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Empates


Enfim começou a Copa do Mundo!

Depois de muita espera chegou o esperado dia. Mas antes de falar dos jogos de hoje vale ressaltar a festa de abertura de ontem. Em especial a presença do “torcedor arcebispo” Desmond Tutu, aclamado pelo público, além das várias atrações musicais, o povo africano merecia essa Copa que pela primeira vez chega ao continente africano.

A ideia do Un Quimera é dar pequenos boletins sobre os jogos mais importantes da Copa, quase sempre mais curtos, mas com muito entusiasmo, essa Copa promete!

E hoje nos dois jogos inaugurais tivemos dois empates.

No jogo de manhã os anfitriões sul-africanos empurrados pela torcida que compensou um pouco sua técnica não tão elevada, batalharam muito durante todo o primeiro tempo, mas só conseguiram o gol no início da segunda etapa.

O camisa 8 Tshabalala acertou um lindo chute com a esquerda e mandou a bola no ângulo mexicano, muita festa, muita alegria, um Parreira super emocionado no banco (contrastando com o frio Parreira que estamos acostumados) e com direito a coreografia e tudo mais.

Mas o bom time do México não desanimou e com o zagueiro Rafa Márquez conseguiu o empate. Depois do empate a África do Sul ainda teve um pênalti a seu favor não marcado e carimbaram a trave mexicana num chute de Mphela.

O jogo terminou no 1 x 1 e a sensação de derrota ficou no Soccer City, esse grupo deve ser o mais equilibrado de todos dessa Copa.

No jogo da tarde, o confronto entre Uruguai x França, que era muito esperado por mim (mais até do que o primeiro jogo) me decepcionou e muito.

O nível técnico não foi dos melhores e a briga entre Toulalan e Lugano talvez tenha sido um dos pontos altos do jogo, isso quer dizer que futebol que é bom nada. Poucas chances pros dois lados e no fim um merecido 0 x 0.

Mais uma vez ficou comprovado o equilíbrio e a imprevisibilidade desse grupo A. Na segunda rodada França x México, África do Sul x Uruguai. Apesar de achar que o grupo só será decidido na última rodada, essa segunda rodada pode definir muita coisa.

A minha torcida é para a classificação de África do Sul e França.

Amanhã são mais três jogos: Coreia do Sul x Grécia, Argentina x Nigéria e Inglaterra x EUA. A grande expectativa é a estreia dos nossos “hermanos”.

Sawubona #02

No segundo post da série Sawubona, falo dos “anfitriões” da Copa de 2010.
Não considero apenas os bafana-bafana como os anfitriões, mas sim todas as seleções africanas que participarão da Copa.
Como nunca antes na história uma Copa do Mundo de futebol foi realizada no continente africano não dá pra saber exatamente o quão longe poderão chegar as equipes africanas na competição.
O que dá pra ter certeza é que de uns 20 anos pra cá o futebol africano cresceu muito e teve seus bons momentos, o Camarões de Roger Milla, a Nigéria de Kanu e atualmente a Costa do Marfim de Drogba são seleções que podem até não ter grandes conquistas mas sempre dão muito trabalho.
Uma pequena análise de cada um dos africanos:
África do Sul
Os donos da casa além do verde e amarelo na camisa tem muito mais de Brasil
nessa Copa do Mundo.
Foram treinados por dois técnicos brasileiros de 2006 pra cá. Primeiro Carlos Alberto Parreira que treinou os bafana-bafana até meados de 2008 e decidiu dar um tempo ele mesmo indicou Joel Santana para o seu lugar.
O novo treinador durante o período a frente da seleção da África do Sul ficou famoso pelo seu inglês, mas além disso também fez uma boa Copa das Confederações levando a sua seleção até as semi-finais da competição, a derrota foi justamente para o Brasil, 1 x 0, belíssima cobrança de falta de Daniel Alves nos últimos minutos de jogo.
Depois disso Joel não conseguiu bons resultados, a pressão pra cima dele ficou muito grande e ele acabou sendo demitido. Para seu lugar de novo Parreira.
O treinador campeão mundial em 94 tem a responsabilidade de treinar os donos da casa e apesar do mando de campo não é uma missão das mais fáceis.
O time sul-africano nunca teve muita tradição e atualmente conta um plantel esforçado mas sem grandes destaques individuais, o maior deles talvez seja o meio-campista Pienaar, do Everton da Inglaterra.
E além disso o grupo da África do Sul também não é dos mais fáceis. Conta com Uruguai, México e França. Dois campeõies mundiais e uma seleção que sempre incomoda.
Argélia
As Raposas do Deserto, como são chamados os jogadores argelinos, são uma grande surpresa.
A última participação em Copas do Mundo foi em 1986 (enfrentou o Brasil inclusive), de lá pra cá o futebol argelino pouco conseguiu e até quatro anos atrás era uma das seleções mais fracas da África.
Do nada o time cresceu e muito e nas eliminatórias para a Copa tirou a seleção do Egito, atual campeã africana.
A festa foi grande e as expectativas para a Copa do Mundo são expectativas de um franco-atirador. Ainda mais depois da eliminação nas semi-finais da Copa das Nações Africanas desse ano para o Egito, por 4 x 0.
Em um grupo que conta com Inglaterra, Estados Unidos e Eslovênia, as chances de classificação são mínimas.
Camarões
A seleção camaronesa talvez seja a de mais tradição dentre todas as do futebol africano.
Muito dessa história se deve a Roger Milla e a seleção da Copa de 1990. De lá pra cá os Leões Indomáveis tiveram muitos altos e baixos e depois de ficarem de fora do mundial da Alemanha vão pra África do Sul querendo algo mais do que a primeira fase.
O principal destaque é Samuel Eto’o, o atacante da Internazionale que fez história no Barcelona, além dele nomes como Alexandre Song, Makoun e Kameni formam a base dessa seleção.
O grupo não é dos mais fáceis, na minha opinião aliás é o chamado grupo da morte: Japão, Dinamarca e Holanda.
Muito se esperou de Camarões na Copa das Nações Africanas, mas a seleção de Eto’o caiu nas quartas de final para o campeão Egito, na Copa do Mundo a esperança é de que não aconteça outra decepção.
Costa do Marfim
A Costa do Marfim é considerada por muitos a maior força do futebol africano atualmente.
Apesar de também ter decepcionado na Copa das Nações Africanas, perdendo nas quartas de final para a Argélia, as expectativas para a Copa são as melhores possíveis.
É nítida a evolução do futebol marfinense de uns oito anos pra cá. A classificação e o bom futebol mostrado na Copa de 2006, fizeram dos marfinenses uma das sensações daquela Copa, o time de Drogba no entanto não passou da primeira fase.
O perigo de isso acontecer de novo na África do Sul é grande, mais uma vez os marfinenses não deram sorte no grupo, Coreia do Norte, Portugal e Brasil compõem o grupo, e a briga promete ser boa.
Didier Drogba, maior artilheiro da história de seu país é a principal arma, porém dentre todas as seleções africanas classificadas para a Copa do Mundo, a Costa do Marfim é a que possui o elenco mais qualificado: Boka, Eboué, Yaya Touré, Kalou, dentre outros fazem parte dessa seleção que deve dar muito trabalho.
Gana
A seleção de Gana, depois de boa participação na Copa de 2006, sendo eliminada pelo Brasil nas oitavas de final vem com moral para a Copa de 2010.
O grupo não é dos mais difíceis, conta com Alemanha, Austrália e Sérvia. Uma nova classificação é muito esperada, ainda mais depois do bom desempenho na Copa das Nações Africanas.
Sem muito alarde os Estrelas Negras eliminaram os donos da casa (Angola) e também a Nigéria, conquistando o vice-campeonato após uma derrota de 1 x 0 para o Egito na final.
Michael Essien, meio-campista do Chelsea é o principal jogador da seleção de Gana que conta também com Appiah, Muntari e Asamoah Gyan.
É interessante também citar o ótimo desempenho ganês nos últimos mundiais sub-17, é a atual campeã inclusive, após vitória nos pênaltis pra cima do Brasil na final realizada no ano passado, sinal de continuidade e renovação para as próximas Copas do Mundo.
Nigéria
A seleção nigeriana ficou famosa na década de 90, principalmente por ter eliminado o Brasil das Olímpiadas de Atlanta em 96.
Nessas Olímpiadas surgiu para o mundo Nwanwanko Kanu, o grande jogador nigeriano de todos os tempos.
Na primeira década do Século XXI o desempenho do futebol nigeriano caiu muito, não conseguindo nem se classificar para a Copa do Mundo de 2006.
De volta agora a Copa, a Nigéria, dentre todos os países africanos talvez tenha sido o que deu mais sorte na hora do sorteio dos grupos, ao lado de Argentina, Coreia do Sul e Grécia, a exepectativa é a classificação para as oitavas de final.
Depois de um terceiro lugar na Copa das Nações Africanas desse ano, com vitória de 1 x 0 sobre a seleção da Argélia, as maiores esperanças nigerianas estão em Obinna (não é o famoso Obina não hein), Peter Odemwingie e Makinwa.
No mês que vem tem mais Sawubona.

Os "acontecimentos" de janeiro/2010

O primeiro mês do ano chega ao fim, chegou a hora dos primeiros “acontecimentos”
de 2010:
África

Dia 8 de janeiro, sexta-feira, vésperas da abertura da CAN, a Copa das Nações Africanas, uma espécie de Copa América do continente africano, que sempre se realiza no mês de janeiro da Copa do Mundo.
Tudo muito bom, tudo muito bem, até que, na fronteira entre o Congo e Cabinda (Angola), o ônibus (veja bem, ônibus) da seleção de Togo é metralhado por um grupo separatista de Cabinda.
O “acontecimento” em si já é terrível e merece toda a mobilização, porém foram as consequencias desse ato que pioraram ainda mais a situação.
A primeira, de imediato, foi o saldo do tiroteio: Dois jogadores, Akakpo e Obilalé foram baleados, um médico, um auxiliar técnico e um jornalista também foram feridos.
Segunda consequencia: na minha opinião com toda a razão, após o incidente a Seleção de Togo se retirou da competição. Se viajar já está tão perigoso para eles o que dirá entrar em campo?
Mas a pior de todas as consequencias é o clima de medo e polêmica que se instalou no meio do futebol após o “acontecimento”.
A questão da segurança para a Copa do Mundo, que se realizará daqui a seis meses praticamente passou a ser abordada de uma maneira diferente, com grande parte da opinião pública, principalmente a europeia, vendo com receio a realização do maior torneio de futebol em solo africano.
Como resposta a isso, vários representantes de entidades como a FIFA e a Federação de Futebol da África do Sul, afirmar que “a África do Sul é diferente de Angola”, o dirigente Rich Mkhondo chegou até a afirmar que: “O ato de terror não tem nada a ver com a situação na África do Sul. É como se fôssemos comparar um incidente na Tchetchênia com a situação no Reino Unido”
Pois então, acredito que tudo isso seja verdade, a África do Sul é um país destoante dentro de todos os países africanos e têm condições de propiciar uma segurança bem maior na Copa do Mundo.
Porém, como disse o presidente da Liga Alemã de Futebol, Reinhard Rauball, “Não podemos simplesmente confiar na frase “a África do Sul é diferente de Angola.” Precisamos pensar como obter o controle das questões de segurança.”
A não realização da Copa do Mundo na África do Sul seria algo muito ruim para o país, para a FIFA e talvez para muitas outras pessoas, por isso condeno isso, mas a segurança dentro da Copa do Mundo, na África do Sul, tem que ser levada a sério.
E o mais importante, seja dentro ou fora de campo, Paz no futebol! Isso é apenas um jogo, pessoal!
“Dentre as coisas menos importantes, o futebol é a mais importante.”
Haiti
Dia 12 de janeiro, terça-feira, um terremoto com epicentro a 15 km da capital haitiana, Porto Príncipe, e com 7 graus de magnitude na escala Richter abala totalmente o Haiti.
Esse foi, de longe, o grande “acontecimento” do mês e talvez um dos maiores desse ano de 2010.
Imagens e vídeos mostram cenas fortes de como está a situação lá: mortos, desabrigados, brigas por comida e por aí vai, é muito triste tudo isso.
De imediato várias pessoas se mobilizaram e começaram a ajuda ao Haiti.
A Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti), comandada por soldados brasileiros, já estava no país há algum tempo e agora tem tido mais serviço ainda.
Sobre tudo isso acho que não adianta falar muito, a toda hora se falou sobre isso durante as primeiras duas semanas após o terremoto, portanto, todo mundo pelo menos já deve ter ouvido falar sobre o assunto.
Queria discutir aqui era exatamente isso.
Passaram-se duas semanas e parece que todos esses problemas que assolam o Haiti também passaram.
Não se fala mais nisso, a grande mídia, depois de noticiar o terremoto e suas primeiras consequencias, parece que se esqueceu de tudo isso e voltou seu foco para outros assunto bem menos importantes.
Acho que a melhor manifestação desse sentimento está no texto de um mestre: Alberto Dines, reproduzo ele aqui:
O Haiti já não existe, este foi o título de primeira página de domingo (17/1) no jornal espanhol El País. Ruíram ou foram soterradas pelo sismo as precaríssimas instituições do Estado.

