Arquivo mensal: setembro 2010

Os “acontecimentos” de setembro/2010

Chega ao fim o mês de setembro e é hora do post dos “acontecimentos”.
Acho que vai ficar até estranho, em tempo de Eleições e tudo mais, mas escolhi dois “acontecimentos” esportivos.
Talvez não tenham tanta importância assim num olhar mais geral, porém acredito que são legítimos “acontecimentos”.
O Mundial de Basquete na Turquia e a tão polêmica demissão de Dorival Júnior do Santos.
EUA soberanos na Turquia
O Mundial de Basquete da Turquia realizado entre os dias 28 de agosto e 12 desse mês contou com 24 seleções
divididas em quatro grupos de seis (com quatro times classificados em cada grupo).
Do grupo A classificaram-se para as Oitavas Sérvia, Argentina, Austrália e Angola.
Do grupo B Estados Unidos, Eslovênia, Brasil e Croácia.
Do grupo C Turquia, Rússia, Grécia e China.
E do grupo D Lituânia, Espanha, Nova Zelândia e França.
Os maiores destaques foram os EUA, que já mostravam toda sua força, contando com a experiência de jogadores como
Chauncey Billups e Lamar Odom, e comandados pelo ótimo ala do Oklahoma City Thunder, Kevin Durant. Também a
Lituânia de Linus Kleiza, do Denver Nuggets e os donos da casa, comandados por Ilyasova e Hedo Turkoglu.
O Brasil fez uma campanha mediana, não empolgou muito nos primeiros jogos contra Irã e Tunísia, mesmo vencendo. No terceiro jogo o grande adversário: os Estados Unidos. Em um jogo muito disputado a Seleção Brasileira acabou
perdendo por detalhes, 70 x 68. Depois disso veio uma derrota pra Eslovênia e uma vitória sobre a Croácia, valeu
a classificação pras Oitavas.
Nas Oitavas um grande jogo entre Sérvia e Croácia, 73 x 72 para o time do pivô Nenad Krstic. Além disso a
confirmação das boas campanhas de Turquia, EUA e Lituânia, com todas se classificando para as Quartas, além das
vitórias de Espanha e Eslovênia sobre Grécia e Austrália, respectivamente.
E o embate sul-americano entre Brasil e Argentina. O jogo, revestido de rivalidade, ganhou um tempero a mais, pois
foi disputado justamente no dia da Independência do Brasil, 7 de setembro.
Um bom jogo, em que o Brasil esteve a frente do placar por algum tempo, mas que mais uma vez, assim como tinha
acontecido contra os EUA, perdeu por detalhes. 93 x 89. O grande destaque foi o pivô do Houston Rockets, Luis
Scola. O “sósia” de El “Loco” Abreu fez uma partida muito sólida e cresceu no fim da partida convertendo cestas
importantes. Além disso o aproveitamento da linha dos 3 pontos por parte dos hermanos foi sensacional.
O Brasil teve em Marcelinho Huertas seu principal destaque, o armador que vinha bem desde o início da competição
se superou, fez um belo jogo e depois da derrota saiu chorando de quadra. Leandrinho não conseguiu demonstrar o
seu melhor basquete e a equipe do treinador argentino Ruben Magnano acabou parando nas Oitavas. Mais uma vez o
Brasil sai precocemente de um Mundial, isso é muito ruim, a história do basquete brasileiro é linda e nas últimas
décadas parece estar sendo manchada, valores individuais ainda existem, mas ainda falta algo mais pra essa Seleção.
O Mundial seguiu e nas Quartas os argentinos também voltaram pra casa, tomando um baile da Lituânia, 104 x 85. Os
EUA continuaram seu caminho rumo ao título passando pela Rússia e os turcos eliminaram a Eslovênia. A Sérvia mais
uma vez protagonizou um emocionante jogo contra os então campeões mundiais, a Espanha e mais uma vez venceu por um placar apertado: 92 x 89.
Nas semi-finais em um bom jogo os EUA superaram o bom time de Linas Kleiza e venceram por 89 x 74, cravando sua
vaga na final, apesar da derrota para os EUA nas semi é de se destacar o desempenho da Lituânia nesse Mundial, que
viria ser confirmado na disputa do terceiro lugar, com a vitória por 99 x 89 sobre a Sérvia.
É, a Sérvia foi chegando com vitórias apertadas e nas semi-finais acabou provando do próprio veneno. Derrota para
a Turquia por 83 x 82, com uma cesta no último segundo de jogo, de Tunçeri. Foi talvez o lance mais emocionante
desse Mundial.
Com a classificação para a final a seleção turca fez história! Pela primeira vez chegou a final e coroou sua
torcida, que compareceu em peso nos jogos e o seu treinador Bogdan Tanjevic, um dos símbolos dessa campanha de
superação da Turquia, que não contou com um de seus principais jogadores, o pivô do Utah Jazz, Mehmet Okur.
E enfim chegou 12 de setembro e a grande final. Sinceramente, como era de se esperar, devido a grande soberania
técnica estadunidense, deu Estados Unidos campeão. Com uma vitória de 81 x 64 na final, Durant e cia. quebraram um
tabu de 16 anos se título no Mundial e recolocaram os EUA no topo do basquete.
Interessante ver também que astros como Kobe Bryant, LeBron James e Dwayne Wade sequer jogaram. Contra o Dream Team é realmente muito difícil uma vitória.
O Caso Dorival-Neymar
Vamos combinar que não é qualquer dia que um treinador que conquista dois títulos em seis meses é despedido de um
time por causa de um único jogador. Por isso a demissão de Dorival Júnior é sim um “acontecimento”.
Tudo começou na partida entre Santos x Atlético-GO na Vila Belmiro, no fim do jogo, após pênalti para o Santos,
Neymarr pediu pra bater e não foi atendido, discutiu muito então com o treinador Dorival Júnior. Isso foi o fato.
E a partir desse fato o que se deve ter claro em mente é que nem Neymar nem nenhum outro jogador tem o direito de
sair discutindo assim com o seu treinador.
Isso gerou uma certa tensão dentro do clube e Dorival Júnior decidiu punir o “craque” deixando ele de fora do
próximo compromisso do Peixe contra o Guarani no Brinco de Ouro. O jogo terminou no 0 x 0 e Neymar apenas o
assistiu das cabines.
O próximo jogo do Santos seria na Vila Belmiro contra o rival Corinthians, na quarta, dia 22. Até na terça, Neymar
não jogaria e Dorival era o treinador do Santos, mas uma reunião da diretoria santista decidiu passar por cima das
ordens do comandante, despediu ele e colocou Neymar pra jogar. O resultado do jogo foi 3 x 2 para o então líder
Corinthians, mas o segundo gol do Santos foi dele, Neymar.
Enfim, o que entra em questão aqui é a atitude de Neymar e como ela repercutiu tanto e tomou proporções tão
grandes. Quem sou eu pra fazer qualquer julgamento ou coisa parecida, mas na minha opinião o ato da diretoria
santista foi extremamente infeliz.
Aí vão dizer: Neymar foi um grande investimento para o Santos, sua permanência no Santos após uma oferta milionária
do Chelsea foi algo louvável e ele é a principal atração do time, consequentemente a principal renda do clube
também.
Porém se Neymar é tudo isso e é também indiscutivelmente um bom jogador, com muito futuro, suas atitudes também
deveriam condizer com tudo isso. A responsabilidade e a humildade deveriam entrar em campo junto com o menino de 18 anos, que acabou perdendo até sua vaga na Seleção Brasileira por conta desse incidente.
Dorival, hoje treinador do Atlético-MG, vinha fazendo um belo trabalho no Santos e acabou sendo demitido. Não é o
que ele merecia.
A atitude da diretoria santista cheira mesmo a um pai que vai mimando seu filho, que por melhor que seja não pode
e não deve ser mimado assim. Volto a afirmar, Neymar tem muito potencial e possivelmente estará representando o
Brasil na próxima Copa do Mundo, mas não é nenhum gênio, já existiram muitos outros jogadores do seu nível ou até
superior que souberam ser mais humildes e tiveram grandes conquistas durante a carreira.
Não é querer crucificar o menino, mas sim dizer que ele precisa crescer.
Vale citar a frase que saiu no New York Times sobre essa polêmica toda: “O medo de que ele possa desenvolver mais
hábitos de Maradona do que de Pelé exercita a mente de um país onde o futebol está tão enraizado”.
Acho que é isso, os “acontecimentos” de setembro ficam por aqui. Até outubro.

Postes, bares e igrejas


“Ontem me disseram que um dia eu vou morrer

mas até lá eu não vou me esconder.”

Arnaldo Baptista

O horizonte da paisagem devora o homem.

Eduardo caminha sem direção, passos leves guiam seus pés que vão chegando a lugares novos.

Noite. A escuridão da cidade inunda seus pensamentos que se fazem vivos neste momento.

Ontem aquele prédio tombou, a luz acabou, a internet caiu.

Hoje mais uma esquina é recortada pelo medo, poluição visual, encontros vocálicos, desespero.

Eduardo segue em frente e vê os postes, bares e igrejas. Postes sujos edificam a luz que ilumina a cidade, religiosamente brilhante e ativa. Bares quase vazios, com almas perdidas que buscam refúgio, o desgaste do balcão, das cadeiras, das mesas. Igrejas diferentes: tradicionais e antigas, com sacristão e cálice, alternativas e recentes, com câmeras de TV, resquícios de garagem.

Nos olhos de Eduardo o cinza de outros olhos. De um tempo contrastante, globalizado e febril, com evoluções tecnológicas, com googles e googles de informação e com um imenso vazio.

Uma praça no meio do nada. Ali naquele lugar singelo, de encantos e horrores, senta-se Eduardo. Ali ele reflete e vê que suas paixões sugam, invadem suas entranhas, fazem transbordar uma forte tempestade no vale deserto do seu coração.

“Une chanson d’amour…”

“El dia que me quieras…”

Ilusão.

Eduardo contempla a noite, contempla a praça. O mendigo do lado de lá quer comida, o homem da outra rua quer outro homem, o homem dessa rua quer uma mulher, a mulher dessa rua quer outra mulher, a mulher daquela rua quer um homem. A criança do prédio quer um novo amigo no Orkut.

E Eduardo quer o quê?

Eduardo que voar! Quer expandir seu horizonte. Quer subverter a transitória e efêmera vida que passa correndo naquele ônibus, que vira manchete de jornal, no rádio, na TV, na internet. Não quer a vida apenas como um eufemismo para preparação pra morte. Quer ela plena!

É apenas um delírio. Nada de novo no front. Sonhos, verdades e crenças são apenas ilusões que se esvaem no cinza concreto do cotidiano? Há mistérios (caóticos ou bons) reservados pra quem busca, pra que vive humanamente sua intrínseca mesquinhez e infelicidade, mas ao mesmo tempo sua feroz vontade e subjetividade.

Um lambido de cachorro nos pés de Eduardo, gotas de chuva na sua cabeça. A chuva cai e molha a praça. Molha o mendigo, o cachorro, molha os postes, bares e igrejas.

Rogério Arantes

(Conto que surgiu depois da leitura do brilhante e singelo Casa do Eterno, de Eduardo de Lucena)

QuimeraTube #18

Vida real:

Domingo de clássicos

Independente dos resultados falei pra mim mesmo que iria escrever um post falando sobre os dois clássicos de ontem que envolviam meus times.

É lógico que eu queria estar de uma vitória do Liverpool e outra do Flamengo, mas vou falar mesmo é de uma derrota dos Reds e de um empate do Rubro-negro…

O vermelho diabólico se impõe no clássico vermelho

Começo de temporada na Europa, e logo na quinta rodada da English Premier League o maior clássico do país envolvendo os dois maiores campeões (cada um com 18 títulos): Manchester United e Liverpool.

O jogo foi em Old Trafford e teve um primeiro tempo onde o Manchester foi melhor. Um início com muita pressão por parte dos donos da casa parece ter assustado um pouco o Liverpool. Liverpool que mudou muito da temporada passada pra essa e ainda está se adequando a essas mudanças. Roy Hodgson prefere Gerrard como volante lá atrás, isso deixa o capitão da equipe ao lado do dinamarquês Poulsen a frente da zaga. Maxi Rodríguez, Raul Meireles e Joe Cole completam o meio deixando El Niño Torres sozinho lá na frente.

Esse esquema de jogo não é dos melhores para o Liverpool, os laterais Konchesky e Glen Johnson acabam ficando mais atrás também e a bola não chega com qualidade até Torres.

Tudo isso fez com o Manchester, mais compacto num 4-2-2-2 conseguisse jogar mais no primeiro tempo e no fim da primeira etapa abrir o placar com Berbatov.

Na volta para o segundo tempo o domínio do Manchester parece ter ficado maior ainda. Nani dava um baile em Konchesky e o meio campo dos Reds não conseguia criar. Até que veio o inevitável segundo gol, um golaço diga-se de passagem, Berbatov recebeu da direita e com uma linda bicicleta estufou as redes de Reina.

