Arquivo mensal: novembro 2010

O “acontecimento” de novembro/2010

Chega ao fim o mês de novembro e o “acontecimento” não poderia ser outro se não essa questão que está ocorrendo no Rio de Janeiro.

No último post, o QuimeraTube #22, já citei isso e agora pretendo explanar bem mais sobre o assunto, tentar expor melhor o que acontece, porque acontece…

Porém tudo ainda está acontecendo.

Na quinta, dia 25, foi talvez o dia mais agitado, com mortes, carros e ônibus queimados e a desesperada fuga de traficantes da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão. A repercussão internacional inclusive foi enorme, o que já se visa são a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016.

No domingo, numa operação envolvendo o BOPE e outros setores de segurança pública, a polícia tomou o Complexo do Alemão, foi outro ponto importante.

Essa foi apenas uma passada bem superficial sobre o assunto, o Un Quimera volta em dezembro explorando mais , e também  na espera de  mais fatos nessa operação toda.

O importante de ressaltar, antes de qualquer coisa, é que esse problema envolve muitos setores da sociedade e precisa ser tratado com muita seriedade, o tráfico no Rio é um problema crônico, mas que pode e deve ser combatido, a atitude da polícia é válida e necessária.

Outro ponto que merece destaque é em relação à cobertura da mídia, em especial a TV, é quase um reality show, ou então como muitos estão dizendo um Tropa de Elite 3, até que ponto essa polaridade irreal ser passada para o público é bom ou mau?

QuimeraTube #22

Essa situação toda no Rio:

QuimeraShare #11

Hoje é dia de mais um QuimeraShare.

Dessa vez permanecemos no Rio de Janeiro dos Los Hermanos pra falar de um cara que pode não ser um band leader, mas que todos os camaradinhas dele o respeitam, essa é razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria.

Sim, falo de ninguém mais, ninguém menos do que Jorge Ben Jor!

O cara é um dos ícones da música brasileira. Lançou seu primeiro disco lá em 1963, o Samba Esquema Novo, e desde essa época já mostrava uma música suingada e simpática, bem característica. Só pra exemplificar, é desse primeiro disco a canção Mas Que Nada. Talvez a música brasileira mais conhecida fora do país.

Além de Mas Que Nada, Jorge Ben possui vários outros clássicos como País Tropical, Taj Mahal, Fio Maravilha, W/Brasil e por aí vai…

Mas além desses clássicos, Jorge Ben também possui um lado B bem legal, a relação mística-espiritual com a música, em canções mais recentes como O Rei é Rosa Cruz e em toda sua obra, falando de filósofos como Tomás de Aquino, por exemplo.

Também é notável a relação com o futebol. Antes de ser cantor Jorge queria ser jogador do Flamengo, acabou não sendo, mas continuou com sua paixão pelo clube que, por acaso, também é a minha paixão. Músicas como Camisa 10 da Gávea, Zagueiro, Goleiro (Eu vou lhe avisar) entre outras.

Enfim, se ficasse falando de cada vertente ideológica e/ou musical de Jorge Ben gastaria linhas e mais linhas, destaco essas acima e falo agora do CD em questão desse QuimeraShare.

De todos que já ouvi até agora, considero como melhor disco de Jorge Ben o clássico A Tábua de Esmeralda.

Só que acabei resolvendo escolher outro pra colocar aqui.

Na verdade pode-se considerar o A Tábua de Esmeralda como o início de uma espécie de trilogia na carreira de Jorge Ben, que passa pelo Solta o Pavão e vai desembocar no África Brasil.

Este último é o escolhido pro QuimeraShare de hoje.

Eu acho muito maneiro as primeiras notas desse disco. Parece engraçado, mas é que a versão de Umbabarauma (Ponta de Lança Africano) desse disco é muito boa e é a canção de abertura. Além dela várias outras canções bem ao estilo de Jorge Ben mesmo, vale destacar as famosas Taj Mahal e Xica da Silva, além de África Brasil, que é uma releitura da canção Zumbi, que está n’A Tábua de Esmeralda.

Talvez a que eu goste mais seja Camisa 10 da Gávea, mas o álbum como um todo é muito bom.

“Pula, pula, cai, levanta, sobe e desce, corre, chuta, abre espaço, vibra e agradece. Olha que a cidade toda ficou vazia nessa tarde bonita só pra te ver jogar. Umbabarauma, homem gol!”

