Arquivo mensal: maio 2011

Adiós Manchester! (2)

O post de hoje já é uma tradição do Un Quimera. Um comentário sobre a final da Liga dos Campeões da Europa, a maior competição de futebol de clubes do mundo. O engraçado é que essas tradição começou logo no ano em que surgiu o blog, 2009, e nesse ano o vencedor da competição foi o Barcelona, em cima do Manchester United. A história se repetiu nessa temporada, por isso o título do post também se repete.

Não é por não ter gostado da qualidade técnica do jogo ou do resultado do mesmo, pelo contrário, mas é que sinceramente nem tenho muito o que falar. O toque de bola do Barça fala por todas as palavras.

Muitos ainda podem torcer o nariz, mas eu digo em alto e bom som: o Barça é sim o melhor time do mundo, diria até com sobras, e essa base que foi estruturada mais ou menos em 2009 e segue firme e forte tem tudo para se tornar (se já não é) uma lendária equipe de futebol. Digo lendária no sentido de garotos lá em 2050 estarem comentando e ouvindo histórias dos mais velhos sobre a segurança de Valdés, a solidez de Dani Alves, Piqué, Puyol, Mascherano e Busquets, a superação de Abidal, a inteligência e visão de jogo de Xavi e Iniesta, a rapidez de Pedro Rodríguez, a precisão de Villa e a genialidade de Messi. O time todo, enfim!

Falando mais especificamente sobre o jogo: um começo em que os comandados de Alex Fergunson até tentaram algo, apertaram a marcação e nos 10 minutos iniciais estavam melhores, mas depois disso em momento algum os ingleses tiveram qualquer tipo de superioridade dentro de campo. O Barça começou a impor seu futebol e não demorou para que Pedro Rodríguez abrisse o placar, após receber ótimo passe de Xavi.

Logo depois do gol do Barça, o Manchester ainda conseguiu o empate, com seu melhor jogador, Wayne Rooney, após tabelar com o “imortal” Ryan Giggs, que estava impedido no lance.

Na volta para o segundo tempo o Barça continuou a impor seu jogo, sem se abalar pelo resultado. E num chute do melhor jogador do mundo, Lionel Messi, voltou a frente. Pouco depois David Villa fez um belo gol, colocando a bola no ângulo de Van Der Sar.

Placar final de 3 x 1. Muita festa para dos tetracampeões (92, 06, 09 e 11) e desolação do lado dos Red Devils.

Nem preciso dizer que o resultado foi mais do que justo e que o Barça vai confirmando a cada competição sua enorme superioridade. O time é muito coeso e compacto, joga um futebol diferente da maioria das equipes, pautado no toque de bola, na posse de bola.

Agora é esperar a próxima edição da Liga dos Campeões para ver como serão as coisas. Uma coisa é certa: o Barcelona é o adversário a ser batido e quem conseguir tal coisa (se conseguir) terá muitos méritos.

Inclinação Literária #03 – A Mitologia Revisitada

O terceiro post da série Inclinação Literária sai um pouco daquela linha “marginal-americana” que vinha seguindo (os dois primeiros posts haviam sido de On The Road, de Jack Kerouac e Pergunte ao Pó, de John Fante.) e passa para uma literatura mais filosófica, um autor de origem argelina e radicado na França.

Vou falar hoje de O Mito de Sísifo, de Albert Camus.

Ultimamente as leituras acadêmicas vem me tomando muito tempo, não só as obrigatórias, mas também outras que por consequência imediata da qualidade que encontro nas obrigatórias eu acabo me interessando, o Mito de Sísifo é um bom exemplo disso. Boa ou má, essa “invasão acadêmica” dentro das “leituras de lazer” me levou até este livro de Camus.

Ainda não estudei a fundo este escritor/filósofo, mas conheço o contexto histórico em que ele se insere. É bem ali onde o Existencialismo se mostrava mais vivo e atuante. O principal nome do citado movimento é com certeza Jean Paul Sartre, podemos citar também sua mulher, Simone de Beauvoir e se quisermos voltar um pouquinho Maurice Merleau-Ponty, todos franceses.

Albert Camus de certa forma segue essa linha, e embora ele mesmo não se considerasse um filósofo existencialista, há muito dessa escola em sua obra, Camus se considerava absurdista.

E é no Mito de Sísifo (publicado em 1942, quando Camus tinha apenas 29 anos) que será teorizada pela primeira vez essa noção de absurdismo. Nesta obra Camus questiona a guerra que estava vivendo, mas não se retém a este tema, na verdade faz releituras de importantes escritores e filósofos, que deram os primeiros passos para o que viria a ser esse movimento existencialista do século XX, e também, na parte final da obra, volta ao mito que dá título ao livro.

Antes de entrar de vez na obra, valem algumas curiosidades em relação ao autor, pra quem não o conhece muito bem. Camus era apaixonado por futebol – em uma visita que fez ao Brasil em 1949, o primeiro pedido de Camus em solo brasileiro foi o de ir assistir um jogo de futebol – embora essa curiosidade possa parecer sem nenhuma relevância, particularmente gosto de exaltar os filósofos e pensadores que vêem o futebol como algo sadio e interessante e não como algo alienante e retrógrado.

Outra curiosidade é em relação a morte de Camus. Foi em um acidente de carro, em Vileblevin, França, em 1960, quando Camus tinha apenas 46 anos. Esta fatalidade pode ter nos privado de poder ler grandes obras literárias e filosóficas, inclusive no local do acidente foi encontrado, na maleta de Camus, manuscritos de um romance autobiográfico, intitulado O Primeiro Homem.

Colocadas as curiosidades em relação ao autor e já introduzido o contexto histórico/filosófico em que a obra se insere, vamos passar para o obra em si agora.

O Mito de Sísifo é uma obra que busca encontrar novos valores, repensando os antigos e contemporâneos, é, antes de tudo, uma tentativa de mudança. A experiência de Camus com coisas reais, com os homens reais de sua época o fez pensar nessa condição literalmente absurda em que se vivia.

Como sempre friso, não é pretensão de nenhum post da série Inclinação Literária destrinchar e analisar a fundo a obra de ninguém, isso vale para qualquer tipo de literatura, quando se encontra num ambiente literário/filosófico então, essa missão passa a ser ainda mais árdua, e definitivamente não é pretensão do post, seriam necessárias muitas horas de estudo em cima da obra em questão para uma análise profunda dela, por isso, pretendo apenas passar por alguns conceitos, para apresentar a obra ao leitor do blog e focar um pouco mais no capítulo final, que fala diretamente do mito citado no título da obra.

Camus, na primeira parte da obra: O Raciocínio Absurdo, começa a fundamentar essa sua teoria da absurdidade, questiona o suícido como saída para alguém que não encontra sentido nenhum na vida e já volta a filósofos antigos e contemporâneos, isso acaba sendo uma tônica de toda a obra, mesmo propondo algo novo, Camus não esquece de contribuições que dialogam com sua ideia, por isso cita e relê Kierkegaard, Kafka, Proust, entre outros.

Na segunda parte da obra: O Homem Absurdo, em três partes, a saber o Donjuanismo, a Comédia e a Conquista, Camus traça o perfil do que seria o homem absurdo, todas suas angústias e vicissitudes, se ainda não havia sido percebido, agora fica evidente o forte contato entre Filosofia e Arte que Camus propõe.

Na terceira parte: A Criação Absurda, esse contato é ainda mais exaltado e exemplos da obra de Dostoiévski são citados a quase todo momento, Camus encontra na arte, na literatura, representações que de certa forma se adequam, ou pelo menos remetem, à noção de absurdidade.

Finalmente chega-se no capítulo final do livro, homônimo da obra em si. Antes de mais nada, vale ressaltar o jogo de palavras aí embutido, o original francês Le Mythe de Sisyphe, soa praticamente igual a outra frase em francês: Le Mythe Décisif, que traduzido seria “O Mito Decisivo”. Quer dizer, Camus vai buscar lá na Mitologia Grega, a decisão, o fecho final de sua obra e sua teoria.

Pra quem não conhece o mito em questão, vale uma rápida explicação: Sísifo era considerado o mais astuto de todos os humanos, senhor dos truques e da esperteza, um legítimo malandro, no melhor sentido da palavra, devido a mentiras e truques ele foi condenado a morte por Zeus, mas conseguiu enganar Tânatos, o deus da morte, duas vezes, a ira de Zeus para Sísifo ficou maior ainda e quando o bom malandro morreu de velhice, Zeus enviou Hermes para levá-lo até o inferno. Lá, Sísifo recebeu um castigo que é o centro de seu mito: foi obrigado a carregar uma pedra até o cume de uma montanha e toda vez que estava quase lá, a pedra caia e Sísifo tinha de refazer o trabalho ad infinitum.

Aí você pode se perguntar: o que esse mito tem a ver com uma literatura do século XX? Camus é quem responde nesse último capítulo. Essa ambientação absurda e melancólica se adequa perfeitamente ao homem absurdo camusiano, o autor considera Sísifo o “heroi absurdo”, exalta sua condição e busca compreender e enxergar de maneira diferente este mito, vale a citação:

“Se esse mito é trágico, é que seu herói é consciente. Onde estaria, de fato, a sua pena, se a cada passo o sustentasse a esperança de ser bem-sucedido? O operário de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas e esse destino não é menos absurdo. Mas ele só é trágico nos raros momentos em que se torna consciente. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda a extensão de sua condição miserável: é nela que ele pensa enquanto desce. A lucidez que devia produzir o seu tormento consome, com a mesma força, sua vitória. Não existe destino que não se supere pelo desprezo.”

A longa citação, além de já mostrar ao leitor como o Mito de Sísifo aqui é totalmente repensado, também já mostra como Camus pensa no atual e no passado, na Filosofia e na Literatura.

Depois desse capítulo final ainda existe um anexo: A Esperança e o Absurdo na obra de Franz Kafka. Confirmando o contato literário/filosófico, característica marcante da obra.

É isso, como já frisei, não pretendia aqui chafurdar todo o pensamento camusiano, mas apenas apresentá-lo com certo entusiasmo e recomendar a leitura, que, no meu caso, foi feita em apenas três dias. Em julho tem mais Inclinação Literária.

The Finals 2011

E enfim é chegada a hora de mais uma edição das tão aguardadas finais da NBA.

Durante os Playoffs falei um pouco sobre os confrontos, esbocei alguns palpites, dei meus pitacos. Hoje falarei um pouco de como foram as finas das conferências e tentarei uma projeção dessas finais, que reeditarão as finais de 2006.

Dallas Mavericks e Miami Heat chegam a grande decisão com muitos méritos. Essa temporada da NBA já pode ser considerada, com certeza, emblemática. Diria que foi o fim de um ciclo que durou 12 anos, desde a aposentadoria de Michael Jordan até a atual temporada a liga era dominada por Lakers e Spurs, sim, rolaram outros campeões que não eles, mas numa síntese geral tudo girou em torno de Tim Duncan, Kobe Bryant, Shaquille O’Neal e Phil Jackson.

Pra muitos esse ciclo pode ainda não ter sido quebrado, mas o fato de nenhum desses quatro nomes citados estarem presentes nessas finais já mostra um pouco das mudanças ocorridas na liga. Outro ponto que corrobora para essa tese do fim do ciclo é o grande número de times com jovens jogadores chegando nas fases finais, embora o finalista Dallas Mavericks não seja um bom exemplo disso, peguemos o Oklahoma City, o Chicago Bulls, o Atlanta Hawks e o próprio Memphis Grizzlies, todos times de baixa média de idade, que já chegaram longe e têm tudo para serem os grandes protagonistas de temporadas vindouras.

Mas o post de hoje não é sobre o que vira a partir da temporada 2011/12, mas sim sobre o que virá nessas finais de 2011.

O Dallas Mavericks em nenhum momento foi um dos grandes favoritos ao título do Oeste, Lakers e Spurs, e até mesmo o Oklahoma City eram quem ocupavam os postos de favoritos. Os dois grandes cairam ainda cedo – os Spurs para os surpreendentes Grizzlies e os Lakers para o Dallas Mavericks, num impactante 4-0, a série além de tudo marcou a aposentadoria do treinador multicampeão Phil Jackson – e o Oklahoma City de Durant e Westbrook caiu para o Dallas na grande final do Oeste.

Os méritos do Dallas de chegar até as finais são incontestáveis. A equipe do Texas é muito equilibrada (digo isso no sentido titulares/banco) e possui jogadores com muita experiência e técnica. Não é qualquer um que conta com jogadores do calibre de Jason Kidd, Shawn Marion, Jason Terry e Peja Stojakovic em seu time. Além desses nomes, uma grata surpresa para os Mavs nos Playoffs foi a subida de rendimento do pequenino J.J. Barea que vem fazendo bons jogos, dando qualidade para a equipe nos minutos de descanso de Jason Kidd. Mas o grande nome do Dallas é mesmo Dirk Nowitzki. O alemão já não é nenhum novato, mas joga com fôlego de um. Com atuações memoráveis nesses Playoffs é candidato forte ao posto de MVP das Finais, e é nele que as maiores esperanças do Dallas estão depositadas.

Olhando para o outro lado temos o Miami Heat. Este, ao contrário do Dallas, sempre foi tido como um dos grandes favoritos ao título da Conferência Leste. Depois de passar por várias críticas durante a temporada regular e não ter conseguido a primeira colocação da Conferência Leste, chegou aos Playoffs com muita seriedade e humildade, depois de eliminar os Sixers no primeiro round enfrentaram os dois adversários mais fortes possíveis, os experientes e tarimbados Celtics e o líder da temporada regular e time do MVP da temporada, Chicago Bulls.

Vencendo ambas as séries por 4-1 o Miami mostrou que todas as expectativas depositadas em cima dele podem ser sim correspondidas. O trio James-Wade-Bosh comandou a equipe nessas vitórias, com destaque maior para o primeiro que a cada temporada que passa se mostra um jogador ímpar, que impressiona a todos, faz jogadas bonitas e envolventes e sempre chega a decisões, foi assim nos Cavs e está sendo assim também em Miami. Além do “mainstream” outros jogadores como o ótimo Mike Miller, que ressurgiu nesses Playoffs, também ajudam o Heat na busca de mais um título.

As finais se iniciam na terça e depois de falar um pouco de cada time vou dar o meu palpite. Prever equilíbrio num duelo desses é redundante, como já disse ambos os times mereceram chegar a essas finais e o título estará em boas mãos de qualquer maneira. Aposto em algo que seria de certa forma engraçado. Não da mesma maneira como em 2006, mas acredito que o resultado final será 4-2 para o Heat.

Escrevo mais sobre NBA aqui no Un Quimera quando essas finais forem decididas.

Os Web Hits

A cada dia que passa os chamados “web hits” vão se consolidando como uma das maneiras de comunicação cultural, possibilidade de sucesso (mesmo que efêmero) e característica marcante da sociedade contemporânea, da geração apartamento, da geração internet.

Forçando um pouco a memória, vou lembrar de Jeremias José, o bêbado entrevistado pelo programa Sem Meias Palavras, preso e alcoolizado, Jeremias deu uma entrevista que gerou muitos risos meus e de muitas outras pessoas também. Esse vídeo talvez tenha sido um dos pioneiros dessa onda de web hits que veio surgindo no Brasil e no Mundo.

São inúmeros exemplos de outros web hits que foram surgindo de 2006 pra cá, nessa linha “bêbada” podemos colocar o bêbado da nave espacial, Caninha e suas “freegelis” de melão, o inesquecível truco valendo o toba e por aí vai…

Mas não é só de bêbados que se compõem os web hits, geralmente engraçados (depende do conceito de engraçado de cada um), também existem os musicais, que serão o foco principal deste post, falando só de hits mais recentes, podemos citar Rebbeca Black, a Larica dos Mulekes, a avassaladora hecatombe do SOU FODA e muitos outros.

O web hit do momento que, aliás, me motivou a escrever este post é A Banda Mais Bonita da Cidade, uma mistura de hippies com Beirut, que particularmente me agrada muito, mas que assim como todos os web hits recebe críticas tanto positivas quanto negativas, mas vou deixar pra falar mais dessa banda depois.

O que quero dizer agora é de como esses web hits, num sentido bem amplo, são o reflexo da cultura, das vivências e das “cotidianidades” da sociedade contemporânea, essa constatação, boa ou má, trata de algo que merece ser discutido e problematizado e engloba a esfera de como se dá o sucesso nos dias de hoje e de como a cultura dos dias de hoje se apresenta a nós. Seja em relação aos meios (no caso a internet), seja em relação aos conteúdos.

Acredito que em relação a internet é uma confirmação de como este meio na última década definitivamente se consolidou como um meio de comunicação de massa, atingiu grande parte da população, é algo totalmente popular hoje em dia. Isso de certa forma reflete o conteúdo dos vídeos postados, praticamente todos os chamados web hits (não patrocinados) são de pessoas anônimas, que em outros tempos jamais teriam nenhum tipo de sucesso midiático.

Falando agora do conteúdo, o que o senso comum prega é que, em geral, o conteúdo é de qualidade extremamente questionável, afirmação com a qual concordo, porém dizer que o conteúdo não é dos melhores não altera muito isso, justamente por essa questão dos vídeos serem feitos e postados por pessoas “de carne e osso” e não por nenhum pop star é que a qualidade do conteúdo dos vídeos acaba sendo também reflexo do dia-a-dia dessas pessoas.

Quando digo isso quero sim afirmar que a qualidade desses web hits é reflexo da qualidade de pensamentos e ideias nossas – do blogueiro, do estudante, do trabalhador, do cidadão geração internet como um todo – não quero dizer que todos temos que elevar nossa qualidade cultural e transformar a internet num meio de difusão cultural de altíssimo nível. Não é por aí. Web hits de qualidade questionável sempre existirão, como já disse, web hits são quase sempre engraçados e rir deles é uma atividade que eu pratico. Mas ficar SÓ nessa mediocridade não dá!

Por tudo isso é que falei que foi A Banda Mais Bonita da Cidade que me motivou a escrever esse post, atando as pontas e falando agora mais especificamente dessa banda, vejo nela uma possibilidade de um web hit se transformar em algo mais sólido culturalmente e realmente influenciar com uma maior qualidade o pensamento de espectadores de web hits (ou seja, quase todo mundo).

O som de Oração (do vídeo que já conta com mais de 2 milhões de visulizações) é singelo e cristalino, a fotografia e estruturação do clip como um todo são elogiáveis, e os outros vídeos da banda seguem a mesma linha. A possibilidade de elevação desse web hit a algo maior é uma possibilidade que se abre a qualquer web hit, basta que o web hit em si ofereça qualidade para essa possibilidade se concretizar.

As minhas otimistas expectativas em relação A Banda Mais Bonita da Cidade podem ser desfeitas com o tempo, as minhas atribuições de qualidade podem ser errôneas ou equivocadas, mas o mais importante desse post é ressaltar o papel cada vez mais forte dos web hits dentro da cultura contemporânea e tentar questionar sobre como esses web hits podem ser algo além, ou ao menos diferente, do que um sinônimo de mediocridade, zombaria e/ou retrocesso.

QuimeraTube #34

Quer um som contemporâneo e questionador, sagaz e crítico?

Tá aí o Leandro Roque de Oliveira, vulgo Emicida:

Além da trave e do gol

– Bate, moleque! Bate!

Quando se está na frente do gol, com o zagueiro mordendo sua canela, a bola quicando com insegurança, a grama alta subindo sob seus pés e o goleiro olhando pra bola, o que se escuta é essa frase, as opções que se tem são poucas: ou você perde o momento exato de bater pro gol e escuta outras frases, não tão motivadoras quanto essa, ou você mete o gol e sai de cabeça erguida – seja em silêncio ou comemorando – com serenidade, com o dever cumprido.

Dá pra imaginar essa cena em vários ambientes. Seja nos pomposos gramados do milionário futebol europeu, nos por vezes entediantes gramados do estranho futebol brasileiro ou ainda num campinho qualquer, num bairro qualquer, sem nenhum profissional em campo e sem nenhum empresário fora dele. É só uma simples pelada de fim de semana, com os amigos, quem sabe um alívio da correria do dia-a-dia, quem sabe um mero passatempo.

Só que dentro das quatro linhas, tudo muda, tudo se transforma. Tem gente que diz que é só um jogo, tem gente que odeia, que ridiculariza. Enfim, tem gosto pra tudo, mas as coisas ali dentro, aquela bola velha, aquela grama mal cuidada, aquela rede de gol já arrebentada, tudo tem uma significação, tudo adquire valor e vida, não importa se o moleque que vai meter o gol é um senhor casado e com filhos, ou um adolescente que precisaria estar estudando para a prova de amanhã, o moleque é muito mais do que um moleque.

– Bate, moleque! Bate!

Ao mesmo tempo em que se é só mais um dentro da sociedade, pode-se ser o cara ali dentro. Isso não vale nada, depois da pelada só o que vai ficar vão ser os goles de cerveja no copo e de suor no corpo. Só o que vai ficar vão ser as lembranças daquele gol, daquele drible, daquela furada.

Como ser o herói dentro de campo, fazer o gol da vitória e tudo mais e ao mesmo tempo ser um canalha dentro de casa, esquecer-se da mulher e dos filhos e se embebedar no boteco mais próximo? Como ser o zagueiro perdido dentro de campo, que não ganha uma dividida e ao mesmo tempo ajudar sua vó com os problemas médicos, cuidar das pequenas coisas dela: os artesanatos, as receitas, o terço?

Tudo isso pode acontecer sem fantasia nenhuma, podemos deparar com situações assim em qualquer cidade deste país. Qual a identidade desses milhões de “jogadores” dessa “pátria de chuteiras”?

– Bate, moleque! Bate!

A identidade de qualquer um pode ser multifacetada. Mocinho e bandido? Conversa pra boi dormir. Isso não existe! Dentro do cotidiano das pessoas as múltiplas experiências vão engrandecendo todo mundo, tanto experiências boas quanto más podem ser válidas, eticamente condenáveis talvez, sim, porém válidas.

Seres plurais. Que conseguem se entregar de corpo e alma à batalha física chamada futebol e que com o mesmo corpo e alma também se entregam a experiências intelectuais.

Até quando se é mais um desses “moleques” dentro de campo pode-se aprender e alimentar suas experiências, sua subjetividade, sua hermenêutica.

Complicação do papo, saindo do território do futebol e indo para uma territoriedade acadêmica? Não, não é isso. É apenas uma simples tentativa de união entre coisas para muitos inconciliáveis.

Chega da bitolação, da especialização, do preconceito. Vamos ampliar nossos próprios horizontes, vamos encarar o goleiro de frente, deixar o zagueiro na saudade e meter o gol!

Coruja de Minerva #02

Antes de mais anda já antecipo que este possivelmente será o post mais longo da história do Un Quimera, então é bom o leitor já ir se preparando.

O segundo post da filosófica série Coruja de Minerva, será um artigo escrito por mim em dezembro de 2010, relacionando duas coisas que fazem parte da minha vida: a Filosofia e o programa de TV Larica Total. Posso dizer que sou fã de ambos.

A Filosofia por si só e também por ser o curso superior que estou fazendo e o Larica Total por ser um programa de TV totalmente avesso à toda essa mediocridade televisiva existente hoje em dia, além de tudo a figura de Paulo de Oliveira (brilhantemente interpretado por Paulo Tiefenthaler) é ímpar, um de seus bordões, o XABLAU, acabou virando meu apelido aqui em Juiz de Fora.

Toda essa importância dessas duas coisas dentro da minha vida, me fez pensar em tentar, de alguma maneira, concilia-las, a tentativa se deu em forma de artigo, que se seguirá nas próximas linhas.

Antes de começar vale deixar aqui uma ressalva: estou no 3º período da faculdade, escrevi este artigo quando estava terminando o 2º período, com certeza (tenho consciência disso), este artigo deve estar repleto de elementos não aconselháveis para artigos científicos, alguém mais experiente e graduado possivelmente encontraria inúmeros defeitos aí, mas é por isso mesmo que escrevi e agora publico este artigo, é a partir das críticas e dos erros que se fazem bons artigos, e antes de mais nada é preciso começar, esse talvez tenha sido um começo.

O Estoicismo na TV brasileira do século XXI

Televisão e Filosofia, no cotidiano da população brasileira dos dias atuais, e em suas próprias origens, são duas coisas vistas com completa desarmonia, desencontro.

O presente texto tem o objetivo de buscar aspectos filosóficos dentro do programa de TV, do Canal Brasil, Larica Total e expor a tese de que a Filosofia, algo por origem questionador e de influência dentro da sociedade, para que volte a ter alguma influência dentro desta, precisa se “dessacralizar”, sem cair em banalizações ou relativismos, ter contato com meios mais próximos da grande maioria da população (no caso a TV e também a internet) para só então ser compreendida e captada e então ter influência e, de uma maneira ou de outra, modificar a sociedade. Embora esse mecanismo possa esbarrar em interesses particulares, principalmente no que diz respeito à mídia, a tentativa de algo novo é necessária.

A televisão brasileira de hoje em dia, em especial os canais abertos, não oferecem conteúdo de qualidade para os espectadores. Não entrando na questão se isso é culpa dos produtores em si, que se preocupam com os interesses dos anunciantes ou dos espectadores que aceitam e até pedem mais violência gratuita, sensacionalismo e coisas parecidas, a questão é que programas que incitem uma maior efervescência cultural parecem não estar em nenhuma pauta.

Porém, a TV, já a algum tempo, é um instrumento muito importante dentro da mídia brasileira. Sua influência sobre a opinião pública é enorme e por isso é mister que a TV ofereça algo mais à população.

É difícil localizar dentro de todos os canais oferecidos, algum bloco de programas mais preocupados com isso, existem esparsas produções em determinados canais e é justamente sobre uma delas que abordarei aqui.

Falo do Larica Total. “Uma sátira aos programas de culinária convencionais e a todas as ideias anteriores de se fazer um programa de televisão sobre isso.”

Partindo da sátira e da ironia, desde o nome até ao programa em si, o Larica Total dialoga de uma maneira clara e real com o público, frente a frente.

O programa é comandado por Paulo Tiefenthaler: ator, jornalista, cineasta, editor e fotógrafo. O suíço de alma carioca faz o papel de Paulo de Oliveira no programa, um solteirão que ensina novas e inesperadas receitas, mas que não para por aí.

Antes da culinária vem a necessidade, a essência do Larica Total é a realidade de boa parte da população brasileira: “Brasileiros guerrilheiros de todas as cores, lutadores do audiovisual, garimpeiros do sistema financeiro, explorados pelo magistério, mágicos do mercado popular, hipnóticos das lojas de peruca, sonhadores da faculdade distante,

solitários dos bares da esquina, feios da festa de lindos, puxadores do samba de tarde. Os homens e as mulheres da necessidade, da ausência, do improviso do Brasil.”

Aí já podemos encontrar uma certa perspectiva filosófica e finalmente engendrar as sementes estoicas dentro do Larica Total.

O Estoicismo, filosofia helenística fundada por Zenão de Cítio, na Grécia Antiga, tem como principio, inclusive etimológico, a varanda, o pórtico (stoa). A doutrina filosófica estoica é voltada para o povo, seu fundador era um comerciante, seu principal fim a Ética.

Assim é também o Larica Total, voltado para todos esses tipos de brasileiros citados acima e buscando sempre o diálogo de uma maneira real e direta. Isso não faz do Larica Total uma filosofia, pelo contrário, e até bom esclarecer e frisar isso desde já, o presente texto não tem por objetivo fazer do Larica Total algo filosófico, mas sim encontrar pontos dentro do programa, que possam passar despercebidos, mas que dialoguem com a Filosofia (o Estoicismo no caso) e façam da TV algo mais filosófico e menos alienante, despertem no espectador a vontade de mudança e ação e não de comodismo e imobilismo frente aos fatos.

“Há no Estoicismo algo como um novo zarpar e não a continuação das agonizantes escolas socráticas.” Esta citação faz necessária uma abordagem, ainda que de maneira breve, do momento histórico da fundação do Estoicismo e do desenvolvimento doutrinário para que então voltemos a um diálogo com o Larica Total.

O Estoicismo se apoia em um tripé: Lógica, Física e Ética. As duas primeiras sendo prelúdios para o que, para os estoicos, era considerado o mais importante de sua filosofia, a Ética.

Muito mais do que fazer um simples uso, os estoicos aprimoram a Lógica, colocando dentro de sua filosofia a questão do juízo hipotético, a Lógica é o maior sustentáculo da teoria do conhecimento dos estoicos.

Bebendo na água (ou no fogo) de Heráclito, a Física Estoica admite, como elemento primordial, o fogo e admite também que todo o universo é regido por uma Razão Universal (Lógos), caracterizando assim a forte presença do monismo e do materialismo dentro de sua filosofia.

Já a Ética é o centro para o qual convergem todas as ideias estoicas. Notadamente na grande maioria dos livros dos filósofos estoicos, a preocupação com a Ética é exacerbada, muito disso se deve também ao momento histórico em que surgiu, numa Grécia e numa Alexandria que entravam em um novo tempo, vendo o fim do poderio ateniense dar lugar à ascensão de uma Alexandria que traria à cultura grega aspectos helenísticos; posteriormente teve outro grande uso na República Romana, principalmente na vida pública e ainda foi cristianizada mais tarde por Santo Agostinho.

Dentro dos pontos de destaque dessa Ética estão alguns conceitos chave como a Ataraxia, a interiorização, a dinâmica pragmática.

A dinâmica pragmática, inclusive, é um dos pontos interessantes de serem abordados. A questão do controle das paixões, presente nas origens da Filosofia Estoica, nada mais é do que um apelo ao bom senso, necessário a praticamente todo momento.

No Larica Total, em alguns episódios como o da Moqueca de Ovo, por exemplo (episódio 7, 1ª temporada), Paulo nos diz: “Sempre, sempre, sempre: bom senso!” No caso, para não exagerar no tempero, mas esse alerta pode e deve ser levado para outras camadas além da culinária e aí então, em uma frase solta, começar a relacionar a Filosofia com a TV.

Outro ponto a ser tocado está presente na primeira das três grandes divisões do Estoicismo, a Lógica.

A Lógica Estoica, aliás, é ponto de partida para várias análises modernas da Lógica em si, vide Karl Popper e Ferdinand de Saussure. E dentro da Lógica Estoica, destaco a questão da Prolepsis.

A Prolepsis trata-se da impressão sensível que fica gravada na nossa alma material. É a utilização das experiências em prol de um amadurecimento intelectual, é em si mesmo, reinventar, buscar algo novo com o que se tem, com o que se vive.

Dentro da culinária da guerrilha, a busca é sempre de aprendizado com novas e inesperadas receitas, e em como essas receitas podem verdadeiramente surgir, com a comida que se tem, com a cozinha que se tem, com o liquidificador que se tem.

Voltando ao Estoicismo em si, após sua fundação por Zenão, outros filósofos gregos a continuaram, seu discípulo Cleanto, por exemplo, e posteriormente ainda ocorreu  a importante colaboração de Crisipo, que sistematizou a doutrina estoica e foi o principal nome dessa primeira fase do Estoicismo, o chamado Estoicismo Antigo.

Panécio e Posidônio são os dois principais nomes do Estoicismo Médio, que é uma fase de maior sistematização da doutrina e que fez a ponte para que o Estoicismo chegasse até Roma.

É sobre o Estoicismo Tardio ou Imperial, que teve sua “casa” na República Romana que falarei mais especificamente, citando seus principais nomes e fazendo comparações com o Larica Total.

Primeiramente, falo do pensamento do escravo romano Epiteto.

Para Epiteto o que nos torna felizes é a forma que encaramos aquilo que nos acontece. Vale a pena frisar mais uma vez que Epiteto era escravo, e encarava a vida dessa maneira, ou seja, de uma maneira completamente inesperada.

Inesperada é o adjetivo já utilizado mais de uma vez para qualificar as receitas de Paulo de Oliveira, que também encara a vida de uma maneira bem diferente. Paulo, ao mesmo tempo que incorpora várias características diferentes de diferentes tipos de pessoas, é particular e original, um personagem pouco comum na sociedade atual.

As receitas apresentadas no programa possuem, cada uma, sua particularidade e um fim comum: a felicidade. É recorrente em vários episódios isso, Paulo cozinha pra ser feliz, pra ter o gosto da comida na boca e o gosto da satisfação de ter feito aquilo com as próprias mãos na alma.

Ainda comparando filósofos estoicos com aspectos do Larica Total, passo do escravo romano Epiteto para o Imperador romano Marco Aurélio.

Essa passagem por si só mostra muito bem como o Estoicismo abria possibilidades reais para um diálogo, do escravo ao imperador, do açúcar ao sal.

Marco Aurélio, em suas Meditações, escrevinha sobre vários temas, todos de significação forte para os estoicos, como a Natureza, a Razão, e a relação do homem com eles e também consigo mesmo.

Um imperador preocupado com questões filosóficas e que se encontra no Estoicismo.

Citando um trecho do Livro VI das Meditações, num tom quase de conselho mesmo, o imperador nos diz: “Se uma coisa é difícil para ti, não concluas daí que ela está para além do poder dos mortais. Terás de admitir, pelo contrário, que, se uma coisa é possível, é própria para o homem fazer, tem de estar dentro das suas próprias capacidades.”

Esse trecho engloba talvez os três pilares do Estoicismo (Lógica, Física e Ética) e é totalmente convergente com outro trecho que diz respeito ao Larica Total: “Porque independente da expectativa e do padrão e da crítica, Paulo vai defender as receitas da única cozinha que conhece: a cozinha do possível, a cozinha da verdade, a cozinha da guerrilha.”

Paulo de Oliveira não é nenhum imperador, mas também se atenta para a questão do possível, ouso dizer que todos os outros programas de culinária exibidos na TV sequer chegam a pensar nessa questão, vão logo jogando ingredientes exóticos e caros, que dificilmente o espectador terá a oportunidade de comprar.

Mais uma vez insisto, é uma pequena diferença, sutil e aparentemente sem pretensão alguma, mas que lá na frente reflete em diferenças maiores, em pensamentos e experiências únicas. É filosofia.

Completando o ciclo romano do Estoicismo, falo de outro filósofo que teve contato com o mundo político de Roma, e muita influência em pensadores e filósofos que o sucederam, falo de Lúcio Aneu Sêneca.

Sêneca nos escreve algumas de suas melhores linhas no diálogo Da Tranquilidade da Alma, onde tenta acalmar e solucionar problemas de seu amigo Sereno.

Lembrando um pouco, apenas no estilo literário, diga-se de passagem, os diálogos de Platão, este diálogo de Sêneca mostra muito bem qual é a ótica da Filosofia Estoica e também é passível de comparações com o Larica Total.

Sêneca nos fala de um princípio de orgulho para os estoicos: “Não nos encerramos nas muralhas de uma cidade só, entramos em contato com o mundo inteiro e professamos que nossa pátria é o universo, a fim de oferecer à virtude o mais amplo campo de ação.”

O Larica Total, ao longo de suas até agora duas temporadas, sempre se preocupou com a questão de ampliar o campo de ação, são episódios mostrando e ensinando pratos de diferentes regiões do globo, e sempre com a ideia de que o diálogo, a experimentação, o novo e singular se sobressaem em relação ao arcaico e asséptico estilo da culinária mais propagada na TV.

Outro ponto de convergência de Sêneca e de Paulo de Oliveira é a ironia. O filósofo estoico, utiliza-se muito da ironia em seus escritos, assim como Paulo em seus programas.

Todas essas comparações podem até não refletir muito bem a relação Larica Total/Estoicismo, porém, a ideia central talvez nem seja essa.

O Larica Total não foi pensado e produzido pra ser uma fonte de disseminação estoica, longe disso, o programa abarca até outras filosofias e em alguns momentos não se aproxima de nenhuma filosofia, é bem verdade.

Mas seu cerne é filosófico: “Paulo faz do programa sua vida (…) E já refletiu sobre o tema e nunca mais esqueceu. É filosofia aplicada. É a materialização do amadurecimento ali na hora.”

Esse ponto abre margem para uma abordagem estoica em cima do programa, como a feita aqui, e também coloca o Larica Total na categoria de programa que vai na contramão da maioria dos programas produzidos hoje em dia.

É o resgate de programas assim e o incentivo de produções de coisas parecidas que é a grande necessidade.

Não quero com isso, fazer da TV a salvadora da Filosofia na sociedade contemporânea, não, a Filosofia tem capacidade para ir muito mais além do que uma tela colorida.

Porém, a mensagem filosófica transmitida por essa “tela colorida” pode ser melhor compreendida e melhor aceita.

Já é hora de quebrar preconceitos do tipo: filósofo não assiste TV. A Filosofia precisa se abrir ao diálogo com essas novas e influentes mídias como a TV, o uso do Larica Total serve pra mostrar como isso não só é possível, mas também como já é feito.

Não é necessário lutar por um espaço estritamente filosófico dentro da grade de programação, mas sim saber abstrair a Filosofia dali, e sutilmente ir refazendo conceitos e estraçalhando preconceitos.

Volto a tocar no ponto de que a Filosofia, nos dias de hoje, precisa se “prolepsiar”. Uma Filosofia analítica sem um escopo mais universalizante é algo vago e sem sentido. É querer bater sempre na mesma tecla e só digitar coisas que não levarão a nada.

Isso não é uma tentativa de banalização da Filosofia, esse ponto é importante de ser destacado, a Filosofia precisa mudar sua atuação no mundo, não deixar de ser o que é.

Uma queda no senso comum seria desastrosa e possivelmente pioraria ainda mais a situação.

O estudo da Filosofia dentro das Universidades, abordando questões mais teóricas e que não têm porque serem abordadas em mídias como a TV não pode acabar, deve sim é ser valorizado, só escrevo este artigo pois faço uma faculdade de Filosofia.

A questão é que todo esse estudo, tudo o que é feito para a Filosofia permanecer sendo algo diferenciado e inovador precisa, de alguma maneira, ser aplicado mais diretamente, por isso o apelo e a sugestão para que a Filosofia desça do trono e dialogue com os meros mortais.

Só assim ela poderá ser melhor captada e aí então verdadeiramente modificar a sociedade. É um anseio de quem acredita no possível, de quem acredita na força da Filosofia. Fazendo-se presente frente a sociedade, posteriormente, a Filosofia acabará voltando para um trono muito mais verdadeiro e merecido.

Ampliar, crescer, mudar. Tudo isso é válido e necessário, mas só pode e deve ser feito com muito cuidado e muita vontade.

Referências:

BRUN, Jean. O Estoicismo. Lisboa: Edições 70, 1986

Marco Aurélio. Meditações. Tradução de Alex Marins. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002.

Os Pensadores. Epicuro, Lucrécio, Cícero, Sêneca, Marco Aurélio – Vida e Obra. São Paulo: Abril Cultural S/A, 3ª edição, 1985.

ROCHA DE OLIVEIRA, Pedro. A Filosofia e o problema da Alienação Social. Juiz de Fora: UFJF, 2010

http://www.laricatotal.com.br

QuimeraTube #33

QuimeraTube de aniversário!

Acho que essa canção fala um pouquinho de mim também…

Le Rouge et Le Noir #05

O post de hoje, quinto da série Le Rouge et Le Noir, não poderia falar de outra coisa que não o 32º título carioca da história do Flamengo (o quinto de maneira invicta).

Depois de vencer a Taça Guanabara, o Flamengo venceu também a Taça Rio e, unificando os dois títulos, sagrou-se campeão carioca com antecedência.

A final ontem foi contra o Vasco e botou em jogos dois tabus que já são muito grandes: a síndrome de vice do Vasco para o Flamengo e a invencibilidade rubro-negra em decisões por pênaltis, nenhum dos tabus foi quebrado e o Flamengo ficou com a taça.

Nos 90 minutos nada de muito interessante, foi um jogo sem um nível técnico muito bom. Pelo lado do Vasco muita defesa e marcação em uma ou outra chegada perigosa, Felipe assustou num chute de fora da área e o zagueiro Dedé, de cabeça, por pouco também não fez o gol.

Pelo lado do Flamengo a volta de Ronaldinho, uma falta cobrada pelo camisa 10 no começo do segundo tempo foi talvez o grande lance do Flamengo no jogo, Fernando Prass fez grande defesa. Outro bom momento também foi a triangulação entre Ronaldinho, Thiago Neves, Deivid e Bottinelli, ainda no primeiro tempo, a bola foi de pé em pé e sobrou com o argentino que finalizou bem e obrigou Fernando Prass a fazer outra boa defesa.

Fora isso muita correria e marcação forte dos dois lados, um jogo bem truncado, no fim Allan e Willians se desentenderam e ainda foram expulsos.

O 0 x 0 no placar levou a decisão do título para os pênaltis. Sem querer deixar o lado torcedor falar mais alto, mas acredito que a resposta para a indagação do goleiro Felipe (não sei se foi respeito ou medo) é medo.

Em qualquer decisão por pênaltis é lógico que os treinamentos e a condição física são de extrema importância, porém o fator psicológico também é tão ou até mais importante nesses momentos.

Os jogadores rubro-negros foram para as cobranças determinados, sem medo e sem muito a perder, afinal, se por acaso perdessem o título da Taça Rio ainda teriam mais dois jogos para buscar o título carioca.

Já os cruzmaltinos não. Foram pra bola com uma pressão enorme em cima deles, precisando vencer pra forçar a decisão, com a síndrome de vice ecoando da arquibancada e com um goleiro chamado Felipe como seu adversário. Dava pra perceber na fisionomia dos caras que eles não estavam seguros com tudo isso pesando, e na tentativa de tirar a bola do goleiro Felipe ou chutaram no canto demais (Felipe Bastos e Elton) ou chutaram alto demais (Bernardo).

Isso tudo não deixa de ser mérito do Flamengo, que conquistou essa “fama” toda em disputas de pênaltis anteriores, quem tenta desmerecer esse título é um utópico, por mais que o time ainda esteja se formando e realmente não tenha apresentado um futebol encantador até agora a superioridade do Flamengo dentro do Rio de Janeiro é incontestável. Nos últimos 5 anos foram 4 títulos e um vice-campeonato.

Porém não se pode pensar também que essa superioridade toda valha muita coisa. O Flamengo é grande demais pra se contentar com títulos cariocas e é por isso que agora é hora de focar de vez na Copa do Brasil em busca de mais um título e da vaga na Taça Libertadores 2012.

Apesar de alguns jogos entediantes e de alguns empates duvidosos o Flamengo é campeão carioca invicto e continua invicto na temporada 2011 como um todo, não tem do que reclamar, nas decisões até agora mostrou que tem time e venceu. O primeiro momento da temporada 2011 se encerra. Vem agora a reta final da Copa do Brasil e o Brasileirão. Vai pra cima deles Mengo!

Restam 8 na NBA

Começo o mês de maio falando de NBA.

Os Playoffs já estão pegando fogo e hoje logo mais serão iniciados os jogos das semi-finais das conferências. Nem todos os meus palpites em relação aos jogos do 1º round deram certo, uma grande e boa surpresa rolou e agora chegamos às semi-finais. O post de hoje é pra falar um pouco dos jogos do 1º round e já dar os palpites sobre quem serão os finalistas de cada conferência.

Vou começar pela Conferência Leste. No duelo entre o primeiro e o oitavo colocados deu a lógica, os Bulls venceram os Pacers por 4-1, com Derrick Rose sendo o melhor jogador da série, nenhuma surpresa, e o interessante é ver que mesmo com a derrota os Pacers de certa reafirmaram sua tradição dentro da liga, voltando aos Playoffs.

Algo parecido aconteceu no duelo entre o segundo e o sétimo colocados. Também por 4-1, o segundo colocado Miami Heat bateu o Philadelphis 76ers, que depois de algum tempo voltou a disputar a fase decisiva da liga. A LeBron James e Dwyane Wade comandou a equipe da Flórida.

Boston e New York (3º e 6º colocados) protagonizaram a única série até agora que terminou em 4-0. O equilibrado time dos Celtics jogou tranquilo toda a série e venceu sem maiores dificuldades. Já os Knicks, um dos times mais badalados depois da chegada de Carmelo Anthony acabaram ficando pelo caminho, o time não conseguiu se acertar do meio da temporada pra cá, quem sabe na próxima temporada possa ser um candidato ao título.

E no último confronto do Leste, o quinto colocado Atlanta Hawks venceu o Orlando Magic por 4-2. A equipe de Al Horford e companhia soube jogar fora de casa e assegurando a vitória no jogo 1 trilhou com certa facilidade o caminho para a classificação, o Orlando não é mais o mesmo finalista de NBA de 2009. Ou seja, no Leste eu acertei todos os palpites.

Agora nas semi-finais teremos Chicago x Atlanta e Boston x Miami. Dois jogos interessantíssimos, acredito que haverá muito equilíbrio em ambos os confrontos, principalmente no segundo e tudo pode acontecer. Meus palpites serão os seguintes: Chicago com muito esforço passa pelo bom time dos Hawks e num jogo 7 com muita polêmica e ânimos exaltados, os Celtics passam pelo Miami. Chicago x Boston na final do Leste.

Falando agora do Oeste. É aqui que rolou a grande surpresa dessa NBA até agora. No duelo entre o primeiro colocado San Antonio Spurs e o oitavo colocado Memphis Grizzlies. Não escondo de ninguém a minha torcida pelos Grizzlies e fiquei realmente muito feliz com o desfecho dessa série. 4-2 para Zach Randolph e companhia e uma marca na história da NBA. Pela primeira vez em sua história os Grizzlies venceram uma partida de Playoffs, quando venceram o jogo 1 no Texas, já tirando a vantagem dos Spurs, depois foram outras três vitórias (todas em Memphis) e a classificação para as semi-finais, outro fator que vale ser citado é que desde os últimos jogos da temporada regular os Grizzlies não contam com um de seus principais jogadores, o ala Rudy Gay, mesmo assim fizeram uma ótima série contra os Spurs, mostrando a força do elenco, a volta de Shane Battier deu experiência à jovem equipe, os reservas Grivis Vasquez e Darrell Arthur foram de extrema importância e Zach Randolph foi o melhor jogador da série, no jogo 6 foi praticamente perfeito e assegurou a classificação.

No duelo entre o segundo e o sétimo colocados por um momento também se imaginou nova surpresa, mas os Lakers conseguiram virar a série, após sairem perdendo em pleno Staples Center e asseguraram a classificação vencendo a série por 4-2. No jogo 4 dessa série tivemos o grande lance desse primeiro round:

Essa enterrada de Kobe Bryant foi o marco da virada dos atuais campeões Lakers que seguem firme na defesa do título.

No duelo entre o terceiro e o sexto colocados, o Dallas Mavericks passou um aperto, mas com um bom basquete, comandado por Kidd e Nowitzki conseguiu a classificação vencendo a série também por 4-2. Vale exaltar a equipe de Oregon também, fez uma boa temporada regular e foi até onde deu nos Playoffs, é outro time que pode dar trabalho na próxima temporada.

E no último duelo do Oeste, Denver e Oklahoma City fizeram o único duelo que não terminou em 4-2, mas sim em 4-1, para a equipe de Durant e companhia. Os Nuggets não conseguiram impor seu jogo e acabaram virando presa para o Thunder.

Nas semi-finais os duelos serão: Memphis x Oklahoma City e Los Angeles Lakers x Dallas. A saída do San Antonio muda um pouco as coisas, afinal todos esperavam que essa equipe fosse se classificar, o duelo entre Memphis x Oklahoma City passa a ser a possibilidade dos Grizzlies conseguirem aumentar ainda mais a surpresa que estão sendo, já Lakers x Dallas é um duelo revestido de rivalidade, ambas as equipes foram figurinhas carimbadas de praticamente todos os Playoffs dessa última década, os Lakers inclusive são os atuais bi-campeões da liga, vai ser muito equilibrado. Meus palpites serão: Duelo equilibrado entre Memphis e Oklahoma City, e vitória dos Grizzlies novamente por 4-2, e os Lakers num jogo 7 disputadíssimo passam pelos Mavs. Grizzlies x Lakers na final do Oeste.

Dito isto agora é esperar pra ver como serão essas semi-finais, falo mais de NBA quando as finais chegarem.