Nordeste encantado

Acho que já deu pra perceber que eu gosto muito de misturar literatura com outros gêneros: futebol, política e por aí vai…
Hoje a mistura é com a música.
Nesse caso já não é uma mistura tão incomum assim, se remontarmos a um dos períodos iniciais da literatura ocidental teremos no Trovadorismo uma perfeita união entre poesia e música, as cantigas de amor e amigo são o exemplo clássico disso.
Mas a mistura da qual falo hoje é bem atual.
Muitos são os autores nordestinos que pertenceram ao Modernismo brasileiro: Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto entre outros. Além desses dá pra citar também um pré-modernista que teve muita importância e que está em destaque hoje em dia, devido ao centenário de sua morte: Euclides da Cunha, autor de Os Sertões.
Todos esses autores buscam mostrar um nordeste real e encantado ao mesmo tempo.
Os romances “sensuais” de Jorge Amado, os engenhos de José Lins do Rego, as Vidas Secas de
Graciliano Ramos, a Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto.
A partir desses autores é que a literatura nordestina e o valor do Nordeste brasileiro começou a ser reconhecido no resto do país.
Daí é simples estabelecer a relação com a música, no mesmo século XX surgiram vários cantores nordestinos que também mostravam sua região de uma maneira fantástica.
A relação básica entre a maioria destes autores e cantores é a migração para Rio ou São Paulo, migrando para estas cidades eles de certa forma incluiam-se em suas histórias e canções, pois as migrações eram temas recorrentes sempre.
Dá pra citar muitos cantores, tais como: Belchior, Raimundo Fagner, Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, os Doces Bárbaros, os Novos Baianos, Raul Seixas, o manguebeat da Nação Zumbi de Chico Science dentre outros, com certeza devo ter
esquecido alguns ótimos cantores, já fica o pedido de desculpa de antemão.
Mas todo esse papo é pra chegar em algo atual, como havia dito no começo do texto.
E esse algo atual tem nome: Cordel do Fogo Encantado.

A banda pernambucana que surgiu há mais ou menos uma década não é daquelas bandas que fazem muito sucesso com a grande massa, a banalização musical de hoje em dia impede que isso aconteça.
Mas pra quem tem um poquinho de vontade de conhecer algo realmente novo e interessante a ideia é começar a escutar Cordel, com certeza você ira se encantar.
Com uma percussão violentíssima, a banda mostra influências oriundas do manguebeat, dos côcos, dos batuques africanos, o resultado disso tudo é um som com muita energia, é impossível escutar Cordel sem se empolgar com a vibração do som, principalmente com a vibração do vocalista da banda: Lirinha.
E a relação do Cordel do Fogo Encantado com a literatura é enorme. Citações de João Cabral de Melo Neto, por exemplo, são constantes, além de uma impregnação do místico e do religioso nordestino na maioria de suas músicas, assim como os autores nordestinos também fazem críticas sociais como na música Palhaço do Circo Sem Futuro (só pra citar uma).
É isso, o nordeste brasileiro é muito rico culturalmente e nos dias de hoje o Cordel do Fogo Encantado talvez seja o principal representante dessa cultura quando o assunto é música.
Vai o myspace deles que tem vários vídeos: http://www.myspace.com/cordeldofogoencantado
E vai também o vídeo direto de “Dos três mal-amados – Palavras de Joaquim”:

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