Baixa aí o samba-rock de primeiríssima qualidade:

QuimeraShare #11 – África Brasil –  Jorge Ben.rar Tamanho: 36.77 MB

Sinótica

Nos poemas sujos de um falso poeta

Escondem-se indagações, ideias e sentimentos

A caneta que faz seu trabalho riscando o papel

É a mesma que acaba sendo contida por um corretivo

O giz que dá vida e alma ao quadro negro

Depois se desfaz e não vira nada além de pó

Por entre ruas, praças, carros e ônibus

Ando só, ando conversando, ando pensando

E a cada minuto que passa fico com a certeza:

Não há nada pra se fazer a não ser viver.

Viver os detalhes de cada rua e de cada conversa

A poesia oculta nos concretos muros que ofuscam nossa visão

A verdade inatingível que atrai a todos

O medo não passa de um engano e as vezes nos confunde

E enquanto a mentira e a verdade vão caminhando de mãos dadas pela rua

No calçadão seguinte um mendigo pede esmola

As luzes da cidade continuam acesas

A escuridão da noite é quem sopra o vento frio

O brilho daquele olhar é quem inspira o poeta

A angústia que surge em cada semblante é reflexo do engano de cada atitude

“Passa um tempo e tudo volta pro seu lugar”

Como se o tempo não tivesse mais nada pra fazer

É gengibre pra garganta, x-bacon pra larica

Celulares que tocam, camelôs que gritam

Vontades desfeitas: Ilusões confirmadas

Mais uma vez um acidente na avenida

O verde das folhas das árvores é a esperança do futuro

A simples presença dela é a esperança do poeta

A fé existe e está muito viva

Ali naquele homem que adentrou a Igreja

No doente que viveu, na ideia que venceu

Visto minha blusa pra escapar do frio e vou andando

As janelas estão fechadas, os livros também

Agora parem e pensem um instante:

O mundo é apenas uma corrupta árvore celestial.

Rogério Arantes

This Is Anfield!

Depois de muito tempo volto a falar do Liverpool no Un Quimera, e depois de mais tempo ainda volto a falar de um Liverpool jogando bem, vencendo e convencendo.

Primeiramente queria deixar claro que não sou aquele tipo de torcedor modinha, até porque o Liverpool em si não é modinha (como Chelsea e afins…), mas é bem melhor falar das vitórias do que das derrotas dos Reds.

O engraçado é que se isso fosse escrito uma semana atrás pra muitos seria até estranho: boa fase no Liverpool? Até então o time vinha mal na Premier League (próximo à zona de rebaixamento) e sem nenhuma atuação convincente pela Liga Europa.

Mas em uma semana tudo mudou. Foram 2 jogos e 2 vitórias, ambas em Anfield Road.

Quinta-feira, 04/11 – Liga Europa – Anfield Road

Liverpool 3 x 1 Napoli

Tudo começou no jogo do meio da semana pela Liga Europa.

Num primeiro tempo que chegou a assustar a torcida do Liverpool, o Napoli foi melhor e depois de uma falha do volante dinamarquês Poulsen saiu na frente com gol de seu melhor jogador: Ezequiel Lavezzi.

O time vermelho no primeiro tempo não conseguia se encontrar, Pouslen e Spearing estavam mal a frente da zaga e o ataque não conseguia criar nenhuma jogada mais incisiva.

Mas na volta para o segundo tempo as coisas mudaram.

Os Reds pressionaram mais, principalmente com Shelvey e Gerrard e os Azzurris foram ficando acuados, a aposta do Liverpool era em cima de possíveis erros do Napoli.

Erros que aconteceram. Dossena recuou mal uma bola para o goleiro De Sanctis e antes que ele pudesse pensar em o que fazer com a bola apareceu Steven Gerrard, dividindo e mandando a bola pra dentro do gol, era o empate vermelho, já tardio, aos 30 minutos.

O momento era do Liverpool, as entradas de Lucas e Eccleston melhoraram ainda mais o time e não demorou muito pra sair a virada. Pênalti para o Liverpool aos 41 e mais um gol do capitão Gerrard, cobrança perfeita.

E pra fechar o jogo e fazer Anfield explodir de vez, aos 43 minutos, Lucas roubou bola no meio, serviu Gerrard e o camisa 8 com muita categoria apenas deu um toquinho por cima do goleiro De Sanctis que já não tinha mais o que fazer.

Vitória maiúscula do Liverpool que assegura a primeira colocação do Grupo K da Liga Europa.

