Arquivo mensal: outubro 2009

Os "acontecimentos" de outubro/2009

Acaba outubro, dia de acontecimentos no Un Quimera:
Honduras: Zelaya e o Golpe Militar

Esse é um acontecimento que na verdade começou a se desenhar de fato em 28 de junho, mas os meses foram passando, outros acontecimentos colocados aqui e o Golpe Militar de Honduras foi ficando de lado, mas, como adiantado no “acontecimentos” de setembro, nesse mês tem Honduras no Un Quimera.
Tem porque é um acontecimento que mexeu muito com a América Latina nesses últimos meses. Manuel Zelaya, presidente de esquerda popular, ao estilo Hugo Chávez, era o presidente de Honduras até junho, quando um golpe militar o derrubou. Acusado de corrupção e de tentar mudar a Constituição do país para que ele pudesse ser reeleito.
A tomada de poder pelos militares foi condenada pela comunidade americana: Barack Obama se declarou contra o Golpe, assim como os presidentes de esquerda da América do Sul e também Lula.
Mas o Brasil ainda não sabia que iria se envolver e muito nesse acontecimento.
Zelaya foi mandado para a Costa Rica e impedido de voltar a Tegucicalpa, porém no dia 21 de setembro, o ex-presidente hondurenho voltou a Tegucicalpa, mais precisamente, voltou para a Embaixada do Brasil em Honduras.
De lá pra cá várias negociações estão tentando ser feitas, mas os militares parecem não querer aceitar de maneira alguma a volta de Zelaya.
A questão é a seguinte: Zelaya não queria mudar a Constituição assim sem mais nem menos, a ideia dele seria um plebiscito para decidir isso, daí vêm os militares e dão um golpe.
É meio estranho isso, acho que qualquer tipo de golpe militar soa autoritário e “ditatorial”, talvez pro eu ter conhecido mais a fundo o brasileiro de 64.
E em relação a situação atual do acontecimento: conflitos políticos enrolados e meio sem solução, é, esse acontecimento tinha que estar mesmo ligado ao Brasil.
Olimpíadas Rio 2016

E por falar em Brasil…
Temos agora um acontecimento que teve e terá enorme repercussão ainda.
Dia 02, Copenhague, Dinamarca, Brasil com o Rio, Espanha com Madrid, EUA com Chicago e Japão com Tóquio, concorriam para ver quem sediaria os Jogos Olímpicos de 2016.
Depois de muita espera e suspense, veio o anúncio: Rio 2016.
Não dá pra falar que não torci por isso, e acredito que a grande maioria da população também torceu para isso.
É um evento de uma magnitude enorme que pode e deve gerar momentos inesquecíveis
principalmente para a minha geração.
Mas é necessário fugir desse oba oba impsoto pela grande mídia e analisar essa escolha de uma maneira diferente.
Não sei se por acaso, nessa última semana os noticiários, principalmente os televisivos, estão repletos de notícias sobre os confrontos armados no Rio de Janeiro, além disso, todos sabem que a Cidade Maravilhosa também tem vários outros problemas que já existem há tempos.
Por tudo isso é indispensável repensar essa situação e modificar, ou pelo menos tentar modificar esse quadro até os Jogos Olímpicos, independente do governante que estiver no poder.
Yes, we créu, mas só isso não basta, obras e mudanças têm que ser feitas e dessa vez, diferentemente do Pan 2007, seria bom que o dinheiro público não fosse gastado de maneira errônea, pro bem do país, pro bem dos jogos, pro nosso bem.

