai se desenhando, no entanto, isso não pode mascarar a precária e vergonhosa situação que ainda acompanha o Flamengo fora das quatro linhas. De que adianta falar sobre os problemas administrativos e financeiros do clube quando a crise está dentro de campo e simplesmente esquecê-los quando, dentro de campo, o time começa a conseguir bons resultados? Infelizmente, enquanto o “lado de fora” não for devidamente arrumado o “lado de dentro”, ou seja, o time do Flamengo, jamais conseguirá de fato grandes coisas. O máximo serão efêmeros bons momentos que se seguirão de crises, e bons momentos e crises, etc. O Flamengo tem tradição pra ter muito mais do que isso, o Flamengo tem história pra ser um time que vive de bons momentos, esse é o sonho de qualquer torcedor e pode virar realidade se mudanças fora de campo acontecerem.

SRN

Le Rouge et Le Noir #19

“Há um parentesco óbvio entre o Fluminense e o Flamengo.

E como este se gerou no ressentimento, eu diria que os dois são os irmãos Karamazov do futebol brasileiro”

Nelson Rodrigues 

O post de hoje, mais um da série Le Rouge et Le Noir, não poderia falar de outra coisa senão do centenário daquele que é considerado o clássico mais charmoso do Brasil, o inesgotável Fla x Flu.

Dois dos principais responsáveis para a ascensão do clássico dentro do ideário de qualquer torcedor de futebol, são os irmãos Mario Filho e Nelson Rodrigues. O primeiro, flamenguista tímido, inflamou nas duas torcidas a paixão pelo futebol, e transformou o esporte até então (falamos aqui das décadas de 40, 50 do século passado) elitista em uma verdadeira paixão nacional.

Já o segundo, tricolor apaixonado e dono de uma das escritas mais provocantes de toda literatura brasileira, tinha no futebol um tema central, suas consagradas crônicas esportivas transcendiam a previsível e chata crônica esportiva da época. Dá pra dizer, com tranquilidade, que suas transcendem inclusive as atuais crônicas esportivas.

Mas enfim. Além dessas importantes figuras históricas dentro da história do clássico, o que também fez dele esse clássico tão charmoso e interessante foram os grandes jogadores que passaram por ele. As finais entre as duas equipes e até mesmo jogos sem tanta importância assim, como por exemplo a despedida de Zico, num Fla x Flu, aqui em Juiz de Fora.

De todos os Fla x Flus que eu já assisti aquele que mais me emocionou e aquele que trago as recordações mais vivas foi o 5 x 3 no Campeonato Carioca de 2010. Depois de entrar no segundo tempo perdendo de 3 x 1, o Flamengo, que na época tinha Adriano e Vagner Love comandando o ataque, chegou a uma virada impressionante!

Ontem, no Engenhão, foi disputado o Fla x Flu que homenageava o centenário do clássico. Partida válida pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro de 2012. Digo sinceramente, não só pela derrota rubro-negra, que o clássico de ontem esteve muito aquém do nome, da história e de todo o charme do Fla x Flu. Fred, logo no início do jogo, após cruzamento de Thiago Neves e desatenção da zaga rubro-negra, anotou o único gol do jogo.

Fora isso, foi um jogo feio, sem qualquer charme. Ambas as equipes não conseguiram mostrar um bom futebol. O Fluminense, em alguns contra-ataques, principalmente com lampejos de Wellington Nem, tentava assustar o Flamengo, mas não conseguia. O Flamengo, por sua vez, repleto de volantes, não conseguia criar, praticamente não levou perigo ao gol de Diego Cavalieri e terminou a partida buscando um milagre, com a jovem dupla Adryan e Matheus. Ambos tem tudo pra se firmarem como grandes jogadores do futebol brasileiro no futuro, mas agora, com 17 e 18 anos, não vão salvar um time que vive se defendendo e não consegue se defender direito.

Apesar de toda garra do Flamengo na partida, o fraco futebol que vem sendo apresentado já há um bom tempo foi o que mais sobressaiu aos olhos ontem. Joel Santana permanece no comando técnico, mesmo muito pressionado. Depois dessa derrota, restam ainda trinta rodadas no Brasileirão e muita coisa precisa ser mudada.

Em relação aos “irmãos Karamazov” do futebol brasileiro, como diz Nelson Rodrigues, esperamos melhores Fla x Flus, tão charmosos quanto os de outrora. Não é saudosismo, é vontade de ver bom futebol e nada mais.

