Poética Quebrada

Esse é um poema que passou alguns meses de molho antes de ser tirado do forno. Sinceramente não sei mais quem são aqueles que dizem os versos finais…

Um poeta ataráxico e racional
não é, de fato, um poeta.
No entanto, as nuances da vida
– algumas mágicas, outras nem tanto –
podem fazer o poeta perceber
que em algum momento
até mesmo o mais passional
dos poemas de amor
precisa daquele instante único
de calma. Calma e nada mais.
Essa matéria bruta de amor e tesão
que parece querer explodir a caneta
e incendiar o papel, estilhaçando-o
e não deixando celulose nenhuma pra trás!
Ah, essa matéria bruta de tesão e amor
só ganha vida e forma
se devidamente moldada, esculpida.
A castração também pode ser poética.
A desilusão pode ser epifânica.
E o poeta que outrora falava de paixão
hoje só consegue enxergá-la com as lentes da distorção
E o poema que outrora era canção tola e desvairada
hoje é expressão de alguém que viveu
cresceu, andou, gozou e descobriu.
Descobriu que a caminhada não acaba tão cedo.
E essa descoberta significa andar.
Andemos pois, a um rumo incerto e obscuro.
Somos vontade e desapego
Desassossego e confusão
Somos SIM e não queremos ser NÃO.

Rogério Arantes

Um pensamento sobre “Poética Quebrada

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