Domingo, 07/11 – Premier League – Anfield Road

Liverpool 2 x 0 Chelsea

Mas se na Liga Europa estava tudo as mil maravilhas na Premier League era situação não era das melhores, e confronto era contra o atual campeão e líder Chelsea.

O jogo foi marcado pela volta de Dirk Kuyt ao Liverpool, o holandês estava machucado e sua volta para o jogo de ontem fez toda diferença.

O jogo começou com o Liverpool fazendo valer o mando de campo e pressionando a equipe londrina. Logo aos 10 minutos Dirk Kuyt recebeu uma bola na intermediária e deixou Fernando Torres na cara de Cech, o camisa 9 não quis ser o Fernando Torres de ultimamente, relembrou o Torres de outros tempos e fuzilou, era o primeiro gol do Liverpool, que deixava Anfield em êxtase e o Chelsea em desespero.

Após o gol a tônica do jogo continuava a mesma, nem parecia que era o líder contra um dos últimos colocados, a situação parecia ser inversa, o Liverpool dominava completamente o jogo, com Lucas e Gerrard quase perfeitos no meio e Meireles, Maxi e Kuyt um pouco mais a frente fazendo uma interessante troca de posições, além, é claro, de El Niño Torres que vai voltando a jogar seu ótimo futebol de outrora.

No fim do primeiro tempo isso foi mais uma vez comprovado. Após jogada de Raul Meireles, Fernando Torres recebeu na esquerda, puxou pro meio e deixou Petr Cech PARADO, apenas observando a bola morrer no fundo do gol do Chelsea, era o segundo do Liverpool, o segundo de Torres.

No segundo tempo as coisas mudaram um pouco, o Chelsea melhorou e tentou diminuir o placar, mas aí foi a vez da defesa do Liverpool também se mostrar forte, principalmente o goleiro Pepe Reina, que salvou bolas perigosíssimas, de Malouda e Anelka.

O placar do primeiro tempo se manteve até o fim do jogo e o Liverpool agora chega a 9ª posição na tábua de classificação da Premier League, trilhando o caminho em busca da volta pelo menos à Liga dos Campeões.

Vale destacar a atuação do brasileiro Lucas, um gigante dentro de campo e também a ótima volta de Kuyt e os gols de Fernando Torres.

Se na quinta Gerrard marcou 3 gols e decidiu, ontem foi a vez de Torres guardar 2 e também decidir. Essa dupla é o que de melhor o Liverpool tem e andava meio apagada nos últimos tempos, não é atoa que esse ressurgimento vermelho se deve à melhora dos dois.

Agora é continuar acompanhando a temporada, e agora com muito mais esperança em títulos, que podem sim chegar à Anfield nessa temporada.

XVIII Semana de Filosofia (UFJF)

Como prometido em posts anteriores, faço hoje um post (com um certo atraso já) pra falar exclusivamente da XVIII Semana de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora.

O evento ocorreu entre os dias 26 e 29 de outubro no Instituto de Ciências Humanas da UFJF e teve como tema e slogan o “Arte à Filosofia”.

Antes de falar do evento propriamente dito, acho que vale a pena falar também do curso como um todo.

Na verdade Filosofia não era minha primeira opção, acabei entrando e no começo tinha um certo de não gostar ou coisa parecida.

Bastou uma semana pra que esse medo se dissipasse, e eu começasse a gostar verdadeiramente do curso.

O tempo passou, o 2º período já vai chegando ao fim e eu continuo gostando muito da Filosofia. Não digo que “não me vejo fazendo outro curso”, mas digo com toda certeza do mundo que com a Filosofia eu mudei muito minha visão de mundo, me abri a novos pensamentos e hoje sou uma pessoa melhor.

Enfi, particularidades do blogueiro a parte, a Semana de Filosofia contou com palestras, oficinas, minicursos e Comunicações Filosóficas, como não participei de tudo não vou falar detalhadamente de tudo, mas vale citar.

Dentre as Oficinas, rolou uma de Poesia com o Grupo Encontrare, de Juiz de Fora. Uma de Teatro, com o pessoal do Teatro Universitário da UFMG e uma de Stencil, com o professor João Paulo Paes, do Centro de Ensino Superior (CES) de Juiz de Fora. Apesar de não ter participado de nenhuma, rolou um feedback interessante da galera que participou.

As Comunicações Filosóficas, que são minipalestras, onde os “palestrantes” são alunos do curso de Filosofia também foram interessantes, destaco as de Carlos Mário Paes Camacho (meu colega de sala), que abordou a questão da Liberdade Individual no Contrato Social de Jean Jacques Rousseau.