Dia do Flamenguista

Hoje é o meu dia e é o dia de mais 35 milhões de rubro-negros.
Hoje é o dia do flamenguista, e a paixão pelo Flamengo é enorme.
Coloco aqui no Un Quimera, um texto que já está no Confio no Mengão (outro blog em que eu escrevo) e foi escrito e publicado originalmente no blog do RicaPerrone
Lá vai:
“Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia.“, disse Nelson Rodrigues, fanático tricolor desprovido de vaidades clubisticas na hora de analisar futebol.
Hoje, 28 de outubro, é o dia do flamenguista. Hoje, 28 de outubro de 2009, é o dia que o Flamengo pode se tornar líder do campeonato Brasileiro. Hoje, como quase toda quarta-feira, é dia de 35 milhões de pessoas viverem por um só objetivo e outras 150 milhões torcerem contra.Amanhã, como sempre, líder ou fora da briga, à capa dos jornais terá o tal do
Flamengo. Decidindo titulo, lá estarão milhares de torcedores, em outro estado, fazendo com que o tal do Flamengo jogue em casa quando deveria atuar fora.
No sábado, onde todos brigam pela liderança, lá estará ele, de novo, jogando com 12, burlando o regulamento básico do futebol.E se o time pipocar e perder o titulo novamente, não muda nada. Vão se revoltar, falar mal, protestar e, daqui três meses, lá estará eles fazendo juras de amor ao time num clássico qualquer pelo campeonato estadual, aquele que nem eles agüentam mais vencer. O time mais inexplicável do planeta terra, sem dúvida.
Não ganha o principal titulo nacional desde 1992. Lá se vão mais de 17 anos e a torcida diminui? Não, aumenta. Segundo pesquisa, a maior entre as crianças do país.Quando ninguém dá nada pra eles, chegam e surpreendem a todos. Quando todos esperam muito, ele perde e decepciona sua nação.
Favorito em tudo que disputa, simplesmente pelo citado acima. Ninguém é capaz de saber o que esperar do Flamengo, nunca.E quando eventualmente não tem um time capaz de ser campeão, a cobrança é como se tivesse. Ou seja, não existem jogadores no Flamengo. Existe o Flamengo e ponto final.
Única torcida do planeta que paga ingresso por dois espetáculos. Um no campo, como todas elas, e outro que ela mesmo proporciona.O flamenguista vai ao Maracanã pra curtir o time, o jogo, o clima e a própria torcida. É único.
Talvez uma das raras torcidas do mundo que tenha dezenas de ídolos, mas que não há discussão sobre o maior.Existe o Zico e o resto. E o “resto” inclui, talvez, os dois melhores laterais que o mundo já viu em cores. Leandro e Junior.
A Nação rubro-negra não tem esse nome a toa. São 35 milhões de torcedores, e vejamos:A cidade mais populosa do mundo é Tóquio. E tem 34 milhões de pessoas. A maior do Brasil é são Paulo, com 19.O Flamengo, sozinho, tem 35. Se cobrasse impostos seria trilhardário. Não cobra, e vive devendo. Deve milhões, e isso não faz a menor diferença.
Ao contrário do amor que tanto exaltamos este não vai embora quando o amado fica pobre. É amor de verdade, o mais puro que existe.Incondicional, este sim. Aquele que não analisa que não raciocina que não condiciona a nada. A nação poderia dizer, sem culpa: “Eu te amo, e pronto”. Não interessa porque, como, quando e nem sob quais condições. É maior, é inexplicável.
Ser Flamengo é algo que não tem comparação. Eu não nasci assim, e nem ouso dizer se felizmente ou infelizmente. Flamenguista é aquele sujeito que ama futebol acima do que ele o proporciona. Aquele que não troca amor por resultados, e que não condiciona sua preferência por um ou outro jogador.
Por aí existe o Santos de Pelé, o São Paulo de Rogério Ceni, o Palmeiras de Ademir. Lá existe o Zico do Flamengo. A ordem é sempre inversa. Os valores são sempre diferentes.
Ser flamenguista não torna ninguém melhor do que os outros, nem pior. Diferente, sem dúvida. Ser maioria é algo que fortalece. É infinito, porque a nação não tem fim, e nem deixará de ser a maior torcida do país nos próximos 200 anos.
Odiar o Flamengo é absolutamente justificável. Qualquer um fica irritado em ganhar títulos e mais títulos e ver que a capa do jornal não muda de foto. É sempre a do Flamengo. Qualquer um se incomoda em saber que títulos e dividas menores não conseguem sobrepor à importância de um clube que tem sua grandeza baseada em nada atual e concreto.
É grande. Por quê? Porque é. Pode existir algo maior do que o que não se explica? Entrar num Maracanã lotado e olhar pra aquela torcida é algo que apenas eles sabem o que é o que significa e o quanto importa.“Torcida não ganha jogo”, dizem.“Só se for a sua”, eles dirão.
Hoje é dia do flamenguista. Você não é Flamenguista? Que pena.

