45 não é 90


The dream is over.

O tão sonhado hexa vai ficar pra 2014, hoje mais cedo a Seleção Brasileira mais uma vez caiu num jogo de quartas-de-final, dessa vez para a Holanda que havia sido eliminada pelo mesmo Brasil em 94 e 98. Interessante lembrar também que pela terceira vez nas últimas quatro Copas o Brasil é desclassificado com gols bem parecidos: bola parada, uma certa indecisão dentro da nossa área e gol dos caras.

Enfim, é muito triste, vendo o jogo dentro de um bar lotado de gente e ver a decepção no rosto de todos, vi choro, vi raiva, vi toda a ilusão ser desfeita.

O que fazer agora? Tentar achar culpados e crucificar um ou outro? Não acho que isso seja o mais adequado, a mídia como sempre abusa disso, Dunga e Felipe Melo ainda serão muito massacrados por muitos.

Não acho que eles são culpados? Acho sim, grande parcela de culpa está com eles. Dunga por não ter convocado os melhores, se viu sem boas opções de banco em alguns jogos como o de hoje, e Felipe Melo pela atitude inconsequente no jogo de hoje, o pisão em Robben é uma pequena amostra do desespero que já pairava no time naquele momento do jogo.

E é aí que eu digo que não dá pra culpar só um ou outro. O título do post é a minha opinião sobre qual foi na realidade o maior problema. A Seleção Brasileira fez um ótimo primeiro tempo, o tão contestado Felipe Melo inclusive recebia muitos elogios pelo belo lançamento que deixou Robinho na cara do gol para o abrir o placar logo aos 10 minutos de jogo, pouco depois da Seleção ter um gol anulado.

Tudo parecia perfeito, a Holanda mais uma vez era um adversário forte que ficava pra trás.

Mas 45 não é 90. O segundo tempo foi completamente diferente, talvez até por essa superioridade no primeiro tempo a Seleção Brasileira entrou diferente no segundo tempo e a Holanda também.

O time de Bert Van Marwijk percebeu que estava ali não era atoa, com 100% de aproveitamento na Copa mostrou que a “Laranja Mecânica” não se resume aos ótimos Robben e Sneijder, mas tem outras peças que também jogam bem e começaram a jogar.

Sorte, sim, muita sorte eles tiveram, pois logo no início da segunda etapa uma saída horrível de Julio Cesar, que é o melhor goleiro do mundo mas que também erra, e um gol contra de Felipe Melo, tudo igual.

Nesse momento querendo ou não a derrota já se desenhava, a Seleção não conseguiu reencontrar o bom futebol que ficou perdido no primeiro tempo e a Holanda animada pelo gol de empate buscava a virada bem mais coesa e consistente dentro de campo.

Veio a expulsão de Felipe Melo, num lance deplorável, num pisão ridículo em cima de Robben, o desespero foi tomando conta da seleção, até que veio o gol da classificação holandesa.

A cabeça do pequenino Wesley Sneijder decidiu, num escanteio cobrado pela direita o camisa 10 holandês subiu sozinho e deu números finais ao jogo.

Depois disso muito desespero e pouco futebol por parte do Brasil. Ninguém, eu disse ninguém, conseguiu jogar bem, ninguém chamou o jogo e decidiu, o time se perdeu e a Holanda era senhora do jogo.

Enfim, o time todo perdeu, esqueceu que tinha um segundo tempo e um adversário pela frente, esqueceu que Copa do Mundo é um campeonato muito sério e que qualquer erro pode ser fatal.

A Copa das vuvuzelas deixa lições que não podem ser esquecidas daqui pra frente: o futebol brasileiro cada vez mais vai se europeizando, isso é ruim pois nos deixa no nível deles, o algo mais, a ginga, vão se perdendo e dando lugar pro “futebol funcionário público”, pro “futebol resultado” bem ao estilo europeu; é querer lutar contra a corrente mas talvez seja hora de repensar e mudar isso.

A Seleção Brasileira ainda é uma das melhores do mundo, mas existem adversários como a Holanda capazes de vencê-la, querer acreditar que perdemos somente por erros nossos é querer fechar os olhos para os méritos do adversário.

Apesar disso tudo, o Brasil é o único penta campeão mundial e pelo menos até 2014 sustentará este posto, é bom demais saber disso.

O Un Quimera voltará a falar da Copa, dos outros jogos da quartas e por aí vai, mas a grande vontade do blogueiro era poder soltar o grito de campeão, que fica entalado na garganta.

Um pensamento sobre “45 não é 90

  1. Ivan disse:

    Sensacional. Nada a acrescentar. 45 não é 90!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: