Arquivo mensal: dezembro 2011

Le rouge et Le Noir #12

Pra fechar a tampa de 2011, não poderia faltar uma singela homenagem desse blogueiro flamenguista pra equipe que trinta anos atrás, em solo japonês, venceu o Liverpool por 3 x 0 e deu ao Clube de Regatas Flamengo seu primeiro (e por enquanto, apenas por enquanto) único título mundial.

É meio óbvio que eu nunca tenha visto esse time jogar, mas por tudo que ouvi dizer sobre ele, pelos lances e gols e etc., acredito mesmo que foi um dos melhores times da história do futebol, sem falsas modéstias ou parcialidades, é bom recordar esses momentos marcantes da história do Flamengo e saber homenageá-los e valorizá-los, porém só isso não basta, trinta anos se passaram e uma nova Libertadores e um novo Mundial ainda não chegaram, já é hora de mudar isso, e quem pode mudar isso são os atuais jogadores, é a maior torcida do mundo, da qual faço parte, 2012 é ano de Libertadores, é ano de torcer, vibrar e acreditar nesse time!

Pra fechar o ano ficamos com a dita homenagem, os três gols da final do Mundial de Clubes, dois do João Danado Nunes e um de Adílio:

SRN

O Paradoxo do Poeta Perdido

Eis que surgem, aos 44 do segundo tempo de 2011, circunstâncias e inspiração pra escrever um poeminha sentimental (coisa que não faço com muita frequência), aí vai:

O Paradoxo do Poeta Perdido

Para ler e reler ao som de “Apagada a Luz” de Rafael Castro Oliveira da Silva

De que adiantam as palavras
Provocantes ou elegantes
Se o encanto acabou?
Se aquilo que era vivo e intenso
Tal qual brasa de vulcão
Não é hoje nada mais que
A tíbia chama de um isqueiro molhado?
Passou.
E se passou é pra ficar em algum lugar
No papel, nas histórias, em qualquer canto.
Não quero as palavras elegantes
Ditas no céu aberto
De uma hipocrisia social
Nem quero as palavras provocantes
Ditas entre quatro paredes
De um quarto escuro. Agora não.
Quero o frio na barriga de um novo conflito
Aqueles detalhes fugazes
De um encanto que se engendra
Quero a indecisão e o desencontro
Quero tudo isso às oito em ponto
– ou quem sabe um pouquinho mais tarde
horário de verão e coisa e tal –
Cafuné, preguiça e tesão.
Sou sozinho demais pra solidão.

Rogério Arantes

QuimeraTube #48

E o último QuimeraTube do ano vem com toda a irreverência e a ousadia de Zéu Britto:

Inclinação Cinematográfica #06 – O circo chegou!

Escrevo hoje o último post da série Inclinação Cinematográfica do ano. E pra equilibrar as coisas (mas não só por uma questão de equilíbrio) falarei de um filme nacional e assim então os seis posts da série terão três filmes nacionais e três filmes estrangeiros.

E contrariando o que fiz até agora, quando fui buscar clássicos do cinema como Laranja Mecânica por exemplo, e produções não tão recentes, falo de um filme que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em outubro e que já levou o blogueiro pra assisti-lo duas vezes.

Falo hoje de O Palhaço, de Selton Mello.

Só de dar uma olhada rápida nessa série Inclinação Cinematográfica dá pra perceber o gosto deste que vos fala por filmes que contam com a marca de Selton Mello, já falei tanto de Lavoura Arcaica quanto de O Cheiro do Ralo.

A escolha peço Palhaço segue essa linha e além disso tem vários outros motivos, antes de mais nada também já queria afirmar que na minha singela opinião o mais novo filme de Selton Mello é o melhor filme do ano de 2011. Por mais polêmico que isso possa parecer (de cara já me vem na mente o ótimo Cisne Negro de Darren Aronofsky), falo isso pois foi um filme que me impactou (acho que essa é a palavra) demais!

Selton Mello, tanto quanto diretor, quanto como protagonista (na pele do palhaço Pangaré) conseguiu captar muito bem as nuances do que imagino ser um circo de verdade (circo nacional que parece possuir mazelas semelhantes ao próprio cinema nacional, tais como: falta de aceitação da própria população, falta de todo aquele glamour hollywoodiano, etc..) e também as nuances daquilo que vivencio e procuro sentir e entender sempre: a mineirice.

A escolha por filmar todo o filme no estado de Minas Gerais foi muito acertada. Valorizando as serras (e as propagandas dos postes da CEMIG) enquanto “aspectos naturais” e também as figuras que vão surgindo na trama enquanto “aspectos sociais”: o cara de boné e terno pilotando uma barra forte, os prefeitos, o matuto de beira de estrada e até mesmo a gente da cidade não tão pequena, não tão do interior, que também são muito Minas Gerais: a galera do Aldo Auto Peças, o dono da loja de eletrodomésticos, etc..

 

 

Porém o filme não se atém exclusivamente ao aspecto circense e mineiro, isso é como que o pano de fundo, a ambientação do filme que vai se construindo com uma sensibilidade ímpar, é difícil encontrar um filme que te faça rir e chorar de fato, isso aconteceu comigo porque além de ter mergulhado completamente na história também senti que pelo menos uma das buscas de Selton Mello foi transmitir e fazer muita gente conhecer, o lado humano do palhaço, o lado sábio do matuto e, além de tudo, a importância dos lados ocultos e singelos, a importância das pequenas coisas por vezes esquecidas por todos.

Cada personagem tem de fato o seu papel na trama. Embora Pangaré (Selton Mello) e Puro Sangue (Paulo José) sejam os donos do Circo Esperança e os protagonistas do filme. Todos os personagens, dentro do possível foram bem explorados. As piadas do filme encontram bom lugar em todo pessoal do circo, da estranheza com os sonhos com cabras até as falsas cidadanias russas, toda a trupe do Circo Esperança vai deixando sua marca. Além deles, personagens como o inconformado Delegado Justo, os desajustados Irmãos Beto e Deto e a personagem que possui papel de extrema importância dentro da trama, é o dono da loja de eletrodomésticos, interpretado pelo eterno Zé Bonitinho (Jorge Loredo).

Enfim, além de valorizar ainda mais o próprio Selton Mello, enquanto artista, diretor, roteirista, o filme ainda valoriza e muito os outros atores tanto os novos, quanto os “antigos”, enquanto homenagens e reconhecimento  à sua trajetória na história do humor nacional.

Daria pra escrever mais linhas e linhas sobre o filme, falar de perto de cada personagem, das ideias que a trama passa, as simbologias possíveis do ventilador, de São Filomeno de tudo, mas prefiro parar por aqui, como eu já disse acima, O Palhaço, foi, pelo menos dentre os filmes que eu assisti nesse ano de 2011, o melhor de todos. Acaba aqui a série Inclinação Cinematográfica de 2011.

O inatingível Barcelona

Foi disputada ontem a final do Mundial de Clubes da FIFA de 2011. Seguindo o costume “quimérico” falo um pouco sobre esse jogo de ontem e sobre a trajetória dos dois finalistas.

Depois da vitória do Barcelona sobre o Manchester United na final da Liga dos Campeões e da vitória do Santos sobre o Peñarol na final da Libertadores, a mídia esportiva e todos os que acompanham futebol aguardavam ansiosamente por esse fim de ano. Pra disputa do Mundial de Clubes da FIFA, aguardando o tão esperado embate entre Barcelona x Santos, ou melhor, o grande embate que todos realmente esperavam era entre Messi x Neymar.

Mas pra que isso realmente acontecesse era necessário que Barcelona e Santos cumprissem seus papeis e afirmassem o favoritismo nos duelos da semi-finais, respectivamente contra Al-Sadd e Kashiwa Reysol.

Na quarta o Santos venceu o Kashiwa por 3 x 1, mas sofreu no segundo tempo, o clube japonês comandado pelo brasileiro Nelsinho Baptista e tendo como seus principais jogadores os também brasileiros Jorge Wagner e Leandro Domingues, deu trabalho ao Santos, que não jogou o seu melhor futebol nas semi-finais, apesar do lindo gol de Neymar o futebol santista não foi nem de perto aquele da Libertadores, mas mesmo assim a vaga para a final estava garantida.

Na quinta o Barça também fez sua parte. Vitória sossegada de 4 x 0 sobre o Al Sadd, com três gols brasileiros: dois de Adriano e um de Maxwell. A equipe catalã em momento algum sofreu qualquer perigo real e ainda se deu ao luxo de poupar três titulares: Daniel Alves, Piqué e Xavi.

O tão esperado duelo aconteceu então ontem, em Yokohama. E é até estranho falar sobre o jogo de ontem, porque, com todo respeito ao Santos, não foi de fato um jogo, esteve mais para um baile, um treino ou coisa do tipo. O Barcelona não tomou reconhecimento da equipe brasileira, que, apática, viu o melhor time do mundo desfilar no gramado o seu envolvente, bonito e vencedor futebol. Novo 4 x 0, dessa vez com dois gols de Messi, um de Xavi e um de Fábregas. A única real chance de gol do Santos esteve nos pés de Neymar que cara a cara com Valdés chutou a bola em cima do goleiro espanhol. Um lance em que normalmente o camisa 11 de moicano estilizado não perdoa.

Adjetivos como inatingível, imbatível e outros do tipo são cada vez mais verossímeis pra se qualificar esse time do Barcelona. Foi muito incomum o que aconteceu ontem, por mais que todos já soubessem de toda qualidade do Barcelona o resultado e a maneira como ele foi construído talvez não fosse esperado nem pelo mais otimista dos torcedores catalães. A fraca atuação do Santos no jogo de quarta de certa forma já poderia ser prenúncio pra essa humilhação de ontem, mas mesmo assim, o resultado foi muito incomum para uma final de Mundial de Clubes.

Dentre outras coisas mais, o resultado também confirmou de vez a superioridade do argentino Messi, tudo que indica que ele será eleito pela terceira vez consecutiva o melhor jogador do mundo, fato inédito, e com muito mérito, o argentino de 24 anos ontem mais uma vez decidiu a partida, jogando bem, fazendo dois gols e participando da jogada de outro gol. Em relação às outras peças do Barça só o que dá pra fazer é elogiar, de Valdés à Thiago Alcântara (Guardiola optou por entrar sem nenhum atacante de ofício, depois da lesão de Villa nas semi-finais, e o time parece não ter sentido isso nem um pouco, tamanho o entrosamento e qualidade dos jogadores), todos fizeram o que vêm fazendo já há algum tempo e garantiram mais um título mundial para o Barça.

Já em relação ao Santos de Neymar, coisas precisam ser pensadas, mas acredito que nem tudo tá tão errado assim. Como já frisei neste post não foi só no jogo contra o Barça que a equipe santista não conseguiu jogar bem, na semi-final já havia sofrido pra vencer o Kashiwa e na final o que aconteceu foi um enorme baque. Qualquer time que entrasse pra jogar contra o Barça, no momento que vive hoje, naturalmente iria sentir um baque inicial, mas o Santos deixou isso continuar e em momento algum conseguiu igualar (nem que seja somente na raça) com o Barcelona. Falando assim até parece que seria uma tarefa fácil, pelo contrário, todos sabem que não seria, mas o fato é que o Santos não conseguiu de maneira alguma ser um verdadeiro adversário para o Barça, realmente não tem muito o que falar depois de uma derrota dessas.

Por isso considero as declarações dos santistas até interessantes, ao afirmar que ontem o Santos teve uma aula de futebol Neymar está sendo bem sincero e admitindo que pelo menos por enquanto nem o Santos está a altura do Barcelona e nem ele está a altura de Messi. Mas ainda assim Neymar e o Santos estão na linha de frente do futebol brasileiro, não foi uma derrota que merece críticas, talvez tenha sido uma derrota que mereça apenas o reconhecimento da incapacidade, da insuficiência santista frente ao inatingível Barcelona.

Chega ao fim mais uma temporada e mais uma vez o Barcelona de Guardiola é o supremo campeão de tudo. O acontecimento que já vai virando rotina no mundo do futebol leva todos, cada vez mais, a colocarem esse time do Barça na galeria dos maiores times da história. O mais interessante é perceber que esse time parece estar num auge que não acaba, pelo contrário, vai só aumentando e virando cada vez mais auge. A valorização das categorias de base, da posse e do bom toque de bola, formam o pilar dessa fórmula que vai dando muito certo. Poder estar presenciando isso é bem interessante, pensar que daqui muitos e muitos anos estarão falando daquele  incrível Barcelona dos anos 10…

Resta ao Santos e a todos os outros adversários tentarem encontrar maneiras de destronar esse Barcelona, enquanto isso Messi e cia. vão levantando taças e mais taças.

A Luz da Manhã

Depois de publicar “A Saudade não pode acabar” em outubro, volto a publicar uma produção de Marcelo Cabeça. A exemplo do que aconteceu com o texto citado acima, Marcelo me enviou um e-mail com esse poema “A Luz da Manhã”, eu comentei um pouco sobre o poema com ele e decidi publicar também aqui no Un Quimera.

Sempre aberto às produções literárias dos amigos, o Un Quimera exibe mais uma, aí vai:

Luz da manhã

Poucos momentos me contagiam.

A luz do amanhecer é um deles.

Instante de reflexão, compreensão.

A espera de uma solução.

Instante de incansável procura,

e talvez nenhuma resposta.

Vem a manhã seguinte sem resposta.

Manhã incansável dia após dia,

basta um novo amanhecer para a resposta,

mas o santo dia não vem,

e espera-se por esta manhã.

Acredite, mas não desista,

Acredite e não se canse,

este dia está próximo.

Basta acreditar nesta manhã,

como a última da terra

e verás a resposta.

Marcelo Borges Pinto

QuimeraTube #47

Ele saiu do Cordel, mas a magia, a vibração e o batuque não saíram dele. “Ela Vai Dançar”:

Cinco vezes Timão

Já é uma das marcas registradas do Un Quimera dar aquele balanço geral no fim das grandes competições de futebol. Mais uma vez aqui estou, dessa vez pra falar desse Campeonato Brasileiro de 2011. Vale lembrar que esse ano, além desse post de hoje também teremos até o fim do ano um QuimeraCast dedicado exclusivamente pra esse Campeonato Brasileiro 2011.

A exemplo das últimas duas edições, o campeonato desse ano ficou caracterizado principalmente pelo equilíbrio das equipes, a luta pelo título e por vagas na Libertadores e também pra escapar do rebaixamento foi até a última rodada.

Aproveito e começo falando sobre a parte de baixo da tabela. Dos times que subiram pra primeira divisão no ano passado apenas o América-MG voltou pra segunda divisão, junto com ele foram o lanterna Avaí, Ceará e Atlético-PR. O Avaí venceu adversários aparentemente difíceis como Corinthians, Flamengo e Botafogo, mas teve inúmeros tropeços e terminou a competição com míseros 31 pontos. O América-MG é outro caso curioso, também venceu Corinthians, Vasco, Fluminense e Botafogo, inclusive teve uma sequência de três vitórias na reta final que por pouco não o livrou do rebaixamento, mas não teve jeito, o Coelho voltou mesmo para a segunda divisão. Os outros dois rebaixados (Ceará e Atlético-PR) foram até a última rodada com chances de escapar e é aí que entra talvez o mais curioso de todos os casos dessa edição do Brasileirão, esse caso chama-se Cruzeiro.

A equipe mineira, caracterizada por sempre fazer boas campanhas após a instituição do método de pontos corridos no Campeonato Brasileiro (inclusive vencendo a primeira edição dos pontos corridos de maneira espetacular), simplesmente caiu num inferno astral e com um time muito semelhante ao da edição passada, na qual foi vice-campeão, fez uma campanha horrível, em especial no segundo turno e por muito pouco não conheceu o primeiro rebaixamento da sua história. A salvação veio na rodada final contra se rival Atlético-MG, uma sonora goleada de 6 x 1 foi suficiente pra tirar a Raposa da Série B, no entanto, olhando assim essa história parece muito mal contada, de cara tentei imaginar, por exemplo, Grêmio e Internacional em situação semelhante, o que será que aconteceria se um dos dois, tendo a chance de rebaixar o outro, perdesse de 6 x 1? É melhor nem pensar… Enfim, por mais cômico que isso possa ser, acho realmente muito estranho essa goleada, tema que com certeza falaremos mais no próximo QuimeraCast.

Saindo da parte de baixo da tabela e subindo aos poucos, encontramos de cara, novamente o Atlético-MG, que com essa derrota por 6 x 1 para o Cruzeiro deixou escapar a vaga na Sul-Americana. Colocando um parênteses nessa última rodada e pensando no resto do campeonato do Galo, a equipe comandada por Cuca teve maus momentos e correu sérios riscos de rebaixamento, no entanto, na reta final teve boas sequências (a goleada de 4 x 0 em cima do Botafogo foi um dos pontos altos) e conseguiu escapar do rebaixamento com certa facilidade. Logo acima temos Bahia, Atlético-GO e Grêmio, todos eles garantiram vaga na Sul-Americana e tiveram alguns bons momentos na competição, mas definitivamente não embalaram e não empolgaram de fato. Curiosamente, pra minha tristeza, os grandes momentos desses três times tiveram íntima relação com o Flamengo: o Atlético-GO venceu o Flamengo por 4 x 1 no Engenhão, tirando a invencibilidade do Flamengo na ocasião, o Bahia venceu o Flamengo também dentro do Engenhão, no pior momento do Flamengo na competição e o Grêmio, em um jogo que considero emblemático, por ter marcado o retorno de R10 ao Olímpico e de certa forma o fim do sonho do hepta, venceu o Flamengo de virada por 4 x 2.

Logo acima do Grêmio encontramos a dupla paulista Palmeiras e Santos. A equipe comandada por Muricy Ramalho, principalmente por ter vencido a Copa Libertadores pouco se importou com o Brasileirão, as atenções estavam voltadas para o Mundial (que começa em breve aliás, também falarei sobre ele aqui no Un Quimera), mesmo assim o Santos ainda conseguiu ter o artilheiro do campeonato, Borges, com 23 gols e deu trabalho a alguns times. Isso pode ser confirmado ou não no Mundial, mas penso que o time do Santos, com todas as suas forças, ainda é o melhor time do Brasil na atualidade.

Já o Palmeiras, durante praticamente todo o primeiro turno fez uma campanha não mais que mediana, sempre beirando a zona de classificação para a Libertadores, no segundo turno contudo, essa aparente boa campanha caiu por terra e uma sequência de maus resultados pairou no Palestra Itália, um real risco de rebaixamento chegou até a surgir, porém a gordura acumulada no primeiro turno fez com que o time de Felipão não se preocupasse tanto com o rebaixamento.

Subindo mais um pouco temos o Botafogo. Pra mim, com certeza, a maior decepção desse campeonato. O time, comandado até as últimas rodadas por Caio Júnior, foi sensação da competição em boa parte dela, esteve próximo do título em vários momentos e a vaga na Libertadores era dada como certa em General Severiano. No entanto, um verdadeiro black-out tomou conta do time, que teve uma queda vertiginosa nas últimas rodadas e amargou uma desinteressante nona posição, ficando fora mais uma vez da Libertadores.

Coritiba, Figueirense e São Paulo foram as equipes que ficaram no quase em relação à vaga na Copa Libertadores. O alviverde paranaense duplamente, pois já havia perdido a Copa do Brasil para o Vasco no meio do ano, perdendo assim uma chance de ir à Libertadores, no Brasileirão novamente isso aconteceu, o detalhe é que o Coxa chegou à última rodada dentro da zona de classificação para a Libertadores, dependia só dele mesmo pra conseguir a vaga, no entanto não resistiu ao rival Atlético-PR e acabou fora da competição continental. O Figueirense foi a grande surpresa do campeonato. Comandada por Jorginho, a equipe catarinense também teve reais chances de ir à Libertadores e complicou a vida de muita gente, no entanto, derrotas para Fluminense e Corinthians na reta final tiraram o Figueira da Liberta.

O São Paulo mais uma vez (pelo segundo ano seguido) fica fora da Libertadores. Coisa muito incomum no Morumbi. O Brasileirão marcou a volta de Luís Fabiano à equipe, mas marcou também uma nova demissão de treinador (dessa vez Adilson Batista) e o retorno de Emerson Leão. O fato é que o São Paulo, mesmo com um bom elenco, não se encontrou na competição e após perder jogos importantes na reta final acabou fora da Libertadores.

Chegamos então ao grupo dos cinco melhores times do campeonato, aqueles que garantiram vaga para a principal competição de clubes da América. O Internacional assegurou a vaga vencendo o rival Grêmio na rodada final. A equipe comandada por Dorival Júnior oscilou bons e maus momentos, chegou até a cogitar uma possibilidade de título, mas principalmente por conta da lesão de seu principal jogador Leandro Damião não teve pique pra brigar pelo título até o fim.

Na quarta posição temos o meu Flamengo. Os posts da série Le Rouge et Le Noir falaram muito do rubro-negro durante o ano e como já disse nesse mesmo post mais acima, considero a derrota para o Grêmio sintomática em relação à briga pelo título, mas não foi só ela: a horrível sequência de dez jogos sem vitória foi uma mancha  na campanha rubro-negra que até então vinha sem mácula, o primeiro turno foi quase perfeito. Mas vários tropeços no segundo turno acabaram tirando do Flamengo o sonho do hepta. Apesar disso com certeza guardarei na memória dois jogos desse Brasileirão: o 5 x 4 em cima do Santos no primeiro turno, com show de R10 e o 3 x 2 em cima do Fluminense no segundo turno, com show de Bottinelli. Foram os dois pontos altos do Flamengo na competição.

Na terceira posição ficou o Fluminense. O Tricolor das Laranjeiras fez uma bela campanha e mereceu a vaga na Libertadores, teve Fred com 22 gols como um quase artilheiro e também teve um jogo histórico: 5 x 4 pra cima do Grêmio, com quatro gols do camisa 9. Ao lado dos dois jogos do Flamengo que eu citei acima, penso que esse jogo também foi um dos melhores dessa edição do Brasileirão. Outros dois pontos em relação ao Flu que eu acho que valem a pena serem citados são: as derrotas para América-MG e Atlético-MG, ambas dentro do Engenhão, na reta final da competição, tiraram de vez o Flu da briga pelo título, dois jogos teoricamente fáceis, que o campeão Flu de 2010 não perderia. O outro ponto é a incrível e por vezes despercebida marca de apenas 3 empates durante toda a competição. Em uma competição de pontos corridos isso é muito difícil de conquistar e quando se tem um bom time como o do Fluminense pode fazer a diferença.

Chegamos enfim à dupla que brigou pelo título até o fim. Vasco e Corinthians protagonizaram uma bela briga pelo título e chegaram até ali de maneiras bem distintas. O Vasco, até por ter conquistado a Copa do Brasil, parecia que não iria dar tanta atenção ao Brasileirão e no começo da competição não era tratado como um concorrente direto ao título, no entanto, durante a competição foi crescendo e inclusive a liderou por algumas rodadas. A entrada do inteligente, experiente e vascaíno Juninho no meio campo da equipe deram uma alma ao time do Vasco, que tinha também em Fernando Prass, Fagner, Dedé, Felipe e Diego Souza peças importantíssimas que fizeram a diferença em vários jogos. O Trem Bala da Colina no entanto pagou por pequenos tropeços (o empate por 1 x 1 contra o Palmeiras no segundo turno talvez tenha sido o mais sintomático deles) e chegou à última rodada precisando de uma vitória do Palmeiras pra cima do Corinthians e precisando também vencer o Flamengo. Nem uma coisa nem outra aconteceram, dois empates (por 0 x 0 e 1 x 1, respectivamente) foi o que aconteceu e agora, querendo ou não, os vascaínos têm que escutar os cânticos de vice de novo. Zoações à parte, o Vasco termina o ano com um saldo muito positivo, há muito tempo que a equipe vascaína não disputava de maneira tão direta um título de Campeonato Brasileiro da Série A, essa reconstrução do Vasco, promovida em especial por Roberto Dinamite, desde 2009, vem dando frutos e recoloca o Vasco no grupo de melhores times do país.

Já o penta campeão Corinthians, por outro lado, depois da amarga eliminação na Pré-Libertadores pelo Tolima e da derrota na final do Campeonato Paulista para o Santos, botou todas as suas fichas de 2011 no Campeonato Brasileiro, portanto, diferentemente do Vasco, desde o início já era um dos favoritos ao título, desde o início priorizou a mais importante competição nacional e desde o início fez uma ótima campanha. Nas primeiras dez rodadas tinha 9 vitórias e 1 empate, uma aproveitamento assombroso para qualquer time em qualquer campeonato, ainda mais em se tratando de Campeonato Brasileiro. No entanto, como era de se esperar, inevitavelmente, esse rendimento caiu um pouco e o Corinthians perdeu a liderança durante a competição, no entanto, a exemplo do que já havia feito em 2010, em momento algum o Timão saiu das primeiras colocações, esse ano porém, a equipe comandada por Tite não fraquejou na reta final e principalmente nas vitórias sobre Ceará fora de casa e Atlético-MG dentro de casa (jogo que marcou o único gol do Imperador na competição, mas que teve uma importância enorme), mostrou que esse ano era o ano de mais uma decepção na Libertadores, mas também o ano do penta no Brasileirão. O Corinthians foi campeão por merecimento, a equipe já vinha montada desde a temporada passada, passou por mudanças durante a competição, mas conseguiu se ajustar muito bem a elas, o que mostra a força do elenco, jogadores como Júlio César, Ralf, Paulinho, Alex, Willian e, principalmente, Emerson e Liedson foram fundamentais para o título, o Imperador Adriano mesmo tendo tido uma participação apenas discreta, como disse acima fez um dos gols mais importantes da competição e pode ser muito útil na próxima temporada.

Não poderia deixar de falar também dessa mudança na tabela, ocorrida nessa edição, que colocou os principais clássicos regionais todos para serem disputados na última rodada. Achei uma ótima opção, deu mais emoção ainda para a competição e na minha opinião deveria ser mantida.

No mais é isso, falaremos ainda mais sobre o Campeonato Brasileiro 2011 no próximo QuimeraCast. Agora é época de férias para os boleiros e especulações e mais especulações de transferências, parte um tanto chata, mas que vende muito jornal, fazer o quê? Espero que a temporada de 2012 seja ainda melhor do que essa em relação ao equilíbrio e ao nível técnico do futebol brasileiro, que vem numa crescente. Espero, em especial, um ano melhor para o Flamengo, que mais um vez tem a oportunidade de conquistar o tão sonhado bi na Libertadores e o hepta no Brasileirão.

Rama Ruana é raiz!

Quarta-feira foi dia de reggae no Cine Theatro Central em Juiz de Fora.

A banda local Rama Ruana gravou seu primeiro DVD, o show transgrediu o âmbito musical e dialogou com a cultura indígena (marca característica da banda) e também com a sustentabilidade. O blogueiro aqui esteve presente e este post é pra falar um pouco das minhas impressões desse show.

Antes de mais nada vale ressaltar que depois de “descobrir” Martiataka passei a olhar com olhos sempre mais interessados as bandas daqui de Juiz de Fora, não que antes fosse diferente, mas é que a banda de Del Guiducci e cia. realmente me agradou muito.

Aí então me deparo com Rama Ruana, conhecida banda de reggae daqui, com 12 anos de estrada e que gravaria seu primeiro DVD. Fui bem animado pro show e uma certa demora pra abrir as portas do Cine Theatro Central me deixou um tanto encucado, mas estava tudo programado, é que antes do show de fato, rolou uma pequena apresentação do Projeto Manifesta, em frente ao Cine Theatro Central, vestidos de índios os integrantes do projeto dançaram, cantaram e distribuíram mensagens da cultura indígena pro pessoal.

As portas se abriram e aos poucos o Cine Theatro Central foi enchendo, lá das primeiras filas da plateia vi Rafael Cardoso, Marcelo Magaldi, Bruno Tardio, Diogo Veiga, André Falabella e Marcelo Mattos tocarem várias canções inéditas pra esse primeiro DVD e terceiro disco da banda e algumas antigas e famosas, como “Coração Bondoso” por exemplo. Outro detalhe é a questão da sustentabilidade: o cenário do palco foi montado com jornais e garrafas pet, dando uma ambientação “natural”, bem ao estilo da banda.

“Mineiro da Mata” é uma das canções que mais me chamou atenção, como já disse esse forte resgate da cultura indígena, da mata, da natureza (tão presente na filosofia reggae) também acompanha o Rama Ruana e nessa canção isso é novamente lembrado, também é feita uma relação aparentemente óbvia com a Zona da Mata (região de Minas onde está localizada Juiz de Fora), mas que até então eu nunca tinha ouvido, é uma canção forte que ao mesmo tempo exalta a natureza, Juiz de Fora e Minas Gerais:

“Enquanto tiver a luz e o sol pra guiar também, vou aí, buscar o que me convém. Enquanto o vento for livre pra soprar em qualquer lugar, vou aí, buscar o que é o amar. E há quem diga que nunca se vai encontrar o encantado. Pra sempre, pra sempre eu sou, eu sou, eu sou: mineiro de sangue, raiz, dialeto! Mineiro da Mata! A voz da montanha, a voz da floresta, que canta a liberdade! Guerreiro do amor, o arco e a flecha, guerreiro da mata! Na luta da vida, na luta da paz, querendo a verdade!”

Mas tem bandas que possuem aquela música que todo mundo conhece e que não pode faltar nunca. Rama Ruana é um bom exemplo disso, durante quase todo o show ela foi pedida, e já no fim, Marcelinho dedicou pra família, amigos e fãs (e em especial pra mãe dele), a famigerada “Transição”. Música linda que teve todo o público do Cine Theatro Central cantando junto!

No momento final do show ainda teve uma homenagem ao grande ícone do reggae, Bob Marley. Através de uma votação via facebook, a banda selecionou algumas canções de Bob e fechou o show com elas.

Enfim, mais um belo show e uma bela noite nessa vida juizforana, que, pra variar, terminou com aquela chuvinha caindo, não é atoa que no show teve até música falando do clima dessa cidade.