Arquivo mensal: fevereiro 2011

Le Rouge et Le Noir #02

Guardei o post da série Le Rouge et Le Noir desse mês pro último dia do mês, em virtude da final da Taça Guanabara disputada ontem.

É natural que o tom seja de euforia após a conquista de mais um título do Flamengo, a 19º Taça Guanabara de sua história (assim como acontece no Campeonato Carioca, o Flamengo é também o maior vencedor da Taça Guanabara).

Mas vou tentar ser contido e analisar a campanha rubro-negra na Taça Guanabara como um todo, falando em especial da final de ontem contra o Boavista.

Antes de mais nada o que chama a atenção é a campanha invicta do Flamengo. Se no começo da competição os resultados vinham meio arrastados, como no jogo contra o Americano e na estreia de Ronaldinho Gaúcho contra o Nova Iguaçu (em ambos o raçudo Wanderley foi quem decidiu), mais pro fim da competição os resultados continuaram muito magrinhos, não teve nenhuma goleada, porém ficou nítido também a evolução do time, já apresentando um futebol mais consistente na semi-final contra o Botafogo e na final de ontem contra o Boavista.

É interessante ressaltar que o time ainda está em formação, são pouquíssimos os remanescentes da equipe titular do ano passado, equipe que merece ser esquecida.

Por causa disso e também pela pressão que sempre existe num clube do tamanho do Flamengo, considero natural e até saudável esse começo de temporada não tão estrondoso.

Importante era ganhar o título. E isso o Flamengo ganhou de forma invicta.

Não quero dizer que está tudo perfeito, mas até agora esse time vem se mostrando como um típico rebatedor de críticas.

Quando Ronaldinho chegou, depois daquela longa e fastidiosa novela, os torcedores rivais torciam o nariz e destilavam críticas vagas como a de que Ronaldinho cairia na farra assim como fez Adriano em 2010, ou então que Ronaldinho, por ter um salário muito superior, também teria regalias dentro do clube e despertaria inveja nos outros jogadores, causando rachas ou coisas parecidas.

Ledo engano. Acontece que Ronaldinho nem sequer deu ouvidos para isso, acontece que Ronaldinho está focado e é só mais um jogador, aliás, não é só mais um jogador, minto, é um líder desse time. Já tem braçadeira de capitão, já puxa o bonde sem freio e já exibe o característico sorriso.

Ainda falta muito na parte técnica, falta. Mas a determinação de Gáucho é notável e da estreia até o jogo de ontem ele já evoluiu muito, o gol do título de ontem, numa falta que lembrou outros camisas 10 da Gávea, como Zico e Pet, foi a coroação desse primeiro ato do principal jogador do elenco rubro-negro.

Além desse ponto, outra crítica comum que surgiu no começo da temporada tanto de torcedores rivais quanto da imprensa foi a questão do elenco rubro-negro, principalmente a defesa.

Talvez ainda falte mesmo um lateral-esquerdo e mais um zagueiro. Mas como disse, esse time é um rebatedor de críticas.

Além de ter sido campeão de forma invicta foi também a defesa menos vazada da Taça GB. A tão criticada dupla de zaga Wellinton e David Braz foi praticamente perfeita na final e no decorrer da competição também teve pouquíssimos erros, estão jogando com seriedade, sem medo de dar chutão.

Na lateral-esquerda, Egídio seria o titular, mas durante a competição ocorreram as improvisações de Renato Abreu e Ronaldo Angelim pra falar a verdade, vejo isso como um ponto positivo e aí que falo ainda mais sobre o elenco.

Apesar da carência na lateral-esquerda, Vanderlei Luxemburgo ainda está encaixando o time e por isso testa, improvisa e tenta coisas novas sempre, até chegar a formação ideal. Só pode fazer isso quem tem elenco bom, do meio pra frente o Flamengo é hoje muito forte.

