Arquivo mensal: junho 2011

Inclinação Cinematográfica #03 – O clássico dos clássicos undergrounds

Hoje é dia de mais um post da série Inclinação Cinematográfica, o terceiro. Depois de falar de duas produções nacionais (Lavoura Arcaica e O Cheiro do Ralo) volto a atenção hoje para um dos grandes filmes da história do cinema. Como disse no título considero este o clássico dos clássicos undergrounds.

Falo hoje de Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick.

Confesso que demorei um tanto pra assistir o referido filme, fui fazer isso no fim do ano passado e achei algo realmente muito bom!

Até por ser um clássico e tudo mais, falar do filme talvez já esteja um pouco batido, mas seguindo a minha tradição de posts cinematográficos vou procurar não me prender muito ao enredo, vou buscar alguns aspectos marginais da obra e falar um pouco do Kubrick. Mas fica o aviso desde já, o post é pra quem já viu o filme, quem não viu e quiser ler fique à vontade, mas teremos spoilers.

Stanley Kubrick é um renomado diretor hollywoodiano, dirigiu filmes como Nascido Para Matar, O Iluminado (adapatação da obra de Stephen King), 2001: Uma Odisséia no Espaço e por aí vai. Sinceramente não conheço muito da obra do cara, mas o seu trabalho em Laranja Mecânica foi genial. A curiosidade que sempre aparece e que é de certa forma assustadora é em relação aos gastos com o filme: 2 milhões de dólares!

Só de pensar nisso eu já dou mais méritos ainda pro Kubrick, tem tanto filme de orçamento acima dos 100 milhões, cheio de efeitos especiais e que não conseguem chegar nem perto da qualidade cinematográfica e intelectual do Laranja Mecânica.

A ambientação do filme como um todo (fotografia, cenário, figurinos) é outra marca característica, inovadora e que qualifica ainda mais o filme. Dentro da história original, o filme se passa em uma Inglaterra futurista, mas certos aspectos da ambientação me remetem a uma Inglaterra não tão futurista assim, a impressão que me dá é de uma trama que se passa fora da história, mas que ao mesmo tempo questiona valores de vários momentos dessa mesma história.

Se pensarmos em um esquema para o filme seriam duas partes (antes e depois da prisão de Alex) e a parte final (acidente de Alex e visita do ministro no hospital).

Na primeira parte nos deparamos com o Alex “puro”. Ultraviolência, sexo, drogas (deve ter muita coisa naquele “leite”) e pouca ou quase nenhuma preocupação com mais nada. A cena em que Alex e seu bando invadem a casa de uma mulher e Alex pega um pênis gigante e depois mata a mulher é uma das mais chocantes e foi conduzida de maneira curiosa por Kubrick. Nessa primeira parte também é ressaltado muito o olhar e os trejeitos de Alex, marcas que fizeram dele uma espécie de ídolo pop do underground.

Na segunda parte, Alex é preso e passa por um tratamento horrível para deixar de ser o que é. Tratamento esse que recorre à leitura da bíblia, a psicoterapia, é um verdadeiro controle social. O detalhe é que durante o tratamento Alex é obrigado a assistir cenas de guerra com a trilha sonora de Beethoven. Este talvez tenha sido um dos piores castigos para ele, fã declarado da música de “Ludwig Van”.

Aproveitando essa passagem pela trilha sonora, além da 9ª sinfonia, o som ambiente do filme combinou demais com tudo e a sequência em que Alex mata  a mulher do escritor cantando Singin’ In The Rain também ficou sensacional.

Falando nisso, Alex DeLarge é de longe a personagem principal da história, o anti-heroi, mas a personagem do escritor, Frank Alexander também é emblemática, sua recepção à Alex na parte final do filme é uma das cenas mais interessantes do filme na minha opinião, seu estado físico e sua expressão em relação à Alex, depois de saber que foi ele (Alex) quem matou sua mulher são ímpares, pelo menos em mim essa cena criou uma expectativa muito grande em relação ao desfecho do filme.

Desfecho que pode ser interpretado de diversas formas. Quando o ministro responsável pela recuperação do delinquente Alex vai até o hospital falar com o nosso protagonista fica evidenciado pra mim que a mensagem que o filme tenta transmitir é de um aprisionamento social, onde valores, crenças e éticas estão muito deturpados, o ministro precisa de um Alex comportadinho, comendo sua comida, em silêncio, e Alex, ao mesmo tempo, não tem muito mais o que fazer, após ter vivido tudo o que viveu resigna-se, mesmo assim a mensagem mais marcante de Alex é a do jovem rebelde e transgressor.

