Lembra?

Não, ainda não vou falar do disco novo do Rafael Castro de título homônimo ao desse post. Num futuro próximo possivelmente o farei.

O post de hoje é o fim de uma série, iniciada há dois meses. Falo hoje sobre o último episódio da primeira temporada de Black Mirror.

O seriado de Charlie Brooker é curto e grosso (mas ao mesmo tempo pode proporcionar longas discussões e finas apreciações). Com histórias e personagens totalmente diferentes em cada um dos três episódios, o pano de fundo é o mesmo: um mundo contemporâneo (fictício para alguns) onde questões existenciais, políticas, econômicas, tecnológicas são colocadas em jogo.

Vamos ao terceiro episódio:

1×03 – The Entire History of You

Para esse último episódio da temporada, Charlie Brooker parece ter focado mais no drama puro, do que nas sátiras e nos toques de humor ácido dos outros dois episódios. Bom ou mau, isso faz do terceiro episódio um episódio mais sério e mais tenso, não menos interessante por isso.

Dividido em quatro partes, esse episódio tem como principal “protagonista tecnológico” uma espécie de chip, ou “grão” que é implantado no cérebro das pessoas. Esse “grão” armazena todas as memórias das pessoas e permite a elas que assistam toda e qualquer memória, a qualquer momento, em suas tv’s de plasma.

A problemática do episódio parte daí. Liam e Ffion, um casal aparentemente comum, vão jantar com velhos amigos de Fi. A cena da reunião entre os amigos, assim como nos outros episódios, busca resgatar momentos muito reais e muito palpáveis pra qualquer um de nós, no entanto, sempre leva em conta as diferenças tecnológicas (no caso esse “grão”) do mundo Black Mirror, para o nosso mundo.

Nesta reunião entre amigos, surge Jonas. Um cara bem irônico e ácido, que solta os principais pitacos da conversa. Liam percebe que sua mulher Ffion dá muita atenção a Jonas, ri de suas gracinhas e tudo mais. Voltando pra casa, a desconfiança de Liam vai aumentando e no decorrer do episódio os arquivos de memória vão sendo analisados na tv de plasma e Liam descobre do relacionamento amoroso de sua mulher Ffion e de Jonas.

Mais uma vez, como venho pontuando nos outros posts sobre a série, um assunto, um roteiro bem comum, bem batido é transportado pra uma nova ótica e assim resignificado e assim pode ser pensado de outras e novas maneiras.

Considerando que através dos arquivos de memória proporcionados por essa tecnologia, você pode rever e relembrar de tudo, literalmente tudo; os momentos bons e divertidos, os momentos de possível traição ou coisa parecida (como é o caso do episódio), como ficam as relações e as interações estritamente humanas? É um novo e nunca antes visto desafio que Charlie Brooker nos propõe neste último episódio.

O fim do episódio, assim como ocorre nos outros dois, é emblemático. E pode ajudar ainda mais nesses pensamentos acerca da memória, da “capacidade de lembrar em outro tempo, do vento futuro que passou na flor do tempo” como diria José Paes de Lira.

Enfim, chegam aos fim os meus posts sobre Black Mirror. Espero que novas temporadas venham por aí, para então surgirem novos posts e pensamentos sobre a série. Acredito mesmo que os três posts sobre a série tenham ficado um pouco confusos, principalmente o do segundo episódio, devido àquela minha vontade de falar muito, mas ao mesmo tempo não dar spoiler nenhum. A intenção é chamar a atenção dos leitores do blog para assistirem a série, e então depois, se quiserem conversar sobre aqui nos comentários ou em qualquer lugar.

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