SRN

Domingo de clássicos

Não, não é só porque Liverpool e Flamengo venceram ontem que eu vou falar de futebol hoje, é que já fazia tempo que eu não falava sobre meus times aqui no Un Quimera, aproveitando as vitórias nos clássicos de ontem, falo hoje sobre eles.
Vamos começar com o jogo da Premier League:
Liverpool 2 – 0 Manchester United

Um clássico cercado de expectativas dos dois lados.
O meu Liverpool vinha em um momento muito ruim, Rafa Benítez super contestado após 4 derrotas seguidas (Fiorentina, Chelsea, Sunderland e Lyon) e pra piorar a situação, Gerrard não estaria em campo nesse clássico.
Pelo lado do Manchester a situação era bem melhor, o time havia conseguido chegar a liderança da Premier League na rodada passada e vencido no meio de semana pela Champions League.
Mas o jogo era em Anfield Road e o Liverpool não iria deixar por menos.
Logo no início o domínio dos Reds era visível, mas durou pouco.
O Manchester equilibrou as ações, aumentou muito sua posse de bola e diminuiu um pouco esse domínio do Liverpool. Mas quem teve as melhores chances da primeira etapa foi a equipe da casa, principalmente com Fábio Aurélio que jogou mais adiantado. Mas o primeiro tempo acabou mesmo no 0 x 0.
Na volta para o segundo tempo, de novo o Liverpool começou melhor.
Não demorou muito e Fernando Torres, o artilheiro red, que voltava ao time no clássico abriu o placar. Foi aos 19 minutos, ele arrancou, deixando Ferdinand pra trás e fuzilou o gol de Van Der Sar.
O Manchester esboçou uma reação e chegou a acertar a trave de Reina em um chute do equatoriano Valencia.
Só que o jogo era dos Reds, que esperavam um contra-ataque para matar de vez os Devils, e o contra-ataque veio: Kuyt recebeu no meio e achou Lucas, o brasileiro deixou N’Gog cara a cara com Van Der Sar, gol do Liverpool, e a atitude de Pepe Reina mostrou como era importante essa vitória. O goleiro espanhol saiu de sua meta e foi até a linha de fundo comemorar com o autor do gol.
Vitória fundamental para o Liverpool, faz com que as chances de voltar a conquistar a Premier League voltem a ser reais, mesmo ainda estando 6 pontos atrás do líder Chelsea.
YNWA!
E agora Brasileirão:
Botafogo 0 – 1 Flamengo

Clássico de opostos.
O Botafogo, após perder para o Cerro Porteño na Copa Sul Americana, na última quarta, tinha problemas ainda maiores dentro de solos brasileiro: a luta para não cair. Com as vitórias de Santo André e Náutico a situação do alvinegro carioca se complicou ainda mais e não restava nada mais do que vencer.
Pelo lado rubro-negro a situação era bem melhor, uma série invicta que já dura dois meses e Petkovic jogando muita bola, a única notícia ruim era que a consistente dupla de zaga titular (Álvaro e Ronaldo Angelim) não entraria em campo.
O jogo foi no Engenhão, mas quem teve mais atitude foi o Flamengo.
O Flamengo criou melhores oportunidades no primeiro tempo, o Botafogo também criou mas parecia que estava com medo de arriscar.
Não demorou muito e o Imperador mostrou porque recebe essa alcunha, em uma bola despretensiosa cabeçeada no meio de campo, Adriano recebeu passou como um rolo
compressor pelos zagueiros alvinegros e fez o único gol do jogo.
Na volta para o segundo tempo o Botafogo necessitando da vitória melhorou e partiu pra cima.
O Flamengo perdeu Pet logo no início da segunda etapa, para seu lugar entrou o estreante atacante Gil.
E a pressão do Botafogo parecia que ia surtir efeito: André Lima cavou um pênalti aos 23 do segundo tempo e árbitro Luiz Antônio Silva dos Santos foi na dele e marcou.
Lucio Flávio foi pra bola e Bruno defendeu. Mais uma vez um pênalti do Botafogo para no goleiro rubro-negro.
Depois disso o Botafogo até tentou mais alguma coisa, mas emocionalmente a vitória já era rubro-negra.
Agora sção 10 jogos sem perder, uma sequencia fantástica que coloca o Flamengo não só na briga pelo G4 mas também na briga pelo título, afinal, o Flamengo está a apenas 3 pontos do atual líder Palmeiras.
VAMO FLAMENGO, VAMO SER CAMPEÃO VAMO FLAMENGOOO!!
Um domingo perfeito em relação ao futebol, digno de um post aqui.

A "trapizonga"

Nunca é bom generalizar, quando falo que não gosto de assistir TV devido principalmente à baixa qualidade da grande maioria dos programas oferecidos (levando em conta a rede aberta, a única que possuo acesso) existem algumas exceções, exemplo disso é o CQC, já citado aqui no Un Quimera, mas hoje falo de outro programa que também já foi citado, mas que volta a tona hoje.
Trata-se do Observatório da Imprensa, apresentado pelo fodástico Alberto Dines.
O programa, exibido todas as terça à noite, é uma análise perfeita do jornalismo brasileiro e mundial, da ótica de quem entende muito do assunto.
Natural que eu me interesse por isso, e na última terça o programa tratou de um assunto que tem tudo para tomar conta das conversas de um (pequeno) círculo de pessoas: os leitores.
Pra ser sincero eu nunca tinha ouvido falar da “trapizonga” (definição do imortal João Ubaldo para o tema de que trataremos agora) apresentada no programa, mais conhecido como Kindle, o aparelho que surgiu em 2007 nos Estados Unidos e já chegou ao Brasil é uma espécie de livro digital, onde e-books são baixados e lidos no próprio aparelho.
Para muitos pode ser apenas mais uma inovação tecnológica mas o debate feito no programa revela que isso é muito mais.
O Kindle levou algumas pessoas a afirmar que os bons e velhos livros têm prazo de vida curto, alguns chegaram a afirmar que ele só “viverá” até 2018.
Em relação a isso, pra mim é puro sensacionalismo, como bem afirmou Dines o livro, algo que existe há seculos não desaparecerá assim tão facilmente.
Outros pontos foram abordados e engrandeceram ainda mais o debate: o ponto de vista ecológico, defendido por muitos é de que com o Kindle e o fim dos livros, florestas e mais florestas serão poupadas.
E tem também dois fatores históricos, citados pelo professor Muniz Sodré: a relação Livro/Kindle poderá ser análoga à relação LP/CD VHS/DVD, ponto de vista que eu considero o mais possível de acontecer. O outro fator é em relação à “volta ao passado futurista”, sim, é meio estranho mas saca só: antigamente, antes dos livros, lia-se em papiros, rolos de papel, e o que é o Kindle se não um rolo eletrônico?
Confesso que não terminei de assistir o debate pois estava muito cansado, o período pré-vestibular é propício para chegar a noite em casa e não fazer outra coisa a não ser dormir, mas mesmo não assistindo até o fim deu pra perceber como foi importante o tema abordado e como foi rico o debate feito.
E para o fechar o texto, o essencial é mesmo dizer que, independente de ser via livro ou via Kindle ou qualquer outra trapizonga, o importante é ler. Pode até parecer muito clichê isso, mas uma sociedade aliterária não vive, não vai pra frente. Por isso, leiam!

Consciência e Diferença


Até hoje o Un Quimera nunca publicou textos que não fossem da minha autoria, mas chegou a hora!

O texto de hoje tem raízes sapucaienses como as minhas, mas tem caule e frutos itajubenses: primeiro pela citação do “Grande Guila” e depois porque seu autor, Guilherme Oraboni vive hoje em Itajubá e está cursando Engenharia Mecânica na UNIFEI.
Guilherme (outro membro da Nação rubro-negra) é um grande amigo que já foi parceiro em uma empreitada num jornal escolar pouco tempo atrás, e que ainda mantém vivo o hábito de escrever.
Afinal, engenheiros (alguns) também escrevem, aí vai:
Outro dia, remexendo em arquivos do meu computador, encontrei alguns vídeos da ditadura militar do Brasil perdidos em meio a vários clipes de música. Lembrei-me, então, do Guila, que foi quem os passou para mim no finalzinho de 2008, fase pré-vestibular. Guila, então meu professor de história, estava conversando conosco (havia mais uns quatro ou cinco gatos pingados na aula naquela última semana) e mostrou os vídeos.
Devo dizer que, certamente, é a parte da história que mais me interessa. Tanto que pedi para ele me passar os vídeos. O fato é que vi os vídeos e comecei a assistir um que falava dos efeitos do AI-5 na cultura brasileira. No meio do vídeo, citava-se o Manifesto elaborado pela Aliança Libertadora Nacional (ANL) em 1969, pelo seqüestro do embaixador dos EUA no Brasil Charles Burke Elbrick. ANL, aliás, formada pelo atual político José Dirceu…
Por mera curiosidade, fui procurar o tal manifesto na Internet. Pensando se tratar de um texto com ideais revolucionários e a favor do povo, para o povo. Surpreso, me decepcionei. Mais, fui tomado inclusive por um sentimento de revolta. Nele, o autor (no caso, todo o grupo, pois nenhum dos “revolucionários” assinou o manifesto) se orgulha pelos atos de vandalismo e contra a lei cometidos a favor da “revolução”. Transcrevendo as palavras do Manifesto, “assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores.”
Em outro trecho, o manifesto diz que a ANL quer “mostrar que é possível vencer a ditadura e a exploração, se nos armarmos e nos organizarmos.” Isso me lembra, ainda, uma fala de Nelson Rodrigues: “Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes “É proibido proibir” e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais.”
É preciso discernir bem se a revolução fará bem ao país. O próprio termo “revolução” é carregado por jovens do mundo todo como um lema, uma palavra-chave. Porém, a que preço? Os idéias da ANL eram louváveis: a própria queda do regime autoritário, em reforma agrária, queda da repressão cultural, fim do arrocho salarial. Porém, basta jogar fogo contra fogo? No próprio texto, a última frase afirmava que “Agora é olho por olho, dente por dente.” Vale a pena usar dos próprios meios utilizados pela ditadura para conseguir a liberdade? Me parece um equívoco, uma contradição, usar técnicas que abominamos a nosso favor.
É de se pensar, portanto que, caso conseguisse sua meta, o governo da ANL não seria muito diferente do praticado pelos militares. O próprio fato de terem seqüestrado o embaixador americano, tal qual era feito pelos militares com quem se opunha a seu governo. Depois, vários apoiadores do regime militar subiram ao poder, mesmo depois do fim da ditadura. Fernando Collor foi um deles. Com apoio da grande mídia, concedida pelos militares a quem lhes convinha, acabou deposto pelos próprios meios que o elegeram.
A frente de oposição se transformou no que hoje é o PT e seus aliados. Claro que todos são contra a ditadura atualmente, mas as origens são essas. E é lá que está José Dirceu. Lá no governo, no poder. Fica então a pergunta: qual a diferença entre a oposição e o governo? Eles utilizam, desde a década de 60, aliás, desde a república nova, das mesmas táticas para subir ao poder.
Não digo, de forma estereotipada, que os políticos “não prestam”, “são uma corja de corruptos”, entre outras expressões tão comuns. Digo apenas que deve-se pensar bem em quem se elege. Como dito no início do vídeo do meu professor do colegial, “Relembrar é manter-se vivo!”
Guilherme Oraboni
*a foto é de um plasma.

Cartas da Mãe

Mais um post com um curta vindo diretamente do site Porta Curtas.

Hoje com o curta Cartas da Mãe.
Tem aquela famosa canção de João Bosco e Aldir Blanc, O Bêbado e a Equilibrista, que diz:
“… e sonha com a volta do irmão Henfil e tanta gente que partiu num rabo de foguete…”

Pois então, Cartas da Mãe é curta que mostra cenas de um Brasil recente, o Brasil marcado pela ditadura militar é o pano de fundo para as cartas de Henfil (o cartunista, o mesmo da música) para sua mãe.
São cartas que tratam de vários assuntos, mas sempre focando a questão do exílio, da liberdade de expressão (ou falta dela), da ditadura, de todo esse universo.
Com depoimentos de Frei Betto, Zuenir Ventura, Luis Fernando Veríssimo, Lula e dos cartunistas Angeli e Laerte, o curta mostrra um importante período de nossa história, aí vai:

Eia, pois, advogada nossa…

Um texto onde, em síntese, eu falo da fé, da fé que eu enxergo nos olhos de pessoas simples no dia de Nossa Senhora Aparecida (baseado em fatos reais):
Existem pequenos gestos e fatos que podem mudar, ou pelo menos ajudar a mudar, grandes coisas.
São gestos que saem fora do script, que ultrapassam a barreira do comum ou do lógico.
E não há lugar melhor para presenciar tais situações do que numa missa seguida de procissão numa cidade do interior de Minas Gerais.
O roteiro comum da missa, com seus ritos e liturgias, o roteiro comum da procissão, com seus fiéis e suas bandeiras, tudo isso pode ser modificado por uma pessoa.
A missa mal tinha começado e surge um senhor na frente do altar: sorriso no rosto, camisa meio desabotoada, calça batida, sapato velho, mas ainda assim, sorriso no rosto, aparência ruim, dando a impressão de que o resto do dia tinha sido vivido dentro de um bar ou coisa parecida, mas ainda assim, sorriso no rosto.
O “povo de Deus” misturava sua perplexidade e suas risadas durante toda a missa, o senhor continuava defronte ao altar, ora abafava as leituras com sua voz potente, ora aumentava o coro na hora das cantigas; ele estava ali, com sorriso no rosto e, sem saber, modificando toda aquela missa, que com certeza ficará marcada por muitos, como a este que vos escreve, por exemplo.
Finda a missa, sai a procissão, afinal é dia de Nossa Senhora Aparecida, protetora do Brasil, santa que tem a devoção de milhões de pessoas e sempre aglutina grande parte dessas pessoas na hora das procissões.
E dessa vez não foi diferente, cruz e velas guiavam a procissão rumo a uma outra igreja, longa procissão, marcada pelo terço, pelas cantigas e por mais…
Depois de muito andar a procissão enfim chegou a seu destino, o andor com a imagem de Nossa Senhora é carregado por vários fiéis, alguns mais fanáticos, que fazem promessa inclusive, mas quando o andor chegou um de seus quatro carregadores era ele: o senhor do sorriso nos lábios participou de toda missa e seguiu a procissão até seu destino final.
Poucos devem ter percebido esse detalhe, mas era ele, ele que sorria sempre, um sorriso que todos sabiam que não era de felicidade, nem de conforto, dava pra ver sua baixa condição social, mas então por que tanto sorria aquele senhor?
A resposta pode até ficar no ar para alguns, mas pra mim, romântica e ingenuamente eu acredito e digo: o nome disso é devoção!
Este senhor é apenas um de vários embriagados, degredados, sofridos que esquecem de todos os problemas e no dia de Nossa Senhora vão a missa, este em particular demonstrou toda sua devoção de uma maneira peculiar e incomum, apenas reforçando o batalhão dos devotos.
Mas além dele muitos outros semelhantes estavam presentes nessa mesma procissão; é algo que não requer muita explicação, só pode ser o que chamam de fé, é olhar nos olhos de senhores e senhoras e sentir a emoção, e ver esboços de lágrimas, e poder acreditar que esse sentimento é real.
Independente da crença de cada um, o dia 12 de outubro sempre será marcado por algo mágico, místico, e ouso dizer até que não é à toa que esse dia é o dia de Nossa Senhora e o dia das Crianças: existem senhores sorridentes que voltam a ter a pureza e a inocência de uma criança quando estão de frente para a Senhora Aparecida.
Rogério Arantes

