Coruja de Minerva #01

Começa mais uma nova série no Un Quimera.

A série Coruja de Minerva terá uma periodicidade bem diferente da maioria das séries do blog, será trimestral.

E pra quem ainda não conseguiu captar pelo nome, a série tratará de Filosofia.

A Coruja é o símbolo da Filosofia, por isso o nome.

Pra quem ainda não sabe, curso uma faculdade de Filosofia, vou começar o 3º período agora em março, e acredito que depois desses dois primeiros períodos já dá pra começar a escrever alguma coisa que tenha um bom conteúdo.

Vou começar com coisas que produzi ano passado e aos poucos vou colocando coisas novas, ideias é o que não falta.

Sem mais conversas então, aí vai uma produção de texto em cima do que estudei sobre Aristóteles, um dos principais filósofos da Grécia Antiga, discípulo de Platão, até muito tempo depois, a Filosofia Aristotélica continuou sendo repensada e reutilizada como base para outras filosofias que iam surgindo.

Aí está:

“Meu delírio é a experiência com coisas reais”

Tudo começa com a migração de um jovem da Macedônia rumo à Atenas. Aristóteles chega a Atenas para ser aluno da Academia de Platão, mas acaba saindo de lá para criar sua própria instituição de ensino, o Liceu, e para guiar os passos de um grande homem, Alexandre.

O presente texto no entanto não se ocupará da trajetória de vida de Aristóteles, mas sim de seu pensamento em relação ao ser, ancorado em alguns fragmentos de seus textos como De Anima, Metafísica e Ética a Nicômaco, busca explicitar alguns conceitos de seu pensamento e expor uma tese sobre o assunto.

Assim como Platão, Aristóteles busca, na sua Filosofia, conciliar (ou pelo menos tentar) o pensamento de Heráclito e Parmênides, logo, a questão do movimento aparece bem destacada no cerne da Filosofia Aristotélica.

Pois para Aristóteles o ser, do ponto de vista do movimento é ato e potência. Quer dizer, todo ser em potência, quando se atualiza promove o movimento, o movimento passa a ser a passagem da potência ao ato. Aristóteles também classifica as mudanças como acidentais ou substanciais.

Essa teoria anda ao lado da questão da causalidade em Aristóteles, que define as causas em: Formal,  que para ele, diferente de Platão, é de natureza imanente; Material, aquilo de que a coisa é feita, surgindo aí o Hilemorfismo; Eficiente, que de certa forma une as duas anteriores e Final, aquilo em vista do que algo é feito.

Ainda fazendo o diálogo Platão/Aristóteles, surge também a questão da alma.

Para o primeiro a definição de alma resultava do comportamento ético do homem, dividindo a alma em três partes com funções bem características: a prudência, a coragem e a temperança.

Já para a Aristóteles a alma é também tripartida, mas levando em consideração uma análise geral dos seres, valorizando o conceito de alma como princípio de vida e dividindo-a em alma vegetativa (plantas), sensitiva (animais) e racional (homem).

Feitas as comparações entre alguns aspectos do pensamento aristotélico com o pensamento platônico, entro agora em uma questão antropológica, específica do pensamento de Aristóteles, manifestada na seguinte frase do próprio Aristóteles: “Todos os homens tendem por natureza a saber” (pág. 67).

Essa frase acaba implicando em outros conceitos de Aristóteles como, por exemplo, o da Felicidade como bem supremo, ora, se a Felicidade é a atividade conforme a virtude e a virtude é a melhor parte de nós, que só é alcançada pelo intelecto, essa tendência ao saber, que é impulsionada pelas sensações e principalmente pela experiência, acaba sendo a base do pensamento de Aristóteles quando se leva em consideração essa problematização do ser.

É recorrente também nos textos aristotélicos a questão da experiência, muito valorizada pelo filósofo macedônico, nesse ponto acaba aparecendo outro fator que difere Platão de Aristóteles: enquanto o primeiro pensava no Mundo das Ideias, em algo transcendente e superior, o segundo buscava estruturar seu pensamento pensando aqui mesmo nesse mundo.

Além dessa ode à empiria, outro aspecto importante que não pode ser esquecido é a questão da Lógica. Utilizando-a como uma ciência de suporte para se fazer a Filosofia, Aristóteles dá um grande salto pois fundamenta melhor suas ideias e deixa de herança a filósofos que virão este valioso instrumento. Aí novamente aparece um ponto de contato entre Platão e Aristóteles.

Enquanto Platão buscava refúgio na Matemática e em antigos mitos, Aristóteles busca na Botânica (principal ciência do seu Liceu) e na Lógica. Nesse ponto não existe certo ou errado, melhor ou pior. Com o cuidado de não cair em relativismos, a busca de problematizações mais sofisticadas sobre o ser passa por esse estágio de contato com outros conhecimentos.

Justamente por terem feito esse contato é que Platão e Aristóteles, foram e de certa maneira ainda são a base para toda Filosofia, vide o período Medieval, por exemplo.

Enfim, posto tudo isso, fica a tese de que a Filosofia, como algo superior e questionador, deve sempre abrir-se às possibilidades colocadas por outros conhecimentos, a polissemia do pensamento é sempre bem vinda e necessária.

Um pensamento sobre “Coruja de Minerva #01

  1. Luana disse:

    definitivamente, a melhor série!
    gostei muito, de verdade!!

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