A "trapizonga"

Nunca é bom generalizar, quando falo que não gosto de assistir TV devido principalmente à baixa qualidade da grande maioria dos programas oferecidos (levando em conta a rede aberta, a única que possuo acesso) existem algumas exceções, exemplo disso é o CQC, já citado aqui no Un Quimera, mas hoje falo de outro programa que também já foi citado, mas que volta a tona hoje.
Trata-se do Observatório da Imprensa, apresentado pelo fodástico Alberto Dines.
O programa, exibido todas as terça à noite, é uma análise perfeita do jornalismo brasileiro e mundial, da ótica de quem entende muito do assunto.
Natural que eu me interesse por isso, e na última terça o programa tratou de um assunto que tem tudo para tomar conta das conversas de um (pequeno) círculo de pessoas: os leitores.
Pra ser sincero eu nunca tinha ouvido falar da “trapizonga” (definição do imortal João Ubaldo para o tema de que trataremos agora) apresentada no programa, mais conhecido como Kindle, o aparelho que surgiu em 2007 nos Estados Unidos e já chegou ao Brasil é uma espécie de livro digital, onde e-books são baixados e lidos no próprio aparelho.
Para muitos pode ser apenas mais uma inovação tecnológica mas o debate feito no programa revela que isso é muito mais.
O Kindle levou algumas pessoas a afirmar que os bons e velhos livros têm prazo de vida curto, alguns chegaram a afirmar que ele só “viverá” até 2018.
Em relação a isso, pra mim é puro sensacionalismo, como bem afirmou Dines o livro, algo que existe há seculos não desaparecerá assim tão facilmente.
Outros pontos foram abordados e engrandeceram ainda mais o debate: o ponto de vista ecológico, defendido por muitos é de que com o Kindle e o fim dos livros, florestas e mais florestas serão poupadas.
E tem também dois fatores históricos, citados pelo professor Muniz Sodré: a relação Livro/Kindle poderá ser análoga à relação LP/CD VHS/DVD, ponto de vista que eu considero o mais possível de acontecer. O outro fator é em relação à “volta ao passado futurista”, sim, é meio estranho mas saca só: antigamente, antes dos livros, lia-se em papiros, rolos de papel, e o que é o Kindle se não um rolo eletrônico?
Confesso que não terminei de assistir o debate pois estava muito cansado, o período pré-vestibular é propício para chegar a noite em casa e não fazer outra coisa a não ser dormir, mas mesmo não assistindo até o fim deu pra perceber como foi importante o tema abordado e como foi rico o debate feito.
E para o fechar o texto, o essencial é mesmo dizer que, independente de ser via livro ou via Kindle ou qualquer outra trapizonga, o importante é ler. Pode até parecer muito clichê isso, mas uma sociedade aliterária não vive, não vai pra frente. Por isso, leiam!

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