Veja por outro lado

O vazamento do ENEM foi um assunto que abalou muita coisa nesses últimos dois dias, gerou muito assunto e me deixou com muita raiva também.
Gerou um amplo quadro de possibilidades a serem especuladas, trato hoje do lado jornalístico desse “acontecimento” (os “acontecimentos” aparecem sempre no último dia do mês, mas esse mês promete, e o assunto vazamento do ENEM interferiu muito em minha vida, vale a pena explorá-lo aqui).
Um texto, Veja por outro lado:
Hoje seria um sábado, um pouco diferente de todos os outros.
Um sábado em que eu iria acordar cedo, tomar um café e já ir preparando papeis e documentos.
A minha cidade é um tanto quanto pequena, por isso iria ter que viajar nesse sábado, por volta das 10, 10:30 da manhã.
Chegar em uma cidade vizinha, procurar uma escola com nome engraçado e sentar numa cadeira pra fazer uma prova durante a tarde inteira, 90 questões.
Amanhã, seria um domingo, um pouco diferente de todos os outros.
Um domingo em que eu iria acordar cedo, tomar um café e pegar novamente os documentos, dessa vez já sem os papeis.
A minha cidade é mesmo pequena, por isso iria ter que viajar nesse domingo, por volta das 10, 10:30 da manhã.
Chegar em uma cidade vizinha, voltar àquela escola de nome engraçado e sentar numa cadeira pra fazer mais uma prova durante a tarde inteira, 90 questões e uma redação.
Estaria vivendo isso, o novo ENEM, eu e mais 4 milhões de estudantes.
Mas não viverei isso, pelo menos não nesse final de semana. Por que?
Porque a prova que já tinha gerado muita discussão e polêmica durante o ano foi adiada na madrugada de quarta para quinta (01º/10), o motivo seria uma fraude: dois caras, com as provas em mãos, as ofereceram a uma repórter do jornal O Estado de São Paulo.
A repórter (Renata Cafardo), acompanhada de dois outros repórteres não aceitou pagar R$ 500 mil para os “amadores” e prontamente entrou em contato com o ministro da Educação Fernando Haddad, foi confirmada a fraude e por volta de 1h da madrugada o ENEM estava oficialmente cancelado.
Deve-se destacar primeiramente a atitude exemplar da jornalista do Estadão. Vendo assim todos pensam que o que foi feito, seria feito por qualquer outro no lugar de Renata, sim, pode até ser verdade que ela não fez mais do que obrigação, foi ética, cumpriu seu dever de jornalista exemplarmente, mas será que todos teriam a mesma atitude?
O que aconteceria se os dois homens que estavam com a prova tivessem ido a uma outra empresa de comunicação que gostasse do papo deles e aceitasse pagá-los?
Na verdade é melhor nem pensar, mas dá pra imaginar eu e mais uma legião de estudantes vendo todo o estudo e planejamento feito durante todo o ano indo por água a baixo, até mesmo aqueles que não estudaram teriam o direito da revolta.
Fernando Haddad seria prontamente demitido, o caso ganharia proporções ainda maiores, a festa e a alegria da escolha do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016 (assunto a ser comentado nos “acontecimentos” do fim do mês) seria abafada com algo tão alarmante.
Por essas e outras é que o trabalho que envolve a comunicação tem que ser exaltado, quando o que está em jogo é a opinião pública não se pode ser displicente nem cair em qualquer conversa.
E é por isso que eu digo, em casos tão bombásticos como esse, veja por outro lado.
Rogério Arantes