Le Rouge et Le Noir #18

Assisti ontem à partida entre Grêmio x Flamengo já pensando no que iria escrever aqui hoje. A verdade é que a cada minuto do jogo que passava a vontade de escrever diminuía, mas, ainda assim vou escrever um pouco sobre a partida de ontem e sobre a atual situação do Flamengo.

Poucos dias depois de eu escrever o último post da série Le Rouge et Le Noir, Ronaldinho foi embora do Flamengo. A situação daquele que veio para a Gávea a preço de ouro e que despertou nos torcedores a esperança de conquistar títulos e mais títulos,  já era bem complicada há um bom tempo. Por fim ele assinou a rescisão de contrato com o Flamengo e na semana seguinte foi contratado pelo Atlético Mineiro.

Esse acontecimento de uma forma ou de outra mexeu com os torcedores rubro-negros, a grande maioria, como é o meu caso, creio que já queria a saída dele há um bom tempo e se sentiu aliviada com isso. No entanto, eu logo pensei: bom, agora que o “grande astro” saiu as coisas vão ter que mudar! Não vai existir mais nenhum camisa 10 pra jogar a bola e esperar um milagre acontecer, todo mundo vai ter que jogar de verdade e pior do que tá não fica.

Ledo engano. Parece que mesmo depois da saída de Ronaldinho Gaúcho tudo continua desorganizado e despreocupante. Desorganizado porque nenhum time que joga com quatro volantes no meio-campo toma gol todo jogo, desorganizado porque não se tem mais um time titular bem definido, não se tem um bom esquema tático, despreocupante porque o adversário que enfrenta o Flamengo sabe de tudo isso e quando se depara com o ataque rubro-negro vê sempre as mesmas ineficazes e previsíveis jogadas.

O jogo de ontem contra o Grêmio foi o melhor exemplo disso. Não fosse um certo desinteresse por parte dos gremistas, talvez um tanto abatidos pela recente eliminação na Copa do Brasil, uma goleada histórica poderia ter acontecido. Aqui vale ressaltar também o trabalho do goleiro Paulo Victor, talvez o único jogador rubro-negro que conseguiu fazer algo positivo ontem.

Enfim, a situação e desastrosa e deprimente. Por mais otimista que eu possa ser em relação ao Flamengo, vendo um jogo como o de ontem só dá pra dizer: esse ano vamos ter que lutar e muito pra não cair!

Não sei se a culpa é do Joel, da diretoria, dos jogadores todos ou de alguns em específico, só sei que os torcedores rubro-negros querem algo novo e diferente e não isso o que estamos vendo aí.

*Vale ler também o texto do Arthur Muhlenberg, que segue a mesma linha desse aqui.

Le Rouge et Le Noir #17

Dia de post da série Le Rouge et Le Noir. E hoje o post, publicado lá no Confio do Mengão, como de costume, vem pra dizer o óbvio: o Flamengo está sim em crise, a “coisa tá preta” como diz o provérbio popular e se mostra cada vez mais complicada.

Aí vai:

Crise

No futebol, e ainda mais em clubes da magnitude do Flamengo, qualquer empatezinho, qualquer disse me disse que escapa já vira motivo pra imprensa falar em crise e fazer uma verdadeira tempestade em copo d’água.

Dessa vez, contudo, penso que crise é a palavra que melhor define o momento do Flamengo. É complicado dizer e admitir isso, mas na atual temporada o Flamengo ainda não fez um jogo sequer em que nós torcedores pudéssemos sentir orgulho do time e projetar algo maior no horizonte.

Se pegarmos todos os jogos até o momento os mais marcantes, possivelmente, serão as duas eliminações para o Vasco nas semi-finais da Taça Guanabara e da Taça Rio e dois empates em 3 x 3. O primeiro contra o Olimpia, que foi o grande impulsionador da eliminação precoce na Libertadores e agora esse do último sábado contra o Inter, no mesmo Engenhão, tendo uma mesma boa vantagem e deixando ela escorrer pelos dedos até o fim do jogo. Não bastassem as atuações ruins e sem brilho dentro de campo, fora dele o ambiente de desorganização permanece.

O último episódio mais marcante foi a “compra” de Assis, irmão de R10, numa loja do Flamengo. O irmão do camisa 10 levou várias camisas do Flamengo e na hora de pagar disse que não pagaria, afinal, o Flamengo não paga os salários do seu irmão. Esse episódio, além de totalmente ridículo, lembra um pouca uma época longínqua, onde o Flamengo contratou vários medalhões e nada funcionou.

Entre os medalhões estava o famoso volante Vampeta, que na época, perguntado sobre a situação do time respondeu categoricamente: Eles finjem que me pagam e eu finjo que eu jogo. Episódios como esse do Vampeta não deveriam jamais ter acontecido, mas depois de ter acontecido o mínimo que a diretoria e todo o departamento financeiro do Flamengo deveriam fazer era tomá-lo coamo um exemplo pra que coisas do tipo jamais voltassem a acontecer. Mas como já disse, esse episódio do Assis é bem parecido.

E aí fica esse sentimento de que independente dos títulos e das conquistas dentro de campo, da paixão da torcida e tudo mais, fica o sentimento de que o Flamengo enquanto instituição nunca vai conseguir se organizar de fato e ser um clube grande também financeiramente, e deixar de ser um dos líderes da lista dos times que mais têm dívidas e etc…

Se fora de campo as coisas não se resolverem, infelizmente dentro dele também vai ser muito difícil algo bom acontecer. A bola da vez é Joel Santana. Nessa que, de longe, parece ser a pior passagem dele pela Gávea, Joel coleciona declarações contra os próprios jogadores e a saída dele comando técnico já se torna uma questão de tempo. Mas e aí? Sai Joel entra um outro qualquer e os jogadores continuam sem tesão? Sai Joel e entra um outro qualquer e a diretoria continua desorganizada e arcaica? Crise. Essa é a palavra. E a cada momento que passa essa crise parece ser mais insolúvel, maior.

Sair dela vai ser difícil. O que me resta é, independente de qualquer coisa, torcer e muito pras vitórias desse time dentro de campo e do lado fora escrever aqui e ver alguém consegue enxergar o óbvio: é preciso organização e profissionalismo pras coisas irem pra frente no futebol, enquanto isso não existir na Gávea estaremos fadados a crises e mais crises…

SRN

Cinco vezes Timão

Já é uma das marcas registradas do Un Quimera dar aquele balanço geral no fim das grandes competições de futebol. Mais uma vez aqui estou, dessa vez pra falar desse Campeonato Brasileiro de 2011. Vale lembrar que esse ano, além desse post de hoje também teremos até o fim do ano um QuimeraCast dedicado exclusivamente pra esse Campeonato Brasileiro 2011.

A exemplo das últimas duas edições, o campeonato desse ano ficou caracterizado principalmente pelo equilíbrio das equipes, a luta pelo título e por vagas na Libertadores e também pra escapar do rebaixamento foi até a última rodada.

Aproveito e começo falando sobre a parte de baixo da tabela. Dos times que subiram pra primeira divisão no ano passado apenas o América-MG voltou pra segunda divisão, junto com ele foram o lanterna Avaí, Ceará e Atlético-PR. O Avaí venceu adversários aparentemente difíceis como Corinthians, Flamengo e Botafogo, mas teve inúmeros tropeços e terminou a competição com míseros 31 pontos. O América-MG é outro caso curioso, também venceu Corinthians, Vasco, Fluminense e Botafogo, inclusive teve uma sequência de três vitórias na reta final que por pouco não o livrou do rebaixamento, mas não teve jeito, o Coelho voltou mesmo para a segunda divisão. Os outros dois rebaixados (Ceará e Atlético-PR) foram até a última rodada com chances de escapar e é aí que entra talvez o mais curioso de todos os casos dessa edição do Brasileirão, esse caso chama-se Cruzeiro.

A equipe mineira, caracterizada por sempre fazer boas campanhas após a instituição do método de pontos corridos no Campeonato Brasileiro (inclusive vencendo a primeira edição dos pontos corridos de maneira espetacular), simplesmente caiu num inferno astral e com um time muito semelhante ao da edição passada, na qual foi vice-campeão, fez uma campanha horrível, em especial no segundo turno e por muito pouco não conheceu o primeiro rebaixamento da sua história. A salvação veio na rodada final contra se rival Atlético-MG, uma sonora goleada de 6 x 1 foi suficiente pra tirar a Raposa da Série B, no entanto, olhando assim essa história parece muito mal contada, de cara tentei imaginar, por exemplo, Grêmio e Internacional em situação semelhante, o que será que aconteceria se um dos dois, tendo a chance de rebaixar o outro, perdesse de 6 x 1? É melhor nem pensar… Enfim, por mais cômico que isso possa ser, acho realmente muito estranho essa goleada, tema que com certeza falaremos mais no próximo QuimeraCast.

