Hegemonia Furiosa!

Chegou ao fim ontem a edição de 2012 da Eurocopa.

Com sede dupla (Polônia e Ucrânia) a maior competição de clubes de futebol europeu, que tem a fama de ser uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina, teve como campeã, pela segunda vez consecutiva e pela terceira vez na história (a primeira havia sido em 1964) a Espanha.

Deixando de lado o fato de todos os jogadores estarem em fim de temporada nesse período em que é disputada a competição, dos poucos jogos que vi, muita coisa boa rolou, equipes tradicionalmente mais retranqueiras como a Alemanha e a Itália mostraram um futebol mais solto, na primeira fase também tivemos os toques de categoria de duas potenciais lendas do futebol europeu: o sueco Ibrahimovic e o ucraniano Shevchenko. Sem contar é claro a campeã Espanha, da qual falarei mais durante o post.

Como vi poucos jogos da competição, vou falar logo dos três últimos. O duelo Espanha x Portugal, pelas semi-finais, ficou no 0 x 0 e acabou contando com vitória espanhola nos pênaltis. Por mais que os lusitanos tenham ficado com um gostinho de que dava pra ter passado, a Espanha, já jogando como uma seleção calejada e não mais uma novidade no mundo das grandes seleções, soube segurar o ímpeto português e conquistar a vaga. Portugal, por sua vez, ainda me parece muito dependente de seu craque Cristiano Ronaldo. O atacante do Real Madrid, questionado no começo da competição por atuações fracas na primeira fase, mostrou que é sim um dos melhores jogadores do mundo e dentro da própria competição deu a volta por cima. Ele sozinho, no entanto, não consegue títulos e por mais que Portugal tenha alguns outros bons talentos individuais, ainda acho que não é uma seleção pronta pra um título de grande expressão como a Eurocopa ou uma Copa do Mundo.

Na outra semi-final, tivemos a ascensão do grande personagem individual dessa Eurocopa: Mario Balotelli. O polêmico atacante italiano de apenas 21 anos, marcou os dois gols da desacreditada Itália contra uma favoritíssima Alemanha, que ainda descontou com Özil, mas que acabou ficando fora da final. Placar final de 2 x 1. Independente desse resultado, considero a Alemanha como uma equipe fortíssima (como quase sempre é) e que vem numa renovação que devagarinho, devagarinho vai dando muito certo. Ao contrário de Portugal, penso que a Alemanha já tem time pra disputar um título grande e creio que ela virá bem forte em 2014.

Chegamos então à final. A Espanha, campeã da Euro 2008 e campeã do mundo em 2010, vinha com um certo favoritismo, mas também com certas desconfianças, depois de uma primeira fase não tão boa e da vitória sofrida nos pênaltis contra Portugal. Já a Itália, que havia feito um péssimo Mundial em 2010 vinha desacreditada e o simples fato de ter conseguido chegar à final, eliminando a Alemanha pelo caminho, já tinha dado um ânimo gigantesco para os italianos. Além disso, Cesare Prandelli, o treinador italiano, conseguiu fazer de um time então retrancado e sem criatividade, um time que joga bola, que tem na qualidade de Pirlo, um dos melhores jogadores dessa Eurocopa, passe, inteligência e bom futebol. Assim como a Alemanha, acredito que a Itália irá forte no Brasil em 2014.

Entretanto, no jogo de ontem, todas essas qualidades italianas não apareceram. A Espanha mostrou não foi atoa que conquistou os títulos da Euro e da Copa do Mundo, mais uma vez se impôs, com o já característico toque de bola, a já característica solidez defensiva (sofreu apenas um gol nessa Eurocopa, da Itália, só que no jogo de estreia, ainda pela fase de grupos) e o preparo físico invejável. A Espanha não cansou em momento algum e também não teve, em momento algum, sua vitória ameaçada. No primeiro tempo, Silva e Alba, em boas jogadas de Fábregas e Xavi, respectivamente, fizeram os dois gols espanhois. Na segunda etapa, Prandelli colocou Thiago Motta no lugar de Montolivo com pouco mais de dez minutos do segundo tempo, era a última substituição italiana. Poucos minutos depois o brasileiro naturalizado italiano sofreu uma lesão muscular e teve de sair de campo. A Itália ficou com um a menos até o fim da partida e desse momento em diante o que se viu foi um verdadeiro baile espanhol, só faltaram as castanholas.

A Espanha agrediu a Itália praticamente a todo o momento, mesmo sem grandes chances, teve amplo domínio do jogo e nos minutos finais, dois jogadores do Chelsea (coisa rara na seleção espanhola, que é composta quase que exclusivamente por jogadores da dupla Barça e Real), entraram e fizeram cada um o seu gol. Primeiro Torres e depois Mata. Placar final: Espanha 4 x 0 Itália!

Penso que a seleção espanhola mereceu cada gol do jogo de ontem. Soube conter o ímpeto italiano e mais uma vez fazer da posse de bola uma arma mortífera. Não preciso nem dizer que a Espanha é forte candidata ao título da Copa das Confederações do ano que vem e da Copa de 2014. Pode sim perder, mas vai ser difícil. A hegemonia espanhola vai, cada vez mais, ganhando consistência.

Pra fechar o post, um detalhe “extra-futebol” que me chamou muito a atenção. Assim como em 2010, quando uma das fotos mais marcantes da Copa foi o beijo apaixonado de Casillas em sua esposa jornalista Sara Carbonero, ontem uma cena “familiar” tomou conta das lentes dos fotógrafos após o jogo. Vários jogadores espanhois foram até a arquibancada onde seus familiares assistiam a partida e pegaram seus bebês pra comemorar com eles dentro de campo. A cena foi totalmente inesperada e surreal. E por que não lúdica? Lúdica como talvez o futebol, na maioria das vezes, devesse ser e, infelizmente, não é mais.

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