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Le Rouge et Le Noir #22

O dono do restaurante do bairro é torcedor do Fluminense e ontem, na hora que eu fui pagar o almoço pra ele, ele logo me falou:

“-Amanhã vamos ganhar, hein!”

Acredito que esse caso particular pode ser universalizado com certa tranquilidade e ilustra bem o clima do jogo de hoje a noite, entre Flamengo x Atlético/MG. A partida, que fechará a 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, envolve muita coisa e pode literalmente definir o campeonato.

No último post da série Le Rouge et Le Noir, falei justamente sobre a primeira partida entre Flamengo x Atlético/MG nesse campeonato, que foi adiada disputada um mês atrás. Naquela ocasião, jogando em um Engenhão lotado e inflamado o Flamengo conseguiu vencer o Galo por 2 x 1, e além de ter colocado em si mesmo uma injeção de moral, serviu de ajuda também para o Fluminense, foi nesse momento que o Tricolor carioca abriu a vantagem que tem hoje, e o Atlético/MG ficou para trás na briga pelo título.

Passa-se um mês, e depois do eletrizante duelo entre os líderes, com vitória do Galo por 3 x 2, Flamengo e Atlético/MG voltam a se enfrentar, dessa vez no caldeirão do Independência, e mais uma vez, em caso de vitória rubro-negra, além de um ânimo para o próprio Flamengo (que praticamente se veria livre de uma vez por todas do rebaixamento) o título do Fluminense ficaria incrivelmente próximo.

Portanto, o jogo de hoje a noite mobilizará não só as duas torcidas que verão seus times em campo, mas todas as torcidas do campeonato. Isso dá maior visibilidade para a partida e maior responsabilidade para ambas as equipes.

A tímida, irregular e desinteressante campanha do Flamengo nesse Brasileirão poderia ficar marcada de forma positiva em caso de vitória hoje a noite. O Flamengo ficaria com a fama (e que fama boa seria essa) de ter “tirado”, pelo menos moralmente, o título do Atlético/MG de Ronaldinho Gaúcho. A fila do Galo sem títulos brasileiros chegaria aos 41 anos. Em caso de derrota, o campeonato continuaria aberto, e o Flamengo só confirmaria essa campanha tímida, irregular e desinteressante.

Longe de aceitar isso passivamente, e longe de pensar que esse tipo de campanha condiz com a história do Flamengo, penso que a realidade é essa, a equipe de fato não se acertou em momento algum na competição (no ano, pra ser mais preciso). Esses jogos finais, penso eu, devem ser encarados como testes para jogadores que não foram muito bem aproveitados, as chances de rebaixamento são mínimas, mais duas vitórias, ou até mesmo uma vitória e um empate já devem excluir qualquer possibilidade de queda para a segunda divisão, então agora é experimentar mesmo e já mirar uma reformulação geral, que PRECISA acontecer em 2013.

A última partida verdadeiramente interessante (tem os clássicos nas duas rodadas finais, mas ainda assim…) é a de hoje. A rivalidade com o Galo está cada vez mais acirrada e os rumos do campeonato podem ser alterados dependendo do resultado de hoje. Então pra alegria minha, do dono do restaurante do bairro e de muitos outros torcedores, vai pra cima deles, Mengo!

SRN

Le Rouge et Le Noir #21

Ontem um grito entalado na garganta dos rubro-negros foi colocado pra fora. Naquela que talvez será a partida mais marcante e mais emblemática, ou pelo menos uma das, da temporada, o Flamengo, no reencontro com Ronaldinho após sua ida para o Atlético-MG, venceu o Galo por 2 x 1, num Engenhão com quase 40 mil pessoas em plena quarta-feira fria e chuvosa e sentiu de novo, o gosto doce da vitória, com um tempero de vingança pra cima do agora R49.

O jogo em si foi um capítulo a parte nessa temporada cheia de decepções e resultados ruins que o Flamengo vem passando. A torcida, como é de costume, compareceu em massa e carregou o time durante os 90 minutos. O time, por sua vez, respondeu positivamente a todo esse apoio: jogou de uma maneira mais lúcida e mais compacta do que vinha jogando; foi com certeza a melhor atuação no comando de Dorival, de toda a equipe e com os destaques individuais para a dupla de ataque, que fez o que atacantes devem fazer: gol! E também pra Wellington Silva, que com a passagem de Léo Moura para o meio campo assumiu de vez a lateral direita.

No entanto, creio ser válido relacionar esse jogo em particular com outros dois momentos maiores. O primeiro, já citado no primeiro parágrafo é toda a ambientação e significação que esse jogo recebeu, em virtude de ter marcado o reencontro de Ronaldinho com o Flamengo e sua torcida. Independente dos motivos que levaram o camisa 49 do Atlético sair do Flamengo, o que ficou, em relação à grande parte da torcida foi uma mágoa e uma vontade de vingança (no bom sentido, futebolisticamente falando). E ontem essa vingança foi consumada. O futebol não é e nunca foi parâmetro pra racionalidade, então quando momentos assim acontecem, ainda que efêmeros e fugidios, é uma sensação muito boa que toma conta dos corações e das mentes do torcedores.

Outro ponto que não dá pra ficar sem ressaltar é a leve guinada que o Flamengo deu ao vencer os dois Atléticos em sequência. Duas vitórias seguidas é um evento raro na atual temporada e nesse momento do campeonato tornaram-se ainda mais raras e importantes. De primeiro time acima da zona de rebaixamento até uma semana atrás, o Flamengo agora já ocupa a décima posição e apesar de sonhos mais altos (leia-se G4) serem bem difíceis de conquistar, uma nítida evolução aconteceu nessas últimas rodadas e jogando o que jogou o Flamengo não terá nenhum risco de rebaixamento em pouco tempo. O clássico contra o Fluminense na próxima rodada será um bom teste pra provar se toda a evolução desses últimos dois jogos é mesmo real ou não.

Enfim, a sensação boa de sair com a camisa rubro-negra na rua, mesmo nesse frio, é muito boa, mas não dá pra se esquecer de que no geral a atual temporada vem sendo bem abaixo das expectativas. Acredito que o melhor a se fazer é comemorar bastante vitórias como a de ontem e manter os pés no chão em relação ao futuro.

SRN

Copa do Brasil 2010

Seguindo no ritmo do preview da Libertadores, e repetindo o ano passado, falo agora da Copa do Brasil 2010.
A competição, que reune 64 times, tem como grande atrataivo, além do título, é claro, a vaga garantida na Copa Libertadores do ano seguinte.
Esse ano conta com treze times estreantes e alguns dos grandes clubes brasileiros também.
Escolhi meus cinco favoritos e vou falar um pouco de cada um deles, no fim da
competição a gente vê se os meus palpites vão dar certo:
Atlético (MG)

O Galo mineiro definitivamente não começou bem a temporada, o futebol apresentado até agora no Campeonato Mineiro não deve ter convencido a torcida atleticana, mas as expectativas criadas para essa temporada são enormes.
Após a chegada de Vanderlei Luxemburgo para o comando técnico do Galo muita coisa mudou, e o horrível fim de 2009 parece ter ficado para trás também.
Com Luxemburgo vieram vários reforços, dentre eles a dupla de zaga estrangeira que, se bem entrosada, deverá ser um dos pontos fortes do Galo: o equatoriano Jairo Campos e o paraguaio Cáceres. Além deles vieram também o lateral-esquerdo Leandro, velho conhecido de Luxemburgo e para o ataque o bom Muriqui e o folclórico Obina.
Devido a tudo isso o time ainda está em formação, na busca da formação ideal, mas mesmo assim entra como favorito, pois além de contar com a força de sua torcida tem um elenco forte quando se fala de Copa do Brasil.
Vale lembrar também que o principal jogador do Galo na temporada passada permaneceu na equipe. A torcida espera ansiosa por mais ra-ta-ta-tas de Diego Tardelli.
A estreia do Atlético-MG será no dia 24, contra o Juventus do Acre.
Grêmio (RS)

O Tricolor gaúcho, depois de um ano com uma boa Libertadores (apesar da eliminação para o Cruzeiro, em pleno Olímpico) e com um Brasileirão ruim (apenas uma vitória fora de casa em toda a competição) vem bastante mudado para 2010, e mais forte na minha opinião.
Silas chega para ser o treinador. Depois de um ótimo trabalho pelo Avaí na temporada passada, levando o desacreditado time catarinense às primeiras colocações do Brasileirão, o técnico ganhou moral e chega ao Grêmio com maiores responsabilidades também.
Chegaram várias contratações, dentre todas quem mais se destaca até agora é o atacante Borges. Além deles o torcedor gremista também tem muitas esperanças no recém contratado Douglas, bom camisa 10, e em Hugo, de volta ao Olímpico.
Assim como o Atlético-MG, o Grêmio ainda é uma equipe que busca a formação ideal e por isso não teve um início de ano dos melhores, uma derrota no GreNal é algo que sempre abala o time tricolor.
Mas o elenco não é fraco e vale lembrar sempre: o Grêmio é copeiro!
A estreia é amanhã, no Mato Grosso, contra o Araguaia.
Palmeiras (SP)
O alviverde paulista este muito, mas muito perto mesmo da vaga para a Libertadores deste, mas deixou escapar na reta final do Brasileirão, onde nada parecia dar certo para a equipe de Muricy Ramalho.
Por essas e outras o Palmeiras entra na busca pelo título da Copa do Brasil.
Muitas mudanças foram feitas da temporada passada pra cá, poucos reforços chegaram e o começo de temporada também não foi muito bom. Tudo isso tenta ser esquecido por Muricy e seus comandados.
Que apesar de ainda não estarem jogando bem, possuem dois jogadores que fazem a diferença e quando jogam bem sempre trazem bons resultados para o Palmeiras. São eles Diego Souza e Cleiton Xavier, a permanência de ambos é algo a se ressaltar, mas vale lembrar também que fora isso o Palmeiras não tem grandes destaques individuais, salvo o experiente Marcos.
A estreia também é amanhã, no Piauí, contra o Flamengo local.
Santos (SP)

A equipe alvinegra que vinha de duas temporadas bem abaixo da expectativa, sendo um mero figurante no Campeonato Brasileiro, reencontrou o bom futebol, unindo peças que já estavam no time mas não vinham rendendo, a bons reforços e a um ótimo treinador: Dorival Júnior.
Mas a grande arma santista é Robinho. O jogador, que surgiu de uma maneira extraordinária no próprio Santos e não vinha funcionando no Manchesetr City decidiu voltar à Vila Belmiro e logo na sua reestreia, no clássico contra o São Paulo no último domingo, já deixou um golaço de letra, mostrando que não veio pra brincadeira.
Além dele, a jovem e promissora dupla Neymar e Paulo Henrique Ganso também tem apresentado um ótimo futebol. E pra quem pensa que o Santos é só poder ofensivo é bom lembrar que a experiente zaga seja talvez um dos outros pontos fortes da equipe, Edu Dracena e Durval dão enorme segurança ao jovem e inconstante goleiro Felipe.
A estreia do Santos na Copa do Brasil será dia 24, contra o Naviraiense, no Mato Grosso do Sul.
Vasco (RJ)

Ressucistado. Acho que essa é a palavra que melhor define esse Vasco de começo de temporada. Depois de disputar a Segundona em 2009 e subir bem para a Primeira Divisão a equipe cruzmaltina manteve a base campeã, mas também modificou algumas coisas.
Dorival Júnior acabou saindo para o Santos e quem veio para o comando técnico foi Vágner Mancini. Além dele várias contratações também chegaram. A de maior impacto foi o atacante Dodô.
E o começo de temporada foi arrasador, ainda invicto nesse ano o ponto alto que chamou mais atenção de todos foi a humilhante goleada pra cima do Botafogo por 6 x 0, jogo em que Dodô meteu três gols.
Mas além desse ataque positivo, que tem Dodô, o jovem Phillipe Coutinho e Carlos Alberto como peças principais, o Vasco também tem um setor de meio-de-campo, que auxilia tanto a defesa, comandada pelo bom goleiro Fernando Prass, como o ataque.
São os vários os volantes que disputam posição e jogam bem: Souza, Nilton, Léo Gago, Rafael Carioca. A Copa do Brasil é uma prova de fogo para esse Vasco que começou muito bem a temporada provar se Dodô é mesmo o poder.
A estreia é amanhã contra o Souza da Paraíba.
Agora é esperar pra ver, a Copa do Brasil começa amanhã, dia 10 e a disputa pelo título e pela consequente vaga na Libertadores tem tudo pra ser muito interessante.
Vale lembrar também que nas duas primeiras fases vitória do visitante por dois gols ou mais eliminam o jogo de volta.

Euforia

Um post que vai aqui pro Un Quimera e também pro Confio no Mengão.
Como o próprio título já diz é um post eufórico, onde deixo transparecer minha torcida, o lado
passional que tem que ser inevitável quando se fala de futebol, pelo menos penso assim, lá vai:
Mais um domingo.
E em reta final de Campeonato Brasileiro os domingos são diferentes, vêm carregados de maiores emoções. E quando o jogo de domingo é um clássico de rivalidade história tudo é maior: as provocações, a importância do jogo, a emoção etc…
E nesse domingo não foi diferente, Atlético/MG x Flamengo fizeram um jogo que foi cercado de expectativas de ambos os lados na semana que passou.
E bastaram 10 minutos para que um dos astros do espetáculo, o camisa 43 Petkovic mostrasse todo seu talento.
Fez um gol que pra muitos é difícil e raro de fazer, mas que pra ele já se tornou algo normal. Escanteio cobrado direto, entre o goleiro e o zagueiro atleticano, o placar estava aberto.
Antes do gol de Pet o alvinegro até tomou atitude e chegou ao gol rubro-negro, mas o gol não saiu.
E depois do gol o Flamengo se tranquilizou, a defesa mostrava seriedade e solidez, o meio campo sabia cadenciar bem o jogo e o ataque, quando chegava, chegava com objetividade e perigo.
Numa dessas, Maldonado (el hombre invisible) veio de trás, cortou o zagueiro atleticano e aumentou o placar, final de primeiro tempo 2 x 0.
Nem mesmo o gol de Ricardinho, logo aos 4 minutos de segundo tempo conseguiu fazer com que o Galo reagisse.
As saídas de Aírton (que, diga-se de passagem, vem fazendo grandes jogos) e de Petkovic poderiam até desestabilizar o time mas ambos entraram muito bem. Toró substituiu o camisa 5 com a mesma raça e pegada e o chileno achou o mapa da mina pela direita.
Chegava e sempre assustava e, numa dessas, aos 36 do segundo tempo que Fierro colocou uma bola na cabeça de Adriano, para fechar o placar: 3 x 1.
Enquanto isso Diego Tardelli do outro lado do campo via o Imperador se igualar a ele na artilharia da competição com 18 gols.
Inapelável. O Flamengo fez um grande jogo, digno de campeão, calou a torcida atleticana num Mineirão lotado e, por forças próprias se credenciou a não mais disputar uma vaga no G4, mas sim o hexa.
Na humildade característica de Andrade o Flamengo agora é candidato ao título sim. Serão 4 jogos difíceis, mas serão 4 jogos que poderão levar o Flamengo a mais uma glória.
Independente dos resultados dos adversários diretos ao título o Flamengo está focado, e a união torcida-time está muito forte!
Jogos como esse contra o Atlético/MG engrandecem ainda mais o orgulho de ser rubro-negro e trazem a alegria e a euforia a tona.
Euforia em São Gonçalo do Sapucaí, euforia nas Minas Gerais, euforia no Rio, euforia no Brasil!
O Flamengo vem chegando forte na humildade e digo sem hipocrisia: RUMO AO HEXA!
SRN