Saindo da parte de baixo da tabela e subindo aos poucos, encontramos de cara, novamente o Atlético-MG, que com essa derrota por 6 x 1 para o Cruzeiro deixou escapar a vaga na Sul-Americana. Colocando um parênteses nessa última rodada e pensando no resto do campeonato do Galo, a equipe comandada por Cuca teve maus momentos e correu sérios riscos de rebaixamento, no entanto, na reta final teve boas sequências (a goleada de 4 x 0 em cima do Botafogo foi um dos pontos altos) e conseguiu escapar do rebaixamento com certa facilidade. Logo acima temos Bahia, Atlético-GO e Grêmio, todos eles garantiram vaga na Sul-Americana e tiveram alguns bons momentos na competição, mas definitivamente não embalaram e não empolgaram de fato. Curiosamente, pra minha tristeza, os grandes momentos desses três times tiveram íntima relação com o Flamengo: o Atlético-GO venceu o Flamengo por 4 x 1 no Engenhão, tirando a invencibilidade do Flamengo na ocasião, o Bahia venceu o Flamengo também dentro do Engenhão, no pior momento do Flamengo na competição e o Grêmio, em um jogo que considero emblemático, por ter marcado o retorno de R10 ao Olímpico e de certa forma o fim do sonho do hepta, venceu o Flamengo de virada por 4 x 2.

Logo acima do Grêmio encontramos a dupla paulista Palmeiras e Santos. A equipe comandada por Muricy Ramalho, principalmente por ter vencido a Copa Libertadores pouco se importou com o Brasileirão, as atenções estavam voltadas para o Mundial (que começa em breve aliás, também falarei sobre ele aqui no Un Quimera), mesmo assim o Santos ainda conseguiu ter o artilheiro do campeonato, Borges, com 23 gols e deu trabalho a alguns times. Isso pode ser confirmado ou não no Mundial, mas penso que o time do Santos, com todas as suas forças, ainda é o melhor time do Brasil na atualidade.

Já o Palmeiras, durante praticamente todo o primeiro turno fez uma campanha não mais que mediana, sempre beirando a zona de classificação para a Libertadores, no segundo turno contudo, essa aparente boa campanha caiu por terra e uma sequência de maus resultados pairou no Palestra Itália, um real risco de rebaixamento chegou até a surgir, porém a gordura acumulada no primeiro turno fez com que o time de Felipão não se preocupasse tanto com o rebaixamento.

Subindo mais um pouco temos o Botafogo. Pra mim, com certeza, a maior decepção desse campeonato. O time, comandado até as últimas rodadas por Caio Júnior, foi sensação da competição em boa parte dela, esteve próximo do título em vários momentos e a vaga na Libertadores era dada como certa em General Severiano. No entanto, um verdadeiro black-out tomou conta do time, que teve uma queda vertiginosa nas últimas rodadas e amargou uma desinteressante nona posição, ficando fora mais uma vez da Libertadores.

Coritiba, Figueirense e São Paulo foram as equipes que ficaram no quase em relação à vaga na Copa Libertadores. O alviverde paranaense duplamente, pois já havia perdido a Copa do Brasil para o Vasco no meio do ano, perdendo assim uma chance de ir à Libertadores, no Brasileirão novamente isso aconteceu, o detalhe é que o Coxa chegou à última rodada dentro da zona de classificação para a Libertadores, dependia só dele mesmo pra conseguir a vaga, no entanto não resistiu ao rival Atlético-PR e acabou fora da competição continental. O Figueirense foi a grande surpresa do campeonato. Comandada por Jorginho, a equipe catarinense também teve reais chances de ir à Libertadores e complicou a vida de muita gente, no entanto, derrotas para Fluminense e Corinthians na reta final tiraram o Figueira da Liberta.

O São Paulo mais uma vez (pelo segundo ano seguido) fica fora da Libertadores. Coisa muito incomum no Morumbi. O Brasileirão marcou a volta de Luís Fabiano à equipe, mas marcou também uma nova demissão de treinador (dessa vez Adilson Batista) e o retorno de Emerson Leão. O fato é que o São Paulo, mesmo com um bom elenco, não se encontrou na competição e após perder jogos importantes na reta final acabou fora da Libertadores.

Chegamos então ao grupo dos cinco melhores times do campeonato, aqueles que garantiram vaga para a principal competição de clubes da América. O Internacional assegurou a vaga vencendo o rival Grêmio na rodada final. A equipe comandada por Dorival Júnior oscilou bons e maus momentos, chegou até a cogitar uma possibilidade de título, mas principalmente por conta da lesão de seu principal jogador Leandro Damião não teve pique pra brigar pelo título até o fim.

Na quarta posição temos o meu Flamengo. Os posts da série Le Rouge et Le Noir falaram muito do rubro-negro durante o ano e como já disse nesse mesmo post mais acima, considero a derrota para o Grêmio sintomática em relação à briga pelo título, mas não foi só ela: a horrível sequência de dez jogos sem vitória foi uma mancha  na campanha rubro-negra que até então vinha sem mácula, o primeiro turno foi quase perfeito. Mas vários tropeços no segundo turno acabaram tirando do Flamengo o sonho do hepta. Apesar disso com certeza guardarei na memória dois jogos desse Brasileirão: o 5 x 4 em cima do Santos no primeiro turno, com show de R10 e o 3 x 2 em cima do Fluminense no segundo turno, com show de Bottinelli. Foram os dois pontos altos do Flamengo na competição.

Na terceira posição ficou o Fluminense. O Tricolor das Laranjeiras fez uma bela campanha e mereceu a vaga na Libertadores, teve Fred com 22 gols como um quase artilheiro e também teve um jogo histórico: 5 x 4 pra cima do Grêmio, com quatro gols do camisa 9. Ao lado dos dois jogos do Flamengo que eu citei acima, penso que esse jogo também foi um dos melhores dessa edição do Brasileirão. Outros dois pontos em relação ao Flu que eu acho que valem a pena serem citados são: as derrotas para América-MG e Atlético-MG, ambas dentro do Engenhão, na reta final da competição, tiraram de vez o Flu da briga pelo título, dois jogos teoricamente fáceis, que o campeão Flu de 2010 não perderia. O outro ponto é a incrível e por vezes despercebida marca de apenas 3 empates durante toda a competição. Em uma competição de pontos corridos isso é muito difícil de conquistar e quando se tem um bom time como o do Fluminense pode fazer a diferença.

Chegamos enfim à dupla que brigou pelo título até o fim. Vasco e Corinthians protagonizaram uma bela briga pelo título e chegaram até ali de maneiras bem distintas. O Vasco, até por ter conquistado a Copa do Brasil, parecia que não iria dar tanta atenção ao Brasileirão e no começo da competição não era tratado como um concorrente direto ao título, no entanto, durante a competição foi crescendo e inclusive a liderou por algumas rodadas. A entrada do inteligente, experiente e vascaíno Juninho no meio campo da equipe deram uma alma ao time do Vasco, que tinha também em Fernando Prass, Fagner, Dedé, Felipe e Diego Souza peças importantíssimas que fizeram a diferença em vários jogos. O Trem Bala da Colina no entanto pagou por pequenos tropeços (o empate por 1 x 1 contra o Palmeiras no segundo turno talvez tenha sido o mais sintomático deles) e chegou à última rodada precisando de uma vitória do Palmeiras pra cima do Corinthians e precisando também vencer o Flamengo. Nem uma coisa nem outra aconteceram, dois empates (por 0 x 0 e 1 x 1, respectivamente) foi o que aconteceu e agora, querendo ou não, os vascaínos têm que escutar os cânticos de vice de novo. Zoações à parte, o Vasco termina o ano com um saldo muito positivo, há muito tempo que a equipe vascaína não disputava de maneira tão direta um título de Campeonato Brasileiro da Série A, essa reconstrução do Vasco, promovida em especial por Roberto Dinamite, desde 2009, vem dando frutos e recoloca o Vasco no grupo de melhores times do país.

Já o penta campeão Corinthians, por outro lado, depois da amarga eliminação na Pré-Libertadores pelo Tolima e da derrota na final do Campeonato Paulista para o Santos, botou todas as suas fichas de 2011 no Campeonato Brasileiro, portanto, diferentemente do Vasco, desde o início já era um dos favoritos ao título, desde o início priorizou a mais importante competição nacional e desde o início fez uma ótima campanha. Nas primeiras dez rodadas tinha 9 vitórias e 1 empate, uma aproveitamento assombroso para qualquer time em qualquer campeonato, ainda mais em se tratando de Campeonato Brasileiro. No entanto, como era de se esperar, inevitavelmente, esse rendimento caiu um pouco e o Corinthians perdeu a liderança durante a competição, no entanto, a exemplo do que já havia feito em 2010, em momento algum o Timão saiu das primeiras colocações, esse ano porém, a equipe comandada por Tite não fraquejou na reta final e principalmente nas vitórias sobre Ceará fora de casa e Atlético-MG dentro de casa (jogo que marcou o único gol do Imperador na competição, mas que teve uma importância enorme), mostrou que esse ano era o ano de mais uma decepção na Libertadores, mas também o ano do penta no Brasileirão. O Corinthians foi campeão por merecimento, a equipe já vinha montada desde a temporada passada, passou por mudanças durante a competição, mas conseguiu se ajustar muito bem a elas, o que mostra a força do elenco, jogadores como Júlio César, Ralf, Paulinho, Alex, Willian e, principalmente, Emerson e Liedson foram fundamentais para o título, o Imperador Adriano mesmo tendo tido uma participação apenas discreta, como disse acima fez um dos gols mais importantes da competição e pode ser muito útil na próxima temporada.

Não poderia deixar de falar também dessa mudança na tabela, ocorrida nessa edição, que colocou os principais clássicos regionais todos para serem disputados na última rodada. Achei uma ótima opção, deu mais emoção ainda para a competição e na minha opinião deveria ser mantida.

No mais é isso, falaremos ainda mais sobre o Campeonato Brasileiro 2011 no próximo QuimeraCast. Agora é época de férias para os boleiros e especulações e mais especulações de transferências, parte um tanto chata, mas que vende muito jornal, fazer o quê? Espero que a temporada de 2012 seja ainda melhor do que essa em relação ao equilíbrio e ao nível técnico do futebol brasileiro, que vem numa crescente. Espero, em especial, um ano melhor para o Flamengo, que mais um vez tem a oportunidade de conquistar o tão sonhado bi na Libertadores e o hepta no Brasileirão.

Le Rouge et Le Noir #11

Hoje é dia de mais um post da série Le Rouge et Le Noir.

Esse fim de ano do Flamengo com contornos melancólicos e decepcionantes, ganhou cores mais vivas na vitória de ontem sobre o Internacional. Os três pontos conquistados ontem colocaram o Flamengo na quarta colocação a um ponto da vaga para a Libertadores 2012.

No domingo que vem teremos a última rodada do Brasileirão 2011 e o jogo de despedida do Flamengo é contra o rival Vasco, à espera de um jogaço (com a vontade de poder gritar vice de novo) e pensando um pouco no jogo de ontem e ano de 2011 como um todo escrevi hoje no Confio no Mengão, aí vai:

A um ponto da liberdade!

Depois de dois entediantes e preocupantes empates por 0 x 0 contra Figueirense e Atlético-GO, o Flamengo enfim voltou a vencer. A vitória como normalmente acontece traz muita coisa boa, mas dessa vez foi até demais: primeiro por ter sido com gol de Ronaldinho Gaúcho, o camisa 10 vinha sendo muito criticado por todos e o gol de ontem pode trazer de volta a confiança pra ele, e segundo porque coloca o Flamengo na quarta posição, a um ponto da vaga para a Libertadores 2012.

Querendo ou não a vaga na Libertadores acabou virando o principal objetivo do Flamengo no Brasileirão. E o jogo de ontem era essencial para a conquista dessa vaga, afinal, era contra um adversário direto, o Inter. O jogo foi disputado em Macaé e o Flamengo numa formação inédita na temporada, com Fierro e Rodrigo Alvim de titulares não jogou lá o melhor futebol do mundo, mas também não mostrou desinteresse, jogou com raça o tempo todo e num lance de sorte, o oportunismo de Ronaldinho Gaúcho falou mais alto e selou a vitória por 1 x 0. Não tem como não destacar também a ótima atuação do goleiro Felipe, que foi fundamental pra essa vitória.

Agora resta um jogo e um ponto. Em circunstâncias normais, isso seria bem tranquilo, mas o problema (ou a solução) é que este jogo que resta vai valer muita coisa e independente do resultado possivelmente entrará para a história do chamado “Clássico dos Milhões”.

O lance é que nessa última rodada de clássicos (por mim a tabela do Brasileirão poderia ser assim todo ano, com clássicos na rodada final, dando aquele clima de final mesmo), o adversário do Flamengo é o Vasco, e a equipe cruzmaltina está na briga pelo título, dois pontos atrás do atual líder Corinthians.

Quer dizer, não bastasse a rivalidade entre Flamengo x Vasco, ambos precisam e muito do resultado positivo no clássico para concretizar suas ambições. Só o que dá pra esperar é um jogo repleto de emoções e muitos comentários posteriores.

Saindo desse aspecto mais geral e entrando propriamente no aspecto futebolístico, o fato é que o time do Flamengo, principalmente depois da derrota para o Grêmio no Olímpico (aquele jogo, na minha opinião, foi paradigmático) meio que se perdeu, mesmo a sonora goleada de 5 x 1 para o Cruzeiro não teve lá muito efeito e inúmeros problemas foram surgindo e se multiplicando, hoje não dá pra dizer que o Flamengo tem um time pronto no papel, mesmo a base do time titular não é muito bem conhecida, isso nos leva a duas conclusões: a primeira é que o projeto 2011 definitivamente falhou, ainda que consigamos a vaga na Libertadores, esse fim de ano não é nem de longe o fim de ano que a maioria dos rubro-negros esperavam, a segunda conclusão é que estando nessa indefinição, é necessário mudar, reestruturar esse time para 2012 e isso começa desde já, as entradas de Thomás e Muralha no time foram muito positivas na minha opinião e a utilização dos juniores pode ser uma boa pedida para 2012, além disso, contratar, tentar controlar, na medida do possível, os problemas extra-campo e etc…

Entretanto, no momento o mais importante é mesmo o clássico de domingo contra o Vasco. Não preciso nem dizer que agora, mais do que nunca, é hora da torcida ir junto com o time, conseguir a importante vaga na Libertadores do ano que vem e, com todo respeito, poder dizer: vice de novo!

SRN

Le Rouge et Le Noir #10

Fecho o mês com mais um post da série Le Rouge et Le Noir. E, confesso, é com certa decepção que faço isso. Ontem, no Olímpico, o Flamengo teve a chance de vencer um jogo histórico (marcou a volta de R10 ao Olímpico) e de encostar de vez nos líderes, ficando mais perto do hepta. Mas isso não aconteceu, pelo contrário, após abrir 2 x 0, permitiu a virada gremista pra 4 x 2.

Falo um pouco sobre esse jogo e as perspectivas para essa reta final de Brasileirão 2011 (post original no Confio no Mengão):

O reencontro de R10 com o Olímpico

Falo hoje sobre o jogo de ontem, que adquiriu contornos históricos, por marcar a volta de R10 ao Olímpico e também contornos dramáticos, por marcar uma virada do Grêmio e dificultar ainda mais as pretensões rubro-negras pelo hepta.

O jogo começou de uma maneira muito interessante para o Flamengo. Todas as atenções estavam voltadas para R10 e logo no primeiro lance de maior perigo ele carimbou o travessão gremista após bela cobrança de falta. Esse primeiro lance dava indícios de uma Flamengo jogando pra frente, com o menino Thomás como titular na vaga de Willians.

E foi isso mesmo o que aconteceu durante quase todo o primeiro tempo. Um Flamengo pra frente, buscando o gol. Que veio aos 24 minutos com Deivid, após bom passe de Thiago Neves e falha de Rafael Marques, o camisa 9 rubro-negro chegou ao seu décimo terceiro gol no Brasileirão, igualando Ronaldinho no quadro de artilheiros rubro-negros.

Aos 35 foi a vez do Flamengo contar com a sorte. Após receber passe de Léo Moura, Thiago Neves arriscou com a direita, que não é a boa, e a bola desviou em Fernando, matando totalmente o goleiro Victor. 2 x 0 Flamengo e a sensação de que mais três pontos voltariam na bagagem e Ronaldinho sairia por cima ao fim do jogo.

Mas no futebol e principalmente quando se trata de Flamengo quando tudo vai muito bem, parece que tem alguma coisa errada e se aparece o comodismo, aí é que essa coisa errada cresce e tudo parece ficar muito mal.

No finzinho do primeiro tempo, num momento em que o Flamengo era extremamente superior, tanto no placar quanto na bola, o Grêmio achou um gol, com o seu artilheiro André Lima.

Esse gol de certa forma mudou completamente o jogo. O Grêmio voltou para o segundo tempo mais confiante e logo no início com outro gol de André Lima, em boa jogada individual empatou a partida.

O Flamengo parece que esqueceu aquele ímpeto ofensivo e raçudo do primeiro tempo e passou a assistir o Grêmio jogar. Era questão de tempo a virada tricolor. Que veio aos 34 minutos, com o camisa 10 Douglas. O gol de virada desestabilizou ainda mais o Flamengo e logo depois acabou saindo o quarto gol gremista, com Miralles.

Fim de jogo, virada gremista, sentimento de vingança consumada da torcida gremista em relação a Ronaldinho Gaúcho, Corinthians, Botafogo e Fluminense vencendo, se distanciando e deixando o Flamengo na quinta colocação.

Quer dizer, é um dos piores cenários que o Flamengo poderia encontrar ao fim dessa 32ª rodada. Mas o Campeonato Brasileiro parece querer mostrar mais e mais, a cada ano que passa, que essas adversidades e esses “cenários ruins” são normais, corriqueiros e não se assustar com eles é que faz toda a diferença. A distância para o atual líder Corinthians é de 6 pontos, restam 6 rodadas. Apesar de todas as dificuldades é ainda perfeitamente possível um hepta. No entanto tem um único probleminha: pra conseguir esse hepta acredito que o Flamengo, de agora em diante, tem que voltar a pôr prática algo que vinha colocando alguns meses atrás: a invencibilidade. Quatro empates e duas vitórias não adiantariam muito, mas a hora de perder precisa ter chegado ao fim também.

E independente de quem está jogando bem ou não, independente se Luxemburgo está escalando e substituindo bem ou não, agora é reta final. O jeito é ir junto com esse time, com suas limitações e erros todos. A meta, creio eu, ainda é e sempre foi o título, mas o “plano de segurança” TEM que ser a vaga na Libertadores. Um ano de 2012 com Copa do Brasil e Sul-Americana seria extremamente chato, desinteressante e decepcionante.

SRN  #RumoAoHepta

Le Rouge et Le Noir #09

Reproduzo aqui o meu post de hoje no Confio no Mengão. Nos últimos dois meses o Flamengo teve uma queda brusca e saiu da briga direta pelo título do Brasileirão para a sexta posição. Mas a vitória do último sábado diante do América-MG reacende as esperanças e pode marcar o início de uma arrancada rubro-negra.

Fique com o texto na íntegra:

Depois de longos 45 dias e 10 jogos sem vencer o Flamengo enfim conseguiu conquistar uma vitória, no último sábado, no Engenhão, ao bater o lanterna América-MG de virada, por 2 x 1.

Vamos ser sinceros, mesmo vencendo o time ainda não é nem de perto aquela equipe sólida e bom futebol de meados do primeiro turno, muita coisa ainda precisa ser melhorada se quisermos pensar em título, mas a situação era tão feia, mas tão, que isso pouco importa no momento, creio que o importante foi mesmo voltar vencer, de virada, com gol chorado no fim.

Sei que falando agora pode até parecer utopia ou coisa parecida, mas esse jogo contra o América, devido a situação do jogo (a virada, o gol mais que chorado do Thiago Neves) e a situação extra-campo em que o Flamengo se encontrava também (em caso de derrota para o lanterna do campeonato dentro do Engenhão não sei como ficariam as coisas na Gávea) pode marcar o início de uma arrancada, como aquelas que aconteceram em 2007 e 2009. Fico nessa expectativa, já esperando o jogão contra o São Paulo no próximo domingo, jogo que aliás, dentre outras coisas, pode marcar a reestreia de Luis Fabiano no clube tricolor.

Agora o Flamengo soma 41 pontos e ocupa a sexta colocação, ainda fora da zona de classificação para a Libertadores 2012. E dois confrontos diretos surgem no calendário. Primeiro o São Paulo, no próximo domingo, no Morumbi. Depois uma pausa no Brasileirão e confronto em casa contra a Universidad do Chile pela Copa Sul-Americana e aí então outro confronto direto pelo título e por vaga na Libertadores 2012, o Fluminense.

Se o Flamengo não tivesse desperdiçado tantas oportunidades nesses últimos dez jogos, os dois clássicos contra São Paulo e Fluminense poderiam até ser tratados como aqueles jogos complicados onde um empate já pode ser considerado um bom resultado. Mas não! Esses dez jogos sem vencer foram uma mancha muito grande na campanha do Flamengo e para voltar a pensar em título e até mesmo em vaga na Libertadores é necessário vencer.

Vencer, vencer, vencer! Inevitável não lembrar o nosso hino e inevitável também não pensar em Libertadores ou título, volto a bater na mesma tecla, o Flamengo tem sim time e elenco pra ir pelo menos um pouco além de uma desinteressante vaga na Sul-Americana. Mas além de pensar assim também penso que essa triste sequência de dez jogos sem vitória por mais que já tenha passado deixou problemas que ainda não passaram: além da visível queda de rendimento do time que parece que aos poucos vai sendo recuperada, Vasco, Corinthians, Botafogo, São Paulo e Fluminense passaram a frente, ainda temos confronto direto com três dos cinco, é aí que está a chave do problema.

Na espera de um outubro que lembre o primeiro semestre (e não os desastrosos agosto e setembro) vou ficando por aqui.