Com a certeza de que além de tudo que eu falei podem ser encontrados ainda muitos outros questionamentos psicológicos, políticos e até mesmo filosóficos dentro do filme, encerro o post mais uma vez ressaltando o meu gosto por filmes deste estilo e a importância e influência que Laranja Mecânica, em particular, tem na mente minha e de muitos outros da minha geração.

Em agosto tem mais Inclinação Cinematográfica.

A América dos Peixes

Chegou ao fim ontem mais uma Taça Libertadores da América. A competição de clubes mais importante do continente teve um time brasileiro como campeão pela décima quinta vez e pela terceira vez esse time foi o Santos.

Todas as decisões de Libertadores ficam para a história, mas essa deverá ter uma importância ainda maior. Por vários fatores: foi a reedição da final da Libertadores de 1962, quando o Santos e Pelé conseguiu seu primeiro título nesta competição, foi também o primeiro título brasileiro na Libertadores, o fato do agora Santos de Neymar conseguir novamente o título coloca definitivamente essa atual geração santista na história, é algo muito grande dentro do futebol, falar daquele time de Pelé e cia. é quase sagrado dentro do esporte bretão e ver um time fazer história em cima disso é especial.

Mas não é só na grandiosidade histórica que esse título santista de ontem se repousa, mas também em pequenos detalhes, a caminhada santista rumo a esse título teve vários obstáculos, não foi fácil.

Pra mim tudo se remonta ao início de 2010, foi lá que Dorival Júnior apostou nos novos meninos da Vila e deu autonomia para Neymar, Paulo Henrique Ganso e cia. jogarem seu futebol. O resultado foi imediato, título paulista e da Copa do Brasil em 2010. Nesse período o time contou com a volta de Robinho que logo depois foi embora novamente, mas a espinha dorsal desse time da Libertadores 2011 já se formava ali, com Neymar e Ganso na frente, Arouca no meio e Durval e Edu Dracena formando a dupla de zaga.

No segundo semestre de 2010, a equipe santista já com vaga na Libertadores em virtude do título da Copa do Brasil não se importou muito com o Brasileirão, mas grandes mudanças aconteceram nessa competição. O início de uma série de lesões de Ganso que o perturba até hoje e talvez tenha distanciado um pouco o camisa 10 santista de ser o melhor jogador brasileiro em atividade, a discussão de Neymar e Dorival Júnior, que acabou culminando na demissão deste último, esses episódios causaram certa turbulência na Vila e trouxeram também um quê de insegurança.

2011 começa com a volta de Elano e a contratação de Adilson Batista para o comando técnico. O time santista ia se redesenhando, mas ainda sem Ganso, as contratações de Jonathan, Diogo, Keirrison não surtiram muito efeito e o começo irregular tanto no Campeonato Paulista quanto na Libertadores acabou gerando a saída de Adilson Batista e a preocupação de uma eliminação precoce na competição continental era muito real.

Aí então quem assume o comando técnico é Muricy Ramalho. Apesar das ressalvas que tenho a ele enquanto treinador, seu sistema de jogo fechado, valorizando muito pouco o ataque e tudo mais, com ele o time voltou a ser aquele bom time de 2010, a defesa passou a tomar poucos gols, o menino Danilo assumiu a lateral direita e fez ótimas partidas por ali, no meio outra revelação, Adriano, deu conta do recado a frente da zaga e deu mais liberdade para Arouca e Elano criarem e chegarem mais a frente.

Veio então o bi campeonato paulista em cima do Corinthians e a classificação para as Oitavas da Libertadores. No mata-mata o Santos soube jogar e chegar bem até a final contra o Peñarol. Depois de um empate sem gols no Uruguai, ontem veio uma vitória por 2 x 1 com gols de Neymar e Danilo e a confirmação do título.

Merecido e bem conquistado, o Santos não foi brilhante, mas foi eficaz. Jogou bola, não caiu na catimba uruguaia. Jogar Libertadores é isso, é valorizar a técnica e saber usar a raça da maneira e no momento certo. Ficar dando pontapé e discutindo com o adversário é o atalho pra derrota.