Hodgson decidiu então colocar N’Gog, o francês, muito criticado pela grande imprensa, vem melhorando consideravelmente e levando em conta só esse começo de temporada é o melhor jogador do Liverpool. A entrada do francês fez com que Torres não ficasse tão sozinho a frente e foi em cima de Torres que aconteceram duas faltas que mudaram o jogo.

A primeira dentro da área. Pênalti muito bem cobrado por Gerrard: 2 x 1.

A segunda na entrada da área. Falta bem cobrada por Gerrard, que ainda contou com um desvio na barreira que matou Van Der Sar: 2 x 2.

A reação do Liverpool parecia sem explicação porque apesar da melhora no ataque com a entrada de N’Gog, a defesa continuava mal. Não é atoa que o Manchester conseguiu o terceiro gol. Mais uma vez pela direita, só que dessa vez ao invés de Nani, foi O’Shea quem cruzou pra Berbatov anotar seu hat-trick e dar números finais ao jogo.

É muito ruim perder pro Manchester United, é um clássico que realmente mexe com o Liverpool e mesmo sendo assim em começo de temporada deixa uma sensação ruim. Mas como frisei o Manchester foi melhor e mereceu a vitória. Para o Liverpool não faltou raça, mas faltou futebol. O time de Hodgson ainda não se encaixou e a opção de deixar Gerrard mais atrás não é das melhores. Além disso Torres parece ter perdido seu futebol em algum lugar que tá difícil de encontrar, com as duas principais peças do time com problemas as coisas realmente ficam difíceis, acredito que as contratações até foram boas: Joe Cole, Raul Meireles, Milan Jovanovic são bons nomes que podem e devem evoluir muito ainda.

Resta esperar, o título já começa a se tornar algo difícil mais uma vez, mas ficar fora da Champions League dois anos seguidos seria o cúmulo!

Tudo igual no Fla x Flu

Mais tarde tivemos o clássico mais charmoso do Brasil: Fla x Flu.

Muita história e rivalidade colocadas a prova num momento importante do Campeonato Brasileiro. Os dois times em situações bem diferentes: o Fluminense brigando pelo título e o Flamengo lá atrás na tabela (ano passado as coisas eram diferentes…).

O jogo foi marcado por muito equilíbrio e muitos gols. Logo no início da partida após cobrança de escanteio de Conca o zagueirão Leandro Euzébio subiu de cabeça para abrir o placar. 1 x 0 Flu.

Mas o Flamengo não tinha começado mal o jogo e logo conseguiu o empate. Após falha do zagueiro Gum, Kleberson cruzou e Deivid, com um belo toque de primeira, deixou tudo igual. Foi o primeiro gol do atacante com a camisa do Flamengo. Ele tem muito potencial e sempre fez muitos gols por onde passou, no Flamengo não deve ser diferente e depois de 4 jogos sem marcar ele finalmente deixou o dele, que seja o primeiro de muitos.

Ainda no primeiro tempo veio a virada rubro-negra. Escanteio na esquerda a bola passou por todo mundo e sobrou para David (o zagueiro) emendar pro gol. O camisa 14 mostra que hoje é talvez o melhor zagueiro do Fla, não só pelo gol mas pela raça e pela boa atuação no jogo de ontem.

No segundo tempo o jogo que já era bom melhorou ainda mais. Os dois times mostravam muita disposição, e o Fluminense que chegava bastante conseguiu o empate aos 18 minutos. Jogada individual de Rodriguinho que cortou David e bateu pro gol, tudo igual.

Poucos minutos depois falta para o Flamengo e aí foi quase um dejávù. Renato Abreu que ainda está muito abaixo do que ele pode mostrar nessa sua segunda passagem pelo Flamengo pegou a bola e disparou o canhão de sua perna esquerda. Não tem como, quando ele acerta chutes assim não há goleiro no mundo que pegue. Belíssima cobrança de falta que relembrou seus velhos tempos no Flamengo, comemoração muito bonita também, Renato honra a camisa.

A vantagem no placar foi perdida pelo desgaste físico e pela ingenuidade defensiva. Mais uma vez em jogada ensaiada de escanteio do Flu o Flamengo sofreu um gol. De novo do camisa 10 Rodriguinho.

Com 3 x 3 no placar o Fluminense foi pra cima devido ao desgaste físico rubro-negro, pressionou e criou chances no fim, mas não conseguiu o quarto gol, o Flamengo foi quem acabou tendo a melhor chance nesse fim de jogo, com Deivid, mas o goleiro Rafael impediu o quarto gol rubro-negro.

Com o empate o Fluminense perde a liderança e começa a ouvir sussurros de “cavalo paraguaio”,  já o Flamengo perde uma posição (agora é o 15º) e continua lá no fundo da tabela. Silas ainda não conseguiu arrumar o time, mas desde sua chegada até hoje mostra evoluções, o elenco não é pra ficar na 15ª posição, acredito que o time pode melhorar ainda mais e buscar uma posição melhor. Mas o que vale lembrar é que o Flamengo, pelo menos pra mim, passa por um processo de renascimento.

Um grande ciclo que durou desde a arrancada contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2005 até a eliminação na Libertadores 2010 acabou com essa eliminação. Depois disso acho que uma nova era começou, essa era é marcada por Zico no comando do futebol, a questão de melhoria do CT e das condições de trabalho como um todo passa a ser mais valorizada e o time é todo repaginado, com contratações (como Diogo, Deivid, Renato) e com a chance para jogadores da base (Diego Maurício, Galhardo, Wellinton…). Por tudo isso não reclamo da atual situação do Flamengo na tabela, espero sim dias melhores nas próximas temporadas.

Enfim, essas foram as minhas impressões desse domingo de clássicos, espero que os próximos clássicos sejam mais felizes para Flamengo e Liverpool.

Rabo de Urna #09

Hoje é dia do último Rabo de Urna.

Dia 3 próximo é dia de votar em um presidente, um governador, dois senadores, um deputado federal e um deputado estadual.

A série Rabo de Urna, desde que “nasceu”, possuia um objetivo único: conseguir um maior número de votos… CONSCIENTES.

Sei que é infímo o número de leitores do blog, mas que pelo menos estes consigam votar melhor, inclusive o próprio blogueiro. O que tentei transmitir é que antes de mais nada é PRECISO votar. Não vale a pena abdicar desse direito e ficar calado e de braços cruzados esperando alguma coisa acontecer ou então votar por votar, recebendo em troca algum favor ou coisa parecida também não é lá grande coisa.

As vezes é difícil acreditar que seu voto pode mudar alguma coisa, vendo tanta corrupção no cenário político, ou então não vendo nenhum candidato realmente bom, como é o meu caso que ainda não consegui me decidir em quem votar, mas mesmo assim o encontro com a urna é importante, acontece de 2 em 2 anos e não vale a pena ser desperdiçado.

Só que esse último Rabo de Urna não vai servir só pra ficar falando de uma coisa que todos já sabem, vai falar sobre uma polêmica que rolou nesses meses de propaganda política e que acabou sendo resolvida.

É a questão da censura ao humor dentro da Política. Atitude deplorável que estava em voga até pouco tempo atrás. Vários humoristas se organizaram a pra lutar contra tal situação, fizeram passeatas e coisas parecidas e acabaram conseguindo permissão para escracharem os candidatos, maneira muito interessante de se informar, sim, as vezes pelo humor se pode conseguir muitas coisas boas, afinal é um canal que abrange boa parte da população de uma maneira direta, sabendo usá-lo pode ser interessante.

E é aí que eu queria entrar: o humor tem que ser usado de maneira adequada, no lugar adequado.

Porque nessas Eleições (já deve ter acontecido coisas parecidas em outras Eleições também, mas enfim) parece que o humor tá no Horário Político. O maior exemplo disso é a febre do “candidato abestado”:

Todo mundo fala do Tiririca – 2222. Numa boa, não dá pra levar a sério. Até achei bem legal essa propaganda, engraçada e tudo mais, só que candidatos assim, se eleitos, não têm CONDIÇÕES de proporcionar algo melhor para o eleitor, não porque eles não queiram, simplesmente porque não podem.

Além dele existem outros exemplos que volta e meia você vê nos horários políticos por aí.

Outra coisa que vale abordar no post, já que falamos de humor, é um outro vídeo que ficou bem famoso também, na verdade também é extraído do Horário Político:

Humor a parte, a ideia principal é ressaltar que o humor é uma arma poderosa quando se fala de Eleições, mas saber usá-la é necessário.

Urna agora só dia 3 de outubro, fim de mais uma série no Un Quimera.

QuimeraShare #09

O QuimeraShare de hoje fala do mineiro mais carioca de todos!

João Bosco, natural de Ponte Nova-MG, se radicou no Rio de Janeiro e lá, principalmente ao lado do parceiro Aldir Blanc, construiu o espírito poético da Cidade Maravilhosa das décadas de 60/70. Composições belíssimas dessa dupla foram interpretadas por outros grandes nomes da MPB, e por tudo considero João Bosco um ícone de nossa música.

O álbum que escolhi é talvez o melhor dele. Apesar de não conhecer a obra de Bosco na sua totalidade, acredito que levando em conta o pouco que eu conheço, Galos de Briga pode ser cogitado ao posto de obra-prima.

Desde a arte da capa até cada detalhe das letras, é uma cultura urbana, boêmia e malandra (no melhor sentido da palavra) que está embutida no álbum.

E tem uma coisa curiosa nesse álbum também, eu, particularmente, escuto muito mais a primeira metade (as seis primeiras canções), do que a segunda. Acho que é pura questão de gosto mesmo, porque o álbum como um todo é muito bom!

“Acendo um cigarro, molhado de chuva, até os ossos. E alguém me pede fogo, é um dos nossos. Eu sigo na chuva de mão no bolso e sorrio. Eu estou de bem comigo e isso é difícil. Eu tenho no bolso uma carta, uma estúpida esponja de pó de arroz e um retrato meu e dela que vale muito mais do que nós dois. Eu disse ao garçom que quero que ela morra, olho as luas gêmeas dos farois e assovio, somos todos sós, mas hoje eu estou  de bem comigo e isso é difícil. Ah, vida noturna! Eu sou a borboleta mais vadia, na doce flor da tua hipocrisia.”

Pra baixar:

QuimeraShare #09 – Galos de Briga – João Bosco.rar   Tamanho: 34.13 MB

Como é?

Vou com uma canção de Celso Viáfora e Vicente Barreto, brilhantemente interpretada por Ney Matogrosso pra ilustrar o 7 de setembro:

A Cara do Brasil

Eu estava espamarrado na rede, Jeca Urbanóide de papo pro ar

Me bateu a pergunta meio à esmo: na verdade, o Brasil o que será?

O Brasil é o homem que tem sede ou que vive da seca do sertão?

Ou será que o Brasil dos dois é o mesmo o que vai é o que vem na contra-mão?

O Brasil é um caboclo sem dinheiro procurando o doutor nalgum lugar

Ou será o professor Darcy Ribeiro que fugiu do hospital pra se tratar?

A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho ninguém precisa consertar

Se não der certo a gente se virar sozinho decerto então nada vai dar

O Brasil é o que tem talher de prata ou aquele que só come com a mão?

Ou será que o Brasil é o que não come o Brasil gordo na contradição?

O Brasil que bate tambor de lata ou que bate carteira na estação?

O Brasil é o lixo que consome ou tem nele o maná da criação?

Brasil Mauro Silva, Dunga e Zinho que é  Brasil zero a zero e campeão

Ou o Brasil que parou pelo caminho: Zico, Sócrates, Júnior e Falcão

O Brasil é uma foto do Betinho ou um vídeo da Favela Naval?

São os trens da alegria de Brasília ou os trens do subúrbio da Central?

Brasil-Globo de Roberto Marinho, Brasil-Bairro: Carlinhos-Candeal?

Quem vê, do Vidigal, o mar e as ilhas, ou quem das ilhas vê o Vidigal?

O Brasil encharcado, palafita? Seco, açude sangrando chapadão?

Ou será que é uma Avenida Paulista? Qual a cara da cara da nação?

QuimeraTube #17

Começando o mês com um QuimeraTube.

O som de hoje é literalmente um som que eu estou redescobrindo.

Falo da banda de indie folk, Beirut. Liderada pelo vocalista mexicano Zach Condon, a banda produz um som bem característico e que eu não escutava há muito tempo.

Voltando a escutar relembrei coisas antigas e esse saudosismo veio parar aqui no QuimeraTube. Acho que só pelos QuimerasTube fica bem claro como é heterogêneo o meu gosto musical, mas as vezes tem momentos (como o atual) em que eu acho que o indie folk é o estilo que mais me agrada.

A música que escolhi é Nantes. A versão de estúdio é muito bem feita, tem inclusive um trecho com um diálogo em francês e outras coisas mais, mas acabei descobrindo uma versão bem “alternativa” gravada nas ruas de Paris.

Well it’s been a long time, long time now…