Arquivo mensal: janeiro 2010

Os "acontecimentos" de janeiro/2010

O primeiro mês do ano chega ao fim, chegou a hora dos primeiros “acontecimentos”
de 2010:
África

Dia 8 de janeiro, sexta-feira, vésperas da abertura da CAN, a Copa das Nações Africanas, uma espécie de Copa América do continente africano, que sempre se realiza no mês de janeiro da Copa do Mundo.
Tudo muito bom, tudo muito bem, até que, na fronteira entre o Congo e Cabinda (Angola), o ônibus (veja bem, ônibus) da seleção de Togo é metralhado por um grupo separatista de Cabinda.
O “acontecimento” em si já é terrível e merece toda a mobilização, porém foram as consequencias desse ato que pioraram ainda mais a situação.
A primeira, de imediato, foi o saldo do tiroteio: Dois jogadores, Akakpo e Obilalé foram baleados, um médico, um auxiliar técnico e um jornalista também foram feridos.
Segunda consequencia: na minha opinião com toda a razão, após o incidente a Seleção de Togo se retirou da competição. Se viajar já está tão perigoso para eles o que dirá entrar em campo?
Mas a pior de todas as consequencias é o clima de medo e polêmica que se instalou no meio do futebol após o “acontecimento”.
A questão da segurança para a Copa do Mundo, que se realizará daqui a seis meses praticamente passou a ser abordada de uma maneira diferente, com grande parte da opinião pública, principalmente a europeia, vendo com receio a realização do maior torneio de futebol em solo africano.
Como resposta a isso, vários representantes de entidades como a FIFA e a Federação de Futebol da África do Sul, afirmar que “a África do Sul é diferente de Angola”, o dirigente Rich Mkhondo chegou até a afirmar que: “O ato de terror não tem nada a ver com a situação na África do Sul. É como se fôssemos comparar um incidente na Tchetchênia com a situação no Reino Unido”
Pois então, acredito que tudo isso seja verdade, a África do Sul é um país destoante dentro de todos os países africanos e têm condições de propiciar uma segurança bem maior na Copa do Mundo.
Porém, como disse o presidente da Liga Alemã de Futebol, Reinhard Rauball, “Não podemos simplesmente confiar na frase “a África do Sul é diferente de Angola.” Precisamos pensar como obter o controle das questões de segurança.”
A não realização da Copa do Mundo na África do Sul seria algo muito ruim para o país, para a FIFA e talvez para muitas outras pessoas, por isso condeno isso, mas a segurança dentro da Copa do Mundo, na África do Sul, tem que ser levada a sério.
E o mais importante, seja dentro ou fora de campo, Paz no futebol! Isso é apenas um jogo, pessoal!
“Dentre as coisas menos importantes, o futebol é a mais importante.”
Haiti
Dia 12 de janeiro, terça-feira, um terremoto com epicentro a 15 km da capital haitiana, Porto Príncipe, e com 7 graus de magnitude na escala Richter abala totalmente o Haiti.
Esse foi, de longe, o grande “acontecimento” do mês e talvez um dos maiores desse ano de 2010.
Imagens e vídeos mostram cenas fortes de como está a situação lá: mortos, desabrigados, brigas por comida e por aí vai, é muito triste tudo isso.
De imediato várias pessoas se mobilizaram e começaram a ajuda ao Haiti.
A Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti), comandada por soldados brasileiros, já estava no país há algum tempo e agora tem tido mais serviço ainda.
Sobre tudo isso acho que não adianta falar muito, a toda hora se falou sobre isso durante as primeiras duas semanas após o terremoto, portanto, todo mundo pelo menos já deve ter ouvido falar sobre o assunto.
Queria discutir aqui era exatamente isso.
Passaram-se duas semanas e parece que todos esses problemas que assolam o Haiti também passaram.
Não se fala mais nisso, a grande mídia, depois de noticiar o terremoto e suas primeiras consequencias, parece que se esqueceu de tudo isso e voltou seu foco para outros assunto bem menos importantes.
Acho que a melhor manifestação desse sentimento está no texto de um mestre: Alberto Dines, reproduzo ele aqui:
O Haiti já não existe, este foi o título de primeira página de domingo (17/1) no jornal espanhol El País. Ruíram ou foram soterradas pelo sismo as precaríssimas instituições do Estado.