Minicursos foram dois: “Arte e Verdade em Heidegger”, do professor Paulo Afonso, das Ciências da Religião.

O pensamento heideggeriano é muito complexo (pelo menos pra mim) e eu acabei não participando desse minicurso.

O outro, do qual participei foi “Industria Cultural x Cultura Popular x Alta Cultura” do professor Pedro Rocha, da Filosofia.

Um dos pontos altos de toda a Semana de Filosofia na minha opinião. Pedro Rocha, abordou questões relacionadas à Cultura (Indústria Cultural, Alta Cultura, etc..) tendo como base o pensamento de Walter Benjamin e da Escola de Frankfurt como um todo.

O minicurso foi muito interessante pela interatividade que rolou com os ouvintes e pela autenticidade da tese de Pedro Rocha.

Não poderia faltar o “Filoplex – Cinema sem preço”, foi apresentado o curta “O Artista da Fome”, curta baseado no conto de Franz Kafka, e depois do curta, comentários de Nathan Santos, presidente do C.A. de Filosofia.

Mesmo não tendo conhecido o conto antes de assistir o curta, gostei muito do que vi, e as reflexões em cima do curta, por serem as mais variadas possíveis, foram muito interessantes, a polissemia do pensamento sendo cada vez mais acentuada é algo perfeito de se ter em uma Semana de Filosofia.

E rolaram também as palestras: “Liberdade de Expressão” com o professor Luiz Antônio da Filosofia e o professor Paulo Roberto Leal da FACOM. Talvez essa tenha sido a melhor de todas as palestras, onde o conceito de Liberdade de Expressão foi destrinchado, e temas como até onde vai a liberdade dentro da internet foram abordados.

“A questão do Si em Paul Ricoeur”, com Victor Hugo de Castro Dutra.

“Ontologia e Pintura em Merleau-Ponty: Ontologia selvagem em Cezanne”, com Tarcisio Lage Louzada.

“Reescrevendo a História… em outras palavras: Literatura e Filosofia”, com o professor da Faculdade de Letras Wagner Lacerda.

“O Inteligível e o Sensível na Música Eletroacústica e na MPB”, com o professor Paulo Motta.

E também “Poesia Contemporânea: Implicações e Implicâncias ou: se o devir vier que não fique devendo”, com André Capilé.

Além de tudo isso também rolou uma Mesa Redonda mediada pelo professor Pedro Rocha com representantes de Movimentos Sociais com o tema “Arte, Cultura e Movimentos Sociais”.

Acho que só citando e destacando algumas coisas sobre o que rolou é algo bem superficial, mas vale a pena pra tentar pelo menos passar um pouco do que foi a Semana de Filosofia.

Por fora do Anfiteatro também tinha a “incansável” mesa de xadrez e um bom café, pra ambientar ainda mais a Semana de Filosofia.

Por falar do lado externo da coisa, a foto acima é de um dos corredores do ICH, onde foi prosposta a seguinte ideia: deixe sua ideia.

Valia de tudo, escrever, pintar, desenhar. Isso gerou certas polêmicas dentro do ICH, mas valeu muito a pena.

Pra fechar tudo o ICH também foi palco de uma festinha, mas aí eu estava no show da Pitty (já comentado aqui no Un Quimera).

O mais importante é mesmo ilustrar um pouco do que foi a Semana de Filosofia e dizer que ela só aumenta ainda mais a minha sede de Filosofia, como disse no início estou gostando muito do que estou fazendo, e eventos como esses, bem feitos e bem organizados, com uma proposta interessante e gente boa participando servem principalmente de motivação.

QuimeraTube #21

Pra abrir o mês vou mandar um QuimeraTube.

Dessa vez, sinceramente, acho que resolvi humilhar.

Já pensou ter o prato de comida que você mais gosta, sendo feito por um cozinheiro que gosta desse prato tanto quanto você?

É com essa “analogia culinária” que eu tento introduzir o que seria Paulinho da Viola cantando Noel Rosa.

A canção é uma das melhores de Noel na minha opinião, com o nome um tanto quanto sugestivo.

E ambos são sambistas da mais alta categoria, apesar de não conhecer a fundo a obra de nenhum dos dois, o pouco que conheço me deixa fascinado, são canções achadas, que dizem muita coisa com uma simplicidade que as vezes eu acho que dentro do âmbito musical só o verdadeiro e bom samba tem.

Enfim, sem mais conversa, tá aí Filosofia, na voz de Paulinho da Viola: