Cinco vezes Timão

Já é uma das marcas registradas do Un Quimera dar aquele balanço geral no fim das grandes competições de futebol. Mais uma vez aqui estou, dessa vez pra falar desse Campeonato Brasileiro de 2011. Vale lembrar que esse ano, além desse post de hoje também teremos até o fim do ano um QuimeraCast dedicado exclusivamente pra esse Campeonato Brasileiro 2011.

A exemplo das últimas duas edições, o campeonato desse ano ficou caracterizado principalmente pelo equilíbrio das equipes, a luta pelo título e por vagas na Libertadores e também pra escapar do rebaixamento foi até a última rodada.

Aproveito e começo falando sobre a parte de baixo da tabela. Dos times que subiram pra primeira divisão no ano passado apenas o América-MG voltou pra segunda divisão, junto com ele foram o lanterna Avaí, Ceará e Atlético-PR. O Avaí venceu adversários aparentemente difíceis como Corinthians, Flamengo e Botafogo, mas teve inúmeros tropeços e terminou a competição com míseros 31 pontos. O América-MG é outro caso curioso, também venceu Corinthians, Vasco, Fluminense e Botafogo, inclusive teve uma sequência de três vitórias na reta final que por pouco não o livrou do rebaixamento, mas não teve jeito, o Coelho voltou mesmo para a segunda divisão. Os outros dois rebaixados (Ceará e Atlético-PR) foram até a última rodada com chances de escapar e é aí que entra talvez o mais curioso de todos os casos dessa edição do Brasileirão, esse caso chama-se Cruzeiro.

A equipe mineira, caracterizada por sempre fazer boas campanhas após a instituição do método de pontos corridos no Campeonato Brasileiro (inclusive vencendo a primeira edição dos pontos corridos de maneira espetacular), simplesmente caiu num inferno astral e com um time muito semelhante ao da edição passada, na qual foi vice-campeão, fez uma campanha horrível, em especial no segundo turno e por muito pouco não conheceu o primeiro rebaixamento da sua história. A salvação veio na rodada final contra se rival Atlético-MG, uma sonora goleada de 6 x 1 foi suficiente pra tirar a Raposa da Série B, no entanto, olhando assim essa história parece muito mal contada, de cara tentei imaginar, por exemplo, Grêmio e Internacional em situação semelhante, o que será que aconteceria se um dos dois, tendo a chance de rebaixar o outro, perdesse de 6 x 1? É melhor nem pensar… Enfim, por mais cômico que isso possa ser, acho realmente muito estranho essa goleada, tema que com certeza falaremos mais no próximo QuimeraCast.

Saindo da parte de baixo da tabela e subindo aos poucos, encontramos de cara, novamente o Atlético-MG, que com essa derrota por 6 x 1 para o Cruzeiro deixou escapar a vaga na Sul-Americana. Colocando um parênteses nessa última rodada e pensando no resto do campeonato do Galo, a equipe comandada por Cuca teve maus momentos e correu sérios riscos de rebaixamento, no entanto, na reta final teve boas sequências (a goleada de 4 x 0 em cima do Botafogo foi um dos pontos altos) e conseguiu escapar do rebaixamento com certa facilidade. Logo acima temos Bahia, Atlético-GO e Grêmio, todos eles garantiram vaga na Sul-Americana e tiveram alguns bons momentos na competição, mas definitivamente não embalaram e não empolgaram de fato. Curiosamente, pra minha tristeza, os grandes momentos desses três times tiveram íntima relação com o Flamengo: o Atlético-GO venceu o Flamengo por 4 x 1 no Engenhão, tirando a invencibilidade do Flamengo na ocasião, o Bahia venceu o Flamengo também dentro do Engenhão, no pior momento do Flamengo na competição e o Grêmio, em um jogo que considero emblemático, por ter marcado o retorno de R10 ao Olímpico e de certa forma o fim do sonho do hepta, venceu o Flamengo de virada por 4 x 2.

Logo acima do Grêmio encontramos a dupla paulista Palmeiras e Santos. A equipe comandada por Muricy Ramalho, principalmente por ter vencido a Copa Libertadores pouco se importou com o Brasileirão, as atenções estavam voltadas para o Mundial (que começa em breve aliás, também falarei sobre ele aqui no Un Quimera), mesmo assim o Santos ainda conseguiu ter o artilheiro do campeonato, Borges, com 23 gols e deu trabalho a alguns times. Isso pode ser confirmado ou não no Mundial, mas penso que o time do Santos, com todas as suas forças, ainda é o melhor time do Brasil na atualidade.

Já o Palmeiras, durante praticamente todo o primeiro turno fez uma campanha não mais que mediana, sempre beirando a zona de classificação para a Libertadores, no segundo turno contudo, essa aparente boa campanha caiu por terra e uma sequência de maus resultados pairou no Palestra Itália, um real risco de rebaixamento chegou até a surgir, porém a gordura acumulada no primeiro turno fez com que o time de Felipão não se preocupasse tanto com o rebaixamento.

Subindo mais um pouco temos o Botafogo. Pra mim, com certeza, a maior decepção desse campeonato. O time, comandado até as últimas rodadas por Caio Júnior, foi sensação da competição em boa parte dela, esteve próximo do título em vários momentos e a vaga na Libertadores era dada como certa em General Severiano. No entanto, um verdadeiro black-out tomou conta do time, que teve uma queda vertiginosa nas últimas rodadas e amargou uma desinteressante nona posição, ficando fora mais uma vez da Libertadores.

Coritiba, Figueirense e São Paulo foram as equipes que ficaram no quase em relação à vaga na Copa Libertadores. O alviverde paranaense duplamente, pois já havia perdido a Copa do Brasil para o Vasco no meio do ano, perdendo assim uma chance de ir à Libertadores, no Brasileirão novamente isso aconteceu, o detalhe é que o Coxa chegou à última rodada dentro da zona de classificação para a Libertadores, dependia só dele mesmo pra conseguir a vaga, no entanto não resistiu ao rival Atlético-PR e acabou fora da competição continental. O Figueirense foi a grande surpresa do campeonato. Comandada por Jorginho, a equipe catarinense também teve reais chances de ir à Libertadores e complicou a vida de muita gente, no entanto, derrotas para Fluminense e Corinthians na reta final tiraram o Figueira da Liberta.

O São Paulo mais uma vez (pelo segundo ano seguido) fica fora da Libertadores. Coisa muito incomum no Morumbi. O Brasileirão marcou a volta de Luís Fabiano à equipe, mas marcou também uma nova demissão de treinador (dessa vez Adilson Batista) e o retorno de Emerson Leão. O fato é que o São Paulo, mesmo com um bom elenco, não se encontrou na competição e após perder jogos importantes na reta final acabou fora da Libertadores.

Chegamos então ao grupo dos cinco melhores times do campeonato, aqueles que garantiram vaga para a principal competição de clubes da América. O Internacional assegurou a vaga vencendo o rival Grêmio na rodada final. A equipe comandada por Dorival Júnior oscilou bons e maus momentos, chegou até a cogitar uma possibilidade de título, mas principalmente por conta da lesão de seu principal jogador Leandro Damião não teve pique pra brigar pelo título até o fim.

Na quarta posição temos o meu Flamengo. Os posts da série Le Rouge et Le Noir falaram muito do rubro-negro durante o ano e como já disse nesse mesmo post mais acima, considero a derrota para o Grêmio sintomática em relação à briga pelo título, mas não foi só ela: a horrível sequência de dez jogos sem vitória foi uma mancha  na campanha rubro-negra que até então vinha sem mácula, o primeiro turno foi quase perfeito. Mas vários tropeços no segundo turno acabaram tirando do Flamengo o sonho do hepta. Apesar disso com certeza guardarei na memória dois jogos desse Brasileirão: o 5 x 4 em cima do Santos no primeiro turno, com show de R10 e o 3 x 2 em cima do Fluminense no segundo turno, com show de Bottinelli. Foram os dois pontos altos do Flamengo na competição.

Na terceira posição ficou o Fluminense. O Tricolor das Laranjeiras fez uma bela campanha e mereceu a vaga na Libertadores, teve Fred com 22 gols como um quase artilheiro e também teve um jogo histórico: 5 x 4 pra cima do Grêmio, com quatro gols do camisa 9. Ao lado dos dois jogos do Flamengo que eu citei acima, penso que esse jogo também foi um dos melhores dessa edição do Brasileirão. Outros dois pontos em relação ao Flu que eu acho que valem a pena serem citados são: as derrotas para América-MG e Atlético-MG, ambas dentro do Engenhão, na reta final da competição, tiraram de vez o Flu da briga pelo título, dois jogos teoricamente fáceis, que o campeão Flu de 2010 não perderia. O outro ponto é a incrível e por vezes despercebida marca de apenas 3 empates durante toda a competição. Em uma competição de pontos corridos isso é muito difícil de conquistar e quando se tem um bom time como o do Fluminense pode fazer a diferença.

Chegamos enfim à dupla que brigou pelo título até o fim. Vasco e Corinthians protagonizaram uma bela briga pelo título e chegaram até ali de maneiras bem distintas. O Vasco, até por ter conquistado a Copa do Brasil, parecia que não iria dar tanta atenção ao Brasileirão e no começo da competição não era tratado como um concorrente direto ao título, no entanto, durante a competição foi crescendo e inclusive a liderou por algumas rodadas. A entrada do inteligente, experiente e vascaíno Juninho no meio campo da equipe deram uma alma ao time do Vasco, que tinha também em Fernando Prass, Fagner, Dedé, Felipe e Diego Souza peças importantíssimas que fizeram a diferença em vários jogos. O Trem Bala da Colina no entanto pagou por pequenos tropeços (o empate por 1 x 1 contra o Palmeiras no segundo turno talvez tenha sido o mais sintomático deles) e chegou à última rodada precisando de uma vitória do Palmeiras pra cima do Corinthians e precisando também vencer o Flamengo. Nem uma coisa nem outra aconteceram, dois empates (por 0 x 0 e 1 x 1, respectivamente) foi o que aconteceu e agora, querendo ou não, os vascaínos têm que escutar os cânticos de vice de novo. Zoações à parte, o Vasco termina o ano com um saldo muito positivo, há muito tempo que a equipe vascaína não disputava de maneira tão direta um título de Campeonato Brasileiro da Série A, essa reconstrução do Vasco, promovida em especial por Roberto Dinamite, desde 2009, vem dando frutos e recoloca o Vasco no grupo de melhores times do país.

Já o penta campeão Corinthians, por outro lado, depois da amarga eliminação na Pré-Libertadores pelo Tolima e da derrota na final do Campeonato Paulista para o Santos, botou todas as suas fichas de 2011 no Campeonato Brasileiro, portanto, diferentemente do Vasco, desde o início já era um dos favoritos ao título, desde o início priorizou a mais importante competição nacional e desde o início fez uma ótima campanha. Nas primeiras dez rodadas tinha 9 vitórias e 1 empate, uma aproveitamento assombroso para qualquer time em qualquer campeonato, ainda mais em se tratando de Campeonato Brasileiro. No entanto, como era de se esperar, inevitavelmente, esse rendimento caiu um pouco e o Corinthians perdeu a liderança durante a competição, no entanto, a exemplo do que já havia feito em 2010, em momento algum o Timão saiu das primeiras colocações, esse ano porém, a equipe comandada por Tite não fraquejou na reta final e principalmente nas vitórias sobre Ceará fora de casa e Atlético-MG dentro de casa (jogo que marcou o único gol do Imperador na competição, mas que teve uma importância enorme), mostrou que esse ano era o ano de mais uma decepção na Libertadores, mas também o ano do penta no Brasileirão. O Corinthians foi campeão por merecimento, a equipe já vinha montada desde a temporada passada, passou por mudanças durante a competição, mas conseguiu se ajustar muito bem a elas, o que mostra a força do elenco, jogadores como Júlio César, Ralf, Paulinho, Alex, Willian e, principalmente, Emerson e Liedson foram fundamentais para o título, o Imperador Adriano mesmo tendo tido uma participação apenas discreta, como disse acima fez um dos gols mais importantes da competição e pode ser muito útil na próxima temporada.

Não poderia deixar de falar também dessa mudança na tabela, ocorrida nessa edição, que colocou os principais clássicos regionais todos para serem disputados na última rodada. Achei uma ótima opção, deu mais emoção ainda para a competição e na minha opinião deveria ser mantida.

No mais é isso, falaremos ainda mais sobre o Campeonato Brasileiro 2011 no próximo QuimeraCast. Agora é época de férias para os boleiros e especulações e mais especulações de transferências, parte um tanto chata, mas que vende muito jornal, fazer o quê? Espero que a temporada de 2012 seja ainda melhor do que essa em relação ao equilíbrio e ao nível técnico do futebol brasileiro, que vem numa crescente. Espero, em especial, um ano melhor para o Flamengo, que mais um vez tem a oportunidade de conquistar o tão sonhado bi na Libertadores e o hepta no Brasileirão.

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