Não se sabe e nunca se saberá quantos haitianos morreram. Qualquer estatística será enganosa, as divergências entre o número de vítimas (de 40 mil a 120 mil) talvez seja o aspecto mais aterrador da situação: nenhuma autoridade, municipal ou estatal, é capaz de assumir responsabilidades, tomar decisões e determinar providências, exceto o comando brasileiro da missão da ONU que se encarrega da segurança e os americanos que coordenam a ajuda humanitária.

Uma catástrofe sem dados, sem termos de comparação, um apocalipse sem gráficos, infográficos, baseado em fotos dantescas e histórias individuais horripilantes, anônimas, mudas, sem lágrimas – quanto tempo conseguirá a mídia internacional manter aquilo que foi o Haiti nas manchetes e na “escalada” da mídia eletrônica?

E nossa solidariedade, quanto durará?

Nossa compulsão para driblar tragédias, principalmente as distantes, quando começará a se impor ao dever humanitário de compartilhar sofrimentos?

Volta à rotina

Estamos no verão, temporada de férias, prazeres, os anunciantes querem a cobertura dos desfiles de moda, a São Paulo Fashion Week está aí, almas machucadas pela dor resistem aos impulsos compristas e a mídia adora bolhas, vive delas. Logo, logo, voltaremos às abobrinhas e irrelevâncias, à fleuma e ao burocratismo.

A revista IstoÉ minimizou o Haiti na capa, no domingo o Estado de S.Paulo acabou com o caderno haitiano e passou a cobertura para as páginas internacionais.

As tragédias em Angra dos Reis, Ilha Grande, São Luiz de Paraitinga e Porto Alegre aconteceram há 18 dias, e no último fim de semana já não haviam evaporado.

Enterrados os mortos, estabelecido algum tipo de rotina em Porto Príncipe, o que restou do país terá ainda menos interesse. A indústria da notícia – ou circo da notícia – não suporta continuidades.
E pra fechar a canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil, antiga, que refletia outro momento, mas que serve para o momento atual também, logo que vi as notícias do terremoto, me veio na cabeça: “o Haiti é aqui…”:

Rabo de Urna #01

A exemplo da série Sawubona, inaugurada no início desta semana aqui no Un Quimera, a série Rabo de Urna será mensal.
Se a Sawubona tratará de um dos eventos mais importantes do ano, que é a Copa do Mundo, o Rabo de Urna tratará de algo mais importante ainda, no caso, as Eleições.
Primeiramente queria deixar claro porque estou fazendo essa série aqui no blog.
Pra mim assim como é errado um político roubar é errado também um eleitor não se informar. É lógico que, nas situações apresentadas, o político está muito mais errado, mas isso não importa, o que importa é que ambos estão errados.
Partindo dessa ideia acredito que, seja pela internet ou por qualquer outro lugar o eleitor pode se informar e votar de uma maneira mais consciente e é por isso que esta série está aqui.
E se nas Eleições existe a Boca de Urna, que faz com que você vote em tal candidato, aqui é o Rabo de Urna, que fará você pensar duas vezes antes de votar em qualquer um, não é apenas uma campanha bonita e promessas “milagorsas” que valem a pena.
E também é bom deixar claro que eu não sou afiliado de partido nenhum, é só olhar na minha apresentação aqui no canto direito do blog que tá lá: com visões políticas inconstantes.
Isso não quer dizer que eu não sei o que quero, pelo contrário, quer dizer que eu tô sempre procurando me informar mais e decidir o que julgo ser o melhor.
Pra começar acho interessante abordar a questão da transparência.
Para um governo funcionar, se livrar da corrupção e ter credibilidade com a população a transparência é algo de suma importância.
E pesquisando na internet encontrei os sites da Câmara de Deputados e do Senado.
Ainda não “vasculhei” muita coisa neles, mas a dica que eu queria deixar aqui é que nesses sites dá pra se informar e muito sobre a situação de cada um dos senadores e deputados.
Projetos de Lei propostos por cada um, quem são seus suplentes, presença nas votações e muito mais.
Eu sei que pouquíssimas pessoas entrariam num desses sites e se informariam, daí esse post, eses sites e tudo mais são de certa forma inúteis, certo?
Pra muitos pode até ser, mas e se não tivéssemos nem isso?
Informação, informação e mais informação. Essa é a melhor arma na hora das Eleições. Mês que vem tem mais Rabo de Urna.

O boi que mugiu alto…

“Anima igitur vegetabilis, quae primo inest, cum embryo vivit vita plantae, corrumpitur, et succedit anima perfectior, quae est nutritiva et sensitiva simul, et tunc embryo vivit vita animalis; hac autem corrupta, succedit anima rationalis ab extrinseco immissa (…) cum anima uniatur corpori ut forma, non unitur nisi corpori cuius est proprie actus. Est autem anima actus corporis organici.”
“Assim falou Santo Tomás de Aquino.”

Sawubona #01

Muitos devem estar estranhando o título deste post, mas antes de mais nada irei explicá-lo.
A palavra “Sawubona” é uma saudação em IsiZulu, uma das várias línguas faladas na África da Sul, aproximadamente 23% da população sul-africana diz Sawubona para saudar outras pessoas.
E uma vez por mês teremos aqui no Un Quimera um Sawubona, vão ser posts falando sobre a expectativa para a Copa do Mundo deste ano, durante a Copa vou falar mais especificamente dos jogos mesmo, mas isso é coisa pra depois…
Neste primeiro post falo das cidades-sede da Copa (em ordem alfabética):
1. Bloemfontein
Free State Stadium (48.000)

Bloemfontein é uma das cidades sul-africanas que mais aprecia o futebol. O time local é o Celtic (referência direta ao famoso Celtic escocês) e o povo de lá realmente gosta de futebol.
A cidade receberá seis jogos, cinco pela primeira fase e um das Oitavas de Final.
Uma curiosidade bem legal de Bloemfontein que eu como fã não poderia deixar de mencionar é que foi nesta cidade que nasceu J.R.R. Tolkien, o escritor já citado aqui no Un Quimera no início do ano passado, autor da grandiosa trilogia O Senhor dos Anéis.
2. Cidade do Cabo
Green Point (68.000)

A Cidade do Cabo é a segunda cidade mais populosa da África do Sul, repleta de pontos turísticos, entre eles o Cabo da Boa Esperança, mitificado na obra Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, a cidade conta também com um novíssimo estádio, o Green Point foi construído para a Copa de 2010.
Oito jogos serão sediados lá: cinco da primeira fase, um das Oitavas, um das Quartas e uma das duas Semi-Finais.
3. Durban
Moses Mabhida (70.000)
Durban é outra cidade que teve o estádio construído para a Copa de 2010, um dos maiores da Copa o Moses Mabhida receberá sete jogos: cinco na primeira fase, um nas Oitavas e a outra Semi-Final.
Caracterizada também pelos pontos turísticos, Durban conta com várias praias e não é a toa que será uma das “casas” da torcida brasileira durante a Copa.
4. Joanesburgo
Soccer City (94.700)

Ellis Park (61.000)

Diria que as maiores emoções da Copa do Mundo acontecerão em Joanesburgo.
Cidade símbolo da luta contra a segregação racial, Joanesburgo é também a casa dos dois maiores times sul-africanos, o Orlando Pirates e o Kaizer Chiefs.
A cidade é a mais populosa da África do Sul e também é o maior centro econômico do país.
Serão realizados quinze jogos da Copa lá. No Ellis Park serão cinco da primeira fase, um das Oitavas e um das Quartas.
E o Soccer city, que foi totalmente reformado para a Copa do Mundo receberá os jogos mais importantes: o jogo de abertura da Copa e outros quatro na primeira fase, um nas Oitavas, um nas Quartas e a grande Final da Copa do Mundo de 2010.
5. Nelspruit
Mbombela (46.000)
Nelspruit é a menor cidade dentre todas as cidades-sede.
Caracterizada pelos sáfaris existentes lá, a cidade receberá apenas quatro jogos da primeira fase, o estádio Mbombela foi construído especialmente para a Copa.
Outro detalhe é que o significado da palavra Mbombela é: muita gente junta em um pequeno espaço.
6. Polokwane
Peter Mokaba (46.000)

A exemplo de Neslpruit, Polokwane receberá também quatro jogos da primeira fase e nada mais, o estádio também foi construído para a Copa e possui a mesma capacidade do Mbombela.
O interessante é o nome do estádio (Peter Mokaba), uma homenagem a um dos líderes da luta contra o Apertheid.
7. Porto Elizabeth
Nelson Mandela Bay Stadium (48.000)
Em relação ao nome do estádio dessa vez nem preciso falar nada, a homenagem é justíssima e é para o expoente máximo do país.
O estádio, bem moderno construído também para a Copa tem o formato da flor símbolo da África do Sul, a Protea, receberá oito jogos da copa: cinco na primeira fase, um nas Oitavas, um nas Quartas e a Decisão do 3º Lugar.
Porto Elizabeth é também um dos principais pontos turísticos da África do Sul.
8. Pretória
Lotus Versfeld (50.000)

Inaugurado em 1906, o estádio Lotus Versfeld é o mais antigo da Copa. Foi reformado para sediar a competição e receberá seis jogos: cinco na primeira fase e um nas Oitavas.
Capital do país, com mais de dois milhões de habitantes Pretória é a casa de outros dois grandes times sul africanos o Supersport, atual bicampeão nacional e o Mamelodi Sundowns, clube que possui um uniforme mutio parecido com o da Seleção Brasileira.
Foi o palco da abertura e da final da Copa das Confederações no ano passado.
9.Rustemburgo
Pra fechar o post, Rustemburgo.
Royal Bafokeng (42.000)

De todos os estádios da Copa é o que possui a menor capacidade, foi reformado para a Copa e receberá seis jogos do Mundial: cindo da primeira fase e um das Oitavas.
Rustemburgo é a sede do Platinum Stars, clube da primeira divisão sul-africana, o nome do time é uma consequencia da principal atividade econômica da cidade: Rustemburgo é a principal exploradora de platina do mundo.
No mês que vem tem mais Sawubona, com outras curiosidades e detalhes de todo o ambiente que cerca a principal competição de futebol do mundo.

Indagações

A chuva fina que cai lá fora
transborda no meu cérebro
e percorre todo o meu braço
até chegar na mão direita.
Faço da caneta uma nuvem carregada e
pingos de tinta azul encharcam o papel
que era branco, que era nada.
Sou poeta.
Sou poeta?
Além de escutar a chuva
e trasnformar ideias em palavras
o que mais eu faço?
Não sei e não quero saber
isso aqui não precisa de explicação.
Isso aqui precisa de inspiração.
Que vem da chuva, que vem da menina
que vem da vida, que vem da saudade.
Escrevo e nada mais.
Sou poeta.
Rogério Arantes

QuimeraTube #02

A segunda edição do QuimeraTube continua com compositores brasileiros, mas agora a letra também é em português.

Vou de Raimundos hoje, a banda que já teve seu auge há um bom tempo e que hoje está meio desfigurada, querendo ou não a conversão de Rodolfo Abrantes meio que sepultou a banda, apesar dos outros integrantes não serem menos importantes do que o ex-vocalista.
Querendo ou não, a banda brasiliense sempre fez um rock n’ roll verborrágico e despojado, sem ligar pro que falam de seus palavrões e afins, gosto não se discute, é verdade, mas será que hoje em dia as bandas de rock brasileiras (não todas, mas boa parte delas) possuem essa coragem?
Fazia tempo que eu não escutava o som dos caras, escutei bastante nesse janeiro e a ideia do QuimeraTube é exatamente essa vou colocar aqui o que eu estiver escutando, e uma música que antes eu quase não escutava é a que eu escolhi, Bestinha:

Flamengo 3 x 2 Duque de Caxias

Assim como falei da estreia do Flamengo no ano de 2009 aqui no Un Quimera, falo hoje da estreia do Flamengo neste ano de 2010, depois do Penta Tri no Carioca e do Hexa no Brasileirão em 2009, 2010 chega com muitas expectativas.
O texto foi publicado originalmente no blog Confio no Mengão.

Enfim a estreia.
O período pós-hexa pra mim foi até chato, não ver o Mengão jogar não é lá muito legal e ficar só ouvindo especulações de contratações também não é nem um pouco animador. É boato demais e considero correta a postura do Flamengo em não sair fazendo contratação a torto e a direito como fizeram muitos times por aí.
Apesar das saídas de Aírton, Everton e Zé Roberto, que eram peças importantísimas temos ainda um elenco hexacampeão brasileiro, não há necessidade de muitas contratações, apenas para as posições de mais carência, por isso já digo, pra mim esse time do Flamengo ainda precisa de lateral-esquerdo para a reserva do Juan e, principalmente, de um meia armador para a reserva do Pet, que não tem idade para aguentar uma temporada inteira jogando todos os jogos.
Fora isso as contratações feitas até agora foram boas na minha opinião, uma boa prova disso foi dada hoje no Maracanã.
Com um time todo desfigurado o Flamengo estreou no Carioca 2010 contra o Duque de Caxias.
A equipe de Caxias, aproveintando uma estranha apatia que tomou conta do Flamengo durante todo o primeiro tempo, saiu na frente com Maurinho, ex-lateral direito do Flamengo, que agora, com 34 anos, está jogando no meio campo do Duque de Caxias.
Apesar dos vários desfalques o gol trouxe preocupação, ainda no primeiro tempo Willians saiu machucado e foi substituído pelo estreante Fernando, conhecido por muitos como irmão do Carlos Alberto, o volante foi contratado junto ao Goiás.
Com exceção de um bom chute de Kléberson o Flamengo não criou praticamente mais nada no primeiro tempo, destaque negativo para as apresentações de Obina e Everton Silva, ambos muito abaixo da média na minha opinião.
Na volta para o segundo tempo Andrade ousou, tirou Erick Flores e Léo Medeiros, este último estava improvisado na lateral esquerda, e colocou Bruno Mezenga e Vinícius Pacheco.
O time mudou muito, a apatia do primeiro tempo parece que foi embora e em menos de dez minutos veio a virada.
O primeiro gol saiu dos pés de Kléberson, após cruzamento rasteiro de Bruno Mezenga a bola passou pelo gol e sobrou pro pentacampeão marcar.
Pouco depois, ótima triangulação do zagueiro Álvaro, de Kléberson e do chileno Gonzalo Fierro que recebeu em profundidade dentro da área e virou o jogo.
Defensivamente Fierro não esteve tão bem, mas enquanto estava atacando sempre tentou criar oportunidades e foi premiado com esse gol, acho que sem dúvida o jogador que demonstrou mais raça nesse jogo foi ele, destaque positivo.
Só que logo depois da virada Álvaro foi expulso, algo que não é muito comum mas que infelizmente aconteceu, como o Flamengo já havia feito as três substituições alguns meiocampistas tiveram que recuar para ajudar David, o time de uma relaxada e o Duque de Caxias começou a pressionar e o pior aconteceu.
O empate. Veio aos 34, com gol do atacante John, que tinha acabado de entrar.
Depois disso o Flamengo voltou a atacar e num escanteio cobrado por Kléberson, aos 39, o estreante Fernando subiu bem de cabeça para dar números finais ao jogo, Flamengo 3 x 2 Duque de Caxias.
O estreante Fernando, não só pelo gol da vitória, mas pela sua atuação como um todo foi pra mim o melhor em campo, mas vale lembrar também Fierro, como já ressaltei e David, que com a
ajuda de Toró conseguiu segurar lá atrás sem Álvaro.
No mais é esperar agora a partida de quarta-feira contra o Volta Redonda, todos, ou pelo menos os mais realistas, deveriam esperar uma estreia sem um grande futebol, o time estava todo desfigurado e o Duque de Caxias não entrou pra perder. A única coisa a questionar, na minha opinião é essa apatia do time no primeiro tempo, sério mesmo, tava muito estranho ver o Flamengo jogar daquele jeito. Mas no intervalo Andrade deve ter botado ordem na casa e o segundo tempo foi infinitamente superior, embora ainda não tenha sido nada de extraordinário.
Os gols do jogo:

SRN

Loucura?

Nas “andanças” pela internet me deparei ontem com um vídeo que foi exibido no programa Fantástico da Rede Globo, falando sobre o novo visual da casa de Oswaldo Montenegro.
O famoso cantor e compositor, de mais de trinta anos de carreira, pintou todo o seu apratamento, começou há cinco anos e finalizou a “obra” por agora.
Perguntado sobre o porquê disso, Montenegro disse:
“É quase como se me desse um vazio insuportável. Começar a pintar isso aqui me deu uma estranha alegria, me deu uma euforia, uma coisa que beirava a loucura no sentido mais feliz da palavra loucura. Até quando eu pintei, a arrumadeira ligou para a Madalena e falou: ‘Eu acho que o Montenegro pirou’. Eu falei: “Minha senhora, quando eu pintar o apartamento de outra pessoa, a senhora me interna, mas enquanto eu pintar o meu, tá tranquilo”.
O que mais me chamou atenção na matéria toda foi a maneira como o repórter e toda a edição do Fantástico tratou o caso. Um abordagem meio irônica e preconceituosa, só pra se ter uma noção a matéria começa com esse parágrafo:
Oswaldo Montenegro resolveu pintar o apartamento dele. Coloriu tudo em casa. O que levaria um cantor famoso da MPB a fazer o que fez no seu próprio lar?
Tá, tudo bem, concordo que uma coisa desse tipo não é nem um pouco normal, a princípio pode e deve causar um pouco de estranheza sim, mas as perguntas feitas a ele parecem ter sido de alguém que nunca viu nada de diferente na vida.
Será que você não tem receio de que achem que é uma maluquice?
Como assim? Oswaldo Montenegro foi simples e categórico na respota:
“O que eu diria é que não precisam se preocupar que eu estou muito bem, e que eu tenho dois privilégios dos quais eu não esqueço nunca. Um é que eu vivo cercado de afeto e o segundo é que eu tenho a sorte de trabalhar no que adoro trabalhar”.
Acabou. Montenegro está muito além das ideias batidas e comuns da grande mídia de hoje em dia, não é loucura, é originalidade.
Será que os repórteres do Fantástico adoram o trabalho deles?
Acho que hoje em dia ocorre uma inversão de valores, em que o comum, fácil e chato é valorizado, é o “correto” e o inesperado, o original, é tratado como loucura.
Não tô falando que é pra todo sair pintando sua casa, não é isso, a questão é a seguinte: existem muitas pessoas inteligentes e originais, que querem e podem viver de uma maneira bem diferente da propagada atualmente, mas as vezes ficam presas aos conceitos impostos a elas.
Outra pergunta “legal”:
Oswaldo Montenegro é lúcido ou louco?
A resposta novamente detona tudo:
“Eu sou lúcido. Eu tenho certeza absoluta que eu sou lúcido. Todo ser humano deve se expressar da maneira mais livre possível. Disso eu tenho certeza absoluta, e nada melhor que a nossa casa pra gente exercer isso”.
Se de tudo o que eu falei ficou a impressão de que eu só estou querendo criticar a Globo ou Fantástico, peço perdão desde já, se não fossem eles fazer essa matéria eu nem iria estar sabendo dessa “loucura” do Montenegro, apenas quero deixar claro que o Brasil carece, dentre muitas outras coisas, de um jornalismo menos bajulativo e previsível.
No mais é isso, a atitude de Oswaldo Montenegro na minha opinião foi sensacional.
E pra terminar o post uma citação do lúcido Oswaldo Montenegro:
“Metade de mim é amor. A outra metade também.”

QuimeraShare #01

Mais uma novidade do Un Quimera pro ano 2010 é o QuimeraShare.

A exemplo do QuimeraTube, o QuimeraShare é voltado pra música.
E começo hoje com o álbum Cruel, de Sérgio Sampaio, lançado em 2006 pela Saravá Discos.
Sérgio Sampaio é considerado um maldito da MPB, pouquíssima gente conhece sua obra, e é por essas e outras que começo o QuimeraShare com ele, tem muita coisa boa que ficou esquecida.
Como compositor ele é ímpar, na minha opinião pelo menos, está no TOP de compositores do cenário nacional.
O disco Cruel é póstumo, foi outro grande compositor da MPB, o maranhense Zeca Baleiro que organizou tudo e nos proporcionou esse belo álbum.
Fã incondicional de Sampaio, Baleiro, além de já ter gravado algumas canções de Sérgio, foi buscar no fundo do baú algumas gravações antigoas e as reuniu nesse álbum.
Destaco como as principais canções do disco, a música título, que já foi regravada por Luiz Melodia, a música de abertura Em Nome de Deus, que já foi regravada por Chico César, Rosa Púrpura de Cubatão, já regravada por João Bosco, Pavio do Destino, já regravada por Lenine e a genial Real Beleza.
“Eu nunca pensei que pudesse querer alguma mulher como quero você, se o mago soubesse e juntasse o meu nome em S ao seu nome em C, nas cartas de todo tarô que houver, em todo ixingue eu podia não ver, mas tudo é tão verde em seus olhos não dá pra não ver, mas tudo é tão verde em seus olhos…”
Tá aí o link do primeiro QuimeraShare:

1968 – O Ano Que Não Terminou


“É muito bom o livro de Zuenir Ventura. A conversa sabida nos meios da elite jornalística era que Zu ia fazer um trabalho de carregação, com apenas dez meses de preparo. Picas. O texto é cuidadíssimo. Quem escreve sabe que aquilo que lá

está foi reescrito “n” vezes. É a melhor coisa que Zuenir já escreveu.”
E com essa citação do jornalista Paulo Francis que começo o post/resenha que fala do livro 1968 – O Ano Que Não Terminou do também jornalista Zuenir Ventura.
Todos sabem que o ano de 1968 é cercado por vários fatos históricos no Brasil e no mundo, foi um ano em que muita coisa mudou, seja ideologicamente, seja politicamente e o livro de Zuenir é uma reflexão e uma recordação daquele período, com ênfase no que viveu o autor, o 1968 brasileiro.
Tudo começa em um reveillon da virada de 67 para 68 na casa do casal Luís e Heloisa Buarque de Holanda, uma festa que
reuniu boa parte dos intelectuais brasileiros daquela época, começar o ano daquela maneira já mostrava como aquele seria um ano que ficaria marcado.
Depois, cronologicamente, Zuenir vai relembrando cada momento importante do ano de 1968, situando o leitor naquele momento, com depoimentos e citações de quem viveu aquele período, como por exemplo Luís Carlos Lacerda, o Bigode, que disse:
“Você não pode imaginar o que sofria uma pessoa como eu, que era comunista,homossexual e transava droga.”
Alguns episódios ocorridos no ano são essenciais para a história e para o livro, um deles é a morte do estudante Edson Luís Lima Souto, baleado no peito por um soldado da PM após um confronto no restaurante estudantil do Calabouço.
A repercussão do fato atingiu a todos naquele momento, a narrativa da missa de sétimo dia alguns capítulos adiante também é muito interessante.
Pouco tempo depois desse episódio veio outro muito importante, relatado no capítulo “E todos se sentaram”, foi a famosa passeata dos cem mil, comandada pelo líder Vladimir Palmeira, o líder que fez, literalmente, todos se sentarem no meio-fio antes de começar a passeata e depois discursou coisas assim:
“A ditadura mais descarada adora leis, deixa eles fazerem leis. Façam uma, duas, três constituições, instalem e depois amordacem um, dois, três congressos. A gente deixa, pessoal. Mas, a gente sabe que não hoje, mas até o fim desta luta a gente derruba uma, duas, três constituições e faz nova lei e nova assembléia, porque esta assembléia não resolve problema de ninguém. Mas, minha gente, não pense que aplaudir e gritar “abaixo a ditadura” é uma vitória. Hoje a repressão não veio porque não pôde. E a nossa vitória é esta: ter saído na raça porque achava que tinha que sair. Mas a gente vai voltar pra casa, o estudante pra aula, operário pra fábrica, repórter pro jornal, artistas pro teatro. E é em casa, no trabalho, que a gente vai continuar a luta. Eu quero botar isso em votação: a gente vai continuar esta luta?”
Sim tudo isso é muito bonito, ficou para a história e merece muito respeito, mas aos poucos o Movimento Estudantil e as camadas comunistas, principais “combatentes” na luta contra a Ditadura foram se equivocando, rachas e desentendimentos nesses grupos também são narrados, outro episódio importante é narrado no capítulo “Que Juventude é essa?”, quando Caetano Veloso, durante o III Festival Internacional da Canção escancarou e deixou claro pra juventude da plateia que muita coisa estava errada:
“Vocês tem coragem de aplaudir este ano uma música, um tipo de música, que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado; são a mesma juventude que vai sempre, semre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada!”
Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho é outra personagem importante do livro, foi o homem que impediu que um diabólico plano do brigadeiro João Paulo Burnier se concretizasse.
Também é narrado um confronto entre os estudantes de direita da Mackenzie contra os estudantes de esquerda do curso de Filosofia da USP, a perseguição à peça Roda Viva, de Chico Buarque, em Porto Alegre e o fracassado XXX Congresso da UNE, num sítio em Ibiúna, São Paulo.
Este episódio em especial expõe muito da desorganização e desunião que existia dentro do Movimento Estudantil.
E depois de tudo isso, na parte final do livro Zuenir conta com muitos detalhes os dias que antecederam o decreto do AI-5, o que acabou sendo o grande fato do ano.
Como a aparente vitória do deputado Márcio Moreira Alves, na véspera do decreto do AI-5 se transformou em uma enorme derrota, o próprio Costa e Silva, então presidente do Brasil, na reunião que colocou em voto o AI-5 disse:
“Eu confesso que é com verdadeira violência aos meus princípios e idéias que adoto uma atitude como esta.”
Mas mesmo assim o AI-5 se transformou em realidade e algumas de suas primeiras vítimas são lembradas no capítulo final do livro.
O livro termina, mas 1968 não, este ainda ressoa atualmente por tudo que aconteceu nele, e se tudo não aconteceu da melhor maneira possível lá, que os erros sirvam para a minha geração ou para gerações futuras como aprendizado.
E pra fechar o post vale lembrar a canção que se transformou em hino para a geração de 1968: