Releituras Pop #01

Sim, começo hoje uma nova série aqui no Un Quimera. Antes de mais nada queria deixar claro que essa série não tem qualquer pretensão de rigor ou coisa parecida. É na verdade um exercício que eu me propus a fazer e que tem como objetivo a diversão e a descontração. Em meio a tantos compromissos, deveres e afins, resolvi criar um espaço aqui no Un Quimera pra relaxar um pouco a cabeça e ao mesmo tempo tentar conseguir aprender um pouco mais, buscando sempre novas interpretações.

Tudo isso tá bem estranho, né? Deixa eu explicar.

A ideia é a seguinte: impulsionado principalmente pelo “Festival de Músicas Infames” do Zeca Baleiro (eu vi isso há um tempo atrás e  relembrei agora), pela análise de Tom Zé do funk “Atoladinha” e também pelas primeiras aulas de Estética que tive nesse período, vou tentar fazer releituras de conteúdo pop (em especial músicas) aplicando chaves de leitura das mais diversas e exóticas possíveis. Estou aberto a sugestões dos leitores do blog e não pensei em qualquer tipo de periodicidade pra essa série, ao mesmo tempo que podem surgir vários posts em um pequeno período de tempo, também posso ficar um bom tempo sem postar coisas dessa série. Experimentalismo total.

O que é o belo? A arte é livre e autônoma de interferências exteriores tais como a economia, a política, etc.? É a partir de Kant e dos filósofos do chamado Idealismo Alemão que perguntas desse tipo começam a ser feitas de uma maneira mais contumaz e até hoje são feitas e pensadas por tantos outros filósofos. A ideia aqui é, quem sabe, também repensar essas questões, mas, como já disse, de uma maneira bem descompromissada e descontraída, espero que todos entendam esse caráter da série.

Ao nos depararmos com textos, canções e afins no mínimo exóticos e cômicos podemos interpretar de diferentes maneiras e com isso extrair delas novos conteúdos.

Enfim, diferente das regras do festival do Zeca Baleiro (sugiro que vejam os vídeos que estão linkados aí em cima), resolvi incluir a música sertaneja por aqui também e vou começar logo com ela.

Ouçam a canção “Eu quero é ter você pra mim”, da clássica dupla Bruno e Marrone:

A única chave de leitura que me veio à cabeça depois de ouvi-la foi essa: “Bruno e Marrone e a Invenção da Pedofilia”

Reparem nos versos “invente uma desculpa pros seus pais/ que vai a casa de uma amiga ou coisa assim”, “já tenho as entradas de uma matinê/ que eu quero ver com você” e “quando a noite chegar a gente vai pra outro lugar”, sugerem um viés pedófilo, não?

Digam aí, concordam? Discordam? Sugerem outras chaves de leitura pra essa mesma canção?

É isso, fica por aqui a estreia da série “Releituras Pop”.

6 pensamentos sobre “Releituras Pop #01

  1. Nis Evangelista disse:

    Rogério, eu achei genial, hahaha. Acho que todos fazemos esse tipo de referência no happy hour, na mesa do bar. Quem nunca, né?
    Ouvindo isso, comecei a pensar que “delícia, delícia, assim você me mata, ai ai se eu te pego” pode ser referência a um sociopata, quem não acha? Perceba: sociopatas querem ser pegos, mas acham uma delícia matar. Fikdik, galera!

  2. Muito obrigado, Nis!! =D
    A ideia é bem essa mesmo, uma espécie de conversa na mesa do bar, só que o bar é o Un Quimera (por aqui não tem os drinks exóticos de Coimbra.. rs) e além de ser uma conversa informal, também pode vir a ser algo mais..
    Em relação à sua leitura do estrondoso sucesso “Ai se eu te pego”, achei bem bacana e nunca tinha pensado por esse viés sociopático da letra não.. hahaha valeu pela ideia, vou ver se desenvolvo ela num próximo post.

  3. Ivan disse:

    Hahahah! Muito boa a indicação da Nis também!
    E excelente ideia para descontração, mestre Rogério! Siga em frente.
    No aguardo das próximas, pra rir mais!

    Abraço!

  4. haha, roubaram minha fala aí em cima. Eu ia justamente falar que a ideia foi genial. Muito a sua cara, além disso.
    Quando abri aqui – só pra conferir, nem ia ler porque estou cheia de trabalhos e seus textos são sempre grandes – e vi essa foto, pensei : “Putz, o que deu nele dessa vez? O tal ‘Chico Science’ parecia legal, mas espero que não venha defender os sertanejos da vida…”
    Mas achei super engraçado o final, e a ideia super original. Vai ser uma série bem descontraída – realmente. Já estou ansiosa pelo próximo “capítulo”, monsieur.

    Haja inspiração pra você!

    PS: A pedofilia foi trash, mas depois de “eu dormi na praça pensando nela” a gente pode esperar qualquer coisa… rs

  5. Valeu, Ivan! A ideia da Nis foi mesmo boa! Se você tiver alguma sugestão é só falar!

    Valeu também, Marô! Sério que meus posts são sempre tão grandes? haha
    Então, depois de postar eu fiquei pensando mesmo na reação que essa foto poderia causar nas pessoas, imaginei uma parecida com essa que você teve.. rs
    Mas depois de ler o post acho que deu pra perceber bem as diferenças do meu post em relação ao Chico Science (um post homenagem) e aos sertanejos Bruno e Marrone (um post gargalhadas), mas gargalhadas que possam, quem sabe, servir também pra aprender um pouco mais..
    O próximo “capítulo” deve vir em breve e se você tiver sugestões pode mandar também! =D
    Realmente, depois de “dormi na praça pensando nela” podemos esperar de tudo e mais um pouco.. rs

  6. […] Deixando de lado as possíveis influências que estes dois livros podem exercer na canção, vamos direto a letra dela e aqui, lógico, pegaremos carona nas interpretações feitas por Zeca Baleiro e sua plateia no Festival de Músicas Infames (se quiser relembrar isso tá lá no primeiro post dessa série): […]

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