Opções de banco como Fernando, Fierro, Bottinelli, Negueba, Diego Maurício, Marquinhos, Vander, Wanderley, não é qualquer time que tem tantas e com essa qualidade, nenhum desses é um grande craque, mas são ótimas peças para compor elenco e com potencial até para se tornar um titular absoluto.

Falando ainda de jogadores individualmente, Felipe vem sendo muito seguro até agora, as defesas na disputa por pênaltis, na semi-final contra o Botafogo foram seu ponto alto, mas em todos os jogos não teve praticamente nenhuma falha e quando foi acionado esteve muito bem.

Pra fechar, não dá pra esquecer de elogiar Vanderlei Luxemburgo, muito, mas muito criticado pela temporada ruim no Atlético-MG ano passado, ele, assim como o Flamengo, se reconstruiu esse ano, e não ligando pra críticas nem nada, vem trabalhando com seriedade, lembrando o Vanderlei multicampeão de outros tempos.

Enfim, esse foi um balanço geral da Taça Guanabara 2011, é só o começo de temporada e muita coisa ainda vai rolar, mas só de ter garantido a vaga na final do Carioca e a vaga na segunda fase da Copa do Brasil já valeu muito a pena. Esse time ainda tem muito que evoluir, mas o começo está sendo dos melhores.

Em março tem mais Le Rouge et Le Noir.

 

Inclinação Cinematográfica #01 – Lirismo nas telonas nacionais

Hoje é dia de estrear mais uma nova série no Un Quimera, versão 2011.

Falo da série Inclinação Cinematográfica, que fará um revezamento com a série Inclinação Literária (que teve seu primeiro post publicado mês passado, falando sobre On The Road, de Jack Kerouac).

Ainda com um pé na literatura, vou falar hoje de um longa filmado em 2001, do diretor Luiz Fernando Carvalho, em cima da obra de Raduan Nassar, vou falar de Lavoura Arcaica.

Antes de mais nada vale ressaltar a obra literária, Raduan Nassar é um escritor brasileiro pouco conhecido, que tem em Lavoura Arcaica sua obra-prima. O livro é muito conciso e direto, mas ao mesmo tempo repleto de um lirismo digno dos melhores poemas.

Eu particularmente li em apenas dois dias, tamanha a categoria na narrativa e do enredo.

E no dia seguinte fui assistir ao longa, que será o assunto principal deste post.

Nem falo em adaptação, pois considero este longa como o mais próximo do livro de todos os longas que já assisti baseados em alguma obra literária.

Essa extrema fidelidade gerou até algumas críticas ao filme, por ter longos espaços de tempo sem diálogos e usar uma linguagem bem carregada de lirismo e expressões mais sofisticadas. Para o cinema isso realmente talvez possa atrapalhar, ainda mais na época do lançamento, ainda nas telonas, mas considero isso como um ponto positivo, pois é muito difícil conseguir extrair tudo da obra literária ao transpô-la para o cinema.

Não gosto de revelar muitas coisas sobre o enredo, então, assim como fiz no post de On The Road, vou falar bem por alto da história, buscando ressaltar mais os atores e o impacto externo do filme, além de algumas definições conceituais.

Uma narrativa clássica, que têm em recursos como os flashbacks e na manutenção dos diálogos originais do livro pontos que o diferenciam e  e diria até que flertam com o cinema experimental.

O filme se passa basicamente em três cenários: um quarto de hotel, um puteiro e uma fazenda.

André, personagem magistralmente interpretado por Selton Mello, é um dos filhos do pai, personagem de Raul Cortez. A história é focada em cima de André pois ele é o filho desgarrado, que resolve fugir de casa, no caso da fazenda, e ir viver sua vida sozinho.

Tudo começa no hotel, com André já um pouco mais velho, recebendo a visita de Pedro, o irmão primogênito, interpretado por Leonardo Medeiros, o irmão mais velho vai ao hotel para pedir a volta de André pra casa.

Aí a história passa por um flashback, que mostra, sob a ótica de André, sua infância e adolescência dentro da fazenda.

É interessante perceber a riqueza de detalhes do filme, que trás de maneira bem fiel ao livro, os cenários e as lembranças do personagem, uma ambientação muito bem feita nos momentos iniciais do filme.

Dentro desse flashback estão incluídas cenas fortes e importantes para o desenrolar da trama, como a festa em que André observa extasiado sua irmã Ana dançando, personagem de Simone Spoladore, que não tem sequer uma fala, mas que possui papel importantíssimo dentro da trama. Além da ida de André ao puteiro, os diálogos com sua mãe, personagem de Juliana Carneiro da Cunha.

Basicamente a história se desenvolve assim, existe o momento do retorno de André e as cenas impactantes e importantes são o denso diálogo de André com seu pai, dentro desse diálogo acho até que cabe uma citação de uma das falas de André, pra quem ainda não conhece já perceber o tom lírico da coisa:

“Toda ordem traz uma semente de desordem, a clareza, uma semente de obscuridade, não é por outro motivo que falo como falo. Eu poderia ser claro e dizer, por exemplo, que nunca, até o instante em que decidi o contrário, eu tinha pensado em deixar a casa; eu poderia ser claro e dizer ainda que nunca, nem antes e nem depois de ter partido, eu pensei que pudesse encontrar fora o que não me davam aqui dentro”.

Além do diálogo entre André e o Pai, a fuga de Lula, o irmão mais novo, interpretado por Caio Blat e o desfecho do filme, muito bem filmado, lembrando acontecimentos expostos ainda no início e afirmando mais uma vez a fidelidade ao livro.

Enfim, é isso. Creio não ser minha utilidade e nem minha pretensão adentrar em todas as particularidades do filme e do enredo, queria mesmo é expor por alto a história e ressaltar o aspecto lírico presente nela, além da fidelidade na hora de passar do livro pra tela.

Acho interessante também começar falando de cinema lembrando do cinema nacional, tão escrachado e desprestigiado por muitos, de alguns anos pra cá vem ressurgindo e lançando filmes de qualidade.

Em abril tem mais Inclinação Cinematográfica.

All Star Weekend – Los Angeles 2011

No último fim de semana (entenda-se 18-20/fevereiro) foi realizado o All Star Weekend, versão 2011, em Los Angeles.

Pra quem não sabe, o All Star Weekend, como o próprio nome já diz é o fim de semana das estrelas da maior liga de basquete do mundo, a NBA. Além de reunir os grandes astros da liga, para jogos e eventos não tão sérios assim, o All Star Weekend marca também a metade da temporada regular.

Neste fim de semana, o blogueiro viajou para a cidade Alfenas e ficou totalmente desligado do mundo da net, portanto não assistiu ao vivo nenhum dos eventos da NBA, mas vale a pena citar os principais acontecimentos desse All Star Weekend e aproveitar para no mesmo post falar um pouco mais da temporada.

Tinha feito um balanço no começo de janeiro, agora dá pra falar um pouco das expectativas para os Playoffs que logo, logo estarão aí.

Enfim, falando mais diretamente agora sobre o que rolou no All Star Weekend, vale destacar o Rookie Challenge, o Slam Dunk Contest e, claro, o All Star Game. Dentre os variados eventos que são realizados nesse fim de semana, esses três são, sem dúvida, os principais, os mais importantes e que atraem o maior número de holofotes.

Na sexta rolou o Rookie Challenge, que é o jogo onde os melhores calouros enfrentam os melhores “segundo-anistas”.

Depois de uma sequência de vitórias dos veteranos, na edição do ano passado os calouros, comandados por Tyreke Evans e Brendon Jennings venceram e na edição desse ano novamente os calouros ficaram com a vitória, 148-140.

John Wall, do Washington Wizards foi eleito o MVP do jogo, e DeMarcus Cousins do Sacramento também fez uma boa partida, sem contar é claro, as enterradas de Blake Griffin. O detalhe é que a dupla Wall-Cousins, já atuou junto na NCAA, espécie de categoria de base da NBA.

Sábado foi dia de vários eventos, como concurso de habilidades, 3 pontos e etc. Mas o principal deles foi o Concurso de Enterradas a.k.a. Slam Dunk Contest.

DeMar DeRozan do Toronto Raptors, Serge Ibaka, do Oklahoma City Thunder, JaVale Mcgee do Washington Wizards e Blake Griffin do Los Angeles Clippers foram os concorrentes.

Os dois últimos foram a fase final e o camisa 32 dos Clippers, que participou dos três dias do All Star Weekend acabou sendo o vencedor, como muitos esperavam. A enterrada que sacramentou sua vitória foi sensacional. Pulando por cima de um carro, recebeu a bola de seu companheiro de time Baron Davis, que estava dentro do carro e cravou:

Pra fechar, no domingo, o mais importante do fim de semana. O jogo entre os melhores jogadores da Conferência Oeste contra os melhores da Conferência Leste.

Pelo Oeste, Chris Paul, Kobe Bryant, Kevin Durant, Carmelo Anthony e Tim Duncan.

Pelo Leste, Derrick Rose, Dwayne Wade, LeBron James, Amare Stoudemire e Dwight Howard.

Como sempre acontece, o jogo foi cercado de muita descontração dos dois lados, diferentemente do que rola durante os jogos normais, no All Star Game o que mais vale é o espetáculo e não os resultados. Os jogadores dão show pra torcida, as defesas dão uma afrouxada, até por isso os placares são sempre muito elevados.

Na edição de 2011, vitória do Oeste por 148-143. O jogo teve em LeBron James e Kobe Bryant seus principais destaques, refletindo o que acontece na liga como um todo já há uns três anos.

Mas o segundo prevaleceu, levando seu time a vitória e conquistando o troféu de MVP do jogo, tudo isso sobre os olhos de sua torcida, afinal o All Star Weekend esse ano foi realizado em Los Angeles.

A vitória do Oeste reflete um pouco também o que vem rolando na liga nessa temporada, aproveito a deixa para falar um pouco sobre isso.

Os records dos times do Oeste, no geral, estão bem melhores, a luta por vagas no Playoffs mostra muito bem isso.

Enquanto o oitavo colocado do Leste, o Indiana Pacers, tem um record de 24-30, o oitavo do Oeste, Utah Jazz, tem 31-26.

E por falar em briga por vaga nos Playoffs, não posso deixar de falar do time pelo qual eu torço, o Memphis Grizzlies.

Depois de um começo de temporada bem mediano, a equipe do Tennessee reagiu no período pós-Natal, e desde lá tem um dos melhores records da Conferência Oeste como um todo, perdendo apenas para o líder San Antonio e os Lakers.

De uma vez por todas os Grizzlies consolidaram um record maior que .500 e entraram na briga pelos Playoffs, a queda de rendimento dos Hornets, dos Nuggets e de Jazz ajudam ainda mais e as possibilidades são reais. Com os pés no chão, tenho esperanças dessa vaga.

Já que falei do Utah Jazz, não tem como deixar passar batido também a aposentadoria de Jerry Sloan. Um dos maiores treinadores da história da NBA, dono de mais de 1,000 vitórias como treinador. Ele comandava o Jazz já há muito tempo e acabou resolvendo se retirar nessa temporada.

Além disso, falando ainda do Oeste, os Spurs vão confirmando o ótimo começo de temporada e mantêm a liderança, outro grande destaque é o Portland Trail Blazers, que vem num straight de 6 vitórias e saiu da nona para a quinta posição na última semana.

Falando agora do Leste, o que mais chama atenção pra mim é o Chicago Bulls de Derrick Rose e cia., o armador talvez seja hoje o melhor posição 1 da liga como um todo e os Bulls também possuem um ótimo record, já chegando na terceira posição do Leste e com reais possibilidades de título.

Os dois primeiros, Boston e Miami, são mesmos os melhores do Leste, mas esperava-se um pouco mais do Heat.

Falando dos Celtics, também cito outro grande acontecimento da temporada, foi a cesta de três de Ray Allen contra os Lakers. O camisa 20 dos Celtics tornou-se o maior pontuador da linha dos 3 pontos da história da liga, ultrapassando o lendário Reggie Miller, famoso por suas cestas de três, principalmente durante sua passagem no Indiana Pacers.

Enfim, pra um balanço bem resumido da liga até aqui acho que tá de bom tamanho, escrevi demais e talvez nem tenha falado muita coisa, mas pelo que acompanho é isso que tenho a dizer.

Falo de NBA agora quando chegarmos aos Playoffs.

QuimeraTube #28

Carnaval chegando…

Coruja de Minerva #01

Começa mais uma nova série no Un Quimera.

A série Coruja de Minerva terá uma periodicidade bem diferente da maioria das séries do blog, será trimestral.

E pra quem ainda não conseguiu captar pelo nome, a série tratará de Filosofia.

A Coruja é o símbolo da Filosofia, por isso o nome.

Pra quem ainda não sabe, curso uma faculdade de Filosofia, vou começar o 3º período agora em março, e acredito que depois desses dois primeiros períodos já dá pra começar a escrever alguma coisa que tenha um bom conteúdo.

Vou começar com coisas que produzi ano passado e aos poucos vou colocando coisas novas, ideias é o que não falta.

Sem mais conversas então, aí vai uma produção de texto em cima do que estudei sobre Aristóteles, um dos principais filósofos da Grécia Antiga, discípulo de Platão, até muito tempo depois, a Filosofia Aristotélica continuou sendo repensada e reutilizada como base para outras filosofias que iam surgindo.

Aí está:

“Meu delírio é a experiência com coisas reais”

Tudo começa com a migração de um jovem da Macedônia rumo à Atenas. Aristóteles chega a Atenas para ser aluno da Academia de Platão, mas acaba saindo de lá para criar sua própria instituição de ensino, o Liceu, e para guiar os passos de um grande homem, Alexandre.

O presente texto no entanto não se ocupará da trajetória de vida de Aristóteles, mas sim de seu pensamento em relação ao ser, ancorado em alguns fragmentos de seus textos como De Anima, Metafísica e Ética a Nicômaco, busca explicitar alguns conceitos de seu pensamento e expor uma tese sobre o assunto.

Assim como Platão, Aristóteles busca, na sua Filosofia, conciliar (ou pelo menos tentar) o pensamento de Heráclito e Parmênides, logo, a questão do movimento aparece bem destacada no cerne da Filosofia Aristotélica.

Pois para Aristóteles o ser, do ponto de vista do movimento é ato e potência. Quer dizer, todo ser em potência, quando se atualiza promove o movimento, o movimento passa a ser a passagem da potência ao ato. Aristóteles também classifica as mudanças como acidentais ou substanciais.

Essa teoria anda ao lado da questão da causalidade em Aristóteles, que define as causas em: Formal,  que para ele, diferente de Platão, é de natureza imanente; Material, aquilo de que a coisa é feita, surgindo aí o Hilemorfismo; Eficiente, que de certa forma une as duas anteriores e Final, aquilo em vista do que algo é feito.

Ainda fazendo o diálogo Platão/Aristóteles, surge também a questão da alma.

Para o primeiro a definição de alma resultava do comportamento ético do homem, dividindo a alma em três partes com funções bem características: a prudência, a coragem e a temperança.

Já para a Aristóteles a alma é também tripartida, mas levando em consideração uma análise geral dos seres, valorizando o conceito de alma como princípio de vida e dividindo-a em alma vegetativa (plantas), sensitiva (animais) e racional (homem).

Feitas as comparações entre alguns aspectos do pensamento aristotélico com o pensamento platônico, entro agora em uma questão antropológica, específica do pensamento de Aristóteles, manifestada na seguinte frase do próprio Aristóteles: “Todos os homens tendem por natureza a saber” (pág. 67).

Essa frase acaba implicando em outros conceitos de Aristóteles como, por exemplo, o da Felicidade como bem supremo, ora, se a Felicidade é a atividade conforme a virtude e a virtude é a melhor parte de nós, que só é alcançada pelo intelecto, essa tendência ao saber, que é impulsionada pelas sensações e principalmente pela experiência, acaba sendo a base do pensamento de Aristóteles quando se leva em consideração essa problematização do ser.

É recorrente também nos textos aristotélicos a questão da experiência, muito valorizada pelo filósofo macedônico, nesse ponto acaba aparecendo outro fator que difere Platão de Aristóteles: enquanto o primeiro pensava no Mundo das Ideias, em algo transcendente e superior, o segundo buscava estruturar seu pensamento pensando aqui mesmo nesse mundo.

Além dessa ode à empiria, outro aspecto importante que não pode ser esquecido é a questão da Lógica. Utilizando-a como uma ciência de suporte para se fazer a Filosofia, Aristóteles dá um grande salto pois fundamenta melhor suas ideias e deixa de herança a filósofos que virão este valioso instrumento. Aí novamente aparece um ponto de contato entre Platão e Aristóteles.

Enquanto Platão buscava refúgio na Matemática e em antigos mitos, Aristóteles busca na Botânica (principal ciência do seu Liceu) e na Lógica. Nesse ponto não existe certo ou errado, melhor ou pior. Com o cuidado de não cair em relativismos, a busca de problematizações mais sofisticadas sobre o ser passa por esse estágio de contato com outros conhecimentos.

Justamente por terem feito esse contato é que Platão e Aristóteles, foram e de certa maneira ainda são a base para toda Filosofia, vide o período Medieval, por exemplo.

Enfim, posto tudo isso, fica a tese de que a Filosofia, como algo superior e questionador, deve sempre abrir-se às possibilidades colocadas por outros conhecimentos, a polissemia do pensamento é sempre bem vinda e necessária.

QuimeraCast #02 – Bebedeiras e “Paiaçadas”

No ar o segundo QuimeraCast!

Assim como aconteceu com o primeiro, este ainda apresenta algumas falhas, tentei, tentei, tentei e não consegui achar um player pra executar direto do blog, vai no link e baixa o arquivo mesmo, é até bom que já fica armazenado no PC.

Neste QuimeraCast o assunto mudou completamente, do futebol para as Bebedeiras, falando mais de coisas internas, deu pra dar muitas risadas durante a gravação e o principal intuito desse QuimeraCast é mesmo fazer rir.

Não falamos sério em quase nenhum momento, foram só “paiaçadas” mesmo, e pros mais fundamentalistas é bom não forçar a barra, palavrões, besteiras e coisas do tipo sempre surgem em conversas informais, ainda mais quando o assunto é bebida, então relaxa e escuta esse QuimeraCast querendo dar risada.

Eu, Rogério Xablau, Caio Badeco, Mauro Boizão, Marcelo Cabeça, Diego MacGyver, GuBond e João Otávio, Bota Fogo falamos sobre bagunças e “paiaçadas” acontecidas em São Gonçalo do Sapucaí, Campanha, Ubatuba e Ilha Bela. Saiba como se proteger de seus inimigos, não esquecer da primeira vez, tomar banho de roupa e fazer churrascos com salsichas.

Duração: 65 min.

É só baixar:

QuimeraCast #02 – Bebedeiras e “Paiaçadas”

Obs.: Pra quem quiser ver a cena do banho de roupa do GuBond o link é esse aqui: GUBOND TOMANDO BANHO DE ROUPA

The Fight

No rules, no tricks, everyday i’m in a constant and deep fight.

Against the others? Against the fear? Or against me?

Faster and faster, Lord Time passes and also his little kids:

words, feelings, happenings.

Inside this fight everything around me is important,

each detail can make the difference.

While i am writting the fight is rollin’ on,

my thoughts and my actions are my punches in this fight.

Keep walking and keep fighting.

There will be no knock-out!

Rogério Arantes

QuimeraTube #27

Quem é? Pergunte ao Tom Zé…