Le Rouge et Le Noir #20

Depois de muito, mas muito tempo mesmo o Flamengo conseguiu vencer dois jogos em sequência e jogando um futebol no mínimo razoável. Após a queda de Joel Santana, Dorival Júnior assumiu o time e depois de um empate em casa contra a Portuguesa e uma acachapante derrota para o São Paulo no Morumbi, por 4 x 1, parecia que o técnico era outro, mas as coisas continuariam sendo as mesmas: jogos ruins, gols sofridos e crise…

No entanto, depois da derrota para o São Paulo o Flamengo ficou dez dias sem jogar, por conta do adiamento da partida contra o Atlético-MG, marcado para o dia 26/09, e esse tempo serviu pra Dorival Júnior mudar muita coisa na equipe, depois disso vieram as partidas contra Figueirense e Náutico (ambas vencidas por 2 x 0, com 2 gols de Vagner Love) e o futebol apresentado pelo Flamengo foi completamente diferente do que vinha sendo apresentado até então pela equipe rubro-negra no Campeonato Brasileiro.

Cito aquelas que considero as principais mudanças já vistas: o time joga mais unido dentro de campo, há mais aproximações, a bola chega até o ataque passando pelo meio, não existe mais um buraco no setor de meio campo, além disso, os atacantes, em algum momento, também voltam pra marcar e isso tira uma sobrecarga do setor defensivo, o que faz com que ele consequentemente pare de sofrer tantos gols.

Além disso, cito também destaques individuais: o primeiro, é óbvio, é Vagner Love, o artilheiro do amor voltou a marcar e isso é muito bom, porque parece que quando ele está em uma fase boa o time todo acompanha, já é o artilheiro da competição com oito gols e agora com a chegada de Liedson, os dois tem tudo pra formar um dupla goleadora.

Os garotos Thomás e Negueba também vão mostrando muita raça e determinação. Possivelmente um deles perderá posição para Liedson, mas ambos estão dando velocidade e opções para o time, jogadas pelas laterais, triangulações, etc. Talvez ambos já estejam um pouco mais calejados do que Adryan e Mattheus e por isso vão correspondendo, os dois últimos, tidos como salvadores da pátria por Joel Santana ainda precisam de mais um tempo e com o time rendendo mais agora, eles possivelmente terão esse tempo, entrando aos poucos pra não se queimarem e irem adquirindo experiência pra futuras competições.

E pra fechar a lista de destaques individuais, não dá pra ficar sem falar do paraguaio Cáceres! O volante, que ficou muito tempo sem poder jogar por complicações contratuais, estreou justamente contra o Figueirense e fez sua segunda partida contra o Náutico e em ambas ele mostrou que veio pra ganhar a posição (já ganhou) e ajudar e muito o Flamengo. Ele é um primeiro volante que sabe sair jogando, organiza bem o meio campo e marca muito bem. Deu uma nova dinâmica ao time.

Enfim, ressaltadas as devidas mudanças no time e feitos os devidos elogios, coletivos e individuais, agora é hora de colocar os pés no chão também. Embora as duas vitórias sobre Figueirense e Náutico terem sido realmente louváveis, os dois adversários não são nem de perto grandes equipes, o Figueirense luta para não cair e o Náutico também pode correr esse risco até o fim do campeonato, por isso é bom começar a pensar nos próximos adversários: na quarta, o confronto é com o Palmeiras, em São Paulo e depois, pra fechar o turno, o Flamengo tem pela frente dois clássicos estaduais: primeiro o Vasco e depois o Botafogo. Aí sim é que veremos se todas as mudanças pós-Dorival realmente surtiram efeito. Com toda sinceridade, jogando o que está jogando e se superando cada vez mais, o Flamengo tem sim condições de vencer esses clássicos e buscar algo mais nesse Brasileirão.

Outro toque que eu acho válido dar é o seguinte: é lógico que todos torcedores rubro-negros gostaram dessa melhora do time, dessas duas vitórias, desse novo momento que vai se desenhando, no entanto, isso não pode mascarar a precária e vergonhosa situação que ainda acompanha o Flamengo fora das quatro linhas. De que adianta falar sobre os problemas administrativos e financeiros do clube quando a crise está dentro de campo e simplesmente esquecê-los quando, dentro de campo, o time começa a conseguir bons resultados? Infelizmente, enquanto o “lado de fora” não for devidamente arrumado o “lado de dentro”, ou seja, o time do Flamengo, jamais conseguirá de fato grandes coisas. O máximo serão efêmeros bons momentos que se seguirão de crises, e bons momentos e crises, etc. O Flamengo tem tradição pra ter muito mais do que isso, o Flamengo tem história pra ser um time que vive de bons momentos, esse é o sonho de qualquer torcedor e pode virar realidade se mudanças fora de campo acontecerem.

SRN

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