Não se sabe e nunca se saberá quantos haitianos morreram. Qualquer estatística será enganosa, as divergências entre o número de vítimas (de 40 mil a 120 mil) talvez seja o aspecto mais aterrador da situação: nenhuma autoridade, municipal ou estatal, é capaz de assumir responsabilidades, tomar decisões e determinar providências, exceto o comando brasileiro da missão da ONU que se encarrega da segurança e os americanos que coordenam a ajuda humanitária.

Uma catástrofe sem dados, sem termos de comparação, um apocalipse sem gráficos, infográficos, baseado em fotos dantescas e histórias individuais horripilantes, anônimas, mudas, sem lágrimas – quanto tempo conseguirá a mídia internacional manter aquilo que foi o Haiti nas manchetes e na “escalada” da mídia eletrônica?

E nossa solidariedade, quanto durará?

Nossa compulsão para driblar tragédias, principalmente as distantes, quando começará a se impor ao dever humanitário de compartilhar sofrimentos?

Volta à rotina

Estamos no verão, temporada de férias, prazeres, os anunciantes querem a cobertura dos desfiles de moda, a São Paulo Fashion Week está aí, almas machucadas pela dor resistem aos impulsos compristas e a mídia adora bolhas, vive delas. Logo, logo, voltaremos às abobrinhas e irrelevâncias, à fleuma e ao burocratismo.

A revista IstoÉ minimizou o Haiti na capa, no domingo o Estado de S.Paulo acabou com o caderno haitiano e passou a cobertura para as páginas internacionais.

As tragédias em Angra dos Reis, Ilha Grande, São Luiz de Paraitinga e Porto Alegre aconteceram há 18 dias, e no último fim de semana já não haviam evaporado.

Enterrados os mortos, estabelecido algum tipo de rotina em Porto Príncipe, o que restou do país terá ainda menos interesse. A indústria da notícia – ou circo da notícia – não suporta continuidades.
E pra fechar a canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil, antiga, que refletia outro momento, mas que serve para o momento atual também, logo que vi as notícias do terremoto, me veio na cabeça: “o Haiti é aqui…”: