Baby on Friday

Era só mais um fim de tarde de segunda na quente e abafada Juiz de Fora.

Andava eu solitário e pensativo por entre os calçadões e ruas do Centro, até que me deparo com um grupinho de adolescentes. Apenas passei por eles e comecei a pensar em várias coisas.

As coisas que pensava com mais intensidade com certeza eram em relação ao que vi. Os mesmos nikes multicoloridos, as mesmas calças jeans estilizadas, as mesmas blusinhas e camisetas pré-fabricadas, os mesmos cabelos lisos e coloridos, com franjas e bonés.

Parece que isso é tudo que eles têm. Praticamente todos são ou pensam em ser assim, seja os do Jesuítas, Conexão, Academia e Equipe ou os da Central, Normal e Stella Matutina. Não que eu tenha o direito de julgar o estilo de qualquer pessoa, mas é que chega uma hora que cansa ver tudo tão normal nas ruas.

Acredito que é nessa mesmice tão vaga e preguiçosa que surgem os “Justins” e as “Rebeccas”, não duvido nada que a maioria dos adolescentes daquele grupinho que vi na São João queriam um dia ser e/ou ter um “baby on friday” e assim unir os hits do adolescente pop star de 2010 com o da adolescente já web pop star de 2011, ou seja, continuar não fazendo nada além do comum.

Continuava meu caminho rumo ao Granbery, já pensando em tudo isso que escrevi acima, até que um pouco a frente do cruzamento da Independência com a Batista ouço meu nome ser chamado timidamente. A princípio pensei que estava ouvindo coisas ou que o chamado era pra outra pessoa. Quem, nessa imensidão juizforana, iria me chamar assim no meio da rua? Até que ouço de novo e pra confirmar me viro.

Nesse momento me deparo com uma pessoa que já fez muito dentro da minha vida em um espaço de tempo relativamente pequeno, não, não encontrei uma criatura fantástica que eu nunca tinha visto antes e que em um segundo transformou minha vida, não, aqui é vida real, vida essa que às vezes proporciona alguns encontros casuais, sim, quem me chamava era uma grande amiga.

Amiga essa que com um sorriso no rosto me disse que não queria gritar e que já estava quase me cutucando para que eu a visse. Disse a ela o que realmente imaginei e já disse aqui dois parágrafos acima e aí então da Batista até a Sampaio o que rolou foi uma gostosa e reconfortante conversa.

O papo era casual e informal: bolsas da faculdade, contratos de aluguel, lembranças das férias e por fim, pra celebrar a amizade, um combinado de almoço na quarta, onde eu espero cozinhar algo bem gostoso e diferente, dentro das minhas limitações culinárias e financeiras, é claro.

Sobre como esse encontro me motivou e me deixou mais feliz até chegar à Rua Julieta de Andrade, é algo que fica pra outro texto qualquer, o importante é que ela faz a diferença e que diferente da molecada da São João tem seu próprio estilo, não se apega a ídolos descartáveis ou coisa do tipo, enfim, ela é pelo menos um pouquinho diferente dessa normalidade toda.

Não quero com isso dizer que se você não usar as roupas da moda você já é uma pessoa extraordinária e diferente, não, isso seria quase como querer ditar uma nova moda, a “moda do diferente”. E isso definitivamente não é a minha pretensão.

O que quero dizer é que em pequenas coisas, em encontros casuais como esse que citei acima, é no meio disso que estão escondidas coisas novas e realmente interessantes, por mais que talvez estejamos todos presos a uma grande teia social e tenhamos nossas ações muitas vezes coagidas por fatores externos à nossa vontade, um pouquinho de subjetividade e espírito crítico não faz mal pra ninguém.

A repetição de roupas e atitudes dos “deuses” da adolescência contemporânea é fastidiosa e preocupante, por isso escrevo tentando refletir em cima disso, e torcer pra que isso quem sabe um dia mude.

Por enquanto só sei que a minha convicção nessa noite de segunda, noite de lavar roupas e escrever coisas é que muito melhor do que qualquer “baby on friday” vai ser esse “lunch on wednesday”.

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