Extremamente Contemporâneo

Hoje é dia de falar do segundo episódio da primeira temporada do micro-seriado Black Mirror.

Comecei a empreitada de falar desse seriado, criado por Charlie Brooker,no mês passado e dou continuidade hoje. A exemplo do primeiro episódio, o segundo nos mostra situações fictícias que contém muita realidade travestida dentro delas.

1×02 – Fifteen Million Merits

Se no primeiro episódio a aposta do enredo central era uma releitura de um roteiro básico de sequestro e pedido de resgate, esse segundo episódio segue uma linha parecida. Só que agora, ao invés de um sequestro com pedido de resgate, a história é de amor. Sim, no meio de tanta coisa, Charlie Brooker conseguiu colocar uma história de amor como enredo principal do episódio. Mas não se iluda leitor, a história de amor não é simples e comum, tem várias implicações que a diferenciam de qualquer outra história de amor.

Ainda voltando ao primeiro episódio, ao analisá-lo disse que ele, por mais fictício que fosse, falava de um contemporâneo agora, 2012. Nesse segundo episódio não dá pra falar isso, o que temos nele, é, sem dúvida, uma sociedade um pouco mais avançada cronologicamente do que a nossa, porém é justamente por isso que fiz esse trocadilho no título do post, penso que o mundo mostrado nesse segundo episódio nada mais é do que o nosso mundo levado a alguns extremos.

Entrando agora no segundo episódio de vez, dá pra começar mesmo pelo título, que numa tradução livre poderia ser “quinze milhões de méritos”. O mundo mostrado no episódio, que a exemplo do primeiro episódio é particionado mostra pessoas enclausuradas em um ambiente cinza e fechado, cheios de virtualidades e com quase nenhuma realidade. Essa, no entanto, é a realidade das personagens. Bombardeados a todo o momento pela mídia da época como um todo e, em especial, pelos seus segmentos pornográficos, de reality shows e programas que mostram seres humanos sendo ridicularizados totalmente (vamos combinar, isso não é, de fato, extremamente contemporâneo?) eles vivem somente com isso, tendo que pedalar em uma bicicleta ergométrica o dia inteiro, para ganhar os chamados “merits”, que seria uma espécie de moeda da época. É através dos “merits” que eles compram coisas, na maioria das vezes virtuais, como roupas para os avatares deles por exemplo.

Algumas personagens mais sugestionáveis são retratadas ao longo do episódio e novamente uma realidade muito palpável nos salta aos olhos, como por exemplo aquele cara que fica impressionado com tudo e quer comprar tudo, ou então aquele que dá risada de tudo, despreza todos e fica como que hipnotizado frente as programas pornográficos.

As duas personagens principais do episódio, no entanto, se diferenciam. Bing logo se apaixona por Abi, por ouvi-la cantar. Ele então faz uma aproximação e sugere a ela que entre na disputa do Hot Shot, o reality show que cria ídolos musicais para a fama e o sucesso (tão familiar…). Num primeiro momento Abi fica receosa, mas Bing consegue convencê-la a participar e, além disso, dá todos os seus 15 milhões de merits para que ela possa se inscrever no concurso.

No concurso, quando Abi fica frente a frente com os três jurados (cada um representando uma grande frente da mídia) muita coisa acontece e desse momento em diante coisas que talvez tenham ficado explícitas até então são reveladas. A repercussão da apresentação de Abi no Hot Shot gera uma mudança no episódio, que então caminha para o seu final e tem inclusive a participação do próprio Bing no mesmo reality show Hot Shot.

Talvez tenha ficado um pouco confusa essa pequena apresentação do episódio, mas é que sinceramente, assim como fiz na apresentação do primeiro episódio, fico me policiando a todo o momento pra não escrever demais e não falar demais coisas que merecem ser vistas diretamente.

Mais uma vez elogio e exalto a série, que nesse segundo episódio continua falando de coisas contemporâneas, quase reais, um pouco distópicas. E aproveitando que toquei nesse conceito, fecho o post de hoje, já pensando no mês que vem, onde finalizo a série de posts falando sobre Black Mirror, fazendo uma comparação rápida com uma das mais conhecidas e mais importantes distopias já criadas, falo de 1984, de George Orwell.

O enredo desse segundo episódio lembra um pouco o enredo da obra de Orwell, os detalhes também lembram, como as teletelas e tudo mais, no entanto, uma e talvez a crucial diferença é que, se no livro resta ainda um resquício de esperança, apesar de tudo, aqui Charlie Brooker parece aniquilar toda e qualquer esperança. A leitura contemporânea do seriado consegue ser ainda mais cinza. Resta ver o terceiro episódio pra saber se essa visão continua…

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