Arquivo mensal: abril 2011

QuimeraCast #04 – A Cachorrada Tarantinesca

Hoje é dia de mais um QuimeraCast pra fechar o mês de abril com chave de ouro.

E o QuimeraCast de hoje será completamente diferente de todos já produzidos até agora, por vários motivos.

O primeiro desses motivos é que esse foi o primeiro QuimeraCast gravado em Juiz de Fora. Nos primeiros meses do ano estava aproveitando as férias em São Gonçalo do Sapucaí e agora, de volta em Juiz de Fora para a faculdade, começo a gravar com a a galera daqui também.

Outro motivo para as drásticas mudanças também se refere a mudança de galera. Até então o próprio blogueiro era quem editava os QuimeraCasts, agora quem fica com essa incumbência é um dos novos participantes, não poderia ser ninguém mais, ninguém menos que Vic, the Ed.

E o último dos motivos para as mudanças é em relação ao formato. Os QuimeraCasts no estilo clássico de podcasts mesmo, como os três já lançados continuarão saindo, ainda temos muitos assuntos para conversar, mas no QuimeraCast desse mês e em alguns outros vamos nos lançar em um experimento envolvendo podcast e cinema.

Explico melhor: o QuimeraCast de hoje tem como tema o filme Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino. Após a típica apresentação de cada caster, apertamos o play nesse filme e assistimos. Ao longo das falas do filme, nós também fomos falando e deixando nossas impressões e feelings em relação ao filme. A ideia é seguinte: você, leitor do Un Quimera e ouvinte do QuimeraCast pega aí na sua casa o filme e solta o play no mesmo momento em que o play é soltado no QuimeraCast, assim, assistiríamos o filme juntos, nós QuimeraCasters e você. Tanto pra quem ainda não viu quanto pra quem já viu o filme é uma experiência válida e bem interessante.

Pra quem resolveu embarcar nessa ideia…

Eu, Rogério Xablau, Felipe Sumiço, Lucas Paladino, Ruan – O Cão de Valinor e Vic, the Ed assistimos e conversamos sobre um filme que questiona a ideologia de Like a Virgin, que reúne um bando de ladrões coloridos para assaltar uma joalheria e que tem cenas, câmeras, trilhas sonoras e atuações que só poderiam ser comandadas por um gênio do cinema contemporâneo, ou quem sabe por um tenista.

É só baixar e ouvir:

QuimeraCast #04 – A Cachorrada Tarantinesca

Inclinação Cinematográfica #02 – Cheirando subversão

Hoje é dia de mais uma Inclinação Cinematográfica. Pode até parecer uma acomodação ou repetição, mas assim como fiz no primeiro post dessa série, quando falei sobre Lavoura Arcaica, vou falar de uma produção nacional, adaptada de um livro, que tem como protagonista Selton Mello.

Só que dessa vez o ambiente lírico e rural de Lavoura Arcaica será susbtituído por um duro e cinzento ambiente urbano, onde uma história muito incomum será vivida por Lourenço, interpretado por Selton Mello, o personagem é homônimo do autor do livro que dá origem ao filme.

Lourenço Mutarelli por sua vez, também participa do filme, só que num papel secundário, ele é uma espécie de escudeiro de Lourenço.

Entrando na trama de uma vez, a história acontece em São Paulo. Onde Lourenço, noivo e quase pronto pra casar, acaba rompendo com sua noiva, em meio a um almoço que tinha como personagem principal o strogonoff. As razões desse rompimento não são clichês de casais, é bem diferente disso, Lourenço apenas desiste, Lourenço parece não acreditar nem querer relações usuais. Depois disso, Lourenço, em meio a sua rotina, se apaixona por uma bunda. É isso mesmo, ele não se apaixona por uma outra mulher, mas sim por uma bunda.

Como falei, tudo isso parece ser muito incomum. E realmente é. Mas dentro dessa trama, existem explicações para essa paixão. Lourenço trabalha em um escritório que compra objetos usados. Isso faz do personagem principal alguém que pouco se importa com os outros, ele tenta sempre manipular seus clientes afim de conseguir comprar os objetos pelos menores valores possíveis.

Lourenço, sem quase nenhum caráter, é um personagem único. Muito influenciado por essa situação em seu trabalho ele passa a ver tudo e todos como objetos, e pensa nas relações de maneira sempre direta e mecânica. As situações que acontecem no desenrolar do filme, justamente por esse tempero incomum, acabam ganhando um toque de humor bem diferenciado, um humor sutil e bem feito.

Outro ponto importante do personagem é a questão que dá nome ao filme. Dentro de seu escritório, Lourenço tem um banheiro, e o cheiro do ralo desse banheiro é sempre horrível, e deixa Lourenço sempre envergonhado e alterado por causa disso, quando Lourenço percebe que o cheiro do ralo, na verdade sai dele mesmo, o filme ganha novos contornos e o personagem de Lourenço vai ficando ainda mais interessante.

Girando basicamente em torno disso: o trabalho, a bunda e o ralo, o filme se desenvolve até chegar em um fim que pra mim é sensacional. As duas cenas finais são fora de série, não vale a pena nem adiantar nenhuma delas, elas têm que ser vistas.

Saindo do enredo e falando um pouco de aspectos exteriores ao filme. É interessante lembrar da concepção original d’O Cheiro do Ralo. O livro foi o primeiro romance de Lourenço Mutarelli, que até então produzia revistas de quadrinhos, o livro foi escrito em torno de apenas cinco dias, depois de publicado, chegou até as mãos de Selton Mello, e o ator depois de ler com muita curiosidade e vontade, decidiu ir até o diretor Heitor Dhalia e pedir o papel principal, o pedido foi aceito e Selton Mello considera sua atuação neste filme como a melhor de sua carreira.

Inúmeros simbolismos e metáforas podem ser extraídas das atitudes de Lourenço. Daria pra falar muito mais sobre as particularidades d’O Cheiro do Ralo, mas acho que o que foi dito até agora já dá pra deixar os leitores com certa curiosidade e embasamento para assistirem o filme.

Ainda não li o livro, talvez seja até melhor ler antes de assistir o filme, mas assistir direto como eu fiz também é uma opção válida.

Enfim,  O Cheiro do Ralo é mais uma das boas produções nacionais, e não é patriotada ou coisa do tipo essas escolhas por filmes nacionais, realmente existe muita coisa boa no nosso cinema, que muitas vezes são esquecidas ou desvalorizadas.

Le Rouge et Le Noir #04

Mais um Le Rouge et Le Noir, que nesse mês foi antecipado, por conta da situação em que o Flamengo se encontra na temporada. Vou falar hoje sobre um conceito a primeira vista estranho, mas que reflete muito bem o que se tornou a temporada de 2011 para o Flamengo, é a “Invencibilidade Vencida”.

Qualquer torcedor se sentiria feliz em relação ao seu time se este estivesse com 23 jogos de invencibilidade, mas isso não acontece com boa parte da torcida do Flamengo. Depois do título da Taça Guanabara, com exceção do clássico contra o Botafogo, dois domingos atrás, quando o Flamengo venceu por 2 x 0 com dois gols de Thiago Neves, o Flamengo não conseguiu mostrar um bom futebol em nenhum jogo. Empate sem gols contra o Fluminense no outro clássico e várias vitórias e empates sem muito sal contra os times pequenos, incluindo um 3 x 0 contra o Fortaleza na Copa do Brasil.

A críticas começaram a chegar com mais força e realmente algo está errado. A dupla de zaga um tanto quanto insegura, a lateral-esquerda que parece não ter solução e a linha de frente que também não se encaixa direito. Porém o estopim dessa estranha situação aconteceu durante essa semana.

Duelo contra o desconhecido Horizonte-CE pelo primeiro jogo das Oitavas de Final da Copa do Brasil. O que se esperava era uma tranquila vitória, com boa margem de gols, pra já deixar encaminhada a vaga para as Quartas de Final. Vanderlei até entrou com um time mais ousado, com Renato Abreu na lateral esquerda e Negueba e Wanderley de titulares. Apesar do bom começo e do gol do camisa 33, o que se viu foi um futebol pouco interessante por parte do Flamengo e o esforçado Horizonte conseguiu o empate com um gol de pênalti ainda no primeiro tempo, com Elanardo e deu alguns sustos no Flamengo, o empate em 1 x 1 talvez não tenha sido o pior dos resultados, mas complica um pouco a situação rubro-negra na competição mais importante desse primeiro semestre.

Outro ponto que também parece ter chegado ao máximo é a questão R10. O principal jogador rubro-negro realmente ainda não conseguiu mostrar um bom futebol e a cornetagem pra cima dele só aumenta. No jogo contra o Horizonte ele foi praticamente uma peça nula dentro de campo.

Tudo isso acaba gerando algo muito estranho: é quase uma crise dentro de uma invencibilidade. Por isso a ideia de invencibilidade vencida.

É aí que entram os próximos dois confrontos, que com certeza – pro bem ou pro mal – vão mudar o rumo do Flamengo na temporada.

Domingo contra o Fluminense no Engenhão a disputa é por uma vaga na final da Taça Rio. Em caso de vitória o Flamengo encara o vencedor de Vasco x Olaria na final e vencendo já garante o título carioca por antecipação. Em caso de derrota espera o vencedor da Taça Rio para dois confrontos na final do Carioca. O jogo tomou contornos diferentes por causa dos jogos do meio de semana. O Flamengo teve esse fiasco contra o Horizonte e o Fluminense conseguiu uma heroica classificação na Libertadores, o moral dos dois times vem bem diferente, mas clássico é clássico e tudo pode acontecer, acho até que entrar sem favoritismo pra um jogo desse é algo bem interessante.

E depois, na quarta que vem, o duelo é contra o Horizonte, lá no Ceará, num estádio com capacidade pra 10 mil pessoas. Os donos da casa entram podendo empatar por 0 x 0. E o Flamengo precisa da vitória ou de empate por mais de dois gols. Em caso de eliminação a situação vai ficar complicadíssima, a Copa do Brasil é um dos objetivos palpáveis desse time e uma eliminação tão precoce seria desastrosa. Mas, convenhamos, o Flamengo tem time pra conseguir uma classificação de certa forma tranquila. É só olhar pra trás nessa mesma Copa do Brasil, dois confrontos contra nordestinos, em pleno Nordeste, e duas vitórias tranquilas por 3 x 0, o Flamengo vai jogar “fora de casa” teoricamente, porque com certeza a torcida rubro-negra vai marcar presença lá em Horizonte e se jogar o Flamengo fica com a vaga.

Esse tom aparentemente otimista do fim do último parágrafo na verdade é realista. Tanto no duelo contra o Flu, quanto no duelo contra o Horizonte, o Flamengo tem muitas possibilidades de vencer, apesar dos defeitos, o time é bom, falta é encaixar, acertar o último passe, o último toque.

É isso, os próximos dois jogos podem ter influenciar de maneira absurda o resto da temporada. Ou teremos o verdadeiro fim da invencibilidade, ou essa invencibilidade vencida, voltará a ser uma invencibilidade plena.

QuimeraTube #32

Não é a primeira vez que falo dele no Un Quimera, pra mim é um dos gênios da música brasileira. Sem mais.

Chegou a hora da verdade!

Volto a falar de NBA hoje no Un Quimera.

E por um bom motivo. Hoje a noite todos os 30 times da liga jogarão e encerrarão sua participação na temporada regular 2010-11.

Para 14 desses times será o último jogo. Só voltarão a jogar pra valer no fim de outubro.

Mas para os outros 16 times será apenas o último jogo da temporada regular. Pois eles disputarão os Playoffs, a fase final da liga, de onde sai o campeão.

O esquema dos Playoffs é simples, o 1° da Conferência Oeste encara o 8° da mesma conferência, o 2° pega o 7°, o 3° pega o 6° e o 4° pega o 5°, o mesmo vale para a Conferência Leste, os duelos ocorrem em no máximo 7 jogos, e o campeão do Oeste enfrenta o campeão no Leste na grande final da NBA.

Já falei sobre Playoffs e Finais de temporadas anteriores, esse ano pretendo dar uma visão geral desse fim de temporada regular e já soltar alguns pitacos para os Playoffs e quando achar necessário colocar um post ou outro falando sobre os confrontos da fase decisiva, certo mesmo é falar sobre as finais das conferências e a grande final da liga.

Dito isto passo a classificação no presente momento, no Leste já está tudo decidido, no Oeste ainda podem acontecer alterações no posicionamento dos times, mas também já estão decididos os oito classificados.

Justamente por isso começo a falar do Leste, onde teremos Chicago x Indiana, Miami x Philadelphia, Boston x New York e Orlando x Atlanta.

Espero muito de todos esses jogos. Começando por Chicago x Indiana, não dá pra esperar nada diferente de uma grande vantagem dos Bulls e a classificação fácil para as semi-finais do Leste. Aproveito a deixa para já falar em alto e bom som, Derrick Rose é pra mim o MVP da temporada, os Bulls com record 61-20 (e com grandes chances de fechar hoje, em cima dos Nets com 62-20) são os melhores da temporada regular ao lado dos Spurs, o jogo do Chicago foi evoluindo durante a temporada e parece estar chegando ao seu ápice nesse momento, Rose com certeza foi o principal responsável por isso, as companhias de Boozer, Deng, Noah também ajudaram muito, mas o camisa 1 merece destronar a dupla LeBron James e Kobe Bryant e ser o principal jogador da temporada.

No duelo entre Miami x Philadelphia também jogo com a lógica e aposto no Heat, mesmo não tendo feito a temporada espetacular que muitos esperavam, devido às vindas de James e Bosh, a equipe da Flórida conseguiu um bom record (57-24 até agora) e é superior aos Sixers, que conseguiram se classificar tranquilos, mas que dificilmente conseguirão essa vaga.

Boston x New York será talvez o melhor confronto dessa primeira fase de Playoffs. Os Celtics de algumas temporadas pra cá vêm conseguindo títulos e presenças em finais, o time é muito experiente e muito técnico, e ainda é um candidato ao título. Porém o badalado New York, que fez uma enorme troca no meio da temporada, adquirindo Carmelo Anthony e Chauncey Billups dos Nuggets, também parece querer esse título, apesar do inconstante record de 42-39 até agora. Vai ser pegado (espero jogo 7), mas aposto nos Celtics.

E pra fechar a Conferência Leste, Orlando x Atlanta. Assim como os Knicks, o Magic também se movimentou no mercado de transferências durante a temporada e talvez por isso não tenha conseguido encaixar bem um time como o finalista de 2008-09, a equipe da Flórida é forte, mas parece que não está pronta para o título. Já os Hawks vêm numa crescente e depois de se firmarem como um playoff team nas últimas temporadas, querem alçar vôos mais longos agora, nesse duelo aposto no time teoricamente perdedor, aposto no Atlanta.

Falando agora dos confrontos no Oeste, o serviço de palpites já começa mais cedo, pois como falei acima algumas posições ainda não estão definidas.

Os líder San Antonio, creio eu, enfrentará o New Orleans Hornets na primeira rodada dos Playoffs. Assim como no Leste, devido a ótima campanha do 1º colocado, não dá pra esperar nada diferente do que uma fácil classificação, apesar de alguns tropeços pouco comuns nesse fim de temporada os Spurs fizeram uma grande temporada e são fortes candidatos ao título.

A segunda posição deve ficar os Lakers e a sétima com os Grizzlies. Aqui abro um parentêses para falar um pouco mais do meu time. Os Grizzlies fizeram uma ótima segunda metade de temporada, o mais curioso de tudo é quem em boa parte dessa segunda metade de temporada, a equipe do Tennessee jogou sem seu principal jogador, Rudy Gay, que, machucado, também estará fora dos Playoffs. Esse ponto é fundamental na minha aposta nos Lakers, mas mesmo sem Gay, os Grizzlies com certeza darão muito trabalho aos atuais campeões da liga, não espero confrontos fáceis não, e fico na torcida para que minha aposta seja uma furada.

A terceira colocação deve ficar com Dallas que enfrentaria o sexto colocado Portland Trail Blazers. Duelo interessante, de duas equipes muito equilibradas, e mesmo com a vantagem dos Mavericks na temporada regular, minha aposta aqui fica com os Blazers.

E o último confronto seria entre o Oklahoma City Thunder e o Denver Nuggets. Outro confronto que vai pegar fogo (espero jogo 7) e aqui mais uma vez aposto na equipe de baixo, acho que os Nuggets, mesmo remodelados depois da saída de Anthony, ficam com a vaga para as semi-finais do Oeste.

Pra fechar acho que vale falar um pouco também dos times que não foram tão bem e acabaram ficando fora dos Playoffs, as horríveis campanhas de Cleveland, Minnesota, Toronto, Sacramento, Washington e New Jersey são lamentáveis, o que vale destacar é que alguns desses times contam com grandes jogadores da liga, como Derron Williams, recém-transferido para os Nets, Kevin Love, um dos melhores alas da liga e o calouro John Wall.

Por falar em calouros, o melhor da temporada, na minha opinião, está em outro time que não foi nada bem, os Clippers. Ele é Blake Griffin, vencedor do concurso de enterradas, o camisa 32 enterrou muito também em jogos e se mostrou um jogador de  um futuro brilhante.

Num panorama bem geral acho que é isso. Agora é esperar os Playoffs realmente começarem e aos poucos ir colocando minhas impressões por aqui.

QuimeraTube #31

O QuimeraTube de hoje é na verdade uma homenagem aos 10 anos da banda juizforana Martiataka.

Antes de vir morar aqui não conhecia a banda de Del Guiducci e cia. mas assim que conheci gostei bastante. É um ROCK no melhor sentido da palavra, o álbum Rock n’Roll Combustível e o EP Karma, Baby! são pra mim suas melhores produções, suas canções autorais têm muito feeling e tratam de assuntos bem urbanos, falam também de romances, possuem uma ambientação que me é muito agradável. E as versões que eles fazem também parecem ser as melhores escolhas possíveis: AC/DC, Camisa de Vênus, Rolling Stones e por aí vai…

Não sou nenhum grande conhecedor de música, mais especificamente falando de rock, mas gosto muito e o “rock de marte” é rock com atitude, tapa na cara mesmo!

Fica o clip de Mundo Bar, do Rock n’Roll Combustível:

Baby on Friday

Era só mais um fim de tarde de segunda na quente e abafada Juiz de Fora.

Andava eu solitário e pensativo por entre os calçadões e ruas do Centro, até que me deparo com um grupinho de adolescentes. Apenas passei por eles e comecei a pensar em várias coisas.

As coisas que pensava com mais intensidade com certeza eram em relação ao que vi. Os mesmos nikes multicoloridos, as mesmas calças jeans estilizadas, as mesmas blusinhas e camisetas pré-fabricadas, os mesmos cabelos lisos e coloridos, com franjas e bonés.

Parece que isso é tudo que eles têm. Praticamente todos são ou pensam em ser assim, seja os do Jesuítas, Conexão, Academia e Equipe ou os da Central, Normal e Stella Matutina. Não que eu tenha o direito de julgar o estilo de qualquer pessoa, mas é que chega uma hora que cansa ver tudo tão normal nas ruas.

Acredito que é nessa mesmice tão vaga e preguiçosa que surgem os “Justins” e as “Rebeccas”, não duvido nada que a maioria dos adolescentes daquele grupinho que vi na São João queriam um dia ser e/ou ter um “baby on friday” e assim unir os hits do adolescente pop star de 2010 com o da adolescente já web pop star de 2011, ou seja, continuar não fazendo nada além do comum.

Continuava meu caminho rumo ao Granbery, já pensando em tudo isso que escrevi acima, até que um pouco a frente do cruzamento da Independência com a Batista ouço meu nome ser chamado timidamente. A princípio pensei que estava ouvindo coisas ou que o chamado era pra outra pessoa. Quem, nessa imensidão juizforana, iria me chamar assim no meio da rua? Até que ouço de novo e pra confirmar me viro.

Nesse momento me deparo com uma pessoa que já fez muito dentro da minha vida em um espaço de tempo relativamente pequeno, não, não encontrei uma criatura fantástica que eu nunca tinha visto antes e que em um segundo transformou minha vida, não, aqui é vida real, vida essa que às vezes proporciona alguns encontros casuais, sim, quem me chamava era uma grande amiga.

Amiga essa que com um sorriso no rosto me disse que não queria gritar e que já estava quase me cutucando para que eu a visse. Disse a ela o que realmente imaginei e já disse aqui dois parágrafos acima e aí então da Batista até a Sampaio o que rolou foi uma gostosa e reconfortante conversa.

O papo era casual e informal: bolsas da faculdade, contratos de aluguel, lembranças das férias e por fim, pra celebrar a amizade, um combinado de almoço na quarta, onde eu espero cozinhar algo bem gostoso e diferente, dentro das minhas limitações culinárias e financeiras, é claro.

Sobre como esse encontro me motivou e me deixou mais feliz até chegar à Rua Julieta de Andrade, é algo que fica pra outro texto qualquer, o importante é que ela faz a diferença e que diferente da molecada da São João tem seu próprio estilo, não se apega a ídolos descartáveis ou coisa do tipo, enfim, ela é pelo menos um pouquinho diferente dessa normalidade toda.

Não quero com isso dizer que se você não usar as roupas da moda você já é uma pessoa extraordinária e diferente, não, isso seria quase como querer ditar uma nova moda, a “moda do diferente”. E isso definitivamente não é a minha pretensão.

O que quero dizer é que em pequenas coisas, em encontros casuais como esse que citei acima, é no meio disso que estão escondidas coisas novas e realmente interessantes, por mais que talvez estejamos todos presos a uma grande teia social e tenhamos nossas ações muitas vezes coagidas por fatores externos à nossa vontade, um pouquinho de subjetividade e espírito crítico não faz mal pra ninguém.

A repetição de roupas e atitudes dos “deuses” da adolescência contemporânea é fastidiosa e preocupante, por isso escrevo tentando refletir em cima disso, e torcer pra que isso quem sabe um dia mude.

Por enquanto só sei que a minha convicção nessa noite de segunda, noite de lavar roupas e escrever coisas é que muito melhor do que qualquer “baby on friday” vai ser esse “lunch on wednesday”.

Postes, bares e igrejas (2)

Começo o mês de abril relembrando um antigo post do Un Quimera.

O Postes, bares e igrejas, publicado aqui em setembro do ano passado, foi publicado hoje na Revista Contemporartes.

O post na realidade é só pra falar isso, afinal o texto em si já havia sido publicado aqui antes.

Vale a pena dar uma olhada no post lá na Contemporartes também, que recebeu uma roupagem diferente, algumas imagens e tudo mais que combinaram bem. Além desse conto, também é válido dar uma olhada geral lá, a revista semanal de difusão cultural tem muita coisa interessante.

Durante a semana voltam os posts “inéditos” do Un Quimera.