Arquivo mensal: novembro 2009

Os "acontecimentos" de novembro/2009

As visitas de Shimon Peres e Ahmadinejad ou até mesmo as eleições uruguaias e hondurenhas poderiam estar aqui, mas preferi focar em outros dois acontecimentos não menos importantes:
Bolsa-Celular

Já falei aqui no Un Quimera do Vale Cultura, uma atitude do governo que eu considerei positiva.
Hoje falo do Bolsa Celular. Projeto feito pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, que prevê que cada família que recebe o Bolsa Família receba também, de graça, um celular e R$ 7 por mês em créditos.
O projeto foi repassado para o presidente Lula no dia 10 e foi visto com muito entusiasmo pelo mesmo.
Dessa vez me sinto na obrigação de criticar.
Sim, isso soa meio estranho, Bolsa Celular, não é nem de longe algo de primeira necessidade para a população brasileira.
Só que é fácil de ser explicado, faltam 31 dias para 2010, e 2010 é ano de Eleição, e toda vez que nos aproximamos de ano de Eleição o governo que está no poder toma atitudes não tão inteligentes, que visam “beneficiar” o “povão”, que na maioria das vezes, bitolado, cai nessa conversa.
Cada um dos celulares do Bolsa Celular pode gerar alguns votos, e no fundo é isso o que pensam e o que sabem Lula e cia.
Não entrando no critério partidário, até porque acredito que qualquer um que estivesse lá faria coisa parecida, mas entrando sim no critério da democracia: atitudes como essa corrompem ao menos um pouco a questão democrática das Eleições e isso é uma pena.
Ano que vem o Un Quimera falará bastante dessas Eleições e esse acontecimento com certeza será relembrado.
Apagão de Itaipu
Também no dia 10, ocorreu o outro acontecimento, de proporções enormes em se tratando de Brasil.
Outro acontecimento intimamente relacionado com a Política, que interfere também na Segurança Nacional.
Foi o apagão de Itaipu, que atingiu 18 estados brasileiros além do Paraguai, durante a madrugada do dia 10 para o dia 11 inúmeras foram as consequencias e os danos causados por esse apagão: hospitais sem água, semáforos desativados, ruas sem iluminação pública, panes nos elevadores, etc…
O que se discute é qual foi o real motivo para essa “catastrófe” e quem são os responsáveis.
E essa discussão parece não ter nenhum ponto em comum, são muitos os envolvidos: a ministra da Casa Civil e presidenciável Dilma Rousseff, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e os principais representantes de Itaipu: Márcio Zimmermann e Jorge Miguel Samek.
Equipamentos danificados, problemas meteorológicos como um vendaval, várias são as versões.
Cada um fala uma coisa, e o real problema é escondido debaixo do tapete. Algumas das declarações chegam a ser deploráveis, como a do indicado de José Sarney, Edison Lobão que disse que o apagão foi “um micro problema”.
Enfim, este é o outro assunto que pode ter ecos em 2010 na hora das Eleições, portanto é bom ficar atento e relembrá-lo no ano que vem.

Som da Rua – Caju e Castanha

Hoje um curta, bem curto mesmo, vindo diretamente do Porta Curtas Petrobras.

Um pequeno documentário sobre a dupla Caju e Castanha. Os dois pernambucanos que, como é bem dito no próprio vídeo, urbanizaram a embolada, fazendo assim com que a cultura nordestina, e não apenas os nordestinos em si, fossem conhecidos e aceitados nas grandes cidades brasileiras.
É quase impossível acompanhar o ritmo de alguams de suas emboladas, mas mesmo assim é bonito ver como ambos são empenhados em transmitir essa cultura tão rica e característica.
Sem mais conversa vamos pro vídeo da embolada:

Genialidade em verde e rosa

Falar um pouquinho de música hoje.
Mais especificamente sobre samba. Sobre um dos maiores sambistas que o mundo já viu, pelo título e pela descrição acho que já deu pra sacar que vou falar de Angenor de Oliveira, o Cartola.
Pra falar a verdade não devo conhecer nem um terço da obra de Cartola, mas o pouco que eu conheço já me deixa fascinado.
Mas antes da obra, falo um pouco da vida desse carioca que passou toda sua infância no bairro das Laranjeiras, (onde talvez tenha aprendido a torcer para o Fluminense) mas ainda novo mudou-se com sua família para o Morro da Mangueira, onde iria fazer história.
Aos 15 anos muita coisa mudou na vida de Cartola: sua mãe morreu e ele parou de estudar.
Daí pra frente Cartola passou a trabalhar de servente de pedreiro e aos poucos foi ajudando a construir e a dar força para uma das mais tradicionais escolas de samba do Brasil, a Estação Primeira de Mangueira.
O sambista malandro e boêmio que surgia parecia ser um daqueles caras que tem a poesia correndo nas veias, e depois de compor vários sambas que ficaram muito famosos na década de 30, teve um estranho desaparecimento e só voltou a tona em 1956.
Daí pra frente novos sambas foram compostos por Cartola e junto com sua mulher, Dona Zica, fundou em 1964 o Zicartola, um restaurante que reunia boa comida com bom samba.
Com o fechamento do Zicartola as coisas começaram a complicar para Cartola e ele mudou-se para Jacarepaguá, onde viveu até sua morte, em 1980.
No meio de tudo isso clássicos como As Rosas Não Falam, O Sol Nascerá (A Sorrir), Tive Sim, entre outros, foram compostos.
A obra de Cartola não se restringiu ao mundo do samba, devido, creio eu, a enorme qualidade, Cartola foi regravado por cantores como Cazuza, Ney Matrogrosso, Raimundo Fagner dentre outros.
E a “devoção” de Cartola à Mangueira é outro ponto admirável de sua vida, pelo menos no meu modo de ver, muito da fama e da grandeza que a Mangueira possui hoje dentro do meio do samba e também fora dele se deve à Cartola.
Eu vejo o Cartola como um cara meio inexplicável, indiscutivelmente um gênio, com uma história de vida bonita e um pouco misteriosa, e com sambas sensacionais.
E de todas as canções-poemas dele, O Mundo É Um Moinho é a minha preferida, e só estou colocando este post aqui hoje porque sem querer achei um vídeo do Cartola cantando essa canção para o seu pai, vale muito a pena assistir, é de arrepiar:

Salve, Simpatia!

“Então que morra o Preconceito e viva a União Racial!”

SER Humano

Não quero ser meloso
como um romântico
e muito menos prolixo
como um parnasiano
quero ser eu de verdade
fazer transparecer no papel
o que penso e o que sinto
o tempo voa com asas velozes
e a vida vai no mesmo embalo
cada dia é um dia novo, único
assim como as ideias de um poeta
e da novidade vão nascendo
essas linhas um tanto confusas
sem métrica e sem nada
só com a pura vontade de escrever
e mostrar como sou:
humano, efêmero, inconstante
alguém que quer pensar
com originalidade
não se ater a tolos paradigmas
não pensar como os outros
ter a tranquilidade
de deixar o medo esvair-se
e, definitivamente, SER humano.
Rogério Arantes

Euforia

Um post que vai aqui pro Un Quimera e também pro Confio no Mengão.
Como o próprio título já diz é um post eufórico, onde deixo transparecer minha torcida, o lado
passional que tem que ser inevitável quando se fala de futebol, pelo menos penso assim, lá vai:
Mais um domingo.
E em reta final de Campeonato Brasileiro os domingos são diferentes, vêm carregados de maiores emoções. E quando o jogo de domingo é um clássico de rivalidade história tudo é maior: as provocações, a importância do jogo, a emoção etc…
E nesse domingo não foi diferente, Atlético/MG x Flamengo fizeram um jogo que foi cercado de expectativas de ambos os lados na semana que passou.
E bastaram 10 minutos para que um dos astros do espetáculo, o camisa 43 Petkovic mostrasse todo seu talento.
Fez um gol que pra muitos é difícil e raro de fazer, mas que pra ele já se tornou algo normal. Escanteio cobrado direto, entre o goleiro e o zagueiro atleticano, o placar estava aberto.
Antes do gol de Pet o alvinegro até tomou atitude e chegou ao gol rubro-negro, mas o gol não saiu.
E depois do gol o Flamengo se tranquilizou, a defesa mostrava seriedade e solidez, o meio campo sabia cadenciar bem o jogo e o ataque, quando chegava, chegava com objetividade e perigo.
Numa dessas, Maldonado (el hombre invisible) veio de trás, cortou o zagueiro atleticano e aumentou o placar, final de primeiro tempo 2 x 0.
Nem mesmo o gol de Ricardinho, logo aos 4 minutos de segundo tempo conseguiu fazer com que o Galo reagisse.
As saídas de Aírton (que, diga-se de passagem, vem fazendo grandes jogos) e de Petkovic poderiam até desestabilizar o time mas ambos entraram muito bem. Toró substituiu o camisa 5 com a mesma raça e pegada e o chileno achou o mapa da mina pela direita.
Chegava e sempre assustava e, numa dessas, aos 36 do segundo tempo que Fierro colocou uma bola na cabeça de Adriano, para fechar o placar: 3 x 1.
Enquanto isso Diego Tardelli do outro lado do campo via o Imperador se igualar a ele na artilharia da competição com 18 gols.
Inapelável. O Flamengo fez um grande jogo, digno de campeão, calou a torcida atleticana num Mineirão lotado e, por forças próprias se credenciou a não mais disputar uma vaga no G4, mas sim o hexa.
Na humildade característica de Andrade o Flamengo agora é candidato ao título sim. Serão 4 jogos difíceis, mas serão 4 jogos que poderão levar o Flamengo a mais uma glória.
Independente dos resultados dos adversários diretos ao título o Flamengo está focado, e a união torcida-time está muito forte!
Jogos como esse contra o Atlético/MG engrandecem ainda mais o orgulho de ser rubro-negro e trazem a alegria e a euforia a tona.
Euforia em São Gonçalo do Sapucaí, euforia nas Minas Gerais, euforia no Rio, euforia no Brasil!
O Flamengo vem chegando forte na humildade e digo sem hipocrisia: RUMO AO HEXA!
SRN

Uma amiga

Renovação de ideias

reintegração de palavras
cada poema que escrevo
é uma reunião.
Um novo velho encontro
E se todos os detalhes
dessas várias reuniões
fossem todos revelados
não teria graça
Há sempre alguma coisa
que fica no ar.
Que se perde
em meio aos pensamentos
E essa amiga tem nome
residência e endereço:
Prazer, Poesia.
Me encontre
em toda cabeça aberta
na rua dos sentimentos
Rogério Arantes