O seriado contemporâneo

De uns anos pra cá tornou-se algo muito comum entre boa parte da população o hábito de assistir séries ou seriados.

O blogueiro aqui, desde 2010 mais ou menos, também entrou nessa onda. Entre um seriado e outro, assistido na TV aberta ou então baixado da internet, ia conhecendo histórias novas e interessantes, mas de certa forma sempre permanecia num nível raso, de espectador e nada mais.

No começo desse an, entretanto, me deparei com aquele que considero o melhor seriado já produzido, e foi produzido há um bom tempo já. Falo de Twin Peaks, de David Lynch. Um seriado onde o bizarro, o grotesco e o onírico formam um tripé que baliza toda a trama e que tiveram um impacto muito forte em mim. Vale a menção pra futuros posts, mas hoje vou falar de um outro seriado.

Depois de Twin Peaks chegou até o blogueiro um seriado que, visto de longe é até bem singelo: Black Mirror. Bem singelo porque, diferente da grande maioria dos seriados possui uma primeira temporada de apenas três episódios. Só que cada episódio parece conter muito mais críticas e sacadas do que vários outros seriados.

O negócio é o seguinte: assisti apenas o primeiro episódio ontem e fiquei doido pra escrever sobre, surgiram várias ideias. Uma delas é passar a publicar aqui no Un Quimera, mesalmente, um post sobre cada um dos três episódios.

Começo então hoje com:

1×01 – The National Anthem

Eu penso que pra qualquer um é quase impossível não ter assistido, alguma vez, um filme, série ou coisa parecida que não tenha um sequestro e um pedido de resgate e a trama, posteriormente, desenvolvida a partir disso.

Pode-se dizer que este primeiro episódio de Black Mirror, série inglesa criada por Charlie Brooker, segue, em última análise, esse roteiro básico e já muito antigo. No entanto é aí que começa a surgir a genialidade e a visão crítica da série. A partir de um modelo aparentemente comum e banal assuntos primordiais dentro da problemática contemporânea (quando falo contemporâneo aqui entenda século XXI, 2012 se preferir, não é nem um contemporâneo século XX, muito menos um contemporâneo com nuances de science fiction, é contemporâneo AGORA) e que geralmente não são discutidos.

Entrando no enredo da série de vez e com um cuidado gigantesco pra não deixar escapar nenhum spoiler, a história toda começa com o sequestro de  Princesa Susannah, a princesa da Inglaterra. As coisas vão saindo do roteiro normal de sequestro/pedido de resgate, quando o vídeo que mostra Susannah em cativeiro, fazendo o pedido de resgate é lançado pelo sequestrador no YouTube, comentado freneticamente no Twitter e tem como pedido de resgate algo extremamente inusitado (que não merece ser contado aqui, mas sim visto) e que em si já possui outras implicações muito vivas na sociedade contemporânea; imagem pode ser poder.

O desenrolar da trama segue tocando nesses pontos já citados, como por exemplo a repercussão do caso via twitter e as tentativas de resolução do mesmo por parte do governo britânico e em especial por parte do primeiro ministro Michael Callow, figura central do episódio.

Após uma subdivisão em quatro partes dos pouco mais de quarenta minutos desse episódio, a sequência final, que mostra o depois, a repercussão final do caso de sequestro da princesa coloca, em poucas cenas, novas e múltiplas interpretações de um fato fictício que de tão real pode acontecer a qualquer momento por aí.

Não falei tanto, até pra não estragar as surpresas e os socos no estômago que esse seriado deve causar, a dica é assistir e ver se tudo o que eu falei aqui é, efetivamente, interessante e digno de discussão ou se os outros tantos seriados que pululam por aí são mais interessantes que o micro Black Mirror. Aposto minhas fichas na primeira opção.

Um pensamento sobre “O seriado contemporâneo

  1. […] a empreitada de falar desse seriado, criado por Charlie Brooker,no mês passado e dou continuidade hoje. A exemplo do primeiro episódio, o segundo nos mostra situações […]

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