Esses quatro títulos em dois anos, fazem do Santos o melhor time brasileiro na atualidade e fazem de Neymar, o polêmico menino de 19 anos, o principal jogador desse time, talvez Ganso esteja no mesmo nível ou seja até superior ao camisa 11, mas suas lesões atrapalharam muito e por tudo que jogou Neymar merece ser o destaque maior dessa campanha santista.

Neymar merece todos os elogios, é ainda uma promessa, mas uma promessa que a cada campeonato que passa se consolida como um craque, apenas 19 anos e vários títulos e gols no currículo, a Copa América que se aproxima é mais um desafio para o moleque de cabelo moicano que tem tudo para ser um dos principais nomes da história do futebol.

A grande espera agora é para o que acontecerá daqui seis meses, no Mundial de Clubes da FIFA, onde Barcelona e Santos poderão se enfrentar, onde Neymar e Messi poderão ficar frente, esse confronto pode ocorrer também mais cedo, já no mês que vem pela Copa América, ao invés de Barcelona e Santos, Argentina e Brasil. Essa dupla (Neymar e Messi) é hoje o supra-sumo do futebol, são a jovem e madura espera concretizada.

E pra não dizer que ao invés de falar do Santos campeão, falei só de Neymar e Messi, termino o post mais uma vez ressaltando a conquista santista e voltando a falar da história, quando Pelé pisou o gramado do Pacaembu e levou Muricy até o centro do campo, simbolicamente o Santos de Pelé disse ao atual Santos: você também faz parte dessa história, merece estar aqui!

QuimeraTube #36

Esse tal de Zeca Baleiro me entende…

Na Estrada

NÃO É OURO

MAIS É PRATA

As duas primeiras linhas desse texto foram vistas originalmente num pára-choque de caminhão com placa do interior de São Paulo, em uma rodovia das Minas Gerais.

Na estrada muita coisa acontece, talvez boa parte dessas coisas fiquem ocultas devido ao cansaço de uma longa viagem da Zona da Mata de Minas até o Sul deste mesmo estado. O som do Zeca Baleiro faz com que o sono vá embora, canções contemporâneas e inteligentes, que pra alguns fazem do Zeca um poser, compositor difícil ou coisa parecida. Pra essa galera vai um desafio: “quero ver você dizer rala, lara, loura, lisa”.

Mas não é só no som do Zeca que a viagem se desenrola. São longas paradas na estrada devido a obras em pontes e asfaltos, o vento que invade a janela e o vasto verde de pastos e árvores nas margens da estrada. Uma parada pra um pastelzinho de carne com suco de açaí também faz parte.

E em meio a toda essa atmosfera o que não falta são caminhões. Tem de todo tipo e tamanho, carregadíssimos e pesadíssimos, nem tão carregados assim, com um dos eixos arreados e um pouco mais leves. Vem e vão, vem e vão. Cortam as estradas do país a todo o momento, fazem parte da cultura do país – quem nunca ouviu uma pitoresca história de caminhoneiro? – e também atrasam um bocado a viagem de quem só quer voltar pra casa pra passar um final de semana.

E foi num pára-choque de um desses tantos caminhões que a minha mente enxergou as linhas que iniciam esse texto. Com certeza existem outros pára-choques mais bonitos e mais engraçados, mas esse particularmente, sem nenhuma razão em especial, me chamou muita atenção.

Primeiramente pelo crasso erro de português. As confusões com mas e mais me remontam a infância, a um tempo em que caminhão não passava de brinquedo, mas ao mesmo tempo me fazem pensar na escolaridade do motorista do caminhão. Sua mensagem para o mundo (penso que talvez seja essa a significação do pára-choque para o caminhoneiro) toda torta e ele possivelmente nem sequer saiba disso.

Não pense o leitor que quando toco nesse ponto estou sendo preconceituoso com o caminhoneiro, querendo dar uma de intelectual que encontra erros em pára-choque de caminhão, nada mais chato e fundamentalista do que ser alguém assim. Quero apenas mostrar que é nesses pequenos erros, que às vezes passam despercebidos por muitos, é aí que a sociedade vai se construindo e se mostrando, é aí que se instiga um estudante qualquer a escrever um texto qualquer, um pára-choque de pleno acordo com as mais novas mudanças da reforma ortográfica talvez não despertasse tanto a minha atenção.

Pensando mais especificamente no teor da frase, quem sabe uma prova de humildade, mas ao mesmo tempo uma afirmação do seu status, uma prova de carinho para com o seu instrumento de trabalho ou até mesmo uma lembrança das medalhas das Olimpíadas, sabe-se lá o que se passa na cabeça de um cara que viaja o tempo todo e encontra com gente dos mais variados tipos e se depara com as mais variadas situações, suas vivências são constantes e ímpares. Um simples erro de português pode não ser nada mais do que um simples erro de português, proveniente de uma mente fechada e rasa, mas ao mesmo tempo pode ser só uma carcaça para algo mais profundo, um caminhoneiro que dialoga com pessoas de vários lugares e conhece várias coisas novas pode não saber muito de português, mas talvez saiba muito sobre outros campos do conhecimento. Do conhecimento marginal e cotidiano, mundano e somente adquirido com a experiência de um caminhoneiro ou de um pedreiro qualquer.

E em meio a todos esses pensamentos Zeca Baleiro diz que a felicidade não existe, só momentos felizes. O caminhão que não é ouro, mas é prata, tem que ser ultrapassado, quero chegar logo em casa e descansar um pouco. Quando o caminhão se perde na estrada e o que vejo passa a ser uma longa Rodovia Fernão Dias outros pensamentos vão surgindo e as reflexões sobre o pára-choque do caminhão também vão ficando pra trás, na poeira da estrada.

Na viagem de volta pra Juiz de Fora outros caminhões estarão no caminho, quem sabe não serão ouro, não me trarão inspiração nenhuma, mas quem sabe uma prata qualquer perdida no caminho pode ser motivo para novas e desajeitadas linhas.

Pela primeira vez Dallas!

Chegou ao fim ontem a temporada 2010/11 da NBA. A maior liga de basquete do mundo.

E essa temporada ficou marcada pelas novidades. Pela primeira vez o Dallas Mavericks se sagrou campeão, pela primeira vez um jogador não-estadunidense foi o MVP das Finais e o principal jogador do time campeão. Além disso, os Playoffs como um todo mostraram que a liga passa por mudanças e que uma nova era parece estar começando pra valer.

Sobre as Finais em si, mais uma vez errei o meu palpite. Apostei num 4-2 para o Heat e a série terminou com um 4-2 só que para os Mavs.

Em jogos muito brigados e disputados, a equipe da Florida saiu na frente na série, mas viu o Dallas empatar a série, ainda em Miami. Isso não desanimou James e cia. que voltaram a frente em terras texanas, ao vencer o jogo 3 por 88-86.

Mas depois disso o Dallas venceu todas as partidas e virou a série para 4-2.

Mesmo com todo o favoritismo do Big Three de Miami, a equipe de Mark Cuban soube jogar o seu jogo nas Finais e mesmo estando atrás na série por duas vezes, não se deixou bater tão fácil.

As bolas de três, as ativas e de certa forma surpreendentes participações de Jason Terry e J.J. Barea, além do equilíbrio do elenco como um todo e de toda a técnica e raça do MVP das Finais, Dirk Nowitzki, deram ao Dallas o primeiro título de sua história.

O Miami acabou não conseguindo mostra o seu melhor basquete nessa série e pagou caro por isso. LeBron James não foi o mesmo James de sempre e o resto do elenco parece ter acompanhado o camisa 6.

Méritos pro Dallas, que mesmo não tendo feito uma das melhores temporadas regulares, conseguiu se sobressair nos Playoffs, eliminar Portland, Lakers e Oklahoma City e finalmente bater o Heat nas Finais.

É muito interessante ver jogadores como Jason Kidd, Shawn Marion e o próprio Jason Terry conquistando um título, coisa que nunca haviam conquistado em suas carreiras, mas que por vezes mereciam, o Kidd dos Nets, o Marion dos Suns e o Terry dos Hawks. Uma época da NBA que vai passando. Como já falei no último post que comentei sobre a liga. Nomes como Shaquille O’Neal (agora já aposentado), Duncan e Bryant merecem todo o respeito, mas vão ficando pra trás. A nova geração de Rose, James, Wade, Durant, Westbrook, Horford e por aí vai, parece ter chegado de vez.

Talvez sendo uma espécie de resistência dessa geração que passa, o Dallas conquista seu primeiro título e permanece como um dos grandes times para a próxima temporada. Literalmente o time a ser batido.

Falo mais de NBA em outubro, quando essa próxima temporada estiver pra começar.

O triunfo do Trem Bala da Colina

Falo hoje da final da Copa do Brasil de 2011.

Depois de oito anos, o Vasco da Gama finalmente conseguiu voltar a conquistar um título (vamos combinar que por mais importante que tenha sido para o renascimento do Vasco, série B não é título).

E aproveitando o assunto série B, já entro diretamente na final da Copa do Brasil. Os finalistas, Vasco e Coritiba, são os últimos vencedores da série B, o Vasco em 2009 e o Coritiba em 2010. Isso mostra que ultimamente o futebol brasileiro vai se tornando cada vez mais equilibrado. Times que caem para a série B e sabem se organizar, fazer um planejamento e voltar para a elite do futebol (o caso de Vasco e Coritiba) voltam mais fortes. Não quero dizer com isso que a queda para a série B seja uma solução, como pensam muitos. O caso mais comum que aconteceu com tantos outros times é uma queda para série B e a permanância por lá, ou então até mesmo a queda para a série C.

Mas o assunto hoje é Copa do Brasil. Com méritos Vasco e Coritiba chegaram até a final. O Coritiba tendo seu ponto alto na goleada por 6 x0 sobre o Palmeiras nas semi-finais. A equipe paranaense não tem nenhum craque, nenhum nome de peso, mas um elenco bem compacto e que pode brigar no Brasileirão. Já o Vasco foi chegando de mansinho, fazendo bons resultados fora de casa e surpreendendo a muitos.

No primeiro jogo da final, o magro 1 x 0, gol de Alecsandro acabou fazendo a diferença.

Porque no jogo de volta, ontem, no Couto Pereira, o 3 x 2 para o Coritiba deu o título ao Vasco. Mas o jogo de ontem merece destaque. Se o nível técnico não foi dos melhores, quando o assunto foram as emoções, não faltaram. O gol do Vasco logo no início poderia fazer com que muitos pensassem que o jogo já tinha dono, mas o Coritiba reagiu e virou o jogo ainda no primeiro tempo. Faltava um gol. Na volta para o segundo tempo o jogo continuou brigado e num frango do goleiro Edson Bastos, Eder Luis fez o segundo gol cruzmaltino, dando tranquilidade para os cariocas novamente.

Tranquilidade essa que foi retirada num chutaço do volante Willian. 3 x 2 Coritiba com 22 minutos do segundo tempo. Mais um gol e o título ficaria no Paraná. O jogo continuou com muita emoção, com o Coritiba pressionando a todo instante, porém a defesa vascaína se segurou como deu e garantiu a primeira Copa do Brasil da história do Vasco.

Desde o Carioca de 2003 que o clube de Alecsandro, Felipe, Diego Souza, Dedé, Eder Luis e cia. não ganhava um título sequer. Volto a dizer isso porque nesses oito anos as zoações pra cima dos vascaínos não foram poucas, falo isso com autoridade pois sou flamenguista. A síndrome de vice perseguia o Vasco e parecia não querer ir embora nunca. Enfim foi com o título de ontem. Com mérito e determinação o Vasco sai da fila e garante vaga na Libertadores 2012. Com a volta de Juninho Pernambucano e a permanência desse elenco campeão, as expectativas são boas.

Mas, como bom flamenguista que sou, não posso deixar de dar aquela zoadinha de leve, escutei hoje de um vascaíno que o seu clube vinha sofrendo bullying pelos vices e mais vices, continuo o bullying dizendo que se Petkovic jogasse com a camisa do Coritiba ontem a história poderia ter sido diferente. E que se continuar no ritmo que está, o próximo título do Vasco virá em 2019.

Zoações a parte, o título é do Vasco. A primeira Copa do Brasil do Trem Bala da Colina.

Le Rouge et Le Noir #06

O sexto post da série Le Rouge et Le Noir falará um pouquinho desse começo de Brasileirão 2011 e muito sobre a despedida de Dejan Petkovic, o Pet.

O último jogo oficial de Pet foi ontem contra o Corinthians, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Depois de vencer bem o Avaí na estreia e de um empate em 3 x 3 contra o Bahia na segunda rodada, o Flamengo encarou o Corinthians no Engenhão, sem Thiago Neves, que está com a Seleção para outra despedida, a de Ronaldo, mas com Pet de titular.

Sobre o jogo em si nem vou falar muita coisa. Empate em 1 x 1 com gols de Willian pelo Corinthians e Renato pelo Flamengo. A atuação de Pet não foi das melhores, mas levando-se em consideração a falta de ritmo de jogo e a aposentadoria iminente também não foi das piores, Pet se movimentou, deu bons passes e como sempre se importou com o time e não apenas com ele.

Durante a semana que se passou muito foi discutido a questão de se fazer toda essa festa de despedida para o Pet num jogo que valia 3 pontos, e que pode ter consequências lá na frente e muitos foram contrários a essa escolha de Luxemburgo e de todos de escalar o sérvio na partida de ontem. Isso realmente tem coerência, não é preciso ir longe para lembrar da festa feita para Joel Santana no jogo contra o América-MEX pelas Oitavas da Libertadores de 2008, o resultado todo mundo sabe qual foi. Porém, quando se fala de Pet, acredito que a despedida dele num jogo valendo pontos é algo mais positivo do que negativo. O sérvio não comprometeu em momento algum do jogo. Enfim, pra mim foi uma bola dentro essa despedida do Pet num jogo tão importante.

Mas como já adiantei, sobre o jogo não vou falar muita coisa, quero mesmo é falar do Pet.

Pode ser pretensão ou então deslumbramento totalmente parcial de um fã, mas acredito que Dejan Petkovic marcou um importante capítulo da história do Flamengo, após essa sua aposentadoria ontem, penso em Pet não só futebolisticamente, mas também historicamente.

O milagroso e épico gol na final do Carioca de 2001 contra o Vasco, o título da Copa dos Campeões do mesmo ano e a redentora volta em 2009 que culminou no hexacampeonato brasileiro, são feitos da carreira de Pet com a camisa do Flamengo que pude acompanhar de perto (essa volta em 2009 mais perto ainda), e o pensamento de num longínquo dia, num longínquo futuro poder dizer para netos ou outras crianças de duas ou três gerações a frente da minha que VI Pet jogar é algo interessantíssimo.

Porque sim, vejo Pet como um dos grandes jogadores da história do Flamengo, seus números comprovam isso, mas não só pelos exatos números, a raça, a força de vontade do sérvio são gritantes, outro ponto que merece destaque é o seu espírito de equipe, por mais que em vários momentos Pet tenha sido o principal jogador do time, ele parece querer esconder isso e deixar os holofotes para outros jogadores. Isso porque nem falei da técnica do sérvio, “o rei do gol olímpico, o goleiro nem se mexe”, o exímio cobrador de faltas, o jogador cerebral, legítimo camisa 10 (ou 43, que seja).

Dito isto sobre o Pet, falo um pouco também desse começo de Brasileirão. A estreia contra o Avaí foi um dos melhores jogos do Flamengo no ano, belos gols, boas jogadas e tudo mais. No segundo jogo contra o Bahia a grande atuação de Egídio, com direito a gol, foi uma boa surpresa, mas também rolou uma surpresa nada boa, depois de várias mudanças de placar durante o jogo, o 3 x 2 no placar, com um a mais em campo parecia ser o resultado do jogo, mas um gol de Jobson nos últimos minutos do jogo deu ao Flamengo seu primeiro empate no campeonato, com gosto de derrota. Ontem, como já disse mais um empate, dessa vez em casa.

Nono colocado. São 5 pontos em 3 jogos e o melhor ataque da competição com 8 gols. Não é o pior dos começos, porém esses dois empates, principalmente o empate contra o Bahia, já são pontos a serem pensados. Todo mundo sabe que Brasileirão por pontos corridos é aquela coisa complicada, que requer regularidade e frieza na hora de pontuar. Dois empates aparentemente comuns nesse começo podem significar algumas posições a menos na tabela. E como todo mundo também sabe que o Flamengo entrou no campeonato pra não ficar com nenhuma posição a menos que ninguém, é bom parar de tropeçar assim o quanto antes.

Esse aviso contudo não quer apenas criticar, é até comum resultados assim no começo do campeonato, o que muita gente esquece é que já estamos em junho e até agora em 2011 o Flamengo só perdeu um jogo. Quer dizer, o time vem a cada dia crescendo e se encorpando mais, reforços pontuais estão chegando e o título carioca já chegou. Só não pode é perder essa pegada, só não pode é voltar a ser o Flamengo de 2010.

No mais, VALEU PET!

QuimeraTube #35

Começando o mês de junho com mais um QuimeraTube.

Amanhã tem show deles em Rio